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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Caso Engenhão: Eduardo Paes diz que devolução do Engenhão é 'besteira' e garante que Prefeitura não paga por reforma


Ainda sem previsão para ser reaberto, o futuro do Engenhão é incerto. Nesta quinta-feira, o prefeito Eduardo Paes avaliou como "besteira" a possibilidade de o Botafogo devolver o estádio e garantiu que o município não vai pagar pela reforma do local, interditado desde a última semana por causa de problemas estruturais na cobertura.

"Acho uma besteira devolver, não fui informado de nenhuma decisão formal do clube. Sugiro que a decisão do Botafogo não seja a de devolver um estádio das dimensões do Engenhão, que terá um papel a cumprir", afirmou Paes, em entrevista à BandNews FM Rio, lembrando que o estádio será usado nos Jogos Olímpicos de 2016.

Na última terça -feira, Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo e muito influente na política do clube, confirmou o movimento para que o clube devolva o Engenhão à Prefeitura do Rio, dizendo que o estádio está "podre". Nesta quarta, o presidente alvinegro Maurício Assumpção se reuniu com Eduardo Paes, e na noite desta quinta uma reunião do Conselho Consultivo do clube vai se reunir em General Severiano para discutir o assunto.

A indefinição sobre quem vai pagar a conta para resolver o problema do Engenhão também continua. Eduardo Paes garante que a Prefeitura não é responsável, o Botafogo é outro que se exime de culpa, já que tinha responsabilidade apenas na manutenção. A contrutora Delta foi responsável pelo projeto e início dos trabalhos, mas abandonou as obras. Um consórcio formado por OAS e Odebrecht assumiu e finalizou o estádio.

"Nem por um decreto (a Prefeitura vai pagar pela reforma). A Prefeitura está trabalhando para dar uma solução com a maior brevidade possível. E me parece que essa solução é de responsabilidade de quem fez o estádio, e não do município", disse o prefeito do Rio de Janeiro, que completou.

“Parece que o problema é do modelo matemático. Não estou querendo eximir ninguém de culpa, do passado, das responsabilidades, das lambanças da obra. Mas parece que essa história da estrutura é uma coisa de um engenheiro que fez uma conta errada”.

Fonte: http://www.espn.com.br/noticia/320833_eduardo-paes-diz-que-devolucao-do-engenhao-e-besteira-e-garante-que-prefeitura-nao-paga-por-reforma

Caso Engenhão: Botafogo planeja devolver Engenhão à Prefeitura


Decisão será tomada na quinta-feira
Na ocasião, conselheiros e todos os poderes do clube vão se reunir

Por Tatiana Furtado

RIO - Há cinco dias, o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, dizia que a devolução do Engenhão à prefeitura não estava em pauta. A princípio. Os dias se passaram, as dificuldades e as perdas financeiras se mostraram grandes, e o dirigente está perto de devolver à prefeitura as chaves do estádio, casa do alvinegro nos últimos seis anos. Na quinta-feira à tarde, todos os conselhos e poderes do clube vão se reunir na sede de General Severiano para tratar do assunto e respaldar a decisão do presidente, que tende pela rescisão do contrato de concessão.
Ainda esta semana, Maurício Assumpção irá se encontrar com Eduardo Paes. Uma dos inúmeras conversas o prefeito do Rio para tentar minimizar as perdas que o clube coleciona desde a interdição do estádio, há uma semana. A principal delas, a iminente assinatura do acordo dos naming rights (direitos de propriedades do nome do Engenhão), que valeria aos cofres do clube cerca de R$ 30 milhões. O Botafogo já foi informado por uma empresa com a qual negociava que não há mais interesse, nem futuramente.
O movimento de devolução do Engenhão é encabeçado pelo ex-presidente e conselheiro do clube Carlos Augusto Montenegro, que tem conversado com Assumpção. Ele afirma que até mesmo a pequena oposição alvinegra está a favor da entrega do estádio aos donos.
— Não estamos vendo outra solução. Não há. A serventia para o Botafogo acabou. O clube não tem condições de gerenciar. Mesmo que a prefeitura arque com a manutenção, não haveria tanto lucro — afirma Montenegro, que garante que não haverá problemas jurídicos na devolução. — É melhor devolver para que eles tenham tranquilidade de fazer os ajustes necessários. Vai ser mais fácil para as reformas para as Olimpíadas.
O Botafogo já formou uma junta de advogados para buscar os responsáveis pelos danos financeiros. Sem poder mandar jogos e alugar o estádio para grandes eventos, o clube terá de rever seus contratos relativos aos camarotes vendidos, locações e placas de publicidade.
O clube se exime de todos os problemas estruturais que o estádio apresenta desde o início da concessão, em 2007. De acordo com o alvinegro, a manutenção sempre foi feita, mas havia questões que só uma grande reforma resolveria. Em uma das reuniões na prefeitura, o presidente alvinegro apontou outros problemas, que raramente vinham a público. Assumpção afirma que o clube tentava resolver com paliativos e, depois, procurava quem deveria pagar pelos gastos. Desde falhas no sistema hidráulico ao sistema elétrico, que foram responsáveis pelos constantes apagões nos primeiros anos de uso e pela falta de água até hoje em alguns pontos do estádio em dias de jogo de maior público. Até o placar eletrônico, que não está funcionando há algum tempo, e os telões apresentam defeitos de fábrica.
Porém, a interdição do estádio ocorreu por um motivo maior. Na última terça-feira, o prefeito Eduardo Paes anunciou o fechamento do Engenhão, por tempo indeterminado, devido ao deslocamento, além do previsto no projeto original, dos arcos de sustentação das coberturas dos setores Leste e Oeste. A empresa alemã SBP emitiu um laudo que dizia que ventos acima de 63km/h poderiam fazer as estruturas de concreto ruírem.
A prefeitura recebeu o documento na terça-feira passada e anunciou a interdição imediata. No dia seguinte, no entanto, a maior parte das atividades no estádio —,como o uso por atletas da pista de atletismo e do campo principal, a área administrativa e o campo anexo para os treinos do Botafogo — foi liberada.
Em 2010, laudo da empresa portuguesa Tal Projecto já recomendava a interdição parcial do Engenhão, com a restrição de uso para ventos acima de 115km/h. Em 2007, a Alpha Engenharia e Estruturas, responsável pela construção da cobertura, afirmou que não havia os problemas. Agora, engenheiros da mesma empresa negaram conhecer qualquer problema estrutural, mas confirmaram que o teto deve ter acompanhamento contínuo.
Caso receba o Engenhão de volta, a prefeitura deverá fazer novo edital de licitação para a concessão do estádio. Como não está previsto no orçamento o custo para manter o espaço, o processo licitatório poderá ser feito em caráter de urgência. Especula-se que uma empresa que estaria interessada no Maracanã também poderia ficar com o Estádio João Havelange.
Enquanto não decide o futuro da sua casa, o Botafogo se prepara para o clássico com o Vasco, que será em Volta Redonda. Desde 2011, o alvinegro não joga no Raulino de Oliveira, quando empatou com o Fluminense por 1 a 1, na última rodada do Brasileiro. Porém, com a interdição do Engenhão, o chamado Estádio da Cidadania, como é conhecido, será o palco de Seedorf e Cia. na maioria dos jogos. Incluindo a final do Carioca, na qual o time de Oswaldo de Oliveira tem presença garantida, por ter vencido a Taça Guanabara. No Brasileiro, o clube ainda estuda onde fará seus jogos como mandante até que o Maracanã possa ser usado. Assumpção já admitiu não acreditar que o estádio seja liberado para os grandes cariocas antes da Copa de 2014.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/carioca-2013/botafogo-planeja-devolver-engenhao-prefeitura-8002259#ixzz2PX15RJSL 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Caso Engenhão: O “ESTRANHO CASO” DA LICITAÇÃO DA CONCESSÃO DO MARACANÃ E INTERDIÇÃO DO ENGENHÃO!


Por Cesar Maia

1. A cada hora que passa fica mais clara a conexão entre a interdição do Engenhão e a licitação do Maracanã. Ambas ocorrem no mesmo período. Dias atrás o Flamengo e o Fluminense assinaram contrato de utilização do Engenhão por 2 anos. Dias antes foi divulgado o estudo de viabilidade do Maracanã com gestão privada,que sublinhava a necessidade de que dois grandes times, (Flamengo e Fluminense), fizessem parte do projeto com uso exclusivo –por eles- do Maracanã. O Flamengo tem um campo de treinamento na Gávea. O problema seria o Fluminense. Mas rapidamente –uns 10 dias atrás- a prefeitura do Rio doou 5 milhões de reais para seu novo centro de treinamento.

2. Surpreendentemente –antes mesmo de conhecer o relatório, como disse na TV- o prefeito do Rio, determinou a interdição do Engenhão. Os vazamentos oficiosos produziram um noticiário distorcido na imprensa: risco de desabamento, erros de projeto, participação da Delta, e por aí foi.O caso da Delta tornou-se ridículo pois a Odebretch, que construiu a cobertura do Engenhão, (com a OAS), se associou anos depois a Delta, para ganhar e fazer as obras bilionárias de reforma e cobertura do Maracanã.

3. Já na quarta-feira,(27), no final da tarde, menos de 24 horas do anuncio, se passou a saber que se trata de debate técnico entre os calculistas sobre pontos de resistência ao vento em altas velocidades. E se soube mais : essa questão foi levantada em 2010, e a conclusão é que mesmo no caso de reforço no ponto indicado, isso não exigiria interditar.

4. O Jornal Nacional, (27), entrevistou o engenheiro calculista Flavio D’Alambert –top nacional em cálculo de estruturas metálicas- e ele disse que tem a mesma certeza que o “Engenhão é um local seguro para jogos esportivos”. E que levaria sua família sem susto ou risco. Ele é também responsável pelas estruturas metálicas dos estádios de Brasilia e Cuiabá em construção.

5. Curiosamente –digamos- o novo estudo foi pedido pela Odebretch que constrói o novo Maracanã, a empresa alemã Schlaich Bergerman und Partner (SBP), que, aliás, também é responsável pela cobertura do Maracanã. Essa fez um laudo que informa ser ideal um reforço no tal ponto que estaria um detalhe além do calculado, de forma a se ter garantias plenas para resistir a ventos com velocidade superior a 115 kms por hora.

6. Como já havia sido dito e escrito em 2010,( 9/11,Dia), mesmo que houvesse a necessidade de reforço esse poderia ser feito isolando um trecho, colocando suportes, e fazendo os ajustes com calma. No máximo bloquearia 10 mil lugares. O que aliás nada mudaria pelo público de futebol hoje no Brasil. Essa possibilidade foi repetida agora: não precisa interditar.

7. Bem, serviço feito para “fortalecer” o edital de concessão e os futuros e pré-conhecidos concessionários. E um dano de imagem para os JJOO-2016, por ser o Engenhão um estádio de atletismo, modalidade-eixo,desde sempre, das Olimpíadas. O COI mandou um recado: não gostou do que leu.

8. (Lance-30)  Dupla de empreiteiras responsável pela construção da cobertura do Engenhão  a OAS e a Odebrecht estão de olho aberto na licitação que definirá o futuro grupo gestor do Maracanã.   Das 19 visitas técnicas de grupos interessados no estádio, sete fazem parte de uma das duas gigantes da construção. A lista é composta por Construtora OAS S.A, OAS Arenas S.A, OAS S.A, Construtora Norberto Odebrecht S.A, Odebrecht Properties Entretenimento S.A, Construtora Norberto Odebrecht Brasil S.A e Odebrecht Participações e Investimentos S.A. A OAS está por detalhes para fechar uma parceria com a francesa Lagardère, grupo de mídia com holding voltada à indústria esportiva, enquanto a Odebrecht e a IMX, do bilionário Eike Batista, costuram uma parceria para gerir o complexo esportivo.

9. Canal 51,Discovery em 31/03/2013. Documentário sobre a cobertura do Engenhão.  Os Engenheiros do Consorcio construtor Flavio Cesaris e Sancho Montaldon, disseram claramente que após o descimbramento os arcos se comportaram de acordo com o projeto e dentro do previsto. 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Caso Engenhão: Engenhão tem outros problemas estruturais além da cobertura


Sistema elétrico deficiente, parte hidráulica enferrujada, equipamentos eletrônicos com defeitos e argamassa ruim estão na lista de reclamações
Por Fabio Leme

O defeito na cobertura do Engenhão, que fez o prefeito Eduardo Paes interditar o estádio por tempo indeterminado, é apenas um dos diversos problemas estruturais que foram detectados tempos após a construção do estádio. Sistema elétrico deficiente, hidráulico enferrujado, equipamentos eletrônicos com defeitos e argamassa de péssima qualidade também atormentam os responsáveis pela manutenção do Engenhão desde que o clube ganhou a licitação para administrar a nova casa em 2007.
Uma das situações mais visíveis de falta de uma boa construção foi a série de apagões que o estádio sofreu em 2011, só naquele ano foram quatro. O motivo? Falha na construção e, consequentemente, na execução do sistema elétrico.

Os refletores do estádio são servidos pela energia que vem da fonte da Light, quando sofre um curto ou uma queda de luz, a energia se apaga acionando, automaticamente, o no-break (eletro-eletrônico, cuja principal função é fornecer energia ininterrupta aos equipamentos, mesmo na ausência total de energia proveniente da rede elétrica).
Quando acionado, o no-break é capacitado para segurar a energia dos refletores por até cinco minutos. Ao final desse período, caso a energia elétrica natural não retorne, o no-break envia toda a sua carga, de uma vez só, para os geradores. Como a capacidade de carga do gerador é subdimensionada, ele não aguenta e desarma de novo. O ideal seria ter mais no-breaks para que a divisão de energia fosse feita aos poucos.
O sistema hidráulico também atormenta o dia a dia dos administradores do estádio. Os torcedores que costumam frequentar o Engenhão, quando vão aos banheiros, identificam que a água sai na cor marrom, e isto se dá porque os canos internos estão enferrujados, já que não se trata de tubos de PVC, mas sim de ferro. Para resolver o dano, uma obra completa no sistema teria que ser feita.


Uma curiosidade que ocorre quando o estádio tem público superior a 20 mil pessoas. Nesse caso, o sistema de água não consegue irrigar todos os banheiros e há falta d'água, mesmo com os reservatórios completos. A distribuição é interrompida.
Em sua última coletiva, o presidente Maurício Assumpção chegou a exemplificar um caso ocorrido na semifinal da Taça Guanabara, entre Botafogo e Flamengo, devido a esse problema de instalação.
- Eu tive diversos problemas nos camarotes nessa partida. Muitos deles não tinham água, que não chegava – contou o mandatário alvinegro.
Funcionando com diversos riscos em seu monitor, os dois telões do estádio, assim como os placares eletrônicos, foram se desgastando com o passar dos anos. Isso aconteceu devido à baixa qualidade dos produtos, de acordo com o diretor executivo do clube, Sérgio Landau.
- Todos são de baixíssima qualidade. Quando procuramos a empresa que os vendeu, ninguém resolveu o problema e falaram que não tinham como consertar. Nem quem vendeu trabalhava mais lá – reclamou o dirigente alvinegro, que tem ligação direta com a manutenção e ações no estádio.

A troca dos aparelhos chegou a ser cogitada e negociada, mas a alta taxa para importar dois telões e dois placares eletrônicos impediram a compra. Cada telão custaria aos cofres do clube US$ 250 mil (cerca de R$ 500 mil a peça) e cada placar eletrônico, R$ 250 mil. Com os impostos, o montante chegaria a mais de R$ 2,5 milhões.
Constantemente pode-se observar nas estruturas do Engenhão paredes sem ladrilhos. Com a má qualidade da argamassa aplicada, o clube tem que diariamente fazer um trabalho de manutenção para recolocar os azulejos.
- Se cair um, dois azulejos, o Botafogo coloca de volta, não tem problema. Isso é manutenção. Mas se cai uma coluna inteira, daí é problema de construção. Só que se cair na cabeça de alguém, o problema vai ser do clube. Por isso, nós nos adiantamos e consertamos para depois cobrar de alguém – detalhou o presidente Maurício Assumpção em entrevista na semana passada.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/rj/futebol/campeonato-carioca/noticia/2013/04/conheca-os-bastidores-estruturais-do-engenhao.html

Caso Engenhão: “O laudo do Engenhão é legal ?”


Após a interdição do estádio João Havelange, o Engenhão, e a declaração pelo prefeito do Rio de que a sua cobertura corre o risco de desabar, baseado na avaliação feita por uma empresa alemã contratada pelo consórcio do estádio, o arquiteto e urbanista Canagé Vilhena questiona a legalidade do laudo.

 “Laudo pericial sobre segurança estrutural é serviço de Engenharia. 

O laudo aceito pela prefeitura do Rio é de uma empresa alemã.

É necessário contratar estrangeiros para ver que a estrutura está podre?

Esta empresa tem registro no CREA-RJ para exercer a Engenharia no Brasil?

Ela fez Anotação de Responsabilidade Técnica – ART para o laudo pericial ?

A Lei 5.194/66 proíbe a contratação de serviços de Engenharia produzidos por pessoas não registradas no Brasil:

`Art. 6- Exerce ilegalmente a profissão de engenheiro ou engenheiro-agrônomo:

a) a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços público ou privado reservados aos profissionais de que trata esta lei e que não possua registro nos Conselhos Regionais;

(…)

Art. 13. Os estudos, plantas, projetos, laudos e qualquer outro trabalho de engenharia e de agronomia, quer público, quer particular, somente poderão ser submetidos ao julgamento das autoridades competentes e só terão valor jurídico quando seus autores forem profissionais habilitados de acordo com esta lei.
(…)

Art. 15. São nulos de pleno direito os contratos referentes a qualquer ramo da Engenharia ou da Agronomia, inclusive a elaboração de projeto, direção ou execução de obras, quando firmados por entidade pública ou particular com pessoa física ou jurídica não legalmente habilitada a praticar a atividade nos termos desta lei´.

Canagé Vilhena”

Fonte: http://www.soniarabello.com.br/o-laudo-do-engenhao-e-legal/

sexta-feira, 29 de março de 2013

Caso Engenhão: Interdição do Engenhão: lei protege cofres da prefeitura


Custo pelo reparo da cobertura não deve recair sobre o poder público

Por Amélia Sabino e Leo Burlá

A cobertura do Engenhão custou à Prefeitura do Rio R$ 80,5 milhões em 2007. Seis anos e uma interdição depois, não se sabe ainda quanto e quem vai pagar pelo erro durante a montagem. Porém, pela lei federal que rege as licitações, a conta não pode mais uma vez cair no colo do contribuinte.

Na terça-feira, o prefeito Eduardo Paes explicou que há um contrato emergencial firmado durante a gestão Cesar Maia que isenta as construtoras OAS e Odebrecht de pagar por erros do projeto da cobertura. Porém, a Lei n 8666/93  anula qualquer cláusula contratual entre poder público e empresa privada que retire dela a responsabilidade por má execução ou erro de projeto, mesmo que este não tenha sido elaborado por quem fez a obra.

– Nenhum contrato de emergência pode eximir de responsabilidade aquele que executou a obra. O que não pode recair é no poder público e no contribuinte, que já está privado do estádio e ainda tem que pagar a conta? – disse Bruno Navega, presidente da Comissão de Direitos Administrativos da OAB-RJ.

O projeto da cobertura foi feito pela empresa do engenheiro Flávio D'Alambert, dono da Projeto Alpha. Já a execução foi do Consórcio Engenhão (OAS/Odebrecht). Na quarta, o engenheiro do Consórcio, Marcos Vidigal, explicou que o risco de queda da cobertura foi causado pelo deslocamento 50% maior na retirada das escoras da estrutura dos arcos.

Na época, a construtora Delta alegou que não teria capacidade de concluir a montagem  no prazo. Em janeiro de 2007, OAS e Odebrecht exigiram cláusula de não responsabilização por eventuais erros no projeto para assumir a empreitada, o que foi aceito pela prefeitura, então comandada por Cesar Maia.

Apesar das evasivas de parte a parte, a conta tem dono, sim.

Com a palavra

Inaldo Soares
Consultor e auditor especialista em licitação e contrato

Quando a vencedora da licitação é afastada por descumprimento contratual ou renuncia ao contrato, a situação está regulada no artigo 24 Inciso XI da Lei 8.666/93. As empresas de consórcio que venham a substituir a empresa vencedora afastada vão 
ser contratadas pela administração pública nos mesmos moldes e regras contidas no edital de licitação da vencedora. As condições do contrato emergencial são idênticas às regras do contrato anterior da empresa afastada. 

Isto quer dizer que todas as responsabilidades apontadas no contrato assinado anteriormente, além das responsabilidades da execução da obra (no que lhe caiba) e outras responsabilidades civis em decorrência da obra contratada, são da empresa 
contratada posteriormente.

Ao meu ver, as responsabilidades civis e penal independem do contido no artigo 618 do Código Civil (que expira após cinco anos de entrega da obra). Estas responsabilidades devem ser levantadas e cobradas, principalmente na ocorrência de má-fé, se for identificada.

O que dizem os envolvidos

Lei de Licitações

A Lei Federal nº 8666/93, que trata das licitações, protege a Prefeitura do Rio no caso ocorrido no Engenhão. A lei diz que “o contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir, às suas expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato em que se verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes da execução ou de materiais empregados”.

O contratado também “é responsável pelos danos causados diretamente à administração ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo órgão interessado”. 


Cesar Maia

A respeito do artigo existente no contrato de emergência celebrado entre Prefeitura do Rio e Consórcio Engenhão, Cesar Maia, prefeito da cidade à época, disse que o dispositivo é inócuo, segundo palavras dele.

Por e-mail, Maia disse que, por lei, o executor da obra é responsável pelo que ocorreu na cobertura do Estádio Olímpico João Havelange. “Como o projeto não está em questão, mas sim o trabalho do calculista que eles mesmos contrataram, é essa a 
questão a ser vista. Essa é uma cláusula comum para dizerem que executaram o projeto que lhes foi apresentado na licitação”, escreveu.



Eduardo Paes

Responsável pela interdição imediata do Engenhão, o prefeito procurou não achar culpados pela falha estrutural em um primeiro momento. Ontem, a assessoria de imprensa de Paes  ressaltou que a Prefeitura vai arcar com o valor necessário para o reparo até que haja entendimento interno de que o contrato possa ser contestado judicialmente.

Em entrevista coletiva, o prefeito cutucou o rival político (Cesar Maia), ao dizer que  o contrato de emergência foi firmado pelo antecessor no cargo.

– Vou dar uma solução definitiva, não vou puxar cabinho, colocar pauzinho e corda – alfinetou Paes.  


Botafogo

Pelo contrato de concessão pública celebrado entre Botafogo e a Prefeitura do Rio de Janeiro, o Glorioso é responsável por todas as despesas necessárias à manutenção, conservação e funcionamento do Estádio Olímpico João Havelange, bem como seus equipamentos. 

No caso do risco de desmoronamento da cobertura, o clube não tem como ser responsabilizado, já que não participou da elaboração e execução do projeto do estádio.

Em entrevista realizada ontem, o presidente Mauricio Assumpção garantiu que o clube não vai romper o contrato de 20 anos de vigência.

Consórcio Engenhão (Construtoras OAS e Odebrecht)

A assessoria de imprensa do consórcio disse que as empreiteiras não vão se manifestar sobre os custos da reforma da cobertura. Em entrevista coletiva realizada na última quarta-feira, Marcos Vidigal, representante do consórcio, admitiu 
que houve erros nos cálculos dos arcos de sustentação da cobertura dos setores Leste e Oeste, o que poderia ocasionar a queda em caso de ventos superiores a 63km/h.

– Não há como precisar o tempo que o estádio ficará fechado, temos de investigar as causas – disse Vidigal.

Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/botafogo/Interdicao-Engenhao-protege-cofres-prefeitura_0_890911107.html#ixzz2OvtxTNKt 

Caso Engenhão: ENGENHÃO! O PRINCIPAL ESTÁDIO DOS JJOO-2016: ATLETISMO!


Por Cesar Maia
        
(Extra, 27) 1. Após interdição do Engenhão, Cesar Maia ironiza Eduardo Paes e empresas responsáveis pela cobertura do estádio. Cesar Maia era o prefeito do Rio durante a construção do Engenhão, finalizada em 2007. O ex-prefeito e atual vereador Cesar Maia (DEM), que estava à frente do município durante a construção do Engenhão, finalizada em 2007, ironizou o atual prefeito Eduardo Paes e as empresas Odebrecht e OAS, responsáveis pela construção e manutenção do estádio. O principal palco do futebol carioca foi interditado nesta terça-feira por Paes, por causa de problemas na cobertura, detectados em laudo feito pelas duas construtoras.
    
2. Cesar Maia preferiu não opinar diretamente sobre o caso, mas não deixou de se manifestar com ironia a respeito do problema e da relação da prefeitura com as empresas. - Apenas é importante sublinhar que a Odebrecht, que é responsável pela cobertura do Engenhão, é também pela demolição da Perimetral, pela construção do Maracanã, pela construção do túnel na área portuária, além dos novos equipamentos no Parque Olímpico. E que a OAS – que fez a cobertura do Engenhão em parceria com a Odebrecht - é responsável pela linha do metrô Barra-Zona Sul em construção. Ambas poderão dar todos os esclarecimentos - afirmou.
    
3. Cesar Maia lembrou ainda o fato de Eduardo Paes ter concedido entrevista em 2010 negando que o Engenhão tivesse qualquer problema estrutural. O vereador era o prefeito na época em que a licitação para a obra de construção do estádio foi vencida pelo consórcio formado pela Odebrecht e a OAS. No período, o então chefe do município foi alvo de críticas pelo aumento no preço do Engenhão. Eduardo Paes, na entrevista concedida nesta terça-feira, afirmou que ainda não há um prazo estipulado para que o Engenhão seja reaberto ao público e nem um plano de recuperação da estrutura da cobertura do estádio.

Caso Engenhão: Projetista da cobertura do Engenhão diz: 'A pressa é inimiga da perfeição'


Responsável pela cobertura que causou a interdição do estádio, Flavio D'Alambert diz que local é seguro para eventos: 'Eu levaria minha família'

Por Raphael Zarko

O engenheiro Flavio D'Alambert, da empresa Projeto Alpha, é o responsável pela cobertura polêmica que apresentou problemas e provocou a interdição do Engenhão. Chamado para uma reunião na tarde desta quarta-feira na prefeitura do Rio, ele saiu do encontro, com representantes da RioUrbe e do consórcio responsável pela construção do estádio, com a mesma certeza que entrou: o Engenhão é um local seguro para jogos esportivos.

O GLOBOESPORTE.COM encontrou o engenheiro, que também é responsável pelos estádios de Cuiabá e Fortaleza da Copa do Mundo de 2014, antes de ele embarcar de volta para São Paulo. Ele não despreza nem duvida do novo estudo realizado pela empresa alemã Schlaich Bergerman und Partner (SBP), que, aliás, também é responsável pela cobertura do Maracanã. Mas confia plenamente na obra entregue para o Pan- Americano de 2007. No entanto, faz uma ressalva a respeito do tempo de execução do projeto que desenvolveu, até então de tecnologia inédita no Brasil.

- A pressa é inimiga da perfeição. Apesar de terem sido tomados todos os cuidados necessários, o ideal era que houvesse um prazo maior para a construção do estádio. O consórcio, quando houve a troca (da Delta para a dupla OAS/Odebrecht), só tinha mais quatro ou cinco meses para entregar - comenta D'Alambert.



GLOBOESPORTE.COM: Por que houve essa diferença de cálculo entre o que vocês, da Alpha, fizeram e o que foi detectado agora?
Flavio D'Alambert: Nós montamos um modelo teórico. Na prática, fazemos um monitoramento para ver se chega próximo ao estudo do teórico. No caso do Engenhão, a prática ultrapassou de 20% a 30% ao teórico. Mais do que eu e o auditor (a empresa portuguesa Tal, contratada para auditar toda a obra) tínhamos previsto. Os alemães falaram em diferença de 50%, ou seja, 20% ou 30% a mais, porém preciso checar esses cálculos deles. É bom frisar que respeito muito a empresa alemã, porém confio muito no cálculo que fizemos e também nos canadenses (empresa RWDI), que são um dos maiores especialistas no assunto em todo o mundo também. Se houvesse qualquer dúvida da minha parte sobre segurança do equipamento, eu jamais teria liberado a obra.

Houve pressa para entregar a obra em tempo do início dos Jogos Pan-Americanos de 2007?
(Demora para responder) A pressa é inimiga da perfeição. Apesar de terem sido tomados todos os cuidados necessários, o ideal era que houvesse um prazo maior para a construção do estádio. O consórcio, quando houve a troca (da Delta para a dupla OAS/Odebrecht), só tinha mais quatro ou cinco meses para entregar.

Vocês observaram algum problema estrutural?
Não, isso não quer dizer que há problema estrutural. O que detecta isso (um problema de estrutura) são vibrações excessivas, deformações que não param. Ou seja, você mede hoje, bate um vento, se aquele ponto estudado está mais baixo, quer dizer que se movimentou. Mas os desníveis observados desde o início (de 20% a 30%) sempre foram estáveis. Isso sempre nos deixou bem tranquilos.

Na prática, qual é a diferença entre o modelo real e o que vocês esperavam?
Algo em torno de 15 a 20 centímetros. No meu cálculo, teria que deformar 70cm, no máximo. Na observação real, chegou a 88cm. Deu uns 18cm de diferença. Mas foi o que disse. A última medição foi feita em janeiro. E sempre permaneceu estável (a estrutura medida, no topo da cobertura). Se alguém mede hoje, depois faz outra medição amanhã, a estrutura pode ir um pouco para cima ou para baixo. O importante é que estabilize de novo. Isso sempre ocorreu.

O material utilizado no Engenhão foi o mais adequado?
Sim, foram os mais adequados possíveis. Foram materiais da Gerdau e da Cosip (Usiminas). Todos materiais brasileiros. Acompanhei a construção, toda semana eu vinha para o Rio. Quando terminou a obra, saí de cena e deixei um documento em que registrei isso tudo.
Foi feito algum reparo naquele momento?

Não, nada. No momento em que se deforma um pouco, não se consegue recuperar mais. Assume uma posição de equilíbrio, não volta mais.


Quando você soube desse novo estudo?
Eles avisaram que iam pedir um novo estudo. Isso faz mais de um ano, e o resultado definitivo foi na semana passada. Se houvesse qualquer dúvida da minha parte sobre segurança do equipamento, eu jamais teria liberado a obra. O que fizemos foi exatamente o que está sendo realizado no Castelão e no Mané Garrincha.

Havia necessidade de interdição?
Eu acredito nos meus cálculos e acredito no ensaio que foi feito no Canadá. Segundo esses cálculos, não precisaria ser feito nada, a não ser esse monitoramento que está sendo feito até hoje. Agora, nesse cálculo dos alemães, os níveis de segurança caem mesmo. Ele prevê outro carregamento, outro cenário. Não tenho como dizer qual está certo. Eu confio no cálculo que foi feito no Canadá. Os alemães confiam no deles. Diante do que ele recebeu, o prefeito deve tomar a posição adequada. Mas eu levaria a minha família tranquilamente para assistir a um jogo. No cálculo dos alemães, os níveis de segurança diminuem, mas não haveria colapso. Ou seja, a cobertura não corre risco de cair nem há risco para as pessoas. Não dá para dizer qual velocidade de vento provocaria isso, porque é tudo teórico. O ideal seria fazer medições no local.

O que deve ser feito, segundo a reunião de que você participou nesta quarta?
Eles não sabem ainda, mas devem fazer o que os alemães pedirem.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/rj/futebol/campeonato-carioca/noticia/2013/03/projetista-do-engenhao-confia-na-estrutura-mas-admite-pressa-na-obra.html

quarta-feira, 27 de março de 2013

Caso Engenhão: Engenhão: obra milionária marcada por falhas


Queda de muro, apagões e relatório entregue pelo Botafogo à prefeitura em 2009, já apontando 30 itens defeituosos, compõem histórico de problemas do Engenhão

Por Ary Cunha

RIO - Maior legado dos Jogos Pan-Americanos de 2007 para a cidade, o Engenhão, oficialmente batizado Estádio Olímpico João Havelange, levou três anos para ser construído a um custo, à época, de R$ 380 milhões dos cofres públicos. Já escolhido como local das provas de atletismo das Olimpíadas de 2016, o estádio arrendado por 20 anos ao Botafogo e interditado ontem pelo prefeito Eduardo Paes, por falhas estruturais na cobertura, tem um histórico de problemas, apesar dos poucos anos de uso. Embora o anúncio de Paes tenha sido recebido com aparente perplexidade pelos grandes clubes cariocas, que ali jogavam clássicos e boa parte de seus jogos desde o fechamento do Maracanã para as obras da Copa-2014, a decisão traumática é o desfecho de um roteiro anunciado há tempos.
Em março de 2010, o colunista Ancelmo Gois publicou nota na qual antecipava uma reunião de Paes com diretores da Companhia Botafogo, que administra o estádio, e empreiteiras, para tratar de uma lista de 30 itens problemáticos no Engenhão. E reportagem publicada pelo GLOBO dias depois revelou que as falhas já eram de conhecimento da prefeitura há quase um ano, já que o ofício do clube fora encaminhado pelos administradores em abril de 2009. A cobertura já era um dos pontos citados no relatório, com necessidade de manutenção preventiva, além de três pontos em que a lona se rompera devido a queda de balões na estrutura, facilitando o acúmulo de água da chuva.

Além de ser encaminhado à prefeitura, pela Superintendência de Patrimônio Imobiliário da Secretaria municipal de Fazenda - organizadora da licitação que cedeu a administração do Engenhão ao Botafogo -, o ofício 121/2009 também foi enviado pelo clube à RioUrbe, em maio de 2009, e chegou ao Tribunal de Contas do Município. O TCM incluiu a lista de problemas entre os documentos que serviram de base para o relatório final sobre o legado do Pan. Fiscais do próprio tribunal fizeram três visitas técnicas ao estádio e encontraram infiltrações, entre outros problemas.
No ofício encaminhado à prefeitura, eram citadas infiltrações até nas casas de máquinas dos elevadores, expondo equipamentos ao risco de curto circuito. O problema se repetia até nas juntas de dilatação que sustentam a estrutura. Ainda de acordo com o texto, o sistema no-break instalado no Engenhão não funcionava direito devido a falhas de projeto. Segundo o relatório, os equipamentos não teriam sido projetados com refrigeração independente, e isso prejudicava a operação dos geradores.
O primeiro problema no estádio ocorreu antes mesmo da realização dos Jogos Parapan-Americanos, ainda em 2007. Dois muros da área interna desabaram. Por sorte, ninguém se feriu. A explicação dada na ocasião foi a de que a estrutura era uma das poucas restantes do terreno pertencente à antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA). A construção de um muro novo foi providenciada alguns meses depois.

Às escuras já em 2008
Para o torcedor carioca, além dos problemas de acesso que relegaram o estádio a públicos habitualmente reduzidos e ao incômodo apelido de “Vazião”, o histórico do estádio também está marcado por apagões. O primeiro deles aconteceu ainda em 2008, na estreia do Botafogo no Brasileiro, contra o Sport. Em março de 2010, um forte temporal caiu sobre a cidade, e houve novo apagão, numa partida entre o time alvinegro e o Olaria, pelo Carioca.
Só em 2011 o Engenhão ficou às escuras mais três vezes. A primeira delas aconteceu no Fla-Flu semifinal da Taça Rio, a segunda no jogo entre Flu e Libertad, do Paraguai, pela Libertadores, e a terceira no confronto entre Botafogo e Grêmio, pelo Brasileiro. Nos três casos, a diretoria do Botafogo ofereceu justificativas distintas. Acusou a Light pela escuridão no Fla-Flu, apontou falha humana na Libertadores e curto-circuito no Brasileiro.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/carioca-2013/engenhao-obra-milionaria-marcada-por-falhas-7957255#ixzz2Om6dLKPG 

Caso Engenhão: Apresentação Consórcio Engenhão

Apresentação do Consórcio Engenhão sobre a cobertura do estádio: veja aqui

Acompanhe a série feras da engenharia, da Discovery, que mostrou a construção do Estádio João Havelange.







Caso Engenhão: Prefeitura apresenta laudo técnico do Engenhão


Estádio foi interditado após consórcio constatar problemas estruturais na cobertura

Por Elisa Motta

A Prefeitura do Rio apresentou nesta quarta-feira (27/03) os laudos técnicos que levaram à interdição do Estádio Olímpico João Havelange, no Engenho de Dentro. Em entrevista coletiva, os presidentes da Riourbe, Armando Queiroga, e do Consórcio Engenhão, Marcos Vidigal, explicaram as falhas estruturais na cobertura metálica do Engenhão e os riscos oferecidos aos frequentadores do estádio. O problema está nos arcos Leste e Oeste da cobertura metálica, que tiveram um deslocamento 50% maior que o previsto e apresentam riscos em condições de alta velocidade de vento.

Desde 2007, quando o estádio foi finalizado, o Consórcio Engenhão – formado pelas construtoras Odebrecht e OAS -, em conjunto com a empresa projetista Alpha e a certificadora de projeto Tal Projecto (TAL), vem acompanhando o comportamento da cobertura metálica. Foram apresentados laudos de acompanhamento dos anos de 2007, 2009, 2010 e 2013. Este ano, após receber laudos das empresas Alpha e TAL, o consórcio solicitou um parecer à empresa alemã SBP (Schlaich Bergerman und Partener), uma das maiores especialistas do mundo em projeto de coberturas de estádios, como uma terceira opinião. A SBP concluiu, de forma definitiva, que a estrutura deverá passar por intervenções preventivas, visando restabelecer os níveis de segurança. Na terça-feira ( 26/03), o consórcio enviou um relatório à Prefeitutra do Rio, aconselhando a interdição do Estádio.

- Concluímos a montagem da estrutura do estádio em 2007 e sabíamos que tinha uma previsão de deslocamento da cobertura. Mas esse deslocamento foi superior ao previsto e, desde então, tem sido motivo de investigação. Chegamos inclusive a procurar a SBP, que é uma empresa reconhecida mundialmente, e só agora chegamos a essa conclusão, de que há riscos. E, com base nessa informação, recomendamos a interdição do estádio. O prefeito, de forma correta, tomou providência de fechar o Engenhão para que possamos procurar a melhor solução – disse Vidigal.

A Riourbe trabalha em conjunto com o Consórcio Engenhão para estudar a melhor medida a ser tomada, no menor prazo possível, para que o estádio seja reaberto em breve. O presidente da empresa, Armando Queiroga, destacou que a segurança da população é prioridade:

- Nosso trabalho agora é trabalhar arduamente para decidir quais soluções de engenharia serão adotadas para resolver o problema na cobertura do estádio. Vamos trabalhar em conjunto para a melhor solução, mas nosso foco hoje é a segurança. Vamos no esforçar ao máximo.


Na noite desta terça-feira (26/03), o prefeito Eduardo Paes interditou o estádio,  após receber o laudo detectando os problemas estruturais em sua cobertura, que podem oferecer risco à segurança dos frequentadores. O prefeito se reuniu com os presidentes dos quatro grandes clubes do Rio (Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo) para informá-los sobre a decisão.

- Nossa prioridade é a segurança da população. O Engenhão vai ficar fechado pelo tempo necessário, só reabre quando houver uma solução definitiva. Pedi aos presidentes dos clubes e da federação compreensão e que se unam à prefeitura neste momento, pela segurança dos admiradores do futebol. Quero deixar claro que o problema encontrado não tem qualquer relação com a manutenção - completamente adequada - realizada pelo Botafogo no estádio – disse Paes.

CONSORCIO ENGENHÃO

O Consórcio Engenhão foi contratado em 2005 para realizar as obras complementares do Estádio Olímpico João Havelange, como acabamentos e instalações. Em 2007, por meio de Contrato de Emergência, a Prefeitura do Rio  contratou o Consórcio Engenhão também para concluir a montagem da cobertura, que na época já tinha projeto executivo e 25 % das obras realizadas pelos construtores anteriores.

As atividades de montagem da estrutura foram realizadas com o acompanhamento da prefeitura, entre janeiro e julho de 2007. Desde a conclusão da cobertura metálica, em julho de 2007, o Consóricio Engenhão vem acompanhando o comportamento da estrutura do estádio. O motivo desse acompanhamento foi a verificação pelo consórcio que, após o descimbramento da cobertura (operação de retirada do escoramento), o deslocamento da cobertura metálica foi diferente do que o previsto pelos projetistas e consultores.

Mesmo com esse deslocamento diferente do previsto, a estrutura do estádio ficou estável e assim permanece até hoje. Porém, era preciso verificar o motivo do deslocamento e se o mesmo poderia comprometer a estrutura. Para isso, o consórcio contratou um escritório verificador (TAL – Tal Projecto, empresa certificadora de Portugal, com larga experiência internacional no setor).
Os estudos da TAL não chegaram a conclusões convergentes com as dos projetistas. Para ter um terceiro parecer, em 2010 o consórcio contratou um novo especialista, a empresa alemã SBP (Schlaich Bergermann und Partener), referência mundial em engenharia estrutural e em coberturas de estádios.

A SBP elaborou um novo modelo de estudos e submeteu uma maquete do estádio a um túnel de vento para avaliar a situação de maneira mais próxima de condições reais. As conclusões do estudo da SBP, levadas pelo Consórcio Engenhão ao conhecimento da Prefeitura do Rio, recomendam que a estrutura do estádio passe por intervenções preventivas, visando restabelecer os níveis de segurança originalmente projetados.

Fonte: http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?article-id=3713678

Caso Engenhão: Problemas no Engenhão "arranham" imagem do Brasil, dizem analistas


Os problemas estruturais que levaram à interdição do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, na última terça-feira, “arranham” a imagem internacional do Brasil e levantam dúvidas sobre a preparação do país para receber a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos de 2016, na opinião de analistas e observadores ouvidos pela BBC Brasil.

Em uma coletiva de imprensa na noite de terça-feira, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou o fechamento da arena por tempo indeterminado devido a problemas estruturais na cobertura, algo que poderia colocar o público em risco.

Inaugurado em 2007 para os Jogos Panamericanos, o estádio, que fica no bairro do Engenho de Dentro, na zona norte do Rio, vinha sendo palco de partidas do campeonato carioca de futebol e receberá as competições de atletismo da Olimpíada de 2016.

"Há um abalo de imagem que é indiscutível", diz Amir Somoggi, consultor independente de marketing esportivo.

"É muito triste que a tão pouco tempo da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos nós tenhamos que explicar como uma obra nova apresenta problemas estruturais tão graves", afirma Somoggi.

Lição de casa

A construção do Engenhão teve início em 2003, a cargo da construtora Delta. A empreiteira, no entanto, acabou abandonando a obra, que foi assumida então por um consórcio entre as construtoras OAS e Odebrecht. Com a mudança, qualquer problema relacionado ao projeto do estádio passou a ser de responsabilidade da prefeitura.

De acordo com Somoggi, os custos para a construção do estádio são compatíveis com o de arenas do tipo em outras partes do mundo, e a existência de problemas pode levantar desconfiança sobre a capacidade de planejamento dos responsáveis por receber os grandes eventos esportivos.

"Você tem um estádio que custou quase R$ 400 milhões, um valor dentro do que se gasta pelo mundo. (Mas é) um estádio que tem problemas estruturais graves, significa que nós não estamos fazendo a nossa lição de casa", diz.

Para Pedro Daniel, executivo de gestão esportiva da consultoria BDO, ainda é preciso saber as causas dos problemas apresentados, mas, segundo ele, é possível que as falhas no Engenhão gerem um desconforto entre patrocinadores e acabem tendo impacto em negociações de contratos e naming rights. "Que empresa vai querer atrelar sua marca a um lugar com risco?", diz.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, engenheiros do consórcio responsável pelo estádio afirmaram que o prazo para identificar a razão do problema e encontrar uma solução deve ser superior a 30 dias, não havendo previsão para reabertura da arena.

Impacto internacional

A interdição do Engenhão acontece em um momento em que as atenções internacionais estão cada vez mais voltadas para o Brasil, com a aproximação da Copa das Confederações, que acontece em junho, e da Copa do Mundo de 2014.

"Se o Brasil não estivesse sediando os eventos, eu acho que esse tipo de história iria passar despercebida" diz Tim Vickery, correspondente esportivo da BBC no Rio de Janeiro.

"A coisa tomou uma dimensão internacional justamente porque o Brasil está sediando os megaeventos. O fato de que o Engenhão vai sediar o atletismo dos Jogos dá uma dimensão enorme à notícia", diz o jornalista.

Segundo ele, até a terça-feira, havia uma preocupação principalmente com relação à mobilidade urbana durante os Jogos Olímpicos, mas o caso do Engenhão também gera dúvidas sobre a qualidade das instalações que receberão as competições.

Imagem e confiança
O consultor Amir Somoggi concorda e afirma que casos como esse "arranham" a imagem do país ao evidenciar o que classifica como "falta de planejamento, visão e controle de custo".

"O mundo olha para o Brasil - porque o Brasil é o centro das atenções esportivas - e não gosta muito do que vê", diz.

Procurado pela BBC Brasil para comentar o caso, o Comitê Olímpico Internacional disse por meio de nota que está em "contato regular" com a organização dos Jogos do Rio de 2016 e afirmou ter "confiança absoluta" na preparação do país.

"Ainda faltam mais de três anos e meio para os Jogos, e temos confiança absoluta de que eles acontecerão", diz a nota.

Já o Comitê Organizador dos Jogos no Brasil afirmou, também por meio de nota, ter "plena confiança de que a prefeitura do Rio de Janeiro tomará as medidas necessárias para que o Estádio Olímpico esteja pronto para os Jogos".

Fonte: http://esporte.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2013/03/27/problemas-no-engenhao-arranham-imagem-do-brasil-dizem-analistas.htm

Caso Engenhão: Vento de 63 km/h pode causar desabamento de Engenhão, revela prefeitura


Por Vinicius Konchinski

Um vento de 63 km/h pode causar o desabamento da cobertura do Engenhão. Essa é uma das principais conclusões do relatório feito pela consultoria alemã SBP (Schlaich Bergermann und Partner), contratada pelo consórcio construtor do estádio para verificar a segurança do local.

Informações desse relatório foram divulgadas nesta quarta-feira pelo presidente da Riourbe (Empresa Municipal de Urbanização), Armando Queiroga, e Marcos Vidigal, representante do Consórcio Engenhão, em entrevista coletiva concedida da Prefeitura do Rio. Foi o relatório da SBP que motivou a decisão do prefeito Eduardo Paes de interditar por tempo indeterminado o estádio.

“O relatório da SBP diz que há um risco na condição de vento acima de 63 km/h”, disse Vidigal. “Como é um evento mais frequente, você não pode conviver com esse risco. O estádio não pode ser utilizado.”

De acordo com a prefeitura do Rio e o Consórcio Engenhão, o estádio tem problemas na cobertura desde sua inauguração, em 2007. Isso porque os arcos que sustentam o teto da arena acabaram se deslocando mais do que o esperado no processo de retirada das escoras que o seguravam durante as obras.

Já em 2009, foi concluído que o Engenhão deveria ser interditado em dias de ventos com mais de 115 km/h. Em 2011, entretanto, a SBP iniciou uma nova investigação sobre o assunto. Ela verificou que existem risco nos casos de ventos de 63 km/h, bem mais frequentes do que os ventos de 115 km/h. “Um vento de mais de 63 km/h poderia levar à ruína”, afirmou Vidigal.

O Engenhão começou a ser construído em 2003 já visando aos Jogos Pan-Americanos de 2007. Na época, a construtora responsável era a Delta, empresa que chegou a ser investigada em uma CPI.

Tempo depois, a Delta abandonou a obra. A Odebrecht e a OAS se juntaram, criaram o Consórcio Engenhão e assumiram a construção do estádio.

Em 2007, o Engenhão foi concluído. Recebeu as provas de atletismo e alguns jogos de futebol do Pan.

O estádio custou R$ 380 milhões. Cerca de três anos depois da sua inauguração, entretanto, foram divulgados as primeiras informações sobre problemas na sua construção.

Em 2010, o Botafogo, que assumiu a administração do estádio, enviou à Prefeitura do Rio um relatório apontando rachaduras e outras falhas na estrutura do espaço. A prefeitura convocou o Consórcio Engenhão e exigiu o conserto dos defeitos sem ônus aos cofres públicos.

No ano passado, indícios de novos problemas estruturais foram identificados. Em agosto, a Riourbe criou um grupo de trabalho para apurar “vícios construtivos” no estádio.

Meses depois, o estádio foi interditado. A prefeitura pediu até 60 dias para estudar os problemas no local para definir as obras necessárias para consertá-lo. Não há uma previsão para liberação.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/estadual-do-rio/ultimas-noticias/2013/03/27/vento-de-63-kmh-pode-causar-desabamento-de-engenhao-revela-prefeitura.htm

Caso Engenhão: Paes descarta chance de demolir Engenhão e procura responsáveis por erro


A interdição do Engenhão mexeu com o futebol carioca, mas também trouxe problemas para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Eduardo Paes, que fez o anúncio do fechamento do estádio por problemas na cobertura, descartou haver chance de demolição da arena nesta quarta-feira. Em entrevista à TV Globo, o prefeito também anunciou uma auditoria para definir de quem é a responsabilidade pelo erro que determinou a interdição do Engenhão.

De acordo com Paes, a prefeitura não trabalha com a possibilidade de colocar o estádio abaixo. O prefeito ressaltou que espera uma resposta rápida para poder liberar o Engenhão para receber as partidas dos clubes do Rio.

“Não há esse risco [de demolição]. Há esse problema na cobertura. Para mim, risco é risco e 5% já é um risco enorme. Passou da margem aceitável e, portanto, essa decisão de fechar é por isso. Mas é um problema que tem solução e não vai precisar desmoronar ou desmontar o estádio de forma nenhuma”, reforçou Paes.

O prefeito exige rapidez, mas não coloca um prazo para o retorno das partidas no estádio administrado pelo Botafogo. “A gente vai ter o Engenhão para as Olimpíadas [de 2016] e queremos ter o Engenhão de volta o mais rápido possível para servir ao futebol carioca”, completou.

Com o laudo oficial a respeito das condições do Engenhão em mãos nesta quarta-feira, o prefeito assegura que as responsabilidades serão determinadas para iniciar o planejamento de reestruturação da arena. Uma auditoria será realizada pela prefeitura para procurar os responsáveis pelos problemas na cobertura. O Botafogo também deseja apurar o caso para se defender de prejuízos com o Engenhão fechado por longo período.

“Vai ter que fazer [auditoria]. Eu não era prefeito ainda, mas o sujeito que construiu o estádio me diz que tem estudo que aponta risco e temos que checar. Se for um problema de projeto, a responsabilidade é da prefeitura, se for um problema de execução, a responsabilidade é de quem fez. Portanto, vamos apurar. O detalhe é que ainda não há uma solução apontada”, lembrou Paes.

O Engenhão foi construído pela Odebrecht e a OAS. Nesta terça, as empresas disseram que estão participando das discussões sobre a situação do estádio e aguardam um pronunciamento técnico da prefeitura para tomar qualquer atitude.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/estadual-do-rio/ultimas-noticias/2013/03/27/paes-descarta-chance-de-demolir-engenhao-e-procura-responsaveis-por-erro.htm

Caso Engenhão: Prefeitura pede 2 meses para estudar problemas e começar obras no Engenhão


Por Vinicius Konchinski 

A Prefeitura do Rio de Janeiro pediu de 30 a 60 dias para definir um plano de conserto para o Engenhão, interditado na terça-feira por causa de problemas em sua cobertura. Em entrevista coletiva concedida nesta quarta, o presidente da Riourbe (Empresa Municipal de Urbanização), Armando Queiroga, afirmou que a administração municipal e o consórcio construtor do estádio ainda não sabem o que terão de fazer para liberar o espaço para uso. Por isso, evitou dar qualquer prazo para a reabertura do estádio.

“Vamos demorar 30, 45 ou 60 dias para saber qual será a solução para o estádio. Só depois, vamos definir o que precisará ser feito e começar o trabalho”, disse Queiroga. “Vamos nos debruçar arduamente para estudar o problema e reabrir o estádio o mais rápido possível.”

Nesta quarta, Queiroga e Marcos Vidigal, representante do Consórcio Engenhão, afirmaram que o estádio municipal tem um problema em sua cobertura identificado ainda na sua fase final de construção. Os arcos do lado leste e oeste que sustentam o teto do estádio estão em uma posição errada. Isso pode causar o desabamento da cobertura do Engenhão.

Durante a construção do Engenhão, esses arcos permaneceram escorados. A previsão era de que, quando as escoras fossem retiradas, eles se movessem e assentassem a cobertura. Acontece que o deslocamento ocorrido foi cerca de 50% maior que o planejado. Isso acabou criando um risco de queda na cobertura. “Pode haver uma ruina”, complementou Vidigal.

Esse problema vem sendo estudado pelo consórcio construtor do Engenhão, formado pela Odebrecht e a OAS, desde 2007. Vários relatórios já foram feitos sobre a estrutura do estádio e, em 2009, chegou a ser recomendado que o Engenhão fosse fechado em dias de ventos de mais 115 km/h.

Em 2011, o consórcio resolveu contratar uma consultoria alemã para estudar o problema nos arcos mais a fundo. A SBP (Schlaich Bergerman und Partner) analisou o Engenhão, recalculou o risco e recomendou a interdição imediata no estádio. Esse relatório chegou a prefeitura na terça-feira. Com base nele, o prefeito Eduardo Paes tomou a decisão de fechar o Engenhão por tempo indeterminado.

O Engenhão começou a ser construído em 2003 já visando aos Jogos Pan-Americanos de 2007. Na época, a construtora responsável era a Delta, empresa que chegou a ser investigada em uma CPI.

Tempo depois, a Delta abandonou a obra. A Odebrecht e a OAS se juntaram, criaram o Consórcio Engenhão e assumiram a construção do estádio.

Em 2007, o Engenhão foi concluído. Recebeu as provas de atletismo e alguns jogos de futebol do Pan.

O estádio custou R$ 380 milhões. Cerca de três anos depois da sua inauguração, entretanto, foram divulgados as primeiras informações sobre problemas na sua construção.

Em 2010, o Botafogo, que assumiu a administração do estádio, enviou à Prefeitura do Rio um relatório apontando rachaduras e outras falhas na estrutura do espaço. A prefeitura convocou o Consórcio Engenhão e exigiu o conserto dos defeitos sem ônus aos cofres públicos.

No ano passado, indícios de novos problemas estruturais foram identificados. Em agosto, a Riourbe criou um grupo de trabalho para apurar “vícios construtivos” no estádio.

Meses depois, o estádio foi interditado. De acordo com Queiroga, da Riourbe, por causa de todo esse histórico da obra, é impossível determinar hoje quem é o responsável pela falha na cobertura do estádio: projetistas, contrutores ou até mesmo a própria prefeitura.

Marcos Vidigal, do consórcio construtor, disse que a Odebrecht e a OAS assumiram a obra do estádio com 100% do projeto definido e 25% da cobertura instalada. Por isso, só cumpriram o que já estava planejado anteriormente.

A prefeitura confirma essa versão. De acordo com Queiroga, só depois da identificação do problema, será possível encontrar os responsáveis pela falha e cobrar deles uma ressarcimento. "Estamos preocupados com a segurança. Quem pagará a obra, isso vem no segundo momento", afirmou o presidente da Riourbe.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/estadual-do-rio/ultimas-noticias/2013/03/27/prefeitura-pede-2-meses-para-encontrar-problemas-e-comecar-obras-no-engenhao.htm

sexta-feira, 15 de março de 2013

Pacote Olímpico: Câmara mantém vetos de Paes


Emendas apresentadas por vereadores no ano passado favoreciam a especulação imobiliária em área da Barra

Por Renata Leite

RIO — A Câmara Municipal manteve na quarta-feira os vetos do prefeito Eduardo Paes às emendas apresentadas pela própria Casa, no ano passado, ao Pacote Olímpico. A votação foi unânime. As propostas, feitas por vereadores da antiga legislatura, causaram um mal-estar com a prefeitura ao valorizarem em mais de R$ 4 bilhões as propriedades de empresários vizinhos ao Parque Olímpico e ao campo de golfe que será construído na Barra da Tijuca. As emendas ampliavam em mais de 560 mil metros quadrados os limites da área total que poderia ser construída na região.
Na época, as emendas foram apresentadas minutos antes de o projeto ser votado e aprovadas em sessão tumultuada. O prefeito chegou a dizer que não haveria negociação e que, se seus vetos fossem derrubados, cancelaria a parceria público-privada que vai viabilizar a urbanização da área sem que o valor integral saia dos cofres públicos do município.
Para Paes, prevaleceu a razão entre os vereadores, assim como o compromisso com o projeto olímpico:
— No ano passado, houve uma grande confusão na Câmara, em parte por conta do pouco tempo para discussão, o que levou a equívocos. No entanto, desde então, mostramos os benefícios que já estavam garantidos na proposta do Executivo. Se as emendas fossem aprovadas, ia parecer que estávamos beneficiando a especulação imobiliária. A iniciativa privada já está tendo os benefícios para pagar todos os compromissos assumidos — disse o prefeito, acrescentando que cerca de R$ 500 milhões deixarão de sair do orçamento da prefeitura e serão assumidos pelas empresas parceiras.

Ganhos de R$ 16 milhões
Entre as alterações mais radicais sugeridas e inicialmente aprovadas pelos vereadores, estava a possibilidade de o consórcio que fará o Parque Olímpico ampliar a área construída em até 500 mil metros quadrados.
Nos terrenos no entorno do campo de golfe, o ganho dos empresários com a ampliação do potencial construtivo de 60 mil metros quadrados chegaria a cerca de R$ 16 milhões. Além disso, a emenda concederia isenções eternas de IPTU e ISS para o campo de golfe e autorizaria a construção de hotéis com frente para o campo.
Os vereadores que assinaram as emendas na época foram Chiquinho Brazão (PMDB), Jorge Pereira (PT do B), Argemiro Pimentel (PT), Renato Moura (PTC), Tânia Bastos (PR), João Mendes de Jesus (PR), Professor Uoston (PMDB), Eduardo Moura (PSC), Carlinhos Mecânico (PSD), João Cabral (PDMB), Alexandre Cerrutti (DEM), Bencardino (PTC), Carminha Jerominho (PT do B), Fernando Moraes (PMDB), Luiz Carlos Ramos (PSDC) e Eduardo Moura (PSC).


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/pacote-olimpico-camara-mantem-vetos-de-paes-7846072#ixzz2NdhE6jv8

quarta-feira, 13 de março de 2013

Prefeito do Rio cogita meio expediente em jogo da Copa das Confederações


Eduardo Paes diz que fechamento das ruas poderá causar impactos no trânsito. Intenção é facilitar a chegada dos torcedores ao Maracanã

Por Márcio Iannacca

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, admitiu nesta quarta-feira, durante evento de planejamento operacional para a Copa das Confederações, em um hotel na Zona Sul da cidade, que o Rio de Janeiro dará, no mínimo, meio expediente no dia do confronto entre Espanha e Taiti, no Maracanã, que acontecerá numa quinta-feira, no dia 20 de junho.
A intenção é que os torcedores tenham mais tranquilidade para chegar ao estádio para acompanhar o confronto do torneio da  Fifa.
- É uma questão que estamos estudando. Como fecharemos várias vias, nós teremos uma série de obstruções de trânsito no entorno. Por conta disso, nós vamos estudar o impacto, mas vamos dar, no mínimo, meio expediente. E ponto facultativo para as repartições públicas. Será um teste para a Copa do Mundo.
Os outros dois confrontos das Confederações na cidade acontecerão nos fins de semana. Ambos no domingo. O primeiro será México e Itália, no dia 16. O outro, a grande decisão do torneio, no dia 30.
O secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, aprovou a ideia da prefeitura do Rio.
- Boa providência dar um ponto facultativo ou, no mínimo, meio expediente. Faremos um jogo onde o torcedor poderá chegar de forma mais tranquila por conta dessa decisão.
O Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, também gostou da ideia adotada pelo Rio de Janeiro. Na opinião do político, os outros estados que receberão o torneio também terão liberdade para tomar a mesma medida.
- É uma decisão de cada administração municipal, de acordo com as condições locais de cada jogo. A situação do Rio de Janeiro é especial e talvez por isso o prefeito tenha tomado essa medida.
Paes aproveitou o bate-papo com a imprensa para explicar como será o procedimento para a chegada da torcida ao Maracanã. De acordo com o prefeito, os torcedores serão incentivados a utilizar as estaçõe sdo metrô de São Francisco Xavier, Maracanã e São Cristóvão.
- Dependendo do assento que você tiver comprado, você chegará por uma determinada estação. Vamos fechar o viaduto que liga a estação de São Cristóvão ao Maracanã para que as pessoas cheguem andando ao estádio - disse.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2013/03/prefeito-do-rio-cogita-meio-expediente-em-jogo-da-copa-das-confederacoes.html

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Apartamentos do Porto Olímpico serão lançados ao mercado em abril


As unidades habitacionais estão sendo erguidas no terreno conhecido como Praia Formosa, nos arredores da Rodoviária Novo Rio
Projeto terá o maior edifício residencial da cidade, com 40 andares

Por Isabela Bastos

RIO — Os 1.330 apartamentos de dois e três quartos que estão sendo construídos na Zona Portuária, dentro do projeto Porto Olímpico, deverão ser lançados no mercado em abril, informou, na tarde desta segunda-feira, o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), Alberto Silva. As unidades habitacionais estão sendo erguidas no terreno conhecido como Praia Formosa, nos arredores da Rodoviária Novo Rio, e, durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, deverão funcionar como vilas de mídia não credenciada e de árbitros. O conjunto de sete prédios começará a surgir na paisagem até o fim deste ano. A previsão é que os primeiros blocos fiquem prontos em meados de 2015 e todo o conjunto seja entregue nos primeiros meses de 2016. O Porto Olímpico terá o maior edifício residencial da cidade, com 40 andares. Os prédios — de alturas variadas, o menor deles com 12 pavimentos — começaram a ser erguidos no ano passado.
O prefeito Eduardo Paes disse, nesta segunda-feira, que espera a venda completa do empreendimento.
— A gente está subsidiando tanto, dando condições (de compra) tão especiais e diferentes do mercado, que é impossível não ter venda total dos apartamentos. De repente teremos que fazer até sorteio. Estou super otimista com aquilo ali — disse Paes, sem adiantar quais as condições do financiamento que será lançado pelo Previ-Rio.
Como a Cdurp já havia anunciado, os servidores públicos municipais terão preferência na aquisição dos imóveis, que poderão ser comprados por intermédio de uma linha de crédito especial, que deverá ser criada pelo Instituto de Previdência e Assistência do Município do Rio (Previ-Rio). O lançamento da carta de crédito, contudo, está atrasado. Em 2012, a Cdurp informara que a negociação dos imóveis começaria em agosto passado. Questionado sobre a receptividade esperada do empreendimento, Silva demonstrou otimismo.
— O prazo de negociação dos imóveis que estamos levando em conta é de seis meses. Mas acreditamos que a venda será muito rápida — disse o presidente da Cdurp, que participa, na Barra da Tijuca, de reunião preparatória da Rio 2016 com membros do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Os compradores receberão as unidades em 2017. Segundo a Cdurp, o projeto foi aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em maio do ano passado. Cada prédio do conjunto contará com cinco pavimentos de garagem. O maior dos edifícios terá, portanto, 35 andares de apartamentos, e sua altura vai superar a das torres do condomínio Athaydeville, na Barra da Tijuca. Para se ter uma ideia do tamanho do empreendimento, a torre do RioSul, em Botafogo, o maior arranha-céu do Rio, tem 44 pavimentos, já incluindo os cinco pisos do shopping.
No ano passado, a Cdurp informou que a previsão é que o fundo de pensão municipal aplique cerca de R$ 500 milhões nos empréstimos. Dos 1.330 apartamentos, 857 terão dois quartos, e 473, três. O tamanho das unidades irá variar de 69 a 90 metros quadrados. A Cdurp informara ainda que o metro quadrado custaria cerca de R$ 5 mil, o que faria com que os apartamentos sejam comercializados por valores entre R$ 345 mil e R$ 450 mil.
Durante as Olimpíadas, as unidades serão usadas para abrigar a mídia não credenciada e os árbitros das competições. Os apartamentos de dois quartos funcionarão como se tivessem três dormitórios, já que as salas serão adaptadas. O objetivo é chegar a um total de 3.990 quartos nos sete prédios. O projeto Porto Olímpico inclui ainda dois hotéis de 500 quartos, cada um, somando 4.990 para os Jogos.
Enquanto um dos hotéis será construído na Praia Formosa, o outro ficará no terreno de uma usina de asfalto da prefeitura na Avenida Francisco Bicalho. Os dois locais abrigarão ainda centros de convenções que, juntos, terão três mil metros de área construída. As obras terão de ficar prontas nos primeiros meses de 2016, quando as instalações olímpicas serão entregues ao COI para as adaptações finais.
O prefeito Eduardo Paes disse, nesta segunda-feira, que espera a venda completa do empreendimento:
— A gente está subsidiando tanto, dando condições (de compra) tão especiais e diferentes do mercado, que é impossível não ter venda total dos apartamentos. De repente teremos que fazer até sorteio. Estou super otimista com aquilo ali — disse Paes, sem adiantar quais as condições do financiamento que será lançado pelo Previ-Rio.
O projeto foi anunciado no ano passado, durante uma visita da comissão de inspeção do COI, e sofreu algumas mudanças. Na ocasião, a prefeitura informou que seriam 1.800 apartamentos divididos em 16 prédios. As unidades seriam menores, variando de 55 a 70 metros quadrados. O projeto Porto Olímpico foi enxugado para aumentar a metragem dos apartamentos. Pela previsão original, os quartos teriam, em média, sete metros quadrados. Na nova versão do projeto, passarão a ter entre nove a dez metros quadrados. As alterações foram influenciadas por uma pesquisa na carteira imobiliária do Previ-Rio. Segundo o estudo, os apartamentos que estavam sendo projetados não atendiam ao perfil que costuma ser procurado pelos servidores.
Na ocasião, a Cdurp informou que o posicionamento dos prédios também mudara. Antes, eles ficariam mais próximos da Praça Marechal Hermes, perto da Rodoviária Novo Rio. Agora, os edifícios serão erguidos nos fundos do terreno da Praia Formosa, mais próximos da Rua General Luiz Mendes de Moraes. Essa alteração foi pedida pelo COI para garantir o perímetro de segurança das instalações. Os prédios olímpicos serão os primeiros do terreno da Praia Formosa. De acordo com a Cdurp, a área tem potencial construtivo para mais edifícios — sua ocupação total poderá somar R$ 6 bilhões em obras imobiliárias. O terreno foi adquirido pelo consórcio Solace à Caixa Econômica Federal, que administra o fundo imobiliário dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos criados pela prefeitura do Rio no ano passado.


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Paes defende provas de rúgbi da RIO 2016 no estádio de Moça Bonita


Prefeito diz que, se o comitê aprovar Moça Bonita como instalação olímpica, a prefeitura se compromete a bancar a reforma do estádio

Por Isabela Bastos

RIO - O prefeito Eduardo Paes defendeu, nesta segunda-feira. a realização das provas de rúgbi dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no estádio de Moça Bonita, em Bangu, Zona Oeste do Rio. Paes falou sobre o assunto ao sair da 4ª reunião da Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional (COI), que acontece no hotel Windsor, na Barra da Tijuca. Paes disse que conversou com o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzzman, sobre a possibilidade de o estádio receber a modalidade. Ele disse que, se o comitê aprovar Moça Bonita como instalação olímpica, a prefeitura se compromete a bancar a reforma do estádio.
- Eu tenho a minha tese do rúgbi em Moça Bonita. Não falei publicamente. Falei para o Nuzzman. Se você aprovar Moça Bonita, eu começo a obra amanhã - disse Paes, numa referência à necessidade de reforma do estádio.
As provas de rúgbi seriam realizadas, inicialmente, em São Januário. Mas o estádio acabou ficando de fora dos Jogos Olímpicos porque o Vasco não deu garantias financeiras para a reforma do estádio. O Comitê Olímpico Internacional ainda discute a realização da modalidade no estádio do Engenhão, num intervalo deixado pelas provas de Atletismo. Questionado sobre o porquê da escolha de Bangu, Paes reagiu bem humorado:
- Porque Moça Bonita é Moça Bonita.O melhor estádio do Rio, mais importante e mais simbólico historicamente, é São Januário. O segundo mais importante é Moça Bonita. Mas São Januário já está fora.
Paes disse que, se a ideia vingar, a prefeitura pretende resgatar um antigo projeto que previa a reforma do estádio e a administração de Moça Bonita pela Federação de Futebol do Rio, que realizaria mais jogos do campeonato carioca no local. Sobre a receptividade de Nuzzman ao projeto, Paes disse que o presidente do COB "gosta da ideia".
Paes disse, ainda, que a realização das provas em Bangu seria possível porque o bairro está na área de influência do BRT Transolímpico. Paes disse, também, que bancaria um time de rúgbi do Bangu:
- A Transolímpica fica do lado. E tem mais. Se colar, eu banco o time de rúgbi do Bangu.
Não é a primeira vez que se cogita realizar as provas de rúgbi em Bangu. Em dezembro de 2010, Paes anunciou que o estádio de Moça Bonita seria reformado no ano seguinte. Na época, Paes disse que os jogos de rúgbi durante as Olimpíadas de 2016, que chegaram a ser cogitados para aquele campo, seriam realizados em São Januário. "Moça Bonita vai ser um luxo. A ideia é que se torne um "alçapão" dos times pequenos do Rio", disse ele, na ocasião. O projeto de reforma incluía a ampliação da capacidade atual de cinco mil lugares para 15 mil assentos. O investimento seria de cerca de R$ 34 milhões.
Além da recuperação estrutural de todo o estádio, atrás dos dois gols seriam construídas arquibancadas com assentos numerados, com 4.100 lugares cada. Ao todo, o estádio da Zona Oeste contaria com 14.706 assentos descobertos, 77 cobertos nos camarotes e 217 na tribuna.
O campo de jogo teria seu gramado trocado, ganhando nova drenagem e passando a contar com automático sistema de irrigação. Com o objetivo de minimizar o desgaste do gramado, seria construído ainda um campo em grama artificial exclusivo para treinamentos. Todas as dependências internas do estádio seriam climatizadas. Outra atração seria a instalação de um placar eletrônico de alta resolução de seis metros por quatro metros. A iluminação também seria reformada e um moderno sistema de som de qualidade garantiria cobertura em toda a extensão do estádio.
Hóquei
Além do rúgbi, ainda se discute a localização das competições do hóquei sobre a grama. Inicialmente as provas estavam previstas para o Parque Olímpico da Barra, mas, por falta de espaço, o comitê organizador quer transferir a modalidade para o Parque Olímpico de Deodoro, mas ainda aguarda a aprovação da federal internacional. A indefinição também interfere na localização de provas paralímpicas.
O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons, explicou que é tradição as partidas de futebol de cinco e de sete jogadores serem realizadas nas mesmas instalações do hóquei.
— Para nós há essa tradição de usar o mesmo campo. Se o futebol for transferido para Deodoro ajudará a enriquecer aquele complexo esportivo.


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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sérgio Cabral volta atrás e desiste de demolir o prédio do antigo Museu do Índio no Rio


Cabral confirmou nesta segunda-feira, 28, que trabalhará para o tombamento e restauro do prédio, construído em 1862

Por Antonio Pita

RIO - O governador do Rio, Sérgio Cabral, voltou atrás da decisão de demolir o prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã, na zona norte da cidade. Cabral confirmou nesta segunda-feira, 28, que trabalhará para o tombamento e restauro do prédio, construído em 1862. No último sábado, a Defensoria Pública do estado conseguiu uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio impedindo a demolição do prédio e estipulando uma multa de R$ 60 milhões caso o governo descumprisse a decisão. 

O plano inicial do governador era demolir o prédio para construir uma área de estacionamentos e um centro de compras anexo ao complexo do Maracanã. O espaço seria cedido à iniciativa privada, que administrará o estádio após a Copa do Mundo de 2014. Sérgio Cabral chegou a alegar que a Fifa havia exigido a demolição do espaço para garantir a mobilidade dos torcedores no acesso aos jogos, o que foi negado pela entidade. 

No último dia 12, o Batalhão de Choque da Polícia Militar cercou o prédio à espera de um mandado judicial para a remoção das 23 famílias que ocupam o imóvel desde 2006, chamando-o de Aldeia Maracanã. Eles exigem que o local seja transformado em um centro cultural indígena. O cerco durou todo o dia e levou à mobilização de ativistas contra a demolição do prédio. Sem a autorização judicial, os militares deixaram o espaço e o Governo expediu uma notificação extrajudicial para a desocupação do imóvel, com prazo de dez dias que se encerraria nesta segunda-feira, dia 28.  

Os índios rejeitaram as propostas do governo para o pagamento de aluguel social e transferência para outro imóvel. Segundo eles, o imóvel possui valor histórico e cultural para as populações indígenas e deveria ser transformado em um centro cultural. O edifício foi destinado à causa indígena desde 1865, quando foi sede do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão que deu origem à Funai. No local também funcionaram escritórios do Marechal Rondon e Darcy Ribeiro, personalidades políticas ligadas à questão indígena. Ribeiro transformou o espaço, em 1953, em museu, que posteriormente, em 1978, foi transferido para um casarão em Botafogo, na zona sul. Desde então o prédio foi abandonado. 

Apesar do valor histórico e cultural para os povos indígenas, o prédio não era tombado pelos órgãos municipal, estadual ou federal de preservação do patrimônio. Nos últimos meses, após o anúncio do projeto de demolição do prédio, os órgãos emitiram pareceres contrários à decisão e favoráveis ao tombamento. Apesar dos pareceres, o governo do Rio manteve o projeto de demolição, o que gerou polêmica entre ativistas da questão indígena. 

Na última semana, a ministra da Cultura Marta Suplicy ligou para o governador e sugeriu que o prédio não fosse demolido em função de um parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O parecer considerava que o prédio tinha valor histórico não apenas pelas características arquitetônicas mas também pelo valor cultural para a identidade indígena.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,sergio-cabral-volta-atras-e-desiste-de-demolir-o-predio-do-antigo-museu-do-indio-no-rio,989864,0.htm