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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Plano Brasil Medalhas 2016: um plano emergencial ou o início da caminhada para sermos potência Olímpica?



Por Silvestre Cirilo*

Ao término dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, teve início o Ciclo Olímpico Rio 2016. Dessa vez, a discussão sobre o número de medalhas ganhas não teve espaço somente no dia seguinte ao término dos jogos, mas, ganhou a agenda da mídia, seja ela impressa ou televisiva, durante todo o período da competição. Pontualmente, podíamos visualizar a discussão acerca do rendimento brasileiro no quadro de medalhas e, do investimento financeiro feito nos últimos quatro anos. Investiu-se cerca de 250% a mais em detrimento de aumentarmos somente duas medalhas o nosso quadro de medalhas. Números foram contestados pelas partes envolvidas, certezas transformaram-se em decepções perante a nossa torcida e, ao final dos XXX Jogos Olímpicos, o governo anunciou a preparação de um plano visando os jogos de 2016.
Em setembro, o Ministro Aldo Rebelo e a Presidente Dilma Roussef, lançaram o Plano Brasil Medalhas 2016 e, conforme o único documento disponível até então (a apresentação feita nesse dia), faço uma análise desse plano visando a responder a pergunta do título. A apresentação é bem simples e abordam alguns poucos pontos revelando um caminho um pouco confuso para que consigamos atingir a meta proposta para 2016: top 10 nos Jogos Olímpicos e top 5 entre os Paralímpicos. Como estratégia o governo fala em melhorar o número de medalhas nos esportes em que já somos fortes (dentro dos esportes coletivos, voleibol e o basquete, com 19 e 5 medalhas, respectivamente e, individuais, como o judô (19 medalhas), a vela (17 medalhas), o atletismo (14 medalhas) e a natação (13 medalhas) são os destaques se considerarmos todas as participações brasileiras em Jogos Olímpicos desde 1920) e a conquista em esporte não medalhados anteriormente, incluindo aqui, os esportes individuais. Entretanto, falta uma análise mais profunda sobre quais seriam esses clusters, separando os esportes de acordo com o seu rendimento e a consequente oferta de medalhas, pois somente esse cruzamento de dados oferecerá um cenário mais claro indicando as reais chances de progresso. Nesse ínterim, destaca-se a China, com o seu Projeto 119 visando os jogos de Pequim 2008, no qual focou os esportes com amplo espectro de chances para melhoria do seu desempenho (em Atenas 2004, esse cluster respondia por 49% dos eventos Olímpicos e o país havia ganhado apenas 22% das medalhas em disputa). Algo que não ficou claro no plano apresentado por aqui.
Em relação ao investimento, os estudos revelam que o investimento quando o país é a sede dos Jogos Olímpicos aumentam, muito por conta do orgulho nacional em melhorar o seu desempenho e, pelo país participar de todas as modalidades esportivas. O Brasil prevê um investimento público na ordem de R$ 2,5 bilhões nesses próximos quatro anos. Um investimento que, talvez, não supere somente o montante investido pelos chineses que, além de buscarem o primeiro lugar no quadro de medalhas, apresentaram o esporte como uma política de supremacia mundial. Além de observarmos que, existe uma necessidade de se aumentar o montante investido para garantir o mesmo número de medalhas da edição anterior. No entanto, essa é uma conta não muito fácil de ser fechada, pois o montante investido geralmente se concentra no investimento público, mais fácil de obter os dados quando comparados com pretensos investimentos privados.  
Os dois últimos tópicos abordados relatam a estruturação esportiva e a governança do esporte. Nos estudos consultados sobre o primeiro tema, destacam-se os seguintes itens: acesso a treinadores de experiência internacional, medicina e ciência esportiva, equipamentos esportivos específicos para cada modalidade e a disputa de campeonatos de nível internacional. Algo que acontece em pequena escala e que, em quatro anos não há possibilidade de um aumento substancial nessas áreas. Estamos bastante atrasados quando comparados com China, Reino Unido e Austrália, por exemplo. Somado a isso, o fato de não contarmos com um sistema de identificação e desenvolvimento de talentos eficaz, como, por exemplo, os que têm China e Reino Unido. No quesito governança, o país não apresenta um cenário tão diferente quanto os percebidos ao redor do mundo, mostrando uma gestão voluntária na maioria das entidades esportivas, sendo isso uma questão inerente do esporte desde sempre, só mostrando diferença quando comparados com os EUA, que focam o seu esporte na escola/universidade e nas ligas profissionais. Em todo o mundo não é possível encontrar 100% de dedicação exclusiva por parte dos gestores por terem que trabalhar nas suas profissões de origem. No entanto, um ponto merece destaque nesse campo que é a gestão financeira integrada entre os entes envolvidos na busca do resultado Olímpico de 2016.
Concluindo e, ao mesmo tempo, respondendo a pergunta do título, esse plano apresenta um caráter mais emergencial em busca de melhores resultados em 2016, do que propriamente um pontapé na construção do Brasil Potência Olímpica. Para isso, devemos começar a pensar já num novo modelo de gestão esportiva no país, voltado a gestão por resultados com todos os seus elementos, desde a análise do ambiente até o controle proporcionado por metas e indicadores, passando por análises robustas dos resultados esportivos alcançados durante todo o ciclo. Adicionalmente, devemos nos preocupar na construção de um sistema eficaz de identificação e desenvolvimento de talentos, que permita abastecer a cadeia produtiva Olímpica, aumentando a quantidade de entrada e, consequentemente, gerando uma saída com maior qualidade ao nível Olímpico. Assim como, realizar a integração do esporte e da educação física em todo o território nacional seja ele, na prática escolar ou na gestão dos mesmos em todos os níveis governamentais com o auxílio da iniciativa privada e do terceiro setor. A discussão para o esporte brasileiro deve aproveitar a onda otimista gerada pela realização dos Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro visando o seu desenvolvimento sustentável e gerando vantagem competitiva quando comparado a outros sistemas ao redor do mundo. Só teremos resultados de potência Olímpica, se começarmos hoje a trabalhar numa perspectiva voltada ao fim da próxima década, haja vista que o Reino Unido atingiu a terceira posição nos últimos jogos com um trabalho iniciado em 1996 e, a China, que conta com uma tradição de mais de meio século na busca de uma sistematização esportiva que culminou num quadro crescente de melhora nos resultados esportivos nos Jogos Olímpicos desde o ano de 1984 e, que foi alcançar o primeiro lugar em 2008.      

*Formado em Educação Física, Mestre em Gestão e Estratégia e doutorando em educação física na Universidade Gama Filho. Contato: esporteegestao@gmail.com

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Associação de atletas pede para governo manter plano de repassar verbas olímpicas apenas para entidades com gestão profissional


Na última sexta-feira, a Associação Atletas pela Cidadania divulgou um manifesto que pede para o governo federal não recuar na decisão de exigir gestão mais profissional nas entidades olímpicas para repassar verbas públicas federais do plano Brasil Medalhas 2016. A organização é formada por atletas e ex-atletas nacionais de vários esportes, sendo presidida pela ex-jogadora de vôlei Ana Moser, e está engajada na melhoria do esporte nacional.

A entidade, que apoia a natureza do projeto, teme que o governo recue na decisão de repassar investimentos apenas para confederações que limitem o número de reeleições de seus mandatários e tenha mets claras de administração.

 “Nosso apoio a essa iniciativa era total e continua sendo. Mas, agora, muito nos alarma a possibilidade do governo recuar dessas exigências. (...)O recuo, tão próximo de uma conquista tão importante, seria lastimável e um descaso com todos que investem e trabalham arduamente pelo Esporte brasileiro”, diz trecho da nota divulgada. 

Na segunda semana de setembro, a presidente Dilma Roussef anunciou o lançamento do plano, que prevê R$ 1 bilhão de investimentos públicos federais no próximo ciclo olímpico. A meta é colocar o Brasil no top 10 do quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. 

Além de prever investimento em infraestrutura e dar um apoio substancial ao atleta, uma das exigências para as entidades receberem o dinheiro seria a gestão profissional - o que inclui uma limitação no número de reeleições de dirigentes no comando da confederação em questão. 

Fonte: http://espn.estadao.com.br/noticia/284125_associacao-de-atletas-pede-para-governo-manter-plano-de-repassar-verbas-olimpicas-apenas-para-entidades-com-gestao-profissional?timestamp=1348855407195

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Moralização só depois do Rio-2016


Por Gustavo Marcondes

Lançado na semana passada, o Plano Brasil Medalhas foi anunciado como um marco no investimento do governo no esporte de alto rendimento. De 2013 a 2016, será aportado R$ 1 bilhão extra no setor, a ser somado ao R$ 1,5 bilhão já previsto no ciclo até os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Com tanto dinheiro colocado nas mãos das confederações desportivas — que administrarão os recursos em conjunto com o Ministério do Esporte e comitês Olímpico e Paralímpico —, o ministro Aldo Rebelo aproveitou o momento para exigir a moralização dessas entidades.

Rebelo defende que o repasse de recursos públicos seja condicionado a medidas de democratização da administração das federações esportivas, como a alternância de poder. O ministro é entusiasta do projeto de lei do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que prevê a proibição de mais de uma reeleição a dirigentes esportivos, além de combater o nepotismo. À luz do lançamento do Plano Brasil Medalhas e das declarações de Aldo, criou-se a expectativa de que o governo só liberasse os R$ 2,5 bilhões do ciclo do Rio-2016 às entidades que se enquadrassem no novo modelo, mas não será dessa forma.

Segundo o Ministério do Esporte, a assinatura dos convênios entre confederações e entes públicos deve ocorrer em janeiro de 2013. Até lá, não há tempo para que o projeto de Cássio Cunha Lima, que atualmente se encontra em análise na Comissão de Educação do Senado Federal, se transforme em lei. E mesmo Rebelo tendo afirmado que, em tese, não seria necessária uma lei para que esse condicionamento fosse colocado em prática, o Ministério confirmou ao Correio, por meio de sua assessoria de imprensa, que os recursos destinados à preparação para a Olimpíada do Rio não serão travados pelo não cumprimento dessa orientação.

Dessa forma, as mesmas dinastias que comandam o esporte brasileiro há décadas, em alguns casos, serão responsáveis pela gestão do maior investimento da história do governo na área. A começar pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que está há 17 anos na presidência da entidade.

Das 21 modalidades olímpicas beneficiadas pelo Plano Brasil Medalha, nove têm presidentes há mais de 10 anos no poder, com “destaque” para os mandatários das confederações de Atletismo (Roberto Gesta de Melo, 25 anos no cargo), Desportos Aquáticos (Coaracy Nunes, 24), Handebol (Manuel Luiz Oliveira, 23) e Canoagem (João Tomasini, 23).

E caso o projeto de Cássio Cunha Lima se transforme em lei, esses e outros dirigentes poderão perpetuar-se no poder por mais oito anos. De acordo com a proposta, os atuais presidentes não seriam afetados pelas novas diretrizes, ou seja, teriam o direito de se candidatar ao cargos que já ocupam e ainda a mais uma reeleição.

“Não queremos que o projeto pareça atingir dirigentes específicos. Além disso, isso ajuda a diminuir a resistência à ideia no Congresso”, afirma o autor da projeto. “É um processo de transição no esporte brasileiro, mas que só vai corrigir essa prática de perpetuação de poder em oito ou 10 anos”, admite o senador.


Repercussão
Um dia depois do lançamento do Plano Brasil Medalhas, Aldo Rebelo deu uma entrevista ao programa Poder e Política, do UOL em parceria com a Folha de S. Paulo, e falou do assunto. O portal de internet divulgou a notícia dizendo que, segundo o ministro, o “governo só dará dinheiro a confederações que alternem poder”. À Veja, Aldo disse que “Vamos criar um índice nacional que valorizará as entidades que modernizarem sua gestão. As que não cumprirem as metas não terão o apoio do governo.”

Fonte: http://www.superesportes.com.br/app/19,66/2012/09/23/noticia_maisesportes,36919/moralizacao-so-depois-do-rio-2016.shtml

Brasil quer ampliar número de medalhas, diz Dilma


Presidente citou o Plano Medalhas, que prevê investimentos de R$ 1 bilhão na preparação de atletas

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (24) que o governo pretende ampliar o número de medalhas conquistadas por atletas brasileiros nas Olimpíadas e nas Paralimpíadas de 2016. Ela lembrou que o Plano Brasil Medalhas, lançado este mês, prevê investimentos de R$ 1 bilhão na preparação dos esportistas.

“Nosso objetivo é garantir as melhores condições de treinamento para nossos atletas, para que eles possam se dedicar integralmente ao esporte”, disse. “Os atletas são grandes exemplos para todos nós pela sua determinação em superar obstáculos, pela sua disciplina e pela persistência na busca do melhor resultado”, completou.

No programa semanal Café com a Presidenta, Dilma destacou que o governo está “aprimorando” o Bolsa Atleta por meio do Bolsa Pódio, que vai pagar entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por mês a atletas brasileiros de modalidades individuais que estiverem entre os 20 melhores do mundo. A previsão de investimentos é R$ 690 milhões até 2016.

A presidenta lembrou ainda que o Plano Brasil Medalhas vai oferecer aos técnicos bolsas de R$ 10 mil ao mês e que cada modalidade esportiva vai contar com equipes multidisciplinares de apoio, integradas por médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos.

“O trabalho desse time de profissionais pode ser decisivo para a vitória, porque esses profissionais acompanham a rotina de treinamento dos atletas e os ajudam a corrigir e aprimorar cada detalhe. Muitas vezes, a vitória é decidida por um detalhezinho, um centésimo de segundo ou a distância de um milímetro”, disse.

Por fim, Dilma comentou os R$ 310 milhões previstos para construção, reforma e equipagem de 22 centros de treinamento de alto nível. “Nesses centros, os atletas vão ter acesso ao que há de mais avançado na ciência do esporte. Estamos apoiando também a instalação de centros regionais em todo o nosso país, porque queremos levar os benefícios da Olimpíada do Rio para todo o Brasil”, concluiu.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10763/BRASIL+QUER+AMPLIAR+NUMERO+DE+MEDALHAS+DIZ+DILMA.html

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Confira entrevista do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, à revista Veja


Entrevista com Aldo Rebelo

O ministro do Esporte critica o excesso de jogos do escrete brasileiro, não teme problemas na Copa e promete atrelar patrocínios oficiais a melhor desempenho de atletas e cartolas

Otávio Cabral

Aldo Rebelo é um político acostumado a missões delicadas. Entrou no ministério de Lula para conter a crise causada pelo primeiro escândalo envolvendo José Dirceu, o caso Waldomiro Diniz. Presidiu a Câmara dos Deputados depois da renúncia de Severino Cavalcanti. Comunista histórico, foi escalado para relatar o Código Florestal, quando deu um exemplo de bom-senso que desagradou aos companheiros de esquerda. Há dez meses, assumiu o Ministério do Esporte, que coordenará a organização da Copa do Mundo e da Olimpíada. Apesar do potencial de problemas dos eventos, Aldo avalia que o atual planejamento evitará grandes falhas. Aos 56 anos, ele só perde um pouco o otimismo ao falar de dirigentes, da seleção de futebol e do desempenho do Brasil em Londres.

A seleção brasileira fez dois jogos no Brasil que não encheram os estádios e não agradaram à torcida. Há um processo de elitização do futebol? A seleção não atrai mais o torcedor?
Há um evidente processo de elitização, o que pode ser prejudicial ao futebol, que é uma instituição que nasceu no Brasil à margem do mercado e do estado. É uma instituição essencialmente popular, que deu aos pobres seus grandes ídolos, como Friedenreich, Fausto "Maravilha Negra", Leônidas da Silva, Domingos da Guia, Pelé, Neymar... Quando o mercado se apropria dessa instituição, o torcedor deixa de se comportar como um apaixonado pelo esporte e passa a ser um consumidor do produto. Isso é legítimo, mas traz um risco ao próprio negócio. Se o produto não for de boa qualidade ou for banalizado, o público se desencantará. A seleção brasileira está exposta a jogos que têm apenas interesse comercial, com adversários fracos como África do Sul e China. A convocação da seleção era um evento que parava o país. Hoje, alcançou um grau de vulgaridade que não impressiona mais a ninguém. Os dirigentes precisam levar isso em conta em benefício do próprio futebol. A seleção brasileira está vulgarizada e banalizada. Isso é um problema a dois anos da Copa do Mundo no Brasil.

A seleção deixou de interessar ao público?
Sem dúvida. Hoje, o torcedor dá muito mais valor a seu clube do que à seleção. E, muitas vezes. vai ao estádio para vaiar na seleção o atleta do adversário, como aconteceu com o Neymar no amistoso contra a África do Sul. O público está praticamente desprezando a seleção. A culpa não é do torcedor, mas do espetáculo que ele recebe.

Há um risco de esse desprezo à seleção chegar ao ápice se o Brasil tiver um mau desempenho em 2014?
A Copa costuma reconstituir o espírito do torcedor de seleção. É um momento em que, apesar das decepções, a torcida trata bem os jogadores. Ainda mais em casa.

O torcedor comum conseguirá ver o Brasil nos estádios ou o preço dos ingressos será um impeditivo?
Pela forma como é organizada, a Copa já é um evento restrito. A maioria da população não vai passar nem perto dos estádios, pois o Brasil terá de garantir ingressos para torcedores do mundo inteiro. Não dá para fazer uma Copa do Mundo com outros 31 países e reservar entradas apenas para os brasileiros. A Copa é um torneio ao qual o torcedor comum praticamente não tem acesso. Conseguir um ingresso é quase como ganhar na loteria.

Um fracasso dentro de campo é um risco concreto. E, fora dos campos, o que mais preocupa o governo hoje?
A Copa e a Olimpíada não têm muito mistério nem segredo. Exigem apenas muito trabalho. O governo está controlando tudo de perto, já visitei pelo menos três vezes cada cidade-sede. As obras estão dentro do prazo, mas não se pode descuidar. Por isso, o Brasil fez um acordo com as duas cidades que organizaram os Jogos Olímpicos anteriores - Pequim e Londres - para não deixar que erros sejam repetidos, principalmente em transporte, telecomunicações e segurança.

Há o risco de algum estádio não ficar pronto a tempo para a Copa das Confederações?
O limite é novembro, quando os estádios precisam estar preparados para o sorteio das chaves da Copa das Confederações, que começa em junho de 2013. Logo depois do sorteio, inicia-se a venda de ingressos e de espaços publicitários. O governo espera que todos estejam prontos, mas os que não estiverem ficarão de fora, não há segunda chance. O mais atrasado hoje é o de Recife, é o que mais preocupa.

A violência da torcida é uma preocupação?
A violência é um problema que foi muito reduzido dentro dos estádios e que hoje ocorre mais longe dos campos. Para que se reduza ainda mais o risco, os ministérios do Esporte e da Justiça farão um acordo para colocar câmeras nos estádios, banir os torcedores violentos e acompanhar permanentemente as torcidas que usam a internet para marcar brigas. O combate a esses grupos não pode se restringir aos estádios. E preciso acabar com a impunidade para garantir ao torcedor comum o direito de acompanhar o futebol em paz.

Como o senhor qualifica o desempenho do Brasil na Olimpíada de Londres? Foi pior do que a previsão do governo?
Era previsível que o Brasil tivesse um desempenho melhor do que a média das últimas Olimpíadas porque os investimentos foram ampliados. O Comitê Olímpico Brasileiro previa quinze medalhas e o governo achava que dava para chegar a vinte, mas ficamos em dezessete. Melhoramos em esportes individuais, como judô e boxe, e decepcionamos mais uma vez no futebol, em uma prova de que não há relação direta entre a prática em larga escala e a conquista da medalha de ouro. Mas é fato que teremos de melhorar muito para 2016, porque existe uma responsabilidade como país-sede e precisamos de um desempenho compatível com essa expectativa.

O Plano Brasil Medalha, que prevê investimento extra de 970 milhões de reais nos esportes olímpicos, não chegou muito tarde?
É claro que se nós tivéssemos cuidado disso quatro anos antes poderíamos ter uma perspectiva melhor, mas ainda é possível aprimorar nosso desempenho em relação a Londres. Há um atraso histórico do esporte no Brasil que não pode ser revertido em quatro anos. Ainda existem mais de 10 000 escolas que nem água ou luz têm, então não é possível imaginar ter equipamentos esportivos decentes.

No último ciclo olímpico, o governo gastou 2 bilhões de reais. O resultado foram apenas dezessete medalhas. Não é necessário melhorar o critério de investimento em atletas para obter resultados superiores?
O critério tem de ser o da meritocracia. Os atletas contemplados com apoio estatal tinham um desempenho compatível com o investimento nas competições preparatórias, antes de a Olimpíada começar. Mas nem todos conseguiram fazer o sucesso esperado em Londres. O nosso critério continuará sendo o do mérito. Quem teve bom desempenho receberá mais recursos públicos do que aqueles que decepcionaram.

Os dirigentes têm culpa desse fraco desempenho?
Há necessidade de mudanças urgentes na estrutura das confederações. Democratização e profissionalismo são as palavras-chave. É preciso limitar o tempo de mandato dos dirigentes a três ou quatro anos, com direito a apenas uma reeleição. Esse modelo força o dirigente a perseguir bons resultados, porque, não dispondo da entidade a vida inteira, ele tem de ser vencedor em um prazo curto. Sem bons resultados, a eleição seguinte fica em risco.

De que instrumentos o governo dispõe para garantir que os dirigentes não se perpetuem no poder?
O governo quer condicionar os benefícios públicos para as confederações ao cumprimento de critérios de transparência, modernização e democracia. Vamos criar um índice nacional que valorizará as entidades que modernizarem sua gestão. Estas serão beneficiadas por patrocínio de estatais, isenções fiscais e transferência direta de recursos. As que não cumprirem as metas não terão o apoio do governo.

Ricardo Teixeira renunciou à presidência da CBF, mas foi contratado como consultor da Copa. José Maria Marin, que sucedeu a ele, acumula salários como presidente da CBF e do comitê organizador da Copa. A gestão do futebol pós-Teixeira avançou?
A CBF sempre resistiu a receber dinheiro público porque isso levaria a uma fiscalização dos órgãos do estado. Sem dinheiro público, não há como fiscalizar, o que faz da entidade uma caixa-preta. Mas essa situação não tem mais como perdurar. A CBF também precisará adotar uma gestão mais democrática e transparente.

A venda de bebidas será mesmo liberada nos Jogos?
A legislação vai autorizar a venda de cerveja. Não há por que não vender. Não tem sentido fazer um evento desses sem cerveja nos estádios. Diz o Mario Filho, em seu livro O Negro no Futebol Brasileiro, que os ingleses que vieram trabalhar na fábrica de tecidos de Bangu e foram construir o estádio de Moça Bonita começaram a obra pelo bar. A partir do bar fizeram o estádio. É uma relação histórica no esporte, tanto aqui como no exterior. Você vai à Europa e aos Estados Unidos e há um consumo controlado – a polícia britânica prendia quem estava bêbado e incomodando. Então o Brasil tomou uma decisão equilibrada.

O Tribunal de Contas da União aponta uma série de suspeitas sobre as obras da Copa. O que é possível fazer para que Copa e Olimpíada não se tornem um festival de desvio de dinheiro público?
Onde há recursos da União o controle é rigoroso, envolvendo ministérios, a Controladoria-Geral da União e os tribunais de contas. Até agora. Cada centavo em recurso público tem sido rigorosamente controlado. Onde houver desvio não haverá mais verbas da União até que o problema seja resolvido. Esse controle não pode ser afrouxado.

Quando se pensa no legado permanente que ficará para o Brasil, terá valido a pena sediar as duas competições?
Todo estudo de consultoria privada, como a Fundação Getulio Vargas e a Ernst & Young, afirma que os dois eventos vão gerar 16 milhões de empregos e o acréscimo ao PIB será de 0,4% ao ano até 2019. Haverá ampliação dos investimentos públicos e, principalmente, dos privados. Ainda temos a estimativa de aumento da arrecadação tributária, a modernização de equipamentos e a revitalização de setores essenciais da economia. A participação do esporte no PIB brasileiro vai crescer. As construtoras brasileiras vão adquirir tecnologia que poderá ser aproveitada no setor público e no privado. A qualidade dos serviços na área de telecomunicações vai melhorar muito. Será também uma oportunidade de o Brasil aprimorar o que já faz com eficiência e superar as deficiências históricas. Esses eventos impõem ao país a superação. Então o Brasil deve olhá-los com otimismo.

O senhor foi o relator do Código Florestal na Câmara, quando desagradou à esquerda ao defender os produtores rurais. A mesma esquerda reclama agora do projeto de privatizações do governo. A ideologia ainda é um obstáculo ao crescimento do Brasil?
Tenho muito orgulho do meu trabalho no Código Florestal. Tudo o que fiz foi pelo interesse do país. Se eu, como deputado e como brasileiro, não defendesse os interesses da pequena, da média e da grande agricultura do meu país, não me sentiria bem. Produzir alimentos é um dever essencial para o interesse público, principalmente dos pobres, que precisam de comida em grande quantidade, acessível e a baixo custo. O Brasil também precisa do campo para equilibrar as contas externas, que têm se mantido no azul graças ao dinamismo da agricultura. O que eu fiz é o que todos os países fizeram. A antiga União Soviética defendeu sua agricultura, a França defende sua agricultura, os Estados Unidos defendem sua agricultura e eu defendi nossa agricultura. Temos de equilibrar a preservação do meio ambiente com a produção agrícola. Foi o que procurei fazer. Nem todos compreenderam. Há gente que só vê um lado da questão. É da mesma natureza a crítica ao pacote de privatização da presidente Dilma. Esses críticos não enxergam que a presidente objetiva arrancar os obstáculos ao crescimento do país.

Fonte: http://www.esporte.gov.br/ascom/noticiaDetalhe.jsp?idnoticia=9396

L! Opina: Tem que ser além de 2016


Anunciado na semana passada pela presidente Dilma Rousseff, o projeto Brasil Medalhas 2016 representa um avanço, mas não pode ser visto como um fim. É apenas uma parte das transformações de que o país precisa. Para o Brasil tornar-se de fato uma potência olímpica, é indispensável uma política nacional de esportes, a construção de um sistema que seja sólido e tenha êxito em duas dimensões: a prática esportiva de base e o esporte de alto rendimento. Uma não existe sem a outra.
Não há país olimpicamente forte se não houver a massificação do esporte. A própria presidente, em seu discurso, reconheceu a necessidade de investimentos na base. Pois a mudança está nas mãos dela. Seu governo precisa fazer cumprir o que recomenda a Organização Mundial de Saúde: incluir um mínimo de cinco horas semanais de prática esportiva no currículo escolar. Este é, inclusive, compromisso de legado da Olimpíada do Rio para rede municipal de ensino. Que não apenas tem de ser cumprido, mas que deve ser ampliado para todo o país.
Ao Brasil cabe qualificar e reconhecer os professores de educação física, integrar os programas federais, estaduais e municipais de educação e estimular competições estudantis nos três níveis. São elas que vão fazer surgir os novos talentos. Aqueles que passarão às disputas de alto rendimento. E que, neste ponto, entrarão na segunda dimensão do sistema.
A proposta do governo é ambiciosa nesta área. Mas balança entre a virtude da intenção e o equívoco do tempo. Foca nos atletas, através dos programas de bolsas, assegurando uma vida digna e condições ideais de treinamento. Foca na compra de equipamentos e na construção de centros de excelência para os esportes olímpicos e paralímpicos. Medidas que podem e devem até gerar avanços pontuais no quadro de medalhas. Mas que para dar resultados significativos devem ir muito além de 2016, transformando o Brasil num país verdadeiramente esportivo.
Das federações e confederações cabe ao governo exigir contrapartidas. É fundamental termos uma gestão profissional em que os dirigentes possam ser remunerados, respondam a conselhos independentes e tenham metas objetivas de resultados a serem atingidas como requisito básico para receber os recursos públicos. E os que não cumpri-las devem sair.
A hora é de decidirmos onde queremos chegar. Não queremos ser uma Espanha ou uma Grécia, que jamais conseguiram repetir sequer os resultados medianos que obtiveram em Barcelona-1992 ou Atenas-2004, deixando à mostra a fragilidade de uma política oportunista de uma Olimpíada só. Melhor ser um Reino Unido, que a cada quatro anos evolui em suas conquistas encerrando, em Londres, sua melhor participação nos Jogos da era moderna. Estamos atrasados. Mas a partida pode não estar perdida. Vontade política de fazer é o início da virada.

Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/minuto/LANCE-Opina_0_776322368.html#ixzz26pAKCng0 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Plano Brasil Medalhas prevê mais R$ 1 bilhão de investimentos no Esporte


Objetivo é colocar o Brasil em 10º lugar no ranking de medalhas

Por Maria Carolina Lopes, do R7 em Brasília

A presidente Dilma Rousseff e o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, lançaram nesta quinta-feira (13) o plano Brasil Medalhas. O programa irá investir R$ 1 bilhão para apoio aos atletas e construção de centros de treinamento.

Os recursos, previstos para serem aplicados a partir de 2013,  vão se somar ao R$ 1,5 bilhão já destinado para os esportes de alto rendimento. De R$ 1 bilhão, R$ 690 milhões serão destinados a medidas de apoio a atletas e R$ 310 milhões para construir e reformar centros de treinamento.

Para levar os recursos até os atletas, o plano vai oferecer uma bolsa pódio aos esportistas de alto rendimento, que vão receber R$ 15 mil por mês. Já os técnicos e equipes de financiamento serão financiados com R$ 10 mil por mês, cada.  

Os investimentos prioritários vão para 21 modalidades olímpicas e 15 paraolímpicas, que o governo considera ter mais chances de medalhas.  Cada atleta também receberá também R$ 20 mil mensais para financiar materiais esportivos.  De acordo com o ministro Aldo Rebelo, cerca de 200 atletas serão beneficiados.

-Os beneficiários serão selecionados a partir de critérios de necessidade, além de mérito.

Você acha que a diretoria do Palmeiras acertou em demitir Felipão?

Outros R$ 310 milhões serão investidos para construir e reformar locais para treinamento. Serão  construídos 22 centros olímpicos e um paraolímpico.

O objetivo do governo é colocar o Brasil entre os dez primeiros colocados no quadro de medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016 e entre os cinco primeiros nos Jogos Paraolímpicos. Com 17 medalhas no total nos Jogos de Londres, o Brasil ficou em 22º lugar no ranking de medalhas, atrás de países como Irã e Cazaquistão.

Olimpíadas escolares

No ato de assinatura do plano, a presidente Dilma Rousseff levantou a ideia de se fazer jogos esportivos escolares, semelhantes às olímpiadas de matemática. 

-Nós estamos organizando, da mesma forma que as olímpiadas da matemática, também a nossa olímpiada de atletismo para jovens, para que as escolas e todos os segmentos possam participar. 

Na cerimônia, o nadador paraolímpico Daniel Dias, que tem seis medalhas de ouro, agradeceu pelos investimentos também aos atletas paraolímpicos. Já a a líbero da seleção de vôlei feminina duas vezes campeã olímpica, Fabi, aproveitou o discurso para sugerir ao governo a instituição de uma aposentadoria por mérito para atletas medalhistas.

Fonte: http://esportes.r7.com/esportes-olimpicos/noticias/plano-brasil-medalhas-preve-mais-r-1-bilhao-de-investimentos-no-esporte-20120913.html