Páginas

Mostrando postagens com marcador Quadro de Medalhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quadro de Medalhas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

COB reafirma o desejo de ver o Brasil no top 10 do quadro de medalhas


Pelo novo critério de contagem do órgão, país ficaria em 14º nos Jogos de Londres

Por Claudio Nogueira

RIO - Em sua palestra no seminário “Rio 2016 é Agora”, no Hotel Marriott, em Copacabana, nesta segunda-feira, o superintendente técnico do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire, divulgou a ideia de que famílias de atletas olímpicos brasileiros repitam daqui a quatro anos, nas Olimpíadas, o que foi feito por famílias inglesas que receberam em suas casas, como hóspedes, parentes de atletas olímpicos estrangeiros ou de outros pontos do país que foram aos Jogos de Londres.
O dirigente reafirmou que o COB vem adotando um critério diferente do utilizado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e a maioria dos países filiados à entidade. Para o órgão brasileiro, o que vale agora é o total de medalhas, e não mais o número de ouros. Por esse critério, o Brasil teria sido o 14º colocado no quadro de medalhas em Londres-2012, mas pelo número de ouros, ficou em 22º. De qualquer forma, para 2016, o objetivo é o de que o país seja top 10 no quadro de medalhas.
— O objetivo é o de tornar e manter o Brasil uma potência olímpica. Talvez para 2016 não seja tão difícil, mas o difícil será manter em 2020, 2024, 2028... Para isos, precisamos manter os esportes em que já ganhamos medalhas e ganhar medalhas onde não ganhamos. Em Londres-2012, quem estava no top 10 não ganhou menos de 13 medalhas - calculou ele, estimando a necessidade de 18 esportes medalhistas para chegar a tal objetivo.
Marcus Vinícius disse estar ciente de que das 40 modalidades do programa dos Jogos só 15 darão ao Brasil 25 a 30 medalhas. No caso do COB, as modalidades foram classificadas em diferentes tipos.
— Algumas são vitais, como judô e vôlei (que não podem deixar de ganhar medalhas). Outras são potenciais, como boxe e ginástica (em crescimento). Algumas são contribuintes, como por exemplo, o pentatlo moderno. Não tínhamos vários atletas que pudessem nos dar medalhas, mas tínhmoas uma (Yane Marques), e investimos tudo nela (acabou ganhando o bronze). As outras são legado, para dar resultado no futuro, em 2020, 2024, 2028.
Para cada uma das 18 modalidades com maiores chances, foi criado um livro-guia. Além disso, também servirá de incentivo o Plano Brasil Medalha, divulgado recentemente pela presidência da República. De acordo com o dirigente, como parte do projeto, as confederações, o próprio COB e o Ministério trabalharão em conjunto.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/cob-reafirma-desejo-de-ver-brasil-no-top-10-do-quadro-de-medalhas-6574479#ixzz2AixpwcaU 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Atletas elogiam Plano Medalhas e aumentam otimismo para Rio 2016


DIOGO ALCÂNTARA

Prestes a ouvir da presidente Dilma Rousseff o anúncio de investimentos para melhorar o desempenho do Brasil nos Jogos Olímpicos, visando Rio 2016, atletas brasileiros medalhistas estão otimistas com o chamado Plano Brasil Medalhas, que deve injetar cerca de R$ 1 bilhão na formação e aprimoramento de esportistas e comissão técnica. Em Londres, o Brasil ficou em 22º lugar no quadro de medalhas da Olimpíada e em sétimo na Paralimpíada.
"É ótimo, dá uma tranquilidade enorme para o atleta", avaliou a judoca Mayra Aguiar, medalhista de bronze na última Olimpíada. Ela diz que é importante bolsas para manutenção dos esportistas. Segundo a judoca, um quimono profissional não sai por menos de R$ 600, por exemplo. Mayra acredita no potencial dos atletas brasileiros que disputarão em casa os próximos Jogos. "O brasileiro é muito torcedor. Eu adoro lutar em casa. Isso me anima bastante", disse.
Técnico da Seleção medalha de ouro no vôlei feminino, José Roberto Guimarães acredita que novos investimentos não terão impactos apenas no quadro de medalhas do Rio 2016, mas devem formar um legado. "É muito mais importante o que vai ser deixado de incentivo", afirmou.
Zé Roberto revelou que recebeu telefonema da presidente Dilma Rousseff pouco depois da conquista do bicampeonato olímpico. Dilma em mais de uma oportunidade usou o exemplo das jogadoras de vôlei para falar sobre persistência. Em uma partida dramática, as brasileiras bateram as russas nas quartas de final por 3 sets a 2. "Foi um exemplo importante para as mulheres do Brasil de superação e de garra", disse, em tom orgulhoso.
Recordista do Brasil em medalhas paralímpicas, o nadador Daniel Dias elogia incentivos financeiros. Ele acredita que os investimentos melhorarão a performance da delegação brasileira no quadro de medalhas daqui a quatro anos. "Conseguimos ficar em sétimo e acho que conseguiremos chegar em quinto, sim", disse, sobre o que projeta o Brasil para 2016. Dias já subiu 15 vezes ao pódio em Paralimpíadas e conseguiu dez ouros, sendo seis em Londres.

Fonte: http://esportes.terra.com.br/noticias/0,,OI6152709-EI14532,00-Atletas+elogiam+Plano+Medalhas+e+aumentam+otimismo+para+Rio.html

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Presidenta Dilma Rousseff e ministro Aldo Rebelo lançam plano Brasil Medalhas 2016


O esporte olímpico e paraolímpico brasileiro ganha uma série de medidas para o desenvolvimento de modalidades visando aos Jogos Rio 2016. O plano Brasil Medalhas 2016, lançado nesta quinta-feira (13.09) pela presidenta Dilma Rousseff e pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, tem como objetivo colocar o Brasil entre os 10 primeiros países nos Jogos Olímpicos e entre os cinco primeiros nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

“Esse plano vai aprimorar o que consideramos essencial – o apoio diretamente ao atleta – por meio do Bolsa-Pódio e do Bolsa-Técnico, entre outras coisas. Também, dando suporte de infraestrutura, tecnologia, através de centros de treinamento”, disse a presidenta Dilma Rousseff. “É fundamental que nosso País tenha centros de treinamento de alta qualidade. Vamos ofertar 22 centros de treinamento para que os atletas tenham suporte para treinar e levar à frente essa ambição que cada atleta tem dentro de si. É também a ambição de 194 milhões de brasileiros, expressas em vocês [atletas]”, acrescentou a presidenta, dirigindo-se aos atletas presentes na cerimônia de anúncio, no Palácio do Planalto.

Será aportado R$ 1 bilhão a mais de investimentos públicos federais no próximo ciclo olímpico, entre 2013 e 2016. Desse R$ 1 bilhão, dois terços virão do Orçamento Geral da União (OGU) e um terço de investimentos de empresas estatais. Esses recursos são novos, ou seja, adicionais em relação ao orçamento usual do Ministério do Esporte para o alto rendimento e a fontes de financiamento como a Lei Agnelo/Piva e a Lei de Incentivo ao Esporte.

“As Olimpíadas de 2016 abrem os horizontes e nos desafiam a valorizar e procurar fazer um esforço para que possamos alcançar mais medalhas. O Plano Brasil Medalhas representa um recurso extraordinário de R$ 1 bilhão para os próximos 4 anos, já presentes e figurados no orçamento de 2013 até 2016, além de R$ 1,5 bilhão que já estavam regularmente destinados ao esporte de alto rendimento. “, afirmou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

O Ministério do Esporte priorizará os investimentos nas modalidades com mais chances de obter medalhas. Foram escolhidas 21 olímpicas e 15 paraolímpicas. A estratégia é obter, paralelamente, crescimento intensivo e extensivo no desempenho esportivo. Isso significa conquistar mais medalhas nas modalidades que já as obtiveram e chegar ao pódio nas que ainda não conseguiram.

As modalidades olímpicas selecionadas são: águas abertas (novo nome para maratona aquática), atletismo, basquetebol, boxe, canoagem, ciclismo BMX, futebol feminino, ginástica artística, handebol, hipismo (saltos), judô, lutas, natação, pentatlo moderno, taekwondo, tênis, tiro esportivo, triatlo, vela, vôlei e vôlei de praia. As paraolímpicas são: atletismo, bocha, canoagem, ciclismo, esgrima em cadeiras de rodas, futebol de 5, futebol de 7, goalball, halterofilismo, hipismo, judô, natação, remo, tênis de mesa e voleibol sentado.

As demais modalidades continuarão sendo apoiadas pelo Ministério do Esporte e seguirão recebendo recursos pelas fontes tradicionais de financiamento federal.

Apoio ao atleta
O Brasil Medalhas 2016 regulamenta instrumentos previstos na Lei 12.395, sancionada em março de 2011, que lançou as bases para elevar o nível do esporte de alto rendimento. A vertente “apoio ao atleta” institui o Programa Pódio, que inclui nova categoria no Bolsa-Atleta – a Bolsa-Pódio – e cria a Bolsa-Técnico, que pagarão, respectivamente, até R$ 15 mil e até R$ 10 mil mensais. Os beneficiados do Pódio serão atletas de modalidades individuais que, entre outros critérios, estejam situados entre os 20 melhores do ranking mundial e com reais chances de medalhas, além de seus treinadores e equipe multidisciplinar (preparador físico, nutricionista, atleta-guia etc.).

O Brasil Medalhas também contempla recursos para aquisição de equipamento esportivo (até R$ 20 mil por atleta) e apoio a treinamento e competições de atletas no Brasil e no exterior, por meio do pagamento de custos com diárias e passagens.

As demais categorias do Bolsa-Atleta (Estudantil, de Base, Nacional, Internacional e Olímpica/Paraolímpica) serão mantidas com os critérios atuais e dentro do orçamento regular do Ministério do Esporte.

Centros de treinamento
Outra vertente do plano Brasil Medalhas 2016 é a destinação de recursos para construção, reforma e operação de 22 centros de treinamento, selecionados em conjunto com os comitês Olímpico e Paralímpico, as confederações nacionais, clubes, estados e municípios. Desses, 21 são centros de modalidades olímpicas e um paraolímpico, seguindo a recomendação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que vai unificar todas as modalidades em um só local de treinamento. O apoio também prevê a aquisição de equipamentos esportivos.

Apoio de estatais
Ao todo, oito empresas estatais apoiarão modalidades esportivas em formato diferente do patrocínio que a maioria delas já dá a vários esportes. O novo apoio será focado na preparação de atletas e seleções para os Jogos Rio 2016. São elas:

Banco do Brasil: vela, vôlei de praia, vôlei e pentatlo moderno
Banco do Brasil e Correios: handebol
Banco do Nordeste (BNB): triatlo
BNDES: canoagem e hipismo
Caixa: atletismo, ciclismo BMX, futebol feminino, ginástica, lutas, modalidades paraolímpicas e tiro esportivo
Correios: natação, águas abertas (maratona aquática) e tênis
Eletrobras: basquetebol
Infraero e Petrobras: judô
Petrobras: boxe e taekwondo

Gestão integrada
A gestão dos recursos será realizada de forma integrada por Ministério do Esporte, comitês Olímpico e Paralímpico, confederações e estatais. Faz parte dos objetivos dessa integração o apoio ao aprimoramento da gestão das confederações esportivas.

Ministério do Esporte, comitês, confederações e entes públicos elaborarão, em conjunto, um Plano Esportivo e de Investimento, que deverá ser aprovado até dezembro de 2012. A formalização dos convênios com confederações e entes públicos, além da lista de atletas inscritos no Programa Pódio, deverá ser finalizada em janeiro de 2013.

Comitê gestor
Além do lançamento do plano Brasil Medalhas 2016, a solenidade no Palácio do Planalto teve a assinatura, pela presidenta Dilma Rousseff, de decreto criando o Comitê Gestor dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro.

A estrutura, que funcionará de forma semelhante ao Comitê Gestor da Copa (CGCOPA), reunirá os ministérios envolvidos na organização dos Jogos, sob coordenação do Ministério do Esporte.

Fonte: http://www.esporte.gov.br/ascom/noticiaDetalhe.jsp?idnoticia=9370

Governo abre o cofre para buscar liderança no quadro de medalhas em 2016


Dilma Rousseff lança Plano Brasil Medalhas e destaca que é necessário fazer investimento maciço no esporte individual

A injeção de R$ 1 bilhão a mais na preparação dos atletas olímpicos e paralímpicos por parte do Governo Federal, de acordo com projeto lançado nesta quinta-feira em Brasília, tem como maior objetivo fazer o Brasil saltar no quadro de medalhas dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Em cerimônia que contou com a participação de atletas brasileiros que estiveram nos Jogos de Londres 2012 , a presidenta Dilma Rousseff anunciou que um total de R$ 2,5 bilhões serão investidos no próximo ciclo olímpico, destacando e entrada de uma nova verba de R$ 1 bilhão, voltada em sua maior parte diretamente aos atletas.

“Como seremos sede dos próximos Jogos, é justo que nossas ambições sejam maiores em relação ao número de medalhas conquistadas. Mas querer e ambicionar, embora sejam essenciais, não garante as conquistas. E para isso, é óbvio que este esforço individual de todos vocês tenham um suporte do governo”, disse Dilma, durante seu discurso.

O Governo aproveitou a cerimônia de homanegem aos atletas medalhistas em Londres 2012 para divulgar seu plano de metas para as Olimpíadas e Paralimpíadas do Rio, daqui a quatro anos. E os objetivos são ambiciosos: ficar entre os dez primeiros nos Jogos Olímpicos e entre os cinco primeiros nos Paralímpicos.

"O plano irá aprimorar o que consideramos ideal, que é o apoio ao atleta, e isso ocorrerá através do Bolsa Pódio e do Bolsa Treinador, entre outras coisas. Mas também daremos suporte de infraestrutura de treinamento. Queremos obter vitórias, queremos o maior número de medalhas possível", afirmou a presidenta Dilma.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, detalhou o Plano Brasil Medalha 2016, que injetará mais R$ 1 bilhão no próximo ciclo olímpico brasileiro, que será somado aos recursos já existentes (R$ 1,5 bilhão), totalizarão R$ 2,5 bilhões. "Destes valores, R$ 690 milhões serão distinados diretamente aos atletas, enquanto R$ 310 milhões estarão destinados a construção, reforma e aparelhamento de Centros de Treinamento espalhados por todo o Brasil", explicou.

Bolsa Pódio e Bolsa Técnico

Uma das principais novidades no plano apresentado pelo Governo Federal foi a criação do Bolsa Pódio, que irá pagar até 15 mil reais mensais a atletas individuais ou de equipes que estão entre os 20 melhores do mundo em suas modalidades e com chances reais de medalhas, além do salário já pago atualmente por meio do Bolsa Atleta. "Temos atletas que não figuram no ranking internacional porque muitas vezes não tem dinheiro para competir", comentou Rebelo.

Haverá ainda dois outros tipos de incentivo para ajudar na preparação dos atletas: o Bolsa Técnico, que dará até 10 mil reais mensais para os treinadores de atletas e equipe que estão entre as melhores do mundo, e o Bolsa Equipe Multidisciplinar, com até 5 mil reais para profissionais de apoio aos atletas e equipes, como fisioterapeuta, nutricionista e psicólogos.

Fonte: http://esporte.ig.com.br/maisesportes/2012-09-13/governo-abre-o-cofre-para-buscar-lideranca-no-quadro-de-medalhas-em-2016.html

sábado, 25 de agosto de 2012

Os números que importam 1 – quadro de medalhas


Por MarceloBarreto

O quadro de medalhas é uma ficção. Não existe prêmio para quem fica em primeiro, nenhum país é apontado campeão das Olimpíadas. Até mesmo o critério de botar quem ganhou um ouro à frente de quem conquistou dez pratas é uma convenção, com seu grau acordado de arbitrariedade. O único objetivo dessa invenção é dar uma ideia geral do desempenho por países. Tomado ao pé da letra, o quadro só serve para alimentar as piadas fáceis em 140 caracteres e nas capas dos jornais populares ou para, distorcido, sustentar a demagogia oficial.

É tão limitado dizer solenemente que o Brasil teve seu maior desempenho em número de medalhas (e o segundo melhor em ouros) quanto o deboche de apontar os países supostamente exóticos, como o Irã ou a Jamaica, que ficaram à frente. O quadro de medalhas não tem relação direta com o papel de uma nação na geopolítica mundial – e se tivesse, seria mais justo usar para isso o ranking do IDH do que o do PIB, porque é mais fácil gastar com esporte quando se tem problemas básicos como saúde e educação bem encaminhados.

Mas não é assim que funciona. O resultado de um país no quadro de medalhas deriva de uma equação complexa, com itens que vão desde o mais básico, como o investimento em esportes de base, até o mais difícil de controlar, como o desempenho dos atletas nas finais olímpicas. Na Austrália, antes mesmo do fim dos Jogos, a diminuição no número de medalhas já tinha causado um debate sobre a crise no esporte escolar. No Cazaquistão, que tem entre suas estratégias para ganhar mais ouros aceitar a naturalização de atletas russos flagrados no antidoping, a imprensa estatal festejou o sucesso em Londres. Cabe a cada país decidir o que é mais importante, o esporte de base ou o quadro de medalhas.

Mesmo aceitando o quadro como medida de sucesso, a forma mais justa de avaliar o desempenho de um país é compará-lo com ele mesmo. E por esse critério, o Brasil está patinando. Desde Atlanta 1996, quando começou o último ciclo olímpico antes da lei Agnello-Piva, o número de medalhas conquistadas mudou muito pouco: 15 em 96, 12 em 2000, 10 em 2004 (com cinco ouros, a melhor marca até hoje), 15 em 2008 e 17 em 2012. E elas vieram praticamente dos mesmos esportes: judô, vela, vôlei e vôlei de praia subiram ao pódio em todas essas edições; atletismo, natação e futebol, em todas menos uma. Mesmo o surgimento de novos medalhistas (taekwondo em Pequim, ginástica artística, boxe e pentatlo moderno em Londres) acaba compensado negativamente pela saída do quadro de modalidades antes vencedoras, como o basquete e o hipismo.

Esse cenário não combina com a evolução da arrecadação de recursos da lei Agnello-Piva. De R$ 17 milhões em 2000, as confederações passaram a ter R$ 150 milhões de recursos das loterias este ano. Seria errado, esportiva e matematicamente, esperar que o desempenho no quadro de medalhas crescesse na mesma proporção. Ainda é preciso compensar décadas de falta de investimento no esporte de base. Mas já são dois ciclos olímpicos completos. Tempo suficiente para fazer, por exemplo, o que a ginástica artística conseguiu: em 96, só uma atleta se classificou para os Jogos, e se machucou antes de competir; de lá para cá, o Brasil conseguiu levar uma equipe feminina duas vezes, botou atletas nas finais em três edições seguidas e agora chegou à medalha de ouro. Uma evolução que pode parecer lenta para quem só pensa no número de ouros, pratas e bronzes, mas que foi constante.

Para ganhar medalhas, primeiro é preciso ter candidatos a medalhas – e o Brasil ainda produz poucos deles. Hoje, apenas duas confederações conseguem fazer um trabalho completo nesse sentido. O judô trouxe a Londres 14 atletas para as 14 categorias em disputa (só Japão e França conseguiram o mesmo); sete deles chegaram às quartas de final; quatro ganharam medalhas. O vôlei classificou o máximo possível de equipes, duas na quadra e quatro na praia; três delas chegaram às quatro finais em disputa; quatro subiram ao pódio, em todas as modalidades. Juntas, essas confederações responderam por mais da metade das medalhas do Brasil em 2012.

Não por acaso, judô e vôlei estão entre os esportes mais praticados em clubes e escolinhas pelo país afora. Muito disso, é claro, aconteceu sem interferência direta das confederações. Mas elas souberam aproveitar essa base, e dela tirar o material humano necessário para o esporte de alto rendimento. Nenhum outro esporte olímpico tem essa relação tão bem resolvida no Brasil. A vela merece crédito pela constância no pódio, mas já começa a sofrer com problemas de renovação (judô e vôlei estão sempre disputando títulos nas categorias de base). A natação está no caminho, mas ainda precisa fazer mais finalistas para consolidar o trabalho.

Se mais confederações seguirem esses exemplos, a participação do Brasil no quadro de medalhas vai crescer. Mas nem por isso ele deixará de ser uma ficção, uma medida inexata. O Brasil só terá o que comemorar se o número de ouros, pratas e bronzes for o resultado de uma grande evolução na nossa cultura esportiva. Ficar à frente do Irã e da Jamaica é o de menos. O número que realmente importa é o de crianças e jovens que – talvez inspirados pelo sucesso de Sarah Menezes ou Fernanda Garay – tenham no esporte uma chance de se expressar como cidadãos.

Fonte: http://sportv.globo.com/platb/marcelobarreto/2012/08/13/os-numeros-que-importam/

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Com 15% a mais da Lei Piva, Brasil avança uma posição em Londres


Brasil teve aporte de R$ 331 mi e ficou em 22º, mas disputou menos finais do que em Pequim. Veja o investimento e o desempenho de cada esporte

Por Vicente Seda

O último ciclo olímpico para o esporte brasileiro foi o mais bem sucedido em termos de arrecadação financeira. No período de quatro anos entre os Jogos de Pequim, em 2008, e os de Londres, recém-encerrados, a Lei Piva resultou em um montante de R$ 558 milhões. A cifra, recorde desde que a lei entrou em vigor, em 2001, supera em 43,5% o arrecadado no ciclo anterior - R$ 314,7 milhões, mas, com a correção da inflação, R$ 388,7 milhões (a inflação oficial acumulada de 2009 a 2012 foi de 23,53%, considerando a estimativa oficial de 5% para a inflação neste ano).

Em valores líquidos, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que recebe e administra os recursos da Lei Piva, investiu R$ 331,1 milhões no ciclo pré-Londres, e o restante foi usado para pagamento de impostos e percentagens destinadas ao esporte escolar e universitário. No quadriênio antes de Pequim, o investimento foi de R$ 286,5 milhões, valor já corrigido pela inflação. Em resumo, foram R$ 44 milhões a mais, um aporte 15,5% maior ao esporte olímpico brasileiro, se considerada apenas a verba recebida pela Lei Piva entre os ciclos de Pequim e Londres.

O Brasil obteve duas medalhas a mais do que na disputa na China, ocupando a 22ª posição no quadro geral. Marcus Vinícius Freire, superintendente executivo do COB, ressaltou que o desempenho ficou dentro da meta estipulada pela entidade. Mas externou a preocupação com alguns resultados em Londres. Embora medalhas douradas inéditas tenham surgido - a de Arthur Zanetti nas argolas e a de Sarah Menezes no judô feminino - medalhões perderam o brilho. Casos da natação e do atletismo. Outra preocupação é a redução da participação em finais, que caiu de 41 na China para 36 este ano.

Confira a evolução desde a criação da Lei Agnelo/Piva em números oficiais:

• Número de medalhas conquistadas sem a Lei Agnelo/Piva: 1920 a 2000 (17 participações) – 66 medalhas.

• Número de medalhas conquistadas com a Lei Agnelo/Piva: 2004 a 2012 (3 edições) – 42 medalhas

• Arrecadação total bruta entre 2001 e 2011: R$ 921,6 milhões.

• Arrecadação total bruta a cada ano:
2001 – R$17,4 milhões
2002 – R$ 50,7 milhões
2003 – R$ 55,8 milhões
2004 – R$ 70,0 milhões
2005 – R$ 70,5 milhões
2006 – R$ 67,4 milhões
2007 – R$ 84,9 milhões
2008 – R$ 91.9 milhões
2009 – R$ 113,4 milhões
2010 – R$ 142,7 milhões
2011 – R$ 156,9 milhões
2012 –R$ 145 milhões (estimativa)

Um ponto que chama atenção nos demonstrativos do comitê é a clara meta de investir em atletas já formados, nem tanto na formação - parte que, contudo, também se beneficia de outras leis e não tem suas verbas limitadas a esse aporte. Em 2011, por exemplo, o COB aplicou R$ 29.114.39,64 para sua manutenção. A verba destinada ao esporte escolar foi de R$ 12.482.513,73 e, ao esporte universitário, R$ 4.472.656,37. A receita bruta proveniente da Lei Piva no ano passado foi de R$ 156.948.436,17 e, pela lei, o COB é obrigado a destinar 15% do valor para o esporte escolar e universitário.

Eliminado precocemente no feminino e medalha de prata no masculino, ao perder para o México na final, o futebol não recebe incentivo da Lei Piva. É o único dos esportes olímpicos que não ganha o benefício, custeado exclusivamente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Há, entre as demais, casos de disparidades entre os investimentos. O taekwondo, que rendeu o bronze de Natália Falavigna em Pequim, passou em branco na terra da rainha. Mas recebeu pouco mais que a metade das verbas de esportes como ciclismo e canoagem, nos quais o Brasil nunca esteve representado em alto nível olímpico.

Fato que deixou o COB em alerta foi o baixo desempenho da ginástica feminina brasileira. Um racha interno já atrapalhara o desempenho no Pan de Guadalajara. O próprio COB indicou um problema político na organização do esporte. O ouro inédito da ginástica masculina veio através de um atleta que só recebeu apoio meses antes dos Jogos.

Confira abaixo o investimento e os resultados de cada esporte. Os números foram obtidos nos demonstrativos oficiais do COB, disponíveis no site da entidade. Os valores de 2012, exercício em aberto, são estimativas divulgadas em janeiro pelo comitê (*). Para 2016, a meta anunciada é a entrada na lista dos dez melhores do quadro de medalhas no Rio de Janeiro. A diferença entre o Brasil e a 10ª colocada em Londres, a Austrália, é de 18 medalhas. Contudo, não é prudente analisar apenas o quantitativo geral. A distância para a nona colocada, neste quesito, é nula, já que a Hungria também somou 17 medalhas. A posição privilegiada no quadro se deu pelos oito ouros conquistados, contra apenas três do Brasil.

ATLETISMO
A pior participação em 20 anos, visto que o Brasil não ficava sem medalha no esporte desde Barcelona, em 1992. As disputas de finais caíram pela metade: 16 em Pequim, oito em Londres. Queda na classificação geral de 16º para 43º colocado. Motivos de sobra para o COB redobrar a atenção com o esporte. As melhores chances brasileiras no atletismo se concentravam em dois nomes: Maurren Higa Magi e Fabiana Murer. Ambas fracassaram. A segunda, alegando receio de se machucar em função do vento, sequer tentou o último salto. Marílson dos Santos, da maratona, chegou em quinto. O COB anunciou, até o fim do ano, uma troca de gestão no comando da confederação, com a saída de Roberto Gesta de Mello e a entrada de José Antônio Fernandes, presidente da Federação Paulista de Atletismo.

Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 2.524.596,79
2010 - R$ 3.373.422,71
2011 - R$ 4.066.994,19
2012* - R$ 3.200.000,00
Total - R$ 13.165.013,19
Medalhas:
Pequim 2008 - 1 ouro
Londres 2012 - 0

BADMINTON
Apesar de nenhum atleta brasileiro ter disputado as competições desse esporte em Londres, o investimento no badminton foi semelhante ao do taekwondo, que, em Pequim, rendera um bronze, e do pentatlo moderno, que em 2012 deu o bronze inédito a Yane Marques.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 779.134,00
2010 - R$ 998.451,77
2011 - R$ 1.164.465,74
2012* - R$ 1.500.000,00
Total - R$ 4.442.051,51
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

BASQUETE
Há 16 anos sem se classificar para os Jogos Olímpicos, a seleção masculina de basquete demonstrou evolução e foi derrotada por uma das favoritas do torneio, a Argentina de Scola e Ginobilli, nas quartas de final. A preocupação externada pelo COB foi dirigida à equipe feminina, que não teve uma boa participação em Londres.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.880.648,68
2010 - R$ 1.739.801,20
2011 - R$ 2.342.412,44
2012* - R$ 2.800.000,00
Total - R$ 8.762.862,32

Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

BOXE
Em um esporte na qual o país não conquistava medalhas há 44 anos, desde que Servílio de Oliveira ficou com o bronze na Cidade do México 1968, os irmãos Yamaguchi e Esquiva Falcão ganharam, respectivamente, bronze e prata. Não menos importante foi o bronze de Adriana Araújo, na categoria feminina, disputada pela primeira vez na história olímpica.

Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.401.164,48
2010 - R$ 1.641.823,29
2011 - R$ 1.898.203,22
2012* - R$ 2.000.000,00
Total - R$ 6.941.190,99
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 1 prata, 2 bronzes

CANOAGEM
Somente três atletas brasileiros disputaram as provas de canoagem em Londres. Nenhum deles chegou a resultados expressivos, ficando fora das finais, e o 20º lugar na classificação geral de Pequim foi repetido.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.555.116,54
2010 - R$ 2.186.468,60
2011 - R$ 2.254.952,54
2012* - R$ 2.500.000,00
Total - R$ 8.496.537,68
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

CICLISMO
O aporte de verbas públicas para o ciclismo não se traduziu, pelo menos até 2012, em medalhas. Na classificação geral, o Brasil ganhou apenas uma posição em relação às últimas Olimpíadas, passando de 21º para 20º. O número de atletas classificados, contudo, dobrou, de cinco para dez, e o número de finais, quase isso: foram cinco em Pequim e nove em Londres.

Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.925.671,83
2010 - R$ 1.801.242,52
2011 - R$ 2.422.779,90
2012* - R$ 2.500.000,00
Total - R$ 8.649.694,25
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

DESPORTOS AQUÁTICOS
Sinal amarelo no Comitê Olímpico Brasileiro. Apesar da primeira medalha olímpica de Thiago Pereira, a prata nos 400m medley, o ouro em Pequim de César Cielo nos 50m não se repetiu na piscina olímpica de Londres. De primeiro, e recordista, caiu para terceiro. Nos 100m livre, prova que lhe rendeu o bronze na China, Cielo terminou em sexto. Foram esses os resultados mais expressivos dos desportos aquáticos, categoria que engloba, além da natação, maratona aquática, saltos ornamentais, polo aquático e nado sincronizado. Uma das favoritas da maratona, Poliana Okimoto, que vinha se mantendo no pelotão de elite da modalidade desde 2006, também sucumbiu, desistindo em função de hipotermia nas águas inglesas. Nos saltos, César Castro ficou em 17º, Hugo Parisi em 30º e Juliana Veloso na 28ª colocação. Já o dueto do nado sincronizado, composto por Lara Teixeira e Nayara Figueira, bronze no Pan de Guadalajara, repetiu Pequim com a 13ª colocação, fora das finais. O Brasil não se classificou para o torneio olímpico de pólo aquático masculino e feminino. A meta, segundo o COB, será "mais ousada" para 2016.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 2.389.315,73
2010 - R$ 2.873.091,18
2011 - R$ 3.544.691,83
2012* - R$ 3.200.000,00
Total - R$ 12.007.098,74
Medalhas:
Pequim 2008 - 1 ouro, 1 bronze
Londres 2012 - 1 prata, 1 bronze

ESGRIMA
O Brasil teve três representantes em Londres, mas não obteve resultados expressivos. Guilherme Toldo perdeu a segunda luta. Athos Schwantes não deu sorte, pegou o vice-campeão mundial, e foi derrotado logo na estreia, bem como Renzo Agresta.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.033.788,58
2010 - R$ 1.118.223,17
2011 - R$ 1.125.917,47
2012* - R$ 1.300.000,00
Total - R$ 4.577.929,22
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

GINÁSTICA
A ginástica brasileira conquistou um ouro inédito e inesperado com Arthur Zanetti nas argolas, mas, de forma geral,  o desempenho ficou abaixo do esperado. A principal esperança no masculino, Diego Hypolito, caiu no solo e ficou fora da final. A equipe feminina, que já iniciou a trajetória de forma turbulenta com o corte de Jade Barbosa e, no Pan de Guadalajara, não chegou às finais. Ainda assim, como o Brasil ficou sem medalhas em Pequim, o ouro de Zanetti representou uma evolução para a modalidade no país. O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, foi duro ao analisar a situação da ginástica e afirmou que "este desempenho tem muito a ver com uma briga política dentro da entidade (a confederação), que acabou prejudicando os próprios atletas".
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 2.325.919,61
2010 - R$ 2.956.619,30
2011 - R$ 3.324.030,14
2012* - R$ 3.100.000,00
Total - R$ 11.706.569,05
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 1 ouro

GOLFE
O esporte já começou a receber investimentos da Lei Piva desde o ano passado, mas só estará no programa olímpico em 2016.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ -
2010 - R$ -
2011 - R$ 493.495,67
2012* - R$ 900.000,00
Total - R$ 1.393.495,67

HANDEBOL
Outro esporte com o qual o COB demonstrou preocupação, no masculino, que ficou fora das Olimpíadas de Londres e perdeu o ouro no Pan de Guadalajara para a Argentina - quando poderia ter garantido a vaga em Londres caso vencesse. No feminino, a evolução é cristalina. Depois do ouro no México, em 2011, também em final contra a Argentina, terminou em uma inédita sexta posição na disputa olímpica com vitória nos seus três primeiros jogos, um deles contra Montenegro, equipe medalha de prata. A derrota veio nas quartas de final, para a Noruega, campeã olímpica e mundial. A modalidade tem alto investimento, figurando entre as que recebem maiores aportes da Lei Piva.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 2.235.486,34
2010 - R$ 2.684.578,60
2011 - R$ 3.210.773,37
2012* - R$ 3.200.000,00
Total - R$ 11.330.838,31
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

HIPISMO
O Brasil passou em branco em Londres. Rodrigo Pessoa e Álvaro Affonso de Miranda, o Doda, chegaram à final dos saltos, mas ficaram fora do pódio. Ambos foram bronze por equipe em Atlanta 1996 e Sidney 2000. Pessoa foi campeão olímpico individual em Atenas 2004.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.862.325,86
2010 - 2.108.989,90
2011 - R$ 2.760.211,00
2012* - R$ 3.200.000,00
Total - R$ 9.931.526,76
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

HÓQUEI SOBRE GRAMA
Brasil não disputou a modalidade em Londres. Está na categoria mais baixa de investimento.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 802.448,63
2010 - R$ 946.639,04
2011 - R$ 1.394.920,65
2012* - R$ 1.300.000,00
Total - R$ 4.444.008,32
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

JUDÔ
O esporte tem tradição de conquistas entre os brasileiros. E, em Londres, teve ouro inédito. Sarah Menezes conquistou a primeira medalha brasileira, logo no topo do pódio, nesta edição das Olimpíadas e a primeira da história do judô feminino do Brasil. Porém, Leandro Guilheiro, favorito de sua categoria, acabou sem medalha. Mayra Aguiar também tinha boas chances de sair com o ouro em função dos resultados recentes, mas ficou com o bronze, bem como Rafael Silva, pioneiro em medalhas nos pesos-pesados, e Felipe Kitadai. Rafaela Lopes Silva, outra que tinha condições de brigar por medalha na equipe brasileira, acabou desclassificada. A delegação de judô, a princípio, ainda terá fôlego para os Jogos do Rio em 2016. Rafael tem 25 anos, Kitadai, 23, Sarah tem 22, Mayra, 21 e Rafaela está com apenas 20 anos. A modalidade está entre as que mais recebem recursos da Lei Piva.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 2.623.939,70
2010 - R$ 3.232.124,92
2011 - R$ 3.136.964,87
2012* - R$ 3.200.000,00
Total - R$ 12.193.029,49
Medalhas:
Pequim 2008 - 3 bronzes
Londres 2012 - 1 ouro, 3 bronzes

LEVANTAMENTO DE PESO
Outro esporte na categoria mais baixa de investimentos através da Lei Piva, o levantamento de peso brasileiro foi representado por Fernando Saraiva Reis, ouro no Pan de Guadalajara, em 2011. Ele, contudo, acabou na 12ª colocação. No feminino, superação. Jaqueline Ferreira quebrou o recorde brasileiro na categoria até 75kg e entrou para a história com o oitavo lugar, o melhor resultado do país na modalidade, superando o nono de Maria Elizabete Jorge, na categoria até 48kg em Sidney 2000.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.009.664,51
2010 - R$ 1.121.154,35
2011 - R$ 1.202.163,10
2012* - R$ 1.300.000,00
Total - R$ 4.632.981,96
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

LUTAS ASSOCIADAS
A única representante brasileira nas lutas olímpicas em Londres foi Joice Silva, que participou do torneio de luta-livre na categoria até 55kg. Ela foi derrotada logo na estreia, nas oitavas de final. A modalidade também não trouxe medalhas da China. Antes de Joice, apenas quatro brasileiros (três homens e uma mulher) participaram das lutas nas Olimpíadas em Seul 1988, Atenas 2004 e Pequim 2008.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 842.492,23
2010 - R$ 1.006.199,54
2011 - R$ 1.500.507,57
2012* - R$ 1.700.000,00
Total - R$ 5.049.199,34
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

PENTATLO MODERNO
A pernambucana Yane Marques superou as expectativas e conseguiu o primeiro pódio olímpico do país na história do esporte, ficando com o bronze. A modalidade também está na categoria mais baixa de investimento da Lei Piva.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 871.307,34
2010 - R$ 1.066.852,19
2011 - R$ 1.370.696,11
2012* - R$ 1.500.000,00
Total - R$ 4.808.855,64
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 1 bronze

REMO
O Brasil foi representado por quatro remadores em Londres, sendo a estrela da companhia a atleta do Flamengo, Fabiana Beltrame, campeã mundial em 2011 e medalha de prata no Pan de Guadalajara. Remando em dupla com Luana Bartholo, ela obteve o 13º lugar no double skiff peso leve. No single skiff, Beltrame já havia ficado em 14º lugar em Atenas 2004 e 19º em Pequim 2008. A notícia ruim ficou por conta do primeiro caso de doping envolvendo uma brasileira na competição. Kyssia Cataldo, também do Flamengo, foi flagrada em exame realizado antes dos Jogos por uso de eritropoetina (EPO), hormônio usado por atletas para melhorar a resistência, pois provoca aumento de glóbulos vermelhos no sangue e, portanto, a oxigenação.

Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.791.143,49
2010 - R$ 2.017.285,74
2011 - R$ 1.984.675,72
2012* - R$ 2.100.000,00
Total - R$ 7.893.104,95
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

RUGBY
O esporte não foi disputado em Londres, mas está no programa olímpico de 2016 e, por isso, já vem recebendo recursos da Lei Piva desde 2011. O rugby já esteve em outras quatro edições dos Jogos: Paris 1900, Londres 1908, Antuérpia 1920 e Paris 1924. Em todas essas oportunidades, o esporte foi disputado na versão com 15 atletas em cada equipe. A variação que entrará no programa das Olimpíadas do Rio terá sete jogadores por time.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ -
2010 - R$ -
2011 - R$ 495.815,18
2012* - R$ 900.000,00
Total - R$ 1.395.815,18

TAEKWONDO
Incluído na categoria mais baixa de investimento da Lei Piva, o taekwondo não repetiu o bronze em Pequim, obtido por Natália Falavigna. Diogo Silva, que perdeu a chance de disputar o ouro e a medalha de bronze em decisões polêmicas da arbitragem, deixou os Jogos reclamando da falta de apoio. Falavigna, por sua vez, perdeu na primeira rodada e, como sua algoz não foi à final, ficou fora da repescagem e da disputa por um lugar no pódio.

Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.012.697,28
2010 - R$ 1.090.540,15
2011 - R$ 1.260.542,06
2012* - R$ 1.300.000,00
Total - R$ 4.663.779,49
Medalhas:
Pequim 2008 - 1 bronze
Londres 2012 - 0

TÊNIS
O Brasil foi representado no torneio de tênis em Londres por quatro atletas: Thomaz Bellucci, André Sá, Marcelo Melo e Bruno Soares. Como em Pequim, o país ficou sem medalhas na modalidade.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.171.398,96
2010 - R$ 1.484.002,88
2011 - R$ 1.809.112,34
2012* - R$ 2.100.000,00
Total - R$ 6.564.514,18
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

TÊNIS DE MESA
Se a modalidade produziu um dos maiores medalhistas brasileiros da história do Pan, Hugo Hoyama, nas Olimpíadas a história não se repete. Com seis Olimpíadas no currículo, ele perdeu na primeira partida. O restante da equipe também não foi muito longe. Em Londres, como já acontecera em Pequim, o Brasil não conseguiu medalhas neste esporte que está em categoria intermediária de investimento da Lei Piva.

Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.492.577,50
2010 - R$ 1.927.235,19
2011 - R$ 2.670.519,76
2012* - R$ 2.500.000,00
Total - R$ 8.590.332,45
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

TIRO COM ARCO
O único representante do Brasil em Londres nesta modalidade foi Daniel Xavier, e ele acabou deixando a competição logo na primeira rodada da eliminatória no Lord's Cricket Ground. A vaga nas oitavas de final teria sido um resultado inédito para o país neste esporte, que está na categoria mais baixa de investimentos da Lei Piva. Em Pequim, o Brasil também teve apenas um atleta classificado, Luiz Gustavo Trainini da Silva.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 642.750,17
2010 - R$ 1.133.233,99
2011 - R$ 1.399.044,14
2012* - R$ 1.300.000,00
Total - R$ 4.475.028,30
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

TIRO ESPORTIVO
Felipe Fuzaro e Ana Luiza Ferrão não conseguiram chegar às finais do tiro esportivo em Londres. O desempenho da equipe brasileira no Pan de Guadalajara deu esperança de melhores resultados nas Olimpíadas, mas eles não se realizaram. Ferrão foi ouro no México na pistola de 25m no ano passado, mas ficou fora das finais olímpicas no Royal Artillery Barracks. No somatório geral após a disputa das duas séries (precisão e rapidez), Ana Luiza acabou em 39º e último lugar, com 560 pontos. A primeira colocada foi a coreana Jangmi Kim, com 591 pontos (novo recorde olímpico da prova).
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.323.496,55
2010 - R$ 1.475.140,69
2011 - R$ 1.881.579,93
2012* - R$ 2.200.000,00
Total - R$ 6.880.217,17
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

TRIATLO
O Brasil não foi bem no triatlo olímpico no Hyde Park. Reinaldo Colucci, principal representante do país, saiu da prova reclamando de ter levado uma "surra" na natação. No feminino, após uma queda no ciclismo, Pâmella Oliveira ficou com a 30ª colocação. Em Pequim, o país também ficou longe das medalhas. O veterano Juraci Pereira melhorou 15 posições em relação a sua participação em Atenas 2004, mas isso significou somente a 26ª colocação. Colucci foi o 36º. Diogo Sclebin, por sua vez, fechou a participação no 44º lugar.  No feminino, Mariana Ohata foi a 39ª colocada na China.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 1.164.667,99
2010 - R$ 1.481.241,70
2011 - R$ 2.138.332,62
2012* - R$ 2.300.000,00
Total - R$ 7.084.242,31
Medalhas:
Pequim 2008 - 0
Londres 2012 - 0

VELA
O esporte traz medalhas em sequência para o Brasil desde os tempos de Torben Grael, em Atlanta 1996. Está, portanto, na categoria mais elevada no repasse de verbas da Lei Piva. Depois de dois ouros em Atenas 2004, o país não repetiu o desempenho em Pequim. Robert Scheidt e Bruno Prada ficaram com a prata na classe Star.
Em Londres, os resultados puseram o COB, que tinha a expectativa de mais medalhas, em alerta. Disputando nove classes, o Brasil conseguiu apenas o bronze com Scheidt e Prada na Star. Mas o que realmente preocupou o COB foi a participação em "medal races", as regatas finais valendo medalha: foram somente três.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 2.532.452,10
2010 - R$ 2.830.091,60
2011 - R$ 3.121.424,88
2012* - R$ 3.200.000,00
Total - R$ 11.683.968,58
Medalhas:
Pequim 2008 - 1 prata, 1 bronze
Londres 2012 - 1 bronze

VÔLEI (QUADRA E PRAIA)
Uma das principais potências do mundo, o Brasil mais uma vez alcançou resultados expressivos. Conquistou o bicampeonato olímpico no feminino, após uma recuperação do time dirigido por Zé Roberto Guimarães. No masculino, ficou com a prata. No vôlei de praia, o Brasil trouxe a prata com Emanuel e Alison. enquanto Juliana e Larissa conseguiram o bronze.
Verbas da Lei Piva:
2009 - R$ 2.630.736,25
2010 - R$ 2.750.380,70
2011 - R$ 3.049.140,40
2012* - R$ 3.200.000,00
Total - R$ 11.630.257,35
Medalhas:
Pequim 2008 - 1 ouro, 2 pratas, 1 bronze
Londres 2012 - 1 ouro, 2 pratas, 1 bronze
* Os valores de 2012 são uma estimativa divulgada pelo COB em janeiro.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/08/com-15-mais-da-lei-piva-brasil-avanca-uma-posicao-em-londres.html

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Os exemplos que o Brasil pode mirar para se tornar uma potência olímpica


Por José Antônio Lima

Encerrados os Jogos Olímpicos de Londres, o quadro de medalhas de 2012 mostra uma vitória imponente dos Estados Unidos. São 104 pódios, com 46 ouros, superando com folga a China (88 pódios e 38 ouros), resultado que devolve aos EUA a supremacia olímpica que vinha sendo conquistada desde 1996, quando as ex-repúblicas soviéticas deixaram de competir em conjunto, e foi interrompida em Pequim-2008 – quando a China superou os americanos em ouros (51 a 36), mas não no total de medalhas. Não faltam analistas para dizer que os americanos são o exemplo a ser seguido para o esporte olímpico brasileiro, mas a realidade é um pouco mais complexa. Para isso, precisamos compreender como funciona o esporte de alto rendimento nos EUA e em outras potências.

Os defensores do Estado mínimo adorariam acreditar que a hegemonia norte-americana possa ser entendida como o triunfo de um sistema sem Ministério do Esporte e no qual há pouquíssimo dinheiro do governo federal envolvido, mas as coisas não são bem assim.

Em primeiro lugar, é preciso considerar que os bons resultados esportivos só surgem acompanhados de investimentos bem feitos. No caso do esporte olímpico, a eficiência não é exclusividade do dinheiro privado. Diversas potências olímpicas contam com grandes investimentos estatais. Os casos mais óbvios são os da China e da Rússia, mas não é preciso recorrer aos exemplos extremos do país comunista e da principal herdeira da União Soviética para ver dinheiro público aplicado no esporte. O governo da Coreia do Sul, quinta colocada em Londres (28 medalhas, 13 de ouro), investe pesado no setor. As grandes apostas são três imensos centros de treinamento no qual atletas com mais de 15 anos podem se dedicar em tempo integral ao esporte. Na Alemanha (44 medalhas, 11 de ouro), o esporte de alto nível recebe dinheiro do governo federal, de loterias federais e das Forças Armadas. Na Itália (28 medalhas, 8 de ouro), o Comitê Olímpico recebeu, apenas para o orçamento de 2012, mais de 400 milhões de euros. Na Austrália (35 medalhas, 7 de ouro), os três níveis de governo gastam cerca de 2 bilhões de dólares por ano com esporte, a maior parte construindo e mantendo instalações esportivas públicas, mas também financiando atletas de elite.

Em segundo lugar, cabe ponderar a pequena participação do governo federal dos Estados Unidos no esporte. Isso ocorre porque a Constituição norte-americana é muito clara ao deixar a educação sob a tutela dos governos estaduais. Assim, são os estados (e em menor medida os governos municipais) os responsáveis por construir e manter equipamentos esportivos e, principalmente, subsidiar escolas e universidades públicas. Boa parte desses subsídios é usada para pagar salários de treinadores de alto nível, reduzir as mensalidades e conceder bolsas de estudos para atletas, estratégias usadas para atrair jovens esportistas. Essas instituições públicas, em conjunto com algumas instituições independentes (geralmente ligadas a fundações religiosas) e privadas, são a principal fonte de talentos para o esporte profissional norte-americano. Dos sete campeões olímpicos dos EUA em provas individuais no atletismo em Londres, cinco estudaram em universidades públicas, um em universidade privada e outro em uma instituição independente.

A grande importância do dinheiro público no esporte norte-americano não significa que os investimentos privados são irrelevantes. Tanto pessoas físicas como empresas contribuem muito para o país ser a maior potência olímpica. O esporte e a competição esportiva são conceitos arraigados na sociedade americana. Doadores privados são os responsáveis por sustentar, por exemplo, o Centro Aquático do Norte de Baltimore, onde começou a nadar aos dez anos Michael Phelps, o maior medalhista olímpico de todos os tempos. Mais de 30 empresas são as responsáveis por patrocinar, e sustentar integralmente, o Comitê Olímpico dos EUA.

O que esses exemplos dizem ao Brasil? Como mostrou recente reportagem da revista CartaCapital, o foco do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) hoje em dia são os atletas de elite, aqueles com potencial para subir ao pódio nos Jogos. O COB, e os governos municipais, estaduais e federal, se preocupam muito pouco em estabelecer políticas públicas para popularizar e democratizar a prática esportiva, gerando benefícios para a sociedade e ampliando a base de futuros medalhistas. O  COB pensa a curto prazo. No domingo 12, o superintendente da entidade, Marcus Vinícius Freire, afirmou que um exemplo a ser seguido pelo Brasil é o do Cazaquistão. O governo cazaque investiu, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, 20 milhões de dólares no levantamento de peso, no ciclismo e no boxe para tornar o país referência nessas modalidades. Conseguiu 13 medalhas nos Jogos, nove nesses três esportes, sendo seis de ouro. Chegou ao 12º lugar no quadro de medalhas com um investimento rápido, porém sem reflexos positivos para a sociedade.

O Brasil, sede dos Jogos de 2016, tem uma série de bons exemplos para seguir. Pode copiar dos europeus e sul-coreanos a forma correta de tratar os atletas de elite; dos australianos, pode aprender como combinar o investimento no alto rendimento e no esporte como política pública; dos norte-americanos, como atrair a iniciativa privada para o negócio e como engajar a sociedade no incentivo aos jovens atletas. Enquanto o Estado brasileiro, em todos os níveis, continuar negligenciando a educação e, com ela, o esporte, e o COB mantiver seu foco apenas na conquista de medalhas, continuarão abastecendo as críticas daqueles que desejam afastar o Estado de tudo, incluindo do esporte, uma atividade capaz de reduzir a criminalidade, melhorar a saúde da população, unir a sociedade e formar pessoas.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/exemplos-brasil-morar-tornar-potencia-olimpica/

Os números que importam


por Marcelo Barreto

O quadro de medalhas é uma ficção. Não existe prêmio para quem fica em primeiro, nenhum país é apontado campeão das Olimpíadas. Até mesmo o critério de botar quem ganhou um ouro à frente de quem conquistou dez pratas é uma convenção, com seu grau acordado de arbitrariedade. O único objetivo dessa invenção é dar uma ideia geral do desempenho por países. Tomado ao pé da letra, o quadro só serve para alimentar as piadas fáceis em 140 caracteres e nas capas dos jornais populares ou para, distorcido, sustentar a demagogia oficial.

É tão limitado dizer solenemente que o Brasil teve seu maior desempenho em número de medalhas (e o segundo melhor em ouros) quanto o deboche de apontar os países supostamente exóticos, como o Irã ou a Jamaica, que ficaram à frente. O quadro de medalhas não tem relação direta com o papel de uma nação na geopolítica mundial – e se tivesse, seria mais justo usar para isso o ranking do IDH do que o do PIB, porque é mais fácil gastar com esporte quando se tem problemas básicos como saúde e educação bem encaminhados.

Mas não é assim que funciona. O resultado de um país no quadro de medalhas deriva de uma equação complexa, com itens que vão desde o mais básico, como o investimento em esportes de base, até o mais difícil de controlar, como o desempenho dos atletas nas finais olímpicas. Na Austrália, antes mesmo do fim dos Jogos, a diminuição no número de medalhas já tinha causado um debate sobre a crise no esporte escolar. No Cazaquistão, que tem entre suas estratégias para ganhar mais ouros aceitar a naturalização de atletas russos flagrados no antidoping, a imprensa estatal festejou o sucesso em Londres. Cabe a cada país decidir o que é mais importante, o esporte de base ou o quadro de medalhas.

Mesmo aceitando o quadro como medida de sucesso, a forma mais justa de avaliar o desempenho de um país é compará-lo com ele mesmo. E por esse critério, o Brasil está patinando. Desde Atlanta 1996, quando começou o último ciclo olímpico, o número de medalhas conquistadas mudou muito pouco: 15 em 96, 12 em 2000, 10 em 2004 (com cinco ouros, a melhor marca até hoje), 15 em 2008 e 17 em 2012. E elas vieram praticamente dos mesmos esportes: judô, vela, vôlei e vôlei de praia subiram ao pódio em todas essas edições; atletismo, natação e futebol, em todas menos uma. Mesmo o surgimento de novos medalhistas (taekwondo em Pequim, ginástica artística, boxe e pentatlo moderno em Londres) acaba compensado negativamente pela saída do quadro de modalidades antes vencedoras, como o basquete e o hipismo.

Esse cenário não combina com a evolução da arrecadação de recursos da lei Agnello-Piva. De R$ 17 milhões em 2000, as confederações passaram a ter R$ 150 milhões de recursos das loterias este ano. Seria errado, esportiva e matematicamente, esperar que o desempenho no quadro de medalhas crescesse na mesma proporção. Ainda é preciso compensar décadas de falta de investimento no esporte de base. Mas já são dois ciclos olímpicos completos. Tempo suficiente para fazer, por exemplo, o que a ginástica artística conseguiu: em 96, só uma atleta se classificou para os Jogos, e se machucou antes de competir; de lá para cá, o Brasil conseguiu levar uma equipe feminina duas vezes, botou atletas nas finais em três edições seguidas e agora chegou à medalha de ouro. Uma evolução que pode parecer lenta para quem só pensa no número de ouros, pratas e bronzes, mas que foi constante.

Para ganhar medalhas, primeiro é preciso ter candidatos a medalhas – e o Brasil ainda produz poucos deles. Hoje, apenas duas confederações conseguem fazer um trabalho completo nesse sentido. O judô trouxe a Londres 14 atletas para as 14 categorias em disputa (só Japão e França conseguiram o mesmo); sete deles chegaram às quartas de final; quatro ganharam medalhas. O vôlei classificou o máximo possível de equipes, duas na quadra e quatro na praia; três delas chegaram às quatro finais em disputa; quatro subiram ao pódio, em todas as modalidades. Juntas, essas confederações responderam por mais da metade das medalhas do Brasil em 2012.

Não por acaso, judô e vôlei estão entre os esportes mais praticados em clubes e escolinhas pelo país afora. Muito disso, é claro, aconteceu sem interferência direta das confederações. Mas elas souberam aproveitar essa base, e dela tirar o material humano necessário para o esporte de alto rendimento. Nenhum outro esporte olímpico tem essa relação tão bem resolvida no Brasil. A vela merece crédito pela constância no pódio, mas já começa a sofrer com problemas de renovação (judô e vôlei estão sempre disputando títulos nas categorias de base). A natação está no caminho, mas ainda precisa fazer mais finalistas para consolidar o trabalho.

Se mais confederações seguirem esses exemplos, a participação do Brasil no quadro de medalhas vai crescer. Mas nem por isso ele deixará de ser uma ficção, uma medida inexata. O Brasil só terá o que comemorar se o número de ouros, pratas e bronzes for o resultado de uma grande evolução na nossa cultura esportiva. Ficar à frente do Irã e da Jamaica é o de menos. O número que realmente importa é o de crianças e jovens que – talvez inspirados pelo sucesso de Sarah Menezes ou Fernanda Garay – tenham no esporte uma chance de se expressar como cidadãos.

Fonte: http://sportv.globo.com/platb/marcelobarreto/2012/08/13/os-numeros-que-importam/