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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mesmo com dinheiro, esporte brasileiro esbarra em falta de planejamento



Apesar de contar com um pesado investimento de verbas do governo, Brasil viu Grã-Bretanha triunfar nos Jogos de Londres gastando menos

Bruno Fávero


Em 1996, Brasil e Grã-Bretanha conquistaram 15 medalhas cada um nos Jogos Olímpicos de Atlanta e, desde então, os dois países aumentaram consideravelmente o financiamento ao esporte. No último ciclo olímpico, o Brasil investiu cerca de R$ 1,4 bilhão na preparação da delegação que competiu nos Jogos de Londres 2012 e conquistou 17 medalhas. Já os britânicos gastaram menos, cerca de R$ 1 bilhão, para chegar a 65 medalhas. Se o problema do esporte olímpico brasileiro não parece ser dinheiro, por que o país não consegue um desempenho melhor nos Jogos?

Para a professora Maria Tereza Bohme, da EEFE (Escola de Educação Física e Esportes) da USP, apesar do investimento crescente, o esporte brasileiro ainda tem sérios problemas de gestão. “No aspecto financeiro, foi feito alguma coisa, mas sem ser bem pensado, sem ser planejado. Além disso, falta comunicação entre as esferas pública (Ministério do Esporte e Secretaria) e privada (COB e confederações)", afirmou.

Desde o “desastre” de 1996 em Atlanta, quando ficaram em 36º lugar no quadro de medalhas, os britânicos decidiram mudar a gestão esportiva do país. Aumentaram o financiamento estatal e criaram a UK Sport, uma agência governamental dedicada exclusivamente ao esporte de alto rendimento e responsável por decidir como todo o dinheiro público é investido para melhorar o desempenho dos atletas.

Concentraram esforços nos esportes com mais chances de medalhas, criaram uma rede de apoio aos atletas e profissionalizaram a gestão. A estratégia deu certo e em quatro anos, nos Jogos de Sydney 2000, a Grã-Bretanha estava de volta ao top 10. Em 2012, nos Jogos de Londres, chegou à terceira colocação no quadro de medalhas.

No mesmo período, o Brasil também viu um aumento no volume de dinheiro investido no alto rendimento, mas pecou no planejamento estratégico. Segundo Maria Tereza, a falta de comunicação entre as diferentes níveis da gestão esportiva como COB (Comitê Olímpico Brasileiro), confederações ou secretarias municipais e federais faz com que, ao invés de trabalharem juntas, as diferentes organizações acabem investindo em ações desencontradas. “Cada um faz o que quer, o conceito de autonomia é plenamente utilizado” ironiza.

Na Grã-Bretanha, a proximidade entre a UK Sport e as confederações foi um dos pontos mais importantes para o sucesso do modelo. “Determinamos que cada confederação fizesse uma avaliação de desempenho três vezes por ano. Nós os instruímos sobre como fazer os relatórios e assim tínhamos uma ideia muito boa sobre como estava cada esporte e do que precisava” conta Liz Nicholl, CEO da UK Sport.

No Brasil, a falta de planejamento e de comunicação de que fala a professora da USP se reflete no financiamento confuso do esporte de alto rendimento no país. As principais fontes são as loterias federais, através da Lei Agnello / Piva, a Lei de Incentivo Fiscal e o patrocínio de estatais. No caso da Agnello / Piva, o dinheiro vai para o COB e para o CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), que são responsáveis por distribui-lo entre as confederações esportivas; na Lei do Incentivo, as próprias confederações elaboram projetos e tentam captar dinheiro de impostos de empresas; já as estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa, têm relativa independência para decidir onde investir.

Em resumo, os recursos ficam fragmentados e se torna mais difícil elaborar um plano central de desenvolvimento do esporte, cobrar os resultados esperados ou controlar como o dinheiro é usado. Consequentemente, muitas vezes o dinheiro acaba não chegando a uma das partes mais importantes, o atleta. 

Uma evidência disso é que em pesquisa realizada pela EEFE, 87% dos atletas entrevistados afirmaram ser necessário recorrer à sua renda pessoal para gastos com treinamento e competições e 69,5% disseram não receber reembolso das confederações. Já entre os técnicos, 35,9% apontaram que não recebem salários.

No modelo britânico, em contraste, quase 80% do dinheiro recebido pela UK Sport é usado para apoiar diretamente as confederações e dar suporte aos competidores, de modo que tanto atletas quanto técnicos de ponta possam se dedicar exclusivamente ao esporte. Criaram, nas palavras de Nicholl, “uma rede de suporte de primeiro mundo” para ajudar os esportistas.

O Plano Brasil Medalhas, lançado recentemente pela presidente Dilma Roussef , pode ser um sinal de que o governo federal quer lidar com os problemas de gestão do esporte brasileiro e tomar para si a responsabilidade de planejar seu desenvolvimento. Nos próximos quatro anos, cerca de R$ 1 bilhão serão investidos no esporte de alto rendimento na tentativa de levar o Brasil ao top 10 do ranking de medalhas nos Jogos do Rio 2016. Desse montante, R$ 690 milhões irão direto para os atletas, sem passar pelo COB ou pelas confederações.

Fonte: http://esporte.ig.com.br/maisesportes/2012-10-08/mesmo-com-dinheiro-esporte-brasileiro-esbarra-em-falta-de-planejamento.html

terça-feira, 18 de setembro de 2012

L! Opina: Tem que ser além de 2016


Anunciado na semana passada pela presidente Dilma Rousseff, o projeto Brasil Medalhas 2016 representa um avanço, mas não pode ser visto como um fim. É apenas uma parte das transformações de que o país precisa. Para o Brasil tornar-se de fato uma potência olímpica, é indispensável uma política nacional de esportes, a construção de um sistema que seja sólido e tenha êxito em duas dimensões: a prática esportiva de base e o esporte de alto rendimento. Uma não existe sem a outra.
Não há país olimpicamente forte se não houver a massificação do esporte. A própria presidente, em seu discurso, reconheceu a necessidade de investimentos na base. Pois a mudança está nas mãos dela. Seu governo precisa fazer cumprir o que recomenda a Organização Mundial de Saúde: incluir um mínimo de cinco horas semanais de prática esportiva no currículo escolar. Este é, inclusive, compromisso de legado da Olimpíada do Rio para rede municipal de ensino. Que não apenas tem de ser cumprido, mas que deve ser ampliado para todo o país.
Ao Brasil cabe qualificar e reconhecer os professores de educação física, integrar os programas federais, estaduais e municipais de educação e estimular competições estudantis nos três níveis. São elas que vão fazer surgir os novos talentos. Aqueles que passarão às disputas de alto rendimento. E que, neste ponto, entrarão na segunda dimensão do sistema.
A proposta do governo é ambiciosa nesta área. Mas balança entre a virtude da intenção e o equívoco do tempo. Foca nos atletas, através dos programas de bolsas, assegurando uma vida digna e condições ideais de treinamento. Foca na compra de equipamentos e na construção de centros de excelência para os esportes olímpicos e paralímpicos. Medidas que podem e devem até gerar avanços pontuais no quadro de medalhas. Mas que para dar resultados significativos devem ir muito além de 2016, transformando o Brasil num país verdadeiramente esportivo.
Das federações e confederações cabe ao governo exigir contrapartidas. É fundamental termos uma gestão profissional em que os dirigentes possam ser remunerados, respondam a conselhos independentes e tenham metas objetivas de resultados a serem atingidas como requisito básico para receber os recursos públicos. E os que não cumpri-las devem sair.
A hora é de decidirmos onde queremos chegar. Não queremos ser uma Espanha ou uma Grécia, que jamais conseguiram repetir sequer os resultados medianos que obtiveram em Barcelona-1992 ou Atenas-2004, deixando à mostra a fragilidade de uma política oportunista de uma Olimpíada só. Melhor ser um Reino Unido, que a cada quatro anos evolui em suas conquistas encerrando, em Londres, sua melhor participação nos Jogos da era moderna. Estamos atrasados. Mas a partida pode não estar perdida. Vontade política de fazer é o início da virada.

Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/minuto/LANCE-Opina_0_776322368.html#ixzz26pAKCng0 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ministério tem projeto de bilhões para Rio-2016


Anúncio de um novo pacote para o esporte após os Jogos Olímpicos dividirá modalidades por três grupos e o investimento será superior a R$ 1 bilhão. Metá é 30 medalhas em 2016

Por Michel Castellar

O programa que o Ministério do Esporte pretende lançar após os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Londres para impulsionar o Brasil no quadro de medalhas em 2016 tem cifras acima de R$ 1 bilhão. Essa é a meta pretendida ante a presidenta Dilma Rousseff que decidirá os valores finais.

De posse de um projeto elaborado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no ano passado, o Ministério do Esporte elaborou um documento final. Nele, as modalidades que receberão os recursos foram divididas em três categorias: vitais, potenciais e legado.

Nas consideradas vitais, estão as modalidades em que o Brasil tem tradição de ganhar medalhas em Jogos, como a natação, o vôlei e a vela. Na segunda categoria, as potenciais, aparecerão esportes como o boxe.
Já na categoria legado, são aqueles esportes que receberão menos recursos, mas também serão contemplados pelo projeto. 

Da lista dos esportes menos favorecidos até 2016, constam o hóquei sobre grama, badminton e rúgbi. Mas a intenção é a de que essas modalidades passem a receber maior atenção a partir de 2017. Para dar continuidade ao início de trabalho feito para os Jogos do Rio.

E se o quadro de medalhas de Londres acompanhar a evolução dos países em Pequim, a meta brasileira será a de conquistar 30 medalhas. O estudo técnico realizado mostrou que com essa quantidade o Brasil conseguirá ficar entre os dez primeiros no número total de relíquias obtidas.

O investimento inicial prevê uma quantia acima de R$ 1 bilhão. Para se ter uma ideia, no ciclo olímpico de 2005 a 2008, a China, anfitriã dos Jogos, investiu R$ 2 bilhões.

O valor desse projeto ainda não foi apresentado ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que ontem anunciou o investimento ao chegar a Londres para acompanhar os Jogos Olímpicos. Mas caberá à presidenta Dilma o aval final sobre o montante do pacote.

- É um plano detalhado, com mais recursos, para apoiar a preparação do Brasil. Como país sede, o nosso desempenho em medalhas tem que ser compatível com a nossa condição - disse Aldo.

Surpresa
O anúncio do lançamento do programa para o Esporte feito pelo ministro Aldo Rebelo pegou de surpresa os dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Principalmente, porque nenhum deles foi avisado sobre a revelação, algo que causou irritação.

Nem o presidente do COB e do Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, foi alertado de que Rebelo falaria em Londres sobre o novo programa de apoio ao esporte. No COB, ninguém se pronunciou. Todos estão na expectativa pelo o que vai ser anunciado.

Dilma chega para Londres-2012 

A presidenta Dilma Rousseff desembarcou ontem em Londres para acompanhar a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos. Ao participar no início da noite do lançamento da campanha "O mundo se encontra no Brasil. Venha Celebrar a vida", para promover o Brasil no exterior.

Ao falar sobre Jogos Olímpicos, Dilma afirmou que Londres realizará a maior edição de Jogos Olímpicos de todos os tempos. E, posteriormente, será a vez do Brasil.

- A última Olimpíada tem de ser sempre a melhor Olimpíada de todos os tempos. Tenho a certeza de que aqui, em Londres, vamos viver esse espetáculo. E queria dizer que nós temos certeza de que quando chegar a vez do Rio, nós faremos a nossa parte afirmou Dilma.

Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/rio2016/Ministerio-projeto-bilhoes-Rio-2016_0_743925639.html#ixzz21jif6CXR