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quarta-feira, 27 de março de 2013

Liderados por Murilo e Gustavo, 280 jogadores se unem para levar proposta de 'Superliga ideal' à CBV


Por Renata Mendonça

Uma indignação coletiva e a vontade de mudar: esses são os sentimentos que moveram quase 300 jogadores de vôlei a se unirem na tentativa de melhorar o esporte nacional. O que eles querem? O fim da ‘instabilidade’ dos clubes, a realização do Jogo das Estrelas, uma Copa do Brasil e a proposta de um torneio mais longo e atrativo para os patrocinadores... essas são as reivindicações ‘básicas’ desses atletas, que estão mobilizando as redes sociais e os próprios clubes por “uma Superliga melhor” e já fizeram até mesmo o mundo ‘ouvir’ suas causas.

Foi por volta das 21h da última terça-feira que a hashtag #UnidosPorUmaSuperligaMelhor chegou aos trending topics mundiais do Twitter, mostrando a força de uma campanha que começou na segunda-feira e se espalhou de forma muito rápida entre atletas, técnicos, clubes e amantes do vôlei. Uma tarja preta com os dizeres “Unidos pelo Voleibol. Por uma Superliga melhor” foi compartilhada por centenas e até milhares de pessoas, provando que o sentimento que os atletas têm ao verem times acabando por causa da falta de patrocínio é compartilhado por muitos. 

Mas a campanha iniciada nas redes sociais é apenas um detalhe perto da mobilização dos atletas que estão dispostos a mudar de vez o cenário instável do vôlei brasileiro. E muito se engana quem pensa que ela foi algo que surgiu momentaneamente por causa de mais um clube ameaçado de fechar as portas após perder seu principal patrocinador – a Medley anunciou na última segunda-feira que estava deixando o Campinas e não continuaria na próxima temporada. Ela começou há cerca de oito meses, ainda antes do início desta Superliga pela iniciativa de dois irmãos líderes do vôlei nacional que estavam dispostos a ver as coisas mudarem no futuro.

Gustavo e Murilo compartilhavam um sentimento de indignação quando viram o calendário tão curto da Superliga 2012/2013 – que duraria apenas quatro meses – e decidiram conversar com outros atletas para tentar levar algumas reivindicações sobre o principal torneio do vôlei no Brasil à CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). Assim, os dois começaram a coletar os e-mails dos capitães de todos os times que participavam da competição nacional e criaram um grupo para discutir as questões que incomodavam os jogadores na Superliga.

Dos capitães, o grupo se estendeu também para todos os atletas dos 12 clubes que fazem parte da Superliga masculina e chegou até a jogadores que, no momento, atuam fora do Brasil, mas também têm interesse em opinar sobre a situação da modalidade no país. E foi através de discussões por e-mail, que hoje, 280 atletas conseguiram chegar quase que a um modelo de ‘Superliga ideal’ para apresentar à Confederação. Mais do que isso, os jogadores sugerem outras competições para preencher o calendário e mais alternativas para atrair patrocinadores – tudo inspirado em experiências que alguns deles já tiveram em campeonatos estrangeiros.

“Isso começou há uns oito meses. Resolvemos fazer esse grupo pegando e-mail de cada um porque aí ficava todo mundo sabendo do que estava acontecendo e poderia opinar o que seria bom”, explicou o central do Canoas, Gustavo, em entrevista ao ESPN.com.br. 

Campeão olímpico com a seleção brasileira em 2004, Gustavo é um dos grandes incentivadores do grupo, mas garante que a intenção dos jogadores não é ir contra a Confederação, e sim apresentar uma nova proposta de campeonato que seja mais interessante para todas as partes envolvidas: clubes, atletas e CBV.

“É consenso entre nós que a gente não quer bater de frente, criticar a CBV. A ideia é ter uma união cada vez maior de atletas junto com clubes e CBV para fazer um campeonato cada vez melhor. Senão, desse jeito, com mais patrocinadores saindo a cada ano, a Superliga pode ficar muito ruim”, prosseguiu.

E a iniciativa dos atletas, inclusive, já chegou à Confederação. Ao tomar conhecimento sobre o grupo, o presidente da entidade, Ary Graça, aceitou marcar uma reunião com os líderes dele para ouvir o que os jogadores tinham para propor e acabou fazendo o mesmo também com representantes do feminino e do vôlei de praia.

“O lançamento da Superliga – evento que aconteceu em São Paulo em novembro passado – foi o primeiro contato. Falamos com o Ary [Graça] dessa possibilidade de poder discutir com ele alguns assuntos, passar a visão de nós atletas, que estamos ali dentro de quadra, jogamos duas vezes por semana, viajamos, etc”, contou Murilo, também em contato por telefone com o ESPN.com.br.

E a conversa com o presidente da CBV, que aconteceu em fevereiro deste ano, até animou os jogadores. Nela, estiveram Gustavo (Canoas), Murilo e Serginho (Sesi), Bruninho (RJX) e William (Sada Cruzeiro) como representantes de todo o grupo de atletas da Superliga masculina, além do próprio Ary Graça e de Fábio Azevedo, superintendente da confederação.

“Lógico que a decisão é sempre deles, mas conseguimos expor nosso ponto de vista, a preocupação com a saída de patrocinadores, porque assim a gente não tem garantia de trabalho. Falamos sobre uma solução para essa insegurança, fidelizando o patrocinador, tentando ter uma garantida dele por 2 ou 3 anos no clube...”, relatou o ponteiro do Sesi.

Entre as propostas discutidas pelos 280 jogadores que estão no grupo de e-mails e repassadas na reunião com Ary Graça estão uma Superliga com duração de pelo menos seis meses, a criação de uma Copa do Brasil entre 1º e 2º turnos da competição e a realização de um final de semana com o “Jogo das Estrelas”, nos moldes do que faz a NBB ou a própria NBA.

“Sete meses seria o ideal [para a Superliga] com 12 ou 14 equipes e as quartas sendo disputadas em séries de cinco jogos, com semifinais e finais melhor de três. Além disso, no meio da temporada, entre dezembro e janeiro, podia fazer uma Copa do Brasil, com os oito primeiros do 1º turno da Superliga fazendo um playoff em jogo único, depois semifinal e a final sendo realizada fora do eixo sul-sudeste, para divulgar o vôlei lá também”, sugeriu Gustavo. 

“O jogo das estrelas também é muito atrativo. Fazer uma brincadeira no dia antes, competição de quem ataca a bola que sobe mais alto, um jogo de manchetão. Isso é uma maneira forte de divulgar”, completou.

Tudo para atrair os patrocinadores a investirem no vôlei. Na opinião dos atletas, é difícil uma competição que dura apenas quatro meses ser interessante para os investidores, que precisam bancar um time profissional inteiro por 12 meses, sendo que os jogadores só estão em competição em um terço desse período.

E a situação para a Superliga 2013/2014 nesse quesito realmente não é muito animadora. Além do Campinas, o São Bernardo também perdeu o patrocinador, assim como o Vôlei Futuro e o Florianópolis, e todos eles correm riscos de fecharem as portas antes da próxima temporada. Foi por isso que os 280 jogadores unidos resolveram agir, lançando a campanha “Unidos pelo Voleibol” para chamar a atenção dos clubes, da CBV e da mídia para a questão. E esse, de acordo com o Murilo, foi apenas o primeiro passo.

“Agora estamos vendo qual vai ser o próximo passo. O primeiro foi esse, de criar uma revolta, chamar a atenção para que saibam que a gente está preocupado. Ainda não recebemos nenhum contato da CBV pra marcar uma próxima reunião, espero que aconteça antes ou depois da final da Superliga que a gente possa dar prosseguimento a isso”, encerrou o ponteiro.

Fonte: http://espn.estadao.com.br/noticia/319169_liderados-por-murilo-e-gustavo-280-jogadores-se-unem-para-levar-proposta-de-superliga-ideal-a-cbv?timestamp=1364413111412

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Por modelo, Unilever ratifica foco em Bernardinho


Por Guilherme Costa

A lista de contratações do Unilever para a temporada 2012∕2013 do vôlei feminino no Brasil inclui nomes como a levantadora Fofão, a ponteira norte-americana Logan Tom e a oposta canadense Sarah Pavan. Entretanto, o assédio no dia da apresentação do elenco não deixa dúvidas: a grande estrela da equipe ainda é o técnico Bernardo Rezende, conhecido como Bernardinho, que também comanda a seleção brasileira masculina.

Bernardinho, aliás, é um dos grandes motivos de a Unilever patrocinar o time. O técnico é tratado como imprescindível pela empresa, que vê nele um personagem para ações com diferentes focos.

“O Bernardo é um exemplo de liderança, e isso serve para os nossos gerentes e funcionários. Ele personifica muitas das coisas que nós queremos que a nossa gente seja. É um líder com caráter, com determinação, que desenvolve pessoas. A relação que temos com ele é longa e vai seguir por muito tempo, seguramente”, disse Fernando Fernandez, presidente da Unilever no Brasil.

Em temporadas anteriores, Bernardinho já foi protagonista de campanhas publicitárias institucionais da Unilever. A companhia deu destaque para a relação do treinador com a família.

“Quando você pega os valores que ele tem como pessoa e como líder, os atributos conversam muito com valores da Unilever. Por isso que esse projeto deu tão certo. Esse projeto tem 15 anos e fala sobre valores. As preocupações que a gente tem em formação e desenvolvimento do ser humano são as mesmas do Bernardo”, comentou Julio Campos, vice-presidente de vendas da companhia.

A campanha “Se você tem orgulho do Rio, vai sentir o mesmo desse time”, primeiro projeto de comunicação especificamente focado no time de vôlei, terá participação incisiva de Bernardinho. Contudo, a Unilever ainda não tem outros planos concretos para o técnico. Uma das ideias é usá-lo para motivar equipes, conversar com funcionários e conhecer o cotidiano da empresa.

“Talvez o público só veja o Bernardo na quadra, mas 90% é o fora da quadra. Ele é um cara que holisticamente é completo, principalmente no desenvolvimento humano. Isso é algo que a gente põe muito na estratégia”, completou Campos.

* O repórter viajou para o Rio de Janeiro a convite da Unilever.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/marketing/27/27024/Por-modelo-Unilever-ratifica-foco-em-Bernardinho/index.php

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Gestão brasileira competente gera bons resultados nas Paraolimpíadas


Por Fabiana Coletta 

Durante os dez dias de competições nos Jogos Paraolímpicos de Londres, os atletas brasileiros brilharam a frente de nações fortes, como a Alemanha, Itália e França. Ocupando o sétimo lugar no quadro geral de medalhas, o Brasil trouxe da terra da rainha 43 medalhas, sendo 21 de ouro, 14 de prata e oito de bronze. 

Excelência na gestão - O desempenho notável dos atletas, que superou os resultados dos competidores nas Olimpíadas, deve-se à gestão competente do Comitê Paralímpico Brasileiro, segundo Lauter Nogueira, técnico e comentarista esportivo da TV Globo.

“O Comitê Paralímpico fez um belíssimo trabalho, com metodologia. Eles transformaram parcos recursos em uma ajuda de ouro”, comenta. Daniel Biscola, técnico de esporte de rendimento do SESI-SP, acrescenta: “Hoje o Comitê Paralímpico Brasileiro é referência para diversos outros comitês do mundo inteiro”.

Para Nogueira, existem dois horizontes diferentes e bem definidos: o Brasil como potência paraolímpica e o País “infinitamente distante do tão sonhado título de potência olímpica”. Isso se deve ao fato de que, além da administração da verba do comitê, “feita de forma próxima ao excelente”, o preparo de atletas paralímpicos costuma ser mais rápido do que o de atletas olímpicos.

“Em quatro anos você consegue detectar um talento paraolímpico e torná-lo um medalhista. Já no caso Olímpico, é preciso de no mínimo dois ciclos olímpicos, coisa de dez anos para transformar um atleta em um medalhista”, avalia Lauter.

E o fato de a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), por exemplo, focar o seu trabalho em grupos pequenos de atletas agrava ainda mais a situação do esporte olímpico no Brasil. É o que acredita Biscola.

“Hoje temos uma grande equipe de atletismo que monopoliza quase todos os atletas. A Confederação trabalha um grupo pequeno de atletas, sempre os mesmos”, considera o treinador.

Em contrapartida, o que o Comitê Paralímpico tem feito com excelência, segundo Lauter, é a detecção de novos talentos nos esportes e o desenvolvimento desses atletas. Mesmo o brasileiro gostando de esporte, o País sofre com o “mal da monocultura esportiva”. E também existe uma demanda reprimida de locais para a prática.

Dessa forma, o incentivo aos atletas deficientes é maior, pois eles conseguem encontrar, com mais facilidade, locais para treinar, seja de ONGs, clubes ou instituições beneficentes que desenvolvam o treinamento do esporte paralímpico.

“Existe um grande universo de entidades que tem um trabalho bom na formação esportiva. Primeiro na reabilitação do atleta, que é parte importantíssima no processo de desenvolvimento do talento paralímpico”, explica Biscola, citando entidades como a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) e APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

Mais atletas, mais esportes, mais medalhas - Esta edição dos Jogos Paraolímpicos apontou um desenvolvimento inédito do esporte adaptado no Brasil. Enquanto nos outros anos um ou dois atletas eram responsáveis pela maioria das vitórias, em 2012 as medalhas foram “pulverizadas em um número maior de atletas”.

E não só mais esportitas que conseguiram destaque, mas também mais esportes. A bocha, modalidade que nunca havia proporcionado pódio ao País, voltou este ano com três medalhas de ouro e uma de bronze.

“O Brasil precisa manter os atletas que se destacaram e ampliar ainda mais o leque de participantes”, sugere Biscola.

Expectativas - Como tem se mostrado o desenvolvimento do esporte paralímpico no Brasil, a perspectiva é que a delegação para as próximas edições dos Jogos seja cada vez maior, com o surgimento de novos atletas, e com mais conquitas.

Em comparação com os Jogos Olímpicos, “fica muito mais difícil você tirar da cartola, nos esportes individuais, novos atletas que serão medalhistas em 2016. Se eles não apareceram até agora, eles não vão mais aparecer”, explica Lauter Nogueira, que é otimista em relação ao desenvolvimento de novos atletas paralímpicos, capazes de atingir, em quatro anos de preparo, marcas de alto nível nos esportes.

Representatividade - Mesmo com resultados excelentes de prática e desenvolvimento, o esporte adaptado ainda tem pouca representatividade no Brasil. O treinador Daniel Biscola critica o “peso diferenciado” que é dispensado na mídia para o esporte paralímpico em relação ao olímpico.

“Em Londres, por exemplo, o destaque nos jornais para as Paraolimpíadas foi o mesmo dado às Olimpíadas. A imprensa no Brasil ainda trata o esporte de modo diferente, não foi dado o mesmo tratamento”, avalia Biscola. 

Fonte: http://www.webrun.com.br/home/n/gestao-brasileira-competente-gera-bons-resultados-nas-paraolimpiadas/14043

sábado, 1 de setembro de 2012

Edital de licitação Maracanã será lançado em outubro


Fla e Flu serão convocados para conhecer o modelo e dar ideias em uma audiência pública

Gian Amato

O edital de licitação para a concessão do Maracanã à iniciativa privada será lançado em outubro e Flamengo e Fluminense, únicos entre os grandes clubes do Rio a manifestarem interesse na administração do estádio, serão convocados com antecedência para contribuir com ideias em uma audiência pública, segundo o governo do Estado.
Ao reclamar em reportagem publicada no GLOBO da demora no lançamento do edital, o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, deixou por escrito a insatisfação em relação ao possível descaso do governo do Estado com o planejamento dos clubes para 2013. O dirigente lamentava o fato de o tricolor ainda não saber onde jogaria na próxima temporada. Além do mês para o lançamento do edital, o governo confirmou que o estádio estará disponível para jogos do Estadual, desde que a organização da Copa das Confederações (15 a 30 de junho) não seja prejudicada. A dupla Fla-Flu poderá mandar jogos do Campeonato Carioca e da Copa Libertadores, se estiverem classificados para a competição.
Pacote inclui estacionamento, bares e lojas
Única a apresentar o estudo de viabilidade econômica, a IMX Holding AS, empresa de Eike Batista, do grupo do qual faz parte Flávio Godinho, integrante da chapa de oposição que concorre à eleição do Flamengo, ditará as bases do edital de licitação, com as opiniões dos clubes e possíveis novos interessados. O modelo desenvolvido pela IMX passou pela análise da Secretaria da Casa Civil e, uma vez aprovado pelo Comitê de Parcerias Público-Privadas (PPPs), será usado na licitação. O prazo para o vencedor da concessão ser conhecido estará determinado no edital, assim como o prazo para as propostas serem entregues e abertas ao mesmo tempo em audiência pública.
O modelo define as obrigações dos interessados na administração do complexo (Maracanãzinho, Célio de Barros e Júlio Delamare fazem parte), que poderá ser feita pelos clubes em parceria com a empresa de Eike Batista. Entres os itens do edital, constarão a manutenção do direito ao uso das cadeiras perpétuas em jogos de futebol, a construção e a operação de um museu, a instalação e a operação de um estacionamento com duas mil vagas, além da criação de uma área com bares, restaurantes e lojas.
— É uma ótima notícia, mesmo a poucos meses da reinauguração do Maracanã, em fevereiro. Vamos esperar que as regras sejam formalizadas para começar a trabalhar em cima do que for pedido. — disse Peter Siemsen.
O Maracanã será usado na Copa das Confederações, na Copa de 2014 e nas cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas de 2016. Ontem, a Fifa afirmou que a tabela do Mundial do Brasil será mantida, com o Brasil jogando no Rio só se for a final. A entidade descartou a alteração que possibilitaria uma potencial partida do Brasil no Maracanã nas quartas de final da Copa do Mundo. Mas, em nota, o prefeito Eduardo Paes afirmou que, em encontro em 30 de maio, Valcke deu esperanças de que a tabela poderia ser mudada e espera que a decisão seja revista.
Depois de concluir a reforma na arquibancada, o consórcio responsável pelo obra está voltado para a cobertura do estádio.
A obra está com 62% de conclusão, como foi divulgado pelo secretaria estadual de Obras. O órgão informou que a retirada do aterro para a instalação dos sistemas de irrigação e drenagem do campo está em estágio avançado.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/edital-de-licitacao-maracana-sera-lancado-em-outubro-5972936#ixzz25EPt726z

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ministério do Esporte prepara medidas para aperfeiçoar o programa Bolsa-Atleta


O Bolsa-Atleta, do Ministério do Esporte, maior programa do mundo de apoio financeiro direto a competidores, vive processo de modernização para se adaptar cada vez mais às necessidades dos atletas brasileiros. “A lei foi aprovada em 2005. Fizemos uma revisão no ano de 2010 e algumas alterações foram feitas em 2011. Agora, as modificações começam a surtir mais efeito”, explica o secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser.

O secretário antecipa que a pasta prepara medidas para modernizar o sistema de cadastro dos atletas. “Estamos fazendo uma série de intervenções administrativas para torná-lo mais ágil e mais fácil para os atletas se inscreverem nele. É mais uma fase de modernização. Esperamos inscrever automaticamente, pular algumas fases burocráticas, tudo para que o atleta possa usufruir do benefício o quanto antes e ter essa ajuda do governo federal de forma sempre contínua”, informa.

Para tornar o país uma potência esportiva, o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Alto Rendimento vai além do programa Bolsa-Atleta, conforme Ricardo Leyser.  “Temos algumas linhas de ação de preparação, tanto para Londres 2012, quanto para o Rio 2016. O Bolsa e as mudanças são importantes porque pegam toda a delegação, tanto olímpica quanto paralímpica. Mas nós temos também trabalhos com centros de treinamento espalhados pelo Brasil, alguns já em funcionamento e outros com ações no começo de operação ou construção”, ressalta.

Fonte: http://www.esporte.gov.br/londres2012/noticiaLondresDetalhe.jsp?idnoticia=9061

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Atenas usou Vila Olímpica para projeto social de habitação


Projeto pode ser considerado um modelo de sucesso e um dos grandes legados dos Jogos de 2004

Destinado desde o início a moradores de baixa renda, o projeto da Vila Olímpica de Atenas pode ser considerado um modelo de sucesso e um dos grandes legados das Olimpíadas de Atenas, em 2004.

As 2.500 moradias construídas nos arredores de Parnitha, a noroeste de Atenas, foram entregues para trabalhadores de baixa renda inscritos em programas de moradia do governo. Com prédios de quatro e cinco andares, em uma área de 1 milhão de metros quadrados, o local hoje abriga 10 mil moradores.

O engenheiro Iones Csipolitos, da Fundação Hellenic Olympic Properties, explica que as moradias foram construídas pelo Ministério do Trabalho e destinadas às pessoas que tinham feito inscrição no programa social. De acordo com ele, a maior parte dos apartamentos tem três quartos e cerca de 100 metros quadrados.

“O programa desde o início foi esse, ser destinado a habitação de trabalhadores, da casa do trabalhador. Embora fosse destinado ao programa social, foi construído em muito boas condições, com materiais muito bons, não como de modo geral a construção destes programas sociais é feito”.

De acordo com a vice-prefeita para Assuntos Internacionais de Atenas, Sophie Daskalaki-Mytilineou, a Vila Olímpica foi um dos principais benefícios para a população de Atenas.

“As obras podem ser separadas da seguinte maneira: primeiro o país tem que preparar a sua infraestrutura, as estradas, as ferrovias, os transportes rodoviários, o aeroporto, e, por outro lado, também os estádios, que devem ser modernos e de fácil acesso. Além disso, foi criada a Vila Olímpica, que, depois, cerca de 2.500 casas foram entregues a trabalhadores de baixo nível de rendimento ou a desempregados”.

Revitalização - Sophie explica que a prefeitura também promoveu, na época, um programa de embelezamento das praças e estradas, além de um programa de incentivo para renovação das fachadas dos prédios e casas.

“A prefeitura entrava com um percentual desse custo, de 30% a 40%, o restante era pago pelos proprietários. Houve, neste período, a renovação de cerca de 3 mil fachadas em pontos centrais da cidade e o programa continuou após as Olimpíadas, chegando a 5 mil”.

Outro legado para a cidade, segundo Sophie, foi a revitalização do centro arqueológico, com o Partenon e o Estádio Panathinaiko - onde ocorreram os primeiros Jogos da Era Moderna, em 1896 -, a renovação da frota de ônibus, a construção do Aeroporto Internacional Eleftherios Venizelos, da linha do bonde e do metrô, que enfrentou diversos problemas.

“Temos o problema das antiguidades da cidade, a cada metro que se cava descobre-se uma cidade antiga abaixo da cidade nova, então o serviço de arqueologia teve que enfrentar muitos problemas burocráticos e também de construção por parte dos engenheiros. Se não houvesse essa premência dos Jogos Olímpicos, pode ser que a construção do metrô demorasse mais”.

Manutenção - O secretário-geral do Ministério da Cultura e Turismo para a Utilização Olímpica, Yannis Pyrgiotis, destaca também os investimentos em infraestrutura, o avanço tecnológico das redes de energia e telecomunicações. Como conselho para o Brasil, Pyrgiotis diz que Atenas errou em fazer instalações esportivas muito grandiosas.

“Depois, eles não vão saber o que fazer com aquilo e como manter a limpeza, a guarda. Então, pela nossa experiência, talvez seja melhor fazer coisas temporárias. Ainda que o custo seja muito grande, maior do que o da construção permanente. É melhor fazer isso, porque se você levar em consideração o custo de manutenção a longo prazo. Não vale a pena”.

Conselhos 
Apesar de ter cedido algumas instalações olímpicas para investidores particulares, Atenas ainda gasta cerca de 15 milhões de euros por ano com a manutenção dos equipamentos esportivos. Valor que não é alcançado com o aluguel dos espaços.

De acordo com Pyrgiotis, a Fundação Hellenic Olympic Properties foi criada imediatamente após o término dos Jogos Olímpicos para que fosse feito um programa de utilização comercial, social e política dos equipamentos esportivos. Para ele, foi tarde demais.

“Devia ter sido feito antes das construções, para que já se tivesse em mente o que deveria fazer. O quanto mais cedo fizer essa programação para as instalações após o término dos jogos, tanto melhor será para vocês. O Brasil vai sofrer uma grande pressão de vários fatores e em todas as cidades olímpicas existe a ideia de que todos os problemas vão se resolver com os Jogos Olímpicos. É preciso que haja uma hierarquia das necessidades, não se pode satisfazer a todo mundo”.

Para a taxista brasileira Kátia Regina Paravatos, que já estava na Grécia durante as Olimpíadas, a população teve benefícios com os Jogos, mas os gastos foram muito altos.

“Ajudou muito porque agora a gente está usufruindo tudo isso que ficou de infraestrutura. Acho que valeu a pena, mas por outro lado, foi um gasto muito grande que, eu acho, a Grécia não estava preparada”.

Crise grega
Para alguns analistas, de acordo com a BBC Brasil, os gastos com as Olimpíadas de 2004 foram o começo da crise econômica da Grécia. O custo anunciado de 8,9 bilhões de euros, além de ser o dobro da estimativa inicial, foi o mais alto de todas as Olimpíadas da história moderna, até então.

Em 2004, a Grécia era o segundo país mais pobre da União Europeia e a economia fechou com déficit de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A dívida pública subiu, naquele ano, para 98,6% do PIB. E chegou, em 2010, a 144,9%.

Outro fator que pesou no custo de realização dos jogos de 2004 na Grécia foi a preocupação redobrada com a segurança, já que eram as primeiras Olimpíadas realizadas apos os ataques de 11 de setembro de 2001.

*Colaborou Beatriz Arcoverde, repórter do Radiojornalismo
*As entrevistas foram feitas em Atenas, em abril de 2010.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10426/ATENAS+USOU+VILA+OLIMPICA+PARA+PROJETO+SOCIAL+DE+HABITACAO.html

Barcelona-92 é modelo a ser seguido pelas cidades olímpicas


Cidade ganhou notoriedade, valorizou-se e ficou marcada pela alegria dos 20 dias de disputas

Barcelona esperou quase 70 anos para realizar suas Olimpíadas em 1992. Os Jogos haviam sido prometidos para 1924, mas o Barão de Coubertin, fundador das Olimpíadas Modernas, acabou optando por Paris para a sede daquele ano.

Mas a espera valeu a pena. A cidade catalã, antes escondida no interior da Espanha, ganhou notoriedade, valorizou-se e ficou marcada pela alegria dos 20 dias de disputas esportivas.

Uma oportunidade que foi muito bem aproveitada, de acordo com Pere Alcober, presidente do Instituto de Esportes de Barcelona.

“Durante os 20 dias dos Jogos Olímpicos tivemos uma oportunidade única, que não se sabe quando poderá se repetir. Essa oportunidade teria que servir para várias coisas. Uma delas é tentar fazer os melhores Jogos Olímpicos”.

Depois dos Jogos, a cidade se tornou reconhecida em todo mundo. Para Alcober, esse sucesso vai além da infraestrutura.

“A transformação da cidade ocorre na infraestrutura, nas moradias, vias, no aeroporto, o que é imprescindível. Isso é o tangível. Mas há outra troca, que é muito importante, que são os benefícios intangíveis, que vem a ser a autoestima da cidade, o reconhecimento de que temos um desafio e que juntos vamos assumir um objetivo e vamos fazer bem, para mostrar ao mundo que somos capazes de avançar, de nos consolidar nesse mundo globalizado”.

Orgulho 
O empresário Juan Martinez Palhares considera que as Olimpíadas foram importantes para a população de Barcelona, que passou a ter orgulho da cidade.

“Sem dúvida foram muito importantes para as pessoas que viviam em Barcelona, porque ficou um orgulho de que Barcelona estava presente em todo o mundo e vimos que não era uma coisa política, era uma coisa realmente feita para a cidade”.

Palhares explica que, além de a população aproveitar as melhorias feitas para os Jogos, a cidade passou a receber mais turistas.

“Tudo foi aproveitado: as telecomunicações, muitos hotéis e isso tudo nos permitiu avançar mais, organizar mais eventos, organizar mais férias, a cidade estava preparada para receber mais visitantes, já que a estrutura que havia sido feito era muito grande. Ainda bem que quem pagou foi o Estado e isso permitiu que os beneficiários fossem Barcelona e os barceloneses, que, de outra forma, não poderiam pagar”.

Valorização
A economista Maria Consol diz que a maior transformação foi na infraestrutura. “Depois dos Jogos Olímpicos, obviamente, a maior transformação que se pode ver, foi a infraestrutura. A cidade onde moraram os atletas, toda essa parte foi criada, com as praias, o novo porto, além de muitas outras coisas. Também tem o anel olímpico, que facilitou o transito”.

O empresário Palhares destaca que os apartamentos da Vila Olímpica foram vendidos a preços altos e a cidade toda sofreu valorização imobiliária.

“Toda a área de Barcelona se valorizou muito. Houve um disparo de preços tremendo, foi mais de 50%, porque a cidade ficou bonita, tendo cada vez menos áreas à disposição. E as pessoas queriam ir viver em Barcelona, porque deixaram a cidade muito linda”.

Criatividade - O representante do Departamento de Marketing da Infraestrutura Olímpica, Joaquim Romero, explica que cerca de 1 milhão de pessoas visitam a área olímpica de Barcelona, inclusive o Museu das Olimpíadas de 1992. De acordo com ele, muita criatividade ajuda a manter o ginásio ocupado, local que pode receber até 18 mil pessoas.

“Aqui já foi feito de tudo, pista de neve, piscina para o mundial de natação, recebeu triatlon, enduro, windsurf e jet ski também, ginástica sobre gelo, corridas de carros. Já tivemos de tudo”.

O Estádio Palácio São Jorge recebe concertos e grandes jogos, mas ainda encontra problemas para sua manutenção. Já o ginásio é utilizado cerca de 200 dias por ano e os lucros são convertidos para manter outras áreas do parque olímpico.

Mas o grande exemplo de Barcelona para o mundo é como 20 anos depois a cidade ainda vive da boa lembrança dos Jogos Olímpicos. A cidade se valoriza e se reconstrói, mas a recordação dos 20 dias de disputa está presente em toda sua população, que valoriza os visitantes, que sempre ficam com vontade de voltar.

*Colaborou Akemi Nitahara
*As entrevistas foram feitas em Barcelona, em abril de 2010

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10424/BARCELONA92+E+MODELO+A+SER+SEGUIDO+PELAS+CIDADES+OLIMPICAS.html

segunda-feira, 23 de julho de 2012

DA SEGUNDA DIVISÃO À LIBERTADORES: COMO O CORINTHIANS VIROU REFERÊNCIA EM GESTÃO


UM DOS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS POR RECONSTRUIR O CLUBE, LUIS PAULO ROSENBERG FAZ BALANÇO SOBRE ÚLTIMOS CINCO ANOS E EXPLICA COMO TIME IRÁ LUCRAR ATÉ O MUNDIAL

Por Rodrigo Capelo

A Copa Santander Libertadores é a principal obsessão do futebol brasileiro. Para um clube que nunca a havia vencido, e cujos torcedores eram atormentados por palmeirenses, são-paulinos e santistas, todos eles campeões continentais, o valor da conquista do campeonato é ainda maior. Foram nessas condições que o Corinthians se tornou o melhor time da América Latina neste ano e consolidou a gestão do clube como uma das melhores do Brasil.

Os méritos pelo "título" fora de campo são ainda mais claros, principalmente, porque o clube havia sido rebaixado à segunda divisão menos de cinco anos antes, no fim de 2007, depois de ter se envolvido intensamente com o empresário iraniano Kia Joorabchian. Acusações de lavagem de dinheiro na empresa dele, a MSI, foram fatos que contribuíram para que o Corinthians fosse à Série B na época. Trata-se de um renascimento.

E um renascimento que teve alguns principais nomes. Andrés Sanchez, agora ex-presidente, foi quem assumiu o clube e o organizou na parte política. Mas a gestão foi reconstruída por Luis Paulo Rosenberg, renomado economista que foi, entre outros cargos, assessor do ministro Delfim Netto no governo de João Figueiredo, responsável por negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) durante a ditadura militar.

No Corinthians, a evolução é facilmente notada em balanços patrimoniais. Entre 2008 e 2011, o faturamento anual saltou de R$ 117,5 milhões para R$ 290,4 milhões, o maior do país. Em entrevista à Época NEGÓCIOS, o ex-diretor de marketing e atual vice-presidente, Rosenberg, apontou quais foram os principais acertos: "o projeto mais importante foi o sócio-torcedor, e o segundo, a rede de franquias. Em três anos, abrir 110 lojas é inédito na história do futebol mundial".

Orador habilidoso, qualidade que certamente aprimorou durante as trativas com o FMI, e adepto de palavrões e provocações, do modo que o torcedor corintiano admira, o dirigente explicou como o Corinthians irá manter o crescimento nas receitas. O estádio, cuja estimativa é render R$ 100 milhões líquidos por ano, é um dos principais pilares, mas as negociações só devem começar no fim deste ano.

Sem patrocinador máster desde abril passado, quando a Hypermarcas decidiu não estender o aporte que fez nas últimas temporadas, Rosenberg também justificou por que o clube ainda não vendeu essa cota. "O Corinthians é muito caro, negocia de forma muito dura e depois entrega mais do que combinou. Mas as empresas estão muito desalentadas com o quadro econômico mundial. Isso é economia, não é futebol".


A gestão do Andrés Sanchez começou no fim de 2007, com o Corinthians na segunda divisão, e menos de cinco anos depois a Libertadores foi conquistada, uma antiga obsessão da torcida. Quais foram os principais acertos, em termos de gestão, nesse período?
Em primeiro lugar, a reforma do estatuto, tornando ele democrático, moderno e dinâmico. Em segundo, a blindagem do futebol. O Corinthians deve ser o clube com menos intervenção de corneteiros, empresários e familiares. Em terceiro, o estádio. E, em quarto, o marketing.

No caso do marketing, o que fez a maior diferença?
O projeto mais importante foi o sócio-torcedor. O segundo, a rede de franquias. Em três anos, abrir 110 lojas é inédito na história do futebol mundial. E tudo o que a gente faz é para facilitar a vida da Fiel. Quatro longa-metragens, contando recortes da nossa história. Uma TV 24 horas em um canal a cabo exclusivo. O resto é decorrência.

Dá para citar também alguns erros importantes nesses cinco anos, medidas que hoje se mostram pouco acertadas?
Dá, claro. Tentamos fazer um jornal semanal, não conseguimos. Tentamos fazer uma rádio FM, não conseguimos. Ainda não conseguimos colocar no ar um fundo de investimento em jogadores com a cara que a gente quer.

No caso do fundo, qual é o plano e o que tem dado errado?
Quero fazer um fundo que consiga jogadores para o Corinthians, mas que tenha muita lealdade com o investidor. Por exemplo, acho que um episódio como Sonda e Santos em relação ao Neymar é devastador no longo prazo do clube como parceria de mercado [o empresário Delcir Sonda é dono de 40% dos direitos econômicos do jogador santista]. Estamos tomando muito cuidado com isso. Está indo bem, mas ainda não está suficientemente redondo para lançar. E já são quatro anos trabalhando nisso, já era para ter saído. Amistosos, então, nós somos um desastre. Não conseguimos colocar de pé nenhum amistoso notável.

Mas aí tem um problema de calendário, porque o brasileiro não bate com o europeu, e isso extrapola o Corinthians, não?
É verdade. Mas às vezes tem algumas brechas, tentamos fazer e não somos bons nisso.

A gestão do Corinthians é muito elogiada, com um faturamento que cresce ininterruptamente há vários anos, o maior contrato de TV do país. Ainda existe hoje a possibilidade de haver uma regressão na gestão do clube?
É mais ou menos a situação do Brasil. Se a gente eleger uma Cristina Kirchner [presidente da Argentina] tudo é possível. Se elegermos um débil mental que chega aqui e diz que loja e sócio-torcedor são p**** nenhuma, podemos regredir. O Corinthians é muito presidencialista, então temos que ser muito pedagógicos no que fazemos, explicar o porquê, para tentar manter. E, novamente usando a metáfora do Brasil, quanto mais democrático for o processo de eleição, menor esse risco. Sabe-se que um colégio eleitoral de três ou quatro mil tem muito mais chances de errar do que três ou quatro milhões.

No futebol brasileiro isso é um problema recorrente. Um presidente que faz um bom trabalho por dois, quatro ou seis anos, e aí entra um novo, e as coisas começam a regredir. Tem como resolver esse problema? O Internacional chegou a ter um CEO em uma época, e não deu certo.

Bobagem, bobagem. Querer defender uma corporação do seu dono é ridículo. Ou você realmente conquista corações e mentes ou não funciona. Agora, você vê que a gente está evoluindo. Primeiro, foi uma prova de maturidade fantástica o Andrés [Sanchez, ex-presidente corintiano] não pedir reeleição, ao contrário de outros presidentes do país, para dar exemplo de que a gente luta por ideais quando está fora que não mudam quando a gente está dentro. Conseguimos fazer um presidente que tem a maior qualificação dentro do clube. Acredito que a equipe do Mário [Gobbi, presidente corintiano] é um avanço em relação à do Andrés.

O que mudou da gestão do Andrés para a gestão do Gobbi, agora?
Tivemos que fazer substituições, e ele foi muito feliz.

No marketing, no futebol, no financeiro?
Em tudo. No marketing ele trocou um economista metido a besta [refere-se a si mesmo] por um dono de uma Saatchi & Saatchi [agência de publicidade da qual Ivan Marques, atual diretor de marketing corintiano, é sócio-diretor]. É um avanço significativo.

Inclusive, o Ivan está atendendo as expectativas?
O Caio [Campos, gerente de marketing corintiano] está tendo com quem dialogar, criar coisas. Como ele iria conversar com um economista para explicar o que é ativação? Melhorou muito.

Depois de vencê-la, dá para estimar quanto vale um título de Libertadores financeiramente? Somando patrocínios pontuais, bilheterias...
Ainda não está definido, porque tem muita água para correr. Fiz uma estimativa com o Caio, e por baixo já deu uns R$ 25 milhões. Mas acho que vai dar mais do que isso. A loja está faturando muito mais. É difícil saber. Quando lançarmos o livro da Libertadores, vai ser uma febre. O livro do Brasileirão do ano passado está vendendo muito mais desde que a gente ganhou. Dá para dizer os efeitos diretos, mas os indiretos são muito grandes. E quantos torcedores de três, quatro ou cinco anos eu ganhei? É o consumidorzinho que vai comprar nossos produtos daqui a 15 anos.

Daqui até o Mundial, como o Corinthians irá explorar o título da Libertadores e a participação no Mundial comercialmente?
Na verdade, tenho dois produtos para vender. Um é o congelamento da Libertadores em produtos, que é lançar camisetas, livros. Mas eu ganhei de graça um outro produto que talvez seja ainda mais valioso, que é a perspectiva de ganhar um Mundial. Vamos começar a fazer festas em relação a preparação, mobilizar torcida no exterior a favor do Corinthians. Imagine o que teremos de torcedor na Inglaterra. Teremos mais torcida que o Chelsea [virtual adversário corintiano no Mundial de 2012]. Do mesmo jeito que torcemos para o Manchester United contra o Palmeiras [no Mundial de 1999], vamos ter a torcida do Manchester City, do Arsenal. Vão ser todos nossos. Faremos esse trabalho e vamos começar a vender camiseta lá fora.

O mundial será uma oportunidade única de expor a marca do clube para todo o mundo. Haverá alguma ação para internacionalizar a marca do Corinthians, algo que se fala muito no Brasil e se faz pouco?
A gente estava trabalhando nisso mesmo sem o título, então vai acelerar. O que imaginávamos que ia acontecer no ano que vem vai acontecer neste ano. Vamos lançar um programa de TV semanal na televisão aberta chinesa só sobre o Corinthians, de meia hora. Vamos fazer amistosos, trabalhar com a Nike para fazer venda de camisas. Estamos só esperando o calendário do ano que vem, que será atípico, por causa da Copa das Confederações, e achamos que terá brechas legais para amistosos. Estamos negociando com Estados Unidos, África e mundo Árabe com China.

E aí a Nike tem o papel de fazer o meio-campo?
Sim, claro. Sempre tivemos a plataforma mais poderosa do mundo para a internacionalização e nunca nos sentimos confortáveis para usá-la. Agora, sim.

Quanto à contratação do Chen Zhizhao, como o Corinthians a avalia depois de todos esses meses? A estratégia para aparecer na China funcionou?
Eu estive lá, e você não imagina o "auê" que ele provoca. Note, se o Corinthians tivesse contratado um grande jogador de tênis de mesa da China, já seria notícia. Quer dizer, pegar o que eles fazem de melhor, trazer para o Brasil e aproximar os dois países. Quando o maior país de futebol do mundo pega o time campeão brasileiro, e ele pega um chinês para jogar, isso é pegar uma mulata do [Oswaldo] Sargentelli e colocar para cantar ópera. É muito mais exótico, emotivo, e o chinês está muito feliz com isso. Pena que ele não jogou. Foi se machucar, uma coisa que o marketing não consegue prever. E o menino é bom, viu. Do jeito que está tudo dando certo no Corinthians, ele será o novo Neymar.

O Corinthians, hoje, está sem patrocínio máster, assim como Flamengo e São Paulo. O que aconteceu? Os valores pedidos estão muito altos? As empresas ainda não se sentem confortáveis em pagar R$ 50 milhões?
Primeiro, o Corinthians ficou muito contente com os patrocínios tópicos que a gente fez durante a Libertadores, porque eu jamais conseguiria isso em um contrato anual. E você já conhece nosso estilo. Em cinco anos, não muda. O Corinthians é muito caro, negocia de uma forma muito dura e depois entrega mais do que combinou. Estamos tranquilos.

Mas não prejudica ficar sem patrocinador máster?
É claro que é como ter um apartamento para alugar. A cada mês que você não alugou, você se arrepende de não ter dado o desconto daquele mês no contrato. Mas a diferença é a postura das empresas. Elas estão muito desalentadas com o quadro econômico mundial. Isso gera um processo mais lento de decisão dentro delas.

Isso deve mudar com a Copa chegando?
Não. Isso muda com a economia americana dinamizando, a europeia saindo da draga, e a gente voltando a crescer. Não tem jeito. Isso é economia, não é futebol.

Durante o Mundial, apenas a cota máster, justamente a que está livre hoje, tem exposição durante a partida. Isso será um trunfo nas negociações?
Sem dúvida. Nem precisa dizer, porque as empresas já sabem muito bem.

Como está a exploração comercial da Arena Corinthians? Há alguma negociação ou alguma propriedade vendida?
Não, estamos segurando. Eu só vou ter essa arena em setembro de 2014. Quanto mais ela estiver evidente, mais caro eu vendo. Vender agora é vender na baixa. Ela é tão diferente de todas as outras, tão monumental, você não imagina o acabamento que tem aquele bloco de dez andares. A hora que o empresário visualizar aquilo... Vai ter um lounge antes dos camarotes que, para uma indústria automobilística, colocar os lançamentos é coisa para gente AAA.

Quando é a hora perfeita para começar a vender?
No fim do ano, eu já começo.

Quanto dá para arrecadar com estádio por ano?
A nossa estimativa é um acréscimo líquido de receita de R$ 100 milhões por ano.

Os naming rights estão inclusos?
Sim. R$ 20 milhões por ano. Mas isso é pouca coisa. O que dá dinheiro é camarote. O estádio continuará com a postura corintiana de Robin Hood. Ele vai ser muito caro para a classe A e suportável para as classes C e D. Porque ele é todo segmentado. Mas mesmo assim na área popular o banheiro vai ter ar condicionado. É diferente quando é do dono, porque o zelo é muito maior.

Inclusive, principalmente entre outras torcidas, existem muitas críticas pelo estádio ter um financiamento de R$ 400 milhões do BNDES. Isso mancha de alguma maneira a construção do estádio?
Imagine! Financiamento não é doação. Vou pagar igual a todos os outros estádios, sem nenhuma ajuda. Agora, tudo aquilo que foi ampliação exigida pela Fifa, seria justo que eu pague? Quem vai se beneficiar disso? A cidade de São Paulo. Então ela pegou um estímulo que já tinha em lei e cedeu um investimento que dá um grande retorno para ela. Eu pago o meu, ela paga o dela. Tenho R$ 100 milhões para pagar por ano, p****.

O senhor já deu muitas declarações polêmicas, algumas engraçadas, outras alfinetando presidentes de outros clubes. Em algum momento sentiu que passou algum limite?
Não, que isso! O que eu faço é aguçar rivalidade, nunca inimizade. A relação que tenho com a diretoria do São Paulo é fraterna, assim como com Palmeiras, Santos. O futebol precisa disso: mostrar que rivalidade existe, tem que ser aguçada e deve durar rigorosamente 90 minutos dentro de campo. Na hora de sair e pegar o metrô, somos todos proletariados que não sabem como o salário vai chegar até o fim do mês. Não imagino amar ou odiar uma pessoa porque a camisa dela é verde, isso é ridículo. Acho que esse tipo de atitude faz trocar violência por jocosidade.

E tem funcionado?
A segurança pública considera a nossa a menos violenta das torcidas. Temos muito diálogo, mostramos o que tentamos fazer, então acho que estamos indo bem.

Como o Corinthians avalia o patrocínio ao Anderson Silva?
Maravilhoso. A gente descobriu que em outras modalidades não é o time que decide onde vai ter patrocínio, é o mercado. Conseguimos o Anderson da forma que foi, e está indo muito bem o polo. É claro que queríamos um grande time de vôlei, outro de basquete, fazemos com muito sacrifício a natação, mas gostaríamos de ver isso alavancado. O Gobbi tem uma participação muito grande para ver o Corinthians na Olimpíada. À medida que ela se aproxima, vai ter mais patrocínios para essa área. Mas infelizmente o clube tem de ser reativo. Em cinco anos tentamos muito atrair recursos para essas modalidades, mas com muito pouco sucesso.

Qual é o principal problema?
Pouca exposição. O Brasil é um país muito focado em futebol.

No caso do MMA, depois que o Anderson Silva se aposentar, vocês pretendem seguir investindo ou é uma coisa pontual na história do clube?
Quem vai dizer é o mercado. Acho que se surgir uma liderança forte daqui a cinco anos, quando o Anderson parar, a gente vai ter continuidade.

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2012/07/da-segunda-divisao-libertadores-como-o-corinthians-virou-referencia-em-gestao.html

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sacada olímpica


O Minas Tênis Clube implantou um modelo de gestão que pode virar referência na área esportiva.

Por Rafael Freire

O Brasil conquistou cinco Copas do Mundo de Futebol, ganhou duas vezes o Campeonato Mundial de Vôlei e de Basquete e avança com rapidez em alguns esportes olímpicos. Essas glórias esportivas, no entanto, não podem ser creditadas aos méritos de gestão dos clubes brasileiros. Eles têm um estilo de gerenciar que beira ao amadorismo, com cartolas que se assemelham aos antigos coronéis nordestinos pela forma imperial de mandar. Um exemplo dessa má administração é o R$ 1,8 bilhão que os 14 maiores clubes de futebol do País em receita devem aos cofres públicos, segundo a consultoria esportiva Pluri, de Curitiba. 

Profissionalização é uma palavra que não existe no dicionário da cartolagem que dirige essas agremiações. Uma rara exceção é o Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte, que possui um contingente de 73 mil associados e 980 atletas federados. Reconhecida como uma das maiores formadoras de talentos do esporte brasileiro, o Minas Tênis criou uma estrutura de gestores profissionais para tocar o dia a dia do clube e as atividades esportivas em 2010. A lógica é empresarial. A diretoria executiva, formada por 23 associados não remunerados, passou a atuar como um conselho de administração de uma empresa. 

Os cargos executivos foram totalmente ocupados por profissionais do mercado, contratados, inclusive, por empresas de recrutamento. O principal deles é o superintendente executivo Antônio Lage Filho, ex-diretor da Telesat Canadá. Ele pode ser considerado o CEO do Minas Tênis, pois é responsável por administrar 17 outras gerências e se reporta diretamente aos diretores do clube. “Tive­mos que quebrar aquela cultura de que o dirigente associado é o gestor”, diz Sergio Bruno Zech, presidente do Minas Tênis, que pela estrutura poderia ser chamado de chairman do clube. O plano de gestão do Minas Tênis também teve como um de seus pilares a implantação de um sistema de metas que avalia o desempenho de cada área e de cada profissional, além de indicar o nível de satisfação dos sócios. 

Os funcionários que alcançarem as metas recebem um 14º salário. Os R$ 3 milhões investidos nessa folha de pagamento adicional, no entanto, não saem da receita do clube, que foi de R$ 81,7 milhões em 2011, mas do caixa gerado com as economias proporcionadas pelas metas. “Trabalhamos como uma empresa, mas nosso foco está na satisfação dos sócios e não no faturamento”, diz Zech. Na visão de Raul Corrêa da Silva, presidente da BDO Brazil e vice-presidente de finanças do Corinthians, essa foi uma decisão acertada do Minas Tênis. Em sua opinião, o crescimento de um grande clube obrigatoriamente passa pela profissionalização de sua gestão. 

“Os cargos operacionais devem ser exercidos por profissionais do mercado, pois sem remuneração é difícil se dedicar integralmente”, afirma Corrêa da Silva. Na área esportiva, uma das metas do Minas Tênis é ampliar para R$ 16,5 milhões o valor recebido em patrocínios, 13% a mais do que o arrecadado em 2011. A responsabilidade para alcançar essa meta é do ex-jogador da seleção brasileira de basquete e atual gerente de marketing e negócios do clube, Marcelo Vido. Uma de suas apostas é o fortalecimento da marca da agremiação fora do Estado. Em novembro de 2011, o executivo fechou uma parceria com a agência Fragata Marketing de Entreteni­men­to para prospectar patrocínios em São Paulo. 

Outro objetivo do executivo é buscar apoios para a modernização do estádio Arena Vivo. “Queremos deixar nosso estádio semelhante aos da liga de basquete americana”, diz Vido. Ele afirma já estar negociando a montagem do novo sistema de iluminação do estádio com a holandesa Philips. A profissionalização trouxe resultado também para a área esportiva. Os atletas formados no Minas Tênis já conquistaram quatro medalhas de bronze em Jogos Olímpicos. Esse quadro pode aumentar ainda este ano. Afinal, pelo menos, seis minastenistas vão disputar a Olimpíada de Londres: cinco na natação e um no judô.

Fonte: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/87226_SACADA+OLIMPICA