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sexta-feira, 15 de março de 2013

Tratamento de luxo para a grama do Maracanã: R$ 100 mil mensais


Durabilidade do campo pode chegar a cinco anos, mas depende de cuidados.
Os quatro telões gigantes começam a ser instalados no estádio


Por Carolina Oliveira Castro

RIO - Toda mulher sabe que se manter bela e arrumada requer muito trabalho e custa dinheiro. Como uma boa dama, a grama do Maracanã não foge à regra e vai custar mais de R$ 100 mil por mês para estar sempre verde. O preço pode assustar, mas por trás do campo há toda uma tecnologia de ponta envolvida.
- Se a manutenção for bem feita, este gramado só precisará ser trocado daqui a cinco anos. A grama é um ser vivo que precisa de muitas coisas, por isso a manutenção custa caro. Pode haver shows, mas é preciso dar tempo para a grama se recuperar e estar perfeita para o jogo - explica Paulo Azevedo Neto, engenheiro agrônomo da Greenleaf, empresa responsável pelo gramado dos estádios da Copa de 2014.
Potente sistema de som
A grama, do tipo Bermudas, vai precisar de um banho de beleza uma vez por semana. Para ficar saudável, necessitará de água, sol, adubo, areia e combate às ervas daninhas. No inverno, as pragas preocupam mais; e, no verão, a drenagem tem que ser perfeita. Em períodos nublados e nas partes que ficam escondidas pela cobertura, o uso de máquinas que imitam a luz solar é fundamental. O corte e o terreno também exigem cuidado. Uma máquina a laser manterá o gramado com15mm de altura e uma outra cuidará dos buracos.
- O campo é a nossa madame, precisa de um monte de cuidados. As pessoas não fazem nem ideia. Antigamente, o gramado não era essa estrela toda. Hoje, influencia muito o jogo e é importante estar perfeito - conta Sérgio Landau, diretor-executivo do Botafogo, responsável pelo Engenhão. — Gastamos entre R$ 100 mil e R$ 150 mil por mês, no mínimo, para manter o campo.
No caso do Maracanã, a conta vai ser paga por quem vencer, no dia 11 de abril, a licitação de concessão do estádio.
Nesta quinta-feira, começaram a ser instalados as estruturas de metal dos telões de led, como adiantou Ancelmo Gois em sua coluna.
- Os placares eletrônicos serão instalados estrategicamente para que todos os torcedores vejam as imagens e leiam as mensagens - diz Ícaro Moreno, presidente da Empresa Municipal de Obras Públicas.
O sistema de som também está sendo instalado. Ele permitirá que informações cheguem a todos os lugares do estádio.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/tratamento-de-luxo-para-grama-do-maracana-100-mil-mensais-7845414#ixzz2NdleUBYA 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Valcke admite preocupação com Maracanã, mas minimiza mudança de prazo para entrega da obra


Secretário da Fifa diz que data já era mesmo 27 de abril
Dirigente terá nova reunião com governador e prefeito na sexta
Estádio ficou inundado após temporal que atingiu o Rio na terça

Por Carolina Oliveira Castro

RIO - O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, reconheceu estar preocupado com a situação das obras no Maracanã após sobrevoar o estádio e ver a inundação provocada pelo temporal da noite de terça-feira no Rio de Janeiro. O dirigente terá uma nova reunião com o governador Sérgio Cabral, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e representantes do Consórcio Maracanã (formado pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Odebretch) nesta sexta-feira.
- Não existe plano B para o Maracanã. Por isso devemos ter respostas amanhã (sexta). Claro que estamos preocupados, por conta da imagem que vimos ontem (quarta) - disse Valcke, que se reuniu nesta quinta, num hotel em São Conrado, Zona Sul do Rio, com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo; o presidente da CBF, José Maria Marin; e membros do Comitê Organizador Local (COL), entre eles o ex-jogador Ronaldo Nazário.
Valcke tentou passar tranquilidade em relação ao prazo final para a obra do Maracanã. Quando foi indagado sobre a nova data (27 de abril), o dirigente mostrou surpresa com a pergunta.
- Não sei o porquê da questão com a data. Não sei de onde vocês tiraram o dia 15 de abril - respondeu aos repórteres. - Para a Fifa o prazo sempre foi 27 de abril - disse.
No site da Fifa, porém, a data limite estipulada é 15 de abril. E o próprio Valcke já havia dito, em outra ocasião, que a cobertura e o gramado do Maracanã teriam que estar prontos no dia 15. O novo prazo, dia 27, surgiu na quarta-feira à noite, depois de reunião entre Valcke, o governador Cabral e o prefeito Paes. A assessoria do governo do Estado não comentou a mudança de data, apenas confirmou que entregará o estádio em 27 de abril.
A imagem dos operários de cueca, tirando água da cobertura que está sendo instalada no Maracanã, também mereceu comentário do secretário-geral da Fifa. Os operários - a maioria da Alemanha, contratados pela empresa responsável pelo içamento da cobertura - trabalhavam sem qualquer equipamento de proteção. Eles retiravam a água com baldes.
- Foi uma situação de tempestade e o que se viu foram operários fazendo o que podiam, nas condições que podiam. Quero agradecer a todos os operários, pois sem eles não conseguiríamos realizar as Copas - disse o dirigente francês.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/valcke-admite-preocupacao-com-maracana-mas-minimiza-mudanca-de-prazo-para-entrega-da-obra-7772587#ixzz2Mt1yr0EY 

Sem plano B, Maracanã pode não estar 100% para Copa das Confederações


Para Jerome Valcke, estádio fluminense não será, sob hipótese alguma, excluído da competição

Em coletiva de imprensa para celebrar a marca de 100 dias para a Copa das Confederações, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, disse hoje (7) que não há uma alternativa, um plano B, para o Maracanã caso não fique pronto a tempo da competição, em junho deste ano.

Valcke disse estar confiante de que a reforma do estádio estará pronta a tempo para a competição, mas admitiu que o palco pode não estar 100% até junho. O governo do Rio e a construtora Odebrecht garantiram que o estádio será entregue em 27 de abril, a tempo de fazer pelo menos dois eventos testes esperados pela Fifa.

“Não há plano B. É por isso que estamos trabalhando para assegurar que o estádio esteja pronto para a Copa das Confederações. Decidimos que haveria seis cidades-sede e colocamos a venda os ingressos. Então, não há possibilidade de mudar isso”, disse Valcke.

“Amanhã, vamos ver se vai faltar alguma coisa e para saber se vai ser entregue 100% ou não”, completou. "Precisamos saber como estará o estádio para nosso uso."

De acordo com o secretário-geral da Fifa, o ideal seria que tudo estivesse pronto faltando 100 dias para a Copa das Confederações, mas era esperado que o andamento das obras fosse atrasar. Segundo ele, não há uma grande preocupação em relação à preparação dos seis estádios, mas sim um “nervosismo maior” porque o evento está se aproximando.

Ele disse que ver a foto do Maracanã alagado ontem não foi “uma das melhores coisas”, mas ficou surpreso porque, mesmo com todo o estrago causado pelas chuvas, milhares de operários continuavam trabalhando no canteiro de obras.

Jerome Valcke está no Brasil para reuniões com organizadores locais da Copa das Confederações para discutir detalhes da operação dos estádios em cada uma das seis cidades-sede (Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Fortaleza).

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11474/SEM+PLANO+B+MARACANA+PODE+NAO+ESTAR+100+PARA+COPA+DAS+CONFEDERACOES.html

MARACANÃ: ESTUDO DE VIABILIDADE FEITO PELA EMPRESA IMX/EIKE PREVÊ LUCRO DE R$ 1,4 BILHÃO!

Por César Maia 


(Folha de SP, 06) 1. O futuro administrador do estádio do Maracanã poderá experimentar um lucro de R$ 1,4 bilhão ao longo dos 35 anos de exploração da arena e de seus anexos (obs.: Ou 3,3 milhões por mês ou 40 milhões por ano, já pagos os investimentos feitos e o módico aluguel). Porém, o negócio somente é atrativo na hipótese de dois grandes clubes do Rio se comprometerem a utilizar regularmente o estádio (obs.: Os jogos nos campeonatos são a FERJ e a CBF / A escolha dos clubes seria pública ou só poderiam ser Flamengo e Fluminense? Que critérios?).
    
2. Mas, diz a análise da IMX, o governo não seria capaz de obter o mesmo resultado que uma empresa privada ao administrar a nova arena.  Sem muitos detalhes, o estudo conclui que se o Estado operasse o complexo e realizasse as obras teria um prejuízo de R$ 279 milhões (obs.: 660 mil reais por mês). Ao conceder à iniciativa privada, ganharia R$ 42 milhões (obs.: 100 mil reais por mês).
    
3. Está prevista a instalação de bares, restaurantes e até de um cinema e de um centro de convenções. Mas a principal receita do futuro concessionário, segundo o estudo, será a venda de cadeiras para clientes VIPs, assentos por uma temporada inteira para jogos de determinado clube e camarotes. Os três itens representariam 61% da receita bruta, segundo o modelo de negócio da IMX.
    
4. O estudo aponta também para uma das principais críticas ao projeto: a elitização do público do futebol. Em um trecho do documento, a IMX afirma que os clubes serão beneficiados pela "mudança do perfil do público" do estádio, bem como pelo aumento do valor dos ingressos. Não há preço estipulado no documento (obs.: TV será gratuita para o torcedor? A coreografia das torcidas desaparece? A coreografia da torcida do Flamengo é tombada).
    
5. O estudo aponta que são necessários 123 eventos anuais no Maracanã e no Maracanãzinho para se atingir este resultado (obs.: 1 evento a cada 2,8 dias. E o impacto de vizinhança, transportes, etc.?)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Apelo de ouro contra o fim do Célio de Barros


Maurren Maggi vem ao Rio apenas para participar de ato contra demolição do estádio

Por Ary Cunha

RIO - Campeã olímpica do salto em distância, nos Jogos de Pequim-2008, Maurren Maggi pegou a Ponte Aérea na tarde de quinta-feira para vir ao Rio. Da janela do avião, os cartões postais da Cidade Maravilhosa perderam boa parte do encanto, perto da cena triste que justificava sua viagem-relâmpago, vista de cima. A medalhista de ouro participou de um ato no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro, junto com outros atletas, técnicos e dirigentes, contra a demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros.
- O Célio de Barros é a nossa casa. Podem construir outra pista em qualquer lugar. Mas é a história de vida da gente e do atletismo brasileiro que está sendo apagada. Estou aqui só para participar dessa luta. O que vi do avião, aqueles banheiros químicos sobre a pista, é uma vergonha - desabafou ela, ciente de que sua medalha de ouro pode ajudar a sensibilizar as autoridades. - A gente tem um peso forte, mas não sei até onde esse peso vai.
Além de Maurren, outro nome de peso do atletismo brasileiro, a velocista Rosângela dos Santos, também participou do evento, que reuniu cerca de 200 pessoas. Uma carta será enviada à presidente Dilma Rousseff e ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, pedindo que a demolição seja revista.
- O que estiver a nosso alcance para preservar o Célio de Barros, vamos fazer. Além da Copa, teremos Olimpíadas no Rio e é triste demolirem o único estádio só do atletismo, uma modalidade que pode trazer muitas medalhas para o país - criticou Rosângela.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/apelo-de-ouro-contra-fim-do-celio-de-barros-7459532#ixzz2MHnbzatU 

Concessão do Maracanã está na mira do MP Federal


Procuradoria pede ao governo estadual estudo, feito por empresa de Eike, que custou R$ 2,3 milhões

Por Carla Rocha

RIO — A pouco mais de um ano da Copa de 2014, a polêmica obra do Maracanã deslanchou, deixando agora sob as luzes da ribalta a já falada privatização administrativa de um dos principais cartões-postais da cidade. Na quinta-feira, o Ministério Público Federal informou ter notificado o governo do estado para que apresente, em cinco dias, o estudo de viabilidade que permitirá a concessão do complexo esportivo. Ou seja, o MP quer saber como os dados de investimento, despesas e receitas do estádio foram calculados.
Estado promete resposta
O estudo em questão foi feito pela IMX Holding S.A., do empresário Eike Batista. Caso a exigência não seja cumprida, o órgão recomendará o adiamento da licitação, já lançada, cujo valor mínimo de outorga está estimado em R$ 4,5 milhões.
A notificação da procuradora da República Marta Cristina Anciães foi enviada para a Secretaria estadual da Casa Civil. Procurada ontem, a assessoria do governo estadual respondeu que já estão sendo feitas cópias do estudo para encaminhá-lo à Procuradoria da República no Rio segunda-feira.
Segundo a procuradora Marta Cristina, a notificação é uma forma de ratificar um pedido, feito no âmbito de um inquérito civil instaurado no final do ano passado, que apura o repasse de recursos do BNDES para a reforma do Maracanã.
— Como não está havendo transparência, não podemos analisar a legalidade das ações e em que termos essa concessão será feita. Precisamos conhecer os números desse estudo — afirmou a procuradora, observando que o inquérito civil foi aberto para investigar as condições em que foi concedido um financiamento público, através do BNDES, para reformar o estádio que seria cedido depois à iniciativa privada.
De acordo com o Ministério Público Federal, além dos estudos técnicos exigidos pela lei estadual 5.068/07, também devem ser divulgados os dados utilizados para estimativa das receitas e despesas operacionais do Maracanã e do Maracanãzinho, dos investimentos que deverão ser feitos pelo concessionário — empresa que vencer a licitação — e do valor mínimo de outorga.

Licitação será em 11 de abril
O MPF observa que o edital da concorrência, assim como seus anexos, não faz menção a qualquer uma dessas informações e também não apresenta justificativas para o valor da licitação e o investimento que será feito pelo concessionário, estabelecido em R$ 594 milhões.
Outro aspecto destacado pela representação do MPF diz respeito ao valor do custo do estudo divulgado pelo estado — R$ 2,3 milhões —, que deverá ser reembolsado pelo futuro concessionário. A IMX Holding saiu na frente na disputa pela concessão do Maracanã, tendo sido a primeira e, ao que se sabe, a única a apresentar um.
Segundo a procuradora da República Marta Cristina Anciães, também não foi explicado, até hoje, por que o estudo foi feito por técnicos de fora e não do estado. A licitação está marcada para o dia 11 de abril.

Um projeto de custo superlativo
O estádio do Maracanã é superlativo não apenas no tamanho, mas também no porte das obras de modernização e no custo desses trabalhos. Orçadas inicialmente em R$ 600 milhões, as obras do novo Maracanã já haviam consumido, até janeiro deste ano, um total de R$ 930 milhões.
Após sucessivos atrasos nos trabalhos, o estado anunciou, no dia 9 de janeiro, que entregará o estádio pronto à Fifa em 28 de maio, ou seja, a 19 dias do início da Copa das Confederações.
Pelo cronograma inicial, o estádio, cujas obras começaram em dezembro de 2009, já teria sido entregue em dezembro do ano passado. O prazo foi adiado para fevereiro de 2013 e, posteriormente, 15 de abril. A polêmica em torno dos trabalhos não se limitou aos custos. A Empresa Municipal de Obras Públicas (Emop) enfrentou duas greves de operários (em agosto e setembro de 2011) nesse período. Em janeiro, segundo a Emop, 80% dos trabalhos já tinham sido concluídos.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/concessao-do-maracana-esta-na-mira-do-mp-federal-7707967#ixzz2MHj1VfN6 

Governo do Rio divulga edital de privatização do Maracanã


Licitação está marcada para o dia 11 de abril
Grupo vencedor cuidará também das obras no entorno
Reforma deverá ser concluída até 24 de maio, prazo da Fifa

RIO - O edital de privatização do Maracanã foi divulgado nesta segunda-feira pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, que marcou a licitação para 11 de abril, às 10h. A empresa ou o consórcio que assumir o estádio terá que cuidar também do Maracanãzinho e do entorno. A sessão de licitação será no auditório do prédio anexo do Palácio Guanabara, na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, na Zona Sul da capital fluminense.
O decreto com o edital foi publicado nesta segunda no Diário Oficial. A data do anúncio do vencedor do processo licitatório é também 11 de abril. A responsabilidade da licitação é da Casa Civil, que formou uma Comissão Especial de Licitação, presidida por Luiz Roberto Silveira Leite. O modelo de gestão proposto para o Maracanã é de parceria público-privada (PPP).
O Maracanã, que será palco das finais da Copa das Confederações (torneio a ser disputado de 15 a 30 de junho deste ano) e da Copa do Mundo de 2014, está em reforma desde 2010. Nas Olimpíadas de 2016, o Maracanã vai receber a abertura e o encerramento do evento. O fim das obras deveria ter sido em dezembro passado, mas elas atrasaram e a previsão de entrega agora é 24 de maio, prazo máximo dado pela Fifa.
A fasa etual da reforma é a da instalação das cadeiras e da lona da cobertura. No fim de 2012 o governo do estado informou que 80% das obras estavam concluídos. D e lá para cá não divulgou mais percentual algum.
A partida de reinauguração do estádio, construído para a Copa de 1950, está prevista para 2 de junho, um amistoso entre as seleções de Brasil e Inglaterra. O calendário de jogos na Copa das Confederações é o seguinte: México x Itália, em 16 de junho; Espanha x Taiti, em 20 de junho; e a decisão do torneio, em 30 de junho.


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Quando a história do atletismo vira depósito de banheiro químico


Campeã olímpica Maurren Maggi treina na Urca
Ela critica situação do Célio de Barros, tomado por obras

Por Claudio Nogueira

RIO - Campeã olímpica em Pequim-2008 no salto em distância, com 7,04m, Maurren Maggi fez história ao se tornar, à época, a primeira brasileira a ganhar um ouro olímpico individual. Treinando no Rio, no Centro de Capacitação em Educação Física do Exército, na Urca, ela se entristece ao saber que a história do atletismo brasileiro está sendo agredida, com a pista do Estádio Célio de Barros ocupada por andaimes, caminhões e até banheiros químicos do canteiro de obras do Maracanã. O local virou almoxarifado da empreiteira que reforma o maior do mundo, em preparação para a Copa das Confederações, de 15 a 30 de junho, e a Copa do Mundo-2014.
De acordo com um projeto do governo do Estado, priorizando o Maracanã e sacrificando outras instalações esportivas, o Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio de Lamare serão desativados para servirem de estacionamento do estádio de futebol. Foi prometida pelo governo a construção de outras instalações de atletismo e natação próximas à Quinta da Boa Vista, mas nada ainda saiu do papel. Em um período de treinamento no Rio até este sábado, junto com cerca de 20 atletas dirigidos pelos técnicos Nélio Moura e Tânia Moura, Maurren Maggi lamentou que um local onde ela própria já obteve resultados expressivos seja desativado.
- Fiz marcas muito boas no Célio de Barros. Cheguei a saltar lá 6,94m uma vez. É uma pena (a desativação). Vai deixar saudades. Mas sabemos que não há como brigar com o futebol. Grandes atletas do mundo competiram no Célio de Barros. Eu, Irving Saladino, Fiona May... Joaquim Cruz bateu recorde mundial juvenil na pista (1m44s30 para os 800m, no Troféu Brasil de Atletismo no Rio de Janeiro em 1981) - disse. - Temos história, mas quando nos perguntarem onde obtivemos as marcas, vamos ter de explicar que foi numa pista desativada.

Obras em atraso no Maracanã
Nesta quinta-feira, no Complexo do Maracanã, as atrasadas obras continuavam - o prazo de entrega previsto para 28 de fevereiro passou para 24 de maio. Próxima à largada dos 400m, a pista do Célio de Barros estava ocupada. Operários carregavam ferramentas por um local onde há até alguns meses podiam correr grandes atletas. Mas ainda há quem lute. Neste sábado, às 9h, na Praia de Copacabana, haverá passeata contra o fim da instalação de atletismo. Para o domingo (dia 13), estava prevista a realização, no estádio, da tradicional São Sebastiãozinho, corrida para crianças de 3 a 14 anos. A prova teve de ser transferida para o Cefan, no mesmo dia.
Maurren e seus companheiros, como Rogério Bispo, Jefferson Sabino, Jonathan Silva, Giselle Lima, Eliane Martins, Caio Santos, Giselle Marculino, Laurice Félix, entre outros - treinados por Nélio Moura - exercitavam-se na manhã desta quinta-feira, sob chuva fina, na moderna pista do Centro de Capacitação em Educação Física do Exército, na Urca. Para Nélio, é uma pena que o Célio de Barros seja desativado.
- Opções no Rio seriam a pista daqui da Urca, a do Cefan (Centro de Educação Física Almirante Heleno Nunes, na Avenida Brasil) e a do Engenhão, que são do nível máximo da IAAF. No Engenhão, poderiam usar a pista auxiliar, pelo menos - sugeriu Maurren. - Treinar aqui na Urca é muito bom, e é a segunda vez que estamos vindo fazer período de treino aqui. Nossa ideia é a de tornar isso algo mais frequente.
Se isso acontecer, Maurren se sentirá em casa. Ano passado, na preparação olímpica, chegou a dizer que se sente carioca da clara. Nesta quinta-feira, após treinar na caixa de saltos na Urca, não perdeu a chance. Correu na areia, antes de mergulhar.
- Ah, que mar bom! Está friozinho, gostoso... A água está bem gelada e eu estava precisando fazer gelo, então já fiz naturalmente. Se pudesse, ficaria treinando um mês aqui na Urca, fácil. Sophia (filha de 8 anos) é quem me faz falta aqui, mas está viajando com o pai (o piloto Antônio Pizzonia). Mas eu só poderia me mudar para o Rio se o Nélio e a Tânia viessem junto - disse ela, cujo maior objetivo no ano é o Mundial de Moscou, em agosto.


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Entrega do Maracanã é adiada pela terceira vez


Nova data prevista pela Emop é 28 de maio, último dia do limite imposto pela Fifa aos estádios da Copa das Confederações

RIO - Após sucessivos atrasos, o governo do Estado anunciou, nesta quarta-feira, que entregará o Maracanã à Fifa no dia 28 de maio, a 19 dias do início da Copa das Confederações - o estádio carioca receberá a primeira partida no dia 16 de junho, entre México e Itália. A data é apontada como limite para que a entidade assuma as seis sedes da competição (15 dias úteis antes do início do evento).
Segundo a Empresa Municipal de Obras Públicas (Emop), 80% das obras já estão concluídas. Entre os 20% que faltam está o içamento da nova cobertura. Se fosse cumprido o cronograma inicial, o estádio, cujas obras começaram em dezembro de 2009, já teria sido entregue em dezembro do ano passado. Esse prazo foi adiado para fevereiro de 2013 e, posteriormente, 15 de abril de 2013. Nesse período, a Emop enfrentou duas greves de operários (em agosto e setembro de 2011). Em julho do ano passado, foi necessário criar um terceiro turno (à noite) para aumentar o ritmo de trabalho.
Apenas dois estádios prontos
Apesar de ter garantido, em outubro de 2011, que o Maracanã seria entregue à Fifa no dia 28 de fevereiro de 2013, Ícaro Moreno, presidente da Emop, mudou o discurso.
- As obras estarão prontas em fevereiro, porém, a parte externa... Nunca falei que entregaria a chave em fevereiro. Várias obras estão prontas. Temos o prazo de entrega para a Fifa até 28 de maio - disse ele, nesta quarta, ao RJ TV.
Em dezembro de 2012, em entrevista ao GLOBO, Ícaro afirmou que, no dia 28 de fevereiro, “o Maracanã já mostrará, prontos, gramado, a cobertura, os assentos, a fachada, os banheiros e outras instalações”. Ainda de acordo com o diretor da Emop, ficariam faltando acertos urbanísticos na parte externa e dentro dos muros do estádio, além de testes de iluminação, som, placar eletrônico e instalações hidráulicas.
— Só vamos entregar o estádio à Fifa por volta de 20 de abril, porque queremos fazer todos os testes finais, detalhadamente — revelou, na ocasião.
Desde o início das obras, o novo Maracanã, orçado em R$ 600 milhões, já consumiu R$ 930 milhões.
Em nota, o Comitê Organizador da Copa do Mundo informou que “a mudança da data das conclusões das obras foi tomada porque técnicos informaram que o prazo era viável e as autoridades do Estado se comprometeram a entregar a obra”. O Comitê disse ainda que “o fim de maio é o padrão para todas as sedes da Copa das Confederações.”
Até agora, apenas dois estádios foram concluídos e tiveram cerimônias de entrega: o Castelão, em Fortaleza, e o Mineirão, em Belo Horizonte.
Já as obras do Beira-Rio, em Porto Alegre, pararam nesta quarta-feira. Os operários que trabalham no estádio, que será sede da Copa do Mundo de 2014, cruzaram os braços e entraram em greve, reivindicando aumento salarial. Após reunião de mais de três horas com representantes da empreiteira, todas as propostas foram rejeitadas.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/entrega-do-maracana-adiada-pela-terceira-vez-7246021#ixzz2HfwZ3RnP 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Prefeito pretende vetar tombamento da Escola Municipal Friedenreich


Medida é uma tentativa de evitar que a unidade seja demolida

Por Luiz Ernesto Magalhães

RIO - O prefeito Eduardo Paes antecipou na quarta-feira que pretende vetar a proposta de tombamento da Escola Municipal Friedenreich, no complexo esportivo do Maracanã, caso ela seja aprovada pela Câmara dos Vereadores. A prefeitura negocia com o estado a transferência do colégio para um antigo terreno do Exército em São Cristóvão. O estado arcaria com a mudança. O que ainda não está claro é se a transferência seria ou não definitiva ou se valeria apenas durante as Olimpíadas de 2016.
— O que faz uma escola não é um prédio, mas a dedicação de professores e alunos — argumentou o prefeito.
A Escola Friedenreich é considerada uma das melhores da rede pública . Segundo a avaliação do Ideb, ela é a quarta melhor do estado.
O destino de alunos e professores pode ser selado nesta quinta-feira. Com ajuda de parte da bancada governista, a oposição na Câmara dos Vereadores tenta aprovar o projeto que tomba o colégio. A medida é uma tentativa de evitar que a unidade seja demolida e os alunos transferidos, por conta das obras de adaptação do Maracanãzinho para os Jogos Olímpicos de 2016. Na área ocupada pela escola, está prevista a construção de duas quadras de aquecimento para as seleções de vôlei.
A construção das quadras faz parte de uma série de investimentos de responsabilidade da empresa que vencer a concorrência do governo do estado para administrar o complexo esportivo do Maracanã. A Secretaria estadual da Casa Civil prometera que o edital de concessão seria divulgado este mês. Mas na quarta-feira o Palácio Guanabara informou que as regras só serão divulgadas em janeiro. As razões para o adiamento não foram reveladas.
A minuta do edital apresentada em novembro previa que o concessionário investisse R$ 469,4 milhões no complexo até os Jogos de 2016. Nessa conta, estavam incluídas, por exemplo, a demolição e reconstrução em São Cristóvão do Parque Aquático Júlio Delamare e do ginásio Célio de Barros, bem como a derrubada do antigo Museu do Índio. O consórcio também seria responsável por implantar um museu do futebol, além de infraestrutura de bares e restaurantes,
O prazo de concessão previsto era de 35 anos e o valor da outorga anual, R$ 7 milhões, quitados em 33 parcelas anuais. Ou seja: o estado deve receber R$ 245 milhões em 35 anos ou 28,9% do total investido, se a concessão for pelo valor mínimo (R$ 860 milhões).
O projeto de lei tombando a escola foi aprovado em primeira discussão na última terça-feira, numa sessão extraordinária. Na mesma sessão, faltou quórum para discutir se o antigo prédio do Museu do Índio, que pode ou não ser demolido para a Copa do Mundo, deveria ser tombado também.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/prefeito-pretende-vetar-tombamento-da-escola-municipal-friedenreich-7107226#ixzz2FaS4gZcA 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Licitação para entregar Maracanã à iniciativa privada fica para 2013


Motivos do adiamento não foram esclarecidos

RIO - A Casa Civil do governo do Estado informou nesta quarta-feira que a versão final do edital de concessão do Complexo Esportivo do Maracanã só será divulgada em janeiro de 2013. Em novembro, durante uma tumultuada audiência pública para apresentação de uma versão inicial da proposta de Parceria Público-Privada, o estado anunciara que o edital sairia este mês.
O governo do Estado não esclareceu os motivos do adiamento. Sabe-se, porém, que a versão final do projeto pode ser diferente da minuta divulgada há dois meses. Uma das ideias do governo do Estado é incluir a exigência que o concessionário desative o presídio do Galpão da Quinta entre outros investimentos não previstos inicialmente. Havia outras questões técnicas a discutir como a proposta para reduzir a capacidade do Maracanãzinho para menos de 10 mil lugares quando o mínimo de assentos exigidos para o vôlei é de 12 mil lugares.
A proposta original previa que o concessionário investisse R$ 469,4 milhões em melhorias até os Jogos Olímpicos de 2016. O prazo de concessão proposto é de 35 anos. O valor da outorga anual previsto no edital será de R$ 7 milhões, quitados em 33 parcelas anuais. Ou seja: o governo estadual receberá R$ 245 milhões em 35 anos ou 28,9% do total investido se a concessão for pelo valor mínimo (cerca de R$ 860 milhões).


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/licitacao-para-entregar-maracana-iniciativa-privada-fica-para-2013-7099475#ixzz2FXdcIvzO 

Ameaçada pelo Maracanã, escola Friedenreich é a quarta melhor do Rio


Para associação de pais, novo espaço oferecido pelo governo não agrada

Por Pedro Carrion

O processo de privatização do Maracanã não ameaça apenas o antigo museu do Índio e o laboratório do Ministério da Agricultura. Detentora do quarto melhor ensino do município e do sétimo melhor do estado do Rio de Janeiro, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a escola municipal Friedenreich também está na mira das escavadeiras. 

Indignados com a situação, a Associação de Pais da escola luta para que o ano letivo de 2013 seja garantido no atual endereço. Como a demolição é iminente, os problemas giram em torno do novo espaço oferecido pelo poder público.

Para Áurea Xavier, membro da Comissão de Pais e Alunos da Escola Friedenreich, as opções dadas pelo governo não têm agradado. “Entramos com uma ação civil pública pela 1ª promotoria da justiça de tutela coletiva de proteção à educação da capital. Mas se realmente a demolição for inevitável, mesmo após toda nossa luta, o local escolhido tem que atender a toda a comunidade escolar e ficar próximo ao atual”, explica. 

À frente das obras do Maracanã, o governo do estado revelou, por meio de sua assessoria de imprensa, que um espaço em São Cristóvão, onde funcionava a escola de veterinária do Exército, será o novo destino da Friedenreich.

O local foi escolhido porque o prédio já estaria em condições de uso e poucas adaptações seriam necessárias. Além disso, segundo o governo, os alunos estariam muito bem acomodados, uma vez que a localização do novo espaço é melhor do que a atual.

“Ficará a cargo do concessionário que vencer a licitação fazer todas as adaptações necessárias para a futura acomodação dos estudantes no novo prédio. A transferência só ocorrerá quando o espaço estiver totalmente pronto. Portanto, os alunos podem ter total tranquilidade quanto a ter as suas aulas normalmente”, afirma a assessoria de imprensa do governo estadual.

Áurea Xavier, no entanto, acredita que as ações do poder público vêm sendo comunicadas de forma impositiva, sem qualquer diálogo nem consulta aos pais dos alunos e demais envolvidos. 

Além disso, a representante da Comissão de Pais e Alunos lembra que, embora São Cristóvão seja um bairro vizinho, o local fica do outro lado da linha do trem, além de pertencer à outra Coordenadoria Regional de Educação (CRE).

E mais: tem desvantagens em relação ao Maracanã no que diz respeito à oferta de transporte público. Essa questão, diz ela, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente --que sustenta que a criança tem direito à escola perto de casa.

“A escola precisa preservar os seus padrões e não é em qualquer lugar que isso se fará. Não podemos aceitar a imposição de um lugar “x” ou “y”. Pois uma escola não é só sua equipe, as pessoas. Ela possuiu sua história, suas conquistas, a cultura que o ambiente do entorno lhe transmite. Além do mais, temos alunos com necessidades especiais. Isso é mais um diferencial da Friedenreich”, diz Áurea.  

De acordo com ela, a promotora responsável pelo caso, Biana Motta, promoveu uma reunião entre representantes da comunidade escolar e dos governos para tentar o diálogo. “Mas eles enviaram pessoas sem qualquer poder de negociação e percebemos que o diálogo era quase impossível. Mesmo assim vamos seguir tentando”, lamenta. 

Vitória parcial
Na noite desta terça-feira (18), a Câmara dos Vereadores do Rio aprovou, com 26 votos a favor, a primeira discussão sobre o projeto de lei para o tombamento da escola Friedenreich. 

O próximo embate será ainda hoje (19), quando a proposta será votada novamente pelos parlamentares. Confirmada mais uma aprovação por parte dos parlamentares, a definição ficará a cargo do prefeito Eduardo Paes, que poderá sancionar ou vetar o projeto.

Em seguida aconteceu a votação também pelo tombamento do antigo prédio do Museu do Índio. No entanto, não houve quórum o suficiente para aprovar o projeto, uma vez que quatro vereadores já haviam deixado a Câmara. A expectativa é que o pleito ocorra ainda esta semana.

Parque aquático e estádio de atletismo correm o mesmo risco
César Castro é atleta de saltos ornamentais e já representou o Brasil em três Olimpíadas. Hoje, ele treina no Parque Aquático Julio Delamare, no complexo do Maracanã, e milita pela sua preservação. 

Para Castro, muitos atletas que se preparam para os Jogos Olímpicos de 2016 encontrarão dificuldades para continuar treinando, já que eles terão de se deslocar para pontos mais distantes em busca de locais para treinamento.

“Não faz sentido demolir algo que está funcionando muito bem e que possui equipamentos tão modernos. Por semana, cerca de nove mil pessoas frequentam o parque aquático, que oferece escolinhas de natação, hidroginástica para a terceira idade, natação para deficientes e treinamento das seleções de saltos ornamentais e nado sincronizado”, diz.   

Treinador de atletismo e defensor do Estádio de Atletismo Célio de Barros --outro em vias de ser demolido por conta do estádio da final da Copa de 2014--, Nelson Rocha tripudia da área oferecida pelo governo, também em São Critóvão, para realocar os equipamentos esportivos.  

“Foi oferecido um espaço pertencente ao exército, onde talvez caiba metade do Célio de Barros, e onde querem também construir o Júlio Delamare. Mas as obras sequer começaram”, afirma Nelson.

Ele acredita no apoio da opinião pública para que os equipamentos esportivos não sejam destruídos. Para o treinador, a participação de artistas populares na causa também é importante, o que vem ocorrendo através de vídeos de apoio gravados e veiculados na internet.

“A situação está difícil porque o poder financeiro cala muitas vozes. Mas nossas chances aumentam na medida em que tivermos mais formadores de opinião. Pois pelo governador Sérgio Cabral, tudo já estaria no chão. Se conseguirmos reunir maior número de desportistas, políticos, sociedade civil, que em sua maioria é pouco informada, ganharíamos visibilidade e, consequentemente, força em nossa luta."

A resposta do governo do estado para a necessidade de demolição de todos estes é equipamentos é a mesma. "A demolição faz parte do projeto que visa a transformar o complexo do Maracanã em um grande centro de entretenimento e é necessária para que o futuro complexo atenda às necessidades de escoamento e circulação de público nos padrões internacionais seguidos por esse tipo de equipamento esportivo”, afirma o órgão.

A questão do escoamento, aliás, já foi desmentida pela própria Fifa em ofício enviado a Defensoria Pública da União do Rio de Janeiro (DPU). O documento informa, inclusive, que a entidade mundial não concorda com as demolições. 

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11207/AMEACADA+PELO+MARACANA+ESCOLA+FRIEDENREICH+E+A+QUARTA+MELHOR+DO+RIO.html

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Estudo mostra que museu ao lado do Maracanã não precisa ser demolido


Espaço atualmente abriga uma tribo indígena; governo é a favor das demolições, mas Fifa é contra

Por Pedro Carrion

Dentro do processo de privatização do Maracanã, o governo do Rio de Janeiro decretou a demolição de imóveis históricos e importantes no entorno do estádio como parte das obras visando a Copa do Mundo 2014. Um desses alvos é o antigo Museu do Índio, datado de 1862 e que, hoje desativado, abriga uma aldeia indígena. 

No entanto, um estudo técnico realizado pelo arquiteto e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Anderson Magalhães, comprova que os imóveis no entorno não atrapalharão o escoamento do público nos jogos, um dos argumentos do governo fluminense para sua demolição.

“A capacidade de público do Maracanã já caiu muito desde a sua construção. Antes ele tinha duas saídas. Agora a vazão passará a ser em quatro direções. Com o público diminuído para 76 mil pessoas nesta nova reforma, teríamos algo em torno de 19 mil espectadores dispersando-se pelas quatro saídas, cada uma com rampas que terminam em duas direções", explica o arquiteto.

Segundo ele, seriam necessários 6.650 m² para a dispersão confortável de 9.500 pessoas em um dos acessos. A área disponível, com a manutenção dos prédios do museu e dos laboratórios do Ministério da Agricultura, possui 6.950 m², suficiente para "acomodar" perfeitamente todas as pessoas que precisariam sair do estádio em uma das rampas.

"Assim, podemos ver que é perfeitamente provado por números que não há a menor necessidade dessas demolições”, conclui Magalhães. 

Governo é a favor, mas Fifa é contra
Por meio da assessoria de imprensa, o governo do estado do Rio de Janeiro volta a argumentar que “a demolição do antigo Museu do Índio visa a abrir espaço para a transformação do complexo do Maracanã em uma grande área de entretenimento e é necessária para que o futuro complexo atenda às necessidades de escoamento e circulação de público nos padrões internacionais seguidos por esse tipo de equipamento esportivo.”

A justificativa do estado não é compartilhada pela Fifa, que já declarou não ter exigido as demolições no Maracanã.

“O Brasil avança no extermínio do patrimônio histórico e cultural, sem qualquer debate com a sociedade civil. Trata-se de uma total inversão de valores. Os imóveis que hoje circundam o Maracanã têm sua importância e jamais atrapalharam a mobilidade urbana. A própria Fifa já reiterou em ofício para nós enviado que não está de acordo com essa atitude”, argumenta o defensor público federal Daniel Macedo.

Além do antigo Museu do Índio (patrimônio histórico, cultural e arquitetônico) e das instalações laboratoriais do Ministério da Agricultura (direito sanitário), as obras de reforma do Maracanã, hoje 80% prontas, afetam também a Escola Municipal Friedenreich, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare.

Segundo o governo, todos os imóveis citados deverão ser desocupados e demolidos para darem lugar a novos prédios e lojas comercias e estacionamentos. 

Ausência do poder público
Essas obras urbanísticas em torno do Maracanã foram tema de audiência pública realizada no auditório da Defensoria Pública da União do Rio de Janeiro (DPU), na última quarta-feira (12).

Acusado de não ouvir a opinião pública sobre a intenção de demolir imóveis daquela região, o governo do estado, através da Secretaria da Casa Civil, não compareceu e sequer comunicou o motivo de não ter enviado representante ao debate. 

A intenção da DPU com a audiência era abrir espaço para que todos os interessados pudessem expor sua opinião, seja ela contra ou a favor às obras do entorno do Maracanã. 

O convite foi estendido a orgãos como a Secretaria Estadual de Esportes, a Secretaria Municipal de Educação, a Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro, o Ministério Público Estadual, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da OAB/RJ e a Fundação Nacional do Índio (Funai), que também não enviaram representantes.

Organizador do evento e titular do 1º Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva, o defensor público federal André Ordacgy lamentou a ausência do poder público: 

"A audiência pública é um instrumento importantíssimo de participação popular, que serve, neste caso, para enriquecer o debate sobre os aspectos positivos e negativos do impacto das obras no entorno do Maracanã para a Copa do Mundo. Infelizmente, a ausência injustificada do poder público municipal e estadual revela um total desinteresse sobre os anseios sociais”, disse Ordacgy.

Para Gustavo Melh, membro do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, o Maracanã está se tornando um símbolo da postura antidemocrática do governo. E a iminente desocupação do seu entorno é diretamente ligada à intenção de privatizar o estádio.

“O que podemos fazer é cobrar a convocação de um plebiscito capaz de promover um debate aberto sobre o que a população realmente quer e espera de todo esse projeto em torno da Copa do Mundo 2014. Só assim poderemos manter o Maracanã como um espaço público, e não o torná-lo privado”, disse Melh.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11191/ESTUDO+MOSTRA+QUE+MUSEU+AO+LADO+DO+MARACANA+NAO+PRECISA+SER+DEMOLIDO.html

domingo, 9 de dezembro de 2012

Rio define consórcios para três arenas olímpicas


Os Jogos Olímpicos do Rio-2016 estão se aproximando e a Prefeitura do Rio de Janeiro começa a definir os projetos. Foram divulgados, na última quinta-feira, 6, os consórcios que ficarão responsáveis pelos projetos de três arenas olímpicas.

O centro de tênis, que terá três ginásios, sete quadras descobertas e seis quadras para treinamento, será gerido pelo consórcio 2016 – Especialistas em Eventos Esportivos, formado pelas empresas: GMP Design e Projetos do Brasil Ltda, SBP do Brasil Projetos Ltda, Lumens Engenharia Ltda, e Sustentech Desenvolvimento Sustentável Ltda. O projeto receberá R$ 10, 2 milhões.

O mesmo consórcio ficará responsável pelo centro de esportes aquáticos. O local, com capacidade para 18 mil pessoas, será temporário e custará R$ 8,3 milhões.

O velódromo terá seu projeto assinado pelo consórcio Rio Equipamentos Olímpicos e custará R$ 5,2 milhões. A arena permanente irá substituir a pista de ciclismo criada para Jogos Pan-Americanos de 2007, que não atende às exigências olímpicas. O consórcio é formado pelas companhias: Arqhos-Consultoria e Projetos Ltda; Conen-Consultoria e Engenharia Ltda; JLA-Casagrande Serviços e Consultoria de Engenharia Ltda; M&T Mayerhofer e Toledo Arquitetura Planejamento e Consultoria Ltda.

Juntas, as três arenas custarão R$ 23,8 milhões, dinheiro que será pago pela população por meio da Empresa Olímpica Municipal (EOM).

O Maracanã, outro palco dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, também é alvo de disputa de diversas empresas. A companhia portuguesa Lusoarenas se juntou com a brasileira Traffic e formaram a Stadia, que também já é associada à norte-americana Global Spectrum. O aglomerado de empresas entrará na disputa pela gestão do Maracanã com a IMX, de Eike Batista.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/olimpiadas/27/27823/Rio-define-consorcios-para-tres-arenas-olimpicas/index.php

Maracanã para a elite


Faz sentido privatizar o Complexo do Maracanã para torná-lo um espaço de shows caros e inacessíveis ao povo?

Por Marcelo Freixo - Opinião

Em 1999, o poder público gastou R$ 106 milhões reformando o estádio do Maracanã para o Mundial Interclubes da Fifa. De 2003 a 2007, foram gastos mais R$ 97 milhões em reformas no Maracanãzinho. Já em 2006, o Parque Aquático Júlio Delamare foi reformado a custo de R$ 10 milhões. Na ocasião, o Maracanã foi novamente reformado para os Jogos Pan-Americanos de 2007. A previsão inicial era de R$ 67 milhões. Ao final, a obra custou R$ 304 milhões.
Em 2010, o Maracanã foi colocado abaixo para a Copa. A previsão era de R$ 705 milhões para destruir o que já havia sido feito com R$ 304 milhões. Hoje o custo está previsto em R$ 888,3 milhões. Mas estimativas apontam que o valor irá ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão. E a maior parte deste valor é proveniente de verbas federais, através do BNDES e da Caixa Econômica Federal.
Vale lembrar que antes da primeira reforma o Maracanã já era tombado como patrimônio cultural do Rio. Um lugar onde pessoas de todas as classes se reuniam. Mas, o caráter popular do seu Complexo está em risco. Não por acaso, quando os governantes criaram os camarotes, acabaram com a geral. E assim, o povo é empurrado para o espetáculo pay-per-view de botequim. A elitização do Maracanã caminha junto com a elitização da cidade.
O fim do Parque Aquático Júlio Delamare, do Estádio de Atletismo Célio de Barros, do Museu do Índio e da Escola Friedenreich deixará órfãos desportistas, índios e comunidade escolar. Tudo em meio a um processo de privatização contaminado de suspeitas. Sequer se iniciou a licitação e já se comenta até sobre quem seria o futuro dono do Maracanã. Eis o X da questão.
Mais de 500 pessoas protestaram contra a privatização do estádio em audiência pública realizada pelo governo estadual como etapa obrigatória da licitação. Mas ninguém foi ouvido. Uma audiência pró-forma. Fala mais alto, afinal, o interesse no lucro previsto no negócio. Em respeito à população inconformada com o autoritarismo oficial, corre ação popular para tentar suspender o processo licitatório.
Faz sentido privatizar o Complexo do Maracanã para torná-lo um espaço de shows caros e inacessíveis ao povo? Existe lógica em demolir uma das melhores escolas do país e um museu para instalar um estacionamento e uma área de aquecimento para atletas? Quem defenderia isso? Que se organize um plebiscito para ouvir a população.
A cidade precisa ganhar com a Copa e as Olimpíadas: saúde, educação, cultura, saneamento básico e mobilidade urbana. É a vida dos moradores do Rio que precisa melhorar. E a primeira medalha a ser conquistada deve ser a da transparência, não a da corrida ao dinheiro público sem barreiras.

Marcelo Freixo é deputado estadual (PSol) e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/maracana-para-elite-6972955#ixzz2EYxa38lx 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Projeto de Niemeyer concorreu à construção do Maracanã


Trabalho do arquiteto foi preterido em 1942 e 1947; estádio teria traços revolucionários

Por Diego Salgado

Morto na última quarta-feira (5) aos 104 anos, o maior arquiteto brasileiro quase assinou o projeto do Maracanã, o mais importante estádio do país.

Oscar Niemeyer ainda dava os primeiros passos na carreira quando projetou o Estádio Municipal, que seria erguido no começo da década de 1940, no terreno do Derby Club, às margens do Rio Maracanã, na Tijuca, no Rio de Janeiro. 

A relação do arquiteto com o estádio começou anos antes, apenas como coadjuvante. Niemeyer formou-se em 1934, na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, aos 27 anos. Em 1936, quando cogitou-se pela primeira vez a construção de um grande estádio na capital do país em função da possível candidatura à Copa de 1942, o arquiteto carioca colaborou com os trabalhos do francês Le Corbusier e do futuro parceiro Lúcio Costa. 

O complexo esportivo seria erguido no mesmo local do atual Maracanã e faria parte do campus da Universidade do Brasil. Os dois projetos, porém, foram rejeitados pela Comissão do Plano da Universidade. 

Um terceiro trabalho, de 1938, assinado pelo italiano Marcello Piacentini, não virou realidade por conta da oposição ao lugar escolhido. Além disso, o apoio brasileiro ao países aliados na Segunda Guerra inviabilizou a escolha do projeto italiano.

Em 1941, o Estado Novo criou o CND (Conselho Nacional de Desportos), subordinado ao Ministério da Educação, que lançara um concurso de projetos para o Estádio Municipal.

Niemeyer, então, assinou um projeto, com a consulta do engenheiro Emílio Baumgart. Os concorrentes eram a dupla Pedro Paulo Bernardes Bastos/Antônio Augusto Dias Carneiro e o grupo formado por Renato Mesquita dos Santos, Thomaz Estrella, Jorge Ferreira e Renato Soeiro. 

O projeto de Niemeyer possuía traços revolucionários: um arco monumental seria responsável pela sustentação da marquise --a  estrutura, imponente, teria 300 metros de comprimento e 100 metros de altura. Além disso, haveria arquibancadas em apenas um dos lados do campo (o outro será destinado às tribunas) e atrás dos gols. O projeto contemplava um anfiteatro em concha, com altura máxima no centro a oeste, além de três anéis e duas galerias de acesso.

Niemeyer também projetou o rebaixamento de 13 metros do solo. A ideia era reduzir o comprimento das rampas de acesso, que seria feito em uma faixa intermediária, no nível do solo.

Assim, a visibilidade melhoraria e, segundo o próprio arquiteto, o custo diminuiria, pois a estrutura do estádio seria menor. O fato, contudo, foi decisivo para a desclassificação: o terreno alagadiço e o solo argiloso do Maracanã inviabilizaram o projeto de Niemeyer.

A decisão deu-se em novembro de 1942. Os dois outros trabalhos também apresentaram objeções: um pela arquibancada com 40 metros, o outro pela baixa visibilidade. O projeto de Niemeyer recebou dois votos contra três de Bastos/Carneiro.

O resultado, no entanto, não era definitivo. Gustavo Capanema, ministro da Educação e da Saúde e responsável pelo concurso, entendia que era preciso um estudo prévio de fatores, como a condição do solo.

Em maio de 1943, o presidente Getúlio Vargas concordou com uma nova decisão. Em outubro do mesmo ano, uma nova comissão foi formada para o veredito final, mas o trabalho foi postergado, voltando à tona apenas em julho de 1946, após o término do Estado Novo e da confirmação do Brasil como país-sede da Copa do Mundo de 1950. 

Além dos projetos de Niemeyer e da dupla Bastos/Carneiro, Raphael Galvão e Orlando Azevedo também entraram na disputa. Niemeyer, à época, já em 1947, trabalhava em Nova York, no projeto da sede da ONU. 

A comissão, que optara por um estádio fechado e em forma de falsa elipse, além de uma arquibancada em forma de parábola, decidiu por um projeto feito em equipe. O projeto definitivo foi, então, assinado por Pedro Paulo Bernardes Bastos, Antônio Augusto Dias Carneiro, Raphael Galvão e Orlando Azevedo, com a colaboração de Waldir Ramos, Miguel Feldman e Oscar Valdetaro de Torres e Melo. 

Após divergência entre o prefeito Mendes de Moraes e a UDN do opositor Carlos Lacerda (que fazia lobby por um estádio em Jacarepaguá), deu-se início à obra do Maracanã. A pedra fundamental foi lançada em 20 de janeiro de 1948. A construção, por sua vez, começou em 2 de agosto do mesmo ano e durou 22 meses, até 16 de junho de 1950.

Na época, Niemeyer assinou trabalhos em São Paulo e Minas Gerais. Na capital paulista, projetou o Conjunto Ibirapuera e o Conjunto Copan.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11144/PROJETO+DE+NIEMEYER+CONCORREU+A+CONSTRUCAO+DO+MARACANA.html

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Empresa portuguesa entra na disputa para administrar o Maracanã


Lusoarenas manifesta interesse na privatização do estádio, e vai concorrer com IMX de Eike Batista

A empresa portuguesa Lusoarenas, responsável pela gestão do Estádio da Luz, em Lisboa, e envolvida na operação do Mineirão, em Belo Horizonte, deve disputar a licitação de privatização do Maracanã. 

Até agora, só a IMX, do empresário Eike Batista, havia manifestado interesse na concorrência, cujo edital ainda não foi lançado. 

"Montamos uma empresa justamente para fazer isso. Vamos estudar a concessão de alguns estádios. O Maracanã é um deles", afirmou o vice-presidente da Lusoarenas, Marco Herling, durante participação no Footecon, fórum de discussão sobre o futebol brasileiro, no Rio de Janeiro. 

Por ter apresentado um estudo de viabilidade às autoridades cariocas, a IMX de Eike Batista era, até então, a grande favorita para vencer a concorrência.

Privatização
Contestada por diversos setores da população carioca, que temem que o Maracanã concedido à iniciativa privada acabe com o Parque Aquático Julio Delamare, o estádio de atletismo Célio de Barros, o antigo Museu do Índio, o Laboratório de Análise de Alimentos do Ministério da Agricultura e uma escola municipal considerada modelo no Rio de Janeiro, a privatização do estádio ainda está sendo discutida em audiências públicas.

No entanto, as autoridades pretendem realizar a licitação ainda antes da Copa das Confederações em 2013.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11137/EMPRESA+PORTUGUESA+ENTRA+NA+DISPUTA+PARA+ADMINISTRAR+O+MARACANA.html

sábado, 1 de dezembro de 2012

Maracanã reutilizará água da chuva e terá iluminação 30% mais econômica


Estádio ficará pronto em fevereiro do ano que vem. Reforma custará R$ 860 milhões

RIO - Desde setembro de 2010, os gritos da torcida e as jogadas geniais dos craques da bola foram substituídos pelo ruído de britadeiras e o vaivém ininterrupto dos operários que preparam o complexo esportivo do Maracanã para a Copa das Confederações de 2013, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Tanto empenho tem razão de ser. Além dos eventos da Fifa, o estádio, que teve toda sua parte interna recuperada e fica pronto em fevereiro do ano que vem, será o centro do universo por alguns dias: palco não só de disputas mas do grande espetáculo de abertura e encerramento da primeira Olimpíada do Brasil e da América do Sul.O principal estará pronto em 2013. Mas o calendário prevê obras até a Copa de 2014, com recursos do estado e parcerias público-privadas para acabamentos nas áreas comuns. Embora muito já se tenha falado sobre as transformações, um aspecto pouco explorado é que o estádio terá a marca da sustentabilidade.
Contratado pelo Consórcio Maracanã Rio 2014, o arquiteto Bernard Malafaia conta, em detalhes, o que está por trás do gigantismo do projeto. Uma série de mecanismos de última geração será adotada. O Maracanã ambiciona a prestigiada certificação ambiental LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) para edificações. O selo, criado pelo U.S. Green Building Council, é o de maior reconhecimento internacional, inclusive no Brasil.

Água da chuva reaproveitada
Bernard estima que as medidas vão permitir, por exemplo, reduzir, em pelo menos 30%, o consumo de água no estádio.
— Para isso, metade da água da chuva será captada através do sistema de drenagem da nova cobertura e ficará armazenada em dois depósitos. Essa água será reutilizada na irrigação do campo. Ainda para economizar água, o mictório será monitorado por computador. O jato d’água para limpeza sairá automaticamente com intervalos diferentes, de acordo com a necessidade — diz Bernard.
E não é só. Ainda buscando diferenciais, o Maracanã também funcionará como arena multiuso para shows. Gerente da reforma, o presidente da Empresa de Obras Públicas (Emop) do estado, Ícaro Moreno Júnior, afirma que, entre outras coisas, o Maracanã ganhará quatro telões de 100 metros quadrados e 405 câmeras para monitorar toda sua extensão.
—Também estamos implantando no setor norte do estádio uma nova passagem subterrânea que, na prática, é um túnel com padrão rodoviário, para permitir a passagem de veículos com até 4,35 metros de altura entre o estádio e a Avenida Radial Oeste. Isso favorecerá a entrada e saída de carros alegóricos nas Olimpíadas e de outros elementos cênicos no caso de o estádio ser usado como arena de eventos — explicou Ícaro.
Nos Jogos Pan-Americanos de 2007, lembra ele, o piso do Maracanã já havia sido rebaixado para a passagem dos carros alegóricos usados na festa, mas, mesmo assim, ainda foi preciso improvisar. Como, por exemplo, uma operação de última hora para desmontar as partes móveis da escultura do jacaré, projetada por Rosa Magalhães, que era muito alta.
Somados os investimentos feitos nos últimos 15 anos, o novo Maracanã terá um custo total de cerca de R$ 1,5 bilhão. Desse total, R$ 860 milhões foram aplicados só na reforma iniciada em 2010. Ao final do processo, o estádio, que já recebeu mais de 200 mil pessoas em partidas oficiais, contabilizará mais ganhos do que perdas — embora algumas mudanças sejam lamentadas. Já não existirá mais a popular “geral” — área onde o ingresso era mais barato e a galera assistia aos jogos de pé — e a capacidade de público foi reduzida.
Outro ponto polêmico, aparentemente superado, foi a decisão de substituir a cobertura tradicional por uma estrutura tensionada feita de teflon e fibra de vidro. Depois de muita discussão, acabou prevalecendo a ideia de uma nova estrutura. A iluminação, com lâmpadas LED, mais econômicas, é um capítulo à parte. O diretor de Instalações do Maracanã, Richards Ambrósio, revela que R$ 3,7 milhões foram investidos na confiabilidade do sistema, que terá a carga máxima aumentada de seis para 12 mil megawatts, capazes de iluminar uma pequena cidade de 16 mil habitantes. Com isso, o fornecimento passa a ser feito por duas subestações da Light. Se falharem, geradores próprios entram em operação em 15 segundos.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/maracana-reutilizara-agua-da-chuva-tera-iluminacao-30-mais-economica-6830172#ixzz2DpGbvebx 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Grama do novo Maracanã é cultivada e tratada com cuidado e sigilo em Saquarema


Descobrimos onde está sendo preparado o gramado que servirá de palco aos artistas da bola na Copa das Confederações e na Copa do Mundo

Por MARCELO ALVES e LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

RIO - O distrito de Sampaio Corrêa, em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, não guarda grandes glórias do futebol carioca ou brasileiro. Mas é em uma fazenda na estrada Coronel Durval de Souza que está sendo cultivada em segredo a grama onde craques como Xavi, Iniesta, Pirlo e Neymar vão exibir o seu futebol refinado na Copa das Confederações de 2013 e possivelmente na Copa do Mundo no ano seguinte. Um sigilo que confunde até mesmo as autoridades do governo do Estado. Semana passada, ao ser perguntada onde afinal de contas ficava o viveiro, a secretária de Esportes e Lazer do Rio, Márcia Lins, disse:
— Vocês não sabem? Fica em um sítio em Cachoeiro de Macacu — respondeu a secretária.
Na verdade, Márcia se referia a uma antiga área de plantio da empresa encarregada do cultivo da grama. Checa daqui, pergunta acolá, O GLOBO chegou ao local. O Consórcio Maracanã, responsável pela obra, trata a questão como segredo de estado e não autorizou fotos dentro da fazenda. Mas foi possível observá-la e fotografá-la à distância.
Dentro da fazenda da empresa Itograss, a grama que vai ser colocada no novo Maracanã é tratada com todo o cuidado para não decepcionar quem espera um tapete do nível dos melhores estádios europeus. O nome não poderia ser mais apropriado para quem se prepara para um evento como a Copa do Mundo: Celebration (celebração, em inglês). E tal como uma celebridade, a espécie de grama que vai forrar o estádio cresce no viveiro esperando o momento de ser colhida em rolos e transportada até o estádio.
Enquanto os craques não pisam a nova grama do Maracanã, apenas quatro trabalhadores da fazenda têm o privilégio de caminhar no futuro tapete verde do estádio. São eles que cuidam diariamente do gramado, adubando e irrigando para que nos próximos meses ele esteja pronto para ser removido.
As mudas da espécie Bermuda Celebration são nativas da Austrália. No entanto, as que serão usadas no Rio foram importadas da Flórida (EUA). Elas crescem num ambiente semelhante ao que encontrarão no Maracanã: sob sombra e calor. Ao redor do local, poucas pessoas circulam num ambiente cercado por outras fazendas e com parte da estrada de acesso ainda de terra batida.
Mais resistente
O silêncio só é interrompido pela passagem de caminhões que arrastam a poeira quando passam em alta velocidade. Alguns deles levando placas de grama, pois a região conta com outras duas concorrentes da empresa que ganhou o direito de cuidar do gramado do Maracanã.
— A Celebration tem um tom verde azulado e vai ser plantada nos seis estádios que receberão jogos da Copa das Confederações. É a mesma espécie de grama adotada pelo Santos na Vila Belmiro — contou o engenheiro agrônomo Bruno Rodrigues.
A grama de cada um dos estádios da Copa das Confederações está sendo cultivada em fazendas da empresa nos respectivos estados. Além do Rio, há fazendas em Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Ceará e em Brasília.
Plantada na areia em Saquarema, a Bermuda Celebration será levada sem uma única camada do solo local para o Maracanã. Ela será usada pela primeira vez no estádio. Nos testes feitos, a grama teria mais qualidade e uma melhor adaptação ao clima carioca que a Bermuda TIFWAY 419 ID, espécie de gramado que foi usado no estádio entre os Jogos Pan-Americanos de 2007 e a interdição para as obras da Copa.
— A opção por esse tipo de grama é que ela é resistente ao pisoteio, cresce rapidamente e resiste mais a ambientes em sombra, como será no Maracanã. Ela pode chegar a 18cm de altura — explicou Bruno Rodrigues.
A estreia da seleção brasileira no novo gramado do Maracanã, caso a Fifa dê autorização, será no dia 2 de junho. Nesta data, pelos planos da CBF, o Brasil enfrentará a Inglaterra em um amistoso a duas semanas do início da Copa das Confederações. Depois disso, a seleção só terá a chance de voltar a jogar no estádio caso chegue à final do torneio, no dia 30 de junho.
Na Copa do Mundo, o estádio receberá sete jogos, entre eles um de oitavas de final, um de quartas de final e a grande decisão do torneio.


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MP propõe ação para evitar demolição da escola municipal Friedenreich, no Maracanã


De acordo com a ação, Estado e Município não devem adotar qualquer medida que impeça, inviabilize, limite ou não dê o direito à educação

RIO - A polêmica sobre o destino da Escola Municipal Friedenreich continua. Na última quarta-feira, o Ministério Público entrou na Justiça com uma Ação Civil Pública com o objetivo de evitar a demolição do colégio que possui a quarta melhor classificação da cidade do Rio e a sétima do estado. De acordo com a ação, o Estado e Município não devem adotar qualquer medida que impeça, inviabilize, limite ou não dê o direito à educação na escola. Caso descumpram esta decisão, ambos deverão pagar uma multa diária de R$ 5 mil. A ação também exige que sejam iniciadas as providências para assegurar um local adequado para as instalações da escola para o ano letivo de 2014.
A ação tem por base um inquérito aberto em 2009 pelo MPRJ, no qual os representantes do Município e do Estado informaram que os serviços previstos no contrato de Elaboração de Projeto Executivo e Execução de Obras de Reforma e Adequação do Complexo do Maracanã não contemplariam qualquer intervenção na escola municipal. A informação, segundo o MP, foi confirmada pela Secretaria de Obras no dia 28 de agosto deste ano. O governo anunciou No início do mês, no entanto, o governo anunciou a demolição do colégio. Para seu lugar, está projetada a construção das quadras de aquecimento, a serem usadas por jogadores de futebol que competirem no complexo do Maracanã.
A ação também requer que sejam iniciadas as providências que assegurem local adequado para as instalações físicas, administrativas e pedagógicas da escola para o ano letivo de 2014, com efetiva participação da comunidade no processo de transferência. À época do anúncio da demolição, o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, afirmou que a unidade seria transferida para o prédio da antiga escola de veterinária do Exército, localizado em São Cristóvão, o que causou revolta em muitos pais. Na ação, o MP afirma ainda que a transferência demandará uma série de providências administrativas e estruturais, incompatíveis com o período de transição de ano letivo.
“A confirmação da demolição ocorreu às vésperas do encerramento das matrículas para 2013. No site da Secretaria Municipal de Educação não há uma nova localização onde os pais possam matricular seus filhos. Não é apresentada qualquer destinação concreta, com prazo e endereço definidos para as novas instalações, o que inviabiliza a matrícula e coloca em risco o direito à educação dos estudantes”, afirma em nota a Promotora de Justiça Bianca Mota de Moraes.


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