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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Políticos não iludem Touro Moreno: 'Nunca me deram um caroço de feijão'


Até senador já ligou para orelhão 'dos Falcão', mas pai de Yamaguchi e Esquiva relembra falta de apoio para projeto de boxe fechado pelo tráfico

Por Bruno Marques

Já não resta muito do ringue onde Yamaguchi e Esquiva Falcão aprenderam suas primeiras lições de boxe. O espaço anexo à casa de seus pais em Jacaraípe, na Serra (ES), há tempos foi invadido pelo mato. Em vez das cordas ligando um córner ao outro, um mero varal sustenta peças de roupa da família Falcão, simbolizando, assim, uma das frustrações de Touro Moreno, cujo desejo era ensinar o esporte não apenas a seus filhos, agora medalhistas olímpicos, mas também a outros jovens de sua comunidade.
Touro não gosta de falar muito abertamente sobre o assunto, mas chegou a treinar garotos da vizinhança. Desistiu de vez quando o tráfico de drogas da região começou a interferir nas aulas. Durante uma dica e outra sobre o boxe, interrupções forçadas. Os líderes do que Touro se limita a chamar de "movimento" buscavam os adolescentes no próprio ringue, fazendo-os voltar às suas atividades criminosas. Touro nunca conseguiu apoio para cercar o local e cobri-lo, enfim, para isolá-lo da natureza e principalmente das más influências.

A prata de Esquiva na categoria médio (até 75kg) e o bronze de Yamaguchi na meio-pesado (até 81kg) em Londres 2012 puseram Touro Moreno em evidência, num nivel que nem em seu auge como praticante de luta livre ele havia conseguido atingir. Chance de ouro para que Touro possa retomar seu sonho. Mas o patriarca da família Florentino Falcão já não se ilude.

- Eu passei a vida esperando apoio e nunca veio nada. Ninguém nunca colocou um caroço de feijão dentro da minha casa, quando minha família mais precisava. Nunca me deram uma roupa limpa, só me jogaram lama a vida toda - desabafa Touro, que chegou a ficar sem moradia e a passar fome junto com seus filhos, quando eles ainda eram crianças.
O oba-oba atual, principalmente de políticos, é visto com desconfiança. Para Touro, acreditar que a momentânea procura por ele é desinteressada é difícil.
- Acredito que todo mundo acompanhou o que Esquiva e Yamaguchi fizeram nas Olimpíadas, o sucesso que eles fizeram. E nessa hora todo mundo aparece. Teve até senador ligando para o nosso orelhão. Um vereador também colocou telão em algumas lutas dos meus filhos nessas Olimpíadas na frente da nossa casa para o pessoal assistir. Teve político até vindo aqui. Mas antes ninguém nunca ajudou, ninguém aparecia, nada - lamenta.

Sem esperança
Não há mais muita esperança de Touro Moreno em retomar seu projeto e levar o boxe para além das paredes de casa. Ele parece cansado de esperar.
- Formei uma equipe de boxe em casa. Yamaguchi, Esquiva, Thomas Edson (20 anos), Estivan (de 16 anos, campeão brasileiro cadete)... Eu era bom de luta livre. Não era tão bom no boxe. Mas sei ensinar o boxe. Poderia ter ensinado outros. Agora não sei. Já estou com 75 anos. Acho que é hora de me dedicar só aos meus meninos.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/es/noticia/2012/08/politicos-nao-iludem-touro-moreno-nunca-me-deram-um-caroco-de-feijao.html

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Futebol brasileiro ainda leva goleada fora das quatro linhas


Por Gabriel Ferreira

Essa é a conclusão dos participantes do “Debates Brasil Econômico — um olhar sobre grandes temas nacionais”, que reuniu um seleto time de executivos para discutir os negócios do esporte mais amado do país.

Ponha meia dúzia de torcedores em uma mesa de bar e tente fazer com que eles concordem em alguma questão relacionada ao futebol.

A missão é praticamente impossível, a menos que o tema da conversa envolva as questões políticas, administrativas e econômicas dos clubes.

Quando isso acontece, é praticamente certo que todos concordarão que, nesse ponto, o futebol brasileiro mal começou o tempo regulamentar, certamente vai precisar de prorrogação e, talvez, nem os pênaltis consigam resolver.

E futebol foi o tema do Debates Brasil Econômico - Um olhar sobre os grandes temas nacionais, evento realizado por este jornal com o objetivo de colocar temas de relevância para o país sob o holofote da discussão de especialistas.

Afinal, as dificuldades enfrentadas pelo futebol nacional, fora das quatro linhas, prejudicam as equipes nacionais, resultam também em perdas econômicas para os clubes e para o país.

"Estamos na frente de uma gigantesca reserva de petróleo, mas temos apenas um saca-rolhas para perfurá-la", disse Rogério Dezembro, diretor de novos negócios da construtora WTorre e ex-diretor do departamento de marketing do Palmeiras, e um dos convidados para o debate.

Caminhos possíveis

Seria impossível sair de um tipo de debate como este com uma conclusão. Mas a discussão serviu para apontar alguns caminhos possíveis. Há consenso, porém, de que não é difícil descobrir qual o caminho deverá ser trilhado para atingir a maturidade que o esporte já alcançou em outras praças, sobretudo na Europa.

O maior desafio, na verdade, é dar o primeiro passo. "Os clubes precisam ser geridos com mais gestão e menos paixão", diz Cesar Gualdani, sócio da consultoria Stochos.
Luiz Fernando Vieira, vice-presidente da agência de publicidade Africa, do Grupo ABC disse que os clubes precisam amplificar o escopo de atuação. "Eles precisam buscar parceiros em vez de patrocinadores.

Às vezes é melhor fechar com uma empresa do que estampar a camisa com um monte de marcas. O parceiro vai se sentir mais valorizado", afirmou Vieira que também participou do debate e cuja agência representa um grande e tradicional anunciante de futebol, a marca Brahma, da Ambev.

Não há dúvidas de que o futebol brasileiro avançou bastante nas últimas décadas. Só o Campeonato Brasileiro de 2012, que está apenas em sua primeira rodada, deve movimentar R$ 2 bilhões em patrocínios, direitos de transmissão e bilheteria, entre outras fontes de receita.

"Mas o mercado brasileiro ainda não aprendeu a explorar a era dos pontos corridos. Comemoramos médias de público relativamente baixas para este tipo de competição", afirmou Amir Somoggi, da consultoria BDO e que também participou do debate.

Globalização

Para Somoggi, os clubes brasileiros têm de "entender seu papel no mundo e se posicionar globalmente". Armênio Neto, gerente de marketing do Santos Futebol Clube sabe bem do que Somoggi está falando.

Segundo ele não foi só dentro de campo que o Peixe perdeu para o Barcelona. "Há dois quilômetros do estádio já se via artigos do time catalão à venda. E a gente com dificuldade para levar meia dúzia de camisa do Santos para vender em Tóquio", lembrou o executivo durante o evento.

Mas não faltam oportunidades. Pelo menos é a opinião de Evandro Guimarães, diretor de operações da 9INE.

"As oportunidades são muito grandes mas os clubes precisam se profissionalizar. Até por uma questão de sobrevivência", afirmou o braço direito de Ronaldo Fenômeno na agência de marketing esportivo.

Fonte: http://www.brasileconomico.ig.com.br/noticias/futebol-brasileiro-ainda-leva-goleada-fora-das-quatro-linhas_117278.html

segunda-feira, 5 de março de 2012

Gestão do esporte no Brasil: é esse o tratamento?

No Jornal O Globo, do último domingo, 04/03/2012, algumas matérias pródigas para discutirmos a gestão esportiva no Brasil. A primeira, na página 32, no caderno Rio, com a manchete "novo endereço para os amantes dos esportes" e, escrita por Luiz Ernesto Magalhães, versa sobre o Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, espaço multiuso inaugurado com o Rock in Rio, em setembro último e, que finalmente foi aberto ao público. No entanto é de se estranhar algumas escolhas, como, por exemplo, uma "escolinha" de futsal num espaço destinado, a priori, as questões olímpicas. Os governantes perdem, a todo momento, a oportunidade de dar um upgrade no esporte. Nada conra o futsal, mas ele já tem o espaço e o destaque que merece, enquanto que, outros epsortes ficam a míngua, sem espaço para a sua prática. Talvez fosse a hora dos "gestores" pensarem em diversificar a oferta esportiva à população. Segundo o Secretário de Esportes e Lazer da Cidade do Rio de Janeiro, o entorno do Parque é composto de dezenas de condomínios e comunidades carentes. Para quem conhece a área, sabe que não há demanda para as tais comunidades carentes que, nem são tantas assim. E, em relação aos condomínios da área, é provável que todos contem com infraestrutura de lazer no seu interior. Tem que ser assim, ou podemos pensar um pouco sobre o esporte e vê-lo como algo que possa ser trabalhado profissionalmente?

Na mesma matéria há uma menção sobre a Matriz de Responsabilidades para os Jogos Olímpicos de 2016 que, com cerca de 1 ano de atraso, ainda não está pronta, não sendo possível oficializar as responsabilidades de cada ente público ou privado nas ações para a Rio 2016.

Sobre o campo de golfe, cuja administração ficará a cargo da Prefeitura e do COB, permitindo o uso para descoberta de talentos para esse esporte superpopular que é o golfe. Novamente, nada contra o golfe mas, se é necessário que se faça um novo campo, que se faça o campo como o proposto: através da iniciativa privada e, que a sua posterior gestão fique, também, com a iniciativa privada. Haja vista que, o golfe, na Barra da Tijuca, não atrairá jovens talentos da cidade como um todo, pois não há uma política para levar esses alunos até a "capital do Estado da Guanabara".  E, se o caso é investir em novos talentos, por quê não investir no campo de golfe de Japeri?

Na página 5, do caderno de esportes, uma matéria sobre o fundo olímpico. A matéria com o título "Fundo Olímpico traz divisão do bolo à tona", feita pelos jornalistas Ary Cunha e Claudio Nogueira, mostra um pouco o descaso das nossas "autoridades" sobre as diretrizes a serem seguidas buscando o desenvolvimento do esporte no país. Não seria mais útil para o esporte brasileiro uma Programa de Gestão do Esporte voltados às Confederações e Federações Esportivas? Não seria mais útil, em vez de separar 10% do bolo (R$ 14,5 mi) para o esporte escolar, realizar um Programa voltado à organização e fomento do esporte escolar, nas escolas? Não seria mais condizente com o desenvolvimento esportivo repassar mais verbas para as Confederações e Federações com resultados e estruturas em consolidação, sendo estas cobradas através de metas e objetivos a serem alcançados? Não seria a hora de promover escolas de treinadores no país, pois com a onda de treinadores estrangeiros por aqui é preciso enxergar que não evoluímos nesse quesito ao passar dos anos. Até quando seremos o país do esporte sem o sermos de fato?

Por último, e já bastante abordada em todos os meios de comunicação, é a briga entre a Fifa (Jérôme Valcke) e o Ministro dos Esportes (Aldo Rebelo) sobre o cronograma e as condições para a realização da Copa do Mundo de 2014. Acho que não cabe essa discussão, esse bate boca público. Pois, é fato que o Brasil não está entregando o que prometeu. Há evidente atraso em todo o cronograma e total desconhecimento sobre o real orçamento desse evento. Se a Fifa quer mandar ou não no país, é algo que deveria ter sido avaliado quando se candidatou, haja vista que todo o trâmite é conhecido. Não é hora para chororô, é hora de trabalhar sério e ser firme nas decisões e não ficar de pirraça pela imprensa. E, enquanto isso, o esporte vai sendo tocado da forma que der, sem uma real estrutura e, sem metas e objetivos, servindo, apenas, como suporte político para os atuais "gestores".