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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O Futuro do Esporte Brasileiro


Por Radamés Lattari

Normalmente utilizo este blog para falar de vôlei, mas hoje resolvi escrever de forma mais ampla sobre um tema que me aflige e pelo qual tenho grande preocupação. O futuro do esporte brasileiro. Compartilharei com vocês em três artigos meus pontos de vista, observando as seguintes questões: críticas , elogios, sugestões e ideias.
Com a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada, o Brasil se tornará, por alguns anos, o país do esporte. Muita gente, com evidente razão e lógica, acredita que nosso futuro esportivo esteja garantido devido ao grande espaço e a propaganda que será feita.
Porém, eu vou na contramão da maioria. Acho que a realização de todos estes eventos aqui no Brasil não mudará muito o nosso futuro e pouco influenciará na nossa participação. Continuaremos sempre dependendo da atuação individual de um atleta nas modalidades nas quais temos tradição (judô e iatismo) ou do resultado de esporte coletivo (vôlei e futebol).
Acredito que a nossa preparação deveria ter sido iniciada há alguns anos, com uma grande e organizada massificação. Com isto, hoje estaríamos selecionando uma elite, que bem preparada, poderia nos representar bem. Infelizmente, nossos grandes atletas são sempre os mesmos há diversos anos. Começam como esperança e terminam como veteranos desgastados. Os poucos que confirmam as expectativas são atletas que recebem um bom apoio econômico do Governo, Confederações e patrocínios.
Os nossos patrocinadores não são estimulados a investir na base. No Brasil, as leis de incentivo são complicadas e levam dinheiro somente à pequena elite de atletas.
Nos últimos anos, involuímos muito no trabalho de base por uma falta de política do esporte. Os clubes que sempre fizeram este trabalho, devido aos altos custos (taxas e material), deixaram de fazê-lo e com isto, a cada ano que passa, estão diminuindo os espaços para as crianças praticarem as modalidades.
Cito como exemplo: vôlei e basquete no Rio e São Paulo. O número de clubes participando dos campeonatos das divisões de base é de 3 a 4 vezes inferior ao de alguns anos atrás. Os treinadores passaram a trabalhar menos e juntar categorias em preparações únicas, pois os seus salários são indignos.
O Governo Federal sempre foi muito injusto com os clubes formadores, já que estes cedem seus atletas para representar o País e o Governo nunca os ajudou na devida proporção.
Falta de estrutura, escassez de material e estado precário das nossas instalações nos deixam ser uma potência esportiva, mas não nos permitem ser uma potência olímpica. Pois na média dos esportes coletivos, estamos bem.
É mais fácil para os abnegados professores de Educação Física que, com um pouco de sorte, têm uma bola para trabalhar, dividir suas turmas por equipes em qualquer espaço mesmo com pouca estrutura.
Sendo assim formamos boas equipes no futebol, vôlei, basquete e handebol. Porém, estes esportes na Olímpiada brigam somente por uma medalha. Reparem quantas medalhas se pode conquistar em outras modalidades: Judô (14), Atletismo (94), Boxe (13), Badminton (5), Canoagem (16), Ciclismo (18), Levantamento de Peso (15), Ginástica artística (28), Luta (18), Natação (64), Remo (14), Taekwondo (8), Tiro (15) e Vela (10).
Para se ter uma boa participação na Olimpíada, é preciso investir nos esportes em que se tenha em disputa diversas medalhas. Em Londres 2012, os ingleses fizeram este trabalho no remo, ciclismo e vela. Nestas modalidades, conquistaram diversas medalhas.
Enquanto não surgirem leis de incentivos mais simples de serem compreendidas e aplicadas para quem trabalha na base, ficaremos cada vez mais distantes das potências olímpicas.
Conseguimos a façanha de trazer estes dois grandes eventos para o Brasil, e quero, assim como deseja todo brasileiro, ser otimista e tirar proveito da situação e por este motivo renovo a minha esperança de que dois fatos aconteçam em breve tempo:
- Precisamos entender com urgência que devemos levar o esporte para as escolas.
- Aproveitar este evidente atraso para impulsionar leis e investimento na base.
Com simples, mas eficientes ações passo rapidamente do pessimismo ao otimismo.
No próximo artigo, escrevo sobre a estrutura do esporte, Ministério e Comitê Olímpico Brasileiro, e no terceiro apresentarei sugestões.
Não conheço o atual Ministro do Esporte Aldo Rabelo, mas gostei muito da sua sinceridade ao assumir o cargo, ele afirmou “o Brasil não tem e necessita de uma política para o esporte”, não é fácil encontrar um político que critique políticos do seu próprio partido (já que os dois ministros anteriores faziam parte do mesmo partido do atual ministro).
Acho que ter independência e adquirir credibilidade deva ser o ponto de partida para o Ministério do Esporte. Qualquer pessoa com um pouco de lucidez sabe que nos dias de hoje a principal importância de um ministério é servir para ser sucateado para fazer caixa para um partido ou políticos. Se o Ministro conseguir retirar o Ministério do Esporte desta situação, seria um passo importante para se criar uma diretriz para o esporte.
Em um país continental e tão heterogêneo como o nosso, é muito difícil de uma hora para outra estabelecer uma política para o esporte. Creio que deveríamos ir por etapas. Inicialmente estabelecer metas e objetivos para um período de alguns anos. A Espanha fez assim visando Barcelona 92.
Para o Ministério dos Esportes obter sucesso, entendo que algumas premissas são fundamentais:
Demonstrar a grandeza e a importância da prática do esporte para o país;
Ter no comando gente que entenda, goste e de credibilidade;
Massificação dos esportes nas escolas e ajuda aos clubes formadores;
Leis de Incentivo para quem trabalha com a base;
Valorização dos professores de Educação Física;
Demonstrar a importância do esporte na formação do cidadão e na prevenção da saúde;
Não liberar verbas para a construção de mais nada. Vamos sim, recuperar e manter o que já existe.
Aumentar em muito a verba destinada ao COB. O repasse nos últimos anos melhorou, mas ainda é muito pouco.
Sobre os itens acima gostaria de dar dois exemplos:
- Nos EUA, até alguns anos atrás, a Educação Física não era obrigatória, e hoje ela é por um simples motivo, eles pesquisaram e verificaram que para cada dólar investido no esporte eles economizavam seis na saúde.
- Holanda e Itália, dois países de tamanho e população bem menores do que o Brasil, os seus Comitês Olímpicos têm verbas bem superiores as do COB.
E por falar no COB, seu presidente Carlos Arthur Nuzman, com seu dinamismo e apoio do poder público, elevou o status do esporte brasileiro. Fez um trabalho incrível ao trazer grandes eventos como o PAN de 2007 e as Olimpíadas para o Brasil.
Acho que pouca gente sabe realmente onde começa e termina a responsabilidade do COB. Acho pequeno o espaço do COB dentro da estrutura do esporte brasileiro. Vejo com entusiasmo o fato de diversos ex-atletas hoje serem funcionários do Comitê, ao lado de outros profissionais de larga experiência. Fui a Londres e a estrutura oferecida por eles aos atletas, treinadores e demais integrantes da delegação brasileira foi impecável. Nada a desejar a qualquer país de primeiro mundo.
Acredito que, com as experiências do seu grupo de profissionais, o COB deveria ter uma forte atuação, um espaço dentro do Ministério dos Esportes no trabalho de massificação esportiva. O Ministério seria o responsável por elaborar a parte política da iniciação esportiva nas escolas, clubes e o COB, junto com as Confederações, seriam o responsável pelo desenvolvimento técnico desde a iniciação. Eu, no próximo artigo, demonstro como esta união ajudaria ao esporte brasileiro.
Hoje, a principal função do Comitê Olímpico Brasileiro é repassar verbas para as Confederações, utilizando a meritocracia. Será esta a única maneira de exercer poder sobre Confederações Brasileiras.
Somente por mérito, a distância entre as chamadas “grandes” Confederações e as “pequenas” serão cada vez maiores.
Todas as Confederações deveriam apresentar ao COB seus planejamentos, objetivos, convocações e contratação de treinadores e demais profissionais. Depois então de analisar estas solicitações, seria feita a destinação de verbas de acordo com as necessidades, possibilidades de conquistas e outros.
Por estes motivos o COB deveria ter um poder oficial para ajudar, intervir e cobrar mais das Confederações.
Existem algumas situações que eu discordo completamente. Por Lei é proibido repasse de verbas para Confederações, caso o seu presidente seja profissional e receba salários. Considero, nos dias de hoje, ridículo este fato. Devemos pressionar para que este item seja alterado, devemos trazer transparências eliminar possibilidades de ganhos justos, mas de forma incorreta.
Hoje quase todos os presidentes de Confederações, Federações, Clubes e etc. são acusados de serem sócios de empresários ou ocultos da empresa de marketing que cuida do órgão da qual presidem. Alterando a Lei , profissionalizando os dirigentes, fazendo sempre licitação aberta para tudo, e proibindo contratos de exclusividades por longos períodos, inibiríamos ações e grande parte destas acusações que trazem um desgaste muito grande.
Outro fato que sou totalmente contra é a questão eleitoral. Sei que hoje, é um efeito cascata. O COB e as Confederações copiam o estatuto das Federações Internacionais, as quais estão filiados. Um regulamento que limita ao máximo o número de candidatos a uma eleição. Hoje para poder ser candidato ao COB, o possível candidato deve ser presidente de uma Confederação ou ser um Diretor não remunerado do COB há diversos anos.
Zé Roberto Guimarães, Maria Ester Bueno, Zico, Gustavo Borges, Bernardinho, Hortência, Pelé, Galvão Bueno ou o Marcus Vinicius Freire, atual Superintendente do COB, por exemplo, não poderiam ser candidatos à Presidência do Comitê.
O fato de terem construído uma vida vitoriosa no esporte não nos dá e não lhes dá a certeza de que seriam bons presidentes, mas poderia ao menos dar o direito de serem candidatos pela longa vivência dentro do Esporte.
E cito outro exemplo. No dia em que Ary Graça, o Presidente da CBV, lançou a sua candidatura a FIVB, eu o procurei para dizer que gostaria de me candidatar ao seu lugar na Confederação Brasileira de Vôlei. Mas para ser candidato a CBV você precisa ser Presidente de Federação Estadual há mais de nove anos ou Diretor da CBV há mais de cinco anos.
O fato de estar ligado ao vôlei há 42 anos, sendo 38 como treinador não me permite ser candidato. E digo mais: Bernardinho e Zé Roberto, os dois maiores vencedores do vôlei mundial caso quisessem, também não poderiam ser candidatos. Não preenchem as condições básicas que o cargo requer.
Com este tipo exigência, fica praticamente impossível o surgimento de novos nomes. Se um presidente fica 10, 15, 20 anos no poder, seus possíveis sucessores também ficam 10,15, 20 anos envelhecidos.
Sei que muitos presidentes querem ter o prazer de continuar até o Rio 2016, acho de certa forma justo, mas, por favor, ao saírem, façam um ato de amor ao esporte: modifiquem estes estatutos, sejam democráticos, democratizem o esporte permitindo a todos o direito de se candidatarem. E depois, deixem para as urnas decidirem.

Fonte: http://br.esporteinterativo.yahoo.com/blogs/radames-lattari/

domingo, 9 de dezembro de 2012

Maracanã para a elite


Faz sentido privatizar o Complexo do Maracanã para torná-lo um espaço de shows caros e inacessíveis ao povo?

Por Marcelo Freixo - Opinião

Em 1999, o poder público gastou R$ 106 milhões reformando o estádio do Maracanã para o Mundial Interclubes da Fifa. De 2003 a 2007, foram gastos mais R$ 97 milhões em reformas no Maracanãzinho. Já em 2006, o Parque Aquático Júlio Delamare foi reformado a custo de R$ 10 milhões. Na ocasião, o Maracanã foi novamente reformado para os Jogos Pan-Americanos de 2007. A previsão inicial era de R$ 67 milhões. Ao final, a obra custou R$ 304 milhões.
Em 2010, o Maracanã foi colocado abaixo para a Copa. A previsão era de R$ 705 milhões para destruir o que já havia sido feito com R$ 304 milhões. Hoje o custo está previsto em R$ 888,3 milhões. Mas estimativas apontam que o valor irá ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão. E a maior parte deste valor é proveniente de verbas federais, através do BNDES e da Caixa Econômica Federal.
Vale lembrar que antes da primeira reforma o Maracanã já era tombado como patrimônio cultural do Rio. Um lugar onde pessoas de todas as classes se reuniam. Mas, o caráter popular do seu Complexo está em risco. Não por acaso, quando os governantes criaram os camarotes, acabaram com a geral. E assim, o povo é empurrado para o espetáculo pay-per-view de botequim. A elitização do Maracanã caminha junto com a elitização da cidade.
O fim do Parque Aquático Júlio Delamare, do Estádio de Atletismo Célio de Barros, do Museu do Índio e da Escola Friedenreich deixará órfãos desportistas, índios e comunidade escolar. Tudo em meio a um processo de privatização contaminado de suspeitas. Sequer se iniciou a licitação e já se comenta até sobre quem seria o futuro dono do Maracanã. Eis o X da questão.
Mais de 500 pessoas protestaram contra a privatização do estádio em audiência pública realizada pelo governo estadual como etapa obrigatória da licitação. Mas ninguém foi ouvido. Uma audiência pró-forma. Fala mais alto, afinal, o interesse no lucro previsto no negócio. Em respeito à população inconformada com o autoritarismo oficial, corre ação popular para tentar suspender o processo licitatório.
Faz sentido privatizar o Complexo do Maracanã para torná-lo um espaço de shows caros e inacessíveis ao povo? Existe lógica em demolir uma das melhores escolas do país e um museu para instalar um estacionamento e uma área de aquecimento para atletas? Quem defenderia isso? Que se organize um plebiscito para ouvir a população.
A cidade precisa ganhar com a Copa e as Olimpíadas: saúde, educação, cultura, saneamento básico e mobilidade urbana. É a vida dos moradores do Rio que precisa melhorar. E a primeira medalha a ser conquistada deve ser a da transparência, não a da corrida ao dinheiro público sem barreiras.

Marcelo Freixo é deputado estadual (PSol) e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/maracana-para-elite-6972955#ixzz2EYxa38lx 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ministério de Defesa britânico confirma baterias de mísseis para proteger os Jogos Olímpicos


Instalação de baterias no Leste de Londres faz parte do plano de segurança

Por Jorge Luiz Rodrigues

LONDRES - O Ministério da Defesa britânico confirmou nesta terça-feira o que já era esperado desde o fim de abril: vai mesmo instalar baterias de mísseis sobre edifícios residenciais, comerciais e parques do Leste de Londres, como parte do plano de segurança das Olimpíadas-2012, apesar dos protestos de residentes, que entraram na Justiça tentando impedir a concretização do projeto. A instalação começará em meados deste mês, segundo o ministério. O plano foi testado durante exercícios realizados em maio, durante nove dias, pelas forças de segurança.
Os mísseis fazem parte do HSV (sigla em inglês para sistema de alta velocidade) e incluem dois tipos: o Starstreak, que viaja a uma velocidade três vezes superior à do som; e o Rapier, montado em trailers e em veículos armados.
Os seis sites de mísseis ficarão divididos pelo Leste de Londres na seguinte composição: Lexington Building, Fairfield Road, Bow, Tower Hamlets (starstreak); Fred Wigg Tower, Montague Road Estate e Waltham Forest (starstreak); Blackheath Common, Blackheath, em Lewisham/Greenwich (rapier); William Girling Reservoir, Lea Valley Reservoir Chain e Enfield (rapier); Oxleas Meadow, Shooters Hill e Greenwich/Woolwich (rapier); e Barn Hill, Netherhouse Farm e Epping Forest (rapier).
Todos os pontos escolhidos ficam no Leste de Londres e também em cidades vizinhas à região do Parque Olímpico.
O plano de segurança inclui ainda o uso do porta-helicópteros HMS Ocean, que ficará ancorado no Rio Tâmisa, na altura de Greenwich, com os modelos Lynx, capazes de interceptar qualquer aeronave que tentar invadir o espaço aéreo do Parque Olímpico. Jatos Typhoon decolarão a partir da base de Northolt, enquanto helicópteros Puma também vão usar um Centro do Exército em Ilford.
- Fizemos um amplo programa de engajamento com as comunidades afetadas, envolvendo autoridades locais, proprietários, membros do Parlamento, líderes de conselhos locais e encontros com as comunidades – afirmou o secretário da Defesa, Phillip Hammond, através de comunicado oficial, acrescentando estar confiante em superar as questões judiciais.
Na última quinta-feira, advogados de um grupo de cerca de 600 moradores de um condomínio residencial de Leytonstone, a pouco mais de 4km do Parque Olímpico, conseguiram que uma corte superior examine, no próximo dia 9, o pedido para impedir a instalação de uma das baterias antiaéreas. Seguiram exemplo de moradores de um condomínio de Bow, que alegaram terem sido avisados da decisão do Ministério da Defesa por folhetos deixados em suas caixas de correio, na última semana de abril.
O texto do folheto dizia que o condomínio de Bow oferece "uma excelente vista da área ao redor e de todo o céu acima do Parque Olímpico", informando ainda que a torre da caixa d´água é "o único local apropriado nesta área para o sistema HVM (míssil de alta velocidade, na sigla em inglês)". O reservatório de água fica elevado entre edifícios baixos, numa construção de estilo vitoriano que já funcionou como uma fábrica de fósforos.
Apesar os argumentos do secretário da Defesa, sábado passado, moradores de bairros do Leste de Londres marcharam por ruas de Mille End e Bow contra a instalação das seis baterias de mísseis na região. Cerca de mil pessoas assinaram uma petição de protesto contra o plano de segurança dos Jogos.
A manifestação foi pacífica e os participantes carregaram cartazes, com inscrições "não aos mísseis sobre casas", "pare esse plano", "não a atiradores em escolas" entre outros.
Na ocasião, o Ministério da Defesa, por meio de sua assessoria, disse que "a segurança dos Jogos é primordial" e que "uma ampla gama de envolvimento da comunidade" já havia ocorrido.
- Não acreditamos que eles (os mísseis instalados sobre prédios residenciais) vão acrescentar algo mais à segurança. Se forem usados, vão explodir sobre algumas das áreas mais densamente povoadas de Londres - protestou o ativista Chris Nineham, durante a manifestação.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/olimpiadas2012/ministerio-de-defesa-britanico-confirma-baterias-de-misseis-para-proteger-os-jogos-olimpicos-5379923#ixzz1zeeonS1c 

Participantes da Rio+20 consideram Brasil preparado para megaeventos


De acordo com pesquisa do governo, 81% do público acredita na organização do país

A maioria dos estrangeiros que participou da Rio+20 considera que o Brasil está ou estará preparado para os grandes eventos que acontecerão no país, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

A informação foi divulgada nesta terça-feira, a partir de uma enquete feita pelo governo durante a conferência da ONU. De acordo com a pesquisa, 81% do público considera que, se depender dos serviços e infraestrutura turística, o Brasil está pronto para receber os eventos programados, que ainda incluem a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude, ambas em 2013.

O estudo, encomendado pela Embratur, ouviu 228 pessoas de 42 país, entre delegados e jornalistas estrangeiros que participaram da Rio+20, há duas semanas no Rio de Janeiro.

A segurança foi avaliada positivamente por 72% dos participantes, a limpeza pública por 62%, os serviços de táxi por 63%, a telefonia e a internet por 46%.

Já 75% dos entrevistados qualificaram positivamente os restaurantes, enquanto 53% aprovaram os hoteis e 56% o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.

Sobre o tempo no país, 68% disseram que a experiência no Brasil superou as expectativas, 59% disseram que a imagem que tinham do país melhorou, enquanto 97% garantiram que pretendem realizar uma nova visita.

Apesar da satisfação, os visitantes assinalaram os altos preços que encontraram, as dificuldades com a língua e o trânsito, como aspectos que precisam ser melhorados.

Para 81%, o trânsito do Rio de Janeiro foi sua pior experiência durante a conferência, e 59% apontaram a sinalização como regular ou inadequada.

"Os resultados mostram que as belezas naturais, a personalidade do brasileiro e a hospitalidade foram as características nacionais que mais citaram os participantes da Rio+20", afirmou o presidente da Embratur, Flavio Dino.

A enquete ainda mostrou que um em cada cinco entrevistados aproveitou sua visita ao Rio de Janeiro para conhecer outras cidades do Brasil, principalmente São Paulo.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10250/PARTICIPANTES+DA+RIO20+CONSIDERAM+BRASIL+PREPARADO+PARA+MEGAEVENTOS.html

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Esporte e sustentabilidade: uma crônica da prática


Por Silvestre Cirilo

Em 1992, foi realizado a ECO 92 ou Cúpula da Terra, evento que teve como principal objetivo a discussão sobre o desenvolvimento sustentável ou, aquele desenvolvimento que se valha da proteção ao meio ambiente e dos recursos não renováveis. Compromissos foram assumidos e documentos foram redigidos. No entanto, o crescimento desordenado e a ineficácia em cumprir o que foi proposto trouxeram a tona com mais veemência as discussões acerca do desenvolvimento sustentável nesse início de século XXI.
O foco da Declaração do Rio, documento final da Cúpula da Terra, foi dividido em quatro eixos:
            - as dimensões sociais e econômicas do desenvolvimento sustentável;
            - a conservação e a gestão de recursos orientados para as finalidades do desenvolvimento;
            - o fortalecimento do papel dos mais desfavorecidos;
            - os meios de execução.
Tal documento não foi concebido como uma receita ou um modelo a ser seguido, mas, sim, servir como um guia para as instituições que procuram elaborar a sua própria proposta. Em relação ao esporte, o Comitê Olímpico Internacional (COI) elaborou o seu próprio documento, baseado em três dimensões:
            - a melhoria das condições sócio-econômicas;
            - a conservação e gestão dos recursos para um desenvolvimento sustentável;
            - o fortalecimento do papel dos principais grupos envolvidos.
A palavra de ordem passou a ser a promoção da cooperação em prol de um bem comum, garantindo o acesso às minorias e a gestão dos recursos escassos. Entretanto, com o afloramento da globalização e, conseqüentemente, do capitalismo, como manter essa política de cooperação em prol da lógica dos lucros? Como realizar o combate da exclusão social sem alimentar o uso político? Como levar o esporte a todos sem que se valham do viés econômico como condutor dessa ação?
O COI se vale do apoio das Federações Internacionais e dos Comitês Olímpicos Nacionais para a disseminação do desenvolvimento sustentável junto aos praticantes de esporte, valendo-se da penetração deste em todos os segmentos da sociedade.  No entanto, como seria possível levar tais ações a todos se não temos um sistema esportivo robusto, que suporte tais ações e ajude na disseminação local, se o nosso sistema não contempla a interação entre a educação física e o esporte e, além disso, não aprendemos sobre a sustentabilidade durante a nossa formação profissional.
A questão do meio ambiente parece ser uma das mais complexas quando relacionada ao esporte, pois a lógica da expansão de infraestrutura vem se sobrepondo à lógica da racionalidade, principalmente quando se fala em megaeventos. E, especificamente falando do Brasil, o planejamento por parte da administração pública, principal ente quando falamos de infraestrutura e manutenção da ordem pública, ainda se mostra incipiente em mostrar eficiência nas suas ações em prol da sustentabilidade quando o assunto é o esporte.
Ainda não estamos preparados, por exemplo, para a execução de um plano de transporte público para um simples evento esportivo, que são aqueles que acontecem no nosso cotidiano, principalmente os que são realizados em horário noturno. E, o que dizer, então, sobre as competições geradas a partir dos municípios, o principal gerador de ações na cadeia produtiva do esporte.
O último ponto abordado na Agenda 21 do COI é a inclusão das minorias, principalmente jovens e mulheres. Essa é uma questão aparentemente resolvida na agenda do COI, pela dependência da existência de competições nos naipes masculino e feminino e os Jogos Olímpicos da Juventude. Entretanto, no mundo real, ainda não se evidenciou uma fórmula para que este problema seja totalmente resolvido. Desde a base o problema perpassa por questões culturais e socioeconômicas, evidenciadas através da adoção de padrões corporais e a diferença de poder aquisitivo que, por vezes, causam desconforto na convivência entre diferentes grupos e acabam por formar guetos. E claro que tal descrição não é uma regra, mas deve ser observada para que a inclusão social ocorra. Cabe ressaltar que essa inclusão social deve ser pensada não só no sentido da classe econômica, como vem sendo trabalhada exaustivamente nos diversos níveis de governo.
Para que o esporte se torne sustentável, ou o mais próximo disso, é necessário que haja a militância nos diversos setores envolvidos com esta prática. A discussão entre o esporte e a sustentabilidade deve vir desde a formação profissional, internalizando conceitos e multiplicando o conhecimento. No entanto, esta prática ainda está longe de acontecer no Brasil. Outro fator a ser destacado são as condições da prática esportiva no país, não havendo um padrão ou linearidade que possa servir como parâmetro para a inserção de itens propostos para a sustentabilidade.
No Brasil, uma questão que vem se tornando um grande problema é a Lei N° 8.666/93 (Lei das Licitações) e quem a executa, que acaba privilegiando apena o menor preço em detrimento de um melhor custo-benefício e de itens que venham agregar valor ao longo do tempo. Por que não realizar um projeto de construção de um equipamento esportivo com itens voltados à sustentabilidade? Apenas por tornar o projeto mais caro? E os benefícios angariados com o passar dos anos, assim como a economia gerada na manutenção desse equipamento, não valeriam à pena?
O último ponto a ser destacado é a governança do esporte no Brasil no que tange a sua regulação. A construção do sistema esportiva no país é confusa e não contemplam Estados e Municípios com ações concretas, pois a estes são facultadas a constituição de um sistema próprio. Isso acaba levando a uma ótica de que o esporte funcione como uma moeda de troca e exposição política em detrimento de um trabalho mais técnico e preocupado com as ações duradouras de sustentabilidade.
Devem-se discutir permanentemente tais questões juntos aos interessados, seja través de fóruns permanentes, seminários, palestras, grupos de pesquisa e outras formas de abordagem do tema e, a transformação em prática de toda a teoria levantada nesses espaços. Essa convergência talvez seja o passo mais importante para a evolução do esporte no sentido da sustentabilidade.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Situação do Flamengo

Os dois últimos posts foram sobre o Flamengo. No 1º, uma reportagem da Folha de São Paulo sobre uma possível quebra de contrato com a Olympikus por ela não aceitar entrar no rateio para pagar o salário de Ronaldinho. É de se estranhar essa postura, pois de acordo com a carta enviada à coluna do jornalista Renato Maurício Prado e, que foi publicada em seu blog e na edição do último domingo, 15/04, no jornal O Globo, ela comentava sobre uma suposta austeridade financeira, com o enxugamento das dívidas e abre a possibilidade de uma quebra de contrato que, poderá gerar, uma nova dívida na ordem de R$ 30 milhões para o já esvaziado cofre rubro-negro. Não seria mais interessante alinhar o discurso à prática?