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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Moradores protestam contra campo de golfe na Barra e resort na Reserva


Prefeito diz que terreno onde será instalado equipamento olímpico já está degradado e que complexo hoteleiro foi aprovado em 2005

Por DIEGO BARRETO e LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

RIO — Moradores da Barra realizaram na manhã desta terça-feira um protesto contra a construção do campo de golfe das Olimpíadas de 2016, na Barra, e de um resort na entrada da Praia da Reserva. A manifestação aconteceu em frente ao Itanhangá Golf Club e reuniu cerca de 20 pessoas. Um dos manifestantes estava vestido de golfista e usava uma máscara.
O campo de golfe olímpico será construído, num terreno com mais cerca de um milhão de metros quadrados às margens da Avenida das Américas, na Reserva de Marapendi. No local, também poderão ser erguidos até 22 edifícios residenciais com 22 andares cada.
— O golfe poderia ter suas provas realizadas aqui no Itanhangá e não seria necessário um investimento tão grande. Além disso o campo de golfe olímpico será construído numa área de preservação, remanescente de Mata Atlântica. Queremos que a área seja reflorestada e recuperada e não entregue como moeda de troca para a especulação imobiliária — disse o biólogo Marcello Mello, um dos líderes do movimento Salve a Reserva, que começou com um mobilização nas redes sociais.
Outra crítica do grupo é em relação ao resort que está sendo construído na entrada da Praia da Reserva, numa área de 45 mil metros quadrados. O empreendimento do grupo hoteleiro Hyatt prevê quatro prédios de seis pavimentos com um total de 436 apartamentos, além de dois condomínios residenciais de luxo com outras 80 unidades.
O terreno onde o complexo será construído já pertenceu à Área de Preservação Ambiental (APA) de Marapendi. Em 2005, a Câmara dos Vereadores aprovou, em votação relâmpago, um projeto de lei retirando o terreno da APA. A lei manteve intocáveis as áreas consideradas de preservação, mas dobrou a área total edificável. O ex-prefeito Cesar Maia chegou a entrar na Justiça contra o empreendimento. Mas a lei foi julgada constitucional pelo Tribunal de Justiça. A Rede Hyatt decidiu construir um hotel no local aproveitando os incentivos fiscais do pacote olímpico aprovado pela prefeitura em 2010 na Câmara dos Vereadores para construir novos hotéis no Rio.
— Aquela área da Praia da Reserva já está sufocada. Imagina toda essa quantidade de gente circulando ali. O impacto será enorme — diz Eliane Farias, uma das criadoras do movimento Salve a Reserva, que programa nova manifestação está marcada para a manhã do próximo sábado na Praia da Reserva.

Prefeito defende projeto do golfe
O prefeito Eduardo Paes defendeu nessa terça-feira o projeto de construção do campo de golfe olímpico e disse que não teria como vetar o plano da rede Hyatt de construir um hotel e um condomínio de luxo na entrada da Praia da Reserva na Barra. As declarações foram dadas durante a apresentação dos projetos da prefeitura para as Olimpíadas de 2016 no terreno do futuro parque olímpico em construção no terreno do antigo autódromo, na Barra.
Paes lembrou que o terreno onde será construído o empreendimento imobiliário já permitia resorts desde 2005, quando a Câmara dos Vereadores aprovou o projeto que retirara o terreno da Apa de Marapendi e dobrava o potencial construtivo
— Não fui eu quem aprovei a lei daquela forma. O problema é que o terreno era muito valorizado e teríamos um custo enorme para desapropriá-lo. Sem contar que já havia um projeto aprovado de resort para aquela área — disse o prefeito.
Sobre o projeto do Campo de Golfe, Paes lembrou que a maior parte do terreno escolhido fica de fato na Apa de Marapendi mas já está degradado. Ele lembrou que no passado, o espaço já foi usado como uma usina de concretagem (para a construção de pré-moldados de Cieps). Na entrevista, porém, ele não fez referência que um trecho de 58 mil metros quadrados do Parque de Marapendi serão incorporados ao projeto do campo.
A rede hoteleira Hyatt divulgou nota informando que o resort na Praia da Reserva está de acordo com a legislação ambiental e urbanística da cidade. Segundo o grupo, 60% da área de 45 mil metros quadrados, hoje degradada, passará por processo de regeneração da vegetação nativa. Segundo Hyatt, o empreendimento custeará a construção de rede de esgoto com 1.300 metros, ligada ao emissário submarino da Barra.
A construção do campo de golfe cria polêmica desde o último dia 5 de novembro, quando o prefeito Eduardo Paes encaminhou à Câmara dos Vereadores um projeto de lei alterando parâmetros ambientais e urbanísticos na Barra. A proposta prevê que uma área de 58 mil metros quadrados, hoje consideradas Zona de Conservação da Vida Silvestre (ZCVS), seja liberada para o campo de golfe.
O primeiro protesto realizado pelo movimento Salve a Reserva aconteceu no último sábado, na Praia da Reserva, e reuniu 400 pessoas. Durante a manifestação policiais militares chegaram a usar gás de pimenta contra um grupo de manifestantes, que tentou obstruir o trânsito da Avenida Lúcio Costa, na Barra.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/moradores-protestam-contra-campo-de-golfe-na-barra-resort-na-reserva-6777979#ixzz2CtY0fuaB

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Escândalo do Golf Olímpico e Resort na Reserva do Marapendi


 Por Mariana Bruce

Estimados,

Segue o brilhante texto de nossa compa, Thayana Faskomy, sobre o escândalo que envolve a construção de um resort e de um campo de golf na Reserva do Marapendi, bem como sobre o protesto que ocorreu no último sábado, dia 17 de novembro, das 09h às 12h. 

As Olimpíadas e a Copa do Mundo viraram desculpa para tudo! Reforço a fala de muitos, de que os próximos quatro anos serão de muitas lutas contra a atual prefeitura, que não se cansa de usar dos mais sórdidos artifícios para favorecer uma pequena minoria, nem que para isso, leis precisem ser alteradas.
Teoricamente, os investimentos a Copa do Mundo e Olimpíadas deveriam favorecer a população trazendo retornos no funcionamento a longo prazo da máquina estadual, melhorando a mobilidade urbana, os hospitais e as escolas. Infelizmente não é o que tem acontecido na gestão da atual prefeitura. O interesse público mais uma vez está sendo ignorado.
Como todos já devem ter ouvido falar, a prefeitura precisa construir um campo de Golf para atender às Olimpíadas, já que os dois locais que possuem a prática do esporte no estado (Gávea Golf Club e o Itanhangá Golf Club) não possuem instalações de nível olímpico. A única proposta apresentada para a construção do mesmo situa-se justamente dentro da Área de Proteção Ambiental de Marapendi. Posto que a construções em APAs são permitidas com  as devidas ressalvas, o prefeito Eduardo Paes encaminhou  à Câmara dos Vereadores em 05/11, um projeto de lei que muda parâmetros ambientais e urbanísticos na Barra a fim de viabilizar a construção do Campo para os Jogos Olímpicos de 2016. Ou seja, o prefeito está de forma inconstitucional, modificando leis ambientais de proteção que regem essas áreas em detrimento do interesse da população e do meio ambiente.
A desculpa de muitos, que se dizem especialistas, é que essa área já está gravemente degradada e que a perda para a biodiversidade seria mínima. Alguém acredita nisso? E ainda que a área estivesse degradada, porque não recuperá-la ao invés de destruí-la ainda mais?

 A primeira problemática envolvida é a de que esse terreno é de propriedade privada e está em disputa judicial. Apesar disso, a Barra já ganhou uma estação do BRT em frente ao local da possível construção com o nome de Golf Olímpico. Estranho, não? Alguém está se antecipando aos acontecimentos…

Pasqualhe Mauro, um velho conhecido da Barra da Tijuca, por ser alvo de dezenas de processos por posse ilegal na região e suposto dono do terreno, ganhará como contrapartida a liberação para construir 23 prédios em outro terreno dito seu. Outro fato curioso, é que esses prédios que poderiam alcançar no máximo 6 andares, agora passarão a ter 22. Vemos claramente que o que está em jogo não são as Olimpíadas e o campo de golfe, mas sim a especulação imobiliária, o dinheiro, ou seja, o interesse privado dentro do espaço público.
Sem contar que, dessa maneira, a escolha do local atenderia em sua maioria os moradores da Barra da Tijuca, que futuramente seriam os usuários do campo de golfe, esporte esse, já restrito às elites. Por que não construir em terrenos mais baratos, onde o impacto fosse menor e outras parcelas da população, que residem mais distantes dos atuais campos, tivessem também acesso ao esporte?
Aproveitando o embalo da problemática do campo de golfe, e ainda falando dessa mesma área, essa semana começou a derrubada de áreas verdes próximas ao condomínio Alfa Barra, local que pertencia a APA de Marapendi, mas que, por meio para lá de duvidosos, foi retirada em 2005 as pressas, e sem qualquer consulta prévia da população. A lei manteve intocáveis as áreas consideradas de preservação, mas dobrou a área total edificável.

Antigamente para que se construísse em uma APA eram necessários, o estudo de impacto ambiental e a apresentação de propostas viáveis de estímulo à educação pública. É, por isso, que os condomínios mais antigos da Barra, que ficam do lado da lagoa (APA de Marapendi), apresentam escolas públicas. Como as construtoras precisavam de licença expedida pela prefeitura, nos condomínios eram construídas escolas municipais (exemplos: Barra Sul, Pontões da Barra, Novo Leblon, Parque das Rosas, Mandala, Riviera, Alfa Barra, entre outros).
Acontece que a lei mudou e, agora, para que se consiga uma autorização para construir em uma APA, é necessário o estudo de impacto ambiental e a proposta de replantio dobrado. O ministério de meio ambiente observou que o retorno que a educação pública dava ao bioma devastado era muito pequeno, e assim, propôs um replantio dobrado de mudas nativas nas áreas ameaçadas que se encontram próximas às devastadas do determinado bioma, o que se torna um certo problema já que quem concede as licenças são as prefeituras! Depois disso, alguns condomínios mais novos foram buscar seus plantios e muitas construtoras realizaram plantios em Grumari, por exemplo, e outras acharam outras áreas, como o Riserva Uno, que plantou no Bosque Jerusalém, na frente ao Pedra de Itaúna, ou mesmo o Mundo Novo, que fez sua área de replantio dentro do próprio condomínio.
Sabemos que esse é só o começo para que as construções avancem ainda mais. Estamos tratando aqui de um crime ambiental muito sério e de grandes proporções. A área que está sendo devastada se caracteriza por ser uma área de manguezal e restinga, biomas extremamente frágeis e, ao mesmo tempo, de extrema importância devido à biodiversidade ali encontrada. A pressão antrópica diminui os hábitats e a poluição altera consideravelmente esses espaços, que em teoria serviriam para resguardá-los. Os destaques ficam por conta das espécies raras e ameaçadas de extinção, como a largatixa-de-praia (Liolaemus lutzae), o lagarto-de-cauda-verde (Cnemidophorus ocellifer), de coloração mimética à vegetação, o jacaré-do-papo-amarelo (Caimam latirostris) e a borboleta-da-praia (Parides ascanius), que necessitam de áreas alagadas, com vegetação arbórea.
Importante ressaltar que a população local não está de braços cruzados. Ontem, dia 17 de novembro de 2012, reuniram-se cerca de 500 pessoas em um protesto pacífico contra as construções na área da Reserva, no qual nosso coletivo esteve presente em peso. Quem marcou presença também, foi nosso vereador recém-eleito Renato Cinco (PSOL), que ficou até o final do protesto e fez questão de se manifestar. Percebemos que seu discurso entra em perfeita consonância com nossa fala quando Cinco diz que: “O que está acontecendo aqui na Reserva está acontecendo no Rio de Janeiro inteiro. A prefeitura fica usando a Copa do Mundo e as Olimpíadas como pretexto para satisfazer os seus sócios que são as empreiteiras e a especulação imobiliária”. (http://www.youtube.com/watch?v=9-EtgQAvktU)

O desenrolar do protesto foi bastante positivo, apesar de em alguns momentos presenciarmos discussões entre a policia militar e alguns manifestantes mais exaltados que queriam se sentar no meio da Av. Lúcio Costa. Para contê-los um policial militar fez o uso do spray de pimenta que acabou atingindo vários manifestantes, entre eles, crianças e idosos que também participavam pacificamente.

Ficou claro ali, que o que está acontecendo não é do consentimento da maior parte dos moradores locais, visto a grande aderência ao movimento por parte dos que passavam de carro, buzinando e apoiando de diversas formas a nossa luta. Aproveitando a energia e a insatisfação colocada por todos, os organizadores do protesto marcaram uma nova manifestação que ocorrerá no mesmo local, no dia 24/11/2012, às 9 horas, com expectativa de dobrar o número de manifestantes.
Diante desse cenário, o Coletivo de Resistência da Zona Oeste II assume sua responsabilidade de enfrentar esses grandes desafios para alcançarmos o projeto de cidade que queremos e lutamos diariamente: uma cidade de direitos onde o interesse da população esteja à frente dos interesses privados. Não estamos sozinhos nessa luta e não desistiremos, pois, ao fim de tudo, “nada deve parecer impossível de mudar”.

Fonte: http://marianabruce.blogspot.com.br/2012/11/escandalo-do-golf-olimpico-e-resort-na.html

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ciclistas se manifestam contra demolição do velódromo do Rio


Espaço, que custou R$ 14 milhões e serviu ao Pan 2007, será desmontado e enviado para Goiânia

A Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecierj) está convocando ciclistas para uma manifestação amanhã (15) contra a demolição do velódromo do Rio, localizado na Barra da Tijuca.

O espaço, que custou R$ 14 milhões aos cofres públicos e sediou as provas de ciclismo no Pan-Americano do Rio em 2007, não cumpre com os requisitos do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a Olimpíada de 2016, pois foi construído com pilastras que atrapalhariam os árbitros e com capacidade de público menor do que a exigida.

A prefeitura do Rio, no entanto, já admite que deverá desmontar o velódromo e enviar para Goiânia e concentrar recursos para a construção de outro empreendimento, que, este sim, servirá às Olimpíadas. A Fecierj contesta a escolha do poder público.

“Este espaço já abriga um projeto no valor total de R$ 3,5 milhões de reais incentivados pelo Ministério dos Esportes, além de funcionar uma escolinha de pista para a comunidade. Este é o único local para treinamento de centenas de ciclistas de pista em todo o Estado do Rio, demolir este patrimônio seria um retrocesso”, afirma o presidente da Fecierj, Claudio Santos. 

O velódromo do Rio é o único coberto e com piso de madeira existente no Brasil. A construção de um novo espaço custaria cerca de R$ 130 milhões, diz a prefeitura do Rio.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11043/CICLISTAS+SE+MANIFESTAM+CONTRA+DEMOLICAO+DO+VELODROMO+DO+RIO.html

sábado, 10 de novembro de 2012

Governo minimiza manifestação contrária à privatização do Maracanã


Audiência pública de concessão do estádio foi concluída ontem (8), no Rio de Janeiro

O secretário da Casa Civil do Rio de Janeiro, Regis Fichtner, deu por concluída, na noite de ontem (8), a audiência pública de concessão do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, minimizando a manifestação promovida pela maioria das pessoas presentes no Espaço da Cidadania, na zona portuária do Rio de Janeiro.

“É claro que a audiência valeu. O que houve foi que algumas pessoas, uma minoria, veio aqui com o propósito de não deixar a audiência pública ocorrer. Mas ela [a audiência] é uma manifestação da democracia na Lei de Licitações – tem que ser realizada. E essas pessoas tentaram fazer com que ela não ocorresse, mas nós persistimos e ela ocorreu”.

Os protestos, que duraram cerca de 2 horas e 30 minutos, foram realizados pela quase totalidade dos presentes, o que levou a que alguns deputados estaduais - como Luiz Paulo Corrêa da Rocha, Clarissa Garotinho e Paulo Ramos – solicitassem o cancelamento da audiência.

Além de políticos, estiveram presentes à audiência professores, estudantes e representantes de organizações não governamentais, muitos dos quais gritaram palavras de ordem, inclusive com pedidos de seu cancelamento.

Diante da insistência do secretário em levar a audiência adiante, os manifestantes começaram a jogar todo tipo de objetos na mesa - ovo, casca de banana e até fezes – o que fez com que os seguranças protegessem com os próprios corpos e com um guarda-chuva o secretário.

Os deputados presentes que também se posicionaram contra o modelo de concessão proposto pelo governo fluminense manifestaram a intenção de ingressar com uma representação no Ministério Público pedindo a nulidade da audiência, com a justificativa de que a população se posicionou contra a sua realização.

Pelo modelo de concessão proposto pelo governo do Rio, o estádio será administrado pela iniciativa privada por 35 anos. O modelo, no entanto, apresenta vários pontos polêmicos e ainda não esclarecidos pelo governo estadual.

Os manifestantes protestam também contra a decisão do estado de demolir o Complexo Esportivo do Maracanã (que inclui o Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros) e a Escola Municipal Friedenreich, que foi a quarta colocada no estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e a décima no país.

Para Fichtner embora “algumas” pessoas tentassem fazer com que a audiência não ocorresse, o governo decidiu levá-la adiante porque a interrompê seria “um atentado à democracia. Os que ficaram aqui puderam receber todos os esclarecimentos e o estado recebeu a todas as questões”. 

O secretário da Casa Civil disse que o estado manterá todas as decisões já anunciadas, inclusive a derrubada da escola, que segundo ele será reconstruída em outro local. “Não faz sentido ter uma escola municipal dentro de uma complexo esportivo. Um espaço de shows e de espetáculos, o que não é adequado para uma escola”. 

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/11028/GOVERNO+MINIMIZA+MANIFESTACAO+CONTRARIA+A+PRIVATIZACAO+DO+MARACANA.html

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Chegada da bandeira olímpica ao Rio é marcada por manifestação


Grupo criticou o uso de verbas bilionárias para os Jogos de 2016, sem legados concretos

Um grupo de manifestantes fez um protesto na tarde de ontem(13) no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Galeão-Antonio Carlos Jobim, próximo ao local organizado para receber o prefeito da cidade, Eduardo Paes, que chega de Londres trazendo a bandeira olímpica. Os manifestantes criticam o uso de verbas bilionárias para os Jogos de 2016 sem que isso represente legados sociais concretos. Ligados ao Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, usando máscaras com o rosto do prefeito, os manifestantes foram impedidos pela segurança de chegar ao local onde Paes desembarcou com a bandeira.

O coordenador do comitê, Marcelo Edmundo, explicou que o motivo da manifestação é denunciar o clima festivo e fantasioso gerado em torno da Copa de 2014 e das Olimpíadas. “O objetivo é justamente fazer frente a esse grande mundo de fantasia que se criou em torno da Copa e das Olimpíadas, no qual se mostra a festa e a comemoração e se deixa de mostrar as violações de direito que estão ocorrendo nesse processo”, disse.

Na avaliação do coordenador, é preciso que os investimentos tragam benefícios diretos para a população e não violação aos direitos. “A gente quer que existam legados de fato para a população, que melhore as condições de vida das pessoas. Com todo o investimento que está sendo feito, daria para melhorar a qualidade de vida nas comunidades, em vez de removê-las. Como já teve a experiência do Pan-Americano [em 2007], que não deixou legado nenhum, apenas no discurso”, ressaltou.

Uma das divergências dos manifestantes é sobre a remoção da Vila Autódromo, na Barra da Tijuca, que dará espaço para o Parque Olímpico. Sobre os investimentos bilionários que estão sendo feitos em estádios e arenas olímpicas, Edmundo considerou que vão gerar dívidas pesadas para os próximos governos. “A dívida do Rio de Janeiro em 2017 será impagável, por gastos sem controle. Quem vai pagar essa conta seremos todos nós.”

Ele disse que o Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas está preparando uma ação para ingressar no Ministério Público pedindo acompanhamento nos gastos públicos das duas competições esportivas. “Já estamos com várias ações programadas para ingressar no Ministério Público, que já deveria estar sendo mais efetivo em relação a todo mau uso de verba pública e toda violência que está acontecendo em nome dos jogos. Por conta disso, justifica-se tudo; alterar gabarito na cidade, construir onde não se deveria, leis de exceção que passam por cima de tudo.” De acordo com Edmundo, novos protestos serão feitos nas próximas semanas.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10529/CHEGADA+DA+BANDEIRA+OLIMPICA+AO+RIO+E+MARCADA+POR+MANIFESTACAO.html

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ministério de Defesa britânico confirma baterias de mísseis para proteger os Jogos Olímpicos


Instalação de baterias no Leste de Londres faz parte do plano de segurança

Por Jorge Luiz Rodrigues

LONDRES - O Ministério da Defesa britânico confirmou nesta terça-feira o que já era esperado desde o fim de abril: vai mesmo instalar baterias de mísseis sobre edifícios residenciais, comerciais e parques do Leste de Londres, como parte do plano de segurança das Olimpíadas-2012, apesar dos protestos de residentes, que entraram na Justiça tentando impedir a concretização do projeto. A instalação começará em meados deste mês, segundo o ministério. O plano foi testado durante exercícios realizados em maio, durante nove dias, pelas forças de segurança.
Os mísseis fazem parte do HSV (sigla em inglês para sistema de alta velocidade) e incluem dois tipos: o Starstreak, que viaja a uma velocidade três vezes superior à do som; e o Rapier, montado em trailers e em veículos armados.
Os seis sites de mísseis ficarão divididos pelo Leste de Londres na seguinte composição: Lexington Building, Fairfield Road, Bow, Tower Hamlets (starstreak); Fred Wigg Tower, Montague Road Estate e Waltham Forest (starstreak); Blackheath Common, Blackheath, em Lewisham/Greenwich (rapier); William Girling Reservoir, Lea Valley Reservoir Chain e Enfield (rapier); Oxleas Meadow, Shooters Hill e Greenwich/Woolwich (rapier); e Barn Hill, Netherhouse Farm e Epping Forest (rapier).
Todos os pontos escolhidos ficam no Leste de Londres e também em cidades vizinhas à região do Parque Olímpico.
O plano de segurança inclui ainda o uso do porta-helicópteros HMS Ocean, que ficará ancorado no Rio Tâmisa, na altura de Greenwich, com os modelos Lynx, capazes de interceptar qualquer aeronave que tentar invadir o espaço aéreo do Parque Olímpico. Jatos Typhoon decolarão a partir da base de Northolt, enquanto helicópteros Puma também vão usar um Centro do Exército em Ilford.
- Fizemos um amplo programa de engajamento com as comunidades afetadas, envolvendo autoridades locais, proprietários, membros do Parlamento, líderes de conselhos locais e encontros com as comunidades – afirmou o secretário da Defesa, Phillip Hammond, através de comunicado oficial, acrescentando estar confiante em superar as questões judiciais.
Na última quinta-feira, advogados de um grupo de cerca de 600 moradores de um condomínio residencial de Leytonstone, a pouco mais de 4km do Parque Olímpico, conseguiram que uma corte superior examine, no próximo dia 9, o pedido para impedir a instalação de uma das baterias antiaéreas. Seguiram exemplo de moradores de um condomínio de Bow, que alegaram terem sido avisados da decisão do Ministério da Defesa por folhetos deixados em suas caixas de correio, na última semana de abril.
O texto do folheto dizia que o condomínio de Bow oferece "uma excelente vista da área ao redor e de todo o céu acima do Parque Olímpico", informando ainda que a torre da caixa d´água é "o único local apropriado nesta área para o sistema HVM (míssil de alta velocidade, na sigla em inglês)". O reservatório de água fica elevado entre edifícios baixos, numa construção de estilo vitoriano que já funcionou como uma fábrica de fósforos.
Apesar os argumentos do secretário da Defesa, sábado passado, moradores de bairros do Leste de Londres marcharam por ruas de Mille End e Bow contra a instalação das seis baterias de mísseis na região. Cerca de mil pessoas assinaram uma petição de protesto contra o plano de segurança dos Jogos.
A manifestação foi pacífica e os participantes carregaram cartazes, com inscrições "não aos mísseis sobre casas", "pare esse plano", "não a atiradores em escolas" entre outros.
Na ocasião, o Ministério da Defesa, por meio de sua assessoria, disse que "a segurança dos Jogos é primordial" e que "uma ampla gama de envolvimento da comunidade" já havia ocorrido.
- Não acreditamos que eles (os mísseis instalados sobre prédios residenciais) vão acrescentar algo mais à segurança. Se forem usados, vão explodir sobre algumas das áreas mais densamente povoadas de Londres - protestou o ativista Chris Nineham, durante a manifestação.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/olimpiadas2012/ministerio-de-defesa-britanico-confirma-baterias-de-misseis-para-proteger-os-jogos-olimpicos-5379923#ixzz1zeeonS1c