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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O efeito Nuzman: em 2 décadas, gastos de 40 bi de reais


Desde 1995, o cartola fez o governo torrar mais de 8 bilhões. Reeleição nesta sexta dá a ele mais quatro anos no cargo - e mais uma avalanche de dinheiro

Carlos Arthur Nuzman, o dirigente esportivo mais poderoso do país, é presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) desde 1995. De acordo com muitos de seus opositores, os dezessete anos de mandato que Nuzman cumpriu até agora foram marcados pela concentração total de poder nas mãos do cartola - o carioca é o primeiro presidente de comitê olímpico nacional a acumular também o comando do comitê organizador de uma Olimpíada. Para outros adversários, a principal marca de sua gestão é outra: o implacável combate aos opositores, o que o faz permanecer intocável na chefia do COB (nesta semana, o único presidente de confederação que não vota em Nuzman o acusou de esmagar uma tentativa de formação de chapa alternativa). O que mais chama atenção na era Nuzman, porém, é o volume de dinheiro - quase todo proveniente dos cofres públicos - movimentado em função de sua atuação no comando do esporte brasileiro. Desde 1995, foram cerca de 8,2 bilhões de reais consumidos por todos os projetos lançados pelo comitê. Com os quatro anos adicionais de mandato que ganhou na eleição desta sexta, Nuzman somará mais de duas décadas no poder - e quase 40 bilhões de reais em gastos variados ligados ao COB, tanto no esporte como na organização de megaeventos.

Os 8,2 bilhões investidos até agora correspondem aos gastos com os preparativos dos atletas brasileiros nos últimos cinco ciclos olímpicos e ao valor total estimado dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. O Pan, aliás, prometia consumir menos de 400 milhões de reais, com alguma participação da iniciativa privada. As contas mais recentes colocam o valor total do evento na casa dos 4 bilhões, com presença nula de investidores privados. Outros 4,2 bilhões representam a soma dos gastos com as delegações olímpicas de Atlanta-1996 até Londres-2012. Desde que Nuzman chegou ao poder, o governo foi transformado no maior patrocinador do esporte no Brasil. A criação de leis de incentivo fiscal e programas de suporte aos atletas de alto rendimento abriu caminho para que o setor fosse inundado por verbas públicas. Em Atlanta-1996 e em Sydney-2000, as confederações receberam cerca de 67 milhões e 75 milhões de reais, respectivamente (em valores atualizados). A partir de Atenas-2004, o esporte nacional passou a contar com os recursos da Lei Piva, que reserva aos atletas olímpicos uma parte das arrecadações de loterias federais. Naquele ano, foram gastos 312 milhões na preparação olímpica. Em Pequim-2008, o valor disparou para 1,7 bilhão de reais, e nos Jogos deste ano, em Londres, o investimento na área bateu em 2,1 bilhões de reais.

Apesar da multiplicação dos valores aplicados no esporte olímpico, o desempenho brasileiro nos Jogos não deu o salto esperado. Desde as quinze medalhas de Atlanta, foram duas campanhas piores (doze em Sydney e dez em Atenas), uma igual (em Pequim) e apenas uma superior (em Londres, o Brasil fez sua melhor campanha, com dezessete medalhas conquistadas, mas ainda ficou muito distante das grandes potências olímpicas). No mesmo período, a Grã-Bretanha, por exemplo, saltou do mesmo patamar que o Brasil para o terceiro lugar no quadro de medalhas. A constatação inescapável é de que os investimentos não foram bem direcionados. Em Atlanta, cada medalha custou o equivalente a 4,4 milhões de reais ao país. Em Londres, cada pódio custou mais de 123 milhões de reais. Para o próximo ciclo olímpico, o governo federal já anunciou que o investimento nos atletas chegará a inéditos 2,5 bilhões de reais. Desta vez, porém, o Ministério do Esporte tenta criar mecanismos para vincular a liberação dos recursos a contrapartidas exigidas aos cartolas. Uma delas, anunciada pela primeira vez pelo ministro Aldo Rebelo em entrevista publicada em VEJA, é a alternância de poder nas confederações. O governo espera que os dirigentes tenham mandatos mais curtos e não possam se reeleger várias vezes. Sobre a permanência de Nuzman no poder, porém, o ministro diz não ter o que fazer.

A gastança do esporte

Os destinos dos investimentos bilionários feitos pelo governo a pedido do COB de Nuzman

Repasses aconfederações*Organização doPan-2007Obras para aRio-2016Operação daRio-201617%10.1%14.2%58.7%
*Soma dos valores atualizados de Atlanta-1996 até Londres-2012 mais os 2,5 bilhões de reais prometidos até a Rio-2016


Encrenca - Aos 2,5 bilhões de reais previstos para as confederações nos próximos quatro anos de mandato de Nuzman somam-se os custos que o país terá de cobrir para fazer a Olimpíada no Rio. O Comitê Organizador dos Jogos (que, aliás, está à procura de profissionais para trabalhar no orçamento do evento) calcula em 5,6 bilhões de reais os gastos com o planejamento e a operação da Olimpíada. Esse foi o valor acertado com o Comitê Olímpico Internacional (COI) - que recebeu a garantia de que as três esferas de governo cobrirão as despesas caso o comitê local não consiga receitas privadas, como Nuzman promete fazer. A maior parte da encrenca, porém, já está depositada sobre as contas públicas. Ao trazer a bandeira olímpica à cidade-sede depois do encerramento de Londres-2012, o prefeito Eduardo Paes disse que o orçamento dos Jogos só sairá no segundo semestre do ano que vem. O comitê da Rio-2016, contudo, estima em 23,2 bilhões de reais as obras de instalações e infraestrutura de 2016 (Londres-2012 custou cerca de 35 bilhões, já incluídos os custos de operação). Com mais 90 milhões de reais investidos na candidatura a sede dos Jogos, a soma total dos gastos da era Nuzman atinge uma projeção próxima dos 40 bilhões, uma média de 1,9 bilhão de reais consumidos a cada ano de mandato do cartola mais gastador de que já se teve notícia no país.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/o-efeito-nuzman-em-2-decadas-gastos-de-40-bi-de-reais

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Torben revela preocupação com a vela brasileira e a Baia de Guanabara


Bicampeão olímpico chegou atrasado ao seminário por conta de saco que plástico ficou preso no leme do barco

Por MARCELO ALVES

RIO – Dono de cinco medalhas olímpicas, sendo duas de ouro em Atlanta-1996 e Atenas-2004, o velejador Torben Grael revelou nesta segunda-feira a sua preocupação com o futuro do esporte e a raia que o Rio de Janeiro pretende usar nos Jogos Olímpicos de 2016.
Torben chegou atrasado no seminário “2016 e o salto do esporte brasileiro” realizado em um hotel em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, porque um saco plástico ficou preso no leme do barco em que velejava na Baía de Guanabara. O iatista viu a situação como um sinal de alerta para 2016.
- A Marina da Glória continua hoje no mesmo estágio de antes. Essas coisas preocupam a gente. O que aconteceu comigo hoje acontece na competição. Tem um monte de coisa flutuando na Baía de Guanabara, para não dizer outras coisas. Aquilo (o saco plástico) prende e acaba com a performance do barco. Você tem que parar o barco para tirar aquilo e isso pode definir o vencedor de uma competição. Em nível local, isso não é muito importante, mas se acontecer nos Jogos será desagradável - afirmou.
O painel era para o iatista falar sobre o sucesso olímpico da vela. Mas ao contrário disso, Torben preferiu focar nos problemas do presente e do futuro.
- Se os Jogos fossem hoje, (a Baía de Guanabara) seria, com certeza, o local mais poluído da história dos Jogos. Tem um programa de despoluição da Baía que em 20 anos não conseguiu (despoluir). A tarefa agora não será fácil – disse Torben, afirmando que no Pan de 2007 foi adotada uma solução paliativa para diminuir a emissão de poluição no local.
Ao lembrar do passado, Torben preferiu comparar com o presente e lembrou que os seus filhos hoje têm mais dificuldades para velejar do que ele tinha há 20 anos.
- É uma vergonha que um esporte com os resultados que tem a vela (é o segundo maior medalhista atrás do judô), hoje seja muito mais difícil para os meus filhos fazerem uma campanha olímpica do que foi para mim. Ele (o presidente do COB) acha que não, mas para mim é mais difícil, pois temos as mesmas condições que eu tive e lá fora o pessoal foi para frente. Ou seja, o que era difícil para mim, para eles passou a ser mais.
Torben também lamentou a diminuição do número de pessoas velejando no país. Ele lembra que quando ele começou precisava disputar uma seletiva regional para competir no Campeonato Brasileiro contra mais de 200 barcos.
- Eram 30 barcos do Rio de Janeiro, hoje não tem 30 barcos para o Brasileiro.
E defendeu que os maiores incentivos sejam voltados para os esportes olímpicos
- Temos várias competições que eu não sei se deveriam estar debaixo do guarda chuva da lei de incentivo como o UFC, rampa de skate, uma série de coisas que tem gente pagando ingresso, televisão. Ela devia ficar mais direcionada aos esportes olímpicos. Li uma estatística que o time inglês gastou menos recursos do que nós gastamos no último quadriênio, o que não faz sentido ao ver o resultado deles e o nosso (em Londres) – concluiu.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/torben-revela-preocupacao-com-vela-brasileira-a-baia-de-guanabara-6909970#ixzz2E0zDF1ah 

domingo, 25 de novembro de 2012

‘2016 e o salto do esporte brasileiro’ é tema de seminário em Ipanema


Abertura do evento será feita pelo ministro do Esporte Aldo Rabelo

Por CARLA ROCHA

RIO - Os destinos do esporte brasileiro serão discutidos no segundo seminário do projeto “2016 é agora”, que acontecerá na próxima segunda-feira, dia 3 de dezembro, no Hotel Caesar Park, em Ipanema, a partir das 9h. O principal tema do evento será “2016 e o salto do esporte brasileiro”. As inscrições estão abertas até 29 de novembro pelo telefone (21) 2227-8664. A iniciativa é dos jornais O GLOBO e “Extra”.
A mediação do debate ficará sob o comando do jornalista da TV Globo, Márcio Gomes. O seminário, aberto ao público, terá a participação de gestores da área esportiva e de atletas renomados. A cobertura jornalística estará disponível na página sobre os Jogos de 2016 no site do GLOBO. O patrocínio é da empresa GVT e do Bradesco.
O evento terá vários painéis e a abertura será feita pelo ministro do Esporte, Aldo Rabelo. Ele falará, a partir das 9h, sobre o primeiro tema da mesa, “A grande oportunidade de transformação no cenário esportivo nacional”.
Às 9h40m, será debatida “A preparação dos Jogos e o legado esportivo”. Às 10h20m, “O exemplo do vôlei” será o tema de Bernardo Rocha de Rezende, Bernardinho, técnico da seleção de vôlei masculino, presença constante nos pódios olímpicos e mundiais. Às 11h, será realizado o painel “O novo basquete Brasil e o retorno ao cenário olímpico”. O último painel “O sucesso olímpico da vela”, acontece às 11h40m e será apresentado pelo iatista e maior medalhista olímpico do Brasil, Torben Grael. Às 12h20m, o seminário é aberto para perguntas e debates.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/2016-o-salto-do-esporte-brasileiro-tema-de-seminario-em-ipanema-6812340#ixzz2DFBiSPTf 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

De olho no Rio-2016, Brasil trouxe 36 técnicos estrangeiros para seleções desde 2008


País quer conquistar o décimo lugar no quadro de medalhas olímpico

Por Ary Cunha e Claudio Nogueira

RIO — Competir em casa é sempre uma enorme vantagem. Mas para fazer bonito no Rio-2016, o esporte brasileiro já viu que terá de aprender outros idiomas e se adaptar a novas culturas. Num país onde incontáveis talentos se perdem por falta de oportunidade, a presença crescente de treinadores estrangeiros nas seleções brasileiras tem superado as resistências habituais e se mostrado um caminho eficiente para melhorar resultados.
Entre 2008 e 2012, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), com recursos da Lei Piva, trouxe 36 treinadores estrangeiros, de 19 países diferentes e contemplando 23 modalidades. Embora a meta principal sejam as Olimpíadas do Rio, com o objetivo de ficar entre os dez melhores no total de medalhas, em alguns casos os avanços significativos dessa importação de novos conceitos já puderam ser percebidos em Londres-2012. Como a volta do basquete masculino aos Jogos, depois de 16 anos, sob comando do argentino Rubén Magnano, e a boa campanha do outrora inexpressivo handebol feminino, que tem o dinamarquês Morten Soubak como técnico. Um intercâmbio de conhecimento que pode ser uma via de mão dupla.
— O handebol feminino brasileiro está mais à europeia. Elas estão ganhando experiência e atuando em clubes fortes. Um bom número delas está na Europa, e já são consideradas jogadoras de ponta. Antes, elas não jogavam em times grandes nem tinham posição de destaque — afirma Soubak, que veio para o Brasil pela primeira vez para treinar o Pinheiros, em 2005, e comanda a seleção feminina desde 2009.
Segundo o superintendente-executivo do COB, Marcus Vinícius Freire, a aprovação dos nomes contratados é feita em conjunto pelo próprio comitê e as confederações. Ele ressalta que países como Austrália e China trilharam esse mesmo caminho de trazer mão de obra de fora, antes de sediarem as Olimpíadas, e o resultado se refletiu no quadro de medalhas. No caso brasileiro, entretanto, o dirigente admite que a ideia de se contratar estrangeiros ainda faz muito treinador brasileiro torcer o nariz.
— Há resistência, com certeza. É preciso fazer um trabalho de convencimento, assumir que temos algumas deficiências e trazer treinadores muito qualificados. No caso do taekwondo, por exemplo, o Jean López tem quatro ou cinco medalhas olímpicas só na família dele. O Magnano é campeão olímpico (Atenas-2004, com a Argentina). Não adianta trazer o treinador só porque ele trabalha numa escola tradicional. É preciso ter um perfil de vencedor.
No caso específico do basquete, o principal problema enfrentado por Magnano nem foi a resistência de treinadores brasileiros, mas a falta de identificação de nomes importantes da NBA com a seleção brasileira. Não foram poucos os problemas do argentino para superar essa fase de polêmica em torno de jogadores que dispensavam convocações. Para ele, o elo entre atleta e as cores de sua bandeira não deve surgir apenas quando ele é chamado para representar o país numa competição adulta.
— É um trabalho que deve ser feito desde as divisões de base: desenvolver essa identificação entre o atleta e a instituição. A cultura de compromisso com a seleção tem de começar a ser trabalhada lá no início, assim como o passe, o drible. Quando o atleta gosta de estar na seleção, tem felicidade de representar o país, a camisa não vira uma carga, uma pressão.

Barreiras de todo tipo
Além das barreiras do idioma e da adaptação, os estrangeiros ainda se deparam com os contrastes de um país geograficamente gigantesco, mas onde os investimentos ainda se concentram no eixo sul-sudeste. Descentralizar é preciso.
— Temos um projeto para trabalhar quatro ou cinco dias em cada estado. Preciso observar novos talentos para trabalhar. Geralmente, os meninos seguem no esporte até os 17 anos. Depois disso, fica mais difícil, pela falta de apoio — admite o espanhol Jordi Ribera, do handebol masculino.
A presença cada vez maior de estrangeiros no esporte brasileiro vai além das seleções nacionais. No país há dois anos e meio, o holandês Gerard Lenting se divide entre a seleção de heptatlo adulta e uma equipe de jovens promessas do atletismo. Segundo ele, quem se abre a novas ideias evolui mais:
— Vejo muitas pessoas fazendo sempre as mesmas coisas, simplesmente porque aprenderam dessa forma. Mas ninguém questiona o porquê disso. É preciso refletir sempre.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/de-olho-no-rio-2016-brasil-trouxe-36-tecnicos-estrangeiros-para-selecoes-desde-2008-6724913#ixzz2CDOYmd35 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Meta do COB agora é colocar o Brasil entre os dez no total de medalhas


‘A meta sempre foi o total de medalhas’, disse Nuzman

Por Ary Cunha

RIO - Diante dos resultados obtidos pelos atletas brasileiros em Pequim-2008 e Londres-2012, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) mudou a meta para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Se antes, a meta do COB era ficar entre os dez melhores, agora o discurso é ficar no top-10 no total de medalhas.
Em Londres, o Brasil ficou em 22º lugar com três medalhas de ouro, cinco de prata e nove de bronze. Mas nas novas contas do COB, o Brasil ficou em 14º, com 17 medalhas. É uma prática, no entanto, que o ouro tenha um peso maior no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos.
Em Pequim, os americanos usaram o mesmo critério que o Brasil quer adotar agora quando viram que ficariam atrás da China no quadro de medalhas pelo número de medalhas de ouro. Há quatro anos, os chineses terminaram em primeiro lugar, com 51 ouros e 100 medalhas no total. Já os americanos conquistaram 36 ouros e 110 medalhas no total.
Para o presidente reeleito do COB, Carlos Arthur Nuzman, a cor da medalha não importa:
- O atleta que ganha uma medalha já é um herói. Independentemente da cor, ele já é um herói. As três medalhas são muito importantes. Não teve uma mudança de postura, mas uma constatação do que é importante nessa luta por medalhas. A meta sempre foi o total de medalhas - afirmou.
Ao tentar justificar que não houve mudança de planos, o superintendente do COB, Marcos Vinícius Freire, reforçou o discurso de que o importante sempre foi o número total de medalhas.
- Cada um tem um o seu quadro. Para nós, o que sempre contou foi o total de medalhas - disse.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/meta-do-cob-agora-colocar-brasil-entre-os-dez-no-total-de-medalhas-6298250#ixzz28SqU6MLl