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domingo, 7 de outubro de 2012

Lições olímpicas: em Pequim, estádios e gastos monumentais


Jogos deram exposição, mas instalações deixaram dívidas e se tornaram elefantes brancos

Por Jorge Luiz Rodrigues

RIO - Quatro anos depois dos Jogos Olímpicos-2008, embora seja possível notar melhorias expressivas no transporte público e na infraestrutura da capital chinesa, as instalações espetaculares construídas para o megaevento estão subutilizadas ou abandonadas, consumindo verbas públicas.
A liderança no quadro de medalhas, com 51 ouros, destronando EUA e Rússia, foi o grand finale para a nação anfitriã, que trabalhou durante sete anos para realizar o megaevento sem problemas de infraestrutura. Dias antes do início das competições, o presidente da China, Hu Jintao, discursou, pedindo ao mundo que não misturasse questões políticas com as competições. Num país que censurou sites contrários ao regime, isolou do mundo o Tibete desde os protestos de março de 2008 e pôs Xinjiang sob vigilância após ataque terrorista que matou 16 policiais antes dos Jogos, não houve como dissociar política e esporte durante as Olimpíadas.
O Partido Comunista quis impressionar o mundo com a pujança de uma nação emergente e mostrar aos chineses que o planeta os respeitava. Durante os 16 dias (8 a 24 de julho), o show distraiu a atenção da população de problemas como corrupção, arbitrariedades, falta de preservação ambiental e desigualdade de renda.
Pela primeira vez, a China teve de abrir suas fronteiras a qualquer cidadão que possuísse uma credencial olímpica. No entanto, o controle do governo sobre o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 foi total, com o ex-prefeito (nomeado pelo PC) Liu Qi no comando. Havia apenas dois funcionários estrangeiros: um húngaro e um senegalês. Às vezes, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se via obrigado a intervir. O Serviço de Notícias Olímpicas se transformou em rara exceção. Foi terceirizado para a empresa holandesa Infostrada. Afinal, os chineses não são o que se pode chamar de especialistas em liberdade de informação.
De 2001 a 2008, as mudanças na cidade foram marcantes. Cerca de 80% das lâmpadas das ruas em volta dos locais de competição passaram a ter energia gerada por meio de captação solar. O mesmo aconteceu com 90% da água para a banho na Vila Olímpica.
A construção de cinco arcos rodoviários (o Rio ainda nem ganhou o seu) e de mais quatro linhas de metrô (aumentando o total para oito), os trens de suspensão magnética e o sistema de controle de tráfego beneficiaram o transporte. Faixas exclusivas para o deslocamento da família olímpica, além de férias escolares e de repartições públicas ajudaram o trânsito.
Novos bairros surgiram ao redor dos anéis viários. Como os das vilas Olímpica e de Mídia, erguidas em prédios com apartamentos de até quatro quartos, bem maiores do que o apertado padrão chinês. O slogan olímpico de 2008, “Um mundo, um sonho”, tomou conta da capital, que ganhou um aeroporto internacional novinho em folha, hoje, o segundo do mundo em volume de passageiros, superado pelo de Atlanta (EUA), a sede olímpica de 1996.
De 2002 a 2008, fábricas foram fechadas para melhorar a qualidade do ar. Mesmo assim, Pequim teve vários dias cinzentos durante o abafado verão olímpico. Hoje, o problema persiste.
Com os US$ 34 bilhões (R$ 68,79 bilhões) de investimento, Pequim ganhou 19 novos estádios, remodelou 13, adaptou 59 locais de treinos e construiu quatro pontos fundamentais: a Vila Olímpica, a Vila de Imprensa, o Centro Principal de Imprensa (MPC) e o Centro Internacional de Rádio e TV. Ergueu novos estádios para o futebol, em Tianjin e em Qinhuangdao, e a marina para o iatismo, em Qingdao, a 600 quilômetros do Sul da capital.
O centro nervoso dos Jogos foi o Olympic Green (Verde Olímpico), com 1.135 hectares, a 22 quilômetros do Centro. Abrigou 13 dos 32 locais de competições, além da Vila, de um hotel seis estrelas, do MPC e do IBC. A atração principal foi o estádio Ninho do Pássaro, com 80 mil lugares, sede do atletismo, das finais do futebol e das cerimônias de abertura e encerramento. Ao lado, fica o ginásio, com 18 mil lugares, para ginástica, handebol e vôlei. Também com 18 mil lugares, o Cubo D’Água nasceu para ser futuro centro nacional de natação e abrigar ainda saltos ornamentais, nado sincronizado e polo aquático.
Hoje, a realidade é desanimadora. Tanto o Ninho quanto o Cubo se tornaram elefantes brancos. Em 2009, o Ninho recebeu a Corrida dos Campeões, que reuniu o heptacampeão de Fórmula 1 Michael Schumacher e o inglês Jenson Button, entre outros. Em 2010, foi palco da decisão da Supercopa da Itália, entre Milan e Internazionale. Abrigou o primeiro rodeio da China e o parque temático “Maravilhas do inverno”. Em junho passado, a administração estimou que seriam necessárias três décadas para recuperar os 3 bilhões de iuans (US$ 480 milhões) gastos na construção.
O Cubo teve prejuízo de 11 milhões de iuans (R$ 3,17 milhões) em 2011, mesmo com contínuo subsídio do estado. A instalação foi transformada em parque aquático de diversões.
Erros e acertos de Pequim e de sedes anteriores serviram para Londres planejar suas Olimpíadas.
— Barcelona (1992) e Munique (1972) conseguiram integrar instalações à vida da cidade, enquanto Pequim (2008) e Atenas (2004) tiveram problemas — disse ao GLOBO, em maio passado, Richard Burdett, diretor do LSE Cities, um centro de pesquisas da Escola de Ciências Políticas e Econômicas de Londres.

Quatro prefeitos, da eleição à realização
A partir de 13 de julho de 2001, quando Pequim precisou de apenas duas rodadas de votação para ser eleita sede das Olimpíadas-2008 com mais da metade (56) dos 105 votos dos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), a capital chinesa teve quatro prefeitos, que trabalharam desde a vitória da candidatura até a realização do megaevento.
Liu Qi, que assumira em 1999, foi o primeiro deles. Responsável pela campanha vitoriosa, governou até janeiro de 2003. Saiu da prefeitura para assumir os postos de secretário do Comitê Municipal de Pequim do Partido Comunista Chinês e de presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos-2008. Tornou-se mais influente nos Jogos do que seus sucessores. Foi ele que discursou nas cerimônias de abertura e encerramento.
Em janeiro de 2003, o PC apontou Meng Xuenong para suceder Liu. No entanto, Meng resistiu apenas três meses na prefeitura. O partido o defenestrou, juntamente com o então ministro da Saúde, Zhang Wenkang. Foram responsabilizados por falhas no combate à epidemia de gripe aviária.
Wang Qishan o substituiu em caráter emergencial em abril, sendo confirmado prefeito em janeiro de 2004. Acabou promovido no PC em 2007, chegando a vice-premier no ano seguinte. Guo Jinlong assumiu a prefeitura em 2007 e foi confirmado no cargo em janeiro de 2008. Comandou a cidade nos Jogos. Só saiu em julho passado, após renunciar.


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Lições olímpicas: Atenas até hoje não sabe custo dos Jogos


Evento é considerado um dos motivos da crise econômica da Grécia

Por Cláudia Machado

ATENAS - O partido grego Pasok supõe que foram gastos € 6 bilhões, enquanto o Nova Democracia estima algo em torno de € 10 bilhões. Entre desacordos, outros partidos são mais taxativos: € 27 bilhões, no mínimo. Em 2007, o Comitê Olímpico Internacional (COI) havia estipulado que seriam gastos € 1,3 bilhão nas Olimpíadas. Falta de clareza à parte, o evento é considerado um dos motivos de a Grécia ter mergulhado em sua pior crise econômica, quatro anos mais tarde.
Gastos excessivos e falta de planejamento após as Olimpíadas frustraram quem achava que o megaevento impulsionaria o desenvolvimento do país. Em 2003, estudos do Ministério da Fazenda sobre os benefícios dos Jogos anunciaram que, nos 12 meses seguintes, Atenas seria uma potência turística, criando diretamente 445 mil novos postos de trabalho. Para os europeus, iria se tornar destino de fim de semana.
No entanto, as pesquisas falharam. Se em 2003, 13 milhões de turistas desembarcaram em Atenas, em 2004 os números caíram para 11,7 milhões. Quando se previa que em 2010 os visitantes seriam 20 milhões, eles não passaram de 15,5 milhões. Com a queda no turismo, cerca de 700 hotéis foram postos à venda, e centenas deles faliram.
A qualidade de vida também atingiu os gregos. Um ano depois dos Jogos, houve contração do PIB de 1,6%. Atualmente, as Olimpíadas somam cinco pontos percentuais à dívida da Grécia em proporção ao PIB, de aproximadamente 110%. Além disso, devido aos gastos excessivos, não sobrou dinheiro para melhorias nos sistemas de saúde e educação. O custo de vida se tornou mais caro, e o número de imigrantes em um país de 11 milhões de habitantes chegou a quase um milhão devido às contratações ilegais para as construções olímpicas.

Cidade melhorou mas não avaliou impactos
A crise que se seguiu aos Jogos leva os gregos a não valorizarem qualquer legado. Para políticos envolvidos no evento, os Jogos deixaram Atenas mais moderna, com a expansão no sistema de transporte, estradas, estádios, além de créditos internacionais por ter sido capaz de organizar um evento de tal porte. Segundo o presidente do Comitê Olímpico da Grécia, Spyros Capralos, não se pode negar que, depois das Olimpíadas, a capital ganhou um aeroporto moderno, excelentes meios de transportes, como metrô, veículo leve sobre trilhos (VLT) e ônibus elétricos, e novas estradas.
— Houve falhas, atrasos na maioria das obras e desperdícios. Pela pressão do tempo, faltaram estudos ambientais e de gestão após a conclusão dos complexos olímpicos. Mas devemos admitir que a cidade ficou mais moderna, e, se fosse hoje, aceitaria novamente realizar as Olimpíadas na Grécia — afirmou Capralos.
Por outro lado, cidadãos se decepcionaram com a desorganização e a corrupção trazidas pelos Jogos.
— A população em geral ficou orgulhosa de ver a cidade limpa, cheia de flores, com ruas pintadas e vários eventos culturais. Também notamos a diferença de estradas, meios de transportes e aeroportos. No entanto, se convertêssemos as dívidas olímpicas por obras de infraestrutura, seríamos uma das cidades mais modernas da Europa e sem a necessidade de pagarmos tão caro — avaliou o economista Vasilis Petridis.
Para ele, a inexatidão dos gastos, os atrasos nas obras, as trocas constantes de organizadores do Comitê Atenas-2004, a má administração, a falta de planos de impactos econômicos e ambientais a longo prazo e a ausência de licitações para a construção de instalações olímpicas causaram uma amarga experiência.
— A Grécia enfrenta grave crise financeira devido às condições econômicas internacionais, à corrupção política, à má gestão e a valores inaceitáveis nos Jogos 2004. O momento de grandeza da Grécia se apagou na noite de encerramento dos Jogos. O Brasil deve ficar atento aos gastos, e os brasileiros devem exigir clareza. As obras precisam ser realizadas dentro dos prazos, e as empresas construtoras, escolhidas por licitações, sem propinas. Não façam como nós gregos. O resultado é catastrófico, e o declínio, rápido — aconselhou o economista.
Os 23 complexos olímpicos são considerados “elefantes brancos”, e apenas cinco não estão obsoletos. O Centro de Imprensa, com contrato de aluguel de 30 anos, virou shopping center. Para a manutenção e conservação das instalações são necessários € 30 milhões anuais, valor que a economia grega não suporta, estando a maioria dos complexos abandonada.
O estádio de abertura e encerramento dos Jogos, o OAKA, é o principal exemplo dos custos exorbitantes das instalações olímpicas. Orçado em € 3 milhões, consumiu € 399 milhões. Obras fantasmas também fazem parte da herança dos Jogos. Um exemplo é a rodovia que liga a região de Schimatari a Parnitha. Os gregos pagaram € 2,2 milhões pela rodovia, que nunca saiu do papel.
— Restaram dívidas, decepção e algumas estradas na capital. Sediar Jogos não é tarefa fácil e requer honestidade — disse o comerciante Vasilis Tsantilas.
Para a estudante de Direito Spyridoula Soulis, apesar da expansão dos transportes e de a vila olímpica ter oferecido moradia a centenas de famílias de baixa renda, os gastos com os Jogos não trouxeram benefícios econômicos:
— Digo não aos Jogos Olímpicos. O evento nos deixou prejuízos. Algumas pessoas ficaram milionárias, mas nós, contribuintes, pagamos por isso.

Sistema de segurança jamais funcionou
Outro fiasco de Atenas-2004, envolve o sistema de vigilância superpanóptico C41. A segurança dos Jogos custou US$ 1,5 bilhão, sendo US$ 300 milhões gastos com o C41, que nunca funcionou e continua inviável. Durante a abertura dos Jogos de Londres 2012, o jornal grego “To Vima” publicou uma série de reportagens sobre o por quê de uma cidade querer sediar Olimpíadas. Segundo o jornal, os desafios são maiores do que o gosto da vitória. Os Jogos não mudam a reputação de uma cidade, nem fazem turistas escolhê-la como destino ou sequer atraem milionários ou investidores. “Se na equipe não trabalharem pessoas sérias, o país pode falir”, estampou a publicação.
Com o slogan “bem-vindos de volta” e uma cerimônia de abertura emocionante, na qual séculos de História foram contados, as Olimpíadas de Atenas deixaram cicatrizes irreparáveis na sociedade e na economia do país. A Grécia não conseguiu tirar proveito do maior evento esportivo do planeta. Hoje endividada, parece não sentir orgulho do evento que ela mesma deu ao mundo.

Olimpíadas impulsionaram dois prefeitos
Apesar dos problemas econômicos na Grécia depois das Olimpíadas 2004, os dois prefeitos que prepararam Atenas para o megaevento esportivo tiveram ascensão em suas carreiras políticas.
Dimitris Avramopoulos, responsável pela candidatura olímpica e prefeito de Atenas de 1995 a 2002, popularizou-se ao trazer de volta aos gregos os Jogos que criaram. Graças a isso, ele foi reeleito prefeito em 1998 com 57,7% dos votos, recorde em eleições municipais. Ao deixar a prefeitura, Avramopoulos ocupou cargos de ministro de Turismo, Saúde e Defesa e foi vice-presidente do maior partido grego, o Nova Democracia. Em junho deste ano, se tornou ministro das Relações Exteriores.
Filha do ex-primeiro ministro da Grécia Constantinos Mitsotakis e experiente como ministra do Turismo, Dora Bakoyannis assumiu a prefeitura de Atenas em 2003. Primeira mulher a se tornar prefeita da cidade, teve 18 meses para preparar a capital para os Jogos.
Quando eleita, Bakoyannis declarou que, apesar do curto prazo, seria capaz de organizar Atenas cultural e tecnicamente. A promessa foi cumprida. Com base no slogan da sua campanha “obras, colaboração, administração e resultados”, em agosto de 2004 ela entregou a capital limpa, florida e funcionando organizadamente. Seu trabalho foi reconhecido um ano mais tarde ao receber o prêmio bienal “Prefeita do Mundo de 2005”.
De 2006 a 2009, Bakoyannis foi ministra das Relações Exteriores. Em 2010, foi expulsa do partido Nova Democracia por ter votado contra as medidas de austeridade impostas pelo FMI e pela União Europeia. Fundou seu próprio partido, a Aliança Democrática. Neste ano, se coligou novamente ao ND, pelo qual é deputada.


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Lições olímpicas: em Atlanta, revitalização e caos no trânsito


Cidade-irmã do Rio recuperou centro antigo e degradado, não herdou dívidas

RIO - A população de Atlanta não supera os 400 mil habitantes, mas a região metropolitana soma quase quatro milhões, o que aproxima sua realidade à do Rio. As duas sedes olímpicas são cidades-irmãs, conceito criado para instituir parcerias entre governos de municípios com características parecidas. O Rio poderá aprender com Atlanta tanto o que não fazer para receber as Olimpíadas como o que aproveitar em termos de legado.
Um dos principais problemas que Atlanta ofereceu a turistas, jornalistas e até atletas é também um dos maiores desafios cariocas: o trânsito. Com grande parte dos locais de competições concentrada no centro da cidade, o sistema de transporte de massa fracassou.
Para as Olimpíadas, o Marta (Metropolitan Atlanta Rapid Transit Authority), metrô subterrâneo e de superfície que circula em cinco linhas (38 estações) na cidade, foi ampliado, mas esteve longe de funcionar a contento, com constantes atrasos. O deslocamento por ônibus também foi caótico, com muitos engarrafamentos, motivados principalmente pela confluência das linhas para um mesmo destino. Mesmo andar a pé próximo às instalações esportivas foi difícil devido ao excesso de barracas de venda de produtos ligados aos Jogos, marcados por forte presença dos patrocinadores.

A Olímpíada ‘privada’
Ao contrário das outras edições recentes das Olimpíadas, o evento em Atlanta foi quase integralmente financiado pela iniciativa privada. O investimento de empresas, somado à arrecadação com venda dos direitos de transmissão pela TV e dos ingressos para a competição, bancou quase na totalidade os US$ 4 bilhões consumidos pelos Jogos.
A fama de “Olimpíada privada” rendeu críticas a Atlanta desde sua escolha como cidade-sede — o lobby de empresas como a Coca-Cola e a rede CNN, que têm matriz na cidade, teria sido decisivo na opção do COI por nova cidade americana apenas 12 anos depois dos Jogos de Los Angeles. Berço das Olimpíadas, a grega Atenas era a favorita na disputa porque em 1996 completavam-se cem anos dos Jogos da Era Moderna.
Se o fato de ter poupado os cofres públicos pode parecer uma virtude, principalmente aos olhos de um país onde o empenho das verbas governamentais vem sendo questionado, como no caso do Rio, a experiência de Atlanta mostrou que aquele não é necessariamente o melhor caminho. Para a realização dos Jogos, cerca de 68 mil pessoas de baixa renda tiveram de deixar a região central da cidade, no chamado “Anel Olímpico”, área de 3,7km de raio para onde convergiram os principais investimentos. Quem morava na região e acabou tendo de sair não teve o retorno, em qualidade de vida, que as Olimpíadas trouxeram.

Redução da violência
Mas o resultado não foi só de problemas. Com densidade populacional menor, o centro antigo de Atlanta desenvolveu-se urbanisticamente. Os índices de violência caíram progressivamente. Se, no início dos anos 1990, Atlanta frequentava, há três décadas, a lista das cinco cidades mais violentas dos EUA, esse número foi caindo. Até 2010, 14 anos depois dos Jogos, a curva descendente de alguns crimes na cidade era ainda mais acentuada do que no resto do país: o número de assassinatos caiu 57%, segundo dados de 2010 do FBI.
Talvez o exemplo mais positivo de Atlanta seja o bom aproveitamento dos equipamentos construídos para a competição, algo que a cidade carioca não soube fazer após o Pan de 2007. O Centennial Olympic Park mantém-se até hoje como área de lazer e entretenimento, símbolo da revitalização do centro antigo. Foi ali, porém, que um caso de insegurança marcou aqueles Jogos: o atentado terrorista na madrugada de 27 de julho, com duas mortes. Uma torcedora americana foi atingida na explosão de uma bomba, e um cinegrafista turco sofreu um ataque cardíaco.
O estádio olímpico virou a casa do Atlanta Braves, time de beisebol local cujo antigo estádio deu lugar a um grande estacionamento. A Universidade da Geórgia herdou os apartamentos da Vila Olímpica, ocupados por seus estudantes, e também o parque aquático. A reforma completa do Aeroporto Hartsfield-Jackson, beneficiado pela posição geográfica central de Atlanta nos EUA, transformou-o em um hub da malha aérea do país. Em 2011, foi o aeroporto mais movimentado do mundo em número de passageiros: mais de 11 milhões. Um exemplo para um dos maiores passivos do Rio em infraestrutura, o Galeão, hoje ainda longe de atender à demanda de uma cidade olímpica.


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Lições olímpicas: uma nova Barcelona nasceu dos Jogos


Capital catalã se planejou para aproveitar tudo o que construiu

or Priscila Guilayn

MADRI - Em 1992, uma Barcelona completamente transformada, mas com rica personalidade própria, triunfava como sede olímpica. Foram 11 anos de trabalho — começaram com o projeto da candidatura, cinco anos antes da eleição do COI, em 1986 — para conseguir uma regeneração urbana e um maior desenvolvimento econômico regional. O turismo, que hoje representa 15% do PIB barcelonês, não estava entre seus objetivos prioritários. A marca Barcelona, no entanto, ganhou projeção estratosférica, e as palavras usadas para caracterizar a cidade — design, criatividade, inovação, cosmopolitismo, cultura, qualidade de vida — continuam sendo repetidas duas décadas depois, quando o número de turistas passou de 1,7 milhão a 7,6 milhões por ano.
Embora esta seja uma consequência dos Jogos de 92, não é seu maior legado. O perfil turístico que Barcelona ganhou com as Olimpíadas é praticamente o único ponto polêmico: exaltado pela maioria, é execrado por moradores do Centro que sentem saudades dos tempos em que caminhavam tranquilamente pelas Ramblas e ruelas do chamado casco histórico, e reclamam que os turistas recebem mais atenção do que eles. Ninguém nega, porém, que a Barcelona de hoje é infinitamente melhor do que aquela da década de 1980, que lutava para sair da depressão, depois de 40 anos de ditadura franquista, e almejava, como parte integrante da Espanha, entrar na União Europeia (a adesão foi, justamente, em 1986).

Instalações foram aproveitadas
A posição unânime de que os Jogos foram extremamente positivos para Barcelona e marcaram um antes e um depois para a cidade está ligada a uma ideia central: ser sede olímpica era um pretexto para transformar a cidade. Prova disso é que somente 9,1% do orçamento total de 9,4 bilhões de euros foram gastos diretamente em projetos esportivos.
— Economicamente, a chave do sucesso foi a criação de um modelo de financiamento público e privado. A união da visão empresarial com a institucional foi fundamental para criar redes que continuam funcionando e que são responsáveis pelo aproveitamento das instalações olímpicas 20 anos mais tarde — afirma Sunsi Huertas, professora de comunicação de destinos turísticos da Universidade Rovira i Virgili.
O sucesso de Barcelona 1992 está ligado ao planejamento feito com olhos na futura digestão de tudo o que se construísse. Pensando assim, das 43 instalações usadas nos Jogos só 15 eram novas, e todas foram aproveitadas depois. O Palau Sant Jordi, em Montjuic, principal pavilhão coberto dos Jogos, realiza mais de 150 espetáculos esportivos ou musicais por ano. Outro edifício, construído para as competições de luta olímpica, se transformou em universidade. As piscinas olímpicas de Picornell recebem dois mil usuários por dia. E assim por diante.
O Estadio Olímpico de Montjuïc teve um aproveitamento mais problemático. Só ganhou uso fixo em 1997, quando o clube de futebol Espanyol, o segundo time da Catalunha, passava por dificuldades financeiras e teve que vender seu Estadio Sarriá. Em 2009, no entanto, o Espanyol voltou a se mudar. Desde então, o Estádio Olímpico é usado para competições de atletismo e shows.
Os gastos foram repartidos entre o governo regional, que desembolsou 13%; o governo central, 10%; a prefeitura, 2%, e a iniciativa privada, o restante. Enquanto uma minoria dos esforços econômicos foi posta diretamente nos Jogos, os majoritários, 91% do orçamento, foram investidos principalmente em infraestrutura urbana.
Barcelona ganhou 4,2 quilômetros de praias (nove), de sul a norte, frequentadas por 3 milhões de banhistas por ano. Foi uma transformação radicalmente positiva. A linha do trem, agora subterrânea, separava a cidade do mar, e o centro histórico — a Ciutat Vella — mal se dava conta de que o Mediterrâneo estava logo ali. Há dois anos, foram colocados 750 mil metros cúbicos de areia — de um investimento total de 33 milhões de euros em 20 anos — para consolidar as praias barcelonesas, evitando que a cada temporal ficassem sem areia.
— Não tínhamos ambição expansiva. Queríamos requalificação urbana, reestruturar o que já estava feito — conta Lluis Millet Serra, que foi diretor de Arquitetura e Planejamento Urbanístico de Barcelona 1992. — O diálogo social é fundamental. A expropriação da Vila Olímpica, que significou a obtenção de mais de 40 hectares centrais da cidade, não foi feita através de leis ou decretos e, sim, de acordos com cada um dos proprietários ou usuários do terreno.
Graças à criação da Vila Olímpica, que emerge sobre velhos terrenos industriais, o porto barcelonês é hoje um ponto de encontro diurno e noturno: o litoral do bairro de Poble Nou, que durante o século XX foi se convertendo em lixeira a céu aberto, onde o mar era um coquetel de esgoto e resíduos industriais, hoje, despoluído, é cenário de esportes aquáticos e abriga marina, shopping, bares, restaurantes, discotecas, centro de saúde, metrô e bibliotecas.
Os 1.802 apartamentos, de diferentes tamanhos, separados do mar por um parque, serviram de residência para os atletas. Encerrados os Jogos, foram vendidos, por sorteio, rapidamente: havia mais demanda do que oferta. Hoje, quando algum proprietário decide vender seu imóvel, encontra comprador em um piscar de olhos, algo praticamente impossível na atual crise na Espanha. Mais que isso, com os valores de 2007, ano anterior ao estouro da bolha imobiliária, que reduziu preços e paralisou o mercado.
— Foram poucos os erros. Mas diria que nesta obra pecaram por falta. Deveriam ter urbanizado mais dois quilômetros do litoral, na área do Fórum — avalia o economista Ferran Brunet, pesquisador do Centro de Estudos Olímpicos da Universidade Autônoma de Barcelona, referindo-se à região onde o Mediterrâneo se junta com o Rio Bèsos.

Porto se tornou o primeiro da Europa
Erguer a Vila Olímpica numa região degradada e desprezada foi um dos grandes acertos de Barcelona. A insuficiente capacidade hoteleira não foi solucionada com a construção de muitas unidades e, sim, com o aluguel de seis navios de luxo, durante 15 dias, cada um capaz de alojar quatro mil pessoas. Para abastecer as embarcações e atender os hóspedes, o porto teve que ser reinventado. Resultado: Barcelona é, hoje, o primeiro porto de cruzeiros da Europa e o quarto do mundo. Para dar vazão à enxurrada de visitantes, o aeroporto del Prat passou por obras de ampliação: em 2011, recebeu 34 milhões de passageiros, cifra que, 20 anos antes, rondava os 10 milhões.
A capacidade de Barcelona de aproveitar o empurrão dos Jogos a fez pular do 11º lugar entre as cidades europeias mais atraentes, em 1990, para o 4º, em 2010. É a primeira em qualidade de vida para os trabalhadores, quarta para os negócios e quinta para reuniões internacionais. Mas a valorização da marca Barcelona pesou no bolso de quem mora na cidade. É a mais cara do país e a 25ª do mundo.
— O efeito inflacionário é de curto e médio prazo até que apareçam novas ofertas. Na primeira década, com o boom turístico, é normal que os preços subam. Depois, com o aumento da concorrência há uma compensação, uma moderação — afirma o economista Oscar Mascarilla, especialista em análise conjuntural da universidade de Barcelona.
Resumindo, como disse o The New York Times em 1992, sobre a festa de encerramento das Olimpíadas: “a cidade ganhou os Jogos”.


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terça-feira, 12 de junho de 2012

TedxRio+20: gêmeas do remo montam estaleiro para barcos ecológicos


RIO - As gêmeas Kátia e Cláudia Alencar, que integraram a seleção brasileira de Remo, montaram um estaleiro para barcos ecológicos. Nele, trituram e derretem plásticos para serem usados nos moldes das novas embarcações. Além disso, fundaram a Associação Brasileira para Esporte Sustentavel, uma equipe multidisciplinar capaz de atender a qualquer pessoa ou empresa interessada em fazer um projeto sustentável.
- Durante anos sonhamos em participar das Olimpíadas e não conseguimos. Mas hoje, vemos que esse sonho não realizado foi só um treinamento para o que estamos fazendo agora, que é lutar pela sustentabilidade - disse Kátia durante o TedxRio+20, que acontece na tarde desta segunda-feira no Forte de Copacabana.
Segundo Cláudia, o esporte é um bom canal para aproximar as crianças das questões ecológicas.
- É uma ótima forma de se aproximar. Quando a criança tem relação com o meio ambiente, ela tem facilidade para defendê-lo. Assim apostamos em trabalhar com crianças e com barcos ecológicos. Tiramos do mar o que polui e transformamos em algo que fica.
Há cinco dias, as gêmeas fizeram o trajeto entre Angra e Rio de Janeiro a remo, algo só feito antes por uma única mulher. O objetivo era chamar a atenção para poluição dos oceanos.
- Para que o esporte se desenvolva, precisamos ter espaços limpos - defendeu a dupla, que depois de fazer sucesso com remos pretende se dedicar a sustentabilidade
- Nao é possível caminhar sozinho - destacou Katia. - Temos que conectar pessoas e ideias, exatamente como estamos fazendo aqui no Rio agora.


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sábado, 9 de junho de 2012

Governo vai tirar do compromisso com a Fifa obras que não ficarão prontas para a Copa


Anúncio será feito em outubro, no próximo balanço. Até lá, estados e municípios têm uma chance derradeira para se livrar de desembaraços, licitar e iniciar as construções

Por Danilo Fariello

BRASÍLIA — A dois anos do início da Copa de 2014, o governo está consciente de que muitas das 51 obras de mobilidade urbana essenciais não ficarão prontas até o mundial, sem poder cumprir, assim, a promessa feita há cinco anos, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa. Na prática, trata-se de uma manobra para driblar as exigências da Fifa e a cobrança da população. Integrantes do governo federal cogitam retirar essas obras da Matriz de Responsabilidades da Copa — que define compromissos de União, estados e municípios. O anúncio será feito em outubro, no próximo balanço da Copa. Até lá, estados e municípios têm uma chance derradeira para se livrar de desembaraços, licitar e dar início às obras.
Entre as obras com maior possibilidade de serem retiradas da Matriz estão sete que nem sequer têm projeto: o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Brasília, o monotrilho de Manaus, duas obras viárias em Curitiba e duas outras em Porto Alegre. No caso de Brasília, o governo distrital já reconhece que não há tempo hábil para o VLT — obra de R$ 364 milhões — operar na Copa do Mundo. O Tribunal de Contas da União (TCU) passou a considerar a obra como “cancelada”. Em Manaus, o governo acaba de abrir edital para receber propostas até julho para essa obra de R$ 1,3 bilhão.
— Em outubro vamos ter um retrato muito mais sólido do que andou e do que não andou, daí você poderá fazer uma avaliação de cada obra específica e teremos uma situação muito mais clara para poder tomar uma decisão daquilo que pode ficar no regime e o que não tem como ficar — disse Aguinaldo Ribeiro, ministro das Cidades.
Os empreendimentos que saírem da Matriz seriam mantidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ou no PAC Mobilidade Grandes Cidades (lançado em abril com R$ 32 bilhões), para assegurar a liberação de recursos e vantagens fiscais, mas sem pressão sobre prazos.
— Essa seria uma sinalização à população de que as obras serão feitas no futuro, mesmo que com atraso — disse uma fonte do governo.
Na proposta enviada à Fifa, quando o Brasil foi escolhido país-sede da Copa, as obras de mobilidade urbana foram classificadas como o maior legado tangível do evento à população brasileira. O balanço da Copa divulgado em maio mostra que, das 51 obras de mobilidade urbana, 23 não haviam saído do papel, mesmo quase cinco anos após o Brasil ter sido confirmado como sede da Copa.

Caso Delta provoca mais atrasos
O orçamento de mobilidade urbana para a Copa é de R$ 12 bilhões, dos quais, segundo a Controladoria Geral da União (CGU), foram contratados só R$ 4,7 bilhões, sendo que menos de R$ 700 milhões foram executados. Até março, o governo federal conseguiu liberar só 4,1% do valor de R$ 5,35 bilhões da Caixa Econômica Federal para os modais de transporte que servirão à Copa, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU).
Algumas dessas obras tinham contrato com a Delta Construções, o que contribuiu para os atrasos. A prefeitura de Fortaleza (CE) rescindiu no dia 14 de maio contrato de R$ 145 milhões para construção de BRT, que voltou ao estágio de licitação. No Rio, a Delta também desistiu de participar da construção do BRT Transcarioca, deixando sozinha a sócia Andrade Gutierrez com um contrato de R$ 798 milhões.
Estratégica na condução dessas obras, a Secretaria de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades esteve por quase cinco meses à deriva, desde que o ex-ministro Mario Negromonte deixou o cargo, em janeiro, até o fim de maio, quando Ribeiro conseguiu nomear um secretário, Julio Eduardo dos Santos, que possui experiência de serviço público em transportes na cidade de Santos (SP).
Para Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), desde a Constituição de 1988 até meados do governo Lula, o governo federal se afastou do tema de mobilidade urbana. E só voltou a dar prioridade à área com a criação da secretaria, os preparativos da Copa e a edição da Lei de Mobilidade Urbana, no ano passado.
Carvalho sugere que “a União poderia ter um papel mais forte na formação de sistemas de mobilidade sustentáveis nas metrópoles brasileiras, criando programas de investimentos diretos para compensar as dificuldades dos municípios e estados”.
Para compensar o atraso, o governo incluiu na lei a possibilidade de decretação de feriado ou ponto facultativo nas cidades-sede em dias de jogos.

A MATRIZ DA COPA
A Matriz de Responsabilidade da Copa foi assinada no início de 2010 por representantes da União, dos estados e dos municípios e tem passado por revisões periódicas. O texto prevê as responsabilidades de cada ente e serve para auxiliar o controle interno (CGU, TCU e sociedade) sobre o ritmo das obras e os gastos. Estar na Matriz assegura às obras condições especiais, como a utilização de um regime de contratação menos rígido.
Por outro lado, implica o compromisso com prazos de entrega das obras. Apesar de poder ser revista, retirar obras essenciais da Matriz põe em dúvida a capacidade do país de assegurar estrutura para o evento.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/governo-vai-tirar-do-compromisso-com-fifa-obras-que-nao-ficarao-prontas-para-copa-5156105#ixzz1xJZKqQtu 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Operação gastronômica de guerra em tempos de paz


Comitê Organizador anuncia plano para servir mais de 14 milhões de refeições nos Jogos

RIO — Do peixe com batatas fritas aos churrascos africanos, atletas e torcedores não vão passar fome nas Olimpíadas, que começam dia 27 de julho e vão até 12 de agosto, em Londres. Isso é o que garantem os organizadores dos Jogos que, nesta quarta-feira, anunciaram um plano para servir mais de 14 milhões de refeições na "maior operação gastronômica em tempos de paz no mundo".
Serão 150 pratos diferentes que irão refletir o "patrimônio e a diversidade de produtos regionais britânicos e suas receitas", assegurando ao mesmo tempo menus etica e ambientalmente sustentáveis, visando a se tornar os primeirso Jogos de desperdício zero, dizem os organizadores.
— Queremos que todos os participantes dos Jogos neste verão possam ter uma experiência fantástica com toda a comida e a bebida disponíveis — explica Paul Deighton, presidente-executivo do LOCOG, o Comitê Olímpico Local. — Não medimos esforços para encontrar produtos saborosos e de alta qualidade, que celebrem o melhor da Inglaterra.
Além do público que estará na capital britânica para acompanhar os Jogos, 15 mil atletas, espalhados por 40 instalações, terão que ser alimentados. No dia mais concorrido das Olimpíadas, estima-se que serão servidas 65 mil refeições aos competidores, a maioria delas na Vila Olímpica (cujo restaurante terá capacidade para cinco mil lugares). Os cardápios serão montados por “zonas”, com inspiração britânica, europeia, mediterrânea e africana/caribenha.
Devido a situação econômica do país, que enfrenta recessão e orçamento apertado, Deighton promete preços bem razoáveis. A expectativa é de que uma garrafa de água mineral, por exemplo, custe R$ 5; a cerveja, R$ 13; e a tradicional torta com purê de batata, R$ 25. Segundo os organizadores, uma familía de quatro pessoas poderá comer “delícias” como frango com maionese de ervas, batatas e bacon, noodles ou bife com purê de batatas por menos de R$ 125.
— Acreditamos que nossos preços são compatíveis aos encontrados em outros grandes eventos esportivos que, por sua natureza temporária, muitas vezes são maiores mesmo do que numa situação normal — encerra Deighton.
No Crystal Palace, que será a base da delegação brasileira antes e durante os Jogos, as refeições ficarão a cargo de Roberta Sudbrack. Dona de um restaurante que figura entre os cem melhores do mundo, a chef comandará um refeitório com capacidade para atender 210 pessoas simultaneamente.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/olimpiadas2012/operacao-gastronomica-de-guerra-em-tempos-de-paz-5070547#ixzz1wUDG3hFf 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Adidas oferece R$ 350 milhões ao Flamengo


O Flamengo acaba de avisar à Olympikus que tem em mãos uma proposta milionária da Adidas para sucedê-la como fornecedora de material esportivo e patrocinadora do clube. O total do contrato, que é proposto por 10 anos, é de R$ 350 milhões. A proposta foi formalizada no dia 2 de maio e chegou através da Adidas Global, com participação da Adidas Latin America, através do vice-presidente geral Hélio Paulo Ferraz
A empresa alemã, que oferece R$ 35 milhões anuais (a Olympikus paga R$ 18 milhões), quer fazer do Fla um de seus clubes A, juntando-o ao Bayern de Munique, o Chelsea, o Milan e o Real Madrid, ocupando a vaga que era do Liverpool. A idéia é tornar a marca internacional, com penetração em todos os mercados - inclusive o asiático.
Nesta condição, o rubro-negro passaria a ter sua camisa exposta, em lugar de destaque, nas lojas de todo o mundo, seria incluido no "Shop in Shop" (site eletrônico da Adidas, responsável por milhões de dólares em negócios) e, entre outras vantagens (como o acesso à tecnologia "My Coach", para avaliar a evolução tática e técnica dos atletas), teria abertas as portas do "World of Sport", que é o mais moderno Centro de Treinamento do mundo, em termos de tecnológicos, podendo até passar a fazer suas pré-temporadas por lá,
A proposta, que originalmente, é para suceder a Olympikus, ao final de seu atual contrato, em 2014, tem validade por 100 dias. Caso o Fla não a aceite, outros grandes clubes europeus já estão na fila.
Como forma de celebrar o futuro compromisso, a Adidas aceita adiantar R$ 25 milhões, seis meses antes de o contrato entrar em vigor.
Como atual contratante do Fla, a Olympikus tem o direito de tomar conhecimento de qualquer proposta e também preferência na renovação, caso a iguale. Dai a obrigação da presidenta Patrícia Amorim de submeter a oferta de contrato a ela, como acaba de fazer.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Situação do Flamengo

Os dois últimos posts foram sobre o Flamengo. No 1º, uma reportagem da Folha de São Paulo sobre uma possível quebra de contrato com a Olympikus por ela não aceitar entrar no rateio para pagar o salário de Ronaldinho. É de se estranhar essa postura, pois de acordo com a carta enviada à coluna do jornalista Renato Maurício Prado e, que foi publicada em seu blog e na edição do último domingo, 15/04, no jornal O Globo, ela comentava sobre uma suposta austeridade financeira, com o enxugamento das dívidas e abre a possibilidade de uma quebra de contrato que, poderá gerar, uma nova dívida na ordem de R$ 30 milhões para o já esvaziado cofre rubro-negro. Não seria mais interessante alinhar o discurso à prática?

Fala, Patrícia

Prezado Renato, acompanho, sempre com muita atenção, os relatos e as observações críticas de sua coluna. Delas, com respeito e sem agressões, aproveito para tirar lições. Haverá, entretanto, o ilustre jornalista de entender que certas críticas não podem ser vistas por uma simples ótica, razão pela qual lhe presto os seguintes importantes esclarecimentos. Fui eleita com a responsabilidade de administrar um clube social e esportivo com mais de 10 mil associados, centenas de meninos em escolinhas de vários esportes e não somente um departamento de futebol. A rica história do Flamengo está escrita também em letras de ouro por grandes campeões nos esportes olímpicos, como basquete, remo, natação e ginástica. E hoje temos os principais brasileiros campeões mundiais nestas modalidades. Posso lhe afirmar que quem fosse o eleito para esta gestão estaria atônito ante o caótico quadro administrativo/financeiro deixado pelos Srs. Marcio Braga e Delair Dumbrosck. Encontramos mais de R$ 400 milhões em dívidas, cerca de 500 processos trabalhistas e centenas de processos cíveis. O passivo subiu de R$ 165 milhões, em 2004, para R$ 265 milhões, em 2009, segundo os balanços oficiais. O prejuízo acumulado em 2009 atingiu R$ 135 milhões. Em 5 anos, o CRF pagou R$ 125 milhões de juros e o rombo nos orçamentos superaram os R$ 100 milhões. E o Fla ainda responde a quatro processos de dívidas junto a FIFA. Atrasos salariais e das cestas básicas, dos vales transportes e de refeições e do 13 salário dos funcionários e atletas eram constantes. Hoje, tudo está sendo religiosamente pago em dia. Nunca mais houve Natal de fome no Flamengo. Pasme, encontramos toda a bilheteria dos jogos, até 2014, cedida à empresa BWA por conta de empréstimos realizados com taxas de 40% ao ano!!! Agora, a dívida deixada de R$ 12 milhões se encontra 95% quitada.
A sede da Gávea estava em estado de abandono. O prédio do Morro da Viúva destruído, com mais de
50% dos apartamentos sem geração de rendas e a maioria penhorada em razão de dívida ativa de R$16 milhões de IPTU — que cobravam dos inquilinos e não repassavam para a Prefeitura! No futebol, após 23 anos de quase abandono, o CT George Helal vem recebendo constantes investimentos a ponto de termos o setor dos profissionais pronto até o final deste ano. Há um extenso trabalho na base, com incentivo ao "Craque o Flamengo faz em casa" e a manutenção dos direitos de jovens como Cezar, Adrian, Muralha, Luiz Antônio, Tomás, Lucas e Negueba. E tivemos 10 convocados para as seleções do Brasil. Entre os profissionais recuperamos quase 100% dos direitos econômicos e federativos alienados a empresários, representando imenso crescimento patrimonial. E fomos campeões invictos em 2011 e nos classificamos para a Libertadores. Ante ao caos encontrado procurei juntar na diretoria grande parte de pessoas sem raízes com o passado a alguns poucos mais experientes, que já deram muito ao Flamengo. O cartão corporativo atende às mínimas despesas de representação dos Vices Presidentes que, por razão estatutária, não são remunerados. A Locanty prestou trabalho na Gávea e no CT da mesma forma que outras empresas prestaram e prestam serviços ao clube. Nos dois primeiros anos deste mandato foram pagos mais de R$ 70 milhões de dívidas deixadas pela gestão Braga/Dumbrosck. E, bem ao contrário do triste depoimento público do primeiro, decretando a falência do Fla (e que pode ser visto no You Tube), aumentamos de R$ 500 milhões para R$ 800 milhões a dotação orçamentária 2012/2015. O CRF perdeu seu patrocinador de duas décadas (Petrobras) por inadimplementos fiscais que o impossibilitam, até hoje, de obter o CND. A dívida da Timemania, apesar de estarmos fazendo os pagamentos, ultrapassa R$ 250 milhões. O passivo junto à Procuradoria da Fazenda amonta mais de R$ 100 milhões. Junte-se a ela, R$ 60 milhões à Receita e mais R$ 90 milhões ao INSS e FGTS... A reconstrução social e esportiva do clube vem sendo uma árdua tarefa. À sede da Gávea voltou a ter frequência familiar com as atuais condições sadias de suas instalações. O prédio Hilton Santos (no Morro da Viúva), patrimônio rubro negro, será recuperado através da construção de um hotel com 400 quartos gerando receita de cerca de R$ 5 milhões anuais além de quitação do passivo de R$ 16 milhões de IPTU e a garantia de investimentos de R$ 17 milhões no CT George Helal. Renato, muito mais que estar presidenta, sou
mulher, mãe e dona de casa o que me dá a sensibilidade de olhar e tratar a família rubro-negra e a juventude que frequenta a Gávea bem diferentemente dos últimos gestores. Esta é a resposta de uma administração que vem promovendo um salto qualitativo na vida do clube. Nossa ousadia tem o seu preço, mas, no médio prazo, ele será pago pela luta e pelo empreendedorismo de quem bem conhece o que foi disputar competições defendendo as cores rubro- negras. Meu lamento vai para os imediatistas e para os que lá estiveram e nada fizeram. Cordialmente, saudações rubro negras, Patrícia Amorim".

sábado, 14 de abril de 2012

TCU investiga uso de verba de Jogos Olímpicos



Por Luiz Ernesto Magalhães

Relatório conclui que Ministério do Esporte repassou a cidades de São Paulo dinheiro destinado a preparar o Rio

RIO - O Tribunal de Contas da União (TCU) considerou irregulares convênios do Ministério do Esporte para repassar quase R$ 16 milhões de verbas que deveriam ser usadas para preparar o Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016. Desse total, cerca R$ 13 milhões sequer ficaram na cidade: foram destinados à reforma e construção de instalações esportivas em São Bernardo do Campo (SP) e Lins (SP). Mais R$ 3 milhões foram direcionados para obras que na verdade eram de responsabilidade do Ministério da Defesa para os Jogos Mundiais Militares de 2011, no Rio.
No caso dos Jogos Militares, o relatório do TCU considera agravante o fato de que parte desses recursos acabou sendo usada para pagar despesas de um contrato sob investigação do próprio TCU. O contrato se refere à reformas no Centro Nacional de Tiros que, segundo o TCU, tem indícios de superfaturamento.
Em seu voto, a ministra Ana Arraes também questionou a demora para que a Autoridade Pública Olímpica (APO) divulgue a chamada Matriz de Responsabilidades. No documento devem constar os orçamentos, os prazos e qual ente público — se União, estado e município — será responsável por implantar cada projeto. Há meses, a União estuda repassar à prefeitura e ao Estado recursos para a execução de alguns projetos que de início seriam de sua responsabilidade.
São Bernardo teve repasse de R$ 12 milhões
Os convênios foram firmados em 2010. Em relação às instalações localizadas em municípios de São Paulo, o Ministério do Esporte alegou em sua defesa que os projetos eram importantes para dotar o país da infraestrutura esportiva necessária e preparar atletas para os Jogos Olímpicos. Ana, no entanto, acolheu o entendimento dos auditores do TCU de que o programa de onde saíram os recursos explicitava que o dinheiro só podia ser usado no Rio.
Para São Bernardo, por exemplo, R$ 12 milhões foram destinados para construir o Centro de Desenvolvimento do Handebol Brasileiro. O complexo esportivo contará com alojamentos para atletas e espaços para que as quatro seleções da modalidade possam treinar simultaneamente.
O presidente da Confederação Brasileira de Handebol, Manoel Luiz Oliveira, disse que a previsão inicial era que as obras fossem concluídas no fim do ano passado. Mas os trabalhos não começaram.
— O dinheiro está disponível. O problema é que os projetos das obras ainda estão sob análise da Caixa Econômica Federal. Não vou entrar no mérito da decisão do TCU. Mas, pessoalmente, acho que ações para melhorar a infraestrutura do esporte são investimentos para as Olimpíadas — justificou Manoel Oliveira.

TCU quer que Ministério use verbas do programa no Rio
Para a cidade de Lins (SP), o Ministério do Esporte fechou um convênio de R$ 975 mil para a reforma do estádio municipal. Do total, R$ 358 mil já foram liberados, de acordo com o Portal da Transparência.
No caso das instalações de Deodoro, o Ministério do Esporte argumentou que o Centro de Tiro será usado nas Olimpíadas. O TCU não concordou com o argumento, alegando que o intervalo de cinco anos entre os Jogos Militares e Olimpíadas trará a necessidade de gastos futuros com manutenção, reforma e até novos investimentos para atender a exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Em seu voto, Ana Arraes determinou que o ministério só use as verbas do programa olímpico no Rio. E pede que os técnicos do TCU identifiquem e realizem audiência com os responsáveis pelos repasses.
Procurado, o Ministério do Esporte não localizou ninguém que pudesse comentar o relatório. A Autoridade Olímpica informou que ainda não foi informada sobre a decisão do TCU.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/tcu-investiga-uso-de-verba-de-jogos-olimpicos-4645836#ixzz1s35e34Kr 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dilma volta a vetar uso de recursos do FGTS para Copa e Olimpíadas


O Congresso incluiu novamente o tema em uma MP. O veto foi publicado no D.O.

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff vetou, mais uma vez, o dispositivo que permite o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em obras em cidades da Copa do Mundo e das Olimpíadas. A possibilidade de usar os recursos foi aprovada pelo Congresso, numa manobra do PMDB de incluir a questão dentro da Medida Provisória 545. O veto foi publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial da União.
Na justificativa, Dilma argumenta que os empreendimentos "já dispõe de linhas de crédito disponíveis para o seu desenvolvimento, além de recursos garantidos pelo governo federal (…) a proposta desvirtua a prioridade de aplicação do FI-FGTS, que seve continuar focada nos setores previstos”.
Em dezembro, texto semelhante fora aprovado na MP 540, e a presidente Dilma vetou a proposta, também com a justificativa de que os recursos do FGTS são utilizados para moradia e porque os investimentos na Copa e Olimpíada já tem regras específicas. Na ocasião, o veto criou mal-estar entre o Planalto e o PMDB.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/dilma-volta-vetar-uso-de-recursos-do-fgts-para-copa-olimpiadas-4413877#ixzz1qFkEcDBo 

terça-feira, 6 de março de 2012

Os desafios para as Olimpíadas de 2016 é tema de palestra na Estácio


O superintendente executivo de esportes do COB e ex-medalhista olímpico do vôlei Marcus Vinicius Freire ministrará a palestra “Time Brasil: como transformar o Brasil em um potência olímpica até 2016”, nesta quinta-feira, dia 7, às 10h, no campus Tom Jobim da Estácio, na Barra.
O auditório tem capacidade para 400 pessoas e a participação é gratuita e aberta ao público. A aula será teletransmitida ao vivo, pela internet, para os cerca de 247 mil alunos da instituição em todo o Brasil, além dos sete mil professores e cerca de quatro mil colaboradores da universidade em 17 estados. 
O Campus Tom Jobim fica no Centro Empresarial Barra Shopping, na  Av. das Américas 4.200, Bloco 11, Barra da Tijuca.

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/bairros/posts/2012/03/06/os-desafios-para-as-olimpiadas-de-2016-tema-de-palestra-na-estacio-434881.asp

Concurso vai definir plano diretor de ocupação do Complexo Esportivo de Deodoro


Nesta terça-feira, o governo do Estado anunciou parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil

RIO - O secretário-chefe da Casa Civil do governo do Estado, Régis Fichtner, anunciou nesta terça-feira uma parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) para realizar um concurso que definirá um plano diretor de ocupação do Complexo Esportivo de Deodoro. Os escritórios de arquitetura definirão não apenas um plano de ocupação para as instalações esportivas já existentes e a ser construídas para as Olimpíadas, como também uma integração desses equipamentos com o futuro Autódromo de Deodoro. Régis Fichtner participa da reunião com representantes do Comitê Olímpico Internacional (COI), que está no Rio acompanhando os projetos para as Olimpíadas de 2016.

O presidente da Autoridade Pública Olímpica, Márcio Fortes, o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes também participam do encontro com os representantes do comitê. Antes de participar da reunião, na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o prefeito disse que vai negociar com a Confederação Brasileira de Automobilismo prazos para a desativação do Autódromo de Jacarepaguá. O espaço receberá o Parque Olímpico, principal instalação esportiva para os Jogos.
— O autódromo não é um problema. As demolições não vão começar sem que o novo autódromo de Deodoro comece a ser construído — disse o prefeito.
Paes também falou sobre os próximos passos da prefeitura na preparação dos jogos Olímpicos na cidade:
— As coisas estão funcionando como o previsto, o planejado, e temos ainda muito o que fazer. Está tudo bem nas Olimpíadas do Rio. Amanhã (quarta-feira), a Prefeitura do Rio entrega à população o Parque dos Atletas, que já foi usado durante o Rock in Rio e é uma das duas obras já inauguradas das Olimpíadas. Anunciaremos também a solução para o golfe, temos a licitação do Parque Olímpico já feita, BRTs em andamento, e inclusive um dos BRTs, a Transolímpica, via expressa que ligará a Barra da Tijuca a Deodoro, termina a licitação na quinta-feira. Ou seja, está tudo mais do que no prazo – afirmou Paes, destacando que as duas intervenções já inauguradas são o Parque dos Atletas, onde foi realizado o Rock in Rio 2011, e o novo Sambódromo, que vai abrigar as provas de Tiro com arco e a chegada da Maratona.
Nesta quarta-feira, ele participará do anúncio do resultado do concurso para a escolha da empresa que construirá o campo de golfe dos Jogos Olímpicos Rio 2016, na Barra da Tijuca. Em seguida, Paes acompanhará a comitiva do COI até o Parque dos Atletas, que será oficialmente aberto ao público.
O Parque dos Atletas, primeiro equipamento olímpico a ser entregue pela Prefeitura do Rio, em agosto de 2011, será reservado para descanso e entretenimento dos atletas que disputarão os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. Antes e após o evento, será uma área pública para lazer e prática de esportes, com estrutura para receber grandes eventos, como o Rock in Rio.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/concurso-vai-definir-plano-diretor-de-ocupacao-do-complexo-esportivo-de-deodoro-4228310#ixzz1oMwwOlTX 
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segunda-feira, 5 de março de 2012

Gestão do esporte no Brasil: é esse o tratamento?

No Jornal O Globo, do último domingo, 04/03/2012, algumas matérias pródigas para discutirmos a gestão esportiva no Brasil. A primeira, na página 32, no caderno Rio, com a manchete "novo endereço para os amantes dos esportes" e, escrita por Luiz Ernesto Magalhães, versa sobre o Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, espaço multiuso inaugurado com o Rock in Rio, em setembro último e, que finalmente foi aberto ao público. No entanto é de se estranhar algumas escolhas, como, por exemplo, uma "escolinha" de futsal num espaço destinado, a priori, as questões olímpicas. Os governantes perdem, a todo momento, a oportunidade de dar um upgrade no esporte. Nada conra o futsal, mas ele já tem o espaço e o destaque que merece, enquanto que, outros epsortes ficam a míngua, sem espaço para a sua prática. Talvez fosse a hora dos "gestores" pensarem em diversificar a oferta esportiva à população. Segundo o Secretário de Esportes e Lazer da Cidade do Rio de Janeiro, o entorno do Parque é composto de dezenas de condomínios e comunidades carentes. Para quem conhece a área, sabe que não há demanda para as tais comunidades carentes que, nem são tantas assim. E, em relação aos condomínios da área, é provável que todos contem com infraestrutura de lazer no seu interior. Tem que ser assim, ou podemos pensar um pouco sobre o esporte e vê-lo como algo que possa ser trabalhado profissionalmente?

Na mesma matéria há uma menção sobre a Matriz de Responsabilidades para os Jogos Olímpicos de 2016 que, com cerca de 1 ano de atraso, ainda não está pronta, não sendo possível oficializar as responsabilidades de cada ente público ou privado nas ações para a Rio 2016.

Sobre o campo de golfe, cuja administração ficará a cargo da Prefeitura e do COB, permitindo o uso para descoberta de talentos para esse esporte superpopular que é o golfe. Novamente, nada contra o golfe mas, se é necessário que se faça um novo campo, que se faça o campo como o proposto: através da iniciativa privada e, que a sua posterior gestão fique, também, com a iniciativa privada. Haja vista que, o golfe, na Barra da Tijuca, não atrairá jovens talentos da cidade como um todo, pois não há uma política para levar esses alunos até a "capital do Estado da Guanabara".  E, se o caso é investir em novos talentos, por quê não investir no campo de golfe de Japeri?

Na página 5, do caderno de esportes, uma matéria sobre o fundo olímpico. A matéria com o título "Fundo Olímpico traz divisão do bolo à tona", feita pelos jornalistas Ary Cunha e Claudio Nogueira, mostra um pouco o descaso das nossas "autoridades" sobre as diretrizes a serem seguidas buscando o desenvolvimento do esporte no país. Não seria mais útil para o esporte brasileiro uma Programa de Gestão do Esporte voltados às Confederações e Federações Esportivas? Não seria mais útil, em vez de separar 10% do bolo (R$ 14,5 mi) para o esporte escolar, realizar um Programa voltado à organização e fomento do esporte escolar, nas escolas? Não seria mais condizente com o desenvolvimento esportivo repassar mais verbas para as Confederações e Federações com resultados e estruturas em consolidação, sendo estas cobradas através de metas e objetivos a serem alcançados? Não seria a hora de promover escolas de treinadores no país, pois com a onda de treinadores estrangeiros por aqui é preciso enxergar que não evoluímos nesse quesito ao passar dos anos. Até quando seremos o país do esporte sem o sermos de fato?

Por último, e já bastante abordada em todos os meios de comunicação, é a briga entre a Fifa (Jérôme Valcke) e o Ministro dos Esportes (Aldo Rebelo) sobre o cronograma e as condições para a realização da Copa do Mundo de 2014. Acho que não cabe essa discussão, esse bate boca público. Pois, é fato que o Brasil não está entregando o que prometeu. Há evidente atraso em todo o cronograma e total desconhecimento sobre o real orçamento desse evento. Se a Fifa quer mandar ou não no país, é algo que deveria ter sido avaliado quando se candidatou, haja vista que todo o trâmite é conhecido. Não é hora para chororô, é hora de trabalhar sério e ser firme nas decisões e não ficar de pirraça pela imprensa. E, enquanto isso, o esporte vai sendo tocado da forma que der, sem uma real estrutura e, sem metas e objetivos, servindo, apenas, como suporte político para os atuais "gestores".

sexta-feira, 2 de março de 2012

Fifa reclama de atrasos para a Copa do Mundo no Brasil


Jérôme Valcke diz que país está mais preocupado em ganhar a Copa do que em organizá-la

BAGSHOT, Inglaterra - O secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke, criticou duramente a organização da Copa de 2014, no Brasil. Ele reclamou do atraso nas obras de infra-estrutura nas cidades sedes e disse que o país está mais preocupado em ganhar o Mundial do que em organizá-lo.
- As coisas não estão funcionando no Brasil. Muitas coisas estão atrasadas - atacou Valcke, que visitará o Brasil na próxima semana. - Acho que a prioridade do Brasil é ganhar o Mundial. Não creio que seja organizar o Mundial - reforçou.
Segundo o dirigente, faltam apoio e entusiasmo por parte das autoridades brasileiras para finalizar os estádios e trabalhar a estrutura relacionada a hotéis e transporte público.
- Não há hotéis suficientes. Você tem mais do que o suficiente em São Paulo e no Rio, mas se você pensa em Manaus, você precisa mais. Vamos dizer que joguem Inglaterra x Holanda em Salvador. Onde os torcedores vão ficar? A cidade é bonita, mas o modo de chegar ao estádio e a organização de transporte precisa melhorar - alertou.
Valcke também se disse frustrado pela demora na aprovação da Lei Geral da Copa. Na terça-feira passada o texto base chegou a ser aprovado na comissão especial da Câmara para tratar do tema, mas a aprovação acabou anulada, por uma questão regimental. Por dois minutos, a sessão na comissão extrapolou o horário e coincidiu com o início da Ordem do Dia no plenário, o que é vetado pelo regimento da Câmara. Isso permitiu que um deputado levantasse questão de ordem e pedisse a anulação da sessão. Nova votação deve ocorrer na semana que vem. Depois ainda precisará passar no plenário da Câmara e ainda receber o aval dos senadores.
A Lei Geral da Copa é motivo de muita discussão entre governo e oposição. Mesmo entre os governistas não há consenso sobre pontos considerados polêmicos. Os principais são a venda de bebida alcólica nos estádios e a meia-entrada.
O relator do texto, deputado Vicente Cândido (PT-SP), colocou no projeto a permissão para a venda de bebida alcoólica, que teria ficado acertada com a Fifa quando da candidatura do Brasil a sede do Mundial. Ministério da Justiça de que a proibição de bebida nos estádios reduziu a violência após os jogos. Os contrários à ideia argumentam que a probição reduziu o número de casos de violência nos estádios. Para Cândido, proibir a venda durante a Copa mancharia a imagem do país, que estaria desrespeitando um compromisso da época da candidatura na Fifa.
Sobre a meia-entrada, o texto proposto pelo relator prevê a venda de pelo menos 300 mil ingressos populares para estudantes, idosos e beneficiários de programas de transferência de renda do governo. E também garante o direito a idosos com mais de 60 anos.
Outro tema que gera controvérsia é a exigência da Fifa de que o governo brasileiro arque com eventuais prejuízos à entidade máxima do futebol causados por desastres naturais e atos de terrorismo. O relator incluiu isso no texto, mas afirmou que caberá ao ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU) dar um parecer com sua interpretação sobre a questão. Ainda segundo Cândido, há diferentes interpretações, mesmo dentro do governo, em relação à redação do projeto original enviado à Câmara em setembro. Segundo o relator, o parecer da AGU será apresentado à Fifa ainda durante a tramitação do projeto no Congresso.
Valcke já tinha subido tom das críticas
Em meados de janeiro deste ano o secretário-geral da Fifa já tinha se queixado com mais ênfase do que de costume. Após reunião com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o conselheiro do Comitê Organizador Local da Copa (COL) e ex-jogador Ronaldo, em Brasília, naquela ocasião, Jérôme Valcke disse que o país faz exigências demais à Fifa.
- Só porque vocês ganharam cinco Copas do Mundo, vocês acham que podem pedir, pedir e pedir - declarou a jornalistas na ocasião, quando voltou a cobrar agilidade na aprovação da Lei Geral da Copa.
O dirigente tinha dado prazo até março para que o projeto se tornasse realidade e pusesse fim às negociações que se arrastam há meses.
- Espero que possamos fechar esse capítulo até março. O tempo está passando rápido como nunca e a expectativa aumenta para todos nós - afirmou Valcke num comunicado divulgado pela Fifa em janeiro.
A expectativa do governo era conseguir aprovar a Lei na Comissão Especial da Câmara em dezembro, mas diferenças sobre um artigo que determina a responsabilização civil da União em caso de eventuais incidentes durante o Mundial e a questão da venda de bebida alcoólica nos estádios na Copa adiaram a votação para este ano.
Em entrevista ao GLOBO em 2009, Valcke já manifestava sua preocupação com a organização da Copa de 2014. Naquela época destacou dois pontos que considerava cruciais para o sucesso do Mundial, ambos a ver com o fluxo turístico.
- A principal preocupação em relação ao Brasil é aeroporto. Não há bons aeroportos. Meu sentimento é que muita gente vai querer vir ao Brasil, em 2014. É um lugar especial, um país magnifíco. Por isso, eu penso também que a coisa mais difícil, o pior de conseguir, serão os ingressos. Esses dois pontos estão ligados. Conheço muita gente que me diz que vir ao Brasil durante uma Copa do Mundo é algo já marcado na agenda. Então, precisamos cuidar bem desses temas - afirmou, no final daquele ano.


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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Obras dos Jogos vão seguir modelo do PAC



Presidente da APO, Marcio Fortes, diz que gestão vai melhorar

A decisão da presidente Dilma Rousseff de transferir o comando das obras das Olimpíadas de 2016, antes de responsabilidade do governo federal, para o estado e para a prefeitura, anunciada domingo pelo vice-governador, Luiz Fernando Pezão — e noticiada ontem pelo O GLOBO — foi motivada com o intuito de implementar o mesmo modelo adotado no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Quem afirma é o ex-ministro Marcio Fortes, presidente da Autoridade Pública Olímpica (AOP):

— É um modelo que dá certo. Isso vai melhorar a gestão das obras dos Jogos por conta da proximidade do estado e da prefeitura, que vão poder ver de perto e controlar com mais eficiência o que está sendo feito.

Funcionalidade com gasto mínimo de recursos
Com a decisão, as obras do Parque de Deodoro passarão para o estado e do Parque Olímpico, em Jacarepaguá, para a prefeitura.

— No Parque Olímpico, tínhamos três órgãos responsáveis, uma PPP (Parceria Público privada), a prefeitura e o governo federal, e cada um era responsável pela construção de determinadas instalações — diz Fortes. — Agora, o repasse da verba toda vai ser feito para a prefeitura e o objetivo é termos funcionalidade com o gasto mínimo de recursos. A mesma coisa vai acontecer com Deodoro.

Catharina Wrede - Globo

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Rio 2016: comitê divulga locais que podem servir de alojamentos para atletas


Foram selecionadas 172 instalações de 73 cidades em 18 estados do país

RIO - O Comitê Organizador da Rio 2016 divulgou nesta terça-feira a relação oficial dos locais que podem servir para alojar atletas em treinamento para as Olimpíadas. Ao todo, foram selecionadas 172 instalações esportivas de 73 cidades em 18 estados das cinco regiões do país. No estado do Rio, foram selecionadas 32 instalações de 12 municípios. São eles: Angra dos Reis (1), Búzios (2), Cabo Frio (2), Duque de Caxias (1), Macaé (1), Mangaratiba (1), Maricá (1), Niterói (4), Nova Iguaçu (1), Resende (1) e Volta Redonda (6).
Na capital, a lista conta com 11 instalações, incluindo a sede do Fluminense, o Iate Club do Rio e o Centro de Educação Física do Exército e a Vila Olímpica do Mato Alto. O Flamengo, que acertou com parte da delegação americana a cessão do seu espaço, não faz parte da lista, pois não se inscreveu no cadastro do comitê organizador. O mesmo ocorreu com o Centro de Educação Física do Exército, que cederá sua estrutura para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), conforme já havia sido divulgado.
O diretor de esportes do Comitê Organizador Rio 2016, Agberto Guimarães, acrescentou que essa lista ainda pode sofrer inclusões e exclusões ao longo dos anos, dependendo do cumprimento ou não das exigências para servir de sede de treinamento. Da lista, há 150 instalações que precisarão passar por reformas. Dessas, 14 estão prontas e oito que ainda serão construídas. A relação completa pode ser conferida no site www.rio2016.com/treinamentoprejogos/documentos.
- Essa não é uma lista final. Ao longo do tempo, poderemos ter inclusões e exclusões de cidades e instalações. Nos Jogos Olímpicos de Londres nós vamos distribuir um guia para os Comitês Olímpicos. A partir daí faremos atualizações periódicas pela internet no caso de mudanças na relação - explicou Agberto Guimarães.
As negociações com as delegações para a cessão das instalações serão feitas diretamente entre os responsáveis pelos equipamentos e as delegações. A contrapartida pode ser financeira ou em serviços. Um clube pode negociar, por exemplo, um intercâmbio para seus atletas fazerem estágio na mesma modalidade esportiva naquele país.
O processo de pré-seleção teve início no ano passado. Ao todo, foram inscritas 200 instalações de 84 cidades em 20 estados que foram inspecionadas por equipes de especialistas do Comitê Organizador Rio 2016. Nesse processo, vários itens foram avaliados, tais como: viabilidade do projeto, infraestrutura esportiva e a distância de hospitais de emergência e aeroportos.
No caso dos Jogos Olímpicos de Londres (2012), a lista divulgada contava com bem mais inscrições: 640 instalações, das quais cerca de cem foram selecionadas pelas delegações. Outra diferença é que os londrinos permitiram inscrições não apenas para a Inglaterra (país-sede do evento), como para todo o Reino Unido. Na lista brasileira, a relação conta até com um resort: O Porto Bello, em Mangaratiba.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Administrador quer melhorar gramado e acesso ao Engenhão


Objetivo é ter menos jogos e mais ordem no estádio no ano que vem


RIO - Tradição em todo Réveillon, a lista de resoluções para o próximo ano enumera aquilo que alguém se propõe a fazer, sem mais adiamentos. A do Engenhão é extensa. Para 2012, o Botafogo, administrador do Estádio Municipal João Havelange, com o auxílio de órgãos públicos, promete um choque de ordem dentro e fora do complexo de maneira que os erros de 2011 não se repitam. As medidas servirão como treinamento para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
O Botafogo começou a arrumar a casa de dentro para fora. Alvo constante das críticas de jogadores, técnicos e dirigentes, o gramado já está em reforma. Como a quantidade de jogos em 2011 ultrapassou o limite previsto, não houve tempo para recuperação da grama. Por isto, o Botafogo encaminhou ofícios à CBF, Federação e Conmebol nos quais solicitou maior intervalo entre as partidas e a extinção das rodadas duplas no Campeonato Carioca.
— O convênio assinado com Flamengo e Fluminense previa de 80 a 90 jogos por ano. Entre jogos e eventos (treinos de adversários visitantes), tivemos 110 partidas, número bem acima do que imaginamos. Queremos o uso racional do Engenhão — disse Sérgio Landau, diretor executivo do Botafogo e administrador do estádio.

Viaduto e solução que vem de fora
A solução para acelerar a recuperação e deixar o gramado em boas condições para as primeiras rodadas do Carioca, que começará no dia 21 de janeiro, vem de fora. O Botafogo contratou um técnico estrangeiro para cuidar da grama e importou equipamentos adequados para o reparo.
— A grama é carente da luz do sol e no inverno não recebe iluminação adequada, devido ao projeto arquitetônico do estádio. Nivelamos o gramado e, junto com o equipamento e o consultor internacional, a grama será bem tratada a tempo do Carioca — garantiu Landau.
A urgência é necessária também para resolver os problemas no entorno do Engenhão. Ambulantes, estacionamentos clandestinos e trânsito caótico nas apertadas ruas de acesso estão na mira de um grupo de trabalho coordenado pela Federação e que reúne o Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014, Superintendência de Desportos do Estado do Rio (Suderj), Polícia Militar, CET-Rio, Guarda Municipal e Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop).
— Será um trabalho em conjunto e também um treinamento para a Copa do Mundo. Entendemos neste último ano que é preciso melhorar muito o acesso ao estádio e acabar com a confusão no entorno. Figuras que atrapalham o bom fluxo de torcedores e veículos, como os vendedores ambulantes, serão impedidos de se aproximarem do estádio. Os estacionamentos clandestinos, que funcionam sem planejamento, tiram receita do estádio e atrapalham o trânsito, serão extintos. Tudo isto já pensando na Copa — afirmou Landau.
Melhorar o trânsito virou obsessão. No último ano, a via-crúcis a caminho do estádio esteve, ao lado das condições do gramado, no topo da lista de reclamação dos torcedores. Seja pela Linha Amarela ou pelas ruas paralelas à linha do trem, chegar ao Engenhão em dias de jogos com grande público é um grande exercício de paciência, por mais que o incentivo ao uso do transporte público seja feito pelos administradores. O serviço, principalmente da SuperVia, não é satisfatório — após os jogos, os usuários têm de esperar cerca de uma hora para os trens saírem da estação. A solução será construir um viaduto.
— O projeto é fazer um viaduto para melhorar o acesso de uma vez por todas. Isto não é imediato, mas o choque de ordem no entorno valerá já a partir da primeira rodada do Carioca. Não conseguiremos resolver os problemas sem o apoio do poder público. Nunca — frisou Landau.
O diretor executivo também apela ao poder público para liberar o consumo de bebidas alcoolicas dentro dos estádios brasileiros. A medida será votada pelo Congresso dentro do pacote da Lei Geral da Copa do Mundo. Mas Landau afirma que a liberação para as demais competições seria mais um atrativo para os torcedores e evitaria o problema dos vendedores ambulantes.
— Enquanto a bebida alcoolica não for liberada, o torcedor ficará do lado de fora, causando tumulto nas ruas e dificultando o acesso ao estádio. Fizemos um estudo em um jogo com 30 mil pessoas. Até 20 mil pessoas podem entrar minutos antes de começar o jogo. Isto causa uma confusão enorme. Com a bebida liberada, teríamos shows programados para uma hora antes, restaurantes, bares... Além de gerar receita, colabora para a entrada mais ordenada — explicou Landau.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Aldo Rebelo diz que Brasil não tem política de esporte

RIO - O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, deu início à última edição do Seminário Rio Cidade Sede, promovida pelo GLOBO e EXTRA, na manhã desta segunda-feira, na Bolsa de Valores, no Centro. Durante palestra, Rebelo criticou a atual política nacional do esporte.
- Nós não temos ainda uma política nacional do esporte institucionalizada, um marco legal. Vivemos de convênios, o que não é desejado - disse Rebelo, que garantiu que a União vem tomando medidas para garantir melhorias no incentivo à prática esportiva.
- Estamos procurando recuperar a omissão da sociedade para com o esporte e esta omissão não foi pequena. Temos uma dívida muito grande com o país. O governo tem procurado criar instrumentos de longo prazo e de emergência, que contornem a dificuldade do momento.
Aldo citou ações, como incentivo ao Bolsa Atleta, que beneficia cinco mil atletas, investimentos de R$ 169 milhões provenientes de repasses percentuais de loterias esportivas, e de estatais, entre 2008 e 2011, num total de R$ 258 milhões. Ainda de acordo com o ministro, há centros de referência subaproveitados na prática esportiva, como por exemplo no Exército, que, segundo ele, "tem tradição em educação física e na ciência do esporte", assim como nas universidades, também com essa tradição.
Sobre as medidas que vem sendo tomadas para a organização dos Jogos Olímpicos, Aldo lembrou a regulamentação, na última semana, da Companhia de Controle Antidoping, pela presidente Dilma Rousseff, uma das exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI).
 
Opinião:
É interessante que um Ministro dos Esportes comece a falar sobre Política de Esportes, pois há muito tempo não se discute tal tópico. O Brasil precisa ter um legado esportivo após estes diversos megaeventos e, esse legado não virá somente com a pura e simples realização destes eventos. É necessário que haja um planejamento robusto visando a integração entre os poderes (União, Estados e Municípios) para que não haja sobreposição de trabalho (como, por exemplo, a oferta do Programa Segundo Tempo pela União, o Rio Olímpico e o Rio em Forma, aqui no Estado e Cidade do Rio de Janeiro, todos com o mesmo objetivo). O que precisamos é sinergia na construção de um esporte forte e sólido, que não fique sujeito a mudanças governamentais; que haja uma política de Estado de fato e, para isso é necessário que a Gestão do Esporte seja consolidada em nosso território para que seja possível o uso consciente de ferramentas de gestão, assim como, a maior participação das Instituições de Ensino Superior através de pesquisas e laboratórios. Atualmente conduzo uma pesquisa sobre a percepção do profissional de educação física sobre a gestão do esporte na escola e fora da escola, abordando os 3 tipos (escolar, de participação e de rendimento) e a pesquisa já mostra um caminho de que não há um gestão de fato no esporte, não há planejamento e não há foco. A conferir o resultado final.