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quarta-feira, 27 de março de 2013

Caso Engenhão: Paes descarta chance de demolir Engenhão e procura responsáveis por erro


A interdição do Engenhão mexeu com o futebol carioca, mas também trouxe problemas para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Eduardo Paes, que fez o anúncio do fechamento do estádio por problemas na cobertura, descartou haver chance de demolição da arena nesta quarta-feira. Em entrevista à TV Globo, o prefeito também anunciou uma auditoria para definir de quem é a responsabilidade pelo erro que determinou a interdição do Engenhão.

De acordo com Paes, a prefeitura não trabalha com a possibilidade de colocar o estádio abaixo. O prefeito ressaltou que espera uma resposta rápida para poder liberar o Engenhão para receber as partidas dos clubes do Rio.

“Não há esse risco [de demolição]. Há esse problema na cobertura. Para mim, risco é risco e 5% já é um risco enorme. Passou da margem aceitável e, portanto, essa decisão de fechar é por isso. Mas é um problema que tem solução e não vai precisar desmoronar ou desmontar o estádio de forma nenhuma”, reforçou Paes.

O prefeito exige rapidez, mas não coloca um prazo para o retorno das partidas no estádio administrado pelo Botafogo. “A gente vai ter o Engenhão para as Olimpíadas [de 2016] e queremos ter o Engenhão de volta o mais rápido possível para servir ao futebol carioca”, completou.

Com o laudo oficial a respeito das condições do Engenhão em mãos nesta quarta-feira, o prefeito assegura que as responsabilidades serão determinadas para iniciar o planejamento de reestruturação da arena. Uma auditoria será realizada pela prefeitura para procurar os responsáveis pelos problemas na cobertura. O Botafogo também deseja apurar o caso para se defender de prejuízos com o Engenhão fechado por longo período.

“Vai ter que fazer [auditoria]. Eu não era prefeito ainda, mas o sujeito que construiu o estádio me diz que tem estudo que aponta risco e temos que checar. Se for um problema de projeto, a responsabilidade é da prefeitura, se for um problema de execução, a responsabilidade é de quem fez. Portanto, vamos apurar. O detalhe é que ainda não há uma solução apontada”, lembrou Paes.

O Engenhão foi construído pela Odebrecht e a OAS. Nesta terça, as empresas disseram que estão participando das discussões sobre a situação do estádio e aguardam um pronunciamento técnico da prefeitura para tomar qualquer atitude.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/estadual-do-rio/ultimas-noticias/2013/03/27/paes-descarta-chance-de-demolir-engenhao-e-procura-responsaveis-por-erro.htm

sexta-feira, 1 de março de 2013

Apelo de ouro contra o fim do Célio de Barros


Maurren Maggi vem ao Rio apenas para participar de ato contra demolição do estádio

Por Ary Cunha

RIO - Campeã olímpica do salto em distância, nos Jogos de Pequim-2008, Maurren Maggi pegou a Ponte Aérea na tarde de quinta-feira para vir ao Rio. Da janela do avião, os cartões postais da Cidade Maravilhosa perderam boa parte do encanto, perto da cena triste que justificava sua viagem-relâmpago, vista de cima. A medalhista de ouro participou de um ato no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro, junto com outros atletas, técnicos e dirigentes, contra a demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros.
- O Célio de Barros é a nossa casa. Podem construir outra pista em qualquer lugar. Mas é a história de vida da gente e do atletismo brasileiro que está sendo apagada. Estou aqui só para participar dessa luta. O que vi do avião, aqueles banheiros químicos sobre a pista, é uma vergonha - desabafou ela, ciente de que sua medalha de ouro pode ajudar a sensibilizar as autoridades. - A gente tem um peso forte, mas não sei até onde esse peso vai.
Além de Maurren, outro nome de peso do atletismo brasileiro, a velocista Rosângela dos Santos, também participou do evento, que reuniu cerca de 200 pessoas. Uma carta será enviada à presidente Dilma Rousseff e ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, pedindo que a demolição seja revista.
- O que estiver a nosso alcance para preservar o Célio de Barros, vamos fazer. Além da Copa, teremos Olimpíadas no Rio e é triste demolirem o único estádio só do atletismo, uma modalidade que pode trazer muitas medalhas para o país - criticou Rosângela.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/apelo-de-ouro-contra-fim-do-celio-de-barros-7459532#ixzz2MHnbzatU 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sérgio Cabral volta atrás e desiste de demolir o prédio do antigo Museu do Índio no Rio


Cabral confirmou nesta segunda-feira, 28, que trabalhará para o tombamento e restauro do prédio, construído em 1862

Por Antonio Pita

RIO - O governador do Rio, Sérgio Cabral, voltou atrás da decisão de demolir o prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã, na zona norte da cidade. Cabral confirmou nesta segunda-feira, 28, que trabalhará para o tombamento e restauro do prédio, construído em 1862. No último sábado, a Defensoria Pública do estado conseguiu uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio impedindo a demolição do prédio e estipulando uma multa de R$ 60 milhões caso o governo descumprisse a decisão. 

O plano inicial do governador era demolir o prédio para construir uma área de estacionamentos e um centro de compras anexo ao complexo do Maracanã. O espaço seria cedido à iniciativa privada, que administrará o estádio após a Copa do Mundo de 2014. Sérgio Cabral chegou a alegar que a Fifa havia exigido a demolição do espaço para garantir a mobilidade dos torcedores no acesso aos jogos, o que foi negado pela entidade. 

No último dia 12, o Batalhão de Choque da Polícia Militar cercou o prédio à espera de um mandado judicial para a remoção das 23 famílias que ocupam o imóvel desde 2006, chamando-o de Aldeia Maracanã. Eles exigem que o local seja transformado em um centro cultural indígena. O cerco durou todo o dia e levou à mobilização de ativistas contra a demolição do prédio. Sem a autorização judicial, os militares deixaram o espaço e o Governo expediu uma notificação extrajudicial para a desocupação do imóvel, com prazo de dez dias que se encerraria nesta segunda-feira, dia 28.  

Os índios rejeitaram as propostas do governo para o pagamento de aluguel social e transferência para outro imóvel. Segundo eles, o imóvel possui valor histórico e cultural para as populações indígenas e deveria ser transformado em um centro cultural. O edifício foi destinado à causa indígena desde 1865, quando foi sede do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão que deu origem à Funai. No local também funcionaram escritórios do Marechal Rondon e Darcy Ribeiro, personalidades políticas ligadas à questão indígena. Ribeiro transformou o espaço, em 1953, em museu, que posteriormente, em 1978, foi transferido para um casarão em Botafogo, na zona sul. Desde então o prédio foi abandonado. 

Apesar do valor histórico e cultural para os povos indígenas, o prédio não era tombado pelos órgãos municipal, estadual ou federal de preservação do patrimônio. Nos últimos meses, após o anúncio do projeto de demolição do prédio, os órgãos emitiram pareceres contrários à decisão e favoráveis ao tombamento. Apesar dos pareceres, o governo do Rio manteve o projeto de demolição, o que gerou polêmica entre ativistas da questão indígena. 

Na última semana, a ministra da Cultura Marta Suplicy ligou para o governador e sugeriu que o prédio não fosse demolido em função de um parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O parecer considerava que o prédio tinha valor histórico não apenas pelas características arquitetônicas mas também pelo valor cultural para a identidade indígena.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,sergio-cabral-volta-atras-e-desiste-de-demolir-o-predio-do-antigo-museu-do-indio-no-rio,989864,0.htm

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Paes ignora parecer do Conselho de Patrimônio e libera demolição do antigo Museu do Índio


Medida contraria parecer do Conselho municipal de Proteção do Patrimônio Cultural

Por Fábio Vasconcellos e Luiz Ernesto Magalhães

RIO — A polêmica sobre a demolição do prédio do antigo Museu do Índio como parte de um pacote para reurbanizar o entorno do Maracanã com vistas à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos de 2016 ganhou mais um capítulo na segunda-feira. Uma das últimas barreiras para que o imóvel — ocupado desde 2006 por índios de diversas etnias — venha ao chão foi derrubada por uma canetada. Em despacho de duas linhas no Diário Oficial, com data de sexta-feira passada, o prefeito Eduardo Paes concedeu licença para o estado demolir o imóvel. A medida contraria parecer do Conselho municipal de Proteção do Patrimônio Cultural. Em 12 dezembro do ano passado, a entidade havia aprovado, por unanimidade, um parecer contrário à demolição do imóvel, devido à importância histórica do prédio.
Na segunda-feira mesmo, o estado anunciou a contratação da empresa de engenharia que vai demolir o prédio. No total, a Copec Construções e Locações receberá R$ 586 mil para pôr abaixo o prédio em, no máximo, 30 dias. A resolução assinada pelo prefeito acabou criando uma nova discussão. A legislação que regulamenta o Conselho de Patrimônio prevê que seu papel seja apenas consultivo: caberia a Paes seguir ou não a orientação. Por outro lado, um decreto de 2001 exige a aprovação do Conselho de Patrimônio para a demolição de qualquer prédio construído no Rio antes de 1937.
— Para desconsiderar o parecer, Paes teria que revogar o decreto de 2001 — sustenta o defensor da União André Ordacgy.
André pretende entrar nesta terça-feira com recurso na Justiça Federal para tentar impedir a demolição do antigo museu. Além de citar o ato administrativo de Paes, ele argumentará que, em cartório, o imóvel continua a ser de propriedade da União. Em paralelo, a Defensoria quer atrair mobilização internacional para o caso.
— Nosso entendimento é que existe um risco de violação das minorias que ocupam o local. Faremos uma representação à Comissão Internacional de Direitos Humanos da OEA para que estude o caso e intervenha — disse André.
O imóvel, que pertencia à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foi comprado pelo estado por cerca de R$ 60 milhões. Depois de conseguir derrubar na Justiça decisões contrárias à demolição, o estado tentou retomar, no sábado, o imóvel ocupado pelos índios. A medida acabou suspensa por liminar da Defensoria Pública que, na prática, não impede a reintegração de posse. Os defensores apenas questionaram o fato de o despejo não ter sido avisado, além da ausência de assistentes sociais.
A decisão de Paes causou polêmica também entre especialistas. A arquiteta Evelyn Furquim Werneck Lima, integrante do Conselho de Patrimônio, lamentou a atitude do prefeito:
— Nossa decisão tomou como base características do prédio e não se ele está ou não ocupado. Hoje ele ainda pode ser recuperado.
Ex-superintendente do Iphan no Rio, o arquiteto Carlos Fernando de Andrade discorda:
— O que tem importância histórica e cultural é o prédio do atual Museu do Índio. Tombar um imóvel só porque ele é antigo não garante sua preservação se faltam recursos até para manter o patrimônio que já é preservado.
Já Roberto Anderson Magalhães, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, que fez recentemente um estudo sobre a importância histórica do prédio, considerou “absurda” a decisão do prefeito. Segundo ele, não há razão para o edifício ser demolido:
— É uma decisão absurda. O prefeito nomeia os técnicos do Conselho, mas ignora a orientação do corpo técnico. Não há razão para demolir o prédio. Nos estudos que fiz, demonstrei que o prédio pode permanecer no local sem prejudicar o acesso dos torcedores ao Maracanã.
Sem saber da nova decisão da prefeitura, os índios disseram ontem que estão dispostos a brigar para evitar a derrubada do prédio:
— Estamos apreensivos com essa decisão do governo. Mas sabemos que estamos na legalidade. Temos aqui 150 indígenas, entre crianças, adultos e idosos. E vamos lutar para defender esse prédio — disse o índio Urutal Guajajara.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/paes-ignora-parecer-do-conselho-de-patrimonio-libera-demolicao-do-antigo-museu-do-indio-7296731#ixzz2I3UXliWw 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Na cidade olímpica, 300 atletas ficam sem pista de atletismo


Interdição do Célio de Barros antes do previsto leva à busca por espaços para treinamento

Por Claudio Nogueira

RIO - Em plena sede olímpica de 2016, a recente desativação do Estádio de Atletismo Célio de Barros, transformado num mero almoxarifado das obras para a reforma do Maracanã, visando à Copa das Confederações-2013 e à Copa do Mundo-2014, está sendo duro golpe nas carreiras de ao menos 300 atletas, incluindo jovens e crianças de escolinhas, que treinavam lá diariamente.
Enquanto o estádio tem a histórica pista invadida por operários, caminhões, andaimes e até banheiros químicos, a questão é buscar espaços para que esses atletas treinem, principalmente levando em conta que a maioria é carente, chegava ao estádio de trem e não tem como pagar mais passagens.
- Em reunião no dia 3, fui informado pela subsecretária de Esporte e Lazer, Mônica Monteiro, e pelo vice-presidente da Suderj, Nilo Félix, que o Célio de Barros seria fechado por conta das obras, para que fosse erguida a cobertura do Maracanã - relatou o presidente da Federação de Atletismo do Rio, Carlos Alberto Lancetta. - Mas eles me disseram que fariam convênios com o Cefan (Centro Esportivo Almirante Adalberto Nunes, na Avenida Brasil), com o Botafogo, pelo Engenhão, e o Centro de Capacitação em Educação Física do Exército, na Urca.

À espera do Engenhão
Particularmente, Lancetta acredita que o melhor local seria o Engenhão.
- Atletas estão treinando isoladamente, na Urca, na Vila Olímpica do Mato Alto, no Campo dos Afonsos e no Miécimo da Silva. Em média, diariamente, treinam no Célio de Barros, 150 atletas (de diferentes clubes) e mais 150 da escolinha do Projeto Rio-2016, do Estado. A Federação está redigindo um documento, pedindo à Suderj transporte para o Engenhão e para o Cefan - explicou Lancetta. - Os treinos de arremesso e lançamento serão no Cefan, e os de corrida e saltos na pista auxiliar do Engenhão. A escolinha vai para a Vila Olímpica do Sampaio.
Quanto à tão divulgada demolição do Célio de Barros, com construção de nova instalação próxima à Quinta da Boa Vista, Lancetta não acredita que a demolição vá ocorrer por agora. Mas reafirma que a construção de um novo estádio é mais que uma promessa e faz parte do projeto de cessão do Maracanã à iniciativa privada.
O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta, alertou que os prejuízos na preparação dos atletas para as Olimpíadas Rio-2016 são enormes.
- O trabalho dos técnicos sofrerá com a falta de um espaço para prosseguir os treinamentos. Os atletas de atletismo, que estão entre os que mais conquistas já deram ao Brasil, são também os que, em maior número, vêm das camadas mais humildes. E serão os maiores prejudicados com o fim do estádio.
Por sua assessoria de imprensa, a Secretaria Estadual de Esporte e Lazer informou que o fechamento do Célio de Barros e do Júlio de Lamare estava previsto na reforma e que neles haverá equipamentos temporários da Fifa nas Copas das Confederações e do Mundo. O órgão confirmou que os atletas que treinavam no Célio de Barros vão utilizar o Engenhão e antecipou que quando o Júlio de Lamare for fechado, os atletas irão treinar no Tijuca. A Secretaria fará parcerias com os clubes.
De olho em 2014 sem pensar em 2016
José Luiz Bello, presidente do Instituto Evolução no Esporte, que mantém o Powerade Team, que treinava no Célio de Barros, antecipou que o grupo fará pré-temporada de 15 dias na Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende, a partir de segunda-feira.
- Estão vendo só a Copa do Mundo (de 2014) e se esquecendo das Olimpíadas (de 2016). O atletismo é o pai das Olimpíadas, e a natação, a mãe - enfatizou o dirigente.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/carioca-2013/na-cidade-olimpica-300-atletas-ficam-sem-pista-de-atletismo-7276418#ixzz2HmsEAnFH

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Quando a história do atletismo vira depósito de banheiro químico


Campeã olímpica Maurren Maggi treina na Urca
Ela critica situação do Célio de Barros, tomado por obras

Por Claudio Nogueira

RIO - Campeã olímpica em Pequim-2008 no salto em distância, com 7,04m, Maurren Maggi fez história ao se tornar, à época, a primeira brasileira a ganhar um ouro olímpico individual. Treinando no Rio, no Centro de Capacitação em Educação Física do Exército, na Urca, ela se entristece ao saber que a história do atletismo brasileiro está sendo agredida, com a pista do Estádio Célio de Barros ocupada por andaimes, caminhões e até banheiros químicos do canteiro de obras do Maracanã. O local virou almoxarifado da empreiteira que reforma o maior do mundo, em preparação para a Copa das Confederações, de 15 a 30 de junho, e a Copa do Mundo-2014.
De acordo com um projeto do governo do Estado, priorizando o Maracanã e sacrificando outras instalações esportivas, o Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio de Lamare serão desativados para servirem de estacionamento do estádio de futebol. Foi prometida pelo governo a construção de outras instalações de atletismo e natação próximas à Quinta da Boa Vista, mas nada ainda saiu do papel. Em um período de treinamento no Rio até este sábado, junto com cerca de 20 atletas dirigidos pelos técnicos Nélio Moura e Tânia Moura, Maurren Maggi lamentou que um local onde ela própria já obteve resultados expressivos seja desativado.
- Fiz marcas muito boas no Célio de Barros. Cheguei a saltar lá 6,94m uma vez. É uma pena (a desativação). Vai deixar saudades. Mas sabemos que não há como brigar com o futebol. Grandes atletas do mundo competiram no Célio de Barros. Eu, Irving Saladino, Fiona May... Joaquim Cruz bateu recorde mundial juvenil na pista (1m44s30 para os 800m, no Troféu Brasil de Atletismo no Rio de Janeiro em 1981) - disse. - Temos história, mas quando nos perguntarem onde obtivemos as marcas, vamos ter de explicar que foi numa pista desativada.

Obras em atraso no Maracanã
Nesta quinta-feira, no Complexo do Maracanã, as atrasadas obras continuavam - o prazo de entrega previsto para 28 de fevereiro passou para 24 de maio. Próxima à largada dos 400m, a pista do Célio de Barros estava ocupada. Operários carregavam ferramentas por um local onde há até alguns meses podiam correr grandes atletas. Mas ainda há quem lute. Neste sábado, às 9h, na Praia de Copacabana, haverá passeata contra o fim da instalação de atletismo. Para o domingo (dia 13), estava prevista a realização, no estádio, da tradicional São Sebastiãozinho, corrida para crianças de 3 a 14 anos. A prova teve de ser transferida para o Cefan, no mesmo dia.
Maurren e seus companheiros, como Rogério Bispo, Jefferson Sabino, Jonathan Silva, Giselle Lima, Eliane Martins, Caio Santos, Giselle Marculino, Laurice Félix, entre outros - treinados por Nélio Moura - exercitavam-se na manhã desta quinta-feira, sob chuva fina, na moderna pista do Centro de Capacitação em Educação Física do Exército, na Urca. Para Nélio, é uma pena que o Célio de Barros seja desativado.
- Opções no Rio seriam a pista daqui da Urca, a do Cefan (Centro de Educação Física Almirante Heleno Nunes, na Avenida Brasil) e a do Engenhão, que são do nível máximo da IAAF. No Engenhão, poderiam usar a pista auxiliar, pelo menos - sugeriu Maurren. - Treinar aqui na Urca é muito bom, e é a segunda vez que estamos vindo fazer período de treino aqui. Nossa ideia é a de tornar isso algo mais frequente.
Se isso acontecer, Maurren se sentirá em casa. Ano passado, na preparação olímpica, chegou a dizer que se sente carioca da clara. Nesta quinta-feira, após treinar na caixa de saltos na Urca, não perdeu a chance. Correu na areia, antes de mergulhar.
- Ah, que mar bom! Está friozinho, gostoso... A água está bem gelada e eu estava precisando fazer gelo, então já fiz naturalmente. Se pudesse, ficaria treinando um mês aqui na Urca, fácil. Sophia (filha de 8 anos) é quem me faz falta aqui, mas está viajando com o pai (o piloto Antônio Pizzonia). Mas eu só poderia me mudar para o Rio se o Nélio e a Tânia viessem junto - disse ela, cujo maior objetivo no ano é o Mundial de Moscou, em agosto.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/quando-historia-do-atletismo-vira-deposito-de-banheiro-quimico-7259820#ixzz2HfxABcUE 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Prefeito pretende vetar tombamento da Escola Municipal Friedenreich


Medida é uma tentativa de evitar que a unidade seja demolida

Por Luiz Ernesto Magalhães

RIO - O prefeito Eduardo Paes antecipou na quarta-feira que pretende vetar a proposta de tombamento da Escola Municipal Friedenreich, no complexo esportivo do Maracanã, caso ela seja aprovada pela Câmara dos Vereadores. A prefeitura negocia com o estado a transferência do colégio para um antigo terreno do Exército em São Cristóvão. O estado arcaria com a mudança. O que ainda não está claro é se a transferência seria ou não definitiva ou se valeria apenas durante as Olimpíadas de 2016.
— O que faz uma escola não é um prédio, mas a dedicação de professores e alunos — argumentou o prefeito.
A Escola Friedenreich é considerada uma das melhores da rede pública . Segundo a avaliação do Ideb, ela é a quarta melhor do estado.
O destino de alunos e professores pode ser selado nesta quinta-feira. Com ajuda de parte da bancada governista, a oposição na Câmara dos Vereadores tenta aprovar o projeto que tomba o colégio. A medida é uma tentativa de evitar que a unidade seja demolida e os alunos transferidos, por conta das obras de adaptação do Maracanãzinho para os Jogos Olímpicos de 2016. Na área ocupada pela escola, está prevista a construção de duas quadras de aquecimento para as seleções de vôlei.
A construção das quadras faz parte de uma série de investimentos de responsabilidade da empresa que vencer a concorrência do governo do estado para administrar o complexo esportivo do Maracanã. A Secretaria estadual da Casa Civil prometera que o edital de concessão seria divulgado este mês. Mas na quarta-feira o Palácio Guanabara informou que as regras só serão divulgadas em janeiro. As razões para o adiamento não foram reveladas.
A minuta do edital apresentada em novembro previa que o concessionário investisse R$ 469,4 milhões no complexo até os Jogos de 2016. Nessa conta, estavam incluídas, por exemplo, a demolição e reconstrução em São Cristóvão do Parque Aquático Júlio Delamare e do ginásio Célio de Barros, bem como a derrubada do antigo Museu do Índio. O consórcio também seria responsável por implantar um museu do futebol, além de infraestrutura de bares e restaurantes,
O prazo de concessão previsto era de 35 anos e o valor da outorga anual, R$ 7 milhões, quitados em 33 parcelas anuais. Ou seja: o estado deve receber R$ 245 milhões em 35 anos ou 28,9% do total investido, se a concessão for pelo valor mínimo (R$ 860 milhões).
O projeto de lei tombando a escola foi aprovado em primeira discussão na última terça-feira, numa sessão extraordinária. Na mesma sessão, faltou quórum para discutir se o antigo prédio do Museu do Índio, que pode ou não ser demolido para a Copa do Mundo, deveria ser tombado também.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/prefeito-pretende-vetar-tombamento-da-escola-municipal-friedenreich-7107226#ixzz2FaS4gZcA 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Ameaçada pelo Maracanã, escola Friedenreich é a quarta melhor do Rio


Para associação de pais, novo espaço oferecido pelo governo não agrada

Por Pedro Carrion

O processo de privatização do Maracanã não ameaça apenas o antigo museu do Índio e o laboratório do Ministério da Agricultura. Detentora do quarto melhor ensino do município e do sétimo melhor do estado do Rio de Janeiro, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a escola municipal Friedenreich também está na mira das escavadeiras. 

Indignados com a situação, a Associação de Pais da escola luta para que o ano letivo de 2013 seja garantido no atual endereço. Como a demolição é iminente, os problemas giram em torno do novo espaço oferecido pelo poder público.

Para Áurea Xavier, membro da Comissão de Pais e Alunos da Escola Friedenreich, as opções dadas pelo governo não têm agradado. “Entramos com uma ação civil pública pela 1ª promotoria da justiça de tutela coletiva de proteção à educação da capital. Mas se realmente a demolição for inevitável, mesmo após toda nossa luta, o local escolhido tem que atender a toda a comunidade escolar e ficar próximo ao atual”, explica. 

À frente das obras do Maracanã, o governo do estado revelou, por meio de sua assessoria de imprensa, que um espaço em São Cristóvão, onde funcionava a escola de veterinária do Exército, será o novo destino da Friedenreich.

O local foi escolhido porque o prédio já estaria em condições de uso e poucas adaptações seriam necessárias. Além disso, segundo o governo, os alunos estariam muito bem acomodados, uma vez que a localização do novo espaço é melhor do que a atual.

“Ficará a cargo do concessionário que vencer a licitação fazer todas as adaptações necessárias para a futura acomodação dos estudantes no novo prédio. A transferência só ocorrerá quando o espaço estiver totalmente pronto. Portanto, os alunos podem ter total tranquilidade quanto a ter as suas aulas normalmente”, afirma a assessoria de imprensa do governo estadual.

Áurea Xavier, no entanto, acredita que as ações do poder público vêm sendo comunicadas de forma impositiva, sem qualquer diálogo nem consulta aos pais dos alunos e demais envolvidos. 

Além disso, a representante da Comissão de Pais e Alunos lembra que, embora São Cristóvão seja um bairro vizinho, o local fica do outro lado da linha do trem, além de pertencer à outra Coordenadoria Regional de Educação (CRE).

E mais: tem desvantagens em relação ao Maracanã no que diz respeito à oferta de transporte público. Essa questão, diz ela, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente --que sustenta que a criança tem direito à escola perto de casa.

“A escola precisa preservar os seus padrões e não é em qualquer lugar que isso se fará. Não podemos aceitar a imposição de um lugar “x” ou “y”. Pois uma escola não é só sua equipe, as pessoas. Ela possuiu sua história, suas conquistas, a cultura que o ambiente do entorno lhe transmite. Além do mais, temos alunos com necessidades especiais. Isso é mais um diferencial da Friedenreich”, diz Áurea.  

De acordo com ela, a promotora responsável pelo caso, Biana Motta, promoveu uma reunião entre representantes da comunidade escolar e dos governos para tentar o diálogo. “Mas eles enviaram pessoas sem qualquer poder de negociação e percebemos que o diálogo era quase impossível. Mesmo assim vamos seguir tentando”, lamenta. 

Vitória parcial
Na noite desta terça-feira (18), a Câmara dos Vereadores do Rio aprovou, com 26 votos a favor, a primeira discussão sobre o projeto de lei para o tombamento da escola Friedenreich. 

O próximo embate será ainda hoje (19), quando a proposta será votada novamente pelos parlamentares. Confirmada mais uma aprovação por parte dos parlamentares, a definição ficará a cargo do prefeito Eduardo Paes, que poderá sancionar ou vetar o projeto.

Em seguida aconteceu a votação também pelo tombamento do antigo prédio do Museu do Índio. No entanto, não houve quórum o suficiente para aprovar o projeto, uma vez que quatro vereadores já haviam deixado a Câmara. A expectativa é que o pleito ocorra ainda esta semana.

Parque aquático e estádio de atletismo correm o mesmo risco
César Castro é atleta de saltos ornamentais e já representou o Brasil em três Olimpíadas. Hoje, ele treina no Parque Aquático Julio Delamare, no complexo do Maracanã, e milita pela sua preservação. 

Para Castro, muitos atletas que se preparam para os Jogos Olímpicos de 2016 encontrarão dificuldades para continuar treinando, já que eles terão de se deslocar para pontos mais distantes em busca de locais para treinamento.

“Não faz sentido demolir algo que está funcionando muito bem e que possui equipamentos tão modernos. Por semana, cerca de nove mil pessoas frequentam o parque aquático, que oferece escolinhas de natação, hidroginástica para a terceira idade, natação para deficientes e treinamento das seleções de saltos ornamentais e nado sincronizado”, diz.   

Treinador de atletismo e defensor do Estádio de Atletismo Célio de Barros --outro em vias de ser demolido por conta do estádio da final da Copa de 2014--, Nelson Rocha tripudia da área oferecida pelo governo, também em São Critóvão, para realocar os equipamentos esportivos.  

“Foi oferecido um espaço pertencente ao exército, onde talvez caiba metade do Célio de Barros, e onde querem também construir o Júlio Delamare. Mas as obras sequer começaram”, afirma Nelson.

Ele acredita no apoio da opinião pública para que os equipamentos esportivos não sejam destruídos. Para o treinador, a participação de artistas populares na causa também é importante, o que vem ocorrendo através de vídeos de apoio gravados e veiculados na internet.

“A situação está difícil porque o poder financeiro cala muitas vozes. Mas nossas chances aumentam na medida em que tivermos mais formadores de opinião. Pois pelo governador Sérgio Cabral, tudo já estaria no chão. Se conseguirmos reunir maior número de desportistas, políticos, sociedade civil, que em sua maioria é pouco informada, ganharíamos visibilidade e, consequentemente, força em nossa luta."

A resposta do governo do estado para a necessidade de demolição de todos estes é equipamentos é a mesma. "A demolição faz parte do projeto que visa a transformar o complexo do Maracanã em um grande centro de entretenimento e é necessária para que o futuro complexo atenda às necessidades de escoamento e circulação de público nos padrões internacionais seguidos por esse tipo de equipamento esportivo”, afirma o órgão.

A questão do escoamento, aliás, já foi desmentida pela própria Fifa em ofício enviado a Defensoria Pública da União do Rio de Janeiro (DPU). O documento informa, inclusive, que a entidade mundial não concorda com as demolições. 

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11207/AMEACADA+PELO+MARACANA+ESCOLA+FRIEDENREICH+E+A+QUARTA+MELHOR+DO+RIO.html

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Estudo mostra que museu ao lado do Maracanã não precisa ser demolido


Espaço atualmente abriga uma tribo indígena; governo é a favor das demolições, mas Fifa é contra

Por Pedro Carrion

Dentro do processo de privatização do Maracanã, o governo do Rio de Janeiro decretou a demolição de imóveis históricos e importantes no entorno do estádio como parte das obras visando a Copa do Mundo 2014. Um desses alvos é o antigo Museu do Índio, datado de 1862 e que, hoje desativado, abriga uma aldeia indígena. 

No entanto, um estudo técnico realizado pelo arquiteto e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Anderson Magalhães, comprova que os imóveis no entorno não atrapalharão o escoamento do público nos jogos, um dos argumentos do governo fluminense para sua demolição.

“A capacidade de público do Maracanã já caiu muito desde a sua construção. Antes ele tinha duas saídas. Agora a vazão passará a ser em quatro direções. Com o público diminuído para 76 mil pessoas nesta nova reforma, teríamos algo em torno de 19 mil espectadores dispersando-se pelas quatro saídas, cada uma com rampas que terminam em duas direções", explica o arquiteto.

Segundo ele, seriam necessários 6.650 m² para a dispersão confortável de 9.500 pessoas em um dos acessos. A área disponível, com a manutenção dos prédios do museu e dos laboratórios do Ministério da Agricultura, possui 6.950 m², suficiente para "acomodar" perfeitamente todas as pessoas que precisariam sair do estádio em uma das rampas.

"Assim, podemos ver que é perfeitamente provado por números que não há a menor necessidade dessas demolições”, conclui Magalhães. 

Governo é a favor, mas Fifa é contra
Por meio da assessoria de imprensa, o governo do estado do Rio de Janeiro volta a argumentar que “a demolição do antigo Museu do Índio visa a abrir espaço para a transformação do complexo do Maracanã em uma grande área de entretenimento e é necessária para que o futuro complexo atenda às necessidades de escoamento e circulação de público nos padrões internacionais seguidos por esse tipo de equipamento esportivo.”

A justificativa do estado não é compartilhada pela Fifa, que já declarou não ter exigido as demolições no Maracanã.

“O Brasil avança no extermínio do patrimônio histórico e cultural, sem qualquer debate com a sociedade civil. Trata-se de uma total inversão de valores. Os imóveis que hoje circundam o Maracanã têm sua importância e jamais atrapalharam a mobilidade urbana. A própria Fifa já reiterou em ofício para nós enviado que não está de acordo com essa atitude”, argumenta o defensor público federal Daniel Macedo.

Além do antigo Museu do Índio (patrimônio histórico, cultural e arquitetônico) e das instalações laboratoriais do Ministério da Agricultura (direito sanitário), as obras de reforma do Maracanã, hoje 80% prontas, afetam também a Escola Municipal Friedenreich, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare.

Segundo o governo, todos os imóveis citados deverão ser desocupados e demolidos para darem lugar a novos prédios e lojas comercias e estacionamentos. 

Ausência do poder público
Essas obras urbanísticas em torno do Maracanã foram tema de audiência pública realizada no auditório da Defensoria Pública da União do Rio de Janeiro (DPU), na última quarta-feira (12).

Acusado de não ouvir a opinião pública sobre a intenção de demolir imóveis daquela região, o governo do estado, através da Secretaria da Casa Civil, não compareceu e sequer comunicou o motivo de não ter enviado representante ao debate. 

A intenção da DPU com a audiência era abrir espaço para que todos os interessados pudessem expor sua opinião, seja ela contra ou a favor às obras do entorno do Maracanã. 

O convite foi estendido a orgãos como a Secretaria Estadual de Esportes, a Secretaria Municipal de Educação, a Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro, o Ministério Público Estadual, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da OAB/RJ e a Fundação Nacional do Índio (Funai), que também não enviaram representantes.

Organizador do evento e titular do 1º Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva, o defensor público federal André Ordacgy lamentou a ausência do poder público: 

"A audiência pública é um instrumento importantíssimo de participação popular, que serve, neste caso, para enriquecer o debate sobre os aspectos positivos e negativos do impacto das obras no entorno do Maracanã para a Copa do Mundo. Infelizmente, a ausência injustificada do poder público municipal e estadual revela um total desinteresse sobre os anseios sociais”, disse Ordacgy.

Para Gustavo Melh, membro do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, o Maracanã está se tornando um símbolo da postura antidemocrática do governo. E a iminente desocupação do seu entorno é diretamente ligada à intenção de privatizar o estádio.

“O que podemos fazer é cobrar a convocação de um plebiscito capaz de promover um debate aberto sobre o que a população realmente quer e espera de todo esse projeto em torno da Copa do Mundo 2014. Só assim poderemos manter o Maracanã como um espaço público, e não o torná-lo privado”, disse Melh.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11191/ESTUDO+MOSTRA+QUE+MUSEU+AO+LADO+DO+MARACANA+NAO+PRECISA+SER+DEMOLIDO.html

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ASSINE A CARTA DE APOIO AOS PAIS E ALUNOS DA ESCOLA FRIEDENREICH!


O assunto vem rolando desde outubro, mas vale a pena conferir o manifesto feito por pais e responsáveis da Escola Municipal Friedenreich. Nessa sexta (dia 30) haverá audiência pública na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, às 18h30, para tratar do tema. Não percam!!!! 

A audiência pública do Maracanã foi marcada por fortes protestos da sociedade civil. Estudantes, torcedores e índios estiveram presentes e pediram o cancelamento da audiência, alegando que uma outra audiência deveria ter acontecido para discutir se o Maracanã deve ou não ser concedido à iniciativa privada. 

As crianças, pais e profissionais da Escola Municipal Friedenreich estiveram presentes e exigiram a não demolição da Escola. As crianças deram um show: Levaram cartazes, cantaram e se manifestaram com apitos e cartões vermelhos. A aluna Bia e seu pai, Carlos, fizeram a entrega da carta de apoio assinada por mais de 15mil cariocas (o Secretário hesitou em pegar o documento, mas a pressão das pessoas fez com que ele aceitasse). 

Quando indagado sobre a situação da Escola, o Secretário alegou que seu destino está nas mãos da Secretaria Municipal de Educação e da Prefeitura. 

Os pais e alunos da Escola saíram da audiência assim que chegou a Tropa de Choque da Polícia Militar. Os alunos, embora assustados com a presença policial, prometeram não desistir da mobilização pela Escola. E nós também não desistiremos e na próxima segunda voltaremos com uma nova tática para preservar o projeto da Escola Municipal Friedenreich.

Na última semana de outubro, o Meu Rio recebeu o seguinte apelo: 

"Meu nome é Beatriz Ehlers, tenho 11 anos, e quando crescer eu quero ser arquiteta. Eu estudo na Escola Municipal Friedenreich, que é a 4ª melhor escola do Rio mas o Governo quer demolir ela e construir uma quadra para o Maracanã. Eu amo a minha escola e todos os alunos, professores e pais também amam ela! Foi aqui que eu aprendi a ler, escrever, usar computador, filmar e editar vídeos e principalmente a respeitar as outras pessoas. Nossa escola é diferente, é um exemplo! Nós pedimos a todos os cariocas e todas as escolas do Rio que assinem a carta de apoio e nos ajudem a impedir que a nossa escola seja demolida. Meus pais, eu e outros alunos vamos entregar essa carta diretamente para quem pode impedir que a escola seja demolida durante um encontro no dia 08 de Novembro."

Conversando com os pais da Bia, descobrimos que ela é uma das melhores alunas da Escola Municipal Friedenreich, considerada a 4ª melhor do município. Infelizmente o Governo planeja botar a escola da Bia abaixo e construir uma quadra antes de entregar o complexo Maracanã para ser administrado pela iniciativa privada. 

Felizmente, ainda dá tempo de alterar o edital de concessão do Maracanã e evitar que a escola seja demolida, interrompendo um projeto pedagógico que se construiu em 20 anos. Só temos que convencer o Secretário da Casa Civil, Regis Fichtner, a fazer as mudanças. 

Fichtner estará presente em uma audiência pública no dia 8 de novembro, justamente para discutir a política de concessão do Maracanã. Os alunos, pais e professores da Escola Municipal Friedenreich estarão presentes. Eles estão muito unidos, mas ainda estão desamparados e precisam de toda a ajuda dos cariocas. Não vamos deixar que eles entrem nessa audiência pública sozinhos! Pra juntar a sua voz à deles, assine a carta de apoio! 

p.s: antes de conhecermos a Bia, a história da escola já havia sido enviada pra nossa equipe por uma mãe de aluno, Márcia Fernandes. Ela nos contou que justificativas diferentes já foram dadas para a demolição: primeiro, era para construir um estacionamento, agora é para as quadras. Márcia já resiste à demolição há dois anos, e não vai parar agora. Junte-se a ela aqui. 

Porque o Meu Rio entrou nessa campanha? 

O Meu Rio sempre defende processos participativos e transparentes nas políticas públicas, e nesse caso nenhum dos dois princípios foi respeitado. Não apenas os pais e alunos descobriram pela imprensa que sua escola seria demolida, como a decisão foi anunciada antes de consulta com a comunidade escolar e em desacordo com a própria Secretaria Municipal de Educação. Além disso, a experiência nos mostra que promessas de "vamos construir outro antes de destruir esse" não funcionam, vide o exemplo do Autódromo, que está sendo demolido antes que os equipamentos novos sejam construídos. Em se tratando do futuro das crianças cariocas, não podemos correr esse risco. 

Fonte: http://www.meurio.org.br/assine_embaixo/escola-nao-se-destroi#compartilhe

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Os sem-teto do esporte na cidade olímpica


À mercê de decisões de governo e de demolições de estádios, atletas e alunos de escolinhas não sabem o que fazer

Por ARY CUNHA, CLAUDIO NOGUEIRA E SANNY BERTOLDO

RIO — Pode parecer piada de mau gosto, mas há um estacionamento no caminho do homem mais rápido do Brasil. Com apenas 20 anos, Aldemir Gomes da Silva Júnior é dono da melhor marca dos 100m rasos no ranking da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), com 10s20. Nos Jogos de Londres, ele integrou o 4x100m, que não foi à final, e viveu a inesquecível experiência de correr as eliminatórias e as semifinais dos 200m ao lado do jamaicano Usain Bolt. Se existe alguma esperança de medalha para o país-sede dos Jogos de 2016 nas provas de velocidade, ela com certeza passa pela explosão deste rapaz esguio, de 1,92m e 78kg.
Porém, justamente quando mais deveria ser cercado de cuidados para voar alto nas Olimpíadas-2016 no Rio, Aldemir conta as horas para ficar desalojado. Ele é uma das muitas promessas do esporte brasileiro que serão prejudicadas pela absurda decisão política de se pôr abaixo três das mais importantes instalações esportivas da cidade: o Estádio Célio de Barros, o Parque Aquático Júlio Delamare e o Velódromo.
— Mais do que uma pista, isso aqui para mim significa uma fábrica de sonhos. Venho ao Célio de Barros praticamente todos os dias desde que tinha 9 anos e acompanhava meu primo, Leonardo, nos treinos. Comecei aos 12 e não parei mais. Nem digo que é minha segunda casa, porque já houve tempo que ficava mais aqui do que em qualquer outro lugar — desabafa Aldemir, que de segunda a sexta treina na pista pública, acompanhado da sua técnica, Vânia Valentino, e de outros atletas que representam o Vasco. — Quem derruba um templo do esporte como o Célio de Barros não sabe o que está fazendo. O dia em que eu passar aqui e vir um estacionamento, meu coração vai partir.

Crescente legião de sem-teto
Ao som das obras pesadas no vizinho Maracanã, toda manhã a pista do Célio de Barros recebe atletas juvenis e adultos dos filiados à Federação de Atletismo do Rio (Farj). Ao lado, no Parque Aquático Julio Delamare, os projetos esportivos para a comunidade, com natação, hidroginástica e ginástica, também são embalados pelas obras. Em compasso de espera, alunos e professores se preparam para o pior. No palco de grandes momentos da natação nacional e de desempenhos que entraram para a história — como o recorde mundial nos 50m livre da holandesa Inge de Bruin, há 12 anos, quando nadava pelo Vasco — hoje resta a desolação.
No Júlio Delamare, além da natação, treinam nado sincronizado e saltos ornamentais. Ali está localizada, ainda, a sede da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Em setembro, o local recebeu um desafio de natação que reuniu astros da natação internacional, como o francês campeão olímpico dos 50m livre, Florent Manaudou, e o australiano James Magnussen. Para o paraibano Kaio Márcio, do Fluminense, a demolição é péssima notícia para quem, em quatro anos, terá o privilégio de sediar os Jogos.
— A minha primeira competição no Júlio Delamare foi em 1997. Isso tudo é muito triste. Antes do Maria Lenk, aquela era a nossa casa e foi lá que eu e muitos outros fizemos marcas individuais, conquistamos índices... É até engraçado pensar que, às vésperas de receber as Olimpíadas, perderemos uma piscina — lamentou.
A situação não é diferente no velódromo. Segundo o secretário nacional de alto rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, o local será derrubado no primeiro trimestre de 2013. Para Claudio Santos, presidente da Federação de Ciclismo do estado do Rio, o problema se tornou ainda maior com a decisão de levar o velódromo para Goiânia.
— Temos seis projetos no velódromo, entre eles, a única equipe profissional de ciclismo de pista do país, e ninguém nos perguntou se temos alguma ideia de como fazer para minimizar o impacto. Para que mandar o velódromo para Goiânia? Campos, Rio das Ostras e Niterói estão dispostos a recebê-lo. Em Niterói seria em Piratininga. Mas o prefeito não quer conversar — disse Santos, indignado. — Querem acabar com tudo. Nas Olimpíadas, só no ciclismo de pista, são 30 medalhas, e o Brasil não terá a menor chance de conquistar nenhuma delas.
De acordo com Antônio Márcio Domingues Ferreira, professor da escolinha Álvaro da Costa Ferreira, da Federação de Ciclismo (Fecierj), a escolinha, aberta em abril, tem 50 alunos, todos carentes, como Wellyton Araújo, 15 anos, que resume o sentimento geral:
— O velódromo representa tudo. Depois que você entra no ciclismo, se apaixona. Se acabar, aí não sei. Sonho em ser alguma coisa aqui. Se acabar o velódromo, acabou o sonho da gente.
Entretanto, a insensibilidade que lança as garras em direção ao Célio de Barros, ao Júlio de Lamare, ao autódromo e ao velódromo, já bateu o martelo e será o carrasco dos sonhos. A Empresa Municipal Olímpica informou que o novo velódromo é necessário, já que o atual não atende às exigências da UCI para as Olimpíadas e que tal decisão é da prefeitura, do Comitê Rio 2016 e o Ministério do Esporte.
O COB alega estar estudando alternativas para atender quem usa o velódromo e para transferir o CT de ginástica. Mas, ao que tudo indica, os alunos da escolinha irão se juntar aos pilotos do autódromo, a atletas e frequentadores de projetos do Célio de Barros e do Júlio de Lamare, na crescente legião de sem-teto na cidade olímpica.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/os-sem-teto-do-esporte-na-cidade-olimpica-6762217#ixzz2CfMCtl1s 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ciclistas se manifestam contra demolição do velódromo do Rio


Espaço, que custou R$ 14 milhões e serviu ao Pan 2007, será desmontado e enviado para Goiânia

A Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecierj) está convocando ciclistas para uma manifestação amanhã (15) contra a demolição do velódromo do Rio, localizado na Barra da Tijuca.

O espaço, que custou R$ 14 milhões aos cofres públicos e sediou as provas de ciclismo no Pan-Americano do Rio em 2007, não cumpre com os requisitos do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a Olimpíada de 2016, pois foi construído com pilastras que atrapalhariam os árbitros e com capacidade de público menor do que a exigida.

A prefeitura do Rio, no entanto, já admite que deverá desmontar o velódromo e enviar para Goiânia e concentrar recursos para a construção de outro empreendimento, que, este sim, servirá às Olimpíadas. A Fecierj contesta a escolha do poder público.

“Este espaço já abriga um projeto no valor total de R$ 3,5 milhões de reais incentivados pelo Ministério dos Esportes, além de funcionar uma escolinha de pista para a comunidade. Este é o único local para treinamento de centenas de ciclistas de pista em todo o Estado do Rio, demolir este patrimônio seria um retrocesso”, afirma o presidente da Fecierj, Claudio Santos. 

O velódromo do Rio é o único coberto e com piso de madeira existente no Brasil. A construção de um novo espaço custaria cerca de R$ 130 milhões, diz a prefeitura do Rio.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11043/CICLISTAS+SE+MANIFESTAM+CONTRA+DEMOLICAO+DO+VELODROMO+DO+RIO.html

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Museu do Índio: Moradores são surpreendidos com demolição de muro


Prefeitura iniciou obras para construção de uma passarela no local que vai levar ao Maracanã

Os índios da Aldeia Maracanã, localizada no interior do antigo Museu do Índio, ao lado do Maracanã, acordaram assustados na madrugada de sábado (10) com o barulho de máquinas que demoliam parte do muro do prédio.

“Nós ouvimos as máquinas e quando observamos, eles já estavam derrubando o muro. Pensamos, eles estão vindo para cá, para a aldeia”, disse o professor de tupi e morador da aldeia José Guajajara.

A demolição de parte do muro e o corte de algumas árvores continuaram ontem (12), pela Secretaria Municipal de Obras, vão permitir a construção de uma passarela no local. De acordo com o fiscal da obra, Mauro Bonelli, apenas uma parte do terreno será usada para a obra. Sobre o corte de árvores, ele informou que houve autorização dos órgãos competentes.

O antigo Museu do Índio, que fica ao lado do Maracanã, é o pivô de uma briga na Justiça Federal entre os indígenas, que ocupam o prédio há seis anos, e o governo do estado, que comprou o imóvel recentemente. Dentro do terreno de mais de 14 mil metros quadrados de área existe ainda um prédio do Ministério da Agricultura, que abriga um laboratório de análises de sementes e bebidas.

Na última semana, uma audiência pública para discutir o destino da área acabou em tumulto. O secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, foi atacado pelos manifestantes com ovos e copos plásticos. O governo fluminense alega que a demolição do prédio é necessária para garantir a circulação dos torcedores durante a Copa do Mundo de 2014.

Segundo o defensor público federal André Ordacgy, que está acompanhando o caso na Justiça, a existência de duas liminares protegem o edifício e uma área de 3 mil metros quadrados onde estão os índios.

“No momento as duas liminares são vigentes, apesar de existir dois recursos em andamento. O estado entrou com o pedido de suspensão de liminar na presidência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região [TRF2], que ainda não foi julgado, e com um recurso de agravo de instrumento no TRF2, que também não foi julgado. Então, temos esses dois recursos que podem mudar esse panorama. É aguardar para ver”, disse.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11036/MUSEU+DO+INDIO+MORADORES+SAO+SURPREENDIDOS+COM+DEMOLICAO+DE+MURO.html

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Escola Municipal Friedenreich será transferida para prédio da antiga escola de veterinária do Exército


Demolição da unidade para obras do Maracanã preocupa pais, alunos e professores

RIO — O destino dos alunos da Escola Municipal Friedenreich, no Maracanã, já está definido. Em entrevista à Rádio CBN, nesta quinta-feira, o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, afirmou que a unidade será transferida para o prédio da antiga escola de veterinária do Exército, localizado em São Cristóvão. A escola será demolida para construção das quadras de aquecimento, a serem usadas por jogadores de futebol que competirem no Complexo do Maracanã. Segundo o secretário, o terreno, que pertence às Forças Armadas, será cedido à Prefeitura do Rio, e o prédio, protegido pelo patrimônio histórico, passará por reforma antes de receber os alunos e professores.
— A solução é ótima, porque o prédio já está pronto. Só precisa de algumas pequenas adaptações. Os alunos e professores não serão prejudicados, e estarão até mais bem instalados do que estão hoje — afirmou Fichtner.
Segundo a Secretaria estadual da Casa Civil, a demolição da Escola Municipal Friedenreich é necessária para que o futuro Complexo do Maracanã atenda aos padrões internacionais. O secretário Régis Fichtner disse que a prefeitura já concordou com a mudança. Ele explicou que o consórcio que vencer a licitação das obras do Maracanã fará a adaptação do edifício, desativado desde 1975, para receber a escola. Fichtner ressaltou ainda que não haverá prejuízo às aulas.
— O prédio terá as mesmas características do que abriga a Escola Municipal Friedenreich hoje. É uma obra rápida, o planejamento será feito assim que houver um vencedor da licitação — disse. Ainda segundo o secretário, a mudança na localização não afetará o desempenho exemplar da escola.
— Os pais não precisam ficar preocupados. A localização é muito melhor que a atual, já que o barulho das obras estão atrapalhando as aulas. E a mudança não altera em nada o ensino. A escola é boa não por causa do lugar, mas pelas pessoas que ali trabalham, pelos alunos dedicados — afirmou.
Pais, alunos e professores da Escola Municipal Friedenreich prometem ir em peso, na quinta-feira, à audiência pública no Galpão da Cidadania, na Zona Portuária, com o secretário Régis Fichtner. Eles querem evitar que a escola seja demolida. A unidade é um raro exemplo da rede que satisfaz a todos: tem o quarto melhor ensino da cidade do Rio e o sétimo do estado, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
A Secretaria municipal de Educação divulgou nota informando que toda a estrutura pedagógica, a direção e o corpo docente da escola serão mantidos, sem qualquer prejuízo para a qualidade do ensino. Muitos pais e professores não são contra a mudança de prédio, desde que não seja para outro bairro e que o nome, homenagem ao jogador Arthur Friedenreich (1892-1969), estrela do futebol brasileiro no início do século passado, seja mantido.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/escola-municipal-friedenreich-sera-transferida-para-predio-da-antiga-escola-de-veterinaria-do-exercito-6670707#ixzz2BfUyAu2Z 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Morro da Providência resiste a demolição parcial para Olimpíada


Reforma da zona portuária do Rio de Janeiro vai despejar quase mil pessoas

Os moradores do Morro da Providência, a favela mais antiga do Brasil, resistem ao milionário plano de reurbanização do centro do Rio de Janeiro promovido por ocasião dos Jogos Olímpicos de 2016, uma vez que o projeto prevê a demolição de centenas de casas.

O plano de reforma da zona portuária e de seus bairros próximos inclui a construção de um teleférico que subirá até o alto da favela, que tem sua origem no século 18 e que hoje conta com cerca de 5.500 habitantes, segundo dados oficiais.

O projeto contempla o despejo de quase mil pessoas cujas casas estão construídas em áreas de risco, consideradas vulneráveis a sofrer deslizamentos de terra.

As casas condenadas à demolição são identificadas com a sigla SMH, referente à Secretaria Municipal de Habitação, que é vista em diversas fachadas das residências que se proliferam em vielas com pouco mais de um metro de largura.

A presidente da associação de moradores, Maria Helena Santos, disse à "Agência Efe" que a prefeitura abusou da denominação "área de risco" como desculpa para expulsar cerca de 20% das famílias para a construção de projetos que ela qualifica como "turísticos" por ocasião das Olimpíadas.

A prefeitura do Rio construiu 800 casas para realojar a maioria das famílias que serão expulsas do Morro da Providência e oferece como alternativa uma indenização de cerca de R$ 30 mil para quem rejeitar essa opção.

Na opinião de Maria Helena, nenhuma dessas alternativas permite ao proprietário ficar no morro.

A arquiteta Lu Petersen, autora do livro "Militância, Favela e Urbanismo", considerou que o teleférico "é um atentado à história do Rio de Janeiro" por ocasionar tantas demolições neste bairro centenário.

Os primeiros assentamentos no morro remontam ao século 18, segundo os historiadores, e se intensificaram na segunda metade do século 19 com o auge do comércio no porto do Rio, a capital do império brasileiro recém-independente.

Após o fim da Guerra de Canudos, em 1897, centenas de soldados sem lar se instalaram na área, que então passou a ser chamada Favela, em alusão a uma planta homônima (Cnidoscolus quercifolius) muito comum no Nordeste.

Posteriormente, o bairro pobre se expandiu nas décadas seguintes com a chegada de imigrantes espanhóis e portugueses, como foi o caso dos bisavôs de Lúcia Oliveira Silva, de 54 anos, que vive no lugar onde seus antepassados ergueram seu primeiro barraco.

"Está me matando ver como retiram os moradores originais do bairro", disse Lúcia à "Efe", antes de expressar o temor de ser expulsa do local onde sempre viveu com sua família.

Até agora, cerca de 130 famílias foram desalojadas da favela, segundo relatou o fotógrafo e líder comunitário Mauricio Hora, que reivindicou que a transformação do bairro seja feita "de maneira participativa".

O projeto da Prefeitura, com um orçamento de R$ 131 milhões, contempla a construção de uma creche e um centro esportivo, a melhoria do serviço de água e esgoto e o alargamento de algumas vielas.

O teleférico, com capacidade para transportar mil pessoas por hora, ligará o alto do morro à Central do Brasil, uma das principais estações de trem e metrô do Rio.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10976/MORRO+DA+PROVIDENCIA+RESISTE+A+DEMOLICAO+PARCIAL+PARA+OLIMPIADA.html

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Concessão do Maracanã devolverá ao estado menos de 30% do que foi investido na reforma


A minuta do edital foi divulgada nesta segunda-feira. Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio Célio de Barros serão demolidos

Por Luiz Ernesto Magalhães

RIO - O governo do estado não terá retorno financeiro dos R$ 859,9 milhões em investimentos que estão sendo feitos com recursos próprios e empréstimos do BNDES para preparar o Complexo do Maracanã para a Copa das Confederações de 2013, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Ao divulgar detalhes da minuta do edital de concessão do espaço à iniciativa privada, o secretário-chefe da Casa Civil, Regis Fitchner, informou que o vencedor da concorrência vai operar o complexo por 35 anos, a partir de 2013. O valor da outorga anual previsto no edital será de R$ 7 milhões quitados em 33 parcelas anuais. Ou seja: o governo estadual receberá apenas R$ 231 milhões em 35 anos ou 26,86% do total investido, caso e a concessão seja feita pelo valor mínimo.
Embora a concessão seja por 35 anos, nos dois primeiros anos de obras não haverá contrapartida para o estado devido ao elevado nível de investimentos que será exigido:
— Quando começamos a estudar a concessão do Maracanã, em 2008, pensávamos em transferir à iniciativa privada os custos de fazer a reforma completa. Mas a conta não fechava, devido ao elevado nível de gastos para prepará-lo para os megaeventos. O estado precisou investir previamente. Além disso, vale lembrar que o consórcio que vencer a concorrência, além de pagar a outorga anual ao estado, ainda terá que investir mais R$ 469,4 milhões em obras no complexo até 2016 — explicou Regis Fitchner.
Os R$ 469,4 milhões são considerados investimentos essenciais para que o concessionário tenha receitas complementares com a transformação do estádio em um complexo de lazer maior, com a implantação de estrutura para bares, restaurantes e outras atividades de entretenimento para o público. Segundo a minuta do edital, nenhum clube de futebol terá exclusividade pelo uso do espaço. Para atender a esse item, não poderão participar da concorrência clubes de futebol ou grupos que tenham vínculos com qualquer dos principais clubes do Rio, de forma direta ou indireta. Além disso, para manter o estádio com a vocação de “templo mundial do futebol”, o concessionário não poderá ostentar símbolos de qualquer clube no Maracanã.
Como o site do GLOBO antecipou na manhã desta segunda-feira, o Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio Célio de Barros serão mesmo demolidos para permitir um melhor aproveitamento econômico do complexo. Até esta segunda-feira, os dois imóveis eram protegidos por um decreto de 2002 assinado pelo ex-prefeito Cesar Maia que tombara os complexos. O decreto, porém, foi revogado pelo prefeito Eduardo Paes em ato publicado na edição desta segunda-feira do Diário Oficial do Município. Os dois estacionamentos heliponto, bares e salas foram projetados justamente nos locais onde estão os equipamentos esportivos.
As duas instalações serão reconstruídas nas imediações da Quinta da Boa Vista em um terreno que pertenceu ao Exército que foi transferido para a prefeitura do Rio . O contrato de concessão prevê que a responsabilidade por demolir e realocar os dois equipamentos será da concessionária. A gestão do novo parque aquático e do novo Célio de Barros serão mantidos com a Suderj. A minuta do edital prevê que o novo Célio de Barros ocupe uma área de 22 mil metros quadrados, conte com uma arquibancada com capacidade para mil espectadores e a pista seja homologada para competições internacionais.
O novo Parque Aquático, por sua vez, também contaria com uma arquibancada apra mil espectadores. Seriam construídas piscinas olímpica, de salto e de treinamento.
Segundo o secretário da Casa Civil, as instalações para a natação e o atletismo atuais só serão demolidas quando as novas ficarem prontas. O edital, no entanto, não deixa isso claro: informa que caberá aos concorrentes elaborar um plano de trabalho com prazos para a execução de todos os projetos. Mas se for confirmado a inauguração prévia dos equipamentos , não acontecerá com o parque aquático e o Célio de Barros, o que está ocorrendo no Autódromo Nelson Piquet. O antigo autódromo será fechado no fim deste mês para a construção do Parque Olímpico sem o novo Autódromo de Deodoro esteja pronto. Até o momento, nem a licitação das obras em Deodoro foi marcada.
— O plano é que os consórcios executem as obras até a Copa de 2014. Só depois das novas instalações prontas é que as atuais seriam demolidas — disse o secretário da Casa Civil.
Segundo as regras do edital, o concessionário é obrigado a manter o nome do estádio. O Maracanãzinho, porém, pode ter seu nome alterado para gerar receitas pelo que é conhecido como naming rights. A audiência pública para apresentação oficial do edital será no dia 8 de novembro, às 18h, na sede do Galpão da Cidadania na Rua Barão de Teffé, na Gamboa. Com base nos resultados da audiência, o edital ainda poderá sofrer alterações. A data da licitação ainda não está marcada, mas a ideia é que o operador já comece a administrar o estádio nos meses que antecedem a Copa das Confederações, marcada para junho do ano que vem. Durante o evento, porém, o estádio ficará aos cuidados da Fifa.
A concessionária terá que arcar ainda com obras para melhorar a infraestrutura de iluminação, pavimentação e drenagem nas partes externas do estádio que não estão sendo recuperadas pelas obras em andamento, restritas à recuperação do Maracanã. O edital considera a instalação de gradis móveis (com até 40 centímetros de altura) essencial para reter a água das chuvas, evitando que alagem as instalações esportivas. Na conta, estão também a infraestrutura para dois novos estacionamentos e uma área com bares, restaurantes, lojas e salas comerciais. O concessionário também arcará com os custos para construção e operação do futuro Museu do Futebol. Mas de acordo com o contrato de concessão, não arcará com qualquer gasto novo se forem necessárias adaptações para a Copa e as Olimpíadas.
No caso do Maracanãzinho, o ginásio sofrerá uma nova reforma para as Olimpíadas, a fim de receber as partidas de vôlei. Em lugar de assentos fixos da reforma para os Jogos Pan-Americanos de 2007, o consórcio terá que transformar as arquibancadas em retráteis, como as que existem hoje na arena HSBC, na Barra da Tijuca. Com isso, a capacidade do ginásio vai encolher de 11.424 para 9.914 lugares. O público será segregado entre portadores de ingressos comums e vips. Também haverá investimentos no revestimento acústico da cobertura, melhorias nas áreas de serviço (alimentação e sanitários) reforma da quadra atual e construção de duas quadras de aquecimento para atender a exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI).
A construção das duas novas quadras também vai alterar a rotina da escola municipal Friedenreich, que funciona no local há quase 50 anos. Ela terá que ser demolida para dar lugar às quadras. A instituição está ameaçada de deixar o local desde 2009 quando alunos e professores começaram um movimento pelas redes sociais pedindo a permanência. A Secretaria municipal de Educação informou por nota que não foi comunicada da decisão. Mas que caso a saída seja confirmada estudará a melhor maneira de realocar alunos e professores.
Há apenas cinco anos, em 2007, o Estado gastou R$ 10 milhões (valores da época) para reformar a estrutura e preparar o Parque Julio Delamare para o Jogos Pan-americanos. Na época, o Maracanãzinho recebeu R$ 92 milhões de investimentos também para o Pan, quantia que agora mostra ser insuficiente para atender às Olimpíadas. O próprio Maracanã recebeu R$ 143 milhões.
A concorrência para o complexo abre a possibilidade de empresas estrangeiras participarem da privatização do estádio. O edital leva em conta não apenas o preço da outorga, mas também a experiência na gestão e operação de complexos de entretenimento (proposta técnica). Na avaliação final, a proposta técnica terá uma nota atribuída de zero a 100. No julgamento das avaliações, terá um peso de 60% na decisão final de quem será o concessionário.
Entre as exigências técnicas, está que, para participar da concorrência, o interessado deve apresentar atestados que comprovem ter experiência de operar de forma integrada pelo menos quatro de cinco itens a seguir: estádio de capacidade mínima de 20 mil pessoas; arena multiuso ou casa de shows com capacidade mínima para 5 mil pessoas; museu com área mínima de 2 mil metros quadrados; estacionamento com, no mínimo, 2 mil vagas; além de operar bares e restaurantes em áreas externas do estádio e arena. Avaliação final também levará em conta a experiência da empresa em comercializar camarotes e frisas com serviços exclusivos. O participante da concorrência precisará ter fechado contratos nesse item que cheguem a pelo menos R$ 500 milhões nos últimos dez anos.
O peso maior na nota de critério técnico será para empresas que já tiverem experiência em operar estádios de futebol, podendo, nesse caso, chegar a até 25 pontos (se a experiência acumulada for superior a 97 meses).
Segundo a minuta do edital de concessão, nenhum clube de futebol terá exclusividade no uso do Maracanã. mas o futuro operador poderá assinar contratos com os quatro grandes clubes do Rio em condições diferenciadas. Os contratos inclusive podem prever que parte dos vestiários do estádio sejam “customizados” nas cores dos clubes desde que dois eles sejam mantidos sem qualquer identificação de clubes. No caso das cadeiras cativas, o direito de uso pelos atuais proprietários está garantido. Mas, como a reforma alterou as características físicas do estádio, haverá uma pré-seleção de assentos que serão sorteados. O secretário da Casa Civil também deu alguns detalhes da engenharia financeira do negócio. A estimativa é que o espaço tenha um potencial de gerar R$ 154 milhões de receita, contra R$ 50 milhões de despesas anuais (incluindo os R$ 7 milhões de outorga). O vencedor da licitação começaria a ter lucro a partir do 12º ano da concessão, já descontados os R$ 469,4 milhões necessários de investimentos complementares. A rentabilidade final seria de 9,8% ao ano de tudo o que foi investido.
A minuta do edital prevê que para administrar o Complexo do Maracanã, a concessionária terá que criar uma Sociedade de Propósitos Específicos (SPE). Cada consórcio, para entrar na disputa, deve ter um capital mínimo de R$ 40 milhões. Os consórcios podem ser formados por, no máximo, quatro empresas e, para entrar na concorrência, deverão apresentar uma caução ou carta de finança bancária de R$ 4 milhões . Um dos grupos que deve participar da concorrência é IMX do empresário Eike Batista. Caso a qualidade do serviço prestado não seja aquele com que se compromete, a concessionária pode ter seu prazo de concessão reduzido. A empresa foi responsável por contratar os estudos de viabilidade que serviram de base para elaborar o edital que custaram R$ 2,3 milhões. E com a concorrência será reembolsada.

Museu do Índio será demolido
Regis Fitchner confirmou que o Museu do Índio será demolido. A tarefa também caberá à concessionária segundo a lista de encargos que consta da minuta do edital De acordo com o secretário, a derrubada, na verdade, não foi uma exigência direta da Fifa. Mas uma consequência das exigências da entidade de melhorias na circulação no entorno, para garantir que o estádio seja esvaziado em 8 minutos no caso de emergências. O plano de acessibilidade concluiu que o prédio, que hoje está ocupado por indígenas, tinha que ser demolido.
O imóvel centenário do museu, que está abandonado, fica na Avenida Radial Oeste e virou alvo de uma polêmica. Na semana passada, em mais uma tentativa de preservar o antigo prédio, integrantes da Defensoria Pública da União no Rio voltaram ao local com engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio. Após vistoria, o Crea concluiu que o edifício não sofreu abalo estrutural e pode ser restaurado.
Na ocasião, o titular do 1º Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva da defensoria, André Ordagcy, disse que o órgão quer a preservação do prédio e da cultura indígena. A Defensoria Pública tentará, primeiro extraoficialmente, impedir a demolição. Mas, se não for possível, será ajuizada uma ação civil pública para que o prédio não seja demolido e para que haja o tombamento pelo Iphan.
A prefeitura do Rio anunciou ontem que não vai mais demolir as cocheiras do Centro Hípico do Exército para realizar as obras de melhorias no entorno do Maracanã. O projeto foi revisto para preservar as instalações que ocupam apenas uma área de 9,9% do total do terreno cedido pelo Ministério do Exército ao município.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/concessao-do-maracana-devolvera-ao-estado-menos-de-30-do-que-foi-investido-na-reforma-6474925#ixzz2A4VkFzyg 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Museu do Índio, localizado ao lado do Maracanã, será demolido


Prédio será transformado em uma área de estacionamento e dispersão de público

O Museu do Índio, localizado ao lado do complexo do Maracanã, será mesmo demolido. O anúncio foi feito ontem (18) pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O local será transformado em uma área de estacionamento e dispersão de público do estádio.

O prédio pertencia à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Segundo Cabral, a propriedade do local já foi repassada ao Estado do Rio de Janeiro. O valor da transação, porém, não foi divulgado. Durante a negociação da área, o museu foi avaliado em R$ 60 milhões.

Mesmo com 150 anos de história, o prédio não é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Depois que o museu foi transferido para outra sede, a construção foi ocupada e preservada por índios. 

Atualmente, cerca de 20 índios de diversas etnias se abrigam no local.  Desde agosto, com o anúncio das negociações para transferência do prédio ao governo estadual, a Defensoria Pública da União (DPU/RJ) se movimenta para tentar impedir a demolição.

Cabral afirmou que qualquer órgão tem direito de questionar a decisão do governo na Justiça. Mas o governador não é contra a demolição, pois o prédio "não tem valor histórico nenhum."

Líderes dos moradores da área afirmara, porém, que os habitantes da Aldeia Maracanã não vão abandonar o local e prometeu lutar até o final.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10933/MUSEU+DO+INDIO+LOCALIZADO+AO+LADO+DO+MARACANA+SERA+DEMOLIDO.html

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Velódromo do Pan não será aproveitado em 2016


Estrutura, montada em 2007 no Autódromo Nelson Piquet, terá de ser removida por estar fora dos padrões olímpicos

Por Jorge Luiz Rodrigues

RIO - O velódromo construído pela prefeitura para os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Autódromo Nelson Piquet, ao custo de R$ 14,1 milhões e que já foi até cenário de novela, está com os dias contados. As obras que começaram nesta sexta-feira para transformar toda a área no principal complexo esportivo dos Jogos Olímpicos de 2016 preveem a retirada da estrutura, segundo informou a presidente da Empresa Olímpica Municipal, Maria Silvia Bastos Marques. A prefeitura concordou em doar o equipamento para o Ministério do Esporte, que estuda onde realocar a estrutura. Três cidades de estados diferentes (nenhuma delas do Rio) manifestaram interesse.

A decisão foi tomada porque o velódromo do Pan foi projetado sem seguir os padrões olímpicos. Dois pilares no centro da pista impedem que os árbitros tenham uma visão completa. Nas Olimpíadas, isso impediria a homologação dos resultados. O problema da estrutura já era conhecido há dois anos. Com a decisão, o novo velódromo olímpico, inicialmente concebido como uma estrutura provisória, será mantido depois dos jogos.

O velódromo não é a única instalação erguida para os Jogos Pan-Americanos que não será aproveitada, contrariando o que estava previsto originalmente para as Olimpíadas. O Parque Aquático Maria Lenk (que custou mais de R$ 60 milhões) receberá apenas as provas de saltos ornamentais e o polo aquático. Ele ficou defasado porque o Comitê Olímpico Internacional (COI) mudou as regras para instalações das demais provas de natação após a sua construção. O novo centro aquático ficará em estruturas provisórias, a exemplo de outras instalações que serão desmontadas após os Jogos, como o centro de tênis. Parte das estruturas será reaproveitada em outros lugares, como escolas e creches.

Demolições no autódromo serão concluídas até maio
A pedra fundamental das obras no autódromo, que serão executadas numa parceria público-privada, foi lançada na tarde desta sexta-feira pelo prefeito Eduardo Paes. As intervenções serão feitas por etapas. Até maio de 2013, a concessionária Rio Mais vai demolir todas as estruturas do Autódromo Nelson Piquet. Os trabalhos começam por um grupo de arquibancadas que não vinha recebendo público e em trechos do complexo automobilístico que não são usados para as corridas.

As pistas, a torre de controle e outras estruturas de apoio para as corridas começam a ser derrubadas no fim do ano, com o fechamento definitivo do autódromo. Um novo circuito será construído em Deodoro pelo governo estadual, com recursos da União. O projeto ainda não saiu do papel, mas vem sendo questionado pelo Ministério Público devido ao impacto ambiental.

O parque olímpico receberá 14 modalidades olímpicas, entre elas natação, basquete e tênis, e nove paraolímpicas, numa área de mais de um milhão de metros quadrados (equivalente ao bairro do Leme). Isso exigirá a construção de três complexos esportivos, que integrarão o futuro centro de formação de atletas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Editais serão lançados na próxima semana
Na semana que vem, a prefeitura lança os primeiros editais para escolher as empresas que desenvolverão os projetos arquitetônicos do novo velódromo, do parque aquático e do centro de tênis. Segundo o acordo firmado entre os governos, o Ministério do Esporte arcará com as obras das instalações esportivas e o município, com os projetos.
— As obras dos complexos vão começar no segundo trimestre de 2013 — disse Maria Silvia Bastos Marques.

O investimento da PPP no parque olímpico é estimado em R$ 1,4 bilhão (sem incluir as instalações esportivas). A prefeitura pagará ao consórcio com o repasse de uma área de cerca 800 mil metros quadrados do autódromo que não será aproveitada nas Olimpíadas. No terreno, os investidores poderão construir casas e lojas. Além disso, o município pagará mais R$ 525 milhões ao longo de 15 anos ao consórcio, para a manutenção de toda a área.

A construção do complexo esportivo provocará modificações no entorno. O Clube Esportivo Ultraleve (CEU) negocia uma nova área com a prefeitura. A favela Vila Autódromo também será removida, provavelmente até o início de 2014. Os moradores serão reassentados num conjunto a ser construído na Estrada dos Bandeirantes, a dois quilômetros da comunidade.

Local vai ganhar um hotel 4 estrelas
A parceria público-privada (PPP) firmada com a prefeitura prevê também que a concessionária Rio Mais, responsável pela transformação do autódromo no parque olímpico, se responsabilize por construir um hotel quatro estrelas em parte do terreno. O estabelecimento deve ser inaugurado até as Olimpíadas de 2016. Outra instalação prevista em contrato é o prédio para receber o centro de transmissões dos Jogos, que após o evento terá as instalações convertidas em salas comerciais.
— A proposta é que esse novo hotel tenha 400 leitos. A intenção é começarmos as obras já no ano que vem. Estamos em negociações com várias redes hoteleiras interessadas em se associar ao projeto — disse o presidente do consórcio Rio Mais, Fernando Pacheco.

O plano para conversão do centro de transmissões após os Jogos de 2016 ainda não foi fechado. Existe a possibilidade de que as salas comerciais sejam vendidas antes mesmo das Olimpíadas. Fernando disse que serão feitos estudos de demanda do mercado:
— Poderíamos ter até 600 salas de 30 metros quadrados. Mas pode ser que haja demanda por salas maiores.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/velodromo-do-pan-nao-sera-aproveitado-em-2016-5411619#ixzz23Qmi7VHz 

sábado, 21 de julho de 2012

Prefeitura lança edital para um novo velódromo


RIO - A prefeitura divulgou, na sexta-feira, no site de licitações do município (e-compras Rio), o edital para a elaboração dos projetos básico e executivo da construção de um espaço para as competições de ciclismo. Embora o termo reforma não apareça ao longo do documento, a Empresa Olímpica Municipal (EOM) informou em nota que ainda não foi decidido se o atual velódromo será substituído ou se será apenas adaptado às exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI). Ainda segundo a EOM, o edital valerá para qualquer um dos dois casos, e a definição ocorrerá até setembro, quando haverá a escolha da empresa.
No último domingo, o prefeito Eduardo Paes anunciou que pretende manter o velódromo construído para o Pan, fazendo apenas adaptações. O espaço foi reprovado pelo COI por não atender aos requisitos técnicos para receber competições olímpicas. De acordo com o edital, o velódromo será permanente e coberto, com capacidade para receber até 5.000 espectadores.
Esse não é o único “ódromo” envolto em polêmica. Em mais um capítulo da novela relacionada ao autódromo, o Ministério do Esporte garantiu que o terreno onde será erguido o novo espaço para competições não é minado. “Não há histórico de contaminação naquela área, que durante décadas foi utilizada pelo Exército Brasileiro para instruções e treinamentos de suas tropas, sem que haja registro de acidentes com artefatos explosivos”, diz a nota.