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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Qual o caminho para o sonho olímpico brasileiro?


País precisa ampliar leque de esportes para ficar entre os dez melhores

RIO - Não vai ser nada fácil. Mas nos Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil quer ser, pela primeira vez, “top 10” no quadro de medalhas. Em Londres 2012, o país obteve o recorde de 17 medalhas, sendo três ouros, cinco pratas e nove bronzes. Pelo número de ouros - critério adotado mundialmente -, ficou em 22º lugar, e pelo total de medalhas - adotado apenas pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) -, em 14º (levando em conta os empates entre países com o mesmo número). Diante disso, como o Brasil conseguirá ser “top 10” em 2016?
Dinheiro, parece que não vai faltar. A presidente Dilma Rousseff anunciou, em setembro, o Plano Brasil Medalhas 2016, com um investimento de R$ 1 bilhão para pôr o Brasil entre os primeiros. Cerca de R$ 690 milhões irão para o apoio a atletas, e R$ 310 milhões, para 22 centros de treinamento (CTs). Agora, cabe aos gestores do esporte elaborar projetos. Verbas, a bem da verdade, não faltaram ao COB e ao esporte de alto rendimento, entre 2009 e 2012. O montante foi de R$ 1,7 bilhão, muito mais que os R$ 280 milhões de 2001 a 2004. Vale lembrar que em Atenas, em 2004, os atletas brasileiros obtiveram cinco ouros, duas pratas e três bronzes, num total de dez pódios. Os cinco ouros são o recorde olímpico do país.
- Nossa meta é colocar o Brasil entre os dez primeiros do mundo, considerando o número total de medalhas em 2016. Para isso, começamos com antecedência, desenhando o Plano Estratégico a partir de 2009, quando o Brasil ganhou o direito de sediar os Jogos - afirma o superintendente-executivo de esportes do COB, Marcus Vinícius Freire. - Começamos a aumentar o leque das modalidades medalhistas, com medalhas inéditas no pentatlo moderno, na ginástica e com as três do boxe, que não subia ao pódio olímpico desde 1968. Isso mostra que estamos no caminho certo para a nossa meta. Um CT exclusivo para o Brasil (em Crystal Palace, em Londres) e o projeto Vivência Olímpica (jovens com potencial para 2016 que foram levados a Londres para conhecer o ambiente olímpico) também foram muito bem avaliados.
Na opinião do dirigente, para que o país se torne uma potência olímpica, é preciso dedicação de governo federal, COB, confederações, federações olímpicas e patrocinadores.
- O Brasil apresenta uma curva de crescimento que tende a nos levar ao 10º lugar em casa - diz Freire.
Para alcançar o objetivo, o COB distingue as modalidades em vitais, potenciais, contribuintes e de legado. É preciso ganhar ainda mais nas vitais, as em que já se tem bom histórico (vôlei, futebol, natação, judô, iatismo); reforçar as ações nas potenciais (boxe, ginástica); apoiar as modalidades contribuintes (pentatlo moderno, levantamento de peso); e investir em modalidades de legado (para o futuro). A questão no Brasil é como em menos de quatro anos se poderia desenvolver os vários esportes. Na Grã-Bretanha, sede do megaevento deste ano, o país anfitrião festejou o terceiro lugar em ouros, com 29, atrás de EUA e China. No total, ficaria em quarto, com 65 (29 ouros, 17 pratas e 19 bronzes).
- Começamos a preparar nossa delegação há sete anos - explicou ao GLOBO, em Londres, o lorde Colin Moynihan, diretor-geral da Associação Olímpica Britânica. - Nós nos saímos melhor do que esperávamos. Tínhamos uma boa expectativa, porque temos muitos atletas de talento, mas não acreditávamos que pudéssemos bater a Rússia.
Na ocasião, Moynihan explicou que seu país contava com um fundo em favor dos atletas, com recursos das loterias. Órgão governamental responsável pelo esporte de alto rendimento, o UK Sport havia investido 264 milhões de libras (R$ 834 milhões) de 2009 a 2012.
De acordo com Freire, o COB apoia diversos projetos apresentados pelas confederações, muitos deles com foco nas equipes de base, através da Lei Agnelo Piva (percentual das loterias reverte para o esporte). O trabalho entre o COB e as confederações é feito em conjunto, com intensa troca de informações:
- Os resultados obtidos por boxe, pentatlo moderno e ginástica artística em Londres 2012 mostram que estamos ampliando o leque de modalidades medalhistas olímpicas, sem esquecer as modalidades de maior tradição no Brasil.
Em alguns casos, o COB busca as federações internacionais, como as de badminton e tiro com arco, além de contratar técnicos estrangeiros. O superintendente destaca algumas ações, como o CT Time Brasil, no antigo autódromo de Jacarepaguá; a contratação do consultor americano Steve Roush, ex-dirigente do Comitê Olímpico dos Estados Unidos; o Instituto Olímpico, que forma gestores; a aplicação da Ciência do Esporte; e alguns projetos especiais.
- O COB trabalha incessantemente, e a evolução dos resultados nas principais competições internacionais comprovam isso. Porém, descobrir talentos agora em 2012 para medalhar em 2016 é quase impossível — admite Freire.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/qual-caminho-para-sonho-olimpico-brasileiro-6531270#ixzz2AODTBTcY 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Plano Brasil Medalhas 2016: um plano emergencial ou o início da caminhada para sermos potência Olímpica?



Por Silvestre Cirilo*

Ao término dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, teve início o Ciclo Olímpico Rio 2016. Dessa vez, a discussão sobre o número de medalhas ganhas não teve espaço somente no dia seguinte ao término dos jogos, mas, ganhou a agenda da mídia, seja ela impressa ou televisiva, durante todo o período da competição. Pontualmente, podíamos visualizar a discussão acerca do rendimento brasileiro no quadro de medalhas e, do investimento financeiro feito nos últimos quatro anos. Investiu-se cerca de 250% a mais em detrimento de aumentarmos somente duas medalhas o nosso quadro de medalhas. Números foram contestados pelas partes envolvidas, certezas transformaram-se em decepções perante a nossa torcida e, ao final dos XXX Jogos Olímpicos, o governo anunciou a preparação de um plano visando os jogos de 2016.
Em setembro, o Ministro Aldo Rebelo e a Presidente Dilma Roussef, lançaram o Plano Brasil Medalhas 2016 e, conforme o único documento disponível até então (a apresentação feita nesse dia), faço uma análise desse plano visando a responder a pergunta do título. A apresentação é bem simples e abordam alguns poucos pontos revelando um caminho um pouco confuso para que consigamos atingir a meta proposta para 2016: top 10 nos Jogos Olímpicos e top 5 entre os Paralímpicos. Como estratégia o governo fala em melhorar o número de medalhas nos esportes em que já somos fortes (dentro dos esportes coletivos, voleibol e o basquete, com 19 e 5 medalhas, respectivamente e, individuais, como o judô (19 medalhas), a vela (17 medalhas), o atletismo (14 medalhas) e a natação (13 medalhas) são os destaques se considerarmos todas as participações brasileiras em Jogos Olímpicos desde 1920) e a conquista em esporte não medalhados anteriormente, incluindo aqui, os esportes individuais. Entretanto, falta uma análise mais profunda sobre quais seriam esses clusters, separando os esportes de acordo com o seu rendimento e a consequente oferta de medalhas, pois somente esse cruzamento de dados oferecerá um cenário mais claro indicando as reais chances de progresso. Nesse ínterim, destaca-se a China, com o seu Projeto 119 visando os jogos de Pequim 2008, no qual focou os esportes com amplo espectro de chances para melhoria do seu desempenho (em Atenas 2004, esse cluster respondia por 49% dos eventos Olímpicos e o país havia ganhado apenas 22% das medalhas em disputa). Algo que não ficou claro no plano apresentado por aqui.
Em relação ao investimento, os estudos revelam que o investimento quando o país é a sede dos Jogos Olímpicos aumentam, muito por conta do orgulho nacional em melhorar o seu desempenho e, pelo país participar de todas as modalidades esportivas. O Brasil prevê um investimento público na ordem de R$ 2,5 bilhões nesses próximos quatro anos. Um investimento que, talvez, não supere somente o montante investido pelos chineses que, além de buscarem o primeiro lugar no quadro de medalhas, apresentaram o esporte como uma política de supremacia mundial. Além de observarmos que, existe uma necessidade de se aumentar o montante investido para garantir o mesmo número de medalhas da edição anterior. No entanto, essa é uma conta não muito fácil de ser fechada, pois o montante investido geralmente se concentra no investimento público, mais fácil de obter os dados quando comparados com pretensos investimentos privados.  
Os dois últimos tópicos abordados relatam a estruturação esportiva e a governança do esporte. Nos estudos consultados sobre o primeiro tema, destacam-se os seguintes itens: acesso a treinadores de experiência internacional, medicina e ciência esportiva, equipamentos esportivos específicos para cada modalidade e a disputa de campeonatos de nível internacional. Algo que acontece em pequena escala e que, em quatro anos não há possibilidade de um aumento substancial nessas áreas. Estamos bastante atrasados quando comparados com China, Reino Unido e Austrália, por exemplo. Somado a isso, o fato de não contarmos com um sistema de identificação e desenvolvimento de talentos eficaz, como, por exemplo, os que têm China e Reino Unido. No quesito governança, o país não apresenta um cenário tão diferente quanto os percebidos ao redor do mundo, mostrando uma gestão voluntária na maioria das entidades esportivas, sendo isso uma questão inerente do esporte desde sempre, só mostrando diferença quando comparados com os EUA, que focam o seu esporte na escola/universidade e nas ligas profissionais. Em todo o mundo não é possível encontrar 100% de dedicação exclusiva por parte dos gestores por terem que trabalhar nas suas profissões de origem. No entanto, um ponto merece destaque nesse campo que é a gestão financeira integrada entre os entes envolvidos na busca do resultado Olímpico de 2016.
Concluindo e, ao mesmo tempo, respondendo a pergunta do título, esse plano apresenta um caráter mais emergencial em busca de melhores resultados em 2016, do que propriamente um pontapé na construção do Brasil Potência Olímpica. Para isso, devemos começar a pensar já num novo modelo de gestão esportiva no país, voltado a gestão por resultados com todos os seus elementos, desde a análise do ambiente até o controle proporcionado por metas e indicadores, passando por análises robustas dos resultados esportivos alcançados durante todo o ciclo. Adicionalmente, devemos nos preocupar na construção de um sistema eficaz de identificação e desenvolvimento de talentos, que permita abastecer a cadeia produtiva Olímpica, aumentando a quantidade de entrada e, consequentemente, gerando uma saída com maior qualidade ao nível Olímpico. Assim como, realizar a integração do esporte e da educação física em todo o território nacional seja ele, na prática escolar ou na gestão dos mesmos em todos os níveis governamentais com o auxílio da iniciativa privada e do terceiro setor. A discussão para o esporte brasileiro deve aproveitar a onda otimista gerada pela realização dos Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro visando o seu desenvolvimento sustentável e gerando vantagem competitiva quando comparado a outros sistemas ao redor do mundo. Só teremos resultados de potência Olímpica, se começarmos hoje a trabalhar numa perspectiva voltada ao fim da próxima década, haja vista que o Reino Unido atingiu a terceira posição nos últimos jogos com um trabalho iniciado em 1996 e, a China, que conta com uma tradição de mais de meio século na busca de uma sistematização esportiva que culminou num quadro crescente de melhora nos resultados esportivos nos Jogos Olímpicos desde o ano de 1984 e, que foi alcançar o primeiro lugar em 2008.      

*Formado em Educação Física, Mestre em Gestão e Estratégia e doutorando em educação física na Universidade Gama Filho. Contato: esporteegestao@gmail.com

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Moralização só depois do Rio-2016


Por Gustavo Marcondes

Lançado na semana passada, o Plano Brasil Medalhas foi anunciado como um marco no investimento do governo no esporte de alto rendimento. De 2013 a 2016, será aportado R$ 1 bilhão extra no setor, a ser somado ao R$ 1,5 bilhão já previsto no ciclo até os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Com tanto dinheiro colocado nas mãos das confederações desportivas — que administrarão os recursos em conjunto com o Ministério do Esporte e comitês Olímpico e Paralímpico —, o ministro Aldo Rebelo aproveitou o momento para exigir a moralização dessas entidades.

Rebelo defende que o repasse de recursos públicos seja condicionado a medidas de democratização da administração das federações esportivas, como a alternância de poder. O ministro é entusiasta do projeto de lei do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que prevê a proibição de mais de uma reeleição a dirigentes esportivos, além de combater o nepotismo. À luz do lançamento do Plano Brasil Medalhas e das declarações de Aldo, criou-se a expectativa de que o governo só liberasse os R$ 2,5 bilhões do ciclo do Rio-2016 às entidades que se enquadrassem no novo modelo, mas não será dessa forma.

Segundo o Ministério do Esporte, a assinatura dos convênios entre confederações e entes públicos deve ocorrer em janeiro de 2013. Até lá, não há tempo para que o projeto de Cássio Cunha Lima, que atualmente se encontra em análise na Comissão de Educação do Senado Federal, se transforme em lei. E mesmo Rebelo tendo afirmado que, em tese, não seria necessária uma lei para que esse condicionamento fosse colocado em prática, o Ministério confirmou ao Correio, por meio de sua assessoria de imprensa, que os recursos destinados à preparação para a Olimpíada do Rio não serão travados pelo não cumprimento dessa orientação.

Dessa forma, as mesmas dinastias que comandam o esporte brasileiro há décadas, em alguns casos, serão responsáveis pela gestão do maior investimento da história do governo na área. A começar pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que está há 17 anos na presidência da entidade.

Das 21 modalidades olímpicas beneficiadas pelo Plano Brasil Medalha, nove têm presidentes há mais de 10 anos no poder, com “destaque” para os mandatários das confederações de Atletismo (Roberto Gesta de Melo, 25 anos no cargo), Desportos Aquáticos (Coaracy Nunes, 24), Handebol (Manuel Luiz Oliveira, 23) e Canoagem (João Tomasini, 23).

E caso o projeto de Cássio Cunha Lima se transforme em lei, esses e outros dirigentes poderão perpetuar-se no poder por mais oito anos. De acordo com a proposta, os atuais presidentes não seriam afetados pelas novas diretrizes, ou seja, teriam o direito de se candidatar ao cargos que já ocupam e ainda a mais uma reeleição.

“Não queremos que o projeto pareça atingir dirigentes específicos. Além disso, isso ajuda a diminuir a resistência à ideia no Congresso”, afirma o autor da projeto. “É um processo de transição no esporte brasileiro, mas que só vai corrigir essa prática de perpetuação de poder em oito ou 10 anos”, admite o senador.


Repercussão
Um dia depois do lançamento do Plano Brasil Medalhas, Aldo Rebelo deu uma entrevista ao programa Poder e Política, do UOL em parceria com a Folha de S. Paulo, e falou do assunto. O portal de internet divulgou a notícia dizendo que, segundo o ministro, o “governo só dará dinheiro a confederações que alternem poder”. À Veja, Aldo disse que “Vamos criar um índice nacional que valorizará as entidades que modernizarem sua gestão. As que não cumprirem as metas não terão o apoio do governo.”

Fonte: http://www.superesportes.com.br/app/19,66/2012/09/23/noticia_maisesportes,36919/moralizacao-so-depois-do-rio-2016.shtml

sábado, 25 de agosto de 2012

Armstrong e o custo da vitória a qualquer preço


Por Erich beting

Lance Armstrong desistiu da luta para tentar provar que não se dopava e, ao que tudo indica, perderá o direito de se dizer heptacampeão da Volta da França. O maior nome do ciclismo mundial, que com sua história de superação após quase morrer de câncer e voltar para ganhar sete vezes o mais tradicional evento do esporte, acusou o golpe, desistiu de provar que não se dopou e, agora, é manchete em todo o mundo exatamente por conta daquilo que sempre negou fazer.

Mas será que o problema é só de Armstrong ou de toda a indústria do esporte nos dias atuais?

O quanto é possível para o ser humano atingir esforços sobrenaturais e performances astronômicas? O quanto o modelo que impera no mercado contribui para que os fins justifique os meios?

Armstrong só foi pego no antidoping porque sua urina foi congelada e analisada cerca de 15 anos depois de ele ter tido a performance vencedora. Naquela época, não havia tecnologia que conseguisse pegar a adulteração que ele provocou no próprio corpo para conseguir ser vitorioso. Essa é a velha história de que o bandido sempre está à frente do mocinho. Só passamos a tentar prever um ato ilegal depois que ele já foi cometido.

Só que, ao longo desses 15 anos, Armstrong colheu os louros de ser o grande campeão, de ter um formidável projeto social apoiado por gigantescas empresas, de ser exemplo para todos de como ser um “campeão”.

Mas será que é possível para qualquer atleta na atualidade ser um vencedor sem lançar mão do doping? Como pode, por exemplo, os nadadores baterem recordes em Londres depois que os supermaiôs foram banidos? Sem a ajuda da tecnologia eles são mais rápidos mesmo ou tem mais coisa por trás dessas conquistas?

O esporte só premia o vencedor. Desde a mídia, passando pelo patrocinador, a história dos grandes ídolos é construída a partir do vitorioso. Não é esse um problema do esporte, mas sim algo natural do ser humano. Sempre nos é contada a versão do vitorioso sobre uma determinada história.

Só que o custo da vitória a qualquer preço é exatamente o que mais interfere no esporte. Como usarmos os valores morais que o esporte se vangloria de passar para as pessoas se, na essência, os grandes campeões às vezes não são tão “grandes” assim?

Lance Armstrong é o exemplo de hoje, assim como Tiger Woods foi no passado ou algum outro será no futuro.

O fato é que o esporte de alta performance não é, e nunca foi, um lugar para gestos nobres. Ele é a essência do que há de mais primitivo do ser humano. É uma espécie de luta pela sobrevivência, de competitividade a todo preço, de necessidade de um continuar vivo independentemente dos meios que consiga para isso.

E a história dos vencedores que a mídia nos conta, que os patrocinadores apoiam e que os jovens se espelham são, muitas vezes, maculadas por escandalosos esquemas de manipulação de resultados. Em tempo. Em todas as sete conquistas de Armstrong na Volta da França, os seus rivais também estiveram, numa época ou na outra, envolvidos em escândalos envolvendo o doping…

O esporte como gerador de grandes negócios tem um potencial imenso, tanto para as empresas quanto para os atletas. O que não se pode nunca esquecer é que a história “limpa” de uma vitória é muito mais bonita.

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/08/24/armstrong-e-o-custo-da-vitoria-a-qualquer-preco/

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ministério do Esporte anuncia criação de mais uma bolsa


Governo quer o Brasil entre os dez primeiros no quadro de medalhas em 2016

Por Ary Cunha e Luiz Ernesto Magalhães

LONDRES - O Ministério do Esporte vai anunciar nos próximos dias uma série de medidas financeiras para tentar melhorar o desempenho do Brasil nas Olimpíadas do Rio, em 2016. O objetivo do governo é que o país avance para as dez primeiras posições do quadro de medalhas, mesma posição adotada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Levando em conta os Jogos de Londres, o Brasil precisará saltar de três para sete ouros, número alcançado pela Austrália, décima colocada na capital britânica. Além de um plano de investimentos que ainda será divulgado, o governo vai criar o programa Bolsa Ouro, que também está sendo chamado de Bolsa Medalha e Bolsa Pódio. Segundo o ministro Aldo Rebelo, o edital de convocação dos candidatos está em fase final de redação. Os atletas brasileiros que estiverem entre os 20 melhores nos rankings de suas modalidades poderão se candidatar a bolsas mensais entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. A verba será entregue diretamente aos atletas, sem passar por confederações ou pelo COB.- Esse dinheiro permitirá que os atletas contratem nutricionistas, preparadores físicos e técnicos para acompanhá-los em suas atividades. É uma contribuição para que desenvolvam ainda mais seu potencial - disse Rebelo.
No último ciclo olímpico, a União gastou R$ 1,76 bilhão na preparação dos atletas, somados Lei Piva, Lei de Incentivo ao Esporte, patrocínio de estatais e o programa Bolsa Atleta (ajuda de custo mensal entre R$ 350 e R$ 1.500). O valor é mais do que o dobro gasto pela Grã-Bretanha, que investiu R$ 834 milhões entre 2009 e 2012 e conquistou 65 medalhas (29 de ouro). Antes das Olimpíadas, o COB projetou 15 medalhas em Londres, enquanto o Ministério do Esporte falou em 20 pódios. O país terminou com 17 medalhas (três ouros), seu maior número numa edição de Jogos. Mas teve menos ouros do que em Atenas-2004 (cinco), para cuja preparação o governo federal investiu seis vezes menos do que o valor gasto na preparação para Londres. Quando divulgou sua discreta meta, o COB apostou que o país cresceria em número de finais disputadas, a ponto de o consultor americano do comitê, Steve Roush, ter admitido numa entrevista no Crystal Palace que “seria muito desapontador se o número de finais fosse o mesmo dos últimos Jogos”. O Brasil caiu de 41 em Pequim para 35 em Londres.
- Estamos na média. Pela projeção do COB, as 17 medalhas foram acima da expectativa. No nosso prognóstico (do governo), chegamos perto. Acho que a nossa tarefa agora é, principalmente, olhar para o futuro e reconhecer os esforços. Depois, vamos analisar nossas deficiências e também a dos agentes que participaram desse esforço - disse Rebelo.
O secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, admitiu que tanto o COB quanto o ministério erraram na avaliação de algumas medalhas projetadas. E reconheceu que até o último ciclo olímpico não havia transparência na destinação dos recursos investidos.
- Um ponto muito positivo de Londres é a consolidação da ideia de que é preciso ter uma transparência nessa aplicação de recursos. Após Pequim, não foi assim. O Ministério do Esporte se bateu para que houvesse objetivos, metas, confrontos do resultado com o investimento - afirmou.
No entanto, a transparência vem gerando números distintos no discurso. O Ministério do Esporte divulgou novamente ontem um valor de R$ 599,54 milhões distribuídos pela Lei Piva, entre 2007 e 2011 — os números de 2012 não estão fechados. Mas, no domingo, o superintendente-executivo do COB, Marcus Vinícius Freire, disse que a entidade só havia recebido R$ 331 milhões, descontados impostos e investimentos no esporte escolar (10%) e universitário (5%).

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/ministerio-do-esporte-anuncia-criacao-de-mais-uma-bolsa-5778878#ixzz23ZIIG8i8 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Interlagos e o drama do esporte privado no Brasil

Por Erich Beting


A Confederação Brasileira de Automobilismo anunciou na última quinta-feira que fará uma reunião com a São Paulo Turismo para discutir o que o meio automobilístico tem considerado um “aumento abusivo” nos preços para a locação do autódromo de Interlagos, em São Paulo.
A questão revela um problema recorrente do esporte no Brasil, que é a cultura que temos de sempre querer pagar pouco, ou quase nada, para organizar um evento esportivo no país.
O acesso gratuito ao esporte foi uma prática recorrente desde o governo Vargas, quando investiu-se pela primeira vez na massificação do culto às atividades esportivas. Depois, na era militar, essa tornou-se ainda mais recorrente fazer do acesso ao esporte um dever de Estado.
Hoje, porém, o conceito de esporte profissional é completamente diferente daquele que tem de ser oferecido gratuitamente pelo governo. Sim, é função dos governantes garantirem o acesso da população à prática esportiva, mas não quando é para consumirmos o esporte de alto rendimento.
O aumento das taxas para locação de Interlagos tem um propósito claro. A cidade de São Paulo não quer mais ter de perder dinheiro com a gestão do autódromo. Ele precisa ser uma unidade lucrativa. Não há nada de mal nisso, até porque Interlagos é hoje um dos pouquíssimos autódromos existentes no país e em boas condições para a organização de um evento de automobilismo.
E o ponto é exatamente esse. Para que consiga ser bom, o autódromo tem de fazer manutenção, ter melhorias, investir em reformas, etc. Como isso pode ser feito sem que a taxa seja cobrada de quem utiliza esse espaço?
Aí que entra o problema cultural do esporte brasileiro. Não nos conformamos em ter de pagar para consumir esporte. Acostumamo-nos a ter tudo de graça, ou quase isso. E aí quando há uma mudança que vai encarecer a organização de um evento, começa a haver uma gritaria geral de que quem aumenta os valores só pensa em lucro.
Gritar contra a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos é fácil e correto. Mas como podemos de fato mudar alguma coisa se ainda continuamos a achar que, tirando esses grandes eventos, o governo tem de arcar com os custos de qualquer outro esporte?
Será que dá para pensar hoje em gestão do esporte sem fazer a conta fechar no final do mês? Em todo o mundo já se vão 30 anos, pelo menos, que a resposta para essa pergunta está bem clara.