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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Novo espaço dedicado à gestão do esporte

Inaugurado mais um espaço virtual dedicado à Gestão do Esporte. Esse espaço, originalmente, teve início em 7 de novembro de 2011 com o blog de mesmo nome. A partir de hoje, aqui será o espaço para reflexões sobre teoria e prática da gestão do esporte. Textos, vídeos, artigos e muito mais sobre a área buscando contribuir com a criação do conhecimento nesse setor. Confira em: https://www.facebook.com/Esporteegestao

terça-feira, 5 de março de 2013

Ferramentas que auxiliam o desenvolvimento esportivo local

Este texto foi publicado no site Cidadania do Porto com o intuito de sugerir algumas ferramentas que auxiliem a gestão esportiva municipal.

Itaguaí vive um teórico momento de renovação e espera-se que o esporte esteja incluído. O primeiro passo foi a criação da Secretaria de Esporte e Lazer, porém, até o momento, ela vive de especulações e sem nome definido oficialmente para o seu comando. Entretanto, os esportistas itaguaienses esperam mais do que foi feito nas últimas décadas. E, nessas mesmas décadas...

Leia o texto completo aqui

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O esporte virou a mídia. E a mídia…


Por Erich Beting

“Esse contrato acaba fazendo com que a gente faça um trabalho muito mais forte em mídias sociais, pontos de venda e também na ativação do patrocínio para conseguir rentabilizá-lo o máximo possível”. A frase foi dita hoje por Alexandre Estefano, diretor da Penalty, sobre o acordo com o São Paulo.

Investindo cerca de 10% de seu faturamento no contrato com o São Paulo, a Penalty abriu mão de qualquer outra ação de mídia para focar os esforços nas ativações dos clubes patrocinados (Ceará, Figueirense, Náutico, Santa Cruz, Vasco e Vitória são os outros clubes no Brasil). No próprio lançamento do uniforme do São Paulo nesta quinta-feira tinham dois torcedores que foram selecionados ao vencerem concursos feitos nas redes sociais da fabricante.

O fato é que, com o advento e fortalecimento das mídias sociais, ficou muito mais fácil para uma empresa se relacionar diretamente com o seu consumidor. E isso, somado ao melhor desenvolvimento do marketing nas entidades esportivas, fez com que o esporte se transformasse na mídia. Um evento esportivo é objeto de desejo de consumo para qualquer um. Clube, atleta ou campeonato fazem com que o torcedor acompanhe com afinco aquele determinado tema.

A partir do instante em que o esporte percebe essa força, ele encurta o caminho para o sucesso de uma ação de marketing de uma empresa. Valendo-se do exemplo da Penalty com o São Paulo, é muito mais eficiente para a empresa falar diretamente com o torcedor são-paulino nas redes sociais do que por meio de um anúncio num site, numa rádio, numa TV ou numa revista. O clube é a plataforma e também a propriedade ideal para fazer essa comunicação.

O exemplo vale também para artistas da música, da televisão, do cinema. Com sua legião de fãs, eles são mais eficientes para convencer as pessoas do que apenas uma propaganda. Ainda mais com a mídia cada vez mais fragmentada em diversos veículos, o sucesso de uma campanha fica bem maior quando existe um vínculo emocional que a indústria do entretenimento pode proporcionar.

Até por conta disso, essa mudança de comportamento das empresas na hora de se relacionar com o consumidor tende a começar pelas empresas de material esportivo. Por viver do esporte, elas tendem a usá-lo melhor como plataforma de comunicação. E, se pararmos para pensar, é cada vez mais pelas mídias sociais que essas grandes marcas procuram o consumidor.

No Brasil, algumas mudanças significativas nos últimos três anos contribuíram muito para que o processo de transformação do esporte em plataforma de mídia para as marcas se acelerasse. O primeiro deles foi a perda de importância da TV aberta. Com a internet cada vez mais forte e a TV a cabo cada vez mais abrangente, a audiência dos canais abertos caiu. O consumidor, aos poucos, se dissipa, dificultando a forma como encontrá-lo. Da mesma forma, o esporte como negócio tem se fortalecido e se preocupado em falar de forma mais calorosa com o torcedor.

As empresas de mídia, nesse processo, viram as intermediárias da união do esporte com o consumidor, só que sofrem com a fuga do anunciante. Ou elas começam a perceber que não podem ser só mídia ou vão perder de goleada para o esporte, o cinema, o teatro, a novela…

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2013/01/17/o-esporte-virou-a-midia-e-a-midia/

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O efeito Nuzman: em 2 décadas, gastos de 40 bi de reais


Desde 1995, o cartola fez o governo torrar mais de 8 bilhões. Reeleição nesta sexta dá a ele mais quatro anos no cargo - e mais uma avalanche de dinheiro

Carlos Arthur Nuzman, o dirigente esportivo mais poderoso do país, é presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) desde 1995. De acordo com muitos de seus opositores, os dezessete anos de mandato que Nuzman cumpriu até agora foram marcados pela concentração total de poder nas mãos do cartola - o carioca é o primeiro presidente de comitê olímpico nacional a acumular também o comando do comitê organizador de uma Olimpíada. Para outros adversários, a principal marca de sua gestão é outra: o implacável combate aos opositores, o que o faz permanecer intocável na chefia do COB (nesta semana, o único presidente de confederação que não vota em Nuzman o acusou de esmagar uma tentativa de formação de chapa alternativa). O que mais chama atenção na era Nuzman, porém, é o volume de dinheiro - quase todo proveniente dos cofres públicos - movimentado em função de sua atuação no comando do esporte brasileiro. Desde 1995, foram cerca de 8,2 bilhões de reais consumidos por todos os projetos lançados pelo comitê. Com os quatro anos adicionais de mandato que ganhou na eleição desta sexta, Nuzman somará mais de duas décadas no poder - e quase 40 bilhões de reais em gastos variados ligados ao COB, tanto no esporte como na organização de megaeventos.

Os 8,2 bilhões investidos até agora correspondem aos gastos com os preparativos dos atletas brasileiros nos últimos cinco ciclos olímpicos e ao valor total estimado dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. O Pan, aliás, prometia consumir menos de 400 milhões de reais, com alguma participação da iniciativa privada. As contas mais recentes colocam o valor total do evento na casa dos 4 bilhões, com presença nula de investidores privados. Outros 4,2 bilhões representam a soma dos gastos com as delegações olímpicas de Atlanta-1996 até Londres-2012. Desde que Nuzman chegou ao poder, o governo foi transformado no maior patrocinador do esporte no Brasil. A criação de leis de incentivo fiscal e programas de suporte aos atletas de alto rendimento abriu caminho para que o setor fosse inundado por verbas públicas. Em Atlanta-1996 e em Sydney-2000, as confederações receberam cerca de 67 milhões e 75 milhões de reais, respectivamente (em valores atualizados). A partir de Atenas-2004, o esporte nacional passou a contar com os recursos da Lei Piva, que reserva aos atletas olímpicos uma parte das arrecadações de loterias federais. Naquele ano, foram gastos 312 milhões na preparação olímpica. Em Pequim-2008, o valor disparou para 1,7 bilhão de reais, e nos Jogos deste ano, em Londres, o investimento na área bateu em 2,1 bilhões de reais.

Apesar da multiplicação dos valores aplicados no esporte olímpico, o desempenho brasileiro nos Jogos não deu o salto esperado. Desde as quinze medalhas de Atlanta, foram duas campanhas piores (doze em Sydney e dez em Atenas), uma igual (em Pequim) e apenas uma superior (em Londres, o Brasil fez sua melhor campanha, com dezessete medalhas conquistadas, mas ainda ficou muito distante das grandes potências olímpicas). No mesmo período, a Grã-Bretanha, por exemplo, saltou do mesmo patamar que o Brasil para o terceiro lugar no quadro de medalhas. A constatação inescapável é de que os investimentos não foram bem direcionados. Em Atlanta, cada medalha custou o equivalente a 4,4 milhões de reais ao país. Em Londres, cada pódio custou mais de 123 milhões de reais. Para o próximo ciclo olímpico, o governo federal já anunciou que o investimento nos atletas chegará a inéditos 2,5 bilhões de reais. Desta vez, porém, o Ministério do Esporte tenta criar mecanismos para vincular a liberação dos recursos a contrapartidas exigidas aos cartolas. Uma delas, anunciada pela primeira vez pelo ministro Aldo Rebelo em entrevista publicada em VEJA, é a alternância de poder nas confederações. O governo espera que os dirigentes tenham mandatos mais curtos e não possam se reeleger várias vezes. Sobre a permanência de Nuzman no poder, porém, o ministro diz não ter o que fazer.

A gastança do esporte

Os destinos dos investimentos bilionários feitos pelo governo a pedido do COB de Nuzman

Repasses aconfederações*Organização doPan-2007Obras para aRio-2016Operação daRio-201617%10.1%14.2%58.7%
*Soma dos valores atualizados de Atlanta-1996 até Londres-2012 mais os 2,5 bilhões de reais prometidos até a Rio-2016


Encrenca - Aos 2,5 bilhões de reais previstos para as confederações nos próximos quatro anos de mandato de Nuzman somam-se os custos que o país terá de cobrir para fazer a Olimpíada no Rio. O Comitê Organizador dos Jogos (que, aliás, está à procura de profissionais para trabalhar no orçamento do evento) calcula em 5,6 bilhões de reais os gastos com o planejamento e a operação da Olimpíada. Esse foi o valor acertado com o Comitê Olímpico Internacional (COI) - que recebeu a garantia de que as três esferas de governo cobrirão as despesas caso o comitê local não consiga receitas privadas, como Nuzman promete fazer. A maior parte da encrenca, porém, já está depositada sobre as contas públicas. Ao trazer a bandeira olímpica à cidade-sede depois do encerramento de Londres-2012, o prefeito Eduardo Paes disse que o orçamento dos Jogos só sairá no segundo semestre do ano que vem. O comitê da Rio-2016, contudo, estima em 23,2 bilhões de reais as obras de instalações e infraestrutura de 2016 (Londres-2012 custou cerca de 35 bilhões, já incluídos os custos de operação). Com mais 90 milhões de reais investidos na candidatura a sede dos Jogos, a soma total dos gastos da era Nuzman atinge uma projeção próxima dos 40 bilhões, uma média de 1,9 bilhão de reais consumidos a cada ano de mandato do cartola mais gastador de que já se teve notícia no país.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/o-efeito-nuzman-em-2-decadas-gastos-de-40-bi-de-reais

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Escola em Santa Teresa inova com ginásio experimental e consegue taxa zero de evasão


Colégio também conquistou primeiros títulos em campeonatos da cidade

RIO - Inaugurado em abril deste ano, o primeiro ginásio experimental olímpico (GEO) da prefeitura do Rio já tem o que comemorar. Além de conquistar os primeiros títulos em campeonatos da cidade, a Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, encerra o ano com evasão zero entre seus 342 alunos. As turmas entre o 6º e 9º anos estudam em tempo integral e contam com 10 tempos, por semana, para atividades esportivas. O projeto é baseado na experiência de outros países em iniciação esportiva para jovens e será expandido pela Secretaria municipal de Educação em 2013, como parte do legado social dos Jogos Olímpicos de 2016. Ao todo, até 2017, serão abertos seis GEOs que funcionarão em tempo integral.
—Nas outras escolas públicas, os alunos procuram as vilas olímpicas principalmente para o lazer. No GEO, a prática de esportes faz parte da grade curricular —afirma o gerente do projeto na Secretaria municipal de Educação, Maurício Pinto.

Modelo testado no exterior
As atividades são variadas e incluem futebol, tênis de mesa, vôlei, atletismo e até xadrez. Professor de educação física, Maurício explica que o objetivo do programa não é criar atletas em série para futuras olimpíadas. Mas transformar o amor ao esporte em um projeto de vida.
— A proposta deste e dos próximos GEOs que serão implantados é trabalhar o esporte como um valor. Se um aluno daqui não tiver condições de virar um atleta, pelo menos ele poderá orientar suas habilidades para buscar, no futuro, uma formação em atividades afins como, por exemplo, treinador, médico da área esportiva ou fisioterapeuta. Eu mesmo sou um exemplo — observa. — Jogava futsal, mas não era tão bom para me tornar profissional. Acabei estudando educação física.
No primeiro ano, a escola chegou à final do tênis de mesa do campeonato intercolegial e ficou em terceiro lugar numa das categorias de atletismo. Nos jogos estudantis, em que participam apenas escolas da prefeitura, a Juan Antonio Samaranch conquistou nove troféus em várias modalidades esportivas. Para desenvolver o projeto implantado no Rio, foram estudados os modelos de iniciação ao esporte na Austrália, Estados Unidos, China e Canadá. Em cada país há um nível maior ou menor de exigência para os estudantes. A seleção dos alunos foi feita pela internet: em um questionário, os candidatos respondiam se participavam de competições oficiais (federados); ou se já tinham participado de algum tipo de competição. Também indicavam o esporte de sua preferência e outros dois que desejavam aprender ou treinar.
O primeiro ginásio experimental funciona numa antiga escola da colônia japonesa que tinha todas as janelas blindadas devido ao risco de balas perdidas. Cercada pelos morros dos Prazeres e Fallet, acabou fechando as portas em meio aos tiroteios, quando ainda não havia as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). A prefeitura decidiu adquirir a área para instalar sua unidade, aproveitando a infraestrutura existente, que já contava com campo de futebol e quadras de esporte.

Alunos sonham ser atletas
Com a chegada da UPP, a situação mudou e a escola hoje conta até com alunos que vieram de outros bairros da cidade e até da Baixada Fluminense. Dos antigos ocupantes, ficaram apenas algumas placas bilíngues, como as que identificam em japonês os nomes das plantas do jardim da escola.
— Sonho em ser atleta profissional, e o esporte que mais gosto é o handball. A chance de me preparar para isso surgiu no GEO. Essa é uma escola muito diferente daquelas que as pessoas estão acostumadas. Todos tentam dar o melhor de si — diz Gabrielle Castro, aluna do 7º ano.
Gabrielle, além de jogar handball, também pratica atletismo (revezamento 4x100m) e corrida de obstáculos. Em 2013, ela poderá ter a companhia de novos colegas. O ginásio olímpico de Santa Teresa oferecerá 105 vagas adicionais.
Os demais GEOs serão instalados nas proximidades de vilas olímpicas mantidas pela prefeitura e próximo ao futuro Parque Olímpico da Barra da Tijuca. No ano que vem, serão duas novas escolas: Doutor Sócrates (junto à Vila Olímpica de Pedra de Guaratiba) e Félix (ao lado da Vila Olímpica do Caju), ambas com 415 vagas. Em 2014, começará a funcionar o primeiro ginásio paralímpico em Honório Gurgel, com 250 vagas.

Em 2017, escola na barra
Finalmente, em 2017, será aberta uma unidade nas imediações do Parque Olímpico, que está em construção no terreno onde era o Autódromo Nelson Piquet. O projeto prevê que parte da instalações do ginásio de handball, que foi projetado como arena provisória, seja reaproveitada como um ginásio olímpico em local a ser definido pela prefeitura. A estrutura restante será subdivida para abrigar outros equipamentos públicos, como creches e até mesmo outras escolas.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/escola-em-santa-teresa-inova-com-ginasio-experimental-consegue-taxa-zero-de-evasao-6830940#ixzz2E0xDVYl1 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Os sem-teto do esporte na cidade olímpica


À mercê de decisões de governo e de demolições de estádios, atletas e alunos de escolinhas não sabem o que fazer

Por ARY CUNHA, CLAUDIO NOGUEIRA E SANNY BERTOLDO

RIO — Pode parecer piada de mau gosto, mas há um estacionamento no caminho do homem mais rápido do Brasil. Com apenas 20 anos, Aldemir Gomes da Silva Júnior é dono da melhor marca dos 100m rasos no ranking da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), com 10s20. Nos Jogos de Londres, ele integrou o 4x100m, que não foi à final, e viveu a inesquecível experiência de correr as eliminatórias e as semifinais dos 200m ao lado do jamaicano Usain Bolt. Se existe alguma esperança de medalha para o país-sede dos Jogos de 2016 nas provas de velocidade, ela com certeza passa pela explosão deste rapaz esguio, de 1,92m e 78kg.
Porém, justamente quando mais deveria ser cercado de cuidados para voar alto nas Olimpíadas-2016 no Rio, Aldemir conta as horas para ficar desalojado. Ele é uma das muitas promessas do esporte brasileiro que serão prejudicadas pela absurda decisão política de se pôr abaixo três das mais importantes instalações esportivas da cidade: o Estádio Célio de Barros, o Parque Aquático Júlio Delamare e o Velódromo.
— Mais do que uma pista, isso aqui para mim significa uma fábrica de sonhos. Venho ao Célio de Barros praticamente todos os dias desde que tinha 9 anos e acompanhava meu primo, Leonardo, nos treinos. Comecei aos 12 e não parei mais. Nem digo que é minha segunda casa, porque já houve tempo que ficava mais aqui do que em qualquer outro lugar — desabafa Aldemir, que de segunda a sexta treina na pista pública, acompanhado da sua técnica, Vânia Valentino, e de outros atletas que representam o Vasco. — Quem derruba um templo do esporte como o Célio de Barros não sabe o que está fazendo. O dia em que eu passar aqui e vir um estacionamento, meu coração vai partir.

Crescente legião de sem-teto
Ao som das obras pesadas no vizinho Maracanã, toda manhã a pista do Célio de Barros recebe atletas juvenis e adultos dos filiados à Federação de Atletismo do Rio (Farj). Ao lado, no Parque Aquático Julio Delamare, os projetos esportivos para a comunidade, com natação, hidroginástica e ginástica, também são embalados pelas obras. Em compasso de espera, alunos e professores se preparam para o pior. No palco de grandes momentos da natação nacional e de desempenhos que entraram para a história — como o recorde mundial nos 50m livre da holandesa Inge de Bruin, há 12 anos, quando nadava pelo Vasco — hoje resta a desolação.
No Júlio Delamare, além da natação, treinam nado sincronizado e saltos ornamentais. Ali está localizada, ainda, a sede da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Em setembro, o local recebeu um desafio de natação que reuniu astros da natação internacional, como o francês campeão olímpico dos 50m livre, Florent Manaudou, e o australiano James Magnussen. Para o paraibano Kaio Márcio, do Fluminense, a demolição é péssima notícia para quem, em quatro anos, terá o privilégio de sediar os Jogos.
— A minha primeira competição no Júlio Delamare foi em 1997. Isso tudo é muito triste. Antes do Maria Lenk, aquela era a nossa casa e foi lá que eu e muitos outros fizemos marcas individuais, conquistamos índices... É até engraçado pensar que, às vésperas de receber as Olimpíadas, perderemos uma piscina — lamentou.
A situação não é diferente no velódromo. Segundo o secretário nacional de alto rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, o local será derrubado no primeiro trimestre de 2013. Para Claudio Santos, presidente da Federação de Ciclismo do estado do Rio, o problema se tornou ainda maior com a decisão de levar o velódromo para Goiânia.
— Temos seis projetos no velódromo, entre eles, a única equipe profissional de ciclismo de pista do país, e ninguém nos perguntou se temos alguma ideia de como fazer para minimizar o impacto. Para que mandar o velódromo para Goiânia? Campos, Rio das Ostras e Niterói estão dispostos a recebê-lo. Em Niterói seria em Piratininga. Mas o prefeito não quer conversar — disse Santos, indignado. — Querem acabar com tudo. Nas Olimpíadas, só no ciclismo de pista, são 30 medalhas, e o Brasil não terá a menor chance de conquistar nenhuma delas.
De acordo com Antônio Márcio Domingues Ferreira, professor da escolinha Álvaro da Costa Ferreira, da Federação de Ciclismo (Fecierj), a escolinha, aberta em abril, tem 50 alunos, todos carentes, como Wellyton Araújo, 15 anos, que resume o sentimento geral:
— O velódromo representa tudo. Depois que você entra no ciclismo, se apaixona. Se acabar, aí não sei. Sonho em ser alguma coisa aqui. Se acabar o velódromo, acabou o sonho da gente.
Entretanto, a insensibilidade que lança as garras em direção ao Célio de Barros, ao Júlio de Lamare, ao autódromo e ao velódromo, já bateu o martelo e será o carrasco dos sonhos. A Empresa Municipal Olímpica informou que o novo velódromo é necessário, já que o atual não atende às exigências da UCI para as Olimpíadas e que tal decisão é da prefeitura, do Comitê Rio 2016 e o Ministério do Esporte.
O COB alega estar estudando alternativas para atender quem usa o velódromo e para transferir o CT de ginástica. Mas, ao que tudo indica, os alunos da escolinha irão se juntar aos pilotos do autódromo, a atletas e frequentadores de projetos do Célio de Barros e do Júlio de Lamare, na crescente legião de sem-teto na cidade olímpica.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/os-sem-teto-do-esporte-na-cidade-olimpica-6762217#ixzz2CfMCtl1s 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Monitoramento de Mídias Sociais no Esporte


Por Savio Sousa

O Tema monitoramento de mídias sociais já foi um assunto tratado por mim aqui no Laboratório Esportivo. Caso alguém não tenha lido sugiro ler o post: ESPN e ComScore em parceria no monitoramento de mídias sociais.

Muitas pessoas estão explorando o monitoramento dos dados gerados através das mídias sociais. Vejam um exemplo bacana aplicado ao esporte feito pelo site inglês UKSN Social Media & Sports. O objetivo do monitoramento foi estabelecer qual time do futebol inglês tinha a torcida mais feliz. O levantamento levou em consideração as menções feitas utilizando as hashtags dos times da inglaterra. O Manchester United, por exemplo, também é conhecido no Twitter pela hashtag #MUFC. O intervalo analisado foram os últimos 365 dias, ou seja, eles acompanharam um ano inteiro de menções no Twitter e avaliaram se as menções eram positivas ou negativas.

Ao longo do levantamento eles constataram alguns números interessantes. Para cada 1000 twittes mencionando #MUFC 892 eram menções positivas. O dia mais feliz para os torcedores do Manchester, foi o dia 7/11/2011 quando Alex Fergusson completou 25 anos como Manager no clube. Um dado curioso é que mais da metade dos clubes tiveram os períodos mais tristes entre os meses de dezembro e janeiro, período onde rolou jogo entre os dias 18/12 e 06/01. Seria um indicativo do quão desanimado ficam os torcedores com a realização de jogos no período de festas de fim de ano.

Na verdade este é um assunto que tende a crescer nos próximos anos. Há muitos dados sendo gerados nas redes sociais. A medida que milhões de pessoas comentam sobre infinitos assuntos, temos um universo maior de dados e que se analisado com detalhe pode gerar informações valiosas. Por isso o processamento de enormes quantidades de dados tem se demonstrado um filão interessante, também na indústria do esporte. É o Big Data no esporte.Para saber mais detalhes sobre a pesquisa mencionada acima acesse o site: UKSN Social Media & Sports.

Fonte: http://laboratorioesportivo.com.br/monitoramento-de-midias-sociais-no-esporte/

Esporte como entretenimento: força estratégica para as marcas


Com novas arenas, marcas que investem no futebol poderão ampliar relacionamento com clientes

Por Fernando Trevisan

Esporte e entretenimento sempre andaram de mãos dadas, mas nunca estiveram tão juntos quanto agora. As tecnologias digitais e a evolução das instalações colocam o produto esportivo em um novo patamar e permitem ao público intensificar a sua experiência de consumo. O resultado é a amplitude cada vez maior da cobertura da mídia: o Superbowl 2011, finalíssima do campeonato de futebol americano, atraiu uma audiência média recorde de 111 milhões de pessoas para um evento que vai muito além do jogo propriamente dito. 

Mas nada se compara aos números relacionados aos megaeventos esportivos: quase metade da população global acompanhou a Copa do Mundo de 2010 pela televisão, e as Olimpíadas de Londres, a primeira a ser transmitida em alta definição e em 3D, além de poder ser acompanhada quase que integralmente pela web, atingiu uma audiência global de 4,8 bilhões. Como sede dosdois maiores eventos do planeta nos próximos quatro anos, abre-se no Brasil uma série de oportunidades inéditas para as marcas vinculadas ao esporte.

No caso específico da Copa do Mundo, atrelar a marca ao evento significa falar diretamente com 3,5 bilhões de fãs do esporte mais popular do planeta. Não é por acaso que a Fifa arrecadou US$ 2,4 bilhões somente com a venda dos direitos de transmissão da última edição, que foi acompanhada em cada um dos países e territórios do globo, nas mais diversas plataformas e formatos: televisão, rádio, celular, banda larga, alta definição e 3D.

A relevância do evento pode também ser medida pelos valores investidos pelos patrocinadores para terem o direito de utilizar a marca Copa do Mundo nas suas ações de marketing: de 2007 a 2010, a receita da Fifa com este item foi de mais de US$ 1 bilhão. Assim, os 18 patrocinadores atuais da entidade e do evento têm uma oportunidade ímpar deexposição global das suas marcas e de se relacionar com uma base imensa de potenciais consumidores. Mas e o restante do mercado, como pode aproveitar o impacto de um evento dessa magnitude no País?

O fato de sediar uma Copa do Mundo coloca o esporte em geral e mais especificamente o futebol em evidência por longos anos. Mesmo no Brasil, em que o futebol já desperta o interesse de 57% dos jovens segundo pesquisa recente da Olympikus feita pelo "Datafolha", o aumento da exposição da modalidade na mídia por conta do evento em 2014 pode significar um salto ainda maior nesse interesse. Daí que as marcas que se associam ao futebol tendem a colher os frutos desse crescimento.

Além disso, é inegável que as exigências do organizador do evento, em que pesem em algunscasos serem bastante conflitantes com os interesses da nação, funcionam em linhas gerais como um novo padrão de referência e profissionalismo para o futebol brasileiro. Em primeiro lugar, a proteção que a entidade oferece a seus patrocinadores é seguramente uma das mais rigorosas e eficientes do planeta.

O trabalho constante de evitar o chamado marketing de emboscada serve de exemplo para qualquer entidade esportiva brasileira que deseje aumentar o retorno de seus patrocinadores. E um outro grande benefício diz respeito às novas arenas multiuso que estão sendo construídas e reformadas segundo os mais altos padrões de conforto, segurança e qualidade mundial.

O trabalho de adequação dos doze estádios que serão sedes da Copa em 2014 gera também um efeito multiplicador interessante e outros projetos próprios já têm aparecido, como as novas arenas do Palmeiras e do Grêmio. Isso significa que de teremos em um curto espaço de tempo ao menos 700 mil lugares disponíveis nestes novos ambientes, com possibilidade de utilização não só para o futebol, mas também para uma série de outras atividades esportivas, de lazer ou de negócios.

Abre-se então um novo campo de atuação das marcas que investem no futebol, tanto em termos de possibilidades de ativação de seus patrocínios, quanto de estratégias de relacionamento e hospitalidade nos centenas de camarotes e business seats que passarão a ser oferecidos.

Ao se aproximar do conceito de entretenimento, o esporte passa a participar de uma indústria que deve movimentar mais de US$ 2 trilhões em 2016. O aumento da renda per capita das famílias brasileiras, que cresceu 23,5% de 2001 a 2009, significa mais dinheiro disponível no orçamento para gastos com entretenimento e lazer. A Copa do Mundo de futebol pode ser um grande catalisador desse movimento no esporte nacional e contribuir para torná-lo definitivamente uma opção de lazer para a família brasileira e de estratégia mercadológica para as empresas do país.

*Fernando Trevisan é pesquisador e consultor da Trevisan Gestão do Esporte e diretor da Trevisan Escola de Negócios

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11041/ESPORTE+COMO+ENTRETENIMENTO+FORCA+ESTRATEGICA+PARA+AS+MARCAS.html

Esporte-Negócios: Portal de negócios para a Copa faz ponte entre empresas no país


Por Lucas Vettorazzo

RIO DE JANEIRO, RJ, 13 de novembro (Folhapress) - Um portal de negócios para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 entrou no ar hoje. O site registra ofertas e demandas de empresas por produtos e serviços de outras companhias principalmente no Estado do Rio. Há também ofertas em Estados que sediarão jogos da Copa do Mundo.

A página funciona da seguinte forma: uma empresa do setor hoteleiro, por exemplo, registra sua intenção de compra de uma quantidade específica de roupa de cama. Na outra ponta, uma empresa nacional que fabrica o produto anuncia sua intenção de venda. O site casa as duas necessidades e faz a ponte entre comprador e vendedor.

A página relaciona 929 atividades em 10 setores, entre os quais construção civil, tecnologia da informação, têxtil e vestuário, turismo, comércio varejista, agronegócios e serviços.

O endereço já está disponível em português. O serviço em inglês entra em funcionamento nos próximos 20 dias. 

A página, inspirada em portal semelhante dos Jogos Olímpicos de Londres, é uma incitava da empresa brasileira WSB (World Sports & Business) e tem o apoio da secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio. 

O serviço é gratuito para empresas nacionais e estrangeiras. A WSB vai operar o portal e dará consultoria gratuita para as empresas que quiserem fechar negócios. 

De acordo com o presidente da WSB, Hélio Viana de Freitas, 1.004 ofertas de produtos e serviços - que somam R$ 1,7 bilhão em negócios em potencial - já estão cadastradas no site (houve um pré-cadastramento). 

PME 

Segundo Freitas, 23% da demanda pelo serviço será de pequenas e médias empresas com até 10 funcionários. "Algumas empresas, de tão enxutas que são, não têm familiaridade nem com a linguagem de editais e precisarão de alguma ajuda para acessar os grandes compradores", disse Freitas, durante o lançamento do portal, no Rio de Janeiro. 

"Um produtor de panela do interior do Rio pode achar que ele nada tem a ver com a Olimpíada, mas pode haver um hotel interessado em comprar seu produto. O portal fará essa ponte", explicou. 

O objetivo é permitir que empresas locais captem fatia maior dos investimentos que serão feitos para os jogos. Segundo dados do comitê da candidatura do Rio à sede das Olimpíadas, apresentados durante o lançamento do portal, somente a cidade do Rio receberá R$ 53 bilhões em investimentos. 

Investimento

De acordo com Freitas, um total de R$ 1 milhão foi investido no desenvolvimento do site. A receita da WSB virá da publicidade veiculada no site. Haverá ainda uma seção do site, paga, em que as empresas poderão fazer anúncios de seus produtos. A WSB não cobrará comissão pelos negócios fechados. 

"A possibilidade de empresas locais serem fornecedoras de produtos e serviços voltados para esses grandes eventos aumenta muito com essa ferramenta", disse o secretário de Desenvolvimento do Estado do Rio, Júlio Bueno.

Fonte: http://www.jornalacidade.com.br/editorias/economia/2012/11/13/esporte-negocios-portal-de-negocios-para-a-copa-faz-ponte-entre-empresas-no-pais.html

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A chantagem do esporte aos entes públicos


Por Erich Beting

Há algumas semanas, após a realização do UFC no Rio de Janeiro, Dana White, presidente da competição de lutas, afirmou que estava tendo dificuldades para fazer com que a cidade de São Paulo abrigasse um evento da empresa. A frase do chefão do MMA foi a seguinte:

“Estamos tendo problemas para ir a São Paulo, queremos ir para lá, estamos tentando! Faça aqueles governantes de lá ajudarem”, disse, entre risos.

A frase de White expõe uma realidade do esporte em todo o mundo, em especial nos Estados Unidos, e que felizmente aqui no Brasil não consegue ter eco na opinião pública. A força da realização de um evento esportivo faz com que, muitas vezes, o esporte chantageie os entes públicos para conseguir ter facilidades para fazer com que ele aconteça num determinado local. Em tempos de aproximação de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos por aqui, cresce o debate sobre a participação da esfera pública no financiamento do esporte de alto rendimento.

Nos EUA, é absolutamente comum a cidade ser pressionada para receber um time ou uma competição. Austin, no Texas, por exemplo, foi praticamente obrigada a investir quase US$ 200 milhões na construção de um autódromo para abrigar uma etapa da Fórmula 1 (a corrida acontece no próximo dia 18). A explicação dos gastos é a geração de receita a partir da realização da corrida de F1 na cidade, com a movimentação do turismo, do pagamento de impostos, etc.

Já na Europa, a profissionalização do esporte levou também ao surgimento de fenômeno parecido. Munidos de informações mais precisas sobre o impacto positivo da realização de um determinado evento, os executivos do esporte pressionam os governos a fazer investimentos ou conceder benefícios para que consigam pagar menos para alcançar seus objetivos.

É o tal conceito do “pão e circo” que domina a humanidade desde os tempos da Roma Antiga. Na gestão moderna de eventos esportivos, o conceito de que é função de governo ajudar a investir no entretenimento das pessoas ganha força. Em troca de popularidade, o governante muitas vezes cede aos caprichos do organizador e atende à “chantagem”.

Aqui no Brasil a moda ainda não pegou. A maior explicação para isso é, sem dúvida, a falta de capacitação de quem gerencia o esporte em mostrar para a esfera pública o benefício de investir nisso. O único caso até agora, e que causou imensa repercussão negativa, foi o pacote de isenções fiscais ao estádio do Corinthians para a Copa do Mundo. A prática, porém, vai começar a ser cada vez mais comum, especialmente depois dos megaeventos, que trabalham ferozmente esse conceito.

Essa prática, aliás, talvez seja um dos legados que Copa e Olimpíada deixarão para o país. Infelizmente.

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/11/01/a-chantagem-do-esporte-aos-entes-publicos/

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

CBRU QUER TRANSFORMAR O RUGBY NO SEGUNDO ESPORTE DO PAÍS


Planejamento estratégico tem metas desafiadoras e projeta medalhas nas principais competições mundiais até 2030. 

São Paulo (SP) - Atitude, pró-atividade, transparência, espírito de equipe e sinergia. Com essas cinco qualidades, a Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) espera transformar o rugby brasileiro até 2030, colocando o País entre as 20 melhores equipes do mundo, bem como a modalidade como a segunda mais praticada na terra do futebol. Uma meta ousada, mas que pode ser concretizada de acordo com o planejamento estratégico formulado pela atual gestão, em parceira com a consultoria internacional Delloite. Os detalhes desse plano foram apresentados pelo presidente da CBRu, Sami Arap Sobrinho, e pelo presidente do conselho consultivo, Eduardo Mufarej, durante coletiva realizada nesta quinta-feira (25) no Bar da Heineken, em São Paulo.

"Queremos que o rugby seja amplamente praticado em todos Estados da Federação. A intenção é que a modalidade alcance o mesmo sucesso que o vôlei, atualmente uma potência no alto rendimento e com uma grande aceitabilidade do torcedor brasileiro, mas com uma diferença: queremos também inserir o rugby nas escolas públicas e privadas, nos clubes sociais e vamos trabalhar para que as equipes nacionais se estruturem cada vez mais, para que a prática cresça, para que tenhamos fortes campeonatos locais e para que ampliemos cada vez mais o número de atletas", afirmou Sami Arap.

De acordo com os dados da CBRu, hoje o Brasil conta com aproximadamente 10 mil atletas registrados, mais de 120 equipes, está presente em 23 estados e figura entre as 35 melhores seleções do mundo no ranking da IRB (Federação Internacional de Rubgy). A expectativa é que em 2015 o número de jogadores aumente para 15 mil e até 2019 chegue próximo dos 40 mil. A projeção é ter 500 mil praticantes até 2030, números similares a países de expressão como a ex-campeã mundial África do Sul.

Outros objetivos estratégicos da entidade que comanda o rugby nacional incluem classificar o País para a Copa do Mundo de 2019, ser medalhista olímpico já em 2016 com a seleção feminina de rugby sevens (octacampeã sul-americana e invicta no continente), ganhar o Circuito Mundial e conquistar medalhas com ambas seleções nos Jogos Olímpicos até 2030.

Para isso, o programa de alto rendimento brasileiro ganhou dois aliados de peso: o Crusaders (uma das principais equipes do rugby mundial) e a Federação de Rugby Canterbury, ambos da Nova Zelândia. Trata-se do time mais vitorioso da história do Super Rugby, o maior campeonato do hemisfério sul da modalidade, e a província que mais fornece jogadores para os temidos All-Blacks (apelido da seleção da Nova Zelândia). Os neozelandeses comandarão as seleções nacionais, no mínimo até 2017. Os atletas já sentiram um grande impacto na mudança de treinamento, mas todos ficaram impressionados com a experiência da comissão técnica neozelandesa.

"Nunca tínhamos visto uma metodologia de treino como essa. Eles trabalham muito mais o psicológico do que o físico. Todos estão muito empolgados e estão abrindo mão de finais de semana, feriados, atividades de lazer para estar no Centro de Treinamento da CBRu, em São José dos Campos, pois o projeto atual nos faz acreditar que o sonho de chegar a uma Copa do Mundo e ganhar uma Olimpíada é possível", contou Ramiro Mina, o Mocho, capitão da seleção brasileira masculina de 2008 a 2012.

Treino na Nova Zelândia - Um período intensivo de treinamento na Nova Zelândia já está programado para o mês de novembro deste ano. A equipe feminina treinará entre 13 a 26 de novembro. De Christchurch, o grupo feminino seguirá para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde participará da primeira etapa do Circuito Mundial de Sevens Feminino do IRB, de 27 de novembro a 2 de dezembro. Já a seleção masculina permanecerá na Nova Zelândia por três semanas, período em que, além de treinar, disputará torneios e amistosos locais como parte inicial da preparação para o Consur Sevens que acontece em fevereiro de 2013, no Rio de Janeiro.

"A viagem servirá para que os atletas adquiram conhecimento e se divirtam aprendendo sobre o rugby e a modalidade sevens nos mínimos detalhes. Eles terão de conscientizar-se da necessidade de mudança contínua e a busca pela excelência, inerentes a um projeto de alto rendimento. Precisam crescer como atletas e indivíduos. Se queremos que o Brasil estejaentre os melhores do mundo, é necessário conviver entre eles", afirmou Dallas Seymour, ex-All Black, que durante 14 anos defendeu a seleção da Nova Zelândia e hoje faz parte do programa de alto rendimento do rugby brasileiro.

Incentivo privado potencializou o plano - Para a Confederação, o rugby nacional já apresenta um crescimento relevante, mas, para que todo o planejamento seja concretizado, é fundamental continuar recebendo apoio dos patrocinadores. Neste momento, oito empresas atrelam suas marcas ao rugby brasileiro: Topper, Bradesco, Heineken, JAC Motors, Deloitte, BR Properties, Probiótica e Brookfield Incorporações. Além disso, existem parceiras pontuais como CREMER, Companhia Athletica, Travel Ace, Fortify e Tozzini Freire. A CBRu também realiza projetos de desenvolvimento de rugby, via Lei de Incentivo ao Esporte, com apoio do Grupo CCR, bem como uma competição nacional de seleções infanto-juvenis com patrocínio da Cultura Inglesa.

Para a Heineken, sede do encontro da tarde desta quinta-feira, patrocinar o rugby brasileiro, reforça também a sua internacionalidade. A marca já apoia o esporte na Copa do Mundo de Rugby, terceiro maior evento esportivo do mundo, e na Heineken Cup, maior torneio de clubes da Europa. No Brasil, a marca é a patrocinadora oficial das seleções masculina e feminina adultas de Rugby Unions (XV) e Rugby Sevens, além dos principais torneios do país: Brasil Sevens, Campeonato Brasileiro Universitário, Campeonato Brasileiro de Primeira Divisão - Super 10 e Campeonato Brasileiro de Segunda Divisão - Copa Brasil.

"Com valores tradicionais ao esporte, como respeito, companheirismo, disciplina,liderança e espírito de equipe, o rugby é uma das únicas competições que possuem o chamado "terceiro tempo". Uma oferta do time anfitrião ao visitante. Momento em que as duas equipes confraternizam e comemoram o jogo, independente do resultado. Um estímulo ao companheirismo que representam também o espírito de Heineken", afirmou Bernardo Spielmann, gerente da marca Heineken.

Fonte: http://www.sharklion.com/proyectos/cbru/main/content.php?page=20&i=3&id_noticia=757&buffer_share=97dd5&utm_source=buffer

CBRu deseja vender rúgbi por massificação


Por Lucas Turco

Dirigentes da Confederação Brasileira de Rúgbi (CBRu) pretender fazer do rúgbi o segundo esporte mais praticado no Brasil em 20 anos. Uma das estratégias para isso é massificar a modalidade e tratar ela como um negócio.

“Temos a capacidade de fazer do rúgbi um esporte muito mais popular. Para isso, precisamos alcançar todas as camadas da sociedade, fazer com que o esporte ganhe espaço na mídia, e com que os brasileiros consumam o rúgbi”, comentou Sami Arap Sobrinho, presidente da CBRu.

Segundo Sami Arap Sobrinho, o rúgbi tem atualmente R$ 7 milhões de receita. Para estar entra as potências mundiais, o número precisa atingir um número entre R$ 12 e R$ 15 milhões até 2015.

Outro projeto da CBRu é construir clínicas de rúgbi nos 27 estados do Brasil. Os dirigentes estão negociando com parceiros que possam viabilizar a ideia e pretendem definir a situação até o fim do ano.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/marketing/27/27348/CBRu-deseja-vender-rugbi-por-massificacao/index.php

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Plano Brasil Medalhas 2016: um plano emergencial ou o início da caminhada para sermos potência Olímpica?



Por Silvestre Cirilo*

Ao término dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, teve início o Ciclo Olímpico Rio 2016. Dessa vez, a discussão sobre o número de medalhas ganhas não teve espaço somente no dia seguinte ao término dos jogos, mas, ganhou a agenda da mídia, seja ela impressa ou televisiva, durante todo o período da competição. Pontualmente, podíamos visualizar a discussão acerca do rendimento brasileiro no quadro de medalhas e, do investimento financeiro feito nos últimos quatro anos. Investiu-se cerca de 250% a mais em detrimento de aumentarmos somente duas medalhas o nosso quadro de medalhas. Números foram contestados pelas partes envolvidas, certezas transformaram-se em decepções perante a nossa torcida e, ao final dos XXX Jogos Olímpicos, o governo anunciou a preparação de um plano visando os jogos de 2016.
Em setembro, o Ministro Aldo Rebelo e a Presidente Dilma Roussef, lançaram o Plano Brasil Medalhas 2016 e, conforme o único documento disponível até então (a apresentação feita nesse dia), faço uma análise desse plano visando a responder a pergunta do título. A apresentação é bem simples e abordam alguns poucos pontos revelando um caminho um pouco confuso para que consigamos atingir a meta proposta para 2016: top 10 nos Jogos Olímpicos e top 5 entre os Paralímpicos. Como estratégia o governo fala em melhorar o número de medalhas nos esportes em que já somos fortes (dentro dos esportes coletivos, voleibol e o basquete, com 19 e 5 medalhas, respectivamente e, individuais, como o judô (19 medalhas), a vela (17 medalhas), o atletismo (14 medalhas) e a natação (13 medalhas) são os destaques se considerarmos todas as participações brasileiras em Jogos Olímpicos desde 1920) e a conquista em esporte não medalhados anteriormente, incluindo aqui, os esportes individuais. Entretanto, falta uma análise mais profunda sobre quais seriam esses clusters, separando os esportes de acordo com o seu rendimento e a consequente oferta de medalhas, pois somente esse cruzamento de dados oferecerá um cenário mais claro indicando as reais chances de progresso. Nesse ínterim, destaca-se a China, com o seu Projeto 119 visando os jogos de Pequim 2008, no qual focou os esportes com amplo espectro de chances para melhoria do seu desempenho (em Atenas 2004, esse cluster respondia por 49% dos eventos Olímpicos e o país havia ganhado apenas 22% das medalhas em disputa). Algo que não ficou claro no plano apresentado por aqui.
Em relação ao investimento, os estudos revelam que o investimento quando o país é a sede dos Jogos Olímpicos aumentam, muito por conta do orgulho nacional em melhorar o seu desempenho e, pelo país participar de todas as modalidades esportivas. O Brasil prevê um investimento público na ordem de R$ 2,5 bilhões nesses próximos quatro anos. Um investimento que, talvez, não supere somente o montante investido pelos chineses que, além de buscarem o primeiro lugar no quadro de medalhas, apresentaram o esporte como uma política de supremacia mundial. Além de observarmos que, existe uma necessidade de se aumentar o montante investido para garantir o mesmo número de medalhas da edição anterior. No entanto, essa é uma conta não muito fácil de ser fechada, pois o montante investido geralmente se concentra no investimento público, mais fácil de obter os dados quando comparados com pretensos investimentos privados.  
Os dois últimos tópicos abordados relatam a estruturação esportiva e a governança do esporte. Nos estudos consultados sobre o primeiro tema, destacam-se os seguintes itens: acesso a treinadores de experiência internacional, medicina e ciência esportiva, equipamentos esportivos específicos para cada modalidade e a disputa de campeonatos de nível internacional. Algo que acontece em pequena escala e que, em quatro anos não há possibilidade de um aumento substancial nessas áreas. Estamos bastante atrasados quando comparados com China, Reino Unido e Austrália, por exemplo. Somado a isso, o fato de não contarmos com um sistema de identificação e desenvolvimento de talentos eficaz, como, por exemplo, os que têm China e Reino Unido. No quesito governança, o país não apresenta um cenário tão diferente quanto os percebidos ao redor do mundo, mostrando uma gestão voluntária na maioria das entidades esportivas, sendo isso uma questão inerente do esporte desde sempre, só mostrando diferença quando comparados com os EUA, que focam o seu esporte na escola/universidade e nas ligas profissionais. Em todo o mundo não é possível encontrar 100% de dedicação exclusiva por parte dos gestores por terem que trabalhar nas suas profissões de origem. No entanto, um ponto merece destaque nesse campo que é a gestão financeira integrada entre os entes envolvidos na busca do resultado Olímpico de 2016.
Concluindo e, ao mesmo tempo, respondendo a pergunta do título, esse plano apresenta um caráter mais emergencial em busca de melhores resultados em 2016, do que propriamente um pontapé na construção do Brasil Potência Olímpica. Para isso, devemos começar a pensar já num novo modelo de gestão esportiva no país, voltado a gestão por resultados com todos os seus elementos, desde a análise do ambiente até o controle proporcionado por metas e indicadores, passando por análises robustas dos resultados esportivos alcançados durante todo o ciclo. Adicionalmente, devemos nos preocupar na construção de um sistema eficaz de identificação e desenvolvimento de talentos, que permita abastecer a cadeia produtiva Olímpica, aumentando a quantidade de entrada e, consequentemente, gerando uma saída com maior qualidade ao nível Olímpico. Assim como, realizar a integração do esporte e da educação física em todo o território nacional seja ele, na prática escolar ou na gestão dos mesmos em todos os níveis governamentais com o auxílio da iniciativa privada e do terceiro setor. A discussão para o esporte brasileiro deve aproveitar a onda otimista gerada pela realização dos Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro visando o seu desenvolvimento sustentável e gerando vantagem competitiva quando comparado a outros sistemas ao redor do mundo. Só teremos resultados de potência Olímpica, se começarmos hoje a trabalhar numa perspectiva voltada ao fim da próxima década, haja vista que o Reino Unido atingiu a terceira posição nos últimos jogos com um trabalho iniciado em 1996 e, a China, que conta com uma tradição de mais de meio século na busca de uma sistematização esportiva que culminou num quadro crescente de melhora nos resultados esportivos nos Jogos Olímpicos desde o ano de 1984 e, que foi alcançar o primeiro lugar em 2008.      

*Formado em Educação Física, Mestre em Gestão e Estratégia e doutorando em educação física na Universidade Gama Filho. Contato: esporteegestao@gmail.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Seminário Negócios do Esporte nos dias 26 e 27 de outubro em Pelotas


Por Deco Rodrigues

Em parceria com a Universidade Católica de Pelotas, o site Rede Esportiva promove seminário sobre “Negócios do Esporte”, com o objetivo de oferecer à comunidade pelotense uma exposição de assuntos pertinentes do ponto de vista econômico, do marketing, da comunicação e da gestão esportiva.

A grande atração é o diretor executivo de marketing do Grêmio, Paulo César Verardi. Com um currículo invejável, Verardi traz a Pelotas o case “Arena do Grêmio”. Uma rara oportunidade para acompanhar um tema de grande relevância no âmbito esportivo.

O evento acontecerá nos dias 26 e 27 de outubro de 2012, no auditório do colégio Gonzaga. As inscrições podem ser feitas na Internet (www.redeesportiva.com.br/curso), ou fisicamente, no saguão de entrada do Campus I da UCPEL, do dia 01/10 ao dia 25/10, das 8h às 11h30min e das 18h30min às 21h.

Serviço
O quê: Seminário Negócios do Esporte
Quando: dias 26 e 27 de outubro
Onde: auditório do Colégio Gonzaga
Mais informações pelo telefone (53) 4141.1099.

Fonte: http://www.ecult.com.br/noticias/seminario-negocios-do-esporte-nos-dias-26-e-27-de-outubro-em-pelotas

A urgência do branding para o esporte


Por Erich Beting

Uma das coisas mais fantásticas que existe no esporte é que, sem o menor esforço, clubes e atletas tornam-se marcas extremamente poderosas. O que, no mercado corporativo é a chave para o sucesso de grandes empresas, no meio esportivo é praticamente algo natural. Os clubes são instituições centenárias e de extremo valor para o consumidor. Tão valorosa que o torcedor “das antigas” recusa o termo consumidor para defini-lo. A relação é muito mais profunda do que isso.

Por conta desse cenário, o tema “branding” nunca fez parte das necessidades do esporte durante muito tempo. No Brasil, especialmente, essa é uma realidade ainda muito distante do cotidiano. Só que, com o desenvolvimento do esporte como negócio, ainda mais no futebol, o assunto tem de vir cada vez mais à pauta. Por uma questão de sobrevivência dos clubes.

O caso mais recente é o que envolve o Corinthians e a “Apito Promocional”, empresa que havia fechado um pacote de patrocínio de sete jogos do time pelo valor de R$ 1,5 milhão. Agora, o patrocínio foi parar no departamento jurídico alvinegro, que cobra a falta de pagamento de uma das parcelas.

O imbróglio não deixa de ser uma espécie de “castigo” para o próprio Corinthians.

Quando o clube criou, em 2009, o “Projeto Ronaldo”, provocou exatamente uma depreciação de sua imagem, mesmo achando que faria o contrário. Sim, Ronaldo ajudou e muito a mudar a percepção da imagem do Corinthians. Mas o meio encontrado para isso foi prejudicial no longo prazo. Quando fragmentou a camisa para diversos patrocinadores, o clube matou seu ativo mais valioso para um acordo de patrocínio. Para piorar, a partir do momento em que fez contratos diferentes, com prazos de duração distintos, piorou isso .

Quem acompanha o blog há três anos sabe que falávamos disso desde o início. Hoje, as grandes empresas perceberam que patrocinar o esporte é ir além da exposição na camisa. Por isso mesmo, o mercado passou a ser mais criterioso antes de investir.

E aí entra o problema hoje para o Corinthians. O clube cobra um valor para o patrocinador principal que nenhuma empresa está disposta a investir para ter de dividir a exposição com outras marcas. Com o passar do tempo e a necessidade de “fazer caixa”, o clube acaba depreciando o valor de sua camisa aceitando empresas menores que fazem aportes pontuais. E, nessa roda, a marca Corinthians, que está hoje num momento de extrema valorização, não consegue provar para um eventual patrocinador que vale a pena aplicar um certo dinheiro para estar aliado a ela. Quando notícias como essa da Apito Promocional vem à tona, então, a situação só piora.

O grande segredo para que clubes como Manchester United, Barcelona, Real Madrid, Chelsea e outros se tornassem potências mundiais foi um consistente trabalho para formação de um conceito de marca que acompanha o clube. O Manchester foi o primeiro a fazer isso, lá nos anos 90. Na década passada, os demais grandes europeus acompanharam o movimento.

Agora é o momento de os clubes no Brasil passarem pelo doloroso processo de fortalecimento de suas marcas. Doloroso porque isso implica, num primeiro momento, a reduzir os ganhos com quaisquer patrocínios e buscar projetos de longo prazo, que pagam menos a princípio, mas que fortalecem os relacionamentos no futuro e, assim, geram um aumento de receita.

Ou os clubes começam a fazer isso ou, passado os furacões de Copa e Olimpíadas, as empresas vão procurar outra área para se engajar.

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/10/18/a-urgencia-do-branding-para-o-esporte/

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A construção da marca pelo esporte


Por Erich Beting

Na noite desta segunda-feira recebi um e-mail marketing da fabricante de material esportivo Asics. A peça me convidava a preencher um cadastro da empresa para receber mensalmente informações sobre esportes.

Num mundo em que cada vez mais o consumo da informação é segmentado, o e-mail recebido da Asics foi um sinal de que, aos poucos, as marcas têm percebido que o conteúdo assumiu o caráter de elemento fundamental para o fortalecimento de uma relação com o consumidor.

O desenvolvimento tecnológico e a internet alçaram qualquer pessoa à condição de produtor de conteúdo. Com isso, o consumidor dita o que e como ele quer consumir a informação. E, por sua vez, o acesso à notícia em si virou algo comum, disponível e, até certo ponto, banal. Eu não preciso mais do jornal ou da TV para me informar. Eu não preciso chegar até a informação, já que ela vem até mim de diferentes formas.

Só que essa situação, ironicamente, elevou o conteúdo a um patamar fundamental. Na era em que o consumidor escolhe o que quer ler/ver/sentir/ouvir, faz muita diferença apresentar algo que atenda exatamente os desejos daquela pessoa.

Paralelamente, com a produção globalizada de produtos, cada vez mais os preços de marcas concorrentes se assemelham, em todos os segmentos de mercado. A escolha por uma ou outra marca passa, fundamentalmente, pela imagem que a empresa forma na cabeça do consumidor.

E é nesse ponto que voltamos ao tal e-mail da Asics. Quando uma marca se propõe a fornecer um conteúdo para o consumidor daquele tema que é de interesse dele e que tenha relação com a empresa, ela passa a fazer a diferença para ele. Não é mais apenas um bom produto que leva a pessoa a lembrar e consumir uma marca, mas sim a experiência que ela proporciona ao consumidor.

Nesse sentido, o esporte passa a ser um conteúdo de primeiríssima qualidade. O que mais impressiona é que, quando falamos do mercado brasileiro de patrocínio esportivo, poucas marcas perceberam que podem se apropriar do conteúdo que o esporte produz para ser diferente para o consumidor.

Geralmente esse movimento começa com as marcas que trabalham com o fornecimento de artigos esportivos. Vamos ver se ele vai se espalhar para os outros segmentos ou se as marcas continuarão a achar que a exposição de mídia é realmente o grande benefício do investimento no esporte.

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/10/16/a-construcao-da-marca-pelo-esporte/

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O SISTEMA ESPORTIVO BRASILEIRO E A SUA GESTÃO AMADORA


Por Silvestre Cirilo dos Santos Neto*

A atual demanda gerada sobre a gestão do esporte surgiu a partir da realização dos megaeventos esportivos, na chamada década de ouro para o esporte no Brasil, iniciada em 2007 com os Jogos Pan-Americanos e com o fechamento previsto para 2016, com a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, passando por Jogos Mundiais Militares e Copa do Mundo de Futebol. Surge, então, a discussão sobre a administração esportiva e o seu ambiente prioritariamente amador no país. A discussão sobre o legado dos megaeventos não vem contemplando o desenvolvimento do esporte desde a sua base. Lembrando que o esporte não tem os eventos como atividade-fim.
O Brasil encontra-se em uma etapa que deveria representar a inserção do país no universo do esporte como negócio, ou esporte baseado em clubes-empresa e gerido estrategicamente para produzir muitas alegrias aos torcedores, socialização, educação, mas também muitas riquezas. No entanto, o corporativismo impede que essas ideias proliferem em terras tupiniquins. Numa perspectiva mais ampla, e também complexa, esporte também representa desenvolvimento, pois o correto planejamento do trabalho e sua posterior execução demandam aportes de investimentos para desenvolvimento de infraestrutura, para a aplicação de tecnologia e qualificação de mão-de-obra, fatores que são capazes de alavancar a dinâmica econômica e social de cidades e regiões.
Para que essa indústria seja alavancada é necessário o fortalecimento da base, onde o esporte tem sua origem e serve como abastecedor das instâncias imediatamente superiores, como numa pirâmide. Nesse ínterim, com a candidatura e realização dos megaeventos e demais eventos de nível internacional, veio à tona a discussão sobre a gestão esportiva do país. Pois, não faz sentido que se discutam os megaeventos apenas como suporte para obras de infraestrutura e melhoria em setores como os de transporte e meio-ambiente. Onde fica situado o legado esportivo nessa discussão? Como se dará o desenvolvimento do esporte após os megaeventos? Como se engendrará o sinergismo para o fomento do esporte em todo o território e, de fato, termos uma política pública voltada ao esporte? 
No entanto, qual seria o modelo ideal para sistema brasileiro? Seria aquele baseado no sistema educacional e com as ligas profissionais, como nos Estados Unidos? Ou, os modelos intervencionistas, como Cuba (que leva esse controle ao extremo) ou a Europa? Como é possível que países com dimensões de municípios brasileiros alcançarem resultados tão mais expressivos no cenário mundial? Se analisarmos a história recente do sistema esportivo local, teremos alguns indícios de como chegamos a um nível tão crítico quando nos referimos à continuidade da pirâmide esportiva. Desde os anos 1980, os educadores e pedagogos de plantão vêm demonizando o uso do esporte na escola e surgindo com pedagogias voltadas às atividades que contemplam o comportamento, o ser humano, a saúde, porém exortando o esporte do ferramental para atingir os resultados propostos. Outro ponto que merece destaque é a falta de integração entre os Ministérios do Esporte e da Educação e esporte e educação física, que acabam por não falar a mesma linguagem e são tratados como assuntos dicotômicos. A legislação esportiva que se mostra tão evoluída em alguns aspectos, torna-se arcaica quanto comparada à países como Zâmbia e Japão, que preconizam a integração entre essas duas áreas ou, a Alemanha, em que cada esporte trabalha os três segmentos esportivos (educacional, de participação e de rendimento).
Em pesquisa realizada com 102 profissionais de educação física, oriundos de 25 estados das 5 regiões do país, cujo objetivo era saber como estes observavam a gestão esportiva. 47,1% relataram como objetivo da educação física o desenvolvimento motor, mas sem haver uma diretriz consolidada nas ações voltadas ao cumprimento desse objetivo. O esporte foi visto por 67,6% dos respondentes como não tendo um objetivo definido nas suas ações. A coordenação entre a educação física escolar e o esporte apresentou um índice de 80,4% para os respondentes que não verificaram qualquer coordenação entre as duas áreas. Em relação à gestão do desporto, nos seus três segmentos (escolar, participação e rendimento), verificou-se que cerca de 40% dos respondentes observaram que o desporto educacional, o de participação e o de rendimento, apresentava ações sem objetivos definidos. Outro resultado que merece destaque é a aparição do personalismo por parte dos “gestores”, quando estes usam o esporte como trampolim para suas agendas pessoais e tomam decisões a partir de critérios exclusivamente políticos.
Com o passar dos anos, o foco do desenvolvimento esportivo no Brasil voltou-se para o desporto de rendimento e, num grau superior, especificamente o futebol. A falta de um sistema esportivo consolidado no país permite-nos que haja uma sobreposição de competências no que diz respeito aos demais segmentos esportivos preconizados na legislação. Percebeu-se através das respostas coletadas junto aos profissionais de educação física, a interferência de manifestações não condizentes com o segmento tratado, assim como, em relação aos objetivos da educação física. Observa-se que o trabalho realizado no segmento do desporto de participação, por exemplo, é realizada pela União, pelos Estados e pelos Municípios, caracterizando o choque de competências entre os entes, não sendo possível, então, a efetivação de uma gestão eficiente no sentido da maximização de resultados e, caminhando para o perigoso caminho das decisões pautadas somente nas questões políticas.
A definição dos segmentos esportivos conforme preconizados pela lei, não auxilia na visualização do cenário esportivo nacional, pois existe uma necessidade de objetivos mais claros e que não convirjam, como, por exemplo, o desporto educacional e o de participação que apresentam sentidos muito próximos e, acabam por gerar uma linha tênue entre ambos e, consequentemente, influencia a forma de trabalho. Nesse sentido, existe a necessidade da regulação de cada segmento com o intuito de evitar desvios como o percebido no desporto de participação ou o educacional, por exemplo, nos quais se observam o trabalho voltado às chamadas escolinhas esportivas, distanciando-as do objetivo preconizado na legislação ao evidenciar o lado técnico e a reprodução do treinamento esportivo, com alunos de diferentes níveis técnicos numa mesma turma e, sem apresentarem o mesmo lastro. Por outro lado, o segmento do desporto de participação é vendido como voltado ao social, por possibilitar que as comunidades obtenham acesso ao esporte e, garantindo ótimo retorno político.
O estudo concluiu que a gestão esportiva ocorre no país, mas de forma incipiente, sem utilizar os recursos e ferramentas que a administração pode suprir. Faz-se necessário a adoção de uma política esportiva no país. Para tal, seria necessária a discussão de 3 pontos: análise e reestruturação da conceituação do esporte no país com a posterior revisão da legislação; a criação de mecanismos de regulação do esporte similar aos encontrados na Saúde e na Educação, no qual cada ente tem prevista sua área de atuação e suas competências e a adoção de um modelo de gestão que envolvesse não só a administração pública mas, também, o setor privado e o terceiro setor.  


* Formado em Licenciatura Plena em Educação Física, na UFRRJ com especialização em Gestão da Administração Pública. Mestre em Gestão e Estratégia em Negócios, pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da UFRRJ, com a dissertação versando sobre gestão do esporte. Tem experiência na área esportiva através das prefeituras de Angra dos Reis, Rio de Janeiro e Itaguaí, seja trabalhando com o desporto educacional ou com os desportos de participação e rendimento, além de efetuar a gestão de conteúdo, planejamento e organização de projetos e eventos. Fez parte da equipe que criou a Secretaria de Esporte e Lazer de Angra dos Reis, em 2008, onde foi o seu primeiro Assessor de Planejamento, e trabalhou como voluntário nos 5º Jogos Mundiais Militares, tendo atuado no Media Press Center (MPC).

A política e o esporte


Por Jorge Júnior

Depois que vimos o final das eleições no primeiro turno enxergamos agora um novo e decisivo momento para o município de Londrina. O que vem por aí? A boa notícia é que teremos dois novatos, na nova administração municipal a partir de janeiro. Será que os “tormentos” vão terminar? Um renovação pequena na Câmara de Vereadores, mas pelo menos alguns “maus foram cortados pela raiz”! Esperamos um pouco mais da nova lesgislatura.

Mas voltado  a falar do executivo, Londrina com quase 600 mil habitantes precisa e espera por uma mudança radical, com um prefeito mais austero, firme e convicto das necessidades de mudanças em todas as áreas. Mudanças significativas em cada secretaria, com profissionais altamente copacitados para trabalhar de verdade pela cidade. No final da gestão Barbosa Neto, pelo menos e é bom que se diga isso,  vimos uma grande diferença do que foi a final da gestão Nédson Micheletti. Hoje a cidade está bonita, limpa e muito bem cuidada. O grande problema todos viram o que foi.

A política local neste momento foca o segundo turno, mas precisamos de qualquer forma ver o que teremos para 2013 no esporte da cidade. É preciso uma mudança radical na nossa Fundação de Esportes. Vamos pedir ao próximo prefeito que dê a maior atencão aos projetos sociais, sem perdermos o foco nas nossas tradicionais modalidades de rendimento em competições nacionais. É preciso ampliar os recursos para o esporte de base, na formação das nossas equipes com apoio as modalidades.

É preciso também rependar a Lei de Incentivo, e criar mecanismos para a Fundação trabalhe com seus diretores e ajudem gerenciar nossas modalidades e não apenas jogar a responsabilidades para as entidades que preenchem um projeto, criam CNPJ, envolvem pessoas e arcam com tudo: Planejamento, manutenção, formação, parceiros, enquanto a Fundação apenas repassa recursos.

Precisamos retomar o projeto do basquete masculino no calendário nacional, o volley feminino, o futsal e o handebol. Essas quatro modalidades que sempre foram destaques para a cidade. Mas é preciso ser gerenciado pela Fundação e não pelos clubes criados. Independentemente de quem seja o próximo prefeito, vamos cobrar uma postura diferente, com a obrigação dos projetos sociais e a presença de empresas privadas que venham para somar com cada mosdalidade, além de ampliar os recursos do município para o fortalecimento do esporte. Só assim teremos mais jovens e crianças praticando esporte e diminuindo nosso índice de violência urbana.

Fonte: http://londrina.odiario.com/blogs/jorgejunior/2012/10/15/a-politica-e-o-esporte/

domingo, 14 de outubro de 2012

O exemplo Gerdau para o esporte


Por Erich Beting

Um dos mais interessantes acontecimentos do governo Dilma Rousseff é a presença de Jorge Gerdau no dia-a-dia da gestão pública. O megaempresário foi convocado pela presidente da República para desburocratizar a política e tornar eficiente as gestões de ministérios e demais esferas públicas ligadas ao governo federal.

Basicamente a função de Gerdau é criar planejamento estratégico e eficiência na execução para o governo. A visão da presidente é simplesmente espetacular, após meio milênio de desobediência na gestão pública no país. E o exemplo pode ser levado diretamente para o esporte.

O caso mais emblemático disso talvez tenha sido a gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo no Palmeiras. Economista renomado, Belluzzo foi uma grande decepção para o torcedor palmeirense. Exatamente por falhas no gerenciamento, provocadas, e muito, pela burocracia política e pela paixão que interferiu na racionalidade da gestão.

O esporte movimenta a paixão de grandes executivos e profissionais renomados do mercado. O interesse dessas pessoas pelo tema poderia fazer com que os clubes adotassem a mesma tática de Dilma Rousseff e colocasse grandes figuras do mercado como conselheiros na gestão do dia-a-dia das entidades.

O grande problema é que, por mais incrível que possa parecer, muitas vezes o executivo de sucesso tem, no esporte, a sua válvula de escape. E, com isso, a visão empresarial é deixada de lado na maior parte dos casos. Taí Belluzzo para provar a tese. O grande negócio para o gestor no esporte é fazer com que a razão consiga sobrepor-se à emoção. E aí está o grande entrave para que o exemplo de Gerdau possa pegar.

Mas para quem quiser se diferenciar no mercado nos próximos anos, o caminho para o sucesso é pensar em como desburocratizar um clube e, mais do que isso, tornar o planejamento estratégico um mantra dentro da instituição. E, claro, ter força política para fazer essas mudanças. Exatamente como acontece agora no governo federal.

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/10/11/o-exemplo-gerdau-para-o-esporte/

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mesmo com dinheiro, esporte brasileiro esbarra em falta de planejamento



Apesar de contar com um pesado investimento de verbas do governo, Brasil viu Grã-Bretanha triunfar nos Jogos de Londres gastando menos

Bruno Fávero


Em 1996, Brasil e Grã-Bretanha conquistaram 15 medalhas cada um nos Jogos Olímpicos de Atlanta e, desde então, os dois países aumentaram consideravelmente o financiamento ao esporte. No último ciclo olímpico, o Brasil investiu cerca de R$ 1,4 bilhão na preparação da delegação que competiu nos Jogos de Londres 2012 e conquistou 17 medalhas. Já os britânicos gastaram menos, cerca de R$ 1 bilhão, para chegar a 65 medalhas. Se o problema do esporte olímpico brasileiro não parece ser dinheiro, por que o país não consegue um desempenho melhor nos Jogos?

Para a professora Maria Tereza Bohme, da EEFE (Escola de Educação Física e Esportes) da USP, apesar do investimento crescente, o esporte brasileiro ainda tem sérios problemas de gestão. “No aspecto financeiro, foi feito alguma coisa, mas sem ser bem pensado, sem ser planejado. Além disso, falta comunicação entre as esferas pública (Ministério do Esporte e Secretaria) e privada (COB e confederações)", afirmou.

Desde o “desastre” de 1996 em Atlanta, quando ficaram em 36º lugar no quadro de medalhas, os britânicos decidiram mudar a gestão esportiva do país. Aumentaram o financiamento estatal e criaram a UK Sport, uma agência governamental dedicada exclusivamente ao esporte de alto rendimento e responsável por decidir como todo o dinheiro público é investido para melhorar o desempenho dos atletas.

Concentraram esforços nos esportes com mais chances de medalhas, criaram uma rede de apoio aos atletas e profissionalizaram a gestão. A estratégia deu certo e em quatro anos, nos Jogos de Sydney 2000, a Grã-Bretanha estava de volta ao top 10. Em 2012, nos Jogos de Londres, chegou à terceira colocação no quadro de medalhas.

No mesmo período, o Brasil também viu um aumento no volume de dinheiro investido no alto rendimento, mas pecou no planejamento estratégico. Segundo Maria Tereza, a falta de comunicação entre as diferentes níveis da gestão esportiva como COB (Comitê Olímpico Brasileiro), confederações ou secretarias municipais e federais faz com que, ao invés de trabalharem juntas, as diferentes organizações acabem investindo em ações desencontradas. “Cada um faz o que quer, o conceito de autonomia é plenamente utilizado” ironiza.

Na Grã-Bretanha, a proximidade entre a UK Sport e as confederações foi um dos pontos mais importantes para o sucesso do modelo. “Determinamos que cada confederação fizesse uma avaliação de desempenho três vezes por ano. Nós os instruímos sobre como fazer os relatórios e assim tínhamos uma ideia muito boa sobre como estava cada esporte e do que precisava” conta Liz Nicholl, CEO da UK Sport.

No Brasil, a falta de planejamento e de comunicação de que fala a professora da USP se reflete no financiamento confuso do esporte de alto rendimento no país. As principais fontes são as loterias federais, através da Lei Agnello / Piva, a Lei de Incentivo Fiscal e o patrocínio de estatais. No caso da Agnello / Piva, o dinheiro vai para o COB e para o CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), que são responsáveis por distribui-lo entre as confederações esportivas; na Lei do Incentivo, as próprias confederações elaboram projetos e tentam captar dinheiro de impostos de empresas; já as estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa, têm relativa independência para decidir onde investir.

Em resumo, os recursos ficam fragmentados e se torna mais difícil elaborar um plano central de desenvolvimento do esporte, cobrar os resultados esperados ou controlar como o dinheiro é usado. Consequentemente, muitas vezes o dinheiro acaba não chegando a uma das partes mais importantes, o atleta. 

Uma evidência disso é que em pesquisa realizada pela EEFE, 87% dos atletas entrevistados afirmaram ser necessário recorrer à sua renda pessoal para gastos com treinamento e competições e 69,5% disseram não receber reembolso das confederações. Já entre os técnicos, 35,9% apontaram que não recebem salários.

No modelo britânico, em contraste, quase 80% do dinheiro recebido pela UK Sport é usado para apoiar diretamente as confederações e dar suporte aos competidores, de modo que tanto atletas quanto técnicos de ponta possam se dedicar exclusivamente ao esporte. Criaram, nas palavras de Nicholl, “uma rede de suporte de primeiro mundo” para ajudar os esportistas.

O Plano Brasil Medalhas, lançado recentemente pela presidente Dilma Roussef , pode ser um sinal de que o governo federal quer lidar com os problemas de gestão do esporte brasileiro e tomar para si a responsabilidade de planejar seu desenvolvimento. Nos próximos quatro anos, cerca de R$ 1 bilhão serão investidos no esporte de alto rendimento na tentativa de levar o Brasil ao top 10 do ranking de medalhas nos Jogos do Rio 2016. Desse montante, R$ 690 milhões irão direto para os atletas, sem passar pelo COB ou pelas confederações.

Fonte: http://esporte.ig.com.br/maisesportes/2012-10-08/mesmo-com-dinheiro-esporte-brasileiro-esbarra-em-falta-de-planejamento.html