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domingo, 12 de agosto de 2012

Próximo prefeito do Rio terá grandes desafios olímpicos


Futura gestão precisará garantir legado social das Olimpíadas e cumprir prazos

Por Cassio bruno e Renato Onofre

RIO - Começa hoje a contagem regressiva para o início dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio. Nos próximos quatro anos, caberá ao prefeito eleito cumprir e entregar no prazo as obras de infraestrutura da cidade previstas no compromisso enviado ao Comitê Olímpico Internacional (COI), além de gerenciar a construção das principais instalações olímpicas. Outro desafio da futura gestão municipal será garantir que a realização da competição represente também um legado social aos cariocas.

Em outubro, termina o prazo para eventuais modificações nos projetos. A partir daí, eles não serão mais passíveis de alterações.
O prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, afirma que manterá todos os projetos atuais e que sua maior preocupação, se vencer, será com a própria organização do evento. Paes lidera com folga as pesquisas: segundo o Ibope, tem 49% das intenções de voto, e, pelo Datafolha, 54%. Marcelo Freixo (PSOL), que aparece em segundo, está longe: tem 8%, pelo Ibope, e 10%, pelo Datafolha.

Rodrigo Maia (DEM), Otavio Leite (PSDB) e Aspásia Camargo (PV) são unânimes. Para não fazer feio, a prefeitura terá de reestruturar o trânsito. Freixo diz que falta transparência nos contratos com o setor privado, o que dificultará o evento.
Fazendo considerações genéricas, nenhum dos quatro oposicionistas, porém, detalhou ao GLOBO a proposta sobre como conduzir o projeto olímpico do Rio.
— Sem dúvida, é organizar o trânsito da cidade durante o período das competições. O exemplo de Londres nos aponta isso — afirma Leite.
— Precisamos estruturar a engenharia de tráfego da cidade, que, infelizmente, anda muito mal nos últimos tempos — completa Maia.
Aspásia lembra que a ampliação do sistema de transporte não é função da prefeitura:
— Não é o prefeito que pode dar soluções mais robustas, como ampliação de linhas de metrô e de transporte sobre trilhos.

Das obras visando a melhorias físicas para a cidade, a construção dos ramais de ônibus articulados (BRTs) é a mais adiantada, apesar de já apresentar problemas de manutenção, como buracos. Estão previstos 150 quilômetros de vias, divididas em quatro linhas: Transoeste, Transcarioca, Transolímpica e Transbrasil.
Em Londres, que tem um dos mais completos sistemas de transporte de massa do mundo, com interligações entre trem, metrô e ônibus, os Jogos também significaram engarrafamentos, ligando o sinal de alerta do Comitê Olímpico Rio 2016.
— Em qualquer cidade que receba os Jogos, o transporte é sempre o desafio — afirma o diretor do Comitê Olímpico Rio 2016, Leonardo Gryner.

Legado social é preocupação
O investimento social é outra preocupação. Pelo dossiê de encargos, há o compromisso de investir em comunidades carentes no entorno dos complexos esportivos. Paes afirma que já há investimentos nesse setor:
— Pergunta à dona Maria que saía de Santa Cruz para a Barra da Tijuca num ônibus comum o que representou para ela a inauguração da Transoeste. Um de nossos grandes legados (sociais) é transporte. Nós concluímos as vilas olímpicas do Caju e do Mato Alto, e estamos construindo mais duas em Guaratiba e Honório Gurgel. Sem contar o projeto Morar Carioca para urbanizar as comunidades.
Sandro Corrêa, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, alerta:
— O legado social tem que ir além da melhoria de infraestrutura. E deve ser sentido também no campo administrativo, com o saneamento das contas públicas após os Jogos Olímpicos.
Nos Jogos Pan-americanos do Rio, em 2007, o orçamento previsto inicialmente era de R$ 414 milhões. Mas, no fim, as obras custaram R$ 3,7 bilhões aos cofres públicos.

A presidente da Empresa Olímpica Municipal, Maria Sílvia Bastos Marques, informou que só no segundo semestre do ano que vem o custo dos Jogos será conhecido. O orçamento original, apresentado no Dossiê de Candidatura em 2007, previa investimentos de R$ 28,8 bilhões, valor hoje considerado defasado. Destes, R$ 23,2 bilhões seriam aplicados em infraestrutura e instalações pelos três níveis de governo, e R$ 5,6 bilhões, pelo Comitê Organizador.

Ficam para o próximo prefeito questões como a construção de um novo autódromo, exigida pela Confederação Brasileira de Automobilismo pela cessão da pista que receberá o Parque Olímpico. Assim como a remoção das famílias que moram ao lado da futura instalação, em Jacarepaguá. Há indefinições quanto ao reaproveitamento do Velódromo e do estádio de São Januário para competições de rugby.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/proximo-prefeito-do-rio-tera-grandes-desafios-olimpicos-5763820#ixzz23LLEFIcS

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Atenas usou Vila Olímpica para projeto social de habitação


Projeto pode ser considerado um modelo de sucesso e um dos grandes legados dos Jogos de 2004

Destinado desde o início a moradores de baixa renda, o projeto da Vila Olímpica de Atenas pode ser considerado um modelo de sucesso e um dos grandes legados das Olimpíadas de Atenas, em 2004.

As 2.500 moradias construídas nos arredores de Parnitha, a noroeste de Atenas, foram entregues para trabalhadores de baixa renda inscritos em programas de moradia do governo. Com prédios de quatro e cinco andares, em uma área de 1 milhão de metros quadrados, o local hoje abriga 10 mil moradores.

O engenheiro Iones Csipolitos, da Fundação Hellenic Olympic Properties, explica que as moradias foram construídas pelo Ministério do Trabalho e destinadas às pessoas que tinham feito inscrição no programa social. De acordo com ele, a maior parte dos apartamentos tem três quartos e cerca de 100 metros quadrados.

“O programa desde o início foi esse, ser destinado a habitação de trabalhadores, da casa do trabalhador. Embora fosse destinado ao programa social, foi construído em muito boas condições, com materiais muito bons, não como de modo geral a construção destes programas sociais é feito”.

De acordo com a vice-prefeita para Assuntos Internacionais de Atenas, Sophie Daskalaki-Mytilineou, a Vila Olímpica foi um dos principais benefícios para a população de Atenas.

“As obras podem ser separadas da seguinte maneira: primeiro o país tem que preparar a sua infraestrutura, as estradas, as ferrovias, os transportes rodoviários, o aeroporto, e, por outro lado, também os estádios, que devem ser modernos e de fácil acesso. Além disso, foi criada a Vila Olímpica, que, depois, cerca de 2.500 casas foram entregues a trabalhadores de baixo nível de rendimento ou a desempregados”.

Revitalização - Sophie explica que a prefeitura também promoveu, na época, um programa de embelezamento das praças e estradas, além de um programa de incentivo para renovação das fachadas dos prédios e casas.

“A prefeitura entrava com um percentual desse custo, de 30% a 40%, o restante era pago pelos proprietários. Houve, neste período, a renovação de cerca de 3 mil fachadas em pontos centrais da cidade e o programa continuou após as Olimpíadas, chegando a 5 mil”.

Outro legado para a cidade, segundo Sophie, foi a revitalização do centro arqueológico, com o Partenon e o Estádio Panathinaiko - onde ocorreram os primeiros Jogos da Era Moderna, em 1896 -, a renovação da frota de ônibus, a construção do Aeroporto Internacional Eleftherios Venizelos, da linha do bonde e do metrô, que enfrentou diversos problemas.

“Temos o problema das antiguidades da cidade, a cada metro que se cava descobre-se uma cidade antiga abaixo da cidade nova, então o serviço de arqueologia teve que enfrentar muitos problemas burocráticos e também de construção por parte dos engenheiros. Se não houvesse essa premência dos Jogos Olímpicos, pode ser que a construção do metrô demorasse mais”.

Manutenção - O secretário-geral do Ministério da Cultura e Turismo para a Utilização Olímpica, Yannis Pyrgiotis, destaca também os investimentos em infraestrutura, o avanço tecnológico das redes de energia e telecomunicações. Como conselho para o Brasil, Pyrgiotis diz que Atenas errou em fazer instalações esportivas muito grandiosas.

“Depois, eles não vão saber o que fazer com aquilo e como manter a limpeza, a guarda. Então, pela nossa experiência, talvez seja melhor fazer coisas temporárias. Ainda que o custo seja muito grande, maior do que o da construção permanente. É melhor fazer isso, porque se você levar em consideração o custo de manutenção a longo prazo. Não vale a pena”.

Conselhos 
Apesar de ter cedido algumas instalações olímpicas para investidores particulares, Atenas ainda gasta cerca de 15 milhões de euros por ano com a manutenção dos equipamentos esportivos. Valor que não é alcançado com o aluguel dos espaços.

De acordo com Pyrgiotis, a Fundação Hellenic Olympic Properties foi criada imediatamente após o término dos Jogos Olímpicos para que fosse feito um programa de utilização comercial, social e política dos equipamentos esportivos. Para ele, foi tarde demais.

“Devia ter sido feito antes das construções, para que já se tivesse em mente o que deveria fazer. O quanto mais cedo fizer essa programação para as instalações após o término dos jogos, tanto melhor será para vocês. O Brasil vai sofrer uma grande pressão de vários fatores e em todas as cidades olímpicas existe a ideia de que todos os problemas vão se resolver com os Jogos Olímpicos. É preciso que haja uma hierarquia das necessidades, não se pode satisfazer a todo mundo”.

Para a taxista brasileira Kátia Regina Paravatos, que já estava na Grécia durante as Olimpíadas, a população teve benefícios com os Jogos, mas os gastos foram muito altos.

“Ajudou muito porque agora a gente está usufruindo tudo isso que ficou de infraestrutura. Acho que valeu a pena, mas por outro lado, foi um gasto muito grande que, eu acho, a Grécia não estava preparada”.

Crise grega
Para alguns analistas, de acordo com a BBC Brasil, os gastos com as Olimpíadas de 2004 foram o começo da crise econômica da Grécia. O custo anunciado de 8,9 bilhões de euros, além de ser o dobro da estimativa inicial, foi o mais alto de todas as Olimpíadas da história moderna, até então.

Em 2004, a Grécia era o segundo país mais pobre da União Europeia e a economia fechou com déficit de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A dívida pública subiu, naquele ano, para 98,6% do PIB. E chegou, em 2010, a 144,9%.

Outro fator que pesou no custo de realização dos jogos de 2004 na Grécia foi a preocupação redobrada com a segurança, já que eram as primeiras Olimpíadas realizadas apos os ataques de 11 de setembro de 2001.

*Colaborou Beatriz Arcoverde, repórter do Radiojornalismo
*As entrevistas foram feitas em Atenas, em abril de 2010.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10426/ATENAS+USOU+VILA+OLIMPICA+PARA+PROJETO+SOCIAL+DE+HABITACAO.html

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Secopa e Uneb lançam o Projeto Legados Sociais para a Copa 2014


Por: Selma Morais

A busca pelos legados sociais em função da Copa do Mundo de 2014, na Bahia, continua sendo o maior objetivo das diversas ações do Governo do Estado, a exemplo do Projeto Legados Sociais para a Copa 2014 que será lançado nesta quinta-feira (22), entre a Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 (Secopa) e a Universidade do Estado da Bahia (Uneb).
O evento contará com as presenças do Secretário da Secopa, Ney Campello, do Reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim da Silva, da comunidade acadêmica e da sociedade civil. A solenidade será no Teatro da Uneb, no Cabula, às 8 horas.
O projeto tem como principal objetivo a elaboração e implantação de um conjunto de projetos e ações socioeducativas, culturais, ambientais e regionais, visando à promoção de legados socioeconômicos. A ideia prioritária é mobilizar a população com a Copa 2014 e os eventos associados, em todo o Estado da Bahia.
As ações serão desenvolvidas até novembro de 2013 e irão viabilizar o atendimento das demandas na geração de emprego e renda, qualificando e formando profissionais para atuarem em grandes eventos, como monitores e voluntários, por exemplo. Através da experiência que tem em trabalhos comunitários e extensionistas, a Uneb poderá atender plenamente os objetivos de ser propulsora de legados sociais para a comunidade do Estado da Bahia.