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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Opositor de Nuzman perde cargo de presidente da CBDG


Acusado de gestão temerária e falsificação de documentos, Eric Maleson é afastado judicialmente do cargo de presidente da Confederação Brasileira de Gelo

Por Michel Castellar

O presidente da Confederação Brasileira de Desporto no Gelo (CBDG), Eric Maleson, foi afastado judicialmente de seu posto acusado de gestão temerária, falsificação de documentos, além de desvio de verbas. O desembargador da 13ª Câmara Cível do Rio, Ademir Paulo Pimentel, nomeou Emilio Strapasson para administrar a entidade por 180 dias até que uma nova eleição seja realizada.
Em sua decisão, o desembargador ainda encaminhou o processo para a Procuradoria-Geral de Justiça, porque a auditoria realizada constatou desvio de verbas e má administração do dinheiro público. A ação que deu início ao processo de afastamento de Malesson foi impetrada pelo atleta Edson Bindilatti.
Ao atuar como interventor na CBDG, Strapasson elaborou um relatório onde mostrou ter constatado várias irregularidades. E foi esse documento que serviu de base para que o desembargador optasse pelo afastamento do dirigente e entregasse o poder ao interventor.
- A abundancia de evidencias comprova que a entidade surgiu e desenvolveu-se às margens da legalidade. Maquiada sob o principio constitucional da autonomia de organização e funcionamento das entidades desportivas, a CBDG desde a sua fundação usa de artifícios para justificar a própria existência - escreveu Strapasson no relatório enviado à Justiça.


Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/minuto/Opositor-Nuzman-perde-presidente-CBDG_0_820118075.html#ixzz2DjXbOSGJ 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A perigosa ideia de privatização do Maracanã


Por Erich Beting

O governo do Rio de Janeiro divulgou nesta segunda-feira alguns detalhes do edital para a privatização do estádio do Maracanã. E, ao que tudo indica, em tese aquela que tem tudo para ser uma das principais arenas do futebol brasileiro corre o risco de se tornar uma espécie de pesadelo para quem vier a ser o “dono” do Maracanã pelos próximos 35 anos.

O maior problema é no que se refere à concessão do estádio. Pelo edital, nenhum clube poderá se candidatar para assumir a gestão do Maracanã. Nas palavras do secretário da Casa Civil do Estado, Regis Fitchner, ao UOL: “Não queremos que o Maracanã seja de um clube A ou clube B. Não faz sentido que um clube tenha exclusividade sobre um estádio que é um templo do futebol”.

O pensamento de Fitchner é exatamente o início da sentença para que o templo do futebol transforme-se num lindo elefante branco no médio prazo. Ao vetar a participação de clubes na gestão do novo estádio, o governo do Rio pede para que o principal cliente do Maracanã passe a buscar uma alternativa mais rentável depois de certo tempo.

O fenômeno aconteceu na Alemanha cerca de cinco anos depois da Copa do Mundo e provocou, desde o lançamento da Amsterdam Arena, em 1996, um boom de construção de estádios pela Europa.

No caso da Alemanha, os clubes que tiveram estádios reformados por conta do Mundial passaram, com o tempo, a ter uma receita mais significativa vinda dos dias de jogos. Esse é o reflexo mais imediato da construção de novas arenas. O estádio passa a ser mais eficiente para levar o torcedor aos jogos. Consequentemente, esse torcedor passa a consumir mais e, no fim das contas, a gerar mais grana para o dono do estádio. Com isso, os times têm promovido reformas em suas arenas no futebol alemão.

Não é difícil de se prever que, pelos próximos 20 anos, o mercado de futebol no Brasil partirá para uma melhoria de infraestrutura provocada pela melhoria a partir da Copa do Mundo. Para equiparar-se aos concorrentes, os clubes vão começar a buscar estádios próprios e caminhos mais eficientes para a geração de receitas.

Ao vetar que o Maracanã tenha um único dono, o governo do Rio não resolve o problema de Flamengo e Fluminense, hoje os dois times que não possuem estádio na cidade. Eles terão de continuar a viver do aluguel para faturar. Naturalmente o Vasco deve, com o passar dos anos, reformar São Januário, aumentando a receita com o local. O Botafogo, apesar de todos os problemas estruturais do Engenhão, continuará a trabalhar para que seu estádio torne a experiência do torcedor melhor e, consequentemente, mais lucrativa para ele.

No fim das contas, o Maracanã pode se tornar o novo Wembley. O estádio da Federação Inglesa de futebol é o maior mico que existe. Lindo, moderno, multiuso, mas sem um dono fixo, que use o local pelo menos duas vezes por mês. Wembley, ainda hoje, é uma arena deficitária. Um dos maiores motivos para isso é o fato de que nenhum clube inglês é dono do local, reservado apenas para os jogos da seleção da Inglaterra.

Naturalmente Flamengo e Fluminense serão potenciais clientes do Maracanã. O problema é que, com a ideia de privatização que foi dada pelo governo do Rio, eles continuarão a viver do aluguel do espaço. E, num cenário de novo dono para o estádio, o aluguel será bem mais caro do que era na época da Suderj.

É possível prevermos, em 2020, o noticiário falando sobre a decisão de que o Maracanã passará a ser gerenciado por um clube de futebol. Ou, então, noticiarmos as construções das novas arenas de Flamengo e de Fluminense, menores que o Maracanã e muito mais adaptadas à realidade dos dois clubes. Tem sido assim no mundo todo.

Chega uma hora em que todo mundo se enche de viver de aluguel…

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/10/22/a-perigosa-ideia-de-privatizacao-do-maracana/