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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Pegos de surpresa, Nuzman e ministro evitam comentar aumento de gastos do Rio-2016


Por Thiago Arantes, Tiago Leme e Gabriela Moreira

O orçamento do Rio-2016 aumentou 68% em três anos, mas o comitê organizador só divulgaria os dados revisados em julho de 2013. Por isso, o presidente do órgão, Carlos Arthur Nuzman, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ficaram surpresos ao serem questionados sobre o tema pela reportagem do ESPN.com.br. 

Nesta quarta-feira, o ESPN.com.br publicou detalhes do estouro orçamentário: a previsão de custos inicial era de R$ 5,6 bilhões e aumentou para R$ 9,4 bilhões em três anos – a partir de 2013, os governos federal, estadual e municipal ajudarão a pagar as contas do comitê. 

Nuzman e Rebelo foram interpelados durante o Prêmio Brasil Olímpico, no Rio de Janeiro, e evitaram entrar em detalhes sobre a reportagem, que revelou com exclusividade o primeiro estouro orçamentário dos Jogos Olímpicos. 

“O orçamento nosso só será divulgado na metade do ano. Então esse número que tem não é o número que representa o que está. Então nós temos que... Nós temos que apresentar ao Comitê Olímpico Internacional e aí será divulgado de uma maneira muito ampla”, disse Nuzman, visivelmente surpreso com a pergunta, aos canais ESPN.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, também não quis fazer comentários sobre a participação do governo no orçamento, mas admitiu que pode, sim, haver mudanças. 

“Todos esses gastos, com preparação das olimpíadas, o investimento nos atletas, a infraestrutura olímpica... Todos eles estão sendo submetidos a estudos, e qualquer alteração nos gastos previstos terá a avaliação do governo federal, da Rio-2016, do governo do estado, e da prefeitura do Rio de Janeiro. Então, só posso falar sobre isso depois que esses estudos tiveram sido realizados”, afirmou.

De acordo com o Rio-2016, o orçamento inicial, divulgado antes da escolha da cidade como sede, em 209, era preliminar e já seria revisto para uma primeira versão de orçamento, com a inclusão de dados e despesas de forma mais detalhada. Mesmo diante da informação de que o ESPN.com.br já tinha visto a projeção orçamentária, a assessoria da entidade disse que o orçamento ainda está em fase de confecção e só será divulgado em 2013.

Fonte: http://espn.estadao.com.br/noticia/299754_pegos-de-surpresa-nuzman-e-ministro-evitam-comentar-aumento-de-gastos-do-rio-2016

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O efeito Nuzman: em 2 décadas, gastos de 40 bi de reais


Desde 1995, o cartola fez o governo torrar mais de 8 bilhões. Reeleição nesta sexta dá a ele mais quatro anos no cargo - e mais uma avalanche de dinheiro

Carlos Arthur Nuzman, o dirigente esportivo mais poderoso do país, é presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) desde 1995. De acordo com muitos de seus opositores, os dezessete anos de mandato que Nuzman cumpriu até agora foram marcados pela concentração total de poder nas mãos do cartola - o carioca é o primeiro presidente de comitê olímpico nacional a acumular também o comando do comitê organizador de uma Olimpíada. Para outros adversários, a principal marca de sua gestão é outra: o implacável combate aos opositores, o que o faz permanecer intocável na chefia do COB (nesta semana, o único presidente de confederação que não vota em Nuzman o acusou de esmagar uma tentativa de formação de chapa alternativa). O que mais chama atenção na era Nuzman, porém, é o volume de dinheiro - quase todo proveniente dos cofres públicos - movimentado em função de sua atuação no comando do esporte brasileiro. Desde 1995, foram cerca de 8,2 bilhões de reais consumidos por todos os projetos lançados pelo comitê. Com os quatro anos adicionais de mandato que ganhou na eleição desta sexta, Nuzman somará mais de duas décadas no poder - e quase 40 bilhões de reais em gastos variados ligados ao COB, tanto no esporte como na organização de megaeventos.

Os 8,2 bilhões investidos até agora correspondem aos gastos com os preparativos dos atletas brasileiros nos últimos cinco ciclos olímpicos e ao valor total estimado dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. O Pan, aliás, prometia consumir menos de 400 milhões de reais, com alguma participação da iniciativa privada. As contas mais recentes colocam o valor total do evento na casa dos 4 bilhões, com presença nula de investidores privados. Outros 4,2 bilhões representam a soma dos gastos com as delegações olímpicas de Atlanta-1996 até Londres-2012. Desde que Nuzman chegou ao poder, o governo foi transformado no maior patrocinador do esporte no Brasil. A criação de leis de incentivo fiscal e programas de suporte aos atletas de alto rendimento abriu caminho para que o setor fosse inundado por verbas públicas. Em Atlanta-1996 e em Sydney-2000, as confederações receberam cerca de 67 milhões e 75 milhões de reais, respectivamente (em valores atualizados). A partir de Atenas-2004, o esporte nacional passou a contar com os recursos da Lei Piva, que reserva aos atletas olímpicos uma parte das arrecadações de loterias federais. Naquele ano, foram gastos 312 milhões na preparação olímpica. Em Pequim-2008, o valor disparou para 1,7 bilhão de reais, e nos Jogos deste ano, em Londres, o investimento na área bateu em 2,1 bilhões de reais.

Apesar da multiplicação dos valores aplicados no esporte olímpico, o desempenho brasileiro nos Jogos não deu o salto esperado. Desde as quinze medalhas de Atlanta, foram duas campanhas piores (doze em Sydney e dez em Atenas), uma igual (em Pequim) e apenas uma superior (em Londres, o Brasil fez sua melhor campanha, com dezessete medalhas conquistadas, mas ainda ficou muito distante das grandes potências olímpicas). No mesmo período, a Grã-Bretanha, por exemplo, saltou do mesmo patamar que o Brasil para o terceiro lugar no quadro de medalhas. A constatação inescapável é de que os investimentos não foram bem direcionados. Em Atlanta, cada medalha custou o equivalente a 4,4 milhões de reais ao país. Em Londres, cada pódio custou mais de 123 milhões de reais. Para o próximo ciclo olímpico, o governo federal já anunciou que o investimento nos atletas chegará a inéditos 2,5 bilhões de reais. Desta vez, porém, o Ministério do Esporte tenta criar mecanismos para vincular a liberação dos recursos a contrapartidas exigidas aos cartolas. Uma delas, anunciada pela primeira vez pelo ministro Aldo Rebelo em entrevista publicada em VEJA, é a alternância de poder nas confederações. O governo espera que os dirigentes tenham mandatos mais curtos e não possam se reeleger várias vezes. Sobre a permanência de Nuzman no poder, porém, o ministro diz não ter o que fazer.

A gastança do esporte

Os destinos dos investimentos bilionários feitos pelo governo a pedido do COB de Nuzman

Repasses aconfederações*Organização doPan-2007Obras para aRio-2016Operação daRio-201617%10.1%14.2%58.7%
*Soma dos valores atualizados de Atlanta-1996 até Londres-2012 mais os 2,5 bilhões de reais prometidos até a Rio-2016


Encrenca - Aos 2,5 bilhões de reais previstos para as confederações nos próximos quatro anos de mandato de Nuzman somam-se os custos que o país terá de cobrir para fazer a Olimpíada no Rio. O Comitê Organizador dos Jogos (que, aliás, está à procura de profissionais para trabalhar no orçamento do evento) calcula em 5,6 bilhões de reais os gastos com o planejamento e a operação da Olimpíada. Esse foi o valor acertado com o Comitê Olímpico Internacional (COI) - que recebeu a garantia de que as três esferas de governo cobrirão as despesas caso o comitê local não consiga receitas privadas, como Nuzman promete fazer. A maior parte da encrenca, porém, já está depositada sobre as contas públicas. Ao trazer a bandeira olímpica à cidade-sede depois do encerramento de Londres-2012, o prefeito Eduardo Paes disse que o orçamento dos Jogos só sairá no segundo semestre do ano que vem. O comitê da Rio-2016, contudo, estima em 23,2 bilhões de reais as obras de instalações e infraestrutura de 2016 (Londres-2012 custou cerca de 35 bilhões, já incluídos os custos de operação). Com mais 90 milhões de reais investidos na candidatura a sede dos Jogos, a soma total dos gastos da era Nuzman atinge uma projeção próxima dos 40 bilhões, uma média de 1,9 bilhão de reais consumidos a cada ano de mandato do cartola mais gastador de que já se teve notícia no país.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/o-efeito-nuzman-em-2-decadas-gastos-de-40-bi-de-reais

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Opositor de Nuzman perde cargo de presidente da CBDG


Acusado de gestão temerária e falsificação de documentos, Eric Maleson é afastado judicialmente do cargo de presidente da Confederação Brasileira de Gelo

Por Michel Castellar

O presidente da Confederação Brasileira de Desporto no Gelo (CBDG), Eric Maleson, foi afastado judicialmente de seu posto acusado de gestão temerária, falsificação de documentos, além de desvio de verbas. O desembargador da 13ª Câmara Cível do Rio, Ademir Paulo Pimentel, nomeou Emilio Strapasson para administrar a entidade por 180 dias até que uma nova eleição seja realizada.
Em sua decisão, o desembargador ainda encaminhou o processo para a Procuradoria-Geral de Justiça, porque a auditoria realizada constatou desvio de verbas e má administração do dinheiro público. A ação que deu início ao processo de afastamento de Malesson foi impetrada pelo atleta Edson Bindilatti.
Ao atuar como interventor na CBDG, Strapasson elaborou um relatório onde mostrou ter constatado várias irregularidades. E foi esse documento que serviu de base para que o desembargador optasse pelo afastamento do dirigente e entregasse o poder ao interventor.
- A abundancia de evidencias comprova que a entidade surgiu e desenvolveu-se às margens da legalidade. Maquiada sob o principio constitucional da autonomia de organização e funcionamento das entidades desportivas, a CBDG desde a sua fundação usa de artifícios para justificar a própria existência - escreveu Strapasson no relatório enviado à Justiça.


Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/minuto/Opositor-Nuzman-perde-presidente-CBDG_0_820118075.html#ixzz2DjXbOSGJ 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Furto de dados foi irrelevante, diz presidente de comitê Londres 2012


Sebastian Coe minimizou incidente que terminou com demissão de nove funcionários do COB

Por LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

RIO — O presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres, Sebastian Coe, minimizou nesta segunda-feira o incidente que terminou com a demissão de nove funcionários do Comitê Organizador Rio 2016 acusados de copiarem sem autorização documentos relativos ao planejamento do evento. As demissões ocorreram em setembro depois que Londres comunicou ao Rio o episódio. Os nove funcionários atuaram no Comitê Organizador londrino durante os Jogos para acumular experiência nos preparativos do Rio.
— O que eu tenho a dizer é que isso não foi algo a que demos atenção ou consideramos relevante. Nunca dois Comitês Organizadores trabalharam de forma tão integrada quanto Rio e Londres. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, inclusive, foi o primeiro a compreender a visão que tínhamos para os Jogos.
Coe, que foi eleito recentemente presidente da Bristh Olimpic Association (BOA), está no Rio desde a semana passada. Ele veio participar do seminário no Hotel Windsor na Barra, na qual os ingleses repassam para os colegas do Comitê Rio 2016 as experiências da organização do evento. Ele conversou com os jornalistas em uma espécie de pré-lançamento de mais uma edição da Soccerex, feira internacional de esportes, que será realizada a partir de sábado no Forte de Copacabana. O presidente do Comitê de Londres acrescentou que a organização dos Jogos exigiu um planejamento permanente:
— O tempo todo você está mudando, refinando os preparativos, modificando e aprendendo para que o atleta no momento de competir só tenha que pensar em seu desempenho. Lembro que em maio de 2011 estava sentado no Centro de Londres logo após um evento teste dos Jogos Paralímpicos perguntando se os espaços deixados para passagem de cadeiras de rodas é suficiente. Nós nos esforçamos em trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana. Demos o máximo possível.
O furto dos documentos veio à tona na noite do dia 20 de setembro, quando o blog do jornalista Juca Kfouri divulgou o caso. No dia seguinte, o jornal britânico “The Daily Telegraph” trouxe uma reportagem sobre o episódio. Segundo o Comitê Rio 2016, os documentos copiados ilegalmente já foram devolvidos e destruídos. O furto chegou ao conhecimento da equipe brasileira no dia 1º de setembro, após o início dos Jogos Paralímpicos de Londres. Dezessete dias depois, após localizar as cópias e identificar os envolvidos no caso, o comitê demitiu os funcionários. O órgão explicou que eles faziam parte da equipe de 200 pessoas que permaneceu três meses em Londres trabalhando com os ingleses na preparação dos Jogos. Eles tinham acesso aos documentos do Comitê Londres 2012, mas haviam assinado um contrato proibindo cópias sem autorização. Segundo a nota, que não divulgou os nomes dos envolvidos, os chefes dos funcionários não sabiam da ação do grupo.
Um dos nove funcionários demitidos chegou a divulgar uma carta endereçada ao presidente do comitê, Carlos Arthur Nuzman. Nela, Renata Santiago dizia que foi instruída a acessar os dados do sistema do evento, com o objetivo de obter informações para aprimorar a organização das Olimpíadas do Rio. Ela ressaltou, no entanto, que não havia se apropriado de dados confidenciais ou comerciais.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/furto-de-dados-foi-irrelevante-diz-presidente-de-comite-londres-2012-6769413#ixzz2Ctb7DGUn

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Nuzman diz que os Jogos Olímpicos vão mudar o Rio


Presidente do COB prevê legado para a juventude

Por Claudio Nogueira

RIO - Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 vão transformar a cidade. A afirmação foi feita nesta segunda-feira pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do próprio Comitê Organizador Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, durante o Seminário Rio 2016 promovido pelo GLOBO e o Extra, no Hotel Marriott, em Copacabana.
- O Rio deixará a marca da transformação como nenhuma outra. O legado será para a juventude e é o que vejo como mais importante - afirmou.
Nuzman fez questão de refutar quaisquer comparações com os Jogos de Londres, realizados em julho e agosto deste ano.
- Todos as cidades marcam os Jogos de formas diferentes. não se deve comparar cidades uma com a outra, porque são diferentes. Londres, mesmo tendo ficado preocupada com o sucesso de Pequim-2008, entregou Jogos excelentes. Foram extraordinários e marcaram uma forma diferente dos Jogos. E o Rio? O Rio vai ser diferente - ressaltou.
- Comparar Londres com o Rio será incorrer num erro enorme. o Rio será diferente. Londres fica na Europa, já sediou os Jogos três vezes, e a Europa já foi sede olímpica dezenas de vezes. O Rio quebra paradigmas, assim como Tóquio fez em 1960, ao celebrar as Olimpíadas pela primeira vez na Ásia. Depois, vieram Seul-1988, Pequim-2008. E o Rio vai transformar o continente sul-americano.
O dirigente tornou a explicar que o plano básico dos Jogos do Rio inclui quatro regiões: Maracanã, Deodoro, Copacabana e Barra da Tijuca. Ainda durante a candidatura, o COB chegou a ter duvidas quanto a apresentar um projeto com quatro regiões, porque isso daria margem a críticas das outras postulantes, que poderiam apontar como ponto fraco as distancias e a deficiência nos transportes.
- Numa reunião com os governos, optamos correr o risco e enfrentar (as adversárias), para que a cidade toda fosse beneficiada. A cidade toda terá os Jogos. Deodoro, por exemplo, é o bairro com maior concentração de jovens, que estão ávidos por um caminho. Tudo isto fará do Rio o símbolo da maior transformação de uma cidade por causa dos Jogos Olímpicos. O Rio passará a ser o grande exemplo - enfatizou.
Entre as novidades no megaevento carioca, estará o retorno do golfe ao programa olímpico, depois de 112 anos. O local escolhido para sediar o esporte é um campo novo a ser construído na Reserva de Marapendi, na Barra.
- Será um campo público, o primeiro campo público da modalidade no país - ressaltou.
Em novembro, o comitê Rio-2016 tomará parte do debriefing dos Jogos de Londres, quando o LOCOG (Comitê Organizador de Londres-2012) fará um balanço de tudo o que ocorreu de positivo ou não e passará informações para o Comitê Olímpico Internacional (COI) e para o comitê cariocas e de outras cidades candidatas a sediar eventos do gênero no futuro. O Comitê Rio 2016 já selecionou 176 instalações para treinamento de outras delegações, sendo 98 públicas e 78 privadas, num total de 74 cidades de 18 estados. O Brasil ficará concentrado no Centro de Capacitação em Educação Física do Exército, na Urca, e na Escola Naval, no Centro do Rio.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/nuzman-diz-que-os-jogos-olimpicos-vao-mudar-rio-6573564#ixzz2AixS3ZWi

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Reeleito no COB, Nuzman deixa em aberto situação após 2016


Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro completará 21 anos no comando da entidade e evita falar sobre o futuro como dirigente após os Jogos do Rio

Por Danielle Rocha

Depois de ter sido eleito para seu quinto mandato à frente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman  disse não querer pensar em nada além de "entregar Jogos Olímpicos excelentes e colocar o Brasil entre os 10 melhores no total de medalhas". No ano em que o Rio será sede das Olimpíadas, o dirigente completará 21 anos no comando da entidade. Tempo questionado por alguns, apoiado por outros e considerado por ele como necessário para concluir a ação que considera mais importante no esporte brasileiro: a realização dos Jogos. Se depois deles concorrerá a mais uma eleição, Nuzman evita falar. Também desconversa sobre possíveis sucessores.
- Na vida a gente tem que ter metas e desafios. A motivação, meu maior comprometimento é com os próximos Jogos, para trabalhar em benefício dos atletas. Estou focado neste trabalho. Depois de 2016, nós conversamos sobre o que vai acontecer. O futuro é que vai dizer o que vai acontecer - disse. 
Acumulando as presidências do COB e do Comitê Rio-2016, Nuzman tem pressa. Ressalta que o tempo para organizar as Olimpíadas é longo, mas curto ao mesmo tempo. Diz que mais importante do que discutir a alternância de poder (o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, gostaria que houvesse um limite de reeleições para cargos à frente do COB e das Confederações), é "avaliar a qualidade da gestão do dirigente esportivo, o que inclui conquistas e realizações". Ary Graça, presidente da CBV e da FIVB, tem o mesmo discurso. 
- Acredito que o que está dando certo não tem que mudar. Se tenho dois técnicos maravilhosos vou ter que mudar porque eles estão há muitos anos no cargo? Mudar pra quê? Numa empresa é assim. Não se mede o executivo pela quantidade de tempo, mas pela eficiência e o que vai trazer de dividendos - afirmou Ary Graça.
Em 2016, Nuzman tem como meta ver o Brasil entre os 10 primeiros colocados no total de medalhas e não no modelo adotado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que conta as posições no quadro geral pelo número de ouros conquistados pelo país.
- O atleta que ganha uma medalha é um herói. Sou atleta olímpico, fui sétimo colocado e só ganhei medalha de participação. A decisão é em fração de milésimo de segundo, há dia em que você é surpreendido e não tem a medalha que poderia ganhar. As três medalhas são muito importantes e basta ver a reação dos atletas. Não teve mudança, teve constatação do que é importante. Sempre defendi o total de medalhas desde meus tempos de atleta. Vivi os dois lados. Sentimos isso em duas finais olímpicas do vôlei, uma ganhando a de prata e outra ganhando a de ouro. Sei o sentimento.
Para alcançar o objetivo, diz que a parceria com as Confederações e com o Ministério do Esporte será fundamental para executar programas estratégicos e projetos criteriosos e detalhados. Será preciso ampliar o número de atletas capazes de conquistar medalhas não apenas em esportes em que o país já tem tradição, mas também em novas modalidades.
- Não trataria como uma questão de garantia de que o Brasil irá dar esse salto, mas de trabalho. E ele está sendo feito. Ele é muito grande e de muita dedicação. Elaboramos junto com as Confederações projetos apoiados em Ciência do Esporte com objetivos e métricas de avaliação de resultados muito bem definidos, que refletem o patamar que o COB detém hoje de conhecimento e de excelência de gestão do esporte de alto rendimento.
Sobre as acusações de Eric Maleson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), Nuzman disse que não houve invasão da sede. De acordo com ele, o interventor nomeado pela Justiça não conseguia entrar para realizar seu trabalho.
- A Confederação tem sérios problemas administrativos e financeiros que impossibilitam o repasse dos recursos da Lei Agnelo-Piva. E o COB passou a arcar diretamente com as despesas básicas do funcionamento da entidade para assegurar o mínimo atendimento das necessidades dos atletas. O COB alugou uma sala para ser a sede da Confederação de Gelo e, expressamente autorizado pelo proprietário e locador, sublocou a sala para a CBDG. Portanto, a Confederação tem a posse do imóvel podendo usá-lo livremente. E o interventor poderia entrar a qualquer momento. E COB, por ser responsável pela sala, poderia acompanhar o interventor. O desfecho está nas mãos da Justiça, na 37ª Vara Cível do Rio de Janeiro - disse Nuzman, destacando que desde 2009 a CBDG não recebe os recursos da Lei Agnelo-Piva.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/10/reeleito-no-cob-nuzman-deixa-em-aberto-situacao-apos-2016.html

Nuzman é reeleito para o quinto mandato à frente do COB


Presidente comanda Comitê Olímpico Brasileiro desde junho de 1995

Por Ary Cunha

RIO - Carlos Arthur Nuzman foi eleito nesta sexta-feira para seu quinto mandato consecutivo como presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Ele não teve concorrente, já que sua chapa, com André Gustavo Richer de vice-presidente, foi a única registrada para o pleito. É a quarta reeleição de Nuzman, cujo novo mandato começará em janeiro do ano que vem e irá até janeiro de 2017. Quando chegar ao final do quinto mandato o dirigente, que antes comandou a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) por 22 anos, terá completado 21 anos e meio à frente do COB, que comanda desde 29 de junho de 1995.
Pela primeira vez não foi proposta eleição por aclamação, sem necessidade de voto. Isso porque era de conhecimento geral que o presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, Erick Maleson, não apoiava a reeleição de Nuzman. Tinham direito a voto 33 pessoas: 30 representantes de confederações mais os três membros natos do COB: o próprio Nuzman, seu vice, Richer, e o ex-presidente da Fifa João Havelange, que fez aparição pública pela primeira vez desde sua última internação no hospital e caminhava com dificuldade, ajudado por uma bengala e por um rapaz.
Do universo de 33 votos Nuzman obteve 30 a favor e um contra. Não compareceram ao pleito o presidente da CBF, José Maria Marin, e o interventor da Confederação Brasileira de Vela e Motor, Carlos Luis Martins.
Após a eleição, Maleson fez duas críticas ao COB. Ele disse que houve um movimento para lançar uma outra chapa, mas ele teria sido suficado pela entidade. Segundo Maleson, nove presidentes confederações chegaram a ter duas reuniões no Clube dos Marimbás, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para articular uma chapa que não foi para frente. Ele disse que os dirigentes não teriam apoiado a dissidência por medo de retaliação.
- A coisa é muito séria. Eu peço ajuda ao Ministério do Esporte e à presidente Dilma. Se a gente continuar nesse caminho, vão continuar acontecendo coisas como arrombamento de sede e desvio de documento em Londres. E isso é só a ponta do iceberg. Eu venho sofrendo ataques há dois anos. Este é um dia triste para o esporte olímpico brasileiro - afirmou.
O grupo citado por Maleson tinha a frente um ex-desafeto de Nuzman: o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Alaor Azevedo. Ele admitiu que houve uma reunião, mas, segundo ele, não era para lançar uma chapa, e sim discsutir ideias porque havia uma insatisfação grande entre algumas confederações. Alaor disse ainda que parte destas ideias teriam sido atendidas pelo Nuzman em reuniões com ele.
- Realmente eu mudei de posição. Mas a minha crítica não era pessoal e sim de ideias. Havia a ideia de ter uma chapa de oposição desde Guadalajara (no Pan do México do ano passado), mas desde que o Ary Graça fosse o presidente. Depois que o Ary confirmou com o Nuzman que ele não ia deixar de ser candidato à reeleição, a gente recuou.
Presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça foi eleito no mês passado presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVb).
Ao se defender das acusações disse que não houve invasão da sede da Confederação de Desportos no Gelo.
- O que houve é que um interventor foi nomeado pela Justiça do Rio e ele precisava entrar para realizar o seu trabalho e não conseguia. A confederação tem problemas administrativos e financeiros que inviabilizam o repasse de verbas da Lei Piva.
O COB diz que a confederação não recebe recursos da Lei Piva desde 2009, mas Maleson diz que não recebe o dinheiro há cinco anos. Segundo Nuzman, o COB passou a bancar as despesas da entidade diante da impossibilidade de repassar os recursos.
Na votação foram eleitos, além do presidente e do vice, os membros efetivos da assembleia geral e membros do conselho fiscal.
A relação das confederações e seus representantes, com direito a voto:
Confederação Brasileira de Atletismo – Roberto Gesta de Melo
Confederação Brasileira de Badminton – Francisco Ferraz de Carvalho
Confederação Brasileia de Basketball – Carlos Boaventura Correa Nunes
Confederação Brasileira de Boxe – Mauro José da Silva
Confederação Brasileira de Canoagem – João Tomasini Schwertner
Confederação Brasileira de Ciclismo – José Luiz Vasconcelos
Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos – Coaracy Nunes Filho
Confederação Brasileira de Desportos na Neve – Erick Maleson
Confederação Brasileira de Esgrima – Gerli dos Santos
Confederação Brasileira de Futebol – José Maria Marin
Confederação Brasileira der Ginástica – Maria Luciene Cacho Resende
Confederação Brasileira de Golfe – Rachid Hadura Orra
Confederação Brasileira de Handebol – Manoel Luiz Oliveira
Confederação Brasileira de Hipismo – Luiz Roberto Giugni
Confederação Brasileira de Hóquei Sobre a Grama e Indoor – Sydnei Rocha
Confederação Brasileira de Judô – Paulo Wanderley Teixeira
Confederação Brasileira de Levantamento de Peso – Ricardo de Mesquita Calmon
Confederação Brasileira de Lutas Associadas – Pedro Gama Filho
Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno – Helio Meirelles Cardoso
Confederação Brasileira de Remo – Wilson Reeberg
Confederação Brasileira de Rugby – Sami Arap Sobrinho
Confederação Brasileira de Taekwondo – Carlos Luiz Pinto Fernandes
Confederação Brasileira de Tênis – Jorge Lacerda da Rosa
Confederação Brasileira de Tênis de Mesa – Alaor Gaspar Pinto Azevedo
Confederação Brasileira de Tiro com Arco – Vicente Fernando Blumenschein
Confederação Brasileira de Tiro Esportivo – Paulo Antonio Guedes de Lima e Silva
Confederação Brasileira de Triatlo – Carlos Alberto Machado Fróes
Confederação Brasileira de Vela e Motor – Carlos Luiz Martins
Confederação Brasileira de Voleibol – Ary Graça Filho


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/nuzman-reeleito-para-quinto-mandato-frente-do-cob-6297214#ixzz28Sr19q8f 

Meta do COB agora é colocar o Brasil entre os dez no total de medalhas


‘A meta sempre foi o total de medalhas’, disse Nuzman

Por Ary Cunha

RIO - Diante dos resultados obtidos pelos atletas brasileiros em Pequim-2008 e Londres-2012, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) mudou a meta para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Se antes, a meta do COB era ficar entre os dez melhores, agora o discurso é ficar no top-10 no total de medalhas.
Em Londres, o Brasil ficou em 22º lugar com três medalhas de ouro, cinco de prata e nove de bronze. Mas nas novas contas do COB, o Brasil ficou em 14º, com 17 medalhas. É uma prática, no entanto, que o ouro tenha um peso maior no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos.
Em Pequim, os americanos usaram o mesmo critério que o Brasil quer adotar agora quando viram que ficariam atrás da China no quadro de medalhas pelo número de medalhas de ouro. Há quatro anos, os chineses terminaram em primeiro lugar, com 51 ouros e 100 medalhas no total. Já os americanos conquistaram 36 ouros e 110 medalhas no total.
Para o presidente reeleito do COB, Carlos Arthur Nuzman, a cor da medalha não importa:
- O atleta que ganha uma medalha já é um herói. Independentemente da cor, ele já é um herói. As três medalhas são muito importantes. Não teve uma mudança de postura, mas uma constatação do que é importante nessa luta por medalhas. A meta sempre foi o total de medalhas - afirmou.
Ao tentar justificar que não houve mudança de planos, o superintendente do COB, Marcos Vinícius Freire, reforçou o discurso de que o importante sempre foi o número total de medalhas.
- Cada um tem um o seu quadro. Para nós, o que sempre contou foi o total de medalhas - disse.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/meta-do-cob-agora-colocar-brasil-entre-os-dez-no-total-de-medalhas-6298250#ixzz28SqU6MLl 

Por 30 a 1, Nuzman se reelege no COB até 2016


Em época de eleições municipais, outro importante pleito teve lugar nesta sexta, no Rio de Janeiro. Com 30 votos a favor e um contra, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) reelegeu Carlos Arthur Nuzman como seu presidente pelos próximos quatro anos. Desta forma, se permanecer até o fim do mandato, Nuzman, eleito por primeira vez em 1995, cumprirá 21 anos no cargo em 2016.

A realização dos Jogos Olímpicos do Rio em 2016 faz do novo mandato do dirigente o mais importante de sua trajetória no cargo. Também presidente do Comitê Organizador dos Jogos do Rio, Nuzman enfrenta atualmente um dos momentos mais turbulentos de sua trajetória no COB. 

Apesar do grande apoio recebido na votação, onde era o único candidato, o dirigente vive um momento de contestação pelos resultados da delegação brasileira nos Jogos deste ano em Londres.  A última edição dos Jogos foi palco ainda de uma grande polêmica envolvendo o nome de Nuzman: o escândalo de espionagem de funcionários do Comitê Organizador dos Jogos do Rio-2016, pelo qual nove funcionários foram demitidos, acusados de copiar ilegalmente material pertencente ao Comitê Organizador de Londres-2012 (LOCOG).

Outro conflito que afeta a Nuzman está relacionado a Confederação Brasileira de Desporto no Gelo (CBDG) e seu presidente, Eric Maleson, que acusam ao mandatário do COB de boicotar a instituição e de contribuir para a intervenção judiciária na Confederação. Maleson foi o único dos 29 presidentes de confederações presentes nesta sexta a votar contra a reeleição de Nuzman.  

Representantes das confederações de Futebol e de Vela e Motor não compareceram à votação. Além disso, o vice-presidente do COB, André Richer, e o ex-presidente da CBF e membro do Comitê Olímpico Internacional, João Havelange, também exerceram seu direito de voto por serem membros natos do COB, e votaram a favor de Nuzman.

Após a eleição, o dirigente reafirmou a meta de elevar o patamar esportivo do Brasil nos Jogos de 2016: “Estamos com a meta de levar o Brasil ao top 10 dos países no total de medalhas em 2016. Temos de buscar atletas capazes não apenas nas modalidades em que o Brasil tem tradição. O desafio é alcançar essa meta em estreita parceria entre COB, confederações e Ministério do Esporte. Nosso desempenho servirá de inspiração para futuras gerações de nosso país”. 

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/direitoepolitica/27/27081/Por-30-a-1-Nuzman-se-reelege-no-COB-ate-2016/index.php

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Rio 2016 não demitiu chefe de funcionária que copiou dados


Nuzman diz que comitê de Londres considera episódio de furto superado

Por Emanuel Alencar e Renata Leite

RIO - Nove dias depois de o Comitê Rio 2016 decidir pelo desligamento de nove funcionários — e não dez, como anteriormente divulgado — que fizeram cópias de documentos sigilosos do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, as autoridades olímpicas brasileiras quebraram o silêncio sobre o assunto ontem. Mas, após uma hora de entrevista coletiva, o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, e o diretor-geral da entidade, Leonardo Gryner, não esclareceram o teor dos documentos copiados, não divulgaram os nomes dos demitidos e eximiram de culpa os responsáveis pelos funcionários. Gryner acrescentou que o chefe da funcionária demitida Renata Santiago, o argentino-canadense Mário Cilenti, foi poupado de punição. Segundo o diretor, os funcionários do Rio 2016 que atuaram no comitê londrino foram “bem orientados” e o episódio não criou qualquer constrangimento diplomático entre Londres e Rio.
— Os demitidos não atuaram de forma orquestrada, agiram por conta própria. Eles nos informaram que o intuito seria trazer conhecimento para a nossa organização. A gente considera que demissão, sem justa causa, foi a medida mais adequada. O chefe da Renata não foi demitido — disse Leonardo Gryner.
Perguntado se o episódio não arranhou a imagem do Brasil no exterior, Nuzman negou e afirmou que “muitas vezes é preciso superar questões internas e externas”. O presidente do Rio 2016 leu uma carta na qual do diretor-geral do comitê de Londres, Paul Deighton, afirma que “o caso envolveu somente um pequeno número de pessoas e foi resolvido de forma eficiente”. Quanto à não divulgação dos nomes dos demitidos, afirmou:
— O Rio 2016 não divulga os nomes dos profissionais por entender que essa é uma relação entre empresa e funcionário. Os documentos são do comitê de Londres e por isso não podemos divulgar o teor.

Fato foi comunicado em 1º de setembro
Nuzman disse ainda que o Rio 2016 soube do fato no dia 1º deste mês, por autoridades britânicas. Prontamente, afirmou, comprometeu-se a resolver a questão e também informou o governo brasileiro sobre o caso. Ainda segundo Nuzman, uma varredura nos sistemas do comitê de Londres identificou dez funcionários que baixaram os arquivos, num universo de 24 que participaram de programas de aprendizado prático na capital da Inglaterra. No dia 18 de setembro, esses funcionários foram desligados e as cópias, destruídas. No entanto, durante o processo, foi constatado que um dos funcionários tinha autorização prévia para baixar os arquivos e ele foi readmitido.
Na última terça-feira, Renata Santiago, uma das demitidas pelo Comitê Rio 2016, divulgou carta na qual afirma que não teve acesso a informações confidenciais da equipe inglesa e admitia ter trazido cópias para o Brasil. Em entrevista ao GLOBO, Renata questionou o fato de não ter sido demitida por justa causa:
— Se o que fizemos foi tão grave assim, por que não fui demitida por justa causa? Tínhamos acesso a várias informações, e o que acessávamos ou fotografávamos tínhamos que listar num relatório, entregue ao Rio 2016. Não tínhamos acesso a informações confidenciais.
Sobre a informação de que Rodrigo Hermida, hoje funcionário do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (COL), foi demitido do Comitê dos Jogos Pan-Americanos de 2007 por ter copiado arquivos da empresa Event Knowledge Services (EKS), Nuzman afirmou “não se lembrar” da causa da demissão. A notícia foi divulgada no blog do jornalista Juca Kfouri, no portal UOL.
— Não tenho condições de me lembrar exatamente, são mais de dois mil funcionários. Mas ele não deixou nenhuma questão sobre seu comportamento, tanto que voltou a trabalhar conosco nas olimpíadas universitárias de Blumenau (em Santa Catarina), em 2007.
Nuzman também rebateu críticas do deputado federal Romário (PSB-RJ), dizendo que ele “não tem informações suficientes para analisar o tema com mais frieza e profundidade”.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/topico-rio-2016/rio-2016-nao-demitiu-chefe-de-funcionaria-que-copiou-dados-6219803#ixzz27kjURYKX 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Nuzman quebra silêncio e oficializa saída de 9 funcionários do Rio 2016


Presidente do Comitê Organizador lê comunicado enviado por britânicos após cópias não autorizadas do Locog: 'Não houve impacto no relacionamento'

Por Vicente Seda

O presidente do Comitê Organizador Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, e o diretor geral da entidade, Leonardo Gryner, concederam entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, no auditório da sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a respeito das demissões de funcionários por cópias não autorizadas de arquivos do Comitê Organizador dos Jogos de Londres 2012 (Locog). Nuzman afirmou que foram demitidos nove de 24 funcionários. Anteriormente, a conta chegava a dez, mas um deles foi mantido, já que seu chefe do Locog informou que havia autorizado a cópia das informações. Porém, os nomes dos envolvidos no episódio não foram divulgados pelo Rio 2016 por considerar que "esta é uma relação entre empresa e funcionário".

- Partiu de nós (a demissão dos funcionários) porque entendemos que houve quebra de confidencialidade e que esse era o caminho que deveríamos tomar. Entendemos que a demissão era adequadamente o que deveria ser feito nesse episódio.  A partir daí, fizemos uma série de trocas de informações que nos permitiu chegar a essas nove pessoas como sendo aquelas que copiaram vários arquivos. O processo de destruição foi acompanhado pelas equipes de TI do Rio e de Londres - disse Nuzman.

Se Nuzman não quis revelar o nome dos demitidos, Gryner foi econômico em algumas respostas. Questionado se acredita que houve má fé dos funcionários demitidos, respondeu que só podia afirmar que "quebraram o contrato". Em outro momento, indagado sobre o volume de informações copiadas e se algum dos demitidos teria feito download de uma quantidade muito maior do que os demais, afirmou que só o Locog poderia responder. Além disso, afirmou que não há indícios de que os nove demitidos tenham atuado de forma orquestrada e tratou de isentar o comitê de culpa nos atos.

- Não teve erro da nossa parte, tivemos um cuidado bem grande. Como funciona esse processo dos secondees? O Locog disponibiliza algumas vagas, nós consultamos as áreas internas, enviamos candidatos, e esses candidatos são ouvidos e selecionados pelo Locog. Passamos todas as informações que deveríamos ter passado, o contrato e o manual de acesso à informação a esses funcionários. A partir daquele momento eles teriam de se dedicar integralmente ao Locog e responderiam diretamente aos responsáveis pela sua área no Locog. Reparamos rapidamente o ocorrido e consideramos que a punição deles foi a punição adequada para o erro que cometeram - disse Gryner, acrescentando que o "dono das informações", no caso o Locog, "não qualificou como furto" o ato dos funcionários.

Durante a entrevista, também foram reveladas as cláusulas de confidencialidade do contrato dos funcionários com o Locog, descritas em documento entregue pelo Rio 2016. O comitê organizador brasileiro informou que os funcionários também receberam um manual, com termos mais coloquiais, para se eximir de culpa por possível falha na instrução dos demitidos. Também foi lida uma mensagem enviada por Paul Deighton, executivo-chefe do Locog.

"A cópia não autorizada de arquivos do Locog não resultou em nenhuma violação de segurança grave nem no comprometimento de quaisquer dados pessoais. O caso envolveu somente um pequeno número de pessoas e foi resolvido de forma eficiente e eficaz pela diretoria do Comitê Organizador Rio 2016. Esse episódio não reflete sob nenhum aspecto as ações ou comportamentos por parte da maioria da equipe do Rio 2016. Todos os documentos foram rapidamente devolvidos e não houve impacto de nenhuma forma no estreito relacionamento que sempre mantivemos com o Rio 2016, o prefeito e o governador do Rio e o governo brasileiro. Continuaremos compartilhando informações com os nossos colegas do Rio 2016", dizia o comunicado de Deighton.

Nuzman adotou um tom apaziguador ao responder  as acusações do deputado federal e ex-jogador Romário, que o considera culpado pelo incidente.

- O deputado Romário é um atleta que nos honrou e nos ajudou muito, defendeu o Brasil, é campeão do mundo, mas no nosso entender ele não tem informações suficientes para analisar com mais clareza e profundidade o tema. Vou reiterar o convite para que ele venha ao Rio 2016, para que possa ver de que maneira estamos trabalhando. Estamos à disposição dele com o maior respeito.

Caso Hermida
Sobre o desligamento de Rodrigo Hermida do comitê organizador do Pan de 2007, no Rio, Nuzman disse não saber o motivo, alegando não se lembrar de todas as demissões. Segundo Juca Kfouri, em seu blog no "Uol", ele foi demitido há seis anos também por copiar de forma não autorizada arquivos de uma empresa que prestava serviço ao Co-Rio. Atualmente, Hermida atua como gerente de voluntários do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 (COL).

- Rodrigo Antunes Hermida trabalhou no Pan, na função de assistente de projetos, subordinado ao gerente geral de Recursos Humanos, Paulo Sérgio Rocha. A saída dele se deu como acontece normalmente em entrada e saída de funcionários, tanto que não deixou nenhuma dúvida do seu comportamento e voltou a trabalhar conosco nas Olimpíadas Universitárias em 2007, como gerente de voluntários, e nas Escolares, na gerência administrativa e secretaria geral - disse Nuzman, negando que Hermida fosse subordinado a Mário Cilenti, chefe da funcionária Renata Santiago, única a vir a público falar a respeito da demissão, a qual qualificou como "injustiça tremenda".

Entenda o caso
As demissões ocorreram no dia 18 de setembro. Dias depois, o Locog anunciou publicamente o problema. Uma das demitidas, Renata Santiago, enviou uma carta para Nuzman e os funcionários do COB e do Comitê Rio 2016 alegando não ter feito qualquer cópia não autorizada, visto que tinha acesso às informações com autorização do próprio comitê londrino. Ela disse ao GLOBOESPORTE.COM que 11 pessoas foram desligadas, ressaltando que um dos envolvidos aproveita férias, não retornou ao Brasil e, por isso, ainda não foi cortado.

Renata, que afirmou ter trabalhado 12 anos diretamente com Nuzman, também destacou que todos os funcionários foram obrigados a preencher um relatório onde um dos campos era reservado para descrição de todas as informações trazidas da organização das Olímpíadas deste ano. O Comitê confirmou a informação, mas alegou que não havia como saber, por este relatório, o que havia sido autorizado ou não. Renata atuava no setor de relações internacionais do Rio 2016.

Um funcionário afirmou ao GLOBOESPORTE.COM que a lista inicial de pessoas que copiaram arquivos não autorizados incluía 14 pessoas, mas teria sido feita uma filtragem tendo como critério o volume de material copiado. Outros dois empregados confirmaram que há orientações internas para que não falem sobre o tema fora da entidade. Um deles chegou a dizer que o staff está sendo "doutrinado" nesse sentido.
Outro nome levantado pelo blog de Juca Kfouri é o de Bruno Olivieri, que era da área de TI (tecnologia da informação) do Rio 2016. A assessoria do comitê organizador informou apenas, na noite de quarta-feira, que ele não é funcionário da entidade, o que leva a crer de que de fato está entre os demitidos. Ainda segundo o blog, Olivieri foi responsável pela cópia de uma grande quantidade de arquivos. O GLOBOESPORTE.COM tentou contato por telefone e e-mail com Bruno Olivieri, mas não houve resposta.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/09/nuzman-quebra-silencio-e-oficializa-saida-de-9-funcionarios-do-rio-2016.html

Nuzman afirma que demissão sem justa causa dos acusados de copiar arquivos ilegalmente foi a medida adequada


RIO - O presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olimpicos da Rio 2016, Carlos Nuzman, afirmou nesta quinta-feira que a demissão de nove funcionários sem justa causa após a cópia ilegal de arquivos do comitê olímpico de Londres foi a medida disciplinar adequada. Ele também afirmou que por uma questão de confidencialidade não poderia revelar o nome dos demitidos.
Em entrevista coletiva na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), na Barra, Nuzman ainda rebateu as críticas do deputado federal Romário:
- O Romário honrou o país muitas vezes mas, em nosso entender, neste caso ele não têm informações suficientes sobre o tema. Quero fazer novamente o convite para ele participar das reuniões do Comitê Olímpico da Rio 2016.
Na quarta-feira, Romário se manifestou sobre o tema, via nota, e disse que “está mais que comprovado a falta de decência desta entidade (referindo-se ao Comitê Olímpico Brasileiro). O fato só escancara o que vem acontecendo com o esporte do Brasil. O culpado nesses casos (incluindo o de Londres) nunca aparece, mas sabemos muito bem que é o presidente do Comitê”.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/nuzman-afirma-que-demissao-sem-justa-causa-dos-acusados-de-copiar-arquivos-ilegalmente-foi-medida-adequada-6214265#ixzz27icQTx8F 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Um passo maior que as pernas


Por Erich Beting

Ricardo Teixeira e Carlos Arthur Nuzman não são os melhores amigos, mas com certeza compartilham de muitos hábitos parecidos. O principal deles talvez seja a vontade de permanecer no poder. Na década passada, os dois principais dirigentes do esporte brasileiro nunca haviam tocado tão de perto o céu quanto poderiam algum dia ter sonhado.

Quer dizer. Pela sede de poder que ambos sempre demonstraram ter, talvez realmente algum dia eles tinham imaginado algo similar, talvez até mais poderoso como ser o presidente da Fifa (no caso de Teixeira) e do COI (no caso de Nuzman). Se o projeto de internacionalização não havia vingado ainda, pelo menos o de extrema concentração de poder nacional era uma realidade.

Em novembro de 2007 Teixeira tornou-se soberano como jamais visto no futebol. A CBF, entidade que presidia, era a instituição esportiva de maior faturamento no país e, além disso, o dirigente havia sido responsabilizado pelo feito de trazer a organização da Copa do Mundo para o Brasil após 64 anos. A jogada de mestre se deu nos bastidores, ao unir todas as confederações da América do Sul em prol da campanha brasileira para ser sede do Mundial de 2014.

Em outubro de 2009 foi a vez de Nuzman atingir esse patamar, ao trazer, pela primeira vez na história, uma edição de Jogos Olímpicos para a América do Sul. Não, claro, não foi só ele quem conseguiu o feito. Mas, assim como Teixeira, o cartolão do COB foi apontado como o grande artífice da vitória brasileira.

E por incrível que pareça foi exatamente ao atingirem tal patamar que os dois mais poderosos dirigentes esportivos do Brasil nas últimas duas décadas começaram a perder força. Ou melhor, a não conseguir concentrar tanto poder em suas mãos.

Teixeira, saído pela plataforma de embarque dos fundos para Miami, não conseguiu comandar a CBF e o COL (Comitê Organizador Local da Copa) ao mesmo tempo. De tão concentrado que ficou o poder em suas mãos, ele esvaiu-se após sucessivos escândalos até menos absurdos daqueles de dez anos antes, revelados pelas CPIs na Câmara e no Senado e que viraram pizza sepultada ainda mais pela escolha do Brasil como sede do Mundial.

Agora é a vez de Nuzman começar a sofrer pelo excesso de poder nas mãos. Assim como Teixeira, o chefão do COB quis também ser o manda-chuva do Rio-2016. E o primeiro escândalo já o coloca na berlinda. O download ilegal de documentos do Comitê Organizador de Londres-2012 pode até passar por ingenuidade, mas do jeito que repercutiu entre os britânicos, deixou ainda mais queimado o filme de Nuzman, que já sofre restrições por ser o primeiro presidente de uma confederação nacional a querer também comandar um comitê organizador de Olimpíada.

O destino de Nuzman talvez não seja o mesmo de Teixeira, apesar de ter muita gente torcendo para que seja. Mas o fato é que, após quase duas décadas de concentração de poder nas mãos, os dois chefões do esporte brasileiro tiveram de começar a abrir a mão de tanta centralização. É o famoso passo maior que as pernas que, ao que tudo indica, os dois dirigentes deram.

No caso do futebol, a saída de Teixeira reabriu algumas importantes discussões e, aparentemente, causou nos clubes aquela “coceira” para que eles tenham mais poder e, consequentemente, melhorem o nível técnico dentro do país. Já no caso dos outros esportes brasileiros, o enfraquecimento da dinastia Nuzman pode causar um rompimento nunca antes visto.

Momento melhor para isso não há, já que a realização das Olimpíadas no Rio em 2016 abriu uma enorme condição para que toda a cadeia produtiva do esporte dependesse menos da verba sempre concentrada nas mãos do COB e passassem a viver de dinheiro que passou a ser investido sem antes passar pelo aval da entidade nacional.

O fato é que podemos viver o começo de mais uma mudança. Que parecerá gigantesca num primeiro momento, pequena num segundo e, se estivermos preparados, significativa no longo prazo. Como sempre mostrou a história, ter muito poder não significa poder fazer o que bem quiser. Pelo contrário. A concentração de poder geralmente causa, mais para a frente, o acúmulo de inimigos querendo mudar o jogo.

Curiosamente foi justamente na hora em que mais poderosos ficaram Teixeira e Nuzman, mais fragilizados eles se tornaram…

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/09/24/um-passo-maior-que-as-pernas/