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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Furto de dados foi irrelevante, diz presidente de comitê Londres 2012


Sebastian Coe minimizou incidente que terminou com demissão de nove funcionários do COB

Por LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

RIO — O presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres, Sebastian Coe, minimizou nesta segunda-feira o incidente que terminou com a demissão de nove funcionários do Comitê Organizador Rio 2016 acusados de copiarem sem autorização documentos relativos ao planejamento do evento. As demissões ocorreram em setembro depois que Londres comunicou ao Rio o episódio. Os nove funcionários atuaram no Comitê Organizador londrino durante os Jogos para acumular experiência nos preparativos do Rio.
— O que eu tenho a dizer é que isso não foi algo a que demos atenção ou consideramos relevante. Nunca dois Comitês Organizadores trabalharam de forma tão integrada quanto Rio e Londres. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, inclusive, foi o primeiro a compreender a visão que tínhamos para os Jogos.
Coe, que foi eleito recentemente presidente da Bristh Olimpic Association (BOA), está no Rio desde a semana passada. Ele veio participar do seminário no Hotel Windsor na Barra, na qual os ingleses repassam para os colegas do Comitê Rio 2016 as experiências da organização do evento. Ele conversou com os jornalistas em uma espécie de pré-lançamento de mais uma edição da Soccerex, feira internacional de esportes, que será realizada a partir de sábado no Forte de Copacabana. O presidente do Comitê de Londres acrescentou que a organização dos Jogos exigiu um planejamento permanente:
— O tempo todo você está mudando, refinando os preparativos, modificando e aprendendo para que o atleta no momento de competir só tenha que pensar em seu desempenho. Lembro que em maio de 2011 estava sentado no Centro de Londres logo após um evento teste dos Jogos Paralímpicos perguntando se os espaços deixados para passagem de cadeiras de rodas é suficiente. Nós nos esforçamos em trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana. Demos o máximo possível.
O furto dos documentos veio à tona na noite do dia 20 de setembro, quando o blog do jornalista Juca Kfouri divulgou o caso. No dia seguinte, o jornal britânico “The Daily Telegraph” trouxe uma reportagem sobre o episódio. Segundo o Comitê Rio 2016, os documentos copiados ilegalmente já foram devolvidos e destruídos. O furto chegou ao conhecimento da equipe brasileira no dia 1º de setembro, após o início dos Jogos Paralímpicos de Londres. Dezessete dias depois, após localizar as cópias e identificar os envolvidos no caso, o comitê demitiu os funcionários. O órgão explicou que eles faziam parte da equipe de 200 pessoas que permaneceu três meses em Londres trabalhando com os ingleses na preparação dos Jogos. Eles tinham acesso aos documentos do Comitê Londres 2012, mas haviam assinado um contrato proibindo cópias sem autorização. Segundo a nota, que não divulgou os nomes dos envolvidos, os chefes dos funcionários não sabiam da ação do grupo.
Um dos nove funcionários demitidos chegou a divulgar uma carta endereçada ao presidente do comitê, Carlos Arthur Nuzman. Nela, Renata Santiago dizia que foi instruída a acessar os dados do sistema do evento, com o objetivo de obter informações para aprimorar a organização das Olimpíadas do Rio. Ela ressaltou, no entanto, que não havia se apropriado de dados confidenciais ou comerciais.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/furto-de-dados-foi-irrelevante-diz-presidente-de-comite-londres-2012-6769413#ixzz2Ctb7DGUn

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Câmara federal quer explicações sobre Rio 2016


Deputados convidam Nuzman e demitidos de comitê a explicarem ingressos e furto de dados em Londres

BRASÍLIA — A Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados quer ouvir a ex-funcionária do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016, Renata Santiago, demitida depois de ter sido acusada de furto de dados sigilosos do Comitê Londres 2012. Os parlamentares aprovaram, na tarde de quarta-feira, um requerimento do deputado Romário (PSB-RJ) para que a técnica fosse convidada a depor na comissão.
Também foi aprovado um outro requerimento que convida Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), e Patrick Hickey, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI). Segundo o pedido, também assinado por Romário, Nuzman precisa esclarecer os critérios de concessão e distribuição dos ingressos que serão vendidos para as Olimpíadas de 2016. Além disso, o deputado também quer explicações sobre o envolvimento de Hickey com Nuzman. Na semana passada, Romário afirmou que o membro do COI estaria envolvido num escândalo de vendas de ingressos dos Jogos de Londres 2012.
Rodrigo Hermida, ex-funcionário do Comitê dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, hoje gerente de Voluntários do Comitê Organizador da Copa de 2014, também receberá um convite da comissão. Segundo o requerimento, ele também foi demitido, há seis anos, depois de ter copiado, sem autorização, dados da multinacional Event Knowledge Services, prestadora de serviços para os Jogos londrinos.
Segundo Romário, os depoimentos de ambos pode ajudar a esclarecer o furto de documentos sigilosos nos dois eventos esportivos.
— A Renata poderá explicar, por exemplo, que tipo de informações teriam sido furtadas e em quais circunstâncias — declarou o parlamentar.
Como foram aprovados convites — e não convocações — para as oitivas, eles não são obrigados a comparecer.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/topico-rio-2016/camara-federal-quer-explicacoes-sobre-rio-2016-6439238#ixzz29myw7Dir 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Rio 2016 não demitiu chefe de funcionária que copiou dados


Nuzman diz que comitê de Londres considera episódio de furto superado

Por Emanuel Alencar e Renata Leite

RIO - Nove dias depois de o Comitê Rio 2016 decidir pelo desligamento de nove funcionários — e não dez, como anteriormente divulgado — que fizeram cópias de documentos sigilosos do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, as autoridades olímpicas brasileiras quebraram o silêncio sobre o assunto ontem. Mas, após uma hora de entrevista coletiva, o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, e o diretor-geral da entidade, Leonardo Gryner, não esclareceram o teor dos documentos copiados, não divulgaram os nomes dos demitidos e eximiram de culpa os responsáveis pelos funcionários. Gryner acrescentou que o chefe da funcionária demitida Renata Santiago, o argentino-canadense Mário Cilenti, foi poupado de punição. Segundo o diretor, os funcionários do Rio 2016 que atuaram no comitê londrino foram “bem orientados” e o episódio não criou qualquer constrangimento diplomático entre Londres e Rio.
— Os demitidos não atuaram de forma orquestrada, agiram por conta própria. Eles nos informaram que o intuito seria trazer conhecimento para a nossa organização. A gente considera que demissão, sem justa causa, foi a medida mais adequada. O chefe da Renata não foi demitido — disse Leonardo Gryner.
Perguntado se o episódio não arranhou a imagem do Brasil no exterior, Nuzman negou e afirmou que “muitas vezes é preciso superar questões internas e externas”. O presidente do Rio 2016 leu uma carta na qual do diretor-geral do comitê de Londres, Paul Deighton, afirma que “o caso envolveu somente um pequeno número de pessoas e foi resolvido de forma eficiente”. Quanto à não divulgação dos nomes dos demitidos, afirmou:
— O Rio 2016 não divulga os nomes dos profissionais por entender que essa é uma relação entre empresa e funcionário. Os documentos são do comitê de Londres e por isso não podemos divulgar o teor.

Fato foi comunicado em 1º de setembro
Nuzman disse ainda que o Rio 2016 soube do fato no dia 1º deste mês, por autoridades britânicas. Prontamente, afirmou, comprometeu-se a resolver a questão e também informou o governo brasileiro sobre o caso. Ainda segundo Nuzman, uma varredura nos sistemas do comitê de Londres identificou dez funcionários que baixaram os arquivos, num universo de 24 que participaram de programas de aprendizado prático na capital da Inglaterra. No dia 18 de setembro, esses funcionários foram desligados e as cópias, destruídas. No entanto, durante o processo, foi constatado que um dos funcionários tinha autorização prévia para baixar os arquivos e ele foi readmitido.
Na última terça-feira, Renata Santiago, uma das demitidas pelo Comitê Rio 2016, divulgou carta na qual afirma que não teve acesso a informações confidenciais da equipe inglesa e admitia ter trazido cópias para o Brasil. Em entrevista ao GLOBO, Renata questionou o fato de não ter sido demitida por justa causa:
— Se o que fizemos foi tão grave assim, por que não fui demitida por justa causa? Tínhamos acesso a várias informações, e o que acessávamos ou fotografávamos tínhamos que listar num relatório, entregue ao Rio 2016. Não tínhamos acesso a informações confidenciais.
Sobre a informação de que Rodrigo Hermida, hoje funcionário do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (COL), foi demitido do Comitê dos Jogos Pan-Americanos de 2007 por ter copiado arquivos da empresa Event Knowledge Services (EKS), Nuzman afirmou “não se lembrar” da causa da demissão. A notícia foi divulgada no blog do jornalista Juca Kfouri, no portal UOL.
— Não tenho condições de me lembrar exatamente, são mais de dois mil funcionários. Mas ele não deixou nenhuma questão sobre seu comportamento, tanto que voltou a trabalhar conosco nas olimpíadas universitárias de Blumenau (em Santa Catarina), em 2007.
Nuzman também rebateu críticas do deputado federal Romário (PSB-RJ), dizendo que ele “não tem informações suficientes para analisar o tema com mais frieza e profundidade”.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/topico-rio-2016/rio-2016-nao-demitiu-chefe-de-funcionaria-que-copiou-dados-6219803#ixzz27kjURYKX 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Nuzman quebra silêncio e oficializa saída de 9 funcionários do Rio 2016


Presidente do Comitê Organizador lê comunicado enviado por britânicos após cópias não autorizadas do Locog: 'Não houve impacto no relacionamento'

Por Vicente Seda

O presidente do Comitê Organizador Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, e o diretor geral da entidade, Leonardo Gryner, concederam entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, no auditório da sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a respeito das demissões de funcionários por cópias não autorizadas de arquivos do Comitê Organizador dos Jogos de Londres 2012 (Locog). Nuzman afirmou que foram demitidos nove de 24 funcionários. Anteriormente, a conta chegava a dez, mas um deles foi mantido, já que seu chefe do Locog informou que havia autorizado a cópia das informações. Porém, os nomes dos envolvidos no episódio não foram divulgados pelo Rio 2016 por considerar que "esta é uma relação entre empresa e funcionário".

- Partiu de nós (a demissão dos funcionários) porque entendemos que houve quebra de confidencialidade e que esse era o caminho que deveríamos tomar. Entendemos que a demissão era adequadamente o que deveria ser feito nesse episódio.  A partir daí, fizemos uma série de trocas de informações que nos permitiu chegar a essas nove pessoas como sendo aquelas que copiaram vários arquivos. O processo de destruição foi acompanhado pelas equipes de TI do Rio e de Londres - disse Nuzman.

Se Nuzman não quis revelar o nome dos demitidos, Gryner foi econômico em algumas respostas. Questionado se acredita que houve má fé dos funcionários demitidos, respondeu que só podia afirmar que "quebraram o contrato". Em outro momento, indagado sobre o volume de informações copiadas e se algum dos demitidos teria feito download de uma quantidade muito maior do que os demais, afirmou que só o Locog poderia responder. Além disso, afirmou que não há indícios de que os nove demitidos tenham atuado de forma orquestrada e tratou de isentar o comitê de culpa nos atos.

- Não teve erro da nossa parte, tivemos um cuidado bem grande. Como funciona esse processo dos secondees? O Locog disponibiliza algumas vagas, nós consultamos as áreas internas, enviamos candidatos, e esses candidatos são ouvidos e selecionados pelo Locog. Passamos todas as informações que deveríamos ter passado, o contrato e o manual de acesso à informação a esses funcionários. A partir daquele momento eles teriam de se dedicar integralmente ao Locog e responderiam diretamente aos responsáveis pela sua área no Locog. Reparamos rapidamente o ocorrido e consideramos que a punição deles foi a punição adequada para o erro que cometeram - disse Gryner, acrescentando que o "dono das informações", no caso o Locog, "não qualificou como furto" o ato dos funcionários.

Durante a entrevista, também foram reveladas as cláusulas de confidencialidade do contrato dos funcionários com o Locog, descritas em documento entregue pelo Rio 2016. O comitê organizador brasileiro informou que os funcionários também receberam um manual, com termos mais coloquiais, para se eximir de culpa por possível falha na instrução dos demitidos. Também foi lida uma mensagem enviada por Paul Deighton, executivo-chefe do Locog.

"A cópia não autorizada de arquivos do Locog não resultou em nenhuma violação de segurança grave nem no comprometimento de quaisquer dados pessoais. O caso envolveu somente um pequeno número de pessoas e foi resolvido de forma eficiente e eficaz pela diretoria do Comitê Organizador Rio 2016. Esse episódio não reflete sob nenhum aspecto as ações ou comportamentos por parte da maioria da equipe do Rio 2016. Todos os documentos foram rapidamente devolvidos e não houve impacto de nenhuma forma no estreito relacionamento que sempre mantivemos com o Rio 2016, o prefeito e o governador do Rio e o governo brasileiro. Continuaremos compartilhando informações com os nossos colegas do Rio 2016", dizia o comunicado de Deighton.

Nuzman adotou um tom apaziguador ao responder  as acusações do deputado federal e ex-jogador Romário, que o considera culpado pelo incidente.

- O deputado Romário é um atleta que nos honrou e nos ajudou muito, defendeu o Brasil, é campeão do mundo, mas no nosso entender ele não tem informações suficientes para analisar com mais clareza e profundidade o tema. Vou reiterar o convite para que ele venha ao Rio 2016, para que possa ver de que maneira estamos trabalhando. Estamos à disposição dele com o maior respeito.

Caso Hermida
Sobre o desligamento de Rodrigo Hermida do comitê organizador do Pan de 2007, no Rio, Nuzman disse não saber o motivo, alegando não se lembrar de todas as demissões. Segundo Juca Kfouri, em seu blog no "Uol", ele foi demitido há seis anos também por copiar de forma não autorizada arquivos de uma empresa que prestava serviço ao Co-Rio. Atualmente, Hermida atua como gerente de voluntários do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 (COL).

- Rodrigo Antunes Hermida trabalhou no Pan, na função de assistente de projetos, subordinado ao gerente geral de Recursos Humanos, Paulo Sérgio Rocha. A saída dele se deu como acontece normalmente em entrada e saída de funcionários, tanto que não deixou nenhuma dúvida do seu comportamento e voltou a trabalhar conosco nas Olimpíadas Universitárias em 2007, como gerente de voluntários, e nas Escolares, na gerência administrativa e secretaria geral - disse Nuzman, negando que Hermida fosse subordinado a Mário Cilenti, chefe da funcionária Renata Santiago, única a vir a público falar a respeito da demissão, a qual qualificou como "injustiça tremenda".

Entenda o caso
As demissões ocorreram no dia 18 de setembro. Dias depois, o Locog anunciou publicamente o problema. Uma das demitidas, Renata Santiago, enviou uma carta para Nuzman e os funcionários do COB e do Comitê Rio 2016 alegando não ter feito qualquer cópia não autorizada, visto que tinha acesso às informações com autorização do próprio comitê londrino. Ela disse ao GLOBOESPORTE.COM que 11 pessoas foram desligadas, ressaltando que um dos envolvidos aproveita férias, não retornou ao Brasil e, por isso, ainda não foi cortado.

Renata, que afirmou ter trabalhado 12 anos diretamente com Nuzman, também destacou que todos os funcionários foram obrigados a preencher um relatório onde um dos campos era reservado para descrição de todas as informações trazidas da organização das Olímpíadas deste ano. O Comitê confirmou a informação, mas alegou que não havia como saber, por este relatório, o que havia sido autorizado ou não. Renata atuava no setor de relações internacionais do Rio 2016.

Um funcionário afirmou ao GLOBOESPORTE.COM que a lista inicial de pessoas que copiaram arquivos não autorizados incluía 14 pessoas, mas teria sido feita uma filtragem tendo como critério o volume de material copiado. Outros dois empregados confirmaram que há orientações internas para que não falem sobre o tema fora da entidade. Um deles chegou a dizer que o staff está sendo "doutrinado" nesse sentido.
Outro nome levantado pelo blog de Juca Kfouri é o de Bruno Olivieri, que era da área de TI (tecnologia da informação) do Rio 2016. A assessoria do comitê organizador informou apenas, na noite de quarta-feira, que ele não é funcionário da entidade, o que leva a crer de que de fato está entre os demitidos. Ainda segundo o blog, Olivieri foi responsável pela cópia de uma grande quantidade de arquivos. O GLOBOESPORTE.COM tentou contato por telefone e e-mail com Bruno Olivieri, mas não houve resposta.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/09/nuzman-quebra-silencio-e-oficializa-saida-de-9-funcionarios-do-rio-2016.html

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Funcionária diz ter sido instruída a acessar dados dos Jogos de Londres


Em carta no blog de Juca Kfouri, ela afirma, no entanto, que não obteve informações sigilosas

RIO - Um dos dez funcionários demitidos do Comitê Rio 2016 por envolvimento no furto de informações da organização dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 divulgou, nesta terça-feira, ao blog do jornalista Juca Kfouri, uma carta endereçada ao presidente do comitê, Carlos Arthur Nuzman. Nela, Renata Santiago diz que foi instruída a acessar os dados do sistema do evento, com o objetivo de obter informações para aprimorar a organização das Olimpíadas do Rio. “Ao longo das primeiras semanas, fui instruída a acessar o sistema do LOCOG para estudar alguns documentos necessários para a realização do meu trabalho lá em Londres. (...)acessei o sistema para visualizar e tentar aprender como eles planejaram, desenvolveram e iriam executar o projeto para a Área de NOC/NPC Relations and Services, sempre pensando em adquirir mais conhecimento e poder desenvolver melhor a minha Área de NOC/NPC Relations and Services no Rio 2016 (...). ”, diz um trecho da carta.
Ela ressalta, no entanto, que não se apropriou de informações confidenciais ou comerciais. Como Renata relata na carta, estas informações não estariam acessíveis. “Hora nenhuma me apropriei de informações confidenciais ou comerciais. Sabemos bem que estas informações confidenciais ou comerciais não estariam ao acesso de todos nós secondees da Rio 2016, que recebemos login e senha do próprio LOCOG”, afirma a funcionária.
Renata trabalhava há 12 anos com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e ficou dia 11 de junho até o dia 15 de agosto na Vila Olímpica de Londres. Ela disse que foi chamada no dia 18 de setembro para assinar a carta de demissão porque integraria o grupo de violou informações confidenciais do Comitê Organizador das Olimpíadas deste ano, mas não recebeu mais esclarecimentos sobre a acusação.
O furto dos documentos veio à tona na noite da quinta-feira passada, mas teria chegado ao Comitê Rio 2016 no dia 1º deste mês, após o início dos Jogos Paralímpicos de Londres. Na sexta-feira, o jornal britânico “The Daily Telegraph” trouxe uma reportagem sobre o episódio. No mesmo dia, O GLOBO encaminhou uma série de perguntas ao Comitê Rio 2016, que se limitou a divulgar uma nota, na qual confirmava o furto. Procurados pelo GLOBO, o comitê disse que os dez funcionários fizeram uma cópia ilegal de arquivos confidenciais dos organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres agiram por conta própria. Os documentos, segundo a equipe, já foram devolvidos e destruídos.

Veja a íntegra da carta:
“Prezado Dr. Nuzman,
Antes de mais nada gostaria de agradecer por ter tido a oportunidade de trabalhar com o senhor durante todos estes quase 12 anos.
Tenho plena consciência de que me dediquei ao máximo e sempre cumpri minhas tarefas, e muito além das minhas tarefas, com excelência.
Nunca, em momento algum, os meus colegas, chefes ou os seus clientes se queixaram do meu trabalho, pelo contrário, sempre elogiaram e sempre mostraram satisfação devido ao meu comportamento impecável e ao meu desempenho profissional.
Em relação ao ocorrido em Londres com os secondees Rio 2016, não sei até que ponto a informação correta e completa chegou até o senhor.
Não falo por nenhum deles, mas falo por mim, que sempre trabalhei com um cargo de confiança e nunca lhe decepcionei.
No entanto, na terça-feira, dia 18 de setembro, fui chamada para assinar minha carta de demissão e a explicação que me deram foi que a ordem veio de cima, de nosso presidente, para demitirem a todos os secondees pela acusação de violação de informações confidenciais e comerciais por parte do LOCOG.
Eu era uma das secondees, trabalhei em Londres desde o dia 11 de junho até o dia 15 de agosto no Centro de Serviços aos CONs, na Vila Olímpica.
Ao longo das primeiras semanas, fui instruída a acessar o sistema do LOCOG para estudar alguns documentos necessários para a realização do meu trabalho lá em Londres, já que eu era uma dos NOC Services Team Member.
Outras vezes, acessei o sistema para visualizar e tentar aprender como eles planejaram, desenvolveram e iriam executar o projeto para a Área de NOC/NPC Relations and Services, sempre pensando em adquirir mais conhecimento e poder desenvolver melhor a minha Área de NOC/NPC Relations and Services no Rio 2016.
Afinal de contas nós fomos enviados ali para observar, aprender e reunir informações que nos dessem a capacidade de melhorar nosso planejamento.
Hora nenhuma me apropriei de informações confidenciais ou comerciais.
Sabemos bem que estas informações confidenciais ou comerciais não estariam ao acesso de todos nós secondees da Rio 2016, que recebemos login e senha do próprio LOCOG.
Todas as informações (arquivos eletrônicos, documentos impressos, fotos) reunidas e trazidas ao Rio 2016 por mim, ratifico, não eram confidenciais e muito menos comerciais e foram fruto de um trabalho árduo visando uma melhor organização para os nossos Jogos, sem nenhuma pretensão diferente desta.
Estou muito decepcionada e profundamente triste de ter sido envolvida e nivelada aos demais que realmente podem haver apropriado-se de muitas informações confidenciais e/ou comerciais de suas áreas e de outras.
Não consigo realizar que o senhor tenha acreditado que eu fosse ou que eu seja capaz de cometer atos fraudulentos e criminosos já que sempre demonstrei-lhe minha honestidade e fidelidade e às instituições das quais o senhor é ou foi presidente como o Comitê Olímpico Brasileiro, o Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos Rio 2007, a Organização Desportiva Sul-americana e, por fim, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.
Nunca estive nesses projetos por motivos financeiros e sim por um ideal. Por acreditar no senhor e no seu discurso sobre Movimento Olímpico e Paralímpico.
Não foram apenas 12 dias, foram 12 anos.
E doze anos de muito amor, muita abdicação, muita determinação, muita dedicação, muito profissionalismo e muito caráter.
Despeço-me com a certeza de que sempre fiz mais que o melhor e com a toda a integridade para levar adiante o seu sonho, o sonho de trazer e entregar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro, que passou a ser o meu também e que me foi tirado abrupta e injustamente.

Atenciosamente,
Renata Santiago”

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/funcionaria-diz-ter-sido-instruida-acessar-dados-dos-jogos-de-londres-6196422#ixzz27XN71IF5 

Roubo de dados do comitê dos jogos de Londres é ‘lição’, diz ministro


Aldo Rebelo condena episódio e espera que relação com comitê brasileiro não fique desgastada

Por Demétrio Weber

BRASÍLIA - O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse nesta terça-feira que o roubo de arquivos digitais do Comitê Organizador das Olimpíadas de Londres, praticado por funcionários do Comitê Organizador Rio 2016, é ainda mais condenável pelo fato de que as autoridades londrinas sempre demonstraram boa vontade em cooperar com o governo brasileiro. Para Aldo, o episódio deve servir de lição. Ele ressalvou, porém, que tanto o comitê inglês quanto o brasileiro são entidades privadas.
- O episódio é ainda mais condenável porque o governo do Reino Unido manifestou desde o início toda a boa vontade em cooperar com o governo brasileiro, em todas as áreas. Da segurança à mobilidade, voluntariado, telecomunicações. Então, nós vamos prosseguir o esforço de cooperação governo a governo e fazer com que esse episódio sirva de lição para não desgastar as relações entre esses entes privados que fizeram o acordo de cooperação - disse o ministro.
Aldo concedeu entrevista ao lado do ex-técnico do Palmeiras Luiz Felipe Scolari, a quem convidou para atuar como consultor informal do programa Segundo Tempo, que ensina futebol aos alunos da rede pública.
O ministro admitiu desconhecer o teor dos arquivos digitais roubados pelos funcionários do Rio 2016. Ele observou, no entanto, que o comitê inglês informou ao comitê Rio 2016 o que exatamente foi copiado, inclusive com orientações sobre o que deveria ser devolvido e o que deveria ser destruído.
- Eu não sei exatamente, porque nem os britânicos nem os brasileiros divulgaram o que havia. Mas o comitê brasileiro foi informado do que deveria destruir e do que deveria devolver e acho que isso foi feito - disse Aldo.
Indagado sobre a falta de informações em torno do caso e sobre o eventual envolvimento no episódio de outras pessoas de maior hierarquia no Rio 2016, o ministro afirmou que os dez funcionários demitidos agiram em conjunto:
- Foram identificadas dez pessoas. Então, pelo menos cada um agiu por conta dos dez. Porque eles agiram em conjunto. Duvido que tenha agido independentemente da ação um do outro. E creio que o comitê britânico, que foi a vítima desse episódio, atuou até onde julgou conveniente atuar. Não posso dizer para o comitê britânico o que ele deve divulgar ou deixar de divulgar. E naturalmente se ele identificou o que foi baixado, ele identificou quem baixou.


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Funcionários que roubaram dados dos Jogos de Londres agiram por conta própria, alega comitê


Organizadores da Rio 2016 afirmam que não sabiam do furto

Por Demétrio Weber e Fábio Vasconcellos

RIO - Os dez funcionários do Comitê Rio 2016 que fizeram uma cópia ilegal de arquivos confidenciais dos organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres agiram por conta própria. A informação foi divulgada na segunda-feira pela equipe do Rio ao ser procurada pelo GLOBO para esclarecer as dúvidas que ainda pairam sobre o caso. Os documentos, segundo a equipe, já foram devolvidos e destruídos.
O furto dos documentos, como classificou a imprensa inglesa, chegou ao conhecimento do Comitê Rio 2016 no dia 1º deste mês, após o início dos Jogos Paraolímpicos de Londres. Na terça-feira passada, após localizar as cópias e identificar os envolvidos no caso, o comitê demitiu os funcionários. Em nota enviada ao GLOBO, o comitê explicou que os funcionários faziam parte da equipe de 200 pessoas, que permaneceu por três meses em Londres trabalhando com os ingleses na preparação dos Jogos. Eles tinham acesso aos documentos do Comitê Londres 2012, mas haviam assinado um contrato que proibia fazer cópias sem autorização. Segundo a nota, que não divulgou os nomes dos envolvidos, os chefes dos funcionários não tinham conhecimento da atitude do grupo.
De acordo com a Rio 2016, ao serem localizados, os funcionários afirmaram que não tinham intenção de prejudicar os dois grupos organizadores.
Eles “não precisavam ter copiado esses arquivos sem autorização. Bastava solicitá-los ao Comitê Londres 2012, que vinha compartilhando informações de maneira colaborativa”, diz a nota do Comitê Rio 2016, ressaltando que repudia o comportamento do grupo envolvido no caso.
O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, disse na segunda-feira lamentar o envolvimento da equipe na cópia ilegal e elogiou a atuação do Comitê Rio 2016. O ministro afirmou que o governo do Reino Unido já aprovou a formação de um grupo de trabalho que vai atuar em parceria com a equipe de brasileiros, repassando sua experiência na organização dos Jogos de 2012:
— Trata-se de incidente lamentável, envolvendo duas entidades privadas, os comitês organizadores dos Jogos de Londres 2012 e Rio 2016. O Comitê Rio 2016 agiu corretamente ao apurar o incidente, junto com o Comitê de Londres, e punir os autores. O comportamento dessas pessoas foi inaceitável e não expressa a atitude de confiança e harmonia que tem marcado a cooperação dos dois países na preparação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos sob sua responsabilidade.
O furto dos documentos veio à tona na noite da quinta-feira passada, quando o blog do jornalista Juca Kfouri divulgou o caso. Na sexta, o jornal britânico “The Daily Telegraph” trouxe uma reportagem sobre o episódio. No mesmo dia, O GLOBO encaminhou uma série de perguntas ao Comitê Rio 2016, que se limitou a divulgar uma nota, na qual confirmava o furto.
Os organizadores foram procurados novamente ontem, mas não responderam qual era o conteúdo dos arquivos que foram copiados, os nomes dos envolvidos no episódio e por que eles fizeram a cópia. O Comitê de Londres não confirma se existia dados sobre segurança nos documentos copiados.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/topico-rio-2016/funcionarios-que-roubaram-dados-dos-jogos-de-londres-agiram-por-conta-propria-alega-comite-6187326#ixzz27T7VH2by 

Aldo Rebelo condena roubo de dados do comitê dos Jogos de Londres


Dez funcionários do Rio 2016 foram demitidos após o incidente

Por Demétri Weber

BRASÍLIA - O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, classificou de "lamentável" o roubo de informações de computadores do Comitê Organizador dos Jogos de Londres 2012 praticado por dez funcionários do Comitê Organizador Rio 2016. Para o ministro, o comportamento dos funcionários é "inaceitável" e o Rio 2016 agiu corretamente ao demiti-los na semana passada. Aldo divulgou nota sobre o caso na noite desta segunda-feira.
"Trata-se de incidente lamentável, envolvendo duas entidades privadas – os comitês organizadores dos Jogos de Londres 2012 e Rio 2016. O Comitê Rio 2016 agiu corretamente ao apurar o incidente, junto com o Comitê de Londres, e punir os autores. O comportamento dessas pessoas foi inaceitável e não expressa a atitude de confiança e harmonia que tem marcado a cooperação dos dois países na preparação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos sob sua responsabilidade", diz o texto com a declaração de Aldo.
O ministro deu a entender que o incidente não compromete as relações entre Brasil e Reino Unido na cooperação em torno dos preparativos da Olimpíada de 2016. "O governo do Reino Unido, inclusive, já aprovou a formação de um grupo de trabalho com o governo brasileiro para repassar a sua experiência de organização dos Jogos de Londres, de forma a ajudar o Brasil a enfrentar os desafios da preparação dos Jogos do Rio 2016", diz a nota.
A declaração do ministro foi redigida na forma de pergunta e resposta. Na primeira questão, a cópia de arquivos digitais sem autorização dos organizadores londrinos praticada pelos funcionários do Comitê Rio 2016 foi tratada como "subtração de informações de computadores". A outra pergunta indagou se Aldo acha que o episódio pode afetar as relações com o Reino Unido.
Na sexta-feira, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 confirmou que demitiu dez funcionários que acessaram e baixaram arquivos confidenciais pertencentes ao Comitê Organizador dos Jogos Londres 2012. Disse ainda que o grupo estava entre os 200 representantes que foram a Londres por ocasião dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos deste ano.


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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Londres acusa funcionários do comitê da Rio 2016 de baixar ilegalmente arquivos


Dez funcionários envolvidos no caso foram afastados do programa

LONDRES — Dez empregados do comitê da Rio 2016 foram surpreendidos furtando arquivos dos organizadores britânicos durante as Olimpíadas de Londres. O comitê organizador de Londres informou, nesta sexta-feira, que funcionários do Rio, que atuavam junto ao pessoal londrino no departamento de tecnologia, baixaram documentos internos sem autorização. Os brasileiros trabalhavam com os organizadores de Londres durante os Jogos entre 27 de julho e 12 de agosto como parte de um "programa de transferência de conhecimentos" entre as cidades organizadoras. Todos os envolvidos no caso foram afastados do programa de Londres.
- Posso confirmar que houve um incidente que envolveu membros da equipe do Rio que acessaram e removeram arquivos sem permissão - disse a porta-voz de Londres, Jackie Brock-Doyle, à agência Associated Press. - Informamos à supervisão do Rio. Eles atuaram rapidamente para resolver a questão e devolver os arquivos.
Altos funcionários de Londres foram informados do download ilegal e reportaram o sumiço aos organizadores do Rio, liderados por Carlos Nuzman e Leo Gryner.
Em nota, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 confirmou que os dez funcionários que baixaram arquivos sem autorização foram desligados. A nota diz que as lideranças do Rio 2016 e de Londres “agiram de forma conjunta, coordenada e rápida para reparar a situação”. Os arquivos foram recuperados e devolvidos. Duzentos representantes do Rio estiveram em Londres durante as olimpíadas. Segundo o Comitê da Rio 2016, trata-se de um caso isolado.
Segundo o jornal “Daily Telegraph”, acredita-se que os arquivos furtados incluíam detalhes sobre o planejamento estratégico e de segurança dos Jogos de Londres.
Brock-Doyle disse que não podia confirmar se os empregados foram afastados nem o número de envolvidos. Segundo a Associated Press, as mensagens e os telefonemas aos organizadores do comitê do Rio no Brasil não tiveram resposta imediata.
- É uma questão entre Rio e Londres - disse Mark Adams, porta-voz do Comitê Olímpico Internacional, à AP.
A revelação sobre o furto dos arquivos ocorreu dois meses antes de funcionários de Londres e do Rio se reunirem no Brasil para a sessão informativa oficial dos Jogos de 2012, um encontro em que os organizadores dos últimos Jogos repassam aos seguintes toda a informação necessária.
De acordo com a AP, não sabe a natureza e o conteúdo do arquivos londrinos, mas autoridades disseram que provavelmente eles teriam sido fornecidos para a equipe do Rio se tivessem sido solicitados.
O Rio é a primeira cidade da América do Sul escolhida para organizar uma olimpíada.


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