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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Quebrado o protocolo: todo mundo põe a mão na bandeira


Comitê disse à prefeitura o que não podia ser feito com o símbolo

Por Ludmilla de Lima e Luiz Ernesto Magalhães

BRASÍLIA E RIO - Desde que a bandeira olímpica passou para as mãos de brasileiros, o rígido protocolo que envolve o símbolo dos Jogos foi posto meio de lado. Contrariando as regras do Comitê Olímpico Internacional (COI), a bandeira, feita de seda asiática para as Olimpíadas de Seul (1988), vem sendo manuseada desde segunda-feira por pessoas sem luvas. O primeiro flagrado foi o boxeador e medalhista Esquiva Falcão, que segurava o símbolo com as mãos desprotegidas no embarque em Londres. Com ele, estavam, de luvas, seu irmão Yamaguchi Falcão, o prefeito Eduardo Paes, o velejador Robert Scheidt, a atleta Maurren Maggi e o gari Renato Sorriso. Na foto, a bandeira aparece arrastando no chão.
Na terça-feira, novo descuido: a peça, que tem 2,22 metros de largura e 1,54 de altura, foi aberta por autoridades, incluindo a presidente Dilma Rousseff, sem luvas. Ao lado dela, Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Paes, Esquiva e Yamaguchi repetiam o gesto — e a falha. A apresentação da bandeira à presidente ocorreu no Palácio do Planalto.
Para receber a bandeira, o Comitê Organizador Rio 2016 assinou um compromisso que diz, entre outras coisas, que ela não pode sair da caixa em passeios de rua nem ser desfraldada. Existe ainda uma Guarda de Honra da Bandeira Olímpica, que precisa seguir um cerimonial específico. No Aeroporto Tom Jobim, Paes já havia quebrado o protocolo ao levar a urna da bandeira até o salão onde daria entrevista, papel dos guardas especiais.
O Comitê Organizador Rio 2016, em nota, diz que as regras do COI relativas à bandeira foram informadas, ainda em Londres, pelo Rio 2016 à prefeitura. Procurada, a prefeitura não se manifestou.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/quebrado-protocolo-todo-mundo-poe-mao-na-bandeira-5793295#ixzz23ci6iVaP

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Acervo de jogos será exposto em museu no Rio


História inclui originais de todas as versões das medalhas de ouro, prata e bronze cunhadas desde que Atenas celebrou a primeira edição contemporânea do evento, em 1896

Por Luiz Ernesto Magalhães

RIO - Da Grécia antiga aos Jogos Olímpicos da era moderna, há muito o que contar sobre a história de grandes campeões e recordes quebrados. Parte dessa história — que inclui originais de todas as versões das medalhas de ouro, prata e bronze cunhadas desde que Atenas celebrou a primeira edição contemporânea do evento, em 1896 — estará em exibição, a partir de novembro, no Museu Histórico Nacional, na Praça Quinze. A exposição ficará no Rio por três meses e, depois, desembarcará em São Paulo, onde ocupará os salões da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Pelo menos mais dois estados brasileiros ainda serão escolhidos para sediar o evento, que tem como objetivo estimular o espírito olímpico dos brasileiros, em contagem regressiva para receber a próxima edição da competição, em 2016. Em Londres, a mostra segue até o próximo domingo no Royal Opera House, em Covent Garden, como parte da programação cultural das Olimpíadas britânicas.

O acervo pertence ao museu do Comitê Olímpico Internacional (COI), com sede em Lausanne, na Suíça. Criado em 1990, pelo ex-presidente do COI, Juan Antonio Samaranch, o espaço cultural, que passa por reformas, se propõe a preservar a memória olímpica. Entre os materiais mais antigos estão uma escrivaninha onde trabalhava o historiador francês Pierre de Coubertin (1863-1937), considerado o pai do formato atual das Olimpíadas. Depoimentos do barão sobre o movimento olímpico também estão disponíveis em áudio.
A exposição remete à história de peças de uniformes de 16 ex-atletas, como a sapatilha usada pelo corredor americano Jesse Owens. Negro, Owens conquistou quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, em plena era hitleriana, quando o ditador alemão tentou usar os jogos para promover a pretensa superioridade da raça ariana.

A amostra em Londres serve ainda como uma aula de história sobre o movimento olímpico. Para apresentar um filme sobre as olimpíadas gregas, os ingleses usam como tela uma réplica gigante de um vaso grego. Nas paredes são exibidas informações como a que relata que o auge das competições ocorreu entre 396 a.C. ao 1º século da era cristã.

Nessa época, as olimpíadas duravam cinco dias. A pira onde é acesa a chama olímpica em Olímpia (Grécia), antes de peregrinar pelo mundo, também consta do acervo. Além disso, a exposição conta com todas as tochas dos jogos olímpicos, uma tradição iniciada na edição de Berlim (1936).

Em Londres, os visitantes entram em grupos nas salas de exibição. Após passarem um tempo observando o acervo, são levados a outro recinto. Na saída, de brinde, o visitante ainda pode tirar uma foto com uma das cópias da tocha de Londres. De acordo com a direção do museu, até 3 mil pessoas visitam a exposição todos os dias. Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o formato da exposição terá novidades no Rio.
— O formato da exibição será diferente. Queremos uma exposição com mais interatividade. Já contratamos empresas de sonorização e cenografia para desenvolver o projeto — disse Christiane Parquelet, diretora cultural do COB.

Christiane acha importante, por exemplo, contextualizar o vínculo da família de Coubertin com a cultura brasileira. Julienn Bomaventure, avô do barão de Coubertin, integrou a primeira missão artística francesa a desembarcar no Brasil em 1816, a convite do imperador Dom Pedro I. Na mesma missão, estavam o pintor Jean Baptiste Debret e o arquiteto Grandjean de Montigny, que projetou, entre outros edifícios, a fachada da Praça do Comércio (hoje Casa França-Brasil).

O custo estimado da apresentação no Brasil deverá ser de R$ 8 milhões, incluindo seguros e montagem do acervo. O projeto terá incentivos fiscais da Lei Rouanet e o COB está negociando com patrocinadores. Em Londres, onde a exposição tem entrada franca e está incluída na agenda cultural das Olimpíadas, a exibição tem sido considerada um sucesso. Até alguns ex-atletas já foram ver a mostra. Como a bielorussa Olga Koburt, campeã olímpica de ginástica em Munique (1972) com apenas 14 anos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/acervo-de-jogos-sera-exposto-em-museu-no-rio-5710226#ixzz22tOFVULk 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Barcelona-92 é modelo a ser seguido pelas cidades olímpicas


Cidade ganhou notoriedade, valorizou-se e ficou marcada pela alegria dos 20 dias de disputas

Barcelona esperou quase 70 anos para realizar suas Olimpíadas em 1992. Os Jogos haviam sido prometidos para 1924, mas o Barão de Coubertin, fundador das Olimpíadas Modernas, acabou optando por Paris para a sede daquele ano.

Mas a espera valeu a pena. A cidade catalã, antes escondida no interior da Espanha, ganhou notoriedade, valorizou-se e ficou marcada pela alegria dos 20 dias de disputas esportivas.

Uma oportunidade que foi muito bem aproveitada, de acordo com Pere Alcober, presidente do Instituto de Esportes de Barcelona.

“Durante os 20 dias dos Jogos Olímpicos tivemos uma oportunidade única, que não se sabe quando poderá se repetir. Essa oportunidade teria que servir para várias coisas. Uma delas é tentar fazer os melhores Jogos Olímpicos”.

Depois dos Jogos, a cidade se tornou reconhecida em todo mundo. Para Alcober, esse sucesso vai além da infraestrutura.

“A transformação da cidade ocorre na infraestrutura, nas moradias, vias, no aeroporto, o que é imprescindível. Isso é o tangível. Mas há outra troca, que é muito importante, que são os benefícios intangíveis, que vem a ser a autoestima da cidade, o reconhecimento de que temos um desafio e que juntos vamos assumir um objetivo e vamos fazer bem, para mostrar ao mundo que somos capazes de avançar, de nos consolidar nesse mundo globalizado”.

Orgulho 
O empresário Juan Martinez Palhares considera que as Olimpíadas foram importantes para a população de Barcelona, que passou a ter orgulho da cidade.

“Sem dúvida foram muito importantes para as pessoas que viviam em Barcelona, porque ficou um orgulho de que Barcelona estava presente em todo o mundo e vimos que não era uma coisa política, era uma coisa realmente feita para a cidade”.

Palhares explica que, além de a população aproveitar as melhorias feitas para os Jogos, a cidade passou a receber mais turistas.

“Tudo foi aproveitado: as telecomunicações, muitos hotéis e isso tudo nos permitiu avançar mais, organizar mais eventos, organizar mais férias, a cidade estava preparada para receber mais visitantes, já que a estrutura que havia sido feito era muito grande. Ainda bem que quem pagou foi o Estado e isso permitiu que os beneficiários fossem Barcelona e os barceloneses, que, de outra forma, não poderiam pagar”.

Valorização
A economista Maria Consol diz que a maior transformação foi na infraestrutura. “Depois dos Jogos Olímpicos, obviamente, a maior transformação que se pode ver, foi a infraestrutura. A cidade onde moraram os atletas, toda essa parte foi criada, com as praias, o novo porto, além de muitas outras coisas. Também tem o anel olímpico, que facilitou o transito”.

O empresário Palhares destaca que os apartamentos da Vila Olímpica foram vendidos a preços altos e a cidade toda sofreu valorização imobiliária.

“Toda a área de Barcelona se valorizou muito. Houve um disparo de preços tremendo, foi mais de 50%, porque a cidade ficou bonita, tendo cada vez menos áreas à disposição. E as pessoas queriam ir viver em Barcelona, porque deixaram a cidade muito linda”.

Criatividade - O representante do Departamento de Marketing da Infraestrutura Olímpica, Joaquim Romero, explica que cerca de 1 milhão de pessoas visitam a área olímpica de Barcelona, inclusive o Museu das Olimpíadas de 1992. De acordo com ele, muita criatividade ajuda a manter o ginásio ocupado, local que pode receber até 18 mil pessoas.

“Aqui já foi feito de tudo, pista de neve, piscina para o mundial de natação, recebeu triatlon, enduro, windsurf e jet ski também, ginástica sobre gelo, corridas de carros. Já tivemos de tudo”.

O Estádio Palácio São Jorge recebe concertos e grandes jogos, mas ainda encontra problemas para sua manutenção. Já o ginásio é utilizado cerca de 200 dias por ano e os lucros são convertidos para manter outras áreas do parque olímpico.

Mas o grande exemplo de Barcelona para o mundo é como 20 anos depois a cidade ainda vive da boa lembrança dos Jogos Olímpicos. A cidade se valoriza e se reconstrói, mas a recordação dos 20 dias de disputa está presente em toda sua população, que valoriza os visitantes, que sempre ficam com vontade de voltar.

*Colaborou Akemi Nitahara
*As entrevistas foram feitas em Barcelona, em abril de 2010

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10424/BARCELONA92+E+MODELO+A+SER+SEGUIDO+PELAS+CIDADES+OLIMPICAS.html

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Londres exibe mascotes para criar clima olímpico


Por Agência Manga

Não são apenas as arenas esportivas de Londres que se preocuparam com um visual especial para receber os Jogos Olímpicos. A cidade também espalhou pelas ruas uma série de versões das mascotes do evento para tentar criar um ambiente especial.

Os mascotes, Wenlock e Mandeville, têm diferentes visuais a cada rua de Londres. São 83 bonecos vestidos de policiais e esportistas, por exemplo, além de versões temáticas relacionadas à cultura e objetos tradicionais do país, como o Big Ben.

O estilo dos bonecos e o formato escolhido pela organização para exibir as mascotes lembra muito a Cow Parade, movimento artístico que é realizado em diversas cidades do mundo.

Desde 1999, a CowParade já passou por 55 cidades espalhadas pelo mundo. O movimento escolheu as vacas, segundo o site oficial, porque “elas fazem as pessoas sorrirem”.

Em cada cidade, as vacas são personalizadas por artistas locais. O movimento é patrocinado por empresas e amantes da arte, e as melhores peças são leiloadas posteriormente.

No caso de Londres, a cidade ainda não divulgou qual será o destino dos bonecos da Mascot Parade depois que os Jogos Olímpicos estiverem encerrados.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/olimpiadas/26/26148/Londres-exibe-mascotes-para-criar-clima-olimpico/index.php

O que a TV nos ensina sobre a cultura esportiva no Brasil


Por Erich Beting

No primeiro dia de transmissão olímpica, a Record ficou atrás da Globo na audiência do Ibope. O resultado não chega a impressionar. Afinal, pelos próximos dias os índices da TV nas Olimpíadas vão nos mostrar, muito, da cultura esportiva no Brasil. Ou melhor, da monocultura esportiva. O futebol continua a ser o esporte número 1 e provará isso de forma clara. Por mais interessante que seja a transmissão de uma edição de Jogos Olímpicos, ela não é tão popular quanto à de uma Copa do Mundo.

Para piorar, vamos acompanhar o evento em TV aberta sem o padrão que foi criado nas últimas décadas. Sim, pode falar o que quiser, mas não há empresa de mídia hoje no país que saiba planejar tão bem uma grande cobertura quanto a Globo. Muito daquilo que o consumidor reclama por ser “privilégio” da Globo faz parte de um planejamento de longo prazo dos grandes eventos. E isso passa por, durante a competição, a emissora falar ao máximo sobre ela mesma.

Essa, aliás, é uma cultura na grade de programação da Globo, com o “Vídeo Show” sendo talvez a melhor prova disso. Tudo o que é feito é “transmitido” ao telespectador. O jornal da manhã faz referência à programação, assim como a novela, a transmissão esportiva, o programa de entrevistas, etc. Toda hora a Globo lembra a pessoa de manter-se ligada a ela.

E talvez esse seja, agora, o maior problema que a Record terá para exibir os Jogos. Só para termos uma ideia, na quarta-feira, o “Record Notícias”, programa anterior a Brasil x Camarões, ficou passando uma reportagem sobre a vida de John Travolta dez minutos antes de a transmissão ser iniciada. O noticiário esportivo, que dominou o programa inteiro, foi completamente ignorado na hora de “entregar” para o evento.

Outro ponto básico que deve dificultar a ida do torcedor para a Record é o próprio entrave que a emissora coloca para os profissionais de outros veículos de TV cobrirem o evento e da própria mídia em geral divulgar a competição. Para as rádios, está vetado o uso das expressões Olimpíadas, Jogos Olímpicos e similares, além de os anúncios de resultados durante a programação terem de respeitar um determinado tempo para serem feitos.

O público das outras mídias só ajuda a levar o torcedor para a mídia principal que transmite o evento. Isso é uma regra básica e que, quem tem experiência em transmissão esportiva sabe bem, tanto que a Globo não anuncia a programação do dia nas Olimpíadas, apenas esperando para relatar o que aconteceu.

Pelos próximos 15 dias a TV vai nos ensinar, e muito, sobre a cultura esportiva no Brasil. Mas é óbvio, também, que apenas um evento “perdido” no meio de uma programação que não tem a cultura do esporte, como é o caso da Record, é muito pouco para determinar o fracasso ou o sucesso de um produto esportivo para uma emissora de TV.

Alternativa para a Globo pode até existir, mas será que há experiência, competência e continuidade de projeto para se fazer algo melhor do que a emissora do Plim-Plim nos oferece? Posso, e espero, queimar a língua. Até o momento, a Record mostrou que está longe de conseguir isso. Pelo menos na TV aberta brasileira o que a Globo faz é melhor do que as outras. E por isso mesmo só vamos reforçar a monocultura do futebol pelos próximos 15 dias e nos dois anos seguintes.

Que cheguemos rapidamente em 2015.

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/07/26/o-que-a-tv-nos-ensina-sobre-a-cultura-esportiva-no-brasil/