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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Moralização só depois do Rio-2016


Por Gustavo Marcondes

Lançado na semana passada, o Plano Brasil Medalhas foi anunciado como um marco no investimento do governo no esporte de alto rendimento. De 2013 a 2016, será aportado R$ 1 bilhão extra no setor, a ser somado ao R$ 1,5 bilhão já previsto no ciclo até os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Com tanto dinheiro colocado nas mãos das confederações desportivas — que administrarão os recursos em conjunto com o Ministério do Esporte e comitês Olímpico e Paralímpico —, o ministro Aldo Rebelo aproveitou o momento para exigir a moralização dessas entidades.

Rebelo defende que o repasse de recursos públicos seja condicionado a medidas de democratização da administração das federações esportivas, como a alternância de poder. O ministro é entusiasta do projeto de lei do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que prevê a proibição de mais de uma reeleição a dirigentes esportivos, além de combater o nepotismo. À luz do lançamento do Plano Brasil Medalhas e das declarações de Aldo, criou-se a expectativa de que o governo só liberasse os R$ 2,5 bilhões do ciclo do Rio-2016 às entidades que se enquadrassem no novo modelo, mas não será dessa forma.

Segundo o Ministério do Esporte, a assinatura dos convênios entre confederações e entes públicos deve ocorrer em janeiro de 2013. Até lá, não há tempo para que o projeto de Cássio Cunha Lima, que atualmente se encontra em análise na Comissão de Educação do Senado Federal, se transforme em lei. E mesmo Rebelo tendo afirmado que, em tese, não seria necessária uma lei para que esse condicionamento fosse colocado em prática, o Ministério confirmou ao Correio, por meio de sua assessoria de imprensa, que os recursos destinados à preparação para a Olimpíada do Rio não serão travados pelo não cumprimento dessa orientação.

Dessa forma, as mesmas dinastias que comandam o esporte brasileiro há décadas, em alguns casos, serão responsáveis pela gestão do maior investimento da história do governo na área. A começar pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que está há 17 anos na presidência da entidade.

Das 21 modalidades olímpicas beneficiadas pelo Plano Brasil Medalha, nove têm presidentes há mais de 10 anos no poder, com “destaque” para os mandatários das confederações de Atletismo (Roberto Gesta de Melo, 25 anos no cargo), Desportos Aquáticos (Coaracy Nunes, 24), Handebol (Manuel Luiz Oliveira, 23) e Canoagem (João Tomasini, 23).

E caso o projeto de Cássio Cunha Lima se transforme em lei, esses e outros dirigentes poderão perpetuar-se no poder por mais oito anos. De acordo com a proposta, os atuais presidentes não seriam afetados pelas novas diretrizes, ou seja, teriam o direito de se candidatar ao cargos que já ocupam e ainda a mais uma reeleição.

“Não queremos que o projeto pareça atingir dirigentes específicos. Além disso, isso ajuda a diminuir a resistência à ideia no Congresso”, afirma o autor da projeto. “É um processo de transição no esporte brasileiro, mas que só vai corrigir essa prática de perpetuação de poder em oito ou 10 anos”, admite o senador.


Repercussão
Um dia depois do lançamento do Plano Brasil Medalhas, Aldo Rebelo deu uma entrevista ao programa Poder e Política, do UOL em parceria com a Folha de S. Paulo, e falou do assunto. O portal de internet divulgou a notícia dizendo que, segundo o ministro, o “governo só dará dinheiro a confederações que alternem poder”. À Veja, Aldo disse que “Vamos criar um índice nacional que valorizará as entidades que modernizarem sua gestão. As que não cumprirem as metas não terão o apoio do governo.”

Fonte: http://www.superesportes.com.br/app/19,66/2012/09/23/noticia_maisesportes,36919/moralizacao-so-depois-do-rio-2016.shtml

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Botafogo investe no remo e contrata argentina


O Botafogo incrementou seu plantel de atletas olímpicos. O clube do Rio de Janeiro contratou Milka Kraljev, remadora argentina que já participou de dois Jogos Olímpicos.

Segundo o site oficial do Botafogo, foi a atleta quem entrou em contato com o clube carioca para viabilizar o acordo.

"Pessoas que a gente queria ter aqui estão querendo vir pra cá. É uma combinação perfeita. Estamos muito felizes com a chegada da Milka, uma atleta de altíssimo nível", revelou Alexandre Xoxô, coordenador técnico do remo.

"Me receberam com muito carinho aqui no Botafogo. Estou muito feliz. O Rio de Janeiro é maravilhoso. É a minha primeira vez aqui, estou amando”, comentou Milka.

A atleta treinará na sede do Sacopã, junto com o restante dos atletas de remo do Botafogo. Milka, que participou dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e Londres-2012, tem 30 anos, pesa 57kg e mede 1,66m.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/atletas/26/26529/Botafogo-investe-no-remo-e-contrata-argentina/index.php

sábado, 25 de agosto de 2012

Os números que importam 1 – quadro de medalhas


Por MarceloBarreto

O quadro de medalhas é uma ficção. Não existe prêmio para quem fica em primeiro, nenhum país é apontado campeão das Olimpíadas. Até mesmo o critério de botar quem ganhou um ouro à frente de quem conquistou dez pratas é uma convenção, com seu grau acordado de arbitrariedade. O único objetivo dessa invenção é dar uma ideia geral do desempenho por países. Tomado ao pé da letra, o quadro só serve para alimentar as piadas fáceis em 140 caracteres e nas capas dos jornais populares ou para, distorcido, sustentar a demagogia oficial.

É tão limitado dizer solenemente que o Brasil teve seu maior desempenho em número de medalhas (e o segundo melhor em ouros) quanto o deboche de apontar os países supostamente exóticos, como o Irã ou a Jamaica, que ficaram à frente. O quadro de medalhas não tem relação direta com o papel de uma nação na geopolítica mundial – e se tivesse, seria mais justo usar para isso o ranking do IDH do que o do PIB, porque é mais fácil gastar com esporte quando se tem problemas básicos como saúde e educação bem encaminhados.

Mas não é assim que funciona. O resultado de um país no quadro de medalhas deriva de uma equação complexa, com itens que vão desde o mais básico, como o investimento em esportes de base, até o mais difícil de controlar, como o desempenho dos atletas nas finais olímpicas. Na Austrália, antes mesmo do fim dos Jogos, a diminuição no número de medalhas já tinha causado um debate sobre a crise no esporte escolar. No Cazaquistão, que tem entre suas estratégias para ganhar mais ouros aceitar a naturalização de atletas russos flagrados no antidoping, a imprensa estatal festejou o sucesso em Londres. Cabe a cada país decidir o que é mais importante, o esporte de base ou o quadro de medalhas.

Mesmo aceitando o quadro como medida de sucesso, a forma mais justa de avaliar o desempenho de um país é compará-lo com ele mesmo. E por esse critério, o Brasil está patinando. Desde Atlanta 1996, quando começou o último ciclo olímpico antes da lei Agnello-Piva, o número de medalhas conquistadas mudou muito pouco: 15 em 96, 12 em 2000, 10 em 2004 (com cinco ouros, a melhor marca até hoje), 15 em 2008 e 17 em 2012. E elas vieram praticamente dos mesmos esportes: judô, vela, vôlei e vôlei de praia subiram ao pódio em todas essas edições; atletismo, natação e futebol, em todas menos uma. Mesmo o surgimento de novos medalhistas (taekwondo em Pequim, ginástica artística, boxe e pentatlo moderno em Londres) acaba compensado negativamente pela saída do quadro de modalidades antes vencedoras, como o basquete e o hipismo.

Esse cenário não combina com a evolução da arrecadação de recursos da lei Agnello-Piva. De R$ 17 milhões em 2000, as confederações passaram a ter R$ 150 milhões de recursos das loterias este ano. Seria errado, esportiva e matematicamente, esperar que o desempenho no quadro de medalhas crescesse na mesma proporção. Ainda é preciso compensar décadas de falta de investimento no esporte de base. Mas já são dois ciclos olímpicos completos. Tempo suficiente para fazer, por exemplo, o que a ginástica artística conseguiu: em 96, só uma atleta se classificou para os Jogos, e se machucou antes de competir; de lá para cá, o Brasil conseguiu levar uma equipe feminina duas vezes, botou atletas nas finais em três edições seguidas e agora chegou à medalha de ouro. Uma evolução que pode parecer lenta para quem só pensa no número de ouros, pratas e bronzes, mas que foi constante.

Para ganhar medalhas, primeiro é preciso ter candidatos a medalhas – e o Brasil ainda produz poucos deles. Hoje, apenas duas confederações conseguem fazer um trabalho completo nesse sentido. O judô trouxe a Londres 14 atletas para as 14 categorias em disputa (só Japão e França conseguiram o mesmo); sete deles chegaram às quartas de final; quatro ganharam medalhas. O vôlei classificou o máximo possível de equipes, duas na quadra e quatro na praia; três delas chegaram às quatro finais em disputa; quatro subiram ao pódio, em todas as modalidades. Juntas, essas confederações responderam por mais da metade das medalhas do Brasil em 2012.

Não por acaso, judô e vôlei estão entre os esportes mais praticados em clubes e escolinhas pelo país afora. Muito disso, é claro, aconteceu sem interferência direta das confederações. Mas elas souberam aproveitar essa base, e dela tirar o material humano necessário para o esporte de alto rendimento. Nenhum outro esporte olímpico tem essa relação tão bem resolvida no Brasil. A vela merece crédito pela constância no pódio, mas já começa a sofrer com problemas de renovação (judô e vôlei estão sempre disputando títulos nas categorias de base). A natação está no caminho, mas ainda precisa fazer mais finalistas para consolidar o trabalho.

Se mais confederações seguirem esses exemplos, a participação do Brasil no quadro de medalhas vai crescer. Mas nem por isso ele deixará de ser uma ficção, uma medida inexata. O Brasil só terá o que comemorar se o número de ouros, pratas e bronzes for o resultado de uma grande evolução na nossa cultura esportiva. Ficar à frente do Irã e da Jamaica é o de menos. O número que realmente importa é o de crianças e jovens que – talvez inspirados pelo sucesso de Sarah Menezes ou Fernanda Garay – tenham no esporte uma chance de se expressar como cidadãos.

Fonte: http://sportv.globo.com/platb/marcelobarreto/2012/08/13/os-numeros-que-importam/

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Entrave olímpico: três mil quadras esportivas não saem do papel


Dyelle Menezes e Yuri Freitas
Do Contas Abertas

O Brasil possui 33 milhões de estudantes, mas as escolas ainda desprezam a prática de educação física como apoio pedagógico e para criar nos jovens a cultura do esporte. Pesquisa realizada pelo Ibope este ano apontou que um terço das escolas da rede pública do país não tem quadra esportiva nem espaço para que os alunos tenham aulas de educação física.

A ação “Implantação de estruturas esportivas” – que consiste na construção e cobertura de quadras em escolas –, por exemplo, desembolsou somente 8,5% do R$ 1 bilhão autorizado para 2012. No Orçamento Geral da União, a previsão é que três mil quadras sejam implantadas até o final do ano, mas até agora nenhuma foi concluída.

Os dados devem ser analisados no contexto da preparação do Brasil para receber megaeventos, e, principalmente, nos legados que as competições oferecem. Nos jogos de Londres, o país ocupou a 22ª colocação no quadro de medalhas.

A presidente da República, Dilma Rousseff, inclusive, reconhece a importância dessas instalações. “É na quadra da escola, nas aulas de educação física, que a maioria das crianças tem o primeiro contato com o esporte. É uma oportunidade para muitos deles revelarem seus talentos, terem uma vida mais saudável e se apaixonarem pelo esporte”, disse.

No PAC 2, até 2014, estão previstas 6.116 novas quadras cobertas em escolas que ainda não tenham um local para a prática esportiva, e a construção de coberturas para 4 mil quadras já existentes em escolas. As duas modalidades são direcionadas às escolas municipais ou estaduais.

Apesar disso, de acordo com assessoria de imprensa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que administra o R$ 1 bilhão disponível para este ano, a execução está ocorrendo no fluxo necessário para o andamento das ações. “As ações de infraestrutura escolar seguem as etapas de planejamento, licitação e contratação prévia ao início da efetiva execução das obras”, explica.

“A seleção de projetos (fase de planejamento) foi iniciada no segundo semestre de 2011 e continuou ao longo dos primeiros meses de 2012. A aceitação dos Termos de Compromisso, que antecedeu o primeiro repasse, ocorreu no mês de maio permitindo, assim, o início das licitações pelos estados e municípios. Ressalta-se que a legislação requer o cumprimento de prazos para homologação do certame licitatório e emissão da ordem de serviço para o início das obras”, diz a nota.

A assessoria ainda afirmou que os repasses são feitos gradualmente, conforme medição da obra, e que foram aprovados, até o momento, 445 projetos para construção de quadras esportivas escolares e 877 coberturas de quadras.

“A meta total prevista para o exercício 2012 ainda não foi cumprida, pois as análises técnicas continuam sendo realizadas”, afirmou assessoria.

Para François Bremaeker, consultor da “Associação Transparência Municipal” e gestor do “Observatório de Informações Municipais”, existe vontade política por parte do governo federal em liberar os recursos, porém a execução dos valores vem dependendo muito mais “do cumprimento das regras do jogo” por parte de municípios e estados.

O especialista ressalta a importância de uma liberação constante, porém cautelosa, dos recursos. “Se não houver o cumprimento de todas as exigências e a devida vistoria, correr-se-ia o risco de desvio de recursos mais facilmente. Tenho de dar um voto de confiança ao Fundo que já atua há décadas de que seus procedimentos atendem à garantia de boa aplicação dos recursos”, diz.

Bremaeker afirma ainda que não existe uma percentagem ideal de execuções dos investimentos no decorrer do exercício. “Dever-se-ia fechar o exercício com os 100%. Mas não depende apenas do governo federal a liberação dos recursos, depende também do cumprimento das exigências pelos estados e municípios. (...) Afinal o orçamento é autorizativo e não impositivo”, falou o especialista.

Amiúde, quando é necessária uma contrapartida financeira dos municípios para receber os repasses do governo, simplesmente não há disponibilidade de recursos. Dentre as causas que geram o aperto de caixa, segundo Bremaeker, está o forte reajuste de servidores – efetivos ou comissionados – pelo salário mínimo, que implicaria em reajuste de “70% das contas dos municípios”, afirmou.

A prática da atividade física em escolas é obrigatória pela Lei 9.394, de 1996. No entanto, o presidente do Conselho Federal de Educação Física, Jorge Steinhilber, acredita que a nossa visão do esporte é muito preocupada com resultados.

“O esporte de alto rendimento, na verdade vai beneficiar poucas pessoas. Precisamos desenvolver a educação física como base, mas não ter com foco central a busca por atletas de alto rendimento”, explica.

Segundo Steinhilber, uma medida simples, mas importante, por exemplo, é reinserir a prática de atletismo nas escolas. “A prática da educação física é importantíssima e exige o incremento da atividade básica, cumprindo o objetivo de desenvolvimento saudável da população, e do esporte de base, que estimula o gosto pela atividade física e pode gerar resultados”, conclui.

Fonte: http://www.contasabertas.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=980

Governo aplica R$ 6,2 bilhões em esporte nos últimos 4 anos


Equipe Contas Abertas
Do Contas Abertas

No último ciclo olímpico, de 2009 a junho de 2012, o governo federal destinou R$ 6,2 bilhões ao esporte brasileiro, nas manifestações de rendimento, educacional e de participação. Esses recursos foram provenientes do Orçamento Geral da União (R$ 3,9 bilhões), Lei Agnelo/Piva (R$ 578,3 milhões), Lei de Incentivo (R$ 523,4 milhões), Empresas Estatais (R$ 771,3 milhões) e Timemania (R$ 390,9 milhões). Para este balanço foi desconsiderado o exercício de 2008, quando ainda estavam sendo pagas despesas referentes aos Jogos Panamericanos e à Olimpíada de Pequim.

Do total de verba pública para o esporte, as modalidades olímpicas receberam R$ 1,4 bilhão no período analisado. Cerca de 10% deste valor, R$ 142,9 milhões, foram para as atividades paralímpicas

A principal fonte de financiamento do esporte é o Orçamento Geral da União, com R$ 3,9 bilhões. Neste valor está incluído todo o dispêndio do Ministério do Esporte e parcelas afins de outras pastas. Por exemplo, a da Defesa com a contratação de atletas para reforçar a equipe nos Jogos Mundiais Militares que ainda são mantidos como oficiais das Forças Armadas. Já o esporte de rendimento em geral, inclusive as modalidades não-olímpicas (futevôlei, caratê, boliche etc.) foi contemplado com R$ 1,8 bilhão.  Porém, para as modalidades olímpicas, especificamente, o Orçamento Geral da União destinou R$ 120 milhões, enquanto as paralímpicas receberam R$ 22,1 milhões. Os dados constam do SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira).

Outras fontes

A segunda principal fonte pública de financiamento do esporte são os patrocínios das empresas estatais, com investimento de R$ 771,3 milhões. Desse total, R$ 601,4 milhões foram para o esporte de rendimento, inclusive o automobilismo, e R$ 509,3 milhões para as modalidades olímpicas. O montante inclui o patrocínio da Eletrobrás ao Vasco da Gama. O valor foi considerado, porque o futebol, mesmo com gestão própria através da CBF, é esporte do calendário dos Jogos.

Outra fonte de recursos públicos, a terceira em valor, é a Lei Agnelo Piva (n° 10.264/2001), que destina 2% das loterias federais aos esportes olímpicos e paralímpicos. No último ciclo essa participação foi de R$ 578,3 milhões. Para o desporto olímpico, especificamente, foram destinados R$ 416,2 milhões, além de R$ 57,8 milhões para o desporto escolar e R$ 28,9 para o universitário.  Já o Comitê Paralímpico Brasileiro recebeu R$ 75,2 milhões dessa Lei.

A quarta fonte mais relevante de verba pública é a Lei de Incentivo, que registrou captação de R$ 523,4 milhões no período, sendo R$ 374,8 para o rendimento. Esse valor contemplou projetos olímpicos de R$ 324,4 milhões, e paralímpicos de R$ 7,4 milhões. A Confederação Brasileira de Judô – quatro medalhas em Londres, sendo uma de ouro –, por exemplo, captou R$ 1,8 milhão na Lei de Incentivo para o projeto “Eventos Internacionais”. Outro exemplo de importância de aplicação dessa fonte é o Minas Tênis Clube, tradicional clube de Belo Horizonte, que captou R$ 6,7 milhões para o projeto “Formação de Atletas”.

Da mesma forma, no total da Lei de Incentivo estão projetos de futebol, modalidade olímpica medalha de prata nos Jogos de Londres. O São Paulo Futebol Clube é exemplo de utilização da Lei, ao captar R$ 1,7 milhão para o projeto de “Formação de Atletas de Alta Performance e Aprimoramento de Jovens Atletas”.

A quinta e última fonte de recursos públicos para o esporte é a Timemania, loteria federal que destina 22% de sua arrecadação ao abatimento das dívidas dos clubes de futebol para com a Receita Federal, INSS e FGTS. Novamente o futebol, esporte olímpico, é beneficiado pela verba oficial tendo recebido R$ 390,9 milhões entre 2009 e junho deste ano (clique aqui para ver o resumo das aplicações).

A evolução dos recursos federais para o esporte

Nos últimos nove anos, a partir da criação do Ministério do Esporte em 2003, os recursos federais para o desporto cresceram significativamente, ampliando sua participação no Orçamento Geral da União (OGU) e no Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, o total pago pelo Ministério do Esporte representou apenas 0,017% do OGU e 0,009% do PIB. Em 2011, os percentuais passaram a ser de 0,051% (OGU) e 0,020% (PIB). Ao longo do período considerado o maior valor anual despendido (R$ 1.238,1 milhões em valores correntes) ocorreu em 2007, ano da realização dos Jogos Pan-americanos na cidade do Rio de Janeiro. Em 2011, em valores correntes, foram efetivamente pagos R$ 832,6 milhões (clique aqui para ver gráfico com a série histórica das aplicações do Ministério em relação ao OGU e ao PIB). Em termos reais, de 2003 para 2011, o orçamento da Pasta cresceu 3,5 vezes. Em valores constantes, o total pago em 2003 foi de R$ 246,7 milhões, enquanto em 2011 atingiu a R$ 864,2 milhões.

Fonte: http://www.contasabertas.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=981

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Os exemplos que o Brasil pode mirar para se tornar uma potência olímpica


Por José Antônio Lima

Encerrados os Jogos Olímpicos de Londres, o quadro de medalhas de 2012 mostra uma vitória imponente dos Estados Unidos. São 104 pódios, com 46 ouros, superando com folga a China (88 pódios e 38 ouros), resultado que devolve aos EUA a supremacia olímpica que vinha sendo conquistada desde 1996, quando as ex-repúblicas soviéticas deixaram de competir em conjunto, e foi interrompida em Pequim-2008 – quando a China superou os americanos em ouros (51 a 36), mas não no total de medalhas. Não faltam analistas para dizer que os americanos são o exemplo a ser seguido para o esporte olímpico brasileiro, mas a realidade é um pouco mais complexa. Para isso, precisamos compreender como funciona o esporte de alto rendimento nos EUA e em outras potências.

Os defensores do Estado mínimo adorariam acreditar que a hegemonia norte-americana possa ser entendida como o triunfo de um sistema sem Ministério do Esporte e no qual há pouquíssimo dinheiro do governo federal envolvido, mas as coisas não são bem assim.

Em primeiro lugar, é preciso considerar que os bons resultados esportivos só surgem acompanhados de investimentos bem feitos. No caso do esporte olímpico, a eficiência não é exclusividade do dinheiro privado. Diversas potências olímpicas contam com grandes investimentos estatais. Os casos mais óbvios são os da China e da Rússia, mas não é preciso recorrer aos exemplos extremos do país comunista e da principal herdeira da União Soviética para ver dinheiro público aplicado no esporte. O governo da Coreia do Sul, quinta colocada em Londres (28 medalhas, 13 de ouro), investe pesado no setor. As grandes apostas são três imensos centros de treinamento no qual atletas com mais de 15 anos podem se dedicar em tempo integral ao esporte. Na Alemanha (44 medalhas, 11 de ouro), o esporte de alto nível recebe dinheiro do governo federal, de loterias federais e das Forças Armadas. Na Itália (28 medalhas, 8 de ouro), o Comitê Olímpico recebeu, apenas para o orçamento de 2012, mais de 400 milhões de euros. Na Austrália (35 medalhas, 7 de ouro), os três níveis de governo gastam cerca de 2 bilhões de dólares por ano com esporte, a maior parte construindo e mantendo instalações esportivas públicas, mas também financiando atletas de elite.

Em segundo lugar, cabe ponderar a pequena participação do governo federal dos Estados Unidos no esporte. Isso ocorre porque a Constituição norte-americana é muito clara ao deixar a educação sob a tutela dos governos estaduais. Assim, são os estados (e em menor medida os governos municipais) os responsáveis por construir e manter equipamentos esportivos e, principalmente, subsidiar escolas e universidades públicas. Boa parte desses subsídios é usada para pagar salários de treinadores de alto nível, reduzir as mensalidades e conceder bolsas de estudos para atletas, estratégias usadas para atrair jovens esportistas. Essas instituições públicas, em conjunto com algumas instituições independentes (geralmente ligadas a fundações religiosas) e privadas, são a principal fonte de talentos para o esporte profissional norte-americano. Dos sete campeões olímpicos dos EUA em provas individuais no atletismo em Londres, cinco estudaram em universidades públicas, um em universidade privada e outro em uma instituição independente.

A grande importância do dinheiro público no esporte norte-americano não significa que os investimentos privados são irrelevantes. Tanto pessoas físicas como empresas contribuem muito para o país ser a maior potência olímpica. O esporte e a competição esportiva são conceitos arraigados na sociedade americana. Doadores privados são os responsáveis por sustentar, por exemplo, o Centro Aquático do Norte de Baltimore, onde começou a nadar aos dez anos Michael Phelps, o maior medalhista olímpico de todos os tempos. Mais de 30 empresas são as responsáveis por patrocinar, e sustentar integralmente, o Comitê Olímpico dos EUA.

O que esses exemplos dizem ao Brasil? Como mostrou recente reportagem da revista CartaCapital, o foco do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) hoje em dia são os atletas de elite, aqueles com potencial para subir ao pódio nos Jogos. O COB, e os governos municipais, estaduais e federal, se preocupam muito pouco em estabelecer políticas públicas para popularizar e democratizar a prática esportiva, gerando benefícios para a sociedade e ampliando a base de futuros medalhistas. O  COB pensa a curto prazo. No domingo 12, o superintendente da entidade, Marcus Vinícius Freire, afirmou que um exemplo a ser seguido pelo Brasil é o do Cazaquistão. O governo cazaque investiu, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, 20 milhões de dólares no levantamento de peso, no ciclismo e no boxe para tornar o país referência nessas modalidades. Conseguiu 13 medalhas nos Jogos, nove nesses três esportes, sendo seis de ouro. Chegou ao 12º lugar no quadro de medalhas com um investimento rápido, porém sem reflexos positivos para a sociedade.

O Brasil, sede dos Jogos de 2016, tem uma série de bons exemplos para seguir. Pode copiar dos europeus e sul-coreanos a forma correta de tratar os atletas de elite; dos australianos, pode aprender como combinar o investimento no alto rendimento e no esporte como política pública; dos norte-americanos, como atrair a iniciativa privada para o negócio e como engajar a sociedade no incentivo aos jovens atletas. Enquanto o Estado brasileiro, em todos os níveis, continuar negligenciando a educação e, com ela, o esporte, e o COB mantiver seu foco apenas na conquista de medalhas, continuarão abastecendo as críticas daqueles que desejam afastar o Estado de tudo, incluindo do esporte, uma atividade capaz de reduzir a criminalidade, melhorar a saúde da população, unir a sociedade e formar pessoas.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/exemplos-brasil-morar-tornar-potencia-olimpica/

Os números que importam


por Marcelo Barreto

O quadro de medalhas é uma ficção. Não existe prêmio para quem fica em primeiro, nenhum país é apontado campeão das Olimpíadas. Até mesmo o critério de botar quem ganhou um ouro à frente de quem conquistou dez pratas é uma convenção, com seu grau acordado de arbitrariedade. O único objetivo dessa invenção é dar uma ideia geral do desempenho por países. Tomado ao pé da letra, o quadro só serve para alimentar as piadas fáceis em 140 caracteres e nas capas dos jornais populares ou para, distorcido, sustentar a demagogia oficial.

É tão limitado dizer solenemente que o Brasil teve seu maior desempenho em número de medalhas (e o segundo melhor em ouros) quanto o deboche de apontar os países supostamente exóticos, como o Irã ou a Jamaica, que ficaram à frente. O quadro de medalhas não tem relação direta com o papel de uma nação na geopolítica mundial – e se tivesse, seria mais justo usar para isso o ranking do IDH do que o do PIB, porque é mais fácil gastar com esporte quando se tem problemas básicos como saúde e educação bem encaminhados.

Mas não é assim que funciona. O resultado de um país no quadro de medalhas deriva de uma equação complexa, com itens que vão desde o mais básico, como o investimento em esportes de base, até o mais difícil de controlar, como o desempenho dos atletas nas finais olímpicas. Na Austrália, antes mesmo do fim dos Jogos, a diminuição no número de medalhas já tinha causado um debate sobre a crise no esporte escolar. No Cazaquistão, que tem entre suas estratégias para ganhar mais ouros aceitar a naturalização de atletas russos flagrados no antidoping, a imprensa estatal festejou o sucesso em Londres. Cabe a cada país decidir o que é mais importante, o esporte de base ou o quadro de medalhas.

Mesmo aceitando o quadro como medida de sucesso, a forma mais justa de avaliar o desempenho de um país é compará-lo com ele mesmo. E por esse critério, o Brasil está patinando. Desde Atlanta 1996, quando começou o último ciclo olímpico, o número de medalhas conquistadas mudou muito pouco: 15 em 96, 12 em 2000, 10 em 2004 (com cinco ouros, a melhor marca até hoje), 15 em 2008 e 17 em 2012. E elas vieram praticamente dos mesmos esportes: judô, vela, vôlei e vôlei de praia subiram ao pódio em todas essas edições; atletismo, natação e futebol, em todas menos uma. Mesmo o surgimento de novos medalhistas (taekwondo em Pequim, ginástica artística, boxe e pentatlo moderno em Londres) acaba compensado negativamente pela saída do quadro de modalidades antes vencedoras, como o basquete e o hipismo.

Esse cenário não combina com a evolução da arrecadação de recursos da lei Agnello-Piva. De R$ 17 milhões em 2000, as confederações passaram a ter R$ 150 milhões de recursos das loterias este ano. Seria errado, esportiva e matematicamente, esperar que o desempenho no quadro de medalhas crescesse na mesma proporção. Ainda é preciso compensar décadas de falta de investimento no esporte de base. Mas já são dois ciclos olímpicos completos. Tempo suficiente para fazer, por exemplo, o que a ginástica artística conseguiu: em 96, só uma atleta se classificou para os Jogos, e se machucou antes de competir; de lá para cá, o Brasil conseguiu levar uma equipe feminina duas vezes, botou atletas nas finais em três edições seguidas e agora chegou à medalha de ouro. Uma evolução que pode parecer lenta para quem só pensa no número de ouros, pratas e bronzes, mas que foi constante.

Para ganhar medalhas, primeiro é preciso ter candidatos a medalhas – e o Brasil ainda produz poucos deles. Hoje, apenas duas confederações conseguem fazer um trabalho completo nesse sentido. O judô trouxe a Londres 14 atletas para as 14 categorias em disputa (só Japão e França conseguiram o mesmo); sete deles chegaram às quartas de final; quatro ganharam medalhas. O vôlei classificou o máximo possível de equipes, duas na quadra e quatro na praia; três delas chegaram às quatro finais em disputa; quatro subiram ao pódio, em todas as modalidades. Juntas, essas confederações responderam por mais da metade das medalhas do Brasil em 2012.

Não por acaso, judô e vôlei estão entre os esportes mais praticados em clubes e escolinhas pelo país afora. Muito disso, é claro, aconteceu sem interferência direta das confederações. Mas elas souberam aproveitar essa base, e dela tirar o material humano necessário para o esporte de alto rendimento. Nenhum outro esporte olímpico tem essa relação tão bem resolvida no Brasil. A vela merece crédito pela constância no pódio, mas já começa a sofrer com problemas de renovação (judô e vôlei estão sempre disputando títulos nas categorias de base). A natação está no caminho, mas ainda precisa fazer mais finalistas para consolidar o trabalho.

Se mais confederações seguirem esses exemplos, a participação do Brasil no quadro de medalhas vai crescer. Mas nem por isso ele deixará de ser uma ficção, uma medida inexata. O Brasil só terá o que comemorar se o número de ouros, pratas e bronzes for o resultado de uma grande evolução na nossa cultura esportiva. Ficar à frente do Irã e da Jamaica é o de menos. O número que realmente importa é o de crianças e jovens que – talvez inspirados pelo sucesso de Sarah Menezes ou Fernanda Garay – tenham no esporte uma chance de se expressar como cidadãos.

Fonte: http://sportv.globo.com/platb/marcelobarreto/2012/08/13/os-numeros-que-importam/

‘Precisamos melhorar muito para 2016’, diz Aldo Rebelo


Ministro havia previsto que país ganharia 20 medalhas em Londres. Foram 17

LONDRES - Se a meta do Comitê Olímpico Brasileiro foi alcançada em Londres, a do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, não. O ministro, que tinha previsto que o Brasil alcançaria 20 medalhas na Olimpíada de 2012, cobrou um desempenho "muito melhor" dos atletas do país nos Jogos de 2016 que serão realizados no Rio de Janeiro.
O Brasil conquistou na capital britânica um recorde de 17 medalhas, duas a mais que Atlanta-1996 e Pequim-2008, mas não conseguiu repetir o que a Grã-Bretanha fez nos Jogos de Pequim-2008, quando saltou das 30 medalhas em Atenas-2004 para 47 pódios e abriu caminho para terminar em terceiro lugar em casa nos Jogos que terminaram no domingo, com 65 medalhas (29 de ouro). Apesar de ter feito a maior e mais cara preparação para uma Olimpíada --com mais de 1 bilhão de reais entre recursos do orçamento do Ministério do Esporte e da Lei Agnelo/Piva, além do patrocínio de empresas estatais diretamente às modalidades-- a delegação brasileira não conseguiu igualar na capital britânica o recorde de 5 medalhas de ouro, obtido em Atenas-2004, e ainda disputou menos finais do que na China, 35 contra 41.
- O governo fez um esforço, as empresas estatais que já vinham apoiando o esporte olímpico aumentaram o esforço nesses últimos 4 anos, e creio que haja uma recompensa daquilo que nós investimos, embora nós precisamos e podemos melhorar muito para 2016 - disse Aldo a jornalistas em Londres, ao fazer um balanço da participação do Brasil nos Jogos Olímpicos.
- A nossa análise decorria da ideia de que o nosso desempenho em Londres teria a interferência dos recursos que foram aplicados de Pequim para Londres e teriam resultado, mas a nossa tarefa é olhar para o futuro. Vamos analisar as nossas deficiências, não só as do governo, mas a dos demais agentes que participam do esforço, e olhar com uma perspectiva otimista para o futuro e olhar para o Rio de Janeiro como um desafio a ser abraçado", acrescentou.
Atletismo e natação, duas modalidades que contam com patrocínio de longo prazo de estatais --Caixa Econômica Federal e Correios, respectivamente-- ficaram entre as modalidades que tiveram resultado abaixo do esperado em Londres, com menos finais disputadas do que há quatro anos. O atletismo saiu de uma Olimpíada pela primeira vez sem subir ao pódio desde Barcelona-1992. O governo vai anunciar nas próximas semanas um plano de investimento no esporte olímpico, ampliando os recursos que já estiveram disponíveis na preparação para Londres-2012, com o objetivo de aumentar o número de medalhas e alcançar a meta do COB de colocar o Brasil entre os 10 primeiros colocados no quadro de medalhas em 2016.
- Teremos que fazer um esforço maior entre todos os agentes que trabalham no esporte de alto rendimento, promover uma assistência maior aos atletas... para que todos nós tenhamos uma expectativa melhor para 2016, já que em 2016 a nossa condição é inédita de participar das Olimpíadas como país sede - disse o ministro.
- Se tomamos como referência as duas últimas Olimpíadas, os anfitriões fizeram um esforço especial para tornar compatível o seu desempenho com o seu status de país sede - acrescentou.
Quando foi sede dos Jogos de 2008, a China liderou o quadro de medalhas. A meta do COB em Londres era de 15 medalhas, o mesmo número de Pequim-2008, enquanto o Ministério do Esporte tinha estipulado uma meta de subir 20 vezes ao pódio na capital britânica. De acordo com o secretário de Esportes de Alto Rendimento do ministério, Ricardo Leyser, as medalhas que faltaram para se chegar às 20 foram de favoritos brasileiros antes da Olimpíada que não conseguiram cumprir a expectativa.
- Essa é uma questão que precisa ser estudada, porque os favoritos brasileiros não conseguiram se impor aqui - disse o secretário.
Nenhum dos atletas brasileiros atuais campeões mundiais conseguiu repetir em Londres o desempenho que os colocou como aposta certa de medalha nos Jogos.


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Londres 2012 deixa região revitalizada, parque público e mudança cultural


Com direito ao maior shopping da Europa e Parque Olímpico, uma das áreas mais pobres e abandonadas da cidade ganha vida nova após as Olimpíadas

Por Lydia Gismondi

Legado, legado, legado. Seria quase impossível calcular quantas vezes os políticos e organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres pronunciaram esta palavra ao longo dos últimos nove anos, desde quando foi escolhida sede da competição. O item, que virou o destaque das campanhas das cidades ultimamente, foi muito bem explorado pela capital inglesa, que precisava provar o poder de transformação da competição, apesar de já receber sua terceira edição. Ressabiada, a própria população local viu todas as promessas com certa desconfiança. Passado o evento, a sensação que ficou é que uma grande região pobre foi recuperada e o envolvimento com o esporte deu passos firmes rumo a um futuro promissor.

Em uma cidade de primeiro mundo, com transporte público de qualidade, e experiente em receber os Jogos Olímpicos, a missão de deixar um legado também pode ser desafiadora. Londres foi atrás da parte mais pobre e abandonada da cidade, na zona leste, para usar como base de sua campanha de transformação. A ideia deu certo. Pelo menos em um primeiro momento. O abandonado bairro de Stratford, antes predominantemente formado por indústrias, foi ressuscitado após um investimento de 12,5 bilhões de libras (cerca de R$ 40 bilhões). Muitas obras de infraestrutura foram feitas, novos prédios foram erguidos, novas linhas de metrô e trem surgiram, o comércio se expandiu, e a região ainda ganhou o maior shopping da Europa.
Antes sombrio e poluído, o bairro ganhou vida, principalmente com a chegada do Parque Olímpico. Principal equipamento dos Jogos de Londres, o local será transformado e ficará como herança para a população. A prefeitura ainda não sabe detalhar exatamente como ele funcionará quando for reaberto, em 2013, mas garante que será um espaço para ser usufruído pelos moradores. É possível que se torne uma opção de lazer parecida com o Hyde Park. Em contrapartida, os pessimistas ainda acreditam que o lugar de cerca de 2,5 quilômetros quadrados se tornará um enorme elefante branco.
- Assim que o Parque Olímpico, que vai ganhar o nome de Rainha Elizabeth, for completamente reaberto, vai atrair cerca de 9 milhões de pessoas por ano. Vai ser um dos dez pontos turísticos imperdíveis de Londres, com as maiores facilidades de transporte do país. Vamos criar mais cinco bairros ao longo dos próximos 20 anos, com três escolas, nove creches, três centros de saúde e 29 parquinhos. Tudo isso e mais as 8 mil novas casas já existentes - ressaltou, orgulhoso, o prefeito Boris Johnson.

A utilização das instalações esportivas do parque estão sendo negociadas por clubes e associações. Já o Centro de Imprensa passará a abrigar um centro de inovação e tecnologia. A Vila Olímpica, outra grande preocupação na questão do legado, já foi vendida para um fundo de investimento do Catar e será transformada em condomínio residencial. Os quase 3 mil apartamentos serão adaptados. O legado, neste caso, é que a metade das unidades estará disponível a preços populares.
As heranças dos Jogos Olímpicos de Londres não devem se limitar apenas ao legado físico. Com a conquista do direito de receber a competição, o governo passou a investir mais no esporte e aumentou o número de programas relacionados a este setor, em especial nas escolas. O desempenho da Grã-Bretanha, terceira colocada na classificação geral com 29 ouros, dez a mais do que em Pequim, já parece ser uma resposta clara dos benefícios culturais que as Olimpíadas de 2012 proporcionou à sociedade.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/08/londres-2012-deixa-regiao-revitalizada-parque-publico-e-mudanca-cultural.html

Governo de SP amplia financiamento para Copa


O Governo do Estado de São Paulo ampliou o valor destinado à linha de financiamento de projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014, operada pela Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP). O limite, que antes era de R$ 150 milhões, agora pode chegar a R$ 300 milhões. Com a medida, o governo espera atender toda a demanda por crédito para as obras de infraestrutura hoteleira e esportiva nas cidades paulistas já qualificadas como Centros de Treinamentos de Seleções (CTS) e as que ainda são candidatas.

“A Desenvolve SP, vai financiar a construção de hotéis e centros esportivos das cidades paulistas já qualificadas e nas que ainda são candidatas a serem subsedes da Copa. Serão R$ 300 milhões com juros de 2% ao ano, mais IPC, que ajudarão os municípios a se preparem para receber as seleções”, disse o governador Geraldo Alckmin.

De acordo com o presidente da Desenvolve SP, Milton Luiz de Melo Santos, a instituição está preparada para receber todos os projetos que melhorem a infraestrutura das cidades para a Copa. “O Estado de São Paulo é o único da federação que possui uma linha de crédito com juros subsidiados para projetos de infraestrutura relacionados à Copa para cidades que querem ser subsedes. A agência já recebeu R$ 60 milhões em pedidos de financiamentos para a Linha Investimento Esportivo 2014 e esse número deve aumentar ainda mais”.

A Linha Investimento Esportivo 2014 foi lançada em fevereiro pelo Governo do Estado de São Paulo para apoiar empresas e municípios na realização de investimentos que melhorem a infraestrutura turística das cidades.

Para a iniciativa privada, a linha de crédito financia a construção, ampliação e modernização de hotéis e centros esportivos privados. Para o município, a prefeitura pode financiar a construção, ampliação e reforma de arenas esportivas. Ela atende todas as cidades paulistas já escolhidas e as ainda candidatas a CTS e tem juros subsidiado de 2% ao ano, mais atualização pelo IPC da FIPE. O prazo chega a 10 anos com carência de 24 meses.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/copadomundo/26/26343/Governo-de-SP-amplia-financiamento-para-Copa/index.php