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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Rúgbi ganha espaço em palco improvável: a escola pública
Ela ainda é considerada uma modalidade de elite; em SP, porém, será levada a crianças dos CEUs - uma tentativa de popularizar um futuro esporte olímpico
Por Davi Correia
Criado na Grã-Bretanha, o rúgbi é um dos esportes mais tradicionais entre os europeus. Em países com colonização britânica, como Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, é o jogo mais popular. Pesquisas recentes revelam que ele está entre as três modalidades mais praticadas em todo o planeta. Mas, apesar de tanta popularidade no exterior, o rúgbi ainda tem um grande mercado a conquistar: o Brasil, onde ele é visto como um esporte de elite, praticado apenas por atletas de maior poder aquisitivo. Ajuda a reforçar essa imagem o fato de que alguns dos melhores times do país são formados para disputar torneios de faculdades particulares. Muitos jogadores, inclusive os que defendem a seleção brasileira, pagam para jogar. Em entrevista ao site de VEJA, Sebá, cantor da banda Inimigos da HP e praticante do esporte, resumiu a situação: "Aqui, o rúgbi sempre foi para pouca gente. Sempre tive de pagar as viagens e os uniformes da seleção. Estava lá por amor. Só jogava quem podia." Um projeto desenvolvido em São Paulo, porém, pretende dar o pontapé inicial para mudar esse quadro, levando a modalidade justamente a quem menos esperava praticá-la - ao invés dos estudantes de instituições privadas, os alunos da rede pública de ensino.
O projeto é uma parceria da ONG Hurra! com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. O objetivo é apresentar a modalidade aos alunos, dando início a um processo de popularização do esporte. "Existe uma questão histórica que transforma o rúgbi em um esporte de imagem elitista, mas a realidade já mudou", garante Eduardo Pacheco, presidente da Hurra!, confiante no sucesso da empreitada. Neste domingo, o projeto receberá 500 alunos (com idade entre 10 e 16 anos) e 50 professores de 23 Centros Educacionais Unificados (CEUs), na Arena Paulista, na Zona Leste. É o segundo ano consecutivo que a Hurra! promove aulas para difundir o rúgbi. Em 2011, 14.000 alunos e 14 CEUs participaram do projeto. O intuito, porém, não é o de fazer do rúgbi um concorrente de modalidades como futebol, vôlei e basquete no país. "Ele precisa ser um esporte que ajude a educar", diz Pacheco. Seja qual for a estratégia para difundir o rúgbi entre os brasileiros, o investimento na modalidade acontece em um momento importante. O rúgbi de sete está entre as modalidades que farão sua estreia nos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Como país sede, o Brasil tem vaga garantida. O tempo é curto demais para formar novos talentos até 2016 através do projeto nas escolas. Levar o esporte a um novo público, porém, certamente ajudará a aumentar o interesse pela modalidade.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/o-rugbi-ganha-espaco-num-palco-improvavel-a-escola-publica#
terça-feira, 5 de junho de 2012
MP pede que BNDES suspenda repasse para Mineirão
Por Marcelo Portela
Belo Horizonte - O Ministério Público Federal (MPF) enviou nesta terça-feira recomendação ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que a instituição suspenda qualquer repasse para as obras do Mineirão. O MPF quer que os recursos sejam liberados apenas após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) atestar que não há irregularidades no projeto de reforma do estádio em Belo Horizonte, que será palco da Copa do Mundo de 2014.
A suspensão dos repasses pode atrasar a reinauguração do Mineirão, prevista para 21 de dezembro. O BNDES deveria liberar nos próximos dias R$ 200 milhões para a Minas Arena - Gestão Esportiva S/A, encarregada do projeto e que também será responsável pela administração do estádio após a conclusão das obras. Esse valor é metade do contrato de financiamento.
Segundo o MPF, o BNDES já havia informado que pretendia suspender a liberação dos recursos por 45 dias, seguindo orientação do Tribunal de Contas da União (TCU), mas que faria o repasse após esse prazo caso não houvesse nenhuma manifestação do TCE.
O procurador da República Álvaro Ricardo de Souza Cruz considera "inadmissível" que o BNDES faça os repasses "a um empreendimento desse porte sem a certeza de que o projeto e sua execução estejam isentos de vícios ou irregularidades". "Evidentemente, é preciso o máximo de cautela no exame de todas as questões que envolvem a aplicação de recursos públicos nas obras de construção e reforma dos estádios que sediarão os jogos do Mundial de 2014", acrescentou. O MPF deu prazo de dez dias para que o banco se manifeste sobre a questão.
Por meio de sua assessoria, a Secretaria de Estado Extraordinária para a Copa do Mundo (Secopa) ressaltou que o financiamento é "uma operação entre o banco público e a empresa privada", mas que o governo e a Minas Arena consideram "bem-vinda e salutar a atuação do TCE, tendo, desde o início, fornecido todas as informações necessárias para a análise dos órgãos de controle" e ressaltam que o procedimento deve ser adotado em todas as obras nas arenas que vão receber jogos da Copa de 2014.
Agência Estado - Uma empresa do Grupo Estado - Copyright © 2012 - Todos os direitos reservados.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/mp-pede-que-bndes-suspenda-repasse-para-mineirao
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Craque dentro de campo, Neymar vira fenômeno publicitário
Waldheim García Montoya.
São Paulo, 1 jun (EFE).- Maior estrela em atividade no futebol brasileiro, visto como herdeiro de Pelé no Santos e pretendido por vários clubes europeus, Neymar se transformou em um fenômeno no país, onde sua imagem está associada a diversos produtos.
Seja em bancos, meias, passando por móveis, cuecas, produtos de higiene pessoal e automóveis, o jovem atacante entra todos os dias em milhões de lares, graças aos anúncios que protagoniza nos meios de comunicação, que fizeram com que sua figura, conhecida pelo cabelo no estilo moicano, seja tão popular quanto seus gols e dribles.
'Neymar é um fenômeno de marketing que está próximo de se transformar na principal figura do futebol nos próximos anos, podendo ser comparado até a Pelé. Pela idade e trajetória, pode superar Ronaldo e igualar Pelé, apesar de eles terem jogado em épocas diferentes', disse à agência Efe o sócio e diretor da Pluri Consultoria, empresa dedicada a estudar o mercado esportivo, Fábio Pinto Ferreira.
A presença do atleta é tão única que, na opinião de alguns especialistas do setor, ofusca estrelas que reinaram na publicidade brasileira, como Pelé e Ronaldo ou até mesmo a modelo Gisele Bündchen.
De acordo com a revista 'France Football', Neymar está entre os jogadores mais bem pagos do mundo, com renda anual de mais de R$ 34 milhões, a maior parte oriunda de contratos publicitários e de patrocinadores.
Para custear o salário do jogador de 20 anos e evitar sua ida para o futebol europeu, o Santos se associou até a Copa de 2014 com um grupo de patrocinadores. Nike, Volkswagen, Panasonic, Red Bull, Tenys Pé Baruel, Lupo, AmBev, Claro, Unilever e banco Santander são algumas das marcas associadas ao atacante.
A popularidade é tanta que em 2011 Neymar apareceu na série de televisão 'Malhação', da 'TV Globo', esteve no clip da música 'Eu quero tchu, eu quero tcha', da dupla sertaneja João Lucas & Marcelo, e fez muitas adolescentes tatuarem seu nome pelo corpo.
Devido aos compromissos publicitários, que incluem gravações e participações em eventos, o atleta teve que recorrer várias vezes a helicópteros para fazer seus deslocamentos e poder chegar a tempo aos treinos e jogos.
Um recente estudo da Pluri, que levou em conta não apenas o preço que o jogador custou ao clube e o valor da cláusula de rescisão, mas 15 critérios específicos, como idade, criatividade, regularidade, força física, títulos conquistados e capacidade de retorno financeiro, afirmou que Neymar está avaliado em R$ 137,5 milhões.
Especialistas em marketing consideram que a exposição midiática do atacante está perto do teto e que seu próximo passo deveria ser ir para um clube europeu para ser um ídolo de repercussão mundial em clubes como Real Madrid, Barcelona ou Chelsea, que já demonstraram interesse em sua contratação.
'Neymar tem potencial para chegar e ser ídolo na Europa, pois vive um grande momento, e do ponto de vista publicitário tem carisma para conquistar o 'Velho Continente' com um status de estrela', declarou à Efe o diretor da agência Brunoro Sport Business, Eduardo Rezende.
'O desafio para Neymar agora é a Copa de 2014, em que será a referência do Brasil, e conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres', acrescentou.
Apesar dos milhões que sua imagem gera em publicidade, o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, considera que o jovem jogador está exposto demais, pois, como atleta, precisa executar bem três tarefas para render o que se espera dele nos gramados: 'treinar, se alimentar e repousar'. EFE
Copyright Efe - Todos os direitos de reprodução e representação são reservados para a Agência Efe.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/craque-dentro-de-campo-neymar-vira-fenomeno-publicitario
segunda-feira, 14 de maio de 2012
No país dos apelidos, o desafio de lucrar com um 'Itaquerão'
Clubes sofrem para fechar contratos de naming rights em seus novos estádios. Corinthians enfim achou um interessado. Mas a torcida vai adotar novo nome?
Giancarlo Lepiani, com reportagem de Davi Correia
É dia 12 de junho de 2014. A seleção brasileira de futebol dá o pontapé inicial na segunda Copa do Mundo realizada no país jogando no novíssimo Estádio Santander, em São Paulo. Um mês e 62 partidas depois, chega a data da decisão do Mundial, 13 de julho de 2014 - e o Brasil volta a campo, desta vez no Rio de Janeiro, para conquistar o hexacampeonato no gramado da reformada Arena Petrobras. O leitor mais atento deve ter percebido pelo menos três elementos altamente duvidosos no cenário hipotético descrito acima. Em primeiro lugar, a existência de estádios prontos a tempo do torneio; em segundo, em uma projeção um pouco mais improvável, a presença da seleção brasileira (que, a apenas dois anos da estreia, ainda está sem cara) na finalíssima da Copa; e uma terceira, ainda mais inacreditável, a adoção dos nomes de grandes empresas para se referir aos estádios Itaquerão e Maracanã. Durante o Mundial, eles não teriam mesmo o nome de nenhum patrocinador, já que a Fifa veta esse tipo de propaganda. A esperança dos envolvidos na construção dos estádios do Mundial, porém, era a comercialização dos chamados "naming rights" das arenas para antes e depois do evento, custeando pelo menos uma fração dessas obras multimilionárias. Até agora, no entanto, não existe nenhum negócio fechado - e é não é fácil achar alguém fora dos clubes que acredite no sucesso desses contratos no Brasil. Pelo menos alguns acordos devem sair. Mas aí virá a segunda parte da batalha: fazer o torcedor se acostumar aos nomes corporativos.
"É uma questão cultural, algo novo e que demora a se desenvolver", afirma Amir Somoggi, diretor da área de consultoria esportiva da BDO, ao avaliar a chance de um estádio brasileiro ser conhecido pela marca de seu patrocinador. "É preciso incrementar a plataforma de patrocínio para que uma empresa esteja disposta a pagar os valores pretendidos pelos clubes. Só pelo nome no estádio é pouco." O Corinthians, por exemplo, tenta arrumar alguém disposto a despejar até 40 milhões de reais por ano para dar nome ao seu futuro estádio. Diante da popularização do nome Itaquerão, entretanto, a tarefa mostrou-se duríssima - e só agora o clube engatou uma negociação consistente com uma empresa interessada. De acordo com a coluna Radar de VEJA, as conversas com a Brahma estão avançando, e a Ambev cogita usar o nome de sua centenária marca de cerveja no estádio por 20 anos. Mas será que qualquer outra versão - como "Arena Brahma" - será capaz de ofuscar o título extraoficial, relativo ao bairro da Zona Leste de São Paulo onde o estádio está sendo construído? "O brasileiro gosta de dar apelido para as coisas, é uma questão cultural", lembra Erich Beting, especialista em marketing esportivo. Uma coisa que pesa a favor do Itaquerão, contudo, é o fato de jamais ter sido palco de um jogo sequer. "Tradicionalmente, o naming rights funciona para estádios novos, não para os antigos, que já têm seu nome e suas histórias", diz Beting. "Vai ser difícil tirar o nome do Maracanã, por exemplo."
Veto da Globo - O estádio que vai receber a final da Copa não está à procura de patrocinadores no momento. É bem provável, porém, que o Maracanã passe para as mãos da iniciativa privada depois do Mundial - Eike Batista surge como o principal interessado. Nesse caso, existe a chance real de que o estádio mais famoso do planeta ganhe algum nome de fantasia. Na boca do torcedor, contudo, ele jamais deixará de ser o Maracanã. Entre as novas arenas em construção no Brasil, há vários candidatos a um patrocínio batendo de porta em porta nas empresas com verba publicitária vultosa o bastante para assumir um gasto desse tipo. Além do Corinthians, que tenta o maior negócio do gênero no país, também tentam atrair interessados clubes como o Palmeiras, que planeja para 2013 a inauguração de sua nova arena, e o Grêmio, que corre para inaugurar o substituto do Estádio Olímpico ainda neste ano. Todos esbarram na resistência das TVs ao uso dos nomes de fantasia em suas narrações e programas. O Corinthians fez de tudo para colocar essa exigência em seu contrato de exibição das partidas do Brasileirão pela Globo. Mesmo sendo parceiro fidelíssimo da emissora, não conseguiu a garantia. O canal a cabo de esportes do grupo, o Sportv, também não falará os nomes dos patrocinadores no ar.
A rejeição aos naming rights na TV não é generalizada. Os canais ESPN e a recém-chegada Fox Sports prometem adotar os nomes de fantasia em suas programações, mas isso não deve ser o bastante para convencer os investidores. Para Erich Beting, a resistência dos meios de comunicação não explica, sozinha, a dificuldade em fechar os acordos. De acordo com ele, toda a estratégia adotada pelos clubes na busca por contratos de naming rights vem sendo equivocada. "Quem vende e quem compra precisa entender o conceito. Na verdade, o melhor negócio não é nem dar nome ao estádio. É obvio que isso é interessante, mas as empresas podem ter benefícios ainda maiores com um contrato desse tipo, como poder fazer ações de relacionamento com clientes dentro do estádio, ter direito a ingressos para todos os eventos e poder fechá-lo por alguns dias pra uso próprio." O melhor exemplo, conforme Beting, é a Allianz Arena, erguida em Munique para receber a abertura da Copa de 2006. Passados seis anos do Mundial, o estádio - que, dentro de duas semanas, será palco da final da Liga dos Campeões - segue sendo rentável tanto para o Bayern, que manda seus jogos no local, como para a patrocinadora. E, tanto na TV como na arquibancada, não existe "Municão" ou "Bayernão" - ninguém chama a arena de qualquer outro nome que não a marca da companhia seguradora alemã.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/no-pais-dos-apelidos-o-desafio-de-vender-um-itaquerao
Por que os grandes clubes sofrem para arrumar patrocínios
Flamengo, Corinthians e São Paulo estão em destaque na TV, mas sofrem para encontrar interessados em estampar camisas. E a culpa é dos próprios cartolas
Giancarlo Lepiani, com reportagem de Davi Correia
duas semanas do início da principal competição do futebol brasileiro, os três clubes mais populares do país têm um problema em comum. Flamengo, Corinthians e São Paulo entrarão na competição sem patrocínio nos espaços nobres de suas camisas, apesar da grande exposição de seus uniformes no Campeonato Brasileiro. As três agremiações somam cerca de 70 milhões de torcedores. Todas têm elencos caros e chances reais de conquistar o título. As partidas serão exibidas ao vivo por duas emissoras de TV aberta e um canal por assinatura, sem contar as transmissões no sistema pay-per-view. Ainda assim, esses três clubes penam para arrumar empresas interessadas em estampar suas marcas nas camisas vestidas por ídolos como Ronaldinho Gaúcho, Lucas e Luís Fabiano. Se não conseguirem fechar novos contratos a tempo, os times vão estrear no Brasileirão com uniformes inusitados - com logotipos pequenos de anunciantes menos conhecidos (como escolas de inglês) nos ombros ou na barra das camisas, mas com espaços em branco no peito e nas costas, espaço reservado às cotas mais caras de patrocínio no futebol. Até poucos anos atrás, só clubes pequenos vendiam esses espaços periféricos. Hoje, essa estratégia virou um paliativo para os grandes clubes que não conseguem encontrar um patrocinador generoso o bastante para custear toda a receita de marketing pretendida por seus cartolas.
"O problema é que os clubes ainda não conseguiram incrementar seu negócio a ponto de aumentar o interesse das marcas", avalia Amir Somoggi, diretor da área de consultoria esportiva da BDO. Para ele, o patrocínio de futebol está ficando caro demais para as empresas - os clubes têm aumentado suas pedidas na hora de negociar, sem oferecer as contrapartidas necessárias para fazer o contrato valer a pena. A começar pelo fato de um patrocinador ter de brigar por destaque com o logotipo de outras empresas num mesmo uniforme. "As empresas já perceberam que não vale pagar 30 milhões de reais na camisa de um clube e dividir espaço com outras marcas", destaca Erich Beting, especialista em marketing esportivo. Na opinião de Amir Somoggi, os clubes brasileiros ainda trabalham o patrocínio num modelo ultrapassado, em que o acordo financeiro com a empresa se resume à exposição do logotipo na camisa e nada mais. "A solução seria melhorar o departamento de marketing dos clubes, oferecer aos patrocinadores mais alternativas", afirma Sommoggi. "Assim, as empresas veriam as grandes equipes como potenciais geradores de negócios, e não apenas de exposição na mídia." O melhor exemplo desse novo enfoque no marketing do futebol é encontrado na Inglaterra, casa do clube mais valioso do planeta. De acordo com ranking divulgado pela Forbes, o Manchester United fechou 2011 valendo nada menos que 2,2 bilhões de dólares. Sua receita total no ano foi de 1 bilhão de reais. Desse montante, 308 milhões vieram de patrocínios, sete vezes mais que o Corinthians, campeão brasileiro nesse quesito (veja na tabela abaixo). No ano passado, o United fechou um novo contrato com a empresa de entregas americana DHL. Pelo acordo, o clube receberá 30 milhões de reais anuais durante quatro anos para estampar o logotipo da DHL, mas apenas nos trajes de treino, nunca nas partidas. Para um clube brasileiro, é um valor espetacular até para um contrato de patrocínio master, com direito a logotipo na camisa de jogo, em placas no estádio e nos panos de fundo das entrevistas coletivas.
Carros e aviões - A Europa é um mercado muito mais rico que o Brasil, evidentemente. Mas não é só isso que explica a diferença de patamar quando se trata de contratos de patrocínio no futebol. As alternativas de negócio citadas por Amir Somoggi como melhor caminho para os clubes brasileiros dispostos a lucrar mais com patrocínios já são adotadas pelos supertimes europeus. Para seguir no exemplo do Manchester United, a Turkish Airlines, uma das companhias aéreas que mais crescem no mundo, fechou recentemente um contrato milionário com os ingleses. Assim como a DHL, ela não tem espaço no uniforme da equipe. A ligação entre as marcas é feita de outras formas - com ações institucionais, por exemplo. Quem embarca num avião da Turkish é pego de surpresa por um vídeo de segurança diferente. Ao invés das aeromoças, ídolos da equipe, como Rooney e Nani, fazem as demonstrações de como agir em caso de emergência (assista no quadro abaixo). No segundo clube mais valioso do planeta, o Real Madrid, os anéis da montadora alemã Audi não aparecem na roupa dos jogadores. Mas a agremiação espanhola fatura todos os anos com ações de marketing conjuntas com o patrocinador - como a entrega de carros zero quilômetro aos jogadores (confira as imagens a seguir). No ano passado, o terceiro na lista da Forbes, o Barcelona, fechou um contrato similar, também com a Audi. A rivalidade acirrada entre os dois clubes não impediu que tanto o Real como o Barça acertassem com os alemães. A montadora espalhou por todo o planeta imagens tanto de Messi como de Cristiano Ronaldo ao lado de seus automóveis novinhos, todos da mesma marca. Enquanto isso, no Brasil, a disputa entre os clubes e a falta de profissionalismo dos dirigentes transformam-se em obstáculos adicionais na missão de fechar um bom patrocínio.
No início do ano, uma oportunidade de ouro apareceu para preencher os espaços vazios nas camisas e salvar as contas de Flamengo, Corinthians e São Paulo. A montadora sul-coreana Hyundai, patrocinadora oficial da Copa do Mundo de 2014 e empresa em ascensão no mercado automotivo brasileiro, ensaiou um contrato simultâneo com os três clubes de maior torcida do país. Não seria a primeira vez que clubes rivais teriam o mesmo patrocínio: na Copa União, em 1987, a Coca-Cola colocou sua marca nas camisas de quase todas as equipes do torneio. No Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional também têm patrocínios em comum. A novidade no caso da Hyundai seria o tamanho do negócio - os valores praticados nos anos 1980 são ínfimos se comparados aos contratos atuais, e a operação costurada pela Hyundai mexeria com os dois principais mercados consumidores do país. Mas, para desespero dos cartolas, a transação esfriou e pouca gente acredita que o acordo ainda vá sair. Os próprios dirigentes, porém, acabaram azedando o negócio. As conversas com os coreanos acabaram sendo dominadas pelas disputas entre os três concorrentes. O Corinthians se dizia próximo de acertar um valor próximo dos 50 milhões de reais por ano. O Flamengo queria receber valor idêntico ou superior ao dos corintianos, já que têm a torcida mais numerosa. Os são-paulinos, por sua vez, brigavam por um contrato próximo dos flamenguistas, pois sustentam ter uma marca valorizada e uma fatia maior dos torcedores jovens. De acordo com informação do Radar on-line de VEJA, o Flamengo acabou se conformando em ganhar menos que o Corinthians, mas nem sequer cogitava ser igualado ao São Paulo. A Hyundai, ao que parece, perdeu a paciência com o trio. E os clubes, já no quinto mês do ano, ainda seguem à procura de anunciantes.
Medo de perder - Enquanto os clubes demoram a entender a nova lógica do mercado e custam a oferecer oportunidades mais completas de negócio, as próprias empresas já tomam a iniciativa de buscar alternativas para ligar suas marcas ao esporte. "Elas já estão percebendo que pode valer mais a pena se posicionar de outra forma, com uma presença mais próxima dos torcedores, ao invés de apenas colocar um logotipo numa camisa", diz Erich Beting. "A Ambev, por exemplo, já faz esse trabalho muito bem. Investiu nas reformas dos centros de treinamento dos clubes do Rio e em outras ações que não envolvem patrocínios no uniforme." É justo dizer, contudo, que a culpa pela escassez de bons negócios no setor não é só dos cartolas e da estrutura pouco profissional dos grandes clubes. "Fechar patrocínio não é uma situação fácil em lugar nenhum. E nem todas as empresas brasileiras têm a visão correta na hora de negociar com as equipes", lembra José Carlos Brunoro, diretor-presidente da Brunoro Sport Business. De acordo com ele, ainda há muitos executivos que têm receio de investir no esporte por um simples motivo: avaliam que o sucesso de um contrato está ligado aos resultados do clube no campo, e não a outras variáveis como fidelização do torcedor e a valorização de uma marca em novos mercados. "Eles acham, em resumo, que é ruim para o produto se o time perde", afirma o especialista. "E esse é outro desafio dos profissionais de marketing esportivo no país. É preciso mostrar que o esporte é uma ferramenta de comunicação completa. Não é só o resultado que justifica o patrocínio. E não é só o clube que é responsável por fazer o negócio ser lucrativo para todos."
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/por-que-os-grandes-clubes-sofrem-para-arrumar-patrocinios
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Que legado se espera de uma Olimpíada?
Por: Jonas Oliveira
Que tipo de legado uma cidade deve esperar de um grande evento esportivo? Essa é uma discussão primordial, que deveria ser anterior à decisão de candidatar-se a sede de uma Copa do Mundo ou Olimpíada. Sem saber aonde se quer chegar, não se chega a lugar algum.
Que tipo de legado uma cidade deve esperar de um grande evento esportivo? Essa é uma discussão primordial, que deveria ser anterior à decisão de candidatar-se a sede de uma Copa do Mundo ou Olimpíada. Sem saber aonde se quer chegar, não se chega a lugar algum.
À primeira vista, a preparação de Londres 2012 parece não sofrer deste mal. Todo o projeto olímpico está bem amarrado em torno da sustentabilidade, do legado esportivo e do desenvolvimento da região leste da cidade, onde estarão localizadas as principais instalações.
Nesta semana, porém, veio à público o fato de que o primeiro ministro britânico David Cameron ordenou que os gastos com as cerimônias de abertura e encerramento dos jogos fossem dobrados, saltando de 40 para 81 milhões de libras. A justificativa é que as cerimônias são oportunidades únicas de promover o Reino Unido mundo afora – como Pequim fez muito bem em 2008.
Os gastos com segurança também saltaram de 282 para 553 milhões de libras. Graças a alguns cortes na construção do Parque Olímpico, os gastos inesperados não tiveram reflexo no orçamento total, que ainda está mantido em 9,2 bilhões de libras.
No entanto, a medida não foi bem recebida pelos britânicos. No ano passado, o governo decidiu cortar cerca de 162 milhão de libras de um programa de incentivo à prática de esportes em escolas.
Cerimônias de abertura e encerramento certamente atrairão a atenção de todo o mundo para o Reino Unido. Mas investir na formação de novos atletas traria um legado esportivo mais duradouro e condizente com o que se espera de uma Olimpíada.
Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/olimpiadas/londres/que-legado-se-espera-de-uma-olimpiada/
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Fórum em São Paulo discute gestão e políticas públicas para o esporte
A 4ª edição do Fórum Nacional - Brasil o País do Esporte ocorrerá em São Paulo, no dia 1de dezembro, e reunirá autoridades esportivas e experts para discutir melhores práticas em gestão, negócios e políticas públicas para o esporte. O objetivo é explorar o potencial transformador das oportunidades trazidas pela realização da Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíadas e Paraolimpíadas nos próximos anos.
O evento ocorre no Sesc Consolação e contará com quatro painéis de discussão. O primeiro tem como temática 'O esporte como política pública: um projeto transformador para o País' e conta com a presença do secretário de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo, José Benedito Pereira Fernandes, do secretário de Esportes Lazer e Recreação da cidade de São Paulo, Bebetto Haddad, e da deputada estadual Célia Leão, integrante da Comissão de Assuntos Desportivos da Assembléia Legislativa .
O segundo painel discute 'Marketing esportivo: novas oportunidades, valorização da marca, imagem e reputação das empresas', com o sócio-diretor da Traffic, J. Hawilla, o diretor-executivo da Unideias, José de Lorenzo Messina, e o diretor de marketing da Federação Paulista de Futebol, Jaime Franco.
Já na parte da tarde, o tema do terceiro painel de discussão é 'Infraestrutura e novos equipamentos valorizando as práticas esportivas'. O debate contará com o presidente da Major Events International (MEI), Dennis Mills, o presidente da Playpiso, Décio Chusid, e a coordenatora técnica de gerência de desenvolvimento físico-esportivo do Sesc, Regiane Galante.
O quarto painel encerra o Fórum, com o tema 'O desafio das cidades na organização de grandes eventos: Copa do Mundo e Olimpíadas/Paraolimpíadas'. O coordenador de relações internacionais e esportivas da Bahia para a Copa do Mundo, Marco Antonio Rocha Costa, o secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho de São Paulo, Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, o secretário de articulação de Grandes Eventos de São Paulo, Walter Feldman, o vice-presidente da Sinaenco, Eduardo de Castro Mello e a diretora de projetos estratégicos da Empresa Paulista de Turismo e Eventos, Raquel Verdernacci, são os participantes.
Fórum Nacional - Brasil O País do Esporte
Data: 1de dezembro de 2011
Horário: 8h30 às 17h30
Local: SESC Consolação
Endereço: Rua Dr. Vila Nova, n245 - Vila Buarque - São Paulo/SP
Inscrições: www.forumbrasilpaisdoesporte.com.br ou forumdeesportes@institutoadvb.org.br
Informações: (11) 3051 7582/ 3052 0527 - IRES - Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental
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Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/forum-em-sao-paulo-discute-gestao-e-politicas-publicas-para-o-esporte
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