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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Cielo e Ronaldo têm marcas mais valiosas, diz estudo


Cesar Cielo saiu dos Jogos Olímpicos de Londres-2012 apenas com uma medalha de bronze obtida nos 50m livre. Ronaldo parou de jogar em 2010. Ainda assim, não existe nenhum atleta no país com imagem tão valiosa quanto os dois. Essa é a principal conclusão de um estudo da Brunoro Sport Business e da PD Gestão de Imagem e Carreira em parceria com a revista Época Negócios.

A pesquisa Imagem no Esporte foi feita a partir de um questionário na internet. Houve duas mil respostas, e os participantes tinham de indicar os atletas com os quais mais se identificavam em atributos como credibilidade, visibilidade, consciência, ética, desempenho, carisma, formação, apresentação, superação e liderança.

“Essa pesquisa tem como objetivo avaliar o impacto da imagem desses atletas, e também serve como parâmetro para as empresas que possuem interesse em vincular suas marcas a algum atleta”, disse Eduardo Rezende, vice-presidente da Brunoro Sport Business.

O estudo foi dividido em futebol e outras modalidades. Na primeira categoria, Ronaldo foi o líder (21,2% de média entre os atributos pesquisados), seguido por Kaká (20%) e Neymar (19,7%).

“Neymar possui um carisma muito grande, mas só isso não basta para ter uma grande marca. No caso do Ronaldo, o jogador se destacou em quesitos como garra e espírito vencedor”, explicou Patricia Dalpra, especialista em gestão de imagem e carreira da PD.

Entre os atletas de outras modalidades, Cielo teve 26,2% de média entre os atributos. O técnico Bernardinho, com 21,8%, ficou na segunda posição, e o ex-tenista Gustavo Kuerten (15,3%) ficou com o terceiro lugar.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/marketing/26/26533/Cielo-e-Ronaldo-tem-marcas-mais-valiosas-diz-estudo/index.php

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

GESTÃO INFLUENCIA O DESEMPENHO ESPORTIVO


COMO SEXTA ECONOMIA DO MUNDO, O BRASIL CONQUISTOU POUCAS MEDALHAS

Por José Roberto Ferro

Até o último domingo (05/08), o Brasil tinha conquistado uma medalha de ouro, uma de prata e cinco de bronze, sete no total nos Jogos Olímpicos de, e estava na 29ª posição no ranking mundial. A princípio, muito pouco para a sexta economia do mundo.

Países menores que os menores estados brasileiros e populações menores do que a da cidade de São Paulo têm rendimento melhor, apesar da existência de um Ministério dos Esportes e um Comitê Olímpico no país, ambos recebendo significativos recursos públicos, além de patrocínios de empresas públicas e privadas, contratos de publicidade para aproveitar a imagem dos atletas. E para um país que estabeleceu uma lei específica de apoio e incentivo ao esporte. 

Mas poderíamos esperar mais para um país que tem um processo de planejamento tão precário? Nem sabemos se estamos bem ou mal de verdade, porque não foram definidas e divulgadas, clara e publicamente, as metas de desempenho para o país. Se não sabemos aonde se queria chegar e o plano para chegar lá, dificilmente saberemos se estamos bem ou mal. 

Seria um planejamento esportivo importante para podermos, de quatro em quatro anos, desfrutar melhor dessa oportunidade de competir com atletas de todo o mundo, quer em esportes individuais quer em coletivos – num evento mundial no qual é difícil não ficar inspirado e encantado pelas vitórias ou derrotas inesperadas, histórias de dedicação e esforço e pela busca dos limites físicos do ser humano, mesmo para aqueles não esportistas ou que apenas acompanham os esportes mais conhecidos e praticados no país, como o futebol. Sem esquecer que muitos desses esportes olímpicos, como a ginástica, o atletismo, a natação, o judô, o hipismo etc., são vistos pelo público mais amplo apenas nessa oportunidade.

Mas o esforço dos atletas que se dedicam suas vidas inteiras ao domínio de técnicas adquiridas através de treinamentos repetidos à exaustão, disciplina e apoio de técnicos e materiais e que nós vemos nas competições é apenas a parte mais visível desse processo. Por detrás disso que aparece na tela da TV, estão processos e sistemas de gestão.

O papel dos técnicos é essencial. Uns gritam e humilham. Outros aconselham e desafiam. Outros fazem as duas coisas dependendo da hora e da necessidade. Do mesmo modo que os diversos estilos de liderança nas empresas. O esforço e o conhecimento necessários para se reduzir segundos aqui, centímetros lá é enorme. A identificação dos atletas, seu preparo técnico, físico e emocional são essenciais para se conquistar bons resultados. Tudo baseado em métodos científicos.

Mas quem escolhe os técnicos e define as principais etapas e atividades são os dirigentes que podem ter agendas próprias, independentes das necessidades do desempenho esportivo propriamente dito. E são eles os responsáveis pelo planejamento de curto, médio e longo prazos, pela busca e alocação de recursos, pelo acompanhamento das ações e correções.

Ou seja, a atividade esportiva é muito semelhante às atividades realizadas pelas empresas. E igualmente, boa gestão faz bons produtos e gera bons resultados.

Os recordes batidos nos inspiram e nos lembram que podemos nos basear nesses exemplos para reconhecer que podemos (e devemos) melhorar sempre em nossas empresas. E que podemos atingir níveis de desempenho antes inimagináveis de serem alcançados.

Mas se não houver uma gestão adequada, os resultados virão de ocasiões especiais ou atletas especialmente dotados. Pode aparecer um grande maratonista brasileiro, mas é diferente da Jamaica que definiu um processo robusto de formação de corredores para distâncias curtas.

Assim, o sucesso no esporte depende da qualidade de sua gestão, envolvendo planejamento, alocação de recursos, definição de metas, planos de ação consistentes e acompanhamento das atividades e do desempenho. O esporte cada vez mais vem sendo uma atividade científica. A gestão também tende a ser.

Ah, o meu esporte favorito é basquetebol masculino. Fiquei contente com a volta do Brasil aos Jogos Olímpicos após 16 anos. E os primeiros resultados foram muito bons. Graças a um técnico argentino experiente, com conceitos e técnicas modernas com foco na defesa (característica não natural nesse esporte no Brasil) que prefere promover cestinhas que não sabem jogar na defesa, que criou uma equipe coesa, mesmo tendo pouca experiência em conjunto. Ou seja, definiu uma visão e uma estratégia correta. E está implementando.

Os dirigentes abriram mão de um orgulho nacionalista, definiram a liderança certa e um estilo apropriado. É até possível, mas vai ser muito difícil conquistar uma medalha de prata ou bronze. Entretanto, o time já é vencedor, pois conseguiu os melhores resultados com os recursos de que dispunha. Exatamente como uma boa gestão empresarial deve fazer. 

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2012/08/gestao-influencia-o-desempenho-esportivo.html

segunda-feira, 23 de julho de 2012

QUARTA CAMISA DO FLUMINENSE VENDE 37,8% MAIS QUE PRIMEIRO MODELO


EMBORA TENHA SIDO CRITICADO LOGO APÓS LANÇAMENTO, QUARTO UNIFORME VENDEU MAIS DO QUE TITULAR E TURBINOU O FATURAMENTO DO CLUBE COM A VENDA DE CAMISAS

Por Rodrigo Capelo

A torcida pode ter demonstrado sinais de rejeição, depois de comentários negativos feitos em redes sociais, mas a quarta camisa do Fluminense provou ter agradado o público. No primeiro mês de vendas, em maio deste ano, o uniforme vendeu 37,8% mais do que a primeira camisa em seu primeiro mês após o lançamento ao mercado.

No mês de maio, a novidade foi a que mais despertou o interesse do consumidor. O quarto modelo foi responsável por 54% do total comercializado, enquanto a segunda camisa, que também foi lançada em maio, ficou com 40%. A terceira camisa, mais antiga, corresponde pelos 6% restantes. Esses números não são divulgados oficialmente pela Adidas, fornecedora de materiais esportivos do time tricolor, mas foram obtidos pela Época NEGÓCIOS.

Os bons resultados fizeram com que o faturamento da equipe crescesse neste ano. Entre janeiro e maio de 2012, a arrecadação com a venda está 29,8% maior do que o mesmo período de 2011. Os números de unidades comercializadas e do valor que foi efetivamente arrecadado, no entanto, não são revelados por fornecedora e clube.

A explicação mais razoável, para Idel Halfen, vice-presidente de marketing do Fluminense, é que uniformes de futebol têm desempenho no mercado diferente de outras peças de moda. "O torcedor não compra a camisa para que ela combine com os shorts. Pode até ser que uma camisa bonita venda mais, mas o que é mais importante é o time vencer em campo", opina.

A equipe carioca, neste primeiro semestre, venceu o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, após bater o Botafogo na decisão, e chegou às quartas de final da Copa Santander Libertadores, nas quais foi eliminada pelo Boca Juniors, que faria a final contra o campeão Corinthians. Esse desempenho, para o dirigente, garantiu o interesse pelos uniformes novos.

Além de comentários negativos feitos por torcedores a respeito do design, a quarta camisa também teve seu lançamento prejudicado por um vazamento do desenho antes do lançamento. Apesar dos esforços de Fluminense e Adidas para manter o uniforme em segredo até a chegada ao mercado, para não atrapalhar as vendas, a divulgação precoce irritou dirigentes e executivos. Aparentemente, o episódio não prejudicou tanto.

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Resultados/noticia/2012/07/quarta-camisa-do-fluminense-vende-378-mais-que-primeiro-modelo.html

DA SEGUNDA DIVISÃO À LIBERTADORES: COMO O CORINTHIANS VIROU REFERÊNCIA EM GESTÃO


UM DOS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS POR RECONSTRUIR O CLUBE, LUIS PAULO ROSENBERG FAZ BALANÇO SOBRE ÚLTIMOS CINCO ANOS E EXPLICA COMO TIME IRÁ LUCRAR ATÉ O MUNDIAL

Por Rodrigo Capelo

A Copa Santander Libertadores é a principal obsessão do futebol brasileiro. Para um clube que nunca a havia vencido, e cujos torcedores eram atormentados por palmeirenses, são-paulinos e santistas, todos eles campeões continentais, o valor da conquista do campeonato é ainda maior. Foram nessas condições que o Corinthians se tornou o melhor time da América Latina neste ano e consolidou a gestão do clube como uma das melhores do Brasil.

Os méritos pelo "título" fora de campo são ainda mais claros, principalmente, porque o clube havia sido rebaixado à segunda divisão menos de cinco anos antes, no fim de 2007, depois de ter se envolvido intensamente com o empresário iraniano Kia Joorabchian. Acusações de lavagem de dinheiro na empresa dele, a MSI, foram fatos que contribuíram para que o Corinthians fosse à Série B na época. Trata-se de um renascimento.

E um renascimento que teve alguns principais nomes. Andrés Sanchez, agora ex-presidente, foi quem assumiu o clube e o organizou na parte política. Mas a gestão foi reconstruída por Luis Paulo Rosenberg, renomado economista que foi, entre outros cargos, assessor do ministro Delfim Netto no governo de João Figueiredo, responsável por negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) durante a ditadura militar.

No Corinthians, a evolução é facilmente notada em balanços patrimoniais. Entre 2008 e 2011, o faturamento anual saltou de R$ 117,5 milhões para R$ 290,4 milhões, o maior do país. Em entrevista à Época NEGÓCIOS, o ex-diretor de marketing e atual vice-presidente, Rosenberg, apontou quais foram os principais acertos: "o projeto mais importante foi o sócio-torcedor, e o segundo, a rede de franquias. Em três anos, abrir 110 lojas é inédito na história do futebol mundial".

Orador habilidoso, qualidade que certamente aprimorou durante as trativas com o FMI, e adepto de palavrões e provocações, do modo que o torcedor corintiano admira, o dirigente explicou como o Corinthians irá manter o crescimento nas receitas. O estádio, cuja estimativa é render R$ 100 milhões líquidos por ano, é um dos principais pilares, mas as negociações só devem começar no fim deste ano.

Sem patrocinador máster desde abril passado, quando a Hypermarcas decidiu não estender o aporte que fez nas últimas temporadas, Rosenberg também justificou por que o clube ainda não vendeu essa cota. "O Corinthians é muito caro, negocia de forma muito dura e depois entrega mais do que combinou. Mas as empresas estão muito desalentadas com o quadro econômico mundial. Isso é economia, não é futebol".


A gestão do Andrés Sanchez começou no fim de 2007, com o Corinthians na segunda divisão, e menos de cinco anos depois a Libertadores foi conquistada, uma antiga obsessão da torcida. Quais foram os principais acertos, em termos de gestão, nesse período?
Em primeiro lugar, a reforma do estatuto, tornando ele democrático, moderno e dinâmico. Em segundo, a blindagem do futebol. O Corinthians deve ser o clube com menos intervenção de corneteiros, empresários e familiares. Em terceiro, o estádio. E, em quarto, o marketing.

No caso do marketing, o que fez a maior diferença?
O projeto mais importante foi o sócio-torcedor. O segundo, a rede de franquias. Em três anos, abrir 110 lojas é inédito na história do futebol mundial. E tudo o que a gente faz é para facilitar a vida da Fiel. Quatro longa-metragens, contando recortes da nossa história. Uma TV 24 horas em um canal a cabo exclusivo. O resto é decorrência.

Dá para citar também alguns erros importantes nesses cinco anos, medidas que hoje se mostram pouco acertadas?
Dá, claro. Tentamos fazer um jornal semanal, não conseguimos. Tentamos fazer uma rádio FM, não conseguimos. Ainda não conseguimos colocar no ar um fundo de investimento em jogadores com a cara que a gente quer.

No caso do fundo, qual é o plano e o que tem dado errado?
Quero fazer um fundo que consiga jogadores para o Corinthians, mas que tenha muita lealdade com o investidor. Por exemplo, acho que um episódio como Sonda e Santos em relação ao Neymar é devastador no longo prazo do clube como parceria de mercado [o empresário Delcir Sonda é dono de 40% dos direitos econômicos do jogador santista]. Estamos tomando muito cuidado com isso. Está indo bem, mas ainda não está suficientemente redondo para lançar. E já são quatro anos trabalhando nisso, já era para ter saído. Amistosos, então, nós somos um desastre. Não conseguimos colocar de pé nenhum amistoso notável.

Mas aí tem um problema de calendário, porque o brasileiro não bate com o europeu, e isso extrapola o Corinthians, não?
É verdade. Mas às vezes tem algumas brechas, tentamos fazer e não somos bons nisso.

A gestão do Corinthians é muito elogiada, com um faturamento que cresce ininterruptamente há vários anos, o maior contrato de TV do país. Ainda existe hoje a possibilidade de haver uma regressão na gestão do clube?
É mais ou menos a situação do Brasil. Se a gente eleger uma Cristina Kirchner [presidente da Argentina] tudo é possível. Se elegermos um débil mental que chega aqui e diz que loja e sócio-torcedor são p**** nenhuma, podemos regredir. O Corinthians é muito presidencialista, então temos que ser muito pedagógicos no que fazemos, explicar o porquê, para tentar manter. E, novamente usando a metáfora do Brasil, quanto mais democrático for o processo de eleição, menor esse risco. Sabe-se que um colégio eleitoral de três ou quatro mil tem muito mais chances de errar do que três ou quatro milhões.

No futebol brasileiro isso é um problema recorrente. Um presidente que faz um bom trabalho por dois, quatro ou seis anos, e aí entra um novo, e as coisas começam a regredir. Tem como resolver esse problema? O Internacional chegou a ter um CEO em uma época, e não deu certo.

Bobagem, bobagem. Querer defender uma corporação do seu dono é ridículo. Ou você realmente conquista corações e mentes ou não funciona. Agora, você vê que a gente está evoluindo. Primeiro, foi uma prova de maturidade fantástica o Andrés [Sanchez, ex-presidente corintiano] não pedir reeleição, ao contrário de outros presidentes do país, para dar exemplo de que a gente luta por ideais quando está fora que não mudam quando a gente está dentro. Conseguimos fazer um presidente que tem a maior qualificação dentro do clube. Acredito que a equipe do Mário [Gobbi, presidente corintiano] é um avanço em relação à do Andrés.

O que mudou da gestão do Andrés para a gestão do Gobbi, agora?
Tivemos que fazer substituições, e ele foi muito feliz.

No marketing, no futebol, no financeiro?
Em tudo. No marketing ele trocou um economista metido a besta [refere-se a si mesmo] por um dono de uma Saatchi & Saatchi [agência de publicidade da qual Ivan Marques, atual diretor de marketing corintiano, é sócio-diretor]. É um avanço significativo.

Inclusive, o Ivan está atendendo as expectativas?
O Caio [Campos, gerente de marketing corintiano] está tendo com quem dialogar, criar coisas. Como ele iria conversar com um economista para explicar o que é ativação? Melhorou muito.

Depois de vencê-la, dá para estimar quanto vale um título de Libertadores financeiramente? Somando patrocínios pontuais, bilheterias...
Ainda não está definido, porque tem muita água para correr. Fiz uma estimativa com o Caio, e por baixo já deu uns R$ 25 milhões. Mas acho que vai dar mais do que isso. A loja está faturando muito mais. É difícil saber. Quando lançarmos o livro da Libertadores, vai ser uma febre. O livro do Brasileirão do ano passado está vendendo muito mais desde que a gente ganhou. Dá para dizer os efeitos diretos, mas os indiretos são muito grandes. E quantos torcedores de três, quatro ou cinco anos eu ganhei? É o consumidorzinho que vai comprar nossos produtos daqui a 15 anos.

Daqui até o Mundial, como o Corinthians irá explorar o título da Libertadores e a participação no Mundial comercialmente?
Na verdade, tenho dois produtos para vender. Um é o congelamento da Libertadores em produtos, que é lançar camisetas, livros. Mas eu ganhei de graça um outro produto que talvez seja ainda mais valioso, que é a perspectiva de ganhar um Mundial. Vamos começar a fazer festas em relação a preparação, mobilizar torcida no exterior a favor do Corinthians. Imagine o que teremos de torcedor na Inglaterra. Teremos mais torcida que o Chelsea [virtual adversário corintiano no Mundial de 2012]. Do mesmo jeito que torcemos para o Manchester United contra o Palmeiras [no Mundial de 1999], vamos ter a torcida do Manchester City, do Arsenal. Vão ser todos nossos. Faremos esse trabalho e vamos começar a vender camiseta lá fora.

O mundial será uma oportunidade única de expor a marca do clube para todo o mundo. Haverá alguma ação para internacionalizar a marca do Corinthians, algo que se fala muito no Brasil e se faz pouco?
A gente estava trabalhando nisso mesmo sem o título, então vai acelerar. O que imaginávamos que ia acontecer no ano que vem vai acontecer neste ano. Vamos lançar um programa de TV semanal na televisão aberta chinesa só sobre o Corinthians, de meia hora. Vamos fazer amistosos, trabalhar com a Nike para fazer venda de camisas. Estamos só esperando o calendário do ano que vem, que será atípico, por causa da Copa das Confederações, e achamos que terá brechas legais para amistosos. Estamos negociando com Estados Unidos, África e mundo Árabe com China.

E aí a Nike tem o papel de fazer o meio-campo?
Sim, claro. Sempre tivemos a plataforma mais poderosa do mundo para a internacionalização e nunca nos sentimos confortáveis para usá-la. Agora, sim.

Quanto à contratação do Chen Zhizhao, como o Corinthians a avalia depois de todos esses meses? A estratégia para aparecer na China funcionou?
Eu estive lá, e você não imagina o "auê" que ele provoca. Note, se o Corinthians tivesse contratado um grande jogador de tênis de mesa da China, já seria notícia. Quer dizer, pegar o que eles fazem de melhor, trazer para o Brasil e aproximar os dois países. Quando o maior país de futebol do mundo pega o time campeão brasileiro, e ele pega um chinês para jogar, isso é pegar uma mulata do [Oswaldo] Sargentelli e colocar para cantar ópera. É muito mais exótico, emotivo, e o chinês está muito feliz com isso. Pena que ele não jogou. Foi se machucar, uma coisa que o marketing não consegue prever. E o menino é bom, viu. Do jeito que está tudo dando certo no Corinthians, ele será o novo Neymar.

O Corinthians, hoje, está sem patrocínio máster, assim como Flamengo e São Paulo. O que aconteceu? Os valores pedidos estão muito altos? As empresas ainda não se sentem confortáveis em pagar R$ 50 milhões?
Primeiro, o Corinthians ficou muito contente com os patrocínios tópicos que a gente fez durante a Libertadores, porque eu jamais conseguiria isso em um contrato anual. E você já conhece nosso estilo. Em cinco anos, não muda. O Corinthians é muito caro, negocia de uma forma muito dura e depois entrega mais do que combinou. Estamos tranquilos.

Mas não prejudica ficar sem patrocinador máster?
É claro que é como ter um apartamento para alugar. A cada mês que você não alugou, você se arrepende de não ter dado o desconto daquele mês no contrato. Mas a diferença é a postura das empresas. Elas estão muito desalentadas com o quadro econômico mundial. Isso gera um processo mais lento de decisão dentro delas.

Isso deve mudar com a Copa chegando?
Não. Isso muda com a economia americana dinamizando, a europeia saindo da draga, e a gente voltando a crescer. Não tem jeito. Isso é economia, não é futebol.

Durante o Mundial, apenas a cota máster, justamente a que está livre hoje, tem exposição durante a partida. Isso será um trunfo nas negociações?
Sem dúvida. Nem precisa dizer, porque as empresas já sabem muito bem.

Como está a exploração comercial da Arena Corinthians? Há alguma negociação ou alguma propriedade vendida?
Não, estamos segurando. Eu só vou ter essa arena em setembro de 2014. Quanto mais ela estiver evidente, mais caro eu vendo. Vender agora é vender na baixa. Ela é tão diferente de todas as outras, tão monumental, você não imagina o acabamento que tem aquele bloco de dez andares. A hora que o empresário visualizar aquilo... Vai ter um lounge antes dos camarotes que, para uma indústria automobilística, colocar os lançamentos é coisa para gente AAA.

Quando é a hora perfeita para começar a vender?
No fim do ano, eu já começo.

Quanto dá para arrecadar com estádio por ano?
A nossa estimativa é um acréscimo líquido de receita de R$ 100 milhões por ano.

Os naming rights estão inclusos?
Sim. R$ 20 milhões por ano. Mas isso é pouca coisa. O que dá dinheiro é camarote. O estádio continuará com a postura corintiana de Robin Hood. Ele vai ser muito caro para a classe A e suportável para as classes C e D. Porque ele é todo segmentado. Mas mesmo assim na área popular o banheiro vai ter ar condicionado. É diferente quando é do dono, porque o zelo é muito maior.

Inclusive, principalmente entre outras torcidas, existem muitas críticas pelo estádio ter um financiamento de R$ 400 milhões do BNDES. Isso mancha de alguma maneira a construção do estádio?
Imagine! Financiamento não é doação. Vou pagar igual a todos os outros estádios, sem nenhuma ajuda. Agora, tudo aquilo que foi ampliação exigida pela Fifa, seria justo que eu pague? Quem vai se beneficiar disso? A cidade de São Paulo. Então ela pegou um estímulo que já tinha em lei e cedeu um investimento que dá um grande retorno para ela. Eu pago o meu, ela paga o dela. Tenho R$ 100 milhões para pagar por ano, p****.

O senhor já deu muitas declarações polêmicas, algumas engraçadas, outras alfinetando presidentes de outros clubes. Em algum momento sentiu que passou algum limite?
Não, que isso! O que eu faço é aguçar rivalidade, nunca inimizade. A relação que tenho com a diretoria do São Paulo é fraterna, assim como com Palmeiras, Santos. O futebol precisa disso: mostrar que rivalidade existe, tem que ser aguçada e deve durar rigorosamente 90 minutos dentro de campo. Na hora de sair e pegar o metrô, somos todos proletariados que não sabem como o salário vai chegar até o fim do mês. Não imagino amar ou odiar uma pessoa porque a camisa dela é verde, isso é ridículo. Acho que esse tipo de atitude faz trocar violência por jocosidade.

E tem funcionado?
A segurança pública considera a nossa a menos violenta das torcidas. Temos muito diálogo, mostramos o que tentamos fazer, então acho que estamos indo bem.

Como o Corinthians avalia o patrocínio ao Anderson Silva?
Maravilhoso. A gente descobriu que em outras modalidades não é o time que decide onde vai ter patrocínio, é o mercado. Conseguimos o Anderson da forma que foi, e está indo muito bem o polo. É claro que queríamos um grande time de vôlei, outro de basquete, fazemos com muito sacrifício a natação, mas gostaríamos de ver isso alavancado. O Gobbi tem uma participação muito grande para ver o Corinthians na Olimpíada. À medida que ela se aproxima, vai ter mais patrocínios para essa área. Mas infelizmente o clube tem de ser reativo. Em cinco anos tentamos muito atrair recursos para essas modalidades, mas com muito pouco sucesso.

Qual é o principal problema?
Pouca exposição. O Brasil é um país muito focado em futebol.

No caso do MMA, depois que o Anderson Silva se aposentar, vocês pretendem seguir investindo ou é uma coisa pontual na história do clube?
Quem vai dizer é o mercado. Acho que se surgir uma liderança forte daqui a cinco anos, quando o Anderson parar, a gente vai ter continuidade.

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2012/07/da-segunda-divisao-libertadores-como-o-corinthians-virou-referencia-em-gestao.html

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O que falta ao marketing esportivo brasileiro


JOSÉ CARLOS BRUNORO, PRESIDENTE DO CONSELHO DA AGÊNCIA BRUNORO SPORT BUSINESS, VÊ POTENCIAL DESPERDIÇADO POR CLUBES E EMPRESAS.

De um lado, clubes de futebol com departamentos de marketing demasiadamente concentrados em conseguir patrocínios. De outro, empresas que sabem que precisam investir em esporte de alguma maneira, em função da chegada da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos ao Brasil, mas ainda se restringem a buscar exposição de marca.

Esse é o diagnóstico feito por José Carlos Brunoro, presidente do conselho da agência Brunoro Sport Business (BSB), a respeito do marketing esportivo no país atualmente. “Os clubes ainda estão muito longe do ideal”, analisa. “E é mais difícil vender planejamento estratégico para as empresas, porque a maioria insiste em conseguir só visibilidade, pensando em curto prazo”.

Em entrevista a Época NEGÓCIOS, o executivo, considerado como um dos precursores do marketing esportivo no Brasil, detalhou a situação do mercado e de suas várias faces: entidades, agências, empresas, instituições de ensino e empregos. E, em especial, todos os efeitos que a Copa e a Olimpíada irão causar em cada uma dessas vertentes.

A carreira de Brunoro no esporte começou em 1964, como atleta, e em 1978, como gestor, na posição de técnico da equipe de vôlei da Pirelli. De lá para cá, participou da reconhecida “Era Parmalat” no Palmeiras, quando a companhia montou esquema de co-gestão com os paulistas, trabalhou com o piloto Pedro Paulo Diniz e com o Pão de Açúcar, entre outras experiências.

Os clubes de futebol estão, hoje, mais profissionais? Estão mais bem preparados para aproveitar as oportunidades que a Copa traz?
Os clubes estão começando a vislumbrar coisas melhores, mas ainda estão muito longe do ideal. Principalmente em gestão. Quando ela não é profissional, competente, também não tem um marketing adequado. O marketing no esporte vem junto da gestão bem feita. Por isso que, lá atrás, a Parmalat foi essencial. Era uma empresa com tradição enorme de investir, mas que não acreditava em pagar sem participar da gestão. Ela queria ver como a marca era trabalhada, para onde ia o dinheiro, se o produto estava em dia com as ações de marketing, e ela serviu como exemplo do que pode ser feito. Precisamos nos comprometer melhor na gestão dos clubes.

E em relação ao marketing?
O marketing dos clubes tem basicamente a função de buscar recursos, por meio de patrocínios ou licenciamentos, e poderia ser mais do que isso. Clubes são grandes marcas que poderiam ser trabalhadas para valorizar produtos, ter diversificação, faturar em mais segmentos.

Muitos dirigentes falam em internacionalização da marca do clube, principalmente aqueles que obtiveram mais vitórias em um passado recente, como Santos e Internacional. Os clubes de modo geral estão prontos para ir para o exterior? O mercado brasileiro já foi totalmente dominado?
Eu ouço falarem isso, mas não vejo plano neste sentido. Os clubes brasileiros têm a vocação para ouvir uma coisa e dizer que podem fazer, mas não é bem assim. Às vezes querem fazer, expandir o nome, mas, como tudo, precisam de planejamento, investimento. Essa é uma palavra que os clubes não gostam de ouvir. Quando se fala em investir para ter publicidade, clube não gosta. É preciso planejar quais áreas serão penetradas, em quais mercados, quanto vai precisar investir para isso, montar um calendário, conseguir transmissão de televisões, uma série de coisas.

O Corinthians é um caso recente. O Luis Paulo Rosenberg, agora vice-presidente, falou muito em explorar o mercado chinês por meio da contratação de um jogador de lá. Essa é uma tentativa válida?
Muito, mas é uma situação pontual. Atrás disso, não sei se há algo planejado. Como o Rosenberg é altamente qualificado, ele sabe que isso vai demandar outras coisas. É como uma empresa lançar um produto: o mercado precisa estar preparado.

Em tempos de divulgação de balanços financeiros, como agora, aparecem números que mostram receitas cada vez maiores nos clubes. Mas, ao mesmo tempo, percebe-se que os maiores impulsos vêm de poucas receitas, como negociação de direitos de TV. Os clubes ainda são reféns desse tipo de renda? O que deve ser feito para mudar o cenário?
Sem dúvida, mas não é um fator brasileiro. É mundial. Clubes em todo lugar do mundo são reféns de TV e patrocínios. É lógico que lá fora eles têm bilheteria mais forte, arenas com rendimentos altos, outras atividades, mas essas são fundamentais. Não tem muita fórmula do que fazer. É preciso melhorar a participação de outras receitas, com maior frequência do público no estádio, consumo nas arenas, licenciados, mas TV e patrocínio sempre serão as principais.

Na mesma linha, outros esportes também têm sofrido com poucas fontes de receita. O caso mais recente é o time de vôlei da Cimed, que acabou depois que o laboratório perdeu a parceria da Sky. Há salvação para esportes que não têm uma base tão grande e fanática de torcedores como o futebol? Qual?
Isso está acontecendo, perigosamente, nos esportes amadores, principalmente no vôlei. E acontece por não ter um trabalho de base. Eles ficam reféns só das contratações, porque poucos têm trabalho de base, e aí não conseguem manter a equipe. Se os times de vôlei tivessem categorias de base, caso perdessem patrocinadores, daria para manter um time menos competitivo e buscar caminhos durante o ano. É perigoso montar só o profissional e não ter como sobreviver quando um patrocinador sai.

O Brasil tem pela frente uma maratona de grandes eventos. Copa das Confederações, Copa do Mundo, Copa América, Jogos Olímpicos e, inclusive, os X-Games, que a BSB passa a organizar pelos próximos três anos. O país está pronto para receber tantos eventos?
A partir de 2014, teremos uma estrutura cada vez melhor para receber esses grandes eventos, em função de estarem sendo feitas todas as etapas, todo esse caderno de encargos, que preveem mais segurança, mobilidade urbana, entre tantas necessidades. A partir daí, vamos conseguir receber com mais facilidade.

Acontece que, ao mesmo tempo em que o Brasil recebe tantos eventos, apenas para citar um exemplo, o UFC teve de voltar para Las Vegas depois de não ter conseguido um lugar em São Paulo ou no Rio de Janeiro para fazer o confronto entre Anderson Silva e Chael Sonnen. Não é um mau presságio para um país que terá tantos eventos esportivos?
O problema é que todo mundo acha que só existe vida no eixo Rio-São Paulo. O Paraná não é um Estado que suporta grandes eventos? Minas Gerais? Rio Grande do Sul? Todo mundo acha que só São Paulo e Rio podem suportar, e nós temos estruturas e locais espetaculares em outros eixos. Levar os X-Games para Foz do Iguaçu cumpre exatamente essa ideia.

Enquanto se fala muito sobre profissionalismo nas entidades esportivas, como está o mercado do lado das marcas? As empresas estão prontas para trabalhar com os grandes eventos?
As empresas querem fazer, mas ainda não sei se estão prontas. A visão da empresa, na maioria dos casos, se restringe a visibilidade. Aquelas que querem investir bem, de maneira qualificada, têm de ter investimentos estratégicos. E dá para fazer isso no Brasil, porque estamos em um período, até 2016, em que dá para fazer todas as ações em volta dos eventos. Não é mais um terreno pontual. E ainda assim empresas insistem em conseguir só visibilidade, pensar em curto prazo. É mais difícil vender planejamento estratégico para as empresas. Nesse lado, elas têm planejamentos mais bem feitos em diversos segmentos, mas não no esporte. E a maioria não vai ter como ficar de fora de ações esportivas nos próximos anos, pelo menos entre as grandes.

Novamente traçando um paralelo entre entidades e empresas, os clubes já têm diretores de marketing dedicados, embora muitos sejam ainda voluntários. Algumas empresas, por sua vez, têm gerências voltadas para marketing esportivo. Isso é uma tendência?
Isso já existe em algumas empresas, gente dedicada ao desenvolvimento esportivo. Não há um departamento de marketing esportivo, mas alguém que fala com o mercado, com as agências e com os patrocinados. Muitas já têm, e é uma tendência mesmo. Agora, um departamento só para isso eu não acho que valha a pena. É melhor ter um ou dois responsáveis, apenas.

É consenso no mercado que marketing esportivo não é só estampar marca em camisa, fazer patrocínio e medir retorno de mídia. Quem, hoje, faz melhor uso dessa ferramenta, no sentido de também buscar ativação, entre outras partes que a compõem?
A visibilidade é só uma parte. Marketing esportivo é comunicação 360°, que atinge todos os públicos, interno e externo, que constrói marca, e é preciso aprender a atuar nesse sentido. O Banco do Brasil é um exemplo claro do que deve ser feito, e é legal porque eles são uma estatal. Eles fazem muito bem o trabalho interno, externo, diretamente no evento e fora dele, com o consumidor.

Virou moda falar em marketing esportivo, e então surgiram várias pequenas agências para lidar com assuntos específicos, como gerenciamento de carreiras e captação de patrocínios. Como você vê a chegada dessas agências ao mercado?
É natural que apareçam muitas, porque as pessoas acham que é uma grande oportunidade, mas acho que vão ficar somente as mais preparadas, as mais competitivas, com maior conhecimento de mercado. Também ocorre o fato de agências de fora virem ao Brasil, mas é uma situação perigosa.

Por quê?
Porque elas podem vir só para essas oportunidades pontuais, ficar durante os eventos e ir embora depois. Pode ser até que venham porque têm um cliente global que estará presente. E também porque muitas entram sem conhecer o mercado brasileiro. Aqui temos situações diferentes. Falar de futebol aqui é diferente. E isso gera um outro tipo de situação, que são agências estrangeiras buscando união com empresas nacionais.

Com a Copa a dois anos de ser realizada no Brasil e os Jogos Olímpicos a quatro, fala-se muito em mais oportunidades para trabalhar com marketing esportivo. Esse pressuposto está correto? Os megaeventos estão mesmo gerando empregos a brasileiros nessa área?
Temos, paralelamente, gestão esportiva e marketing. Estamos precisando de gestores esportivos para todas essas atividades. Essas competições trazem empregos principalmente na parte paralela a elas. As empresas que as patrocinam, mesmo, são poucas, então há mais chances de trabalhar no entorno, e isso tem acontecido.

Quais são essas áreas paralelas?
Dá para trabalhar em confederações, entidades, fazer exploração específica de atletas, montar eventos que tenham como pano de fundo essas competições, projetos educacionais voltados para legado esportivo, gestão de arenas – e não só as que recebem a Copa, mas as de outras cidades, que querem ser sub-sedes e fazem arenas menores. Aí já há uma gama maior de empregos.

As instituições de ensino estão preparando profissionais de modo adequado para trabalhar com marketing esportivo no Brasil? Se não, onde estão as deficiências?
Todas estão abrindo MBAs, coisas voltadas para esse mercado, mas adequadamente são poucas. Fico assustado com aquelas que abrem só pelo comércio, com mensalidades baixíssimas e professores pagos de forma ridícula. Mas já vimos iniciativas grandes em capacitação, e há casos legais, como o do Sebrae, que têm preparado cursos para a rede hoteleira, para taxistas, uma série de empregos na base que são necessários.

Por fim, sobre o período que irá suceder os grandes eventos, inclusive, existe o temor no mercado de que as oportunidades irão sumir depois que a Copa e os Jogos acontecerem. Você tem a mesma visão? O que será do marketing esportivo no período pós-2016?
É uma incógnita. Se as empresas forem inteligentes e tiverem planejamento estratégico, esperamos que o esporte esteja consolidado como prática, que haja um legado. Eu espero que seja um grande mercado a partir de 2016. É uma incógnita, mas estou otimista que isso não ocorra.

Fonte: http://observatorio.esportes.mg.gov.br/gestao-esportiva/2012/07/o-que-falta-ao-marketing-esportivo-brasileiro

http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2012/05/o-que-falta-ao-marketing-esportivo-brasileiro.html

terça-feira, 26 de junho de 2012

VICE-CAMPEÃO DA NBA, OKLAHOMA TEM MELHOR CUSTO-BENEFÍCIO NOS EUA


EMBORA TENHA PERDIDO NA DECISÃO PARA O MIAMI HEAT, EQUIPE CONSEGUIU MELHOR EFICIÊNCIA QUANDO COMPARADOS SALÁRIOS E VITÓRIAS

Por Rodrigo capelo

A NBA, principal liga de basquete dos Estados Unidos e do mundo, terminou na última semana com vitória do Miami Heats (time de Miami) sobre o Oklahoma City Thunder (de Oklahoma) e título para o trio LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh. Mas, derrota na decisão à parte, foram os vice-campeões que tiveram o melhor desempenho na comparação entre quantia gasta com folha salarial e vitórias dentro de quadra.

Uma pesquisa realizada pela agência Jambo Sport Business, obtida com exclusividade por Época NEGÓCIOS, organizou as cifras pagas pelas equipes da NBA a seus atletas.

A que mais gasta, por exemplo, é o Boston Celtics: US$ 88 milhões por temporada. A menos custosa, no outro extremo, é o Toronto Raptors: "apenas" US$ 47 milhões destinados a salários de jogadores anualmente.

O passo seguinte foi cruzar essas informações com o número de vitórias na fase classificatória e nos playoffs, quando são feitos confrontos diretos entre dois times. Essa é uma forma de tentar mensurar qual o custo-benefício de cada uma das franquias da NBA.

Como resultado, a equipe que tem o pior índice nesse sentido é o Charlotte Bobcats, com US$ 8,2 milhões gastos por vitória. O Oklahoma, vice-campeão, foi quem ficou melhor colocado nesse ranking, com US$ 1 milhão por triunfo, e o Miami Heat, campeão da temporada, ficou próximo disso: US$ 1,2 milhão por vitória.

 "Isso não quer dizer que eles têm uma gestão melhor, mas com certeza indica que eles conseguiram, pagando salários menores, resultados melhores. Uma das conclusões é que quem paga muito menos dificilmente chegará à frente, então é importante ter um elenco equilibrado para ter chance de título. Mas não adianta ter os maiores salários, porque isso não garante troféu. Com uma série histórica, ficarei mais à vontade para ter certezas, mas a temporada 2011/2012 aponta que é importante ter equilíbrio", avalia Idel Halfen, responsável pelo estudo na agência.






Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Resultados/noticia/2012/06/vice-campeao-da-nba-oklahoma-tem-melhor-custo-beneficio-nos-eua.html

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O QUE FALTA AO MARKETING ESPORTIVO BRASILEIRO


JOSÉ CARLOS BRUNORO, PRESIDENTE DO CONSELHO DA AGÊNCIA BRUNORO SPORT BUSINESS, VÊ POTENCIAL DESPERDIÇADO POR CLUBES E EMPRESAS

De um lado, clubes de futebol com departamentos de marketing demasiadamente concentrados em conseguir patrocínios. De outro, empresas que sabem que precisam investir em esporte de alguma maneira, em função da chegada da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos ao Brasil, mas ainda se restringem a buscar exposição de marca.

Esse é o diagnóstico feito por José Carlos Brunoro, presidente do conselho da agência Brunoro Sport Business (BSB), a respeito do marketing esportivo no país atualmente. “Os clubes ainda estão muito longe do ideal”, analisa. “E é mais difícil vender planejamento estratégico para as empresas, porque a maioria insiste em conseguir só visibilidade, pensando em curto prazo”.

Em entrevista a Época NEGÓCIOS, o executivo, considerado como um dos precursores do marketing esportivo no Brasil, detalhou a situação do mercado e de suas várias faces: entidades, agências, empresas, instituições de ensino e empregos. E, em especial, todos os efeitos que a Copa e a Olimpíada irão causar em cada uma dessas vertentes.

A carreira de Brunoro no esporte começou em 1964, como atleta, e em 1978, como gestor, na posição de técnico da equipe de vôlei da Pirelli. De lá para cá, participou da reconhecida “Era Parmalat” no Palmeiras, quando a companhia montou esquema de co-gestão com os paulistas, trabalhou com o piloto Pedro Paulo Diniz e com o Pão de Açúcar, entre outras experiências.

Os clubes de futebol estão, hoje, mais profissionais? Estão mais bem preparados para aproveitar as oportunidades que a Copa traz?
Os clubes estão começando a vislumbrar coisas melhores, mas ainda estão muito longe do ideal. Principalmente em gestão. Quando ela não é profissional, competente, também não tem um marketing adequado. O marketing no esporte vem junto da gestão bem feita. Por isso que, lá atrás, a Parmalat foi essencial. Era uma empresa com tradição enorme de investir, mas que não acreditava em pagar sem participar da gestão. Ela queria ver como a marca era trabalhada, para onde ia o dinheiro, se o produto estava em dia com as ações de marketing, e ela serviu como exemplo do que pode ser feito. Precisamos nos comprometer melhor na gestão dos clubes.

E em relação ao marketing?
O marketing dos clubes tem basicamente a função de buscar recursos, por meio de patrocínios ou licenciamentos, e poderia ser mais do que isso. Clubes são grandes marcas que poderiam ser trabalhadas para valorizar produtos, ter diversificação, faturar em mais segmentos.

Muitos dirigentes falam em internacionalização da marca do clube, principalmente aqueles que obtiveram mais vitórias em um passado recente, como Santos e Internacional. Os clubes de modo geral estão prontos para ir para o exterior? O mercado brasileiro já foi totalmente dominado?
Eu ouço falarem isso, mas não vejo plano neste sentido. Os clubes brasileiros têm a vocação para ouvir uma coisa e dizer que podem fazer, mas não é bem assim. Às vezes querem fazer, expandir o nome, mas, como tudo, precisam de planejamento, investimento. Essa é uma palavra que os clubes não gostam de ouvir. Quando se fala em investir para ter publicidade, clube não gosta. É preciso planejar quais áreas serão penetradas, em quais mercados, quanto vai precisar investir para isso, montar um calendário, conseguir transmissão de televisões, uma série de coisas.

O Corinthians é um caso recente. O Luis Paulo Rosenberg, agora vice-presidente, falou muito em explorar o mercado chinês por meio da contratação de um jogador de lá. Essa é uma tentativa válida?
Muito, mas é uma situação pontual. Atrás disso, não sei se há algo planejado. Como o Rosenberg é altamente qualificado, ele sabe que isso vai demandar outras coisas. É como uma empresa lançar um produto: o mercado precisa estar preparado.

Em tempos de divulgação de balanços financeiros, como agora, aparecem números que mostram receitas cada vez maiores nos clubes. Mas, ao mesmo tempo, percebe-se que os maiores impulsos vêm de poucas receitas, como negociação de direitos de TV. Os clubes ainda são reféns desse tipo de renda? O que deve ser feito para mudar o cenário?
Sem dúvida, mas não é um fator brasileiro. É mundial. Clubes em todo lugar do mundo são reféns de TV e patrocínios. É lógico que lá fora eles têm bilheteria mais forte, arenas com rendimentos altos, outras atividades, mas essas são fundamentais. Não tem muita fórmula do que fazer. É preciso melhorar a participação de outras receitas, com maior frequência do público no estádio, consumo nas arenas, licenciados, mas TV e patrocínio sempre serão as principais.

Na mesma linha, outros esportes também têm sofrido com poucas fontes de receita. O caso mais recente é o time de vôlei da Cimed, que acabou depois que o laboratório perdeu a parceria da Sky. Há salvação para esportes que não têm uma base tão grande e fanática de torcedores como o futebol? Qual?
Isso está acontecendo, perigosamente, nos esportes amadores, principalmente no vôlei. E acontece por não ter um trabalho de base. Eles ficam reféns só das contratações, porque poucos têm trabalho de base, e aí não conseguem manter a equipe. Se os times de vôlei tivessem categorias de base, caso perdessem patrocinadores, daria para manter um time menos competitivo e buscar caminhos durante o ano. É perigoso montar só o profissional e não ter como sobreviver quando um patrocinador sai.

O Brasil tem pela frente uma maratona de grandes eventos. Copa das Confederações, Copa do Mundo, Copa América, Jogos Olímpicos e, inclusive, os X-Games, que a BSB passa a organizar pelos próximos três anos. O país está pronto para receber tantos eventos?
A partir de 2014, teremos uma estrutura cada vez melhor para receber esses grandes eventos, em função de estarem sendo feitas todas as etapas, todo esse caderno de encargos, que preveem mais segurança, mobilidade urbana, entre tantas necessidades. A partir daí, vamos conseguir receber com mais facilidade.

Acontece que, ao mesmo tempo em que o Brasil recebe tantos eventos, apenas para citar um exemplo, o UFC teve de voltar para Las Vegas depois de não ter conseguido um lugar em São Paulo ou no Rio de Janeiro para fazer o confronto entre Anderson Silva e Chael Sonnen. Não é um mau presságio para um país que terá tantos eventos esportivos?
O problema é que todo mundo acha que só existe vida no eixo Rio-São Paulo. O Paraná não é um Estado que suporta grandes eventos? Minas Gerais? Rio Grande do Sul? Todo mundo acha que só São Paulo e Rio podem suportar, e nós temos estruturas e locais espetaculares em outros eixos. Levar os X-Games para Foz do Iguaçu cumpre exatamente essa ideia.

Enquanto se fala muito sobre profissionalismo nas entidades esportivas, como está o mercado do lado das marcas? As empresas estão prontas para trabalhar com os grandes eventos?
As empresas querem fazer, mas ainda não sei se estão prontas. A visão da empresa, na maioria dos casos, se restringe a visibilidade. Aquelas que querem investir bem, de maneira qualificada, têm de ter investimentos estratégicos. E dá para fazer isso no Brasil, porque estamos em um período, até 2016, em que dá para fazer todas as ações em volta dos eventos. Não é mais um terreno pontual. E ainda assim empresas insistem em conseguir só visibilidade, pensar em curto prazo. É mais difícil vender planejamento estratégico para as empresas. Nesse lado, elas têm planejamentos mais bem feitos em diversos segmentos, mas não no esporte. E a maioria não vai ter como ficar de fora de ações esportivas nos próximos anos, pelo menos entre as grandes.

Novamente traçando um paralelo entre entidades e empresas, os clubes já têm diretores de marketing dedicados, embora muitos sejam ainda voluntários. Algumas empresas, por sua vez, têm gerências voltadas para marketing esportivo. Isso é uma tendência?
Isso já existe em algumas empresas, gente dedicada ao desenvolvimento esportivo. Não há um departamento de marketing esportivo, mas alguém que fala com o mercado, com as agências e com os patrocinados. Muitas já têm, e é uma tendência mesmo. Agora, um departamento só para isso eu não acho que valha a pena. É melhor ter um ou dois responsáveis, apenas.

É consenso no mercado que marketing esportivo não é só estampar marca em camisa, fazer patrocínio e medir retorno de mídia. Quem, hoje, faz melhor uso dessa ferramenta, no sentido de também buscar ativação, entre outras partes que a compõem?
A visibilidade é só uma parte. Marketing esportivo é comunicação 360°, que atinge todos os públicos, interno e externo, que constrói marca, e é preciso aprender a atuar nesse sentido. O Banco do Brasil é um exemplo claro do que deve ser feito, e é legal porque eles são uma estatal. Eles fazem muito bem o trabalho interno, externo, diretamente no evento e fora dele, com o consumidor.

Virou moda falar em marketing esportivo, e então surgiram várias pequenas agências para lidar com assuntos específicos, como gerenciamento de carreiras e captação de patrocínios. Como você vê a chegada dessas agências ao mercado?
É natural que apareçam muitas, porque as pessoas acham que é uma grande oportunidade, mas acho que vão ficar somente as mais preparadas, as mais competitivas, com maior conhecimento de mercado. Também ocorre o fato de agências de fora virem ao Brasil, mas é uma situação perigosa.

Por quê?
Porque elas podem vir só para essas oportunidades pontuais, ficar durante os eventos e ir embora depois. Pode ser até que venham porque têm um cliente global que estará presente. E também porque muitas entram sem conhecer o mercado brasileiro. Aqui temos situações diferentes. Falar de futebol aqui é diferente. E isso gera um outro tipo de situação, que são agências estrangeiras buscando união com empresas nacionais.

Com a Copa a dois anos de ser realizada no Brasil e os Jogos Olímpicos a quatro, fala-se muito em mais oportunidades para trabalhar com marketing esportivo. Esse pressuposto está correto? Os megaeventos estão mesmo gerando empregos a brasileiros nessa área?
Temos, paralelamente, gestão esportiva e marketing. Estamos precisando de gestores esportivos para todas essas atividades. Essas competições trazem empregos principalmente na parte paralela a elas. As empresas que as patrocinam, mesmo, são poucas, então há mais chances de trabalhar no entorno, e isso tem acontecido.

Quais são essas áreas paralelas?
Dá para trabalhar em confederações, entidades, fazer exploração específica de atletas, montar eventos que tenham como pano de fundo essas competições, projetos educacionais voltados para legado esportivo, gestão de arenas – e não só as que recebem a Copa, mas as de outras cidades, que querem ser sub-sedes e fazem arenas menores. Aí já há uma gama maior de empregos.

As instituições de ensino estão preparando profissionais de modo adequado para trabalhar com marketing esportivo no Brasil? Se não, onde estão as deficiências?
Todas estão abrindo MBAs, coisas voltadas para esse mercado, mas adequadamente são poucas. Fico assustado com aquelas que abrem só pelo comércio, com mensalidades baixíssimas e professores pagos de forma ridícula. Mas já vimos iniciativas grandes em capacitação, e há casos legais, como o do Sebrae, que têm preparado cursos para a rede hoteleira, para taxistas, uma série de empregos na base que são necessários.

Por fim, sobre o período que irá suceder os grandes eventos, inclusive, existe o temor no mercado de que as oportunidades irão sumir depois que a Copa e os Jogos acontecerem. Você tem a mesma visão? O que será do marketing esportivo no período pós-2016?
É uma incógnita. Se as empresas forem inteligentes e tiverem planejamento estratégico, esperamos que o esporte esteja consolidado como prática, que haja um legado. Eu espero que seja um grande mercado a partir de 2016. É uma incógnita, mas estou otimista que isso não ocorra.

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2012/05/o-que-falta-ao-marketing-esportivo-brasileiro.html