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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Jogos Escolares Sul-Americanos têm verba de R$ 6,2 milhões


Por José Cruz

O Ministério do Esporte aprovou, em cima da hora, R$ 6,2 milhões para os 28º Jogos Sul-Americanos Esolares, de 29 de novembro a 6 de dezembro, em João Pessoa. Só em hospedagem serão gastos R$ 3,1 milhões, 50% do valor liberado.

A aprovação da grana foi de Afonso Barbosa, vice-almirante aposentado que ocupa o cargo de Secretário de Esporte, Educação e Lazer, do Ministério do Esporte.

A administração dos recursos é da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDE), a mesma que já abandonou atletas em evento internacional, como publiquei, conforme denúncia dos próprios atletas e seus pais

Entre 2011 e 2012 a CBDE recebeu R$ 10,6 milhões do Ministério do Esporte, para vários eventos.

Desencontros

Apesar do custo, R$ 6,2 milhões, os Jogos não têm qualquer expressão para o desenvolvimento do desporto escolar. E revelam desencontros do governo com outros segmentos afins.

Pior:

A realização dos Jogos Sul-Americanos, coordenados pela CBDE, conflita com as Olimpíadas Escolares, organizados pelo COB, de 25 de novembro a 8 de dezembro, em Cuiabá, para atletas de 15 a 17 anos.

E as Olimpíadas Escolares, com 13 modalidades em disputa   – “onde o futuro do esporte brasileiro se encontra”, diz o COB – , classificam para o Festival Olímpico da Austrália.

Entenderam?

São duas competições escolares, uma nacional e outra sul-americana, no mesmo período.

Isso demonstra a “eficiência” do diálogo e convergência do calendário  entre o Ministério do Esporte, a CBDE e o COB …

O Ministério da Educação está completamente tonto e perdido neste assunto. Aliás, nem se interessa…

É por isso, também, que o desporto escolar é apenas peça promocional no Brasil. regada com muita grana pública.

Mais

Por quê os Jogos Sul-Americanos não são realizados em Brasília?

Afinal, em 2013 a cidade receberá os Jogos Escolares Mundiais?

Não seria uma boa oportunidade para testar as instalações e a equipe que trabalhará no evento maior?

Bueno, de repente faltam instalações … Ou nem equipe está sendo preparada…

Fonte: http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2012/11/jogos-escolares-sul-americanos-tem-verba-de-r-62-milhoes/

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O SISTEMA ESPORTIVO BRASILEIRO E A SUA GESTÃO AMADORA


Por Silvestre Cirilo dos Santos Neto*

A atual demanda gerada sobre a gestão do esporte surgiu a partir da realização dos megaeventos esportivos, na chamada década de ouro para o esporte no Brasil, iniciada em 2007 com os Jogos Pan-Americanos e com o fechamento previsto para 2016, com a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, passando por Jogos Mundiais Militares e Copa do Mundo de Futebol. Surge, então, a discussão sobre a administração esportiva e o seu ambiente prioritariamente amador no país. A discussão sobre o legado dos megaeventos não vem contemplando o desenvolvimento do esporte desde a sua base. Lembrando que o esporte não tem os eventos como atividade-fim.
O Brasil encontra-se em uma etapa que deveria representar a inserção do país no universo do esporte como negócio, ou esporte baseado em clubes-empresa e gerido estrategicamente para produzir muitas alegrias aos torcedores, socialização, educação, mas também muitas riquezas. No entanto, o corporativismo impede que essas ideias proliferem em terras tupiniquins. Numa perspectiva mais ampla, e também complexa, esporte também representa desenvolvimento, pois o correto planejamento do trabalho e sua posterior execução demandam aportes de investimentos para desenvolvimento de infraestrutura, para a aplicação de tecnologia e qualificação de mão-de-obra, fatores que são capazes de alavancar a dinâmica econômica e social de cidades e regiões.
Para que essa indústria seja alavancada é necessário o fortalecimento da base, onde o esporte tem sua origem e serve como abastecedor das instâncias imediatamente superiores, como numa pirâmide. Nesse ínterim, com a candidatura e realização dos megaeventos e demais eventos de nível internacional, veio à tona a discussão sobre a gestão esportiva do país. Pois, não faz sentido que se discutam os megaeventos apenas como suporte para obras de infraestrutura e melhoria em setores como os de transporte e meio-ambiente. Onde fica situado o legado esportivo nessa discussão? Como se dará o desenvolvimento do esporte após os megaeventos? Como se engendrará o sinergismo para o fomento do esporte em todo o território e, de fato, termos uma política pública voltada ao esporte? 
No entanto, qual seria o modelo ideal para sistema brasileiro? Seria aquele baseado no sistema educacional e com as ligas profissionais, como nos Estados Unidos? Ou, os modelos intervencionistas, como Cuba (que leva esse controle ao extremo) ou a Europa? Como é possível que países com dimensões de municípios brasileiros alcançarem resultados tão mais expressivos no cenário mundial? Se analisarmos a história recente do sistema esportivo local, teremos alguns indícios de como chegamos a um nível tão crítico quando nos referimos à continuidade da pirâmide esportiva. Desde os anos 1980, os educadores e pedagogos de plantão vêm demonizando o uso do esporte na escola e surgindo com pedagogias voltadas às atividades que contemplam o comportamento, o ser humano, a saúde, porém exortando o esporte do ferramental para atingir os resultados propostos. Outro ponto que merece destaque é a falta de integração entre os Ministérios do Esporte e da Educação e esporte e educação física, que acabam por não falar a mesma linguagem e são tratados como assuntos dicotômicos. A legislação esportiva que se mostra tão evoluída em alguns aspectos, torna-se arcaica quanto comparada à países como Zâmbia e Japão, que preconizam a integração entre essas duas áreas ou, a Alemanha, em que cada esporte trabalha os três segmentos esportivos (educacional, de participação e de rendimento).
Em pesquisa realizada com 102 profissionais de educação física, oriundos de 25 estados das 5 regiões do país, cujo objetivo era saber como estes observavam a gestão esportiva. 47,1% relataram como objetivo da educação física o desenvolvimento motor, mas sem haver uma diretriz consolidada nas ações voltadas ao cumprimento desse objetivo. O esporte foi visto por 67,6% dos respondentes como não tendo um objetivo definido nas suas ações. A coordenação entre a educação física escolar e o esporte apresentou um índice de 80,4% para os respondentes que não verificaram qualquer coordenação entre as duas áreas. Em relação à gestão do desporto, nos seus três segmentos (escolar, participação e rendimento), verificou-se que cerca de 40% dos respondentes observaram que o desporto educacional, o de participação e o de rendimento, apresentava ações sem objetivos definidos. Outro resultado que merece destaque é a aparição do personalismo por parte dos “gestores”, quando estes usam o esporte como trampolim para suas agendas pessoais e tomam decisões a partir de critérios exclusivamente políticos.
Com o passar dos anos, o foco do desenvolvimento esportivo no Brasil voltou-se para o desporto de rendimento e, num grau superior, especificamente o futebol. A falta de um sistema esportivo consolidado no país permite-nos que haja uma sobreposição de competências no que diz respeito aos demais segmentos esportivos preconizados na legislação. Percebeu-se através das respostas coletadas junto aos profissionais de educação física, a interferência de manifestações não condizentes com o segmento tratado, assim como, em relação aos objetivos da educação física. Observa-se que o trabalho realizado no segmento do desporto de participação, por exemplo, é realizada pela União, pelos Estados e pelos Municípios, caracterizando o choque de competências entre os entes, não sendo possível, então, a efetivação de uma gestão eficiente no sentido da maximização de resultados e, caminhando para o perigoso caminho das decisões pautadas somente nas questões políticas.
A definição dos segmentos esportivos conforme preconizados pela lei, não auxilia na visualização do cenário esportivo nacional, pois existe uma necessidade de objetivos mais claros e que não convirjam, como, por exemplo, o desporto educacional e o de participação que apresentam sentidos muito próximos e, acabam por gerar uma linha tênue entre ambos e, consequentemente, influencia a forma de trabalho. Nesse sentido, existe a necessidade da regulação de cada segmento com o intuito de evitar desvios como o percebido no desporto de participação ou o educacional, por exemplo, nos quais se observam o trabalho voltado às chamadas escolinhas esportivas, distanciando-as do objetivo preconizado na legislação ao evidenciar o lado técnico e a reprodução do treinamento esportivo, com alunos de diferentes níveis técnicos numa mesma turma e, sem apresentarem o mesmo lastro. Por outro lado, o segmento do desporto de participação é vendido como voltado ao social, por possibilitar que as comunidades obtenham acesso ao esporte e, garantindo ótimo retorno político.
O estudo concluiu que a gestão esportiva ocorre no país, mas de forma incipiente, sem utilizar os recursos e ferramentas que a administração pode suprir. Faz-se necessário a adoção de uma política esportiva no país. Para tal, seria necessária a discussão de 3 pontos: análise e reestruturação da conceituação do esporte no país com a posterior revisão da legislação; a criação de mecanismos de regulação do esporte similar aos encontrados na Saúde e na Educação, no qual cada ente tem prevista sua área de atuação e suas competências e a adoção de um modelo de gestão que envolvesse não só a administração pública mas, também, o setor privado e o terceiro setor.  


* Formado em Licenciatura Plena em Educação Física, na UFRRJ com especialização em Gestão da Administração Pública. Mestre em Gestão e Estratégia em Negócios, pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da UFRRJ, com a dissertação versando sobre gestão do esporte. Tem experiência na área esportiva através das prefeituras de Angra dos Reis, Rio de Janeiro e Itaguaí, seja trabalhando com o desporto educacional ou com os desportos de participação e rendimento, além de efetuar a gestão de conteúdo, planejamento e organização de projetos e eventos. Fez parte da equipe que criou a Secretaria de Esporte e Lazer de Angra dos Reis, em 2008, onde foi o seu primeiro Assessor de Planejamento, e trabalhou como voluntário nos 5º Jogos Mundiais Militares, tendo atuado no Media Press Center (MPC).

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Petrobras libera R$ 30 mi em patrocínio ao esporte


A Petrobras divulgou que investirá R$ 30 milhões em patrocínios ao Programa Petrobras de Esporte & Cidadania, que foca suas ações no esporte educacional. Foram escolhidos 32 projetos em 17 Estados brasileiros.

O anúncio foi feito em um evento realizado na manhã desta terça-feira No Centro de Referência Esportiva da Petrobras, localizado na favela da Mangueira, zona norte do Rio de Janeiro. Participaram da cerimônia o ministro do esporte Aldo Rebelo, o diretor corporativo da Petrobras, José Eduardo Dutra e a presidente da companhia, Maria das Graças Foster.

"Nossa preocupação é pensar na formação das crianças de forma integral e digna. O esporte é uma ferramenta importante na transformação social", comentou Bárbara Machado, coordenadora do projeto.

"A gente sabe da nossa responsabilidade para o país como empresa, mas uma iniciativa como esta é como uma hora do recreio para nós. Lava a alma. Seria tolo considerar termos uma empresa como a Petrobras sem um grande apego às crianças e adolescentes do Brasil", revelou Foster.

Todas as iniciativas do projeto são voltadas para a democratização do esporte. As ações visam: inclusão social, bem-estar, saúde e qualidade de vida.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/patrocinio/26/26461/Petrobras-libera-R-30-mi-em-patrocinio-ao-esporte/index.php

domingo, 8 de julho de 2012

Desporto escolar: CBDE, desleixo com os atletas


Por José Cruz

A partir da notícia sobre a quarta colocação do Brasil nos Jogos Escolares Pan-Americanos, na Guatemala, recebi a seguinte mensagem, que revela a realidade do setor e o descaso governamental Por questões óbvias resguardo a identidade do autor:

“Os atletas, de 16 e 17 anos, foram convocados pela CBDE (Confederação Brasileira de Desporto Escolar) e saíram de Brasília no dia 23 de junho, em direção a Guatemala. O voo fez escala no Panamá e a delegação ficou 12 horas no aeroporto.

1ª surpresa

Foi então que os atletas receberam a notícia de que as refeições na viagem eram por conta de cada um, a CBDE não iria pagar o almoço nem janta. Como isso não foi avisado antes da viagem, muitos atletas não tinham dinheiro suficiente para todo o tempo fora do Brasil e ficaram sem se alimentar. Outros tiveram suas refeições pagas pelos técnicos.

Fantasma

Mas havia um técnico de judô na delegação, mas o Brasil não tinha atletas dessas modalidade na competição.

Nenhuma das delegações do Brasil tinha equipe completa, o que acabou por prejudicar a nossa participação. Ao final, ficamos atrás até de outros países sul-americanos, como o Equador, que participou com equipes completas. Estivemos no handebol, vôlei, futebol, atletismo e natação.

Retorno

Na volta para o Brasil, a primeira parte da delegação desembarcou em Brasília no dia 29 de junho – domingo passado – às 22h30. Ninguém da CBDE estava no voo, apenas os técnicos.

Os atletas de outras cidades passaram a noite no aeroporto, deitados no chão dos corredores, sem direito a refeição ou local para dormir.

Foi oferecido apenas um lanche simples, sendo que a maioria viajaria somente na manhã do dia seguinte, dia 30, alguns por volta das 12h. Até então, estavam sem janta ou café da manhã.

Uniforme

Os uniformes que a delegação usou tinha o símbolo do Ministério do Esporte. Nas costas estava “Brasil”. Acredito que foi liberada verba pública para a viagem. Não tenho certeza sobre isso.

Estou preocupado porque vejo jovens, todos menores de
idade, representando o Brasil mas passando por este tipo de situação.

Não sei se isso é comum, mas não me parece certo eles serem convocados e depois ficarem atirados como estavam no aeroporto, fiquei muito triste com essa situação, principalmente porque estavam com uniforme da representação brasileira.”

Minha análise

Na segunda-feira, encaminhei esta mensagem ao Ministério do Esporte, perguntando se desejava se pronunciar. Não obtive resposta.

No mesmo dia tentei contato com a direção da CBDE. Até ontem, sexta-feira, ninguém atendia os chamados ao “novo telefone” – 61 3321- 576. A mensagem por email também foi ignorada. O presidente da CBDE chama-se Sérgio Rufino.

As denúncias são gravíssimas. Deixo de lado as críticas sobre o desempenho do Brasil porque, como se observa, foi uma delegação apenas “para constar”.

Enquanto jovens atletas são tratados de forma tão desprezível pelas instituições do esporte nacional, Brasília anuncia que será sede das Olimpíadas Escolares Mundiais – Gymnasiade 2013, evento gigantesco que se realiza a cada quatro anos. Somos, de fato, o país dos contrastes. Recursos humanos de um lado; já os financeiros…

Desporto escolar

No ano passado, o Comitê Olímpico Brasileiro recebeu R$ 15 milhões para o desporto escolar. Os recursos foram aplicados na Olimpíada Escolar e os atletas foram recebidos em excelentes hotéis e alimentação de primeira.

No entanto, quem organiza a delegação para os Jogos Sul-Americanos é a CBDE, que não paga a refeição dos atletas no deslocamento. Será que seus diretores tiveram esse “privilégio”?

Desordem

Está aí mais uma prova da “desordem no esporte”. E não é por falta de dinheiro ou de instituições ou de leis. É falta de política efetiva, de metas, de planejamento, de entrosamento entre os órgãos diretivos, de diálogo, enfim.

Esta notícia é publicada na mesma semana que outra, também neste blog, anunciou que verbas públicas destinam-se, também, ao pagamento de salários de funcionários do Comitê Olímpico e Comitê Paralímpico Brasileiros. Quem sabe de diretores, o que será gravíssimo. Ainda não tenho essa última confirmação, que solicitei ao TCU.

Observe a distância entre os fatos: atletas em evento internacional viajando sem dinheiro para a indispensável alimentação ou conforto necessário após competirem, precisando se espichar no chão de um aeroporto expondo ao vexame o uniforme do Brasil que representam.

De outra parte, recursos financiam as Olimpíadas Escolares, organizadas pelo COB. Mas quem cuida da viagem internacional é a CBDE que, como se observa, não está nem aí!!!

CPI

Mais do que nunca a CPI do Esporte se torna oportuna.

O Comitê Olímpico informa que não teremos desempenho melhor que nos Jogos de Pequim, apesar de o dinheiro público ter quase dobrado em quatro anos. Afinal, o que está ocorrendo? quem é o grande gerente desse negócio que tem fartos recursos – humanos, inclusive – mas não prevê evolução nos resultados e, de outra parte, abandona seus jovens competidores em salões de aeroportos?

Já que o Ministério do Esporte não se manifesta diante desse desmando que dura anos, quem sabe o deputado Romário, que foi atleta e sabe o que significa  a relação com cartolas, se anima sair em defesa daqueles que são a razão de ser do esporte, atletas e técnicos.


Fonte: http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2012/07/desporto-escolar-cbde-desleixo-com-os-atletas/

CBDE II – Novas denúncias revelam desprezo com atletas

Depois da notícia que publiquei ontem ( Desporto escolar: CBDE, desleixo com os atletas ), sobre a quarta colocação do Brasil nos Jogos Escolares Pan-Americanos, na Guatemala, recebi novas denúncias que publico na íntegra.

Elas dão a dimensão da precariedade da gestão e a necessidade de uma reação urgente do Ministério do Esporte, financiador da Confederação Brasileira de Desporto Escolar. Mais: os dirigentes da CBDE mostram desprezo com  representantes brasileiros em eventos internacionais.

Inacreditável que isso esteja ocorrendo no Brasil Olímpico Rio 2016.

“Cruz ,

Lá vão algumas coisas que não estão na sua denúncia:

Toda a delegação do Brasil viajou com a própria roupa.

Não viajamos com uniforme. Eles só foram entregue um dia antes da competição , enquanto os outros países desfilavam nas ruas com seus uniformes. Nós…, coitados de nós.

No hotel da delegação do atletismo tínhamos meio litro de água por dia, por pessoa!

A comida nos 3 primeiros dias era regulada, não podia repetir e era dada uma quantidade pequena para cada atleta.

Abraços”

Fonte: http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2012/07/cbde-ii-novas-denuncias-revelam-desprezo-com-atletas/

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Rúgbi ganha espaço em palco improvável: a escola pública


Ela ainda é considerada uma modalidade de elite; em SP, porém, será levada a crianças dos CEUs - uma tentativa de popularizar um futuro esporte olímpico

Por Davi Correia

Criado na Grã-Bretanha, o rúgbi é um dos esportes mais tradicionais entre os europeus. Em países com colonização britânica, como Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, é o jogo mais popular. Pesquisas recentes revelam que ele está entre as três modalidades mais praticadas em todo o planeta. Mas, apesar de tanta popularidade no exterior, o rúgbi ainda tem um grande mercado a conquistar: o Brasil, onde ele é visto como um esporte de elite, praticado apenas por atletas de maior poder aquisitivo. Ajuda a reforçar essa imagem o fato de que alguns dos melhores times do país são formados para disputar torneios de faculdades particulares. Muitos jogadores, inclusive os que defendem a seleção brasileira, pagam para jogar. Em entrevista ao site de VEJA, Sebá, cantor da banda Inimigos da HP e praticante do esporte, resumiu a situação: "Aqui, o rúgbi sempre foi para pouca gente. Sempre tive de pagar as viagens e os uniformes da seleção. Estava lá por amor. Só jogava quem podia." Um projeto desenvolvido em São Paulo, porém, pretende dar o pontapé inicial para mudar esse quadro, levando a modalidade justamente a quem menos esperava praticá-la - ao invés dos estudantes de instituições privadas, os alunos da rede pública de ensino.

O projeto é uma parceria da ONG Hurra! com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. O objetivo é apresentar a modalidade aos alunos, dando início a um processo de popularização do esporte. "Existe uma questão histórica que transforma o rúgbi em um esporte de imagem elitista, mas a realidade já mudou", garante Eduardo Pacheco, presidente da Hurra!, confiante no sucesso da empreitada. Neste domingo, o projeto receberá 500 alunos (com idade entre 10 e 16 anos) e 50 professores de 23 Centros Educacionais Unificados (CEUs), na Arena Paulista, na Zona Leste. É o segundo ano consecutivo que a Hurra! promove aulas para difundir o rúgbi. Em 2011, 14.000 alunos e 14 CEUs participaram do projeto. O intuito, porém, não é o de fazer do rúgbi um concorrente de modalidades como futebol, vôlei e basquete no país. "Ele precisa ser um esporte que ajude a educar", diz Pacheco. Seja qual for a estratégia para difundir o rúgbi entre os brasileiros, o investimento na modalidade acontece em um momento importante. O rúgbi de sete está entre as modalidades que farão sua estreia nos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Como país sede, o Brasil tem vaga garantida. O tempo é curto demais para formar novos talentos até 2016 através do projeto nas escolas. Levar o esporte a um novo público, porém, certamente ajudará a aumentar o interesse pela modalidade.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/o-rugbi-ganha-espaco-num-palco-improvavel-a-escola-publica#