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quarta-feira, 13 de março de 2013

O Bolsa Atleta e o Desenvolvimento do Esporte Brasileiro


Por Silvestre Cirilo(doutorando em educação física pela Universidade Gama Filho)


A chamada década de ouro do esporte brasileiro vive de contrastes. Ao mesmo tempo em que vemos o financiamento esportivo no país ir de vento em popa, vemos, também, a ineficácia do poder público, responsável, por lei, em ao menos fiscalizar os resultados baseados em metas fixadas anteriormente pelas entidades esportivas nacionais (prioritariamente as confederações e o COB/CPB). Entretanto o dinheiro sai sem estar vinculado a qualquer tipo de indicador que garantisse, minimamente, o uso de forma adequada de todo o montante investido no esporte nacional.
Uma das ferramentas do governo federal e do Ministério do Esporte para o desenvolvimento esportivo (política esportiva????) é o bolsa atleta. Criado em 2004, com efeitos a partir de 2005, o auxílio vem sendo usado de forma que não permite a utilização de todo o seu potencial, pois há atrasos (o pagamento feito em 2013, por exemplo, refere-se ao ano de 2012, baseado em resultados de 2011). Todos sabem que dois anos no esporte de alto rendimento pode ser fatal nas pretensões de bons resultados, ainda mais num país que o financiamento demora a chegar à base (os atletas).
Outro ponto que nos salta aos olhos é a falta de informações consistentes ao tentarmos entender o funcionamento dos milhões envolvidos nesse auxílio. E, estamos falando de trabalhos acadêmicos, sem caráter fiscalizatório algum. Abaixo eu apresento duas tabelas: a primeira com o orçamento elaborado e  o executado (chamado propositadamente de final na tabela) dentro do mesmo ano (como normalmente ocorre em um orçamento público). O que vemos, com exceção do ano de 2009, que os gastos superam em muito o orçamento elaborado para a rubrica bolsa atleta.

No entanto, se a bolsa concedida em 2013 é referente ao ano de 2012, a composição dos gastos seria outra. Na tabela abaixo, levando em consideração que haja linearidade na concessão do auxílio sempre estando um ano a frente, notamos uma discrepância menor entre orçamento elaborado e o executado. Mas, ainda assim, não há por parte do Ministério do Esporte números consolidados e que possam ser acessados de forma simples pelo mais simples dos mortais.  Os números registrados nessas tabelas podem diferir quando comparados a outros estudos, por exemplo.

O dinheiro existe para o desenvolvimento do esporte brasileiro, mas a eficácia no seu uso deveria ser a tônica, buscando um trabalho conjunto, integrado entre TODOS os entes esportivos do esporte de alto rendimento.
Especificamente ao bolsa atleta, o que se pode constatar foi o seguinte:
a)      Burocratização excessiva no processo de concessão do auxílio;
b)      Lentidão nesse processo;
c)       Falta de informações consolidadas no portal do ME;
d)      Falta de qualidade na concessão do benefício (existe algum tipo de planejamento indicando quem vem sendo preparado como “atleta Olímpico”? É fato que um atleta pode conseguir resultado em um ano e ser trocado no outro, pois não alcançou os requisitos: como se dá a continuidade do trabalho?);

Algumas sugestões para o aperfeiçoamento da ferramenta:
a)      Fluxo contínuo na concessão das bolsas (respeitando os limites orçamentários);
b)      Criação de um banco de dados do ME abarcando os resultados de todas as competições, desburocratizando o processo de concessão do auxílio (evitando que o atleta leve documentação referente a resultados);
c)       Renovação automática do auxílio para o atleta que mantenha os requisitos ou, concessão do auxílio pelo período do ciclo Olímpico, permitindo-o a montagem de um planejamento mais consistente pelo prazo de quatro anos;
d)      Parceria com universidades objetivando a realização de estudos sobre o bolsa atleta;
e)      Montagem de um planejamento estratégico com o envolvimento das entidades esportivas nacionais (prioritariamente as confederações e o COB/CPB).

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sem patrocínio, Yane Marques tem apoio militar


Yane Marques chegou aos Jogos Olímpicos de Londres-2012 como uma anônima e saiu da competição como a primeira medalhista brasileira do pentatlo moderno. A atleta não possui patrocínio privado e todo apoio que tem vem do Exército.

O apoio militar começou em 2009, quando a pentatleta foi integrada ao Exército para reforçar a equipe brasileira nos Jogos Mundiais Militares do Rio de Janeiro, disputado em 2011. Desde então, Yane recebeu apoio financeiro e estrutura e viu seus resultados melhorarem muito.

"Hoje ela vive graças ao apoio do Exército e da Bolsa Federal. Isso é o que sustenta ela. Recebemos total apoio do COB para treinamentos, mas é um esporte dispendioso, não é uma coisa barata. Sem esse apoio do Exército, a gente não conseguiria", afirmou Alexandre França, treinador de Yane Marques.

Um dos pontos fundamentais para a conquista da medalha de bronze foi o programa científico do COB, que há dois anos visa melhorar a performance dos atletas. O projeto “mapeia” o atleta, identificando os treinos e a alimentação que o atleta precisa fazer para melhorar seu rendimento.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/atletas/26/26356/Sem-patrocinio-Yane-Marques-tem-apoio-militar/index.php

Ministério do Esporte anuncia criação de mais uma bolsa


Governo quer o Brasil entre os dez primeiros no quadro de medalhas em 2016

Por Ary Cunha e Luiz Ernesto Magalhães

LONDRES - O Ministério do Esporte vai anunciar nos próximos dias uma série de medidas financeiras para tentar melhorar o desempenho do Brasil nas Olimpíadas do Rio, em 2016. O objetivo do governo é que o país avance para as dez primeiras posições do quadro de medalhas, mesma posição adotada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Levando em conta os Jogos de Londres, o Brasil precisará saltar de três para sete ouros, número alcançado pela Austrália, décima colocada na capital britânica. Além de um plano de investimentos que ainda será divulgado, o governo vai criar o programa Bolsa Ouro, que também está sendo chamado de Bolsa Medalha e Bolsa Pódio. Segundo o ministro Aldo Rebelo, o edital de convocação dos candidatos está em fase final de redação. Os atletas brasileiros que estiverem entre os 20 melhores nos rankings de suas modalidades poderão se candidatar a bolsas mensais entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. A verba será entregue diretamente aos atletas, sem passar por confederações ou pelo COB.- Esse dinheiro permitirá que os atletas contratem nutricionistas, preparadores físicos e técnicos para acompanhá-los em suas atividades. É uma contribuição para que desenvolvam ainda mais seu potencial - disse Rebelo.
No último ciclo olímpico, a União gastou R$ 1,76 bilhão na preparação dos atletas, somados Lei Piva, Lei de Incentivo ao Esporte, patrocínio de estatais e o programa Bolsa Atleta (ajuda de custo mensal entre R$ 350 e R$ 1.500). O valor é mais do que o dobro gasto pela Grã-Bretanha, que investiu R$ 834 milhões entre 2009 e 2012 e conquistou 65 medalhas (29 de ouro). Antes das Olimpíadas, o COB projetou 15 medalhas em Londres, enquanto o Ministério do Esporte falou em 20 pódios. O país terminou com 17 medalhas (três ouros), seu maior número numa edição de Jogos. Mas teve menos ouros do que em Atenas-2004 (cinco), para cuja preparação o governo federal investiu seis vezes menos do que o valor gasto na preparação para Londres. Quando divulgou sua discreta meta, o COB apostou que o país cresceria em número de finais disputadas, a ponto de o consultor americano do comitê, Steve Roush, ter admitido numa entrevista no Crystal Palace que “seria muito desapontador se o número de finais fosse o mesmo dos últimos Jogos”. O Brasil caiu de 41 em Pequim para 35 em Londres.
- Estamos na média. Pela projeção do COB, as 17 medalhas foram acima da expectativa. No nosso prognóstico (do governo), chegamos perto. Acho que a nossa tarefa agora é, principalmente, olhar para o futuro e reconhecer os esforços. Depois, vamos analisar nossas deficiências e também a dos agentes que participaram desse esforço - disse Rebelo.
O secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, admitiu que tanto o COB quanto o ministério erraram na avaliação de algumas medalhas projetadas. E reconheceu que até o último ciclo olímpico não havia transparência na destinação dos recursos investidos.
- Um ponto muito positivo de Londres é a consolidação da ideia de que é preciso ter uma transparência nessa aplicação de recursos. Após Pequim, não foi assim. O Ministério do Esporte se bateu para que houvesse objetivos, metas, confrontos do resultado com o investimento - afirmou.
No entanto, a transparência vem gerando números distintos no discurso. O Ministério do Esporte divulgou novamente ontem um valor de R$ 599,54 milhões distribuídos pela Lei Piva, entre 2007 e 2011 — os números de 2012 não estão fechados. Mas, no domingo, o superintendente-executivo do COB, Marcus Vinícius Freire, disse que a entidade só havia recebido R$ 331 milhões, descontados impostos e investimentos no esporte escolar (10%) e universitário (5%).

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/ministerio-do-esporte-anuncia-criacao-de-mais-uma-bolsa-5778878#ixzz23ZIIG8i8 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ministério do Esporte prepara medidas para aperfeiçoar o programa Bolsa-Atleta


O Bolsa-Atleta, do Ministério do Esporte, maior programa do mundo de apoio financeiro direto a competidores, vive processo de modernização para se adaptar cada vez mais às necessidades dos atletas brasileiros. “A lei foi aprovada em 2005. Fizemos uma revisão no ano de 2010 e algumas alterações foram feitas em 2011. Agora, as modificações começam a surtir mais efeito”, explica o secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser.

O secretário antecipa que a pasta prepara medidas para modernizar o sistema de cadastro dos atletas. “Estamos fazendo uma série de intervenções administrativas para torná-lo mais ágil e mais fácil para os atletas se inscreverem nele. É mais uma fase de modernização. Esperamos inscrever automaticamente, pular algumas fases burocráticas, tudo para que o atleta possa usufruir do benefício o quanto antes e ter essa ajuda do governo federal de forma sempre contínua”, informa.

Para tornar o país uma potência esportiva, o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Alto Rendimento vai além do programa Bolsa-Atleta, conforme Ricardo Leyser.  “Temos algumas linhas de ação de preparação, tanto para Londres 2012, quanto para o Rio 2016. O Bolsa e as mudanças são importantes porque pegam toda a delegação, tanto olímpica quanto paralímpica. Mas nós temos também trabalhos com centros de treinamento espalhados pelo Brasil, alguns já em funcionamento e outros com ações no começo de operação ou construção”, ressalta.

Fonte: http://www.esporte.gov.br/londres2012/noticiaLondresDetalhe.jsp?idnoticia=9061

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Dilma destaca Bolsa Atleta e deseja sorte aos brasileiros em Londres


Presidente ainda falou do esforço para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016

Quase a metade atletas brasileiros que disputarão os Jogos Olímpicos de Londres recebem auxílio financeiro de forma direta do Governo federal, destacou nesta segunda-feira Dilma Rousseff, em seu programa semanal de rádio, "Café com a Presidenta".

Dilma, que assistirá a cerimônia dos Jogos, em Londres, na próxima sexta-feira, aproveitou para desejar sorte à delegação brasileira, que disputará o evento poliesportivo.

Segundo a presidente, dos 259 brasileiros que estarão em Londres, 111 fazem parte do programa Bolsa Atleta, um subsídio que o Governo dá a vários atletas, inclusive campeões mundiais. "Trata-se do maior programa de auxílio individual e direto a esportistas no mundo", afirmou.

O valor do subsídio, que beneficia atualmente 4 mil atletas, varia de acordo com o nível e o desempenho do auxiliado, em provas mundiais e olímpicas.

"O Bolsa Atleta apoia desde os esportistas que estão começando a carreira até aqueles que já competem em Olimpíadas ou Paralimpíadas. Esse é um benefício importante porque permite que o atleta se dedique com muito mais tranquilidade aos treinamentos e às competições", explicou a presidente.

De acordo com Dilma, o Governo gastará neste ano com o programa, cerca de R$ 60 milhões. Também haverá investimento em 2012 de aproximadamente R$ 200 milhões na modernização de centros de treino e na preparação das seleções.

A presidente também destacou os valores que serão empregados na construção de quadras esportivas em 2.800 escolas públicas de todo o país: R$ 1 bilhão. Segundo a governante, a meta é atingir 6 mil ginásios até 2014.

"É na quadra da escola, nas aulas de educação física, que a maioria das crianças tem o primeiro contato com o esporte. É uma oportunidade para muitos deles revelarem seus talentos, terem uma vida mais saudável e se apaixonarem pelo esporte", comentou a presidente durante o programa de rádio.

Dilma ainda falou do esforço para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio. "Estamos investindo na estrutura do país para fazer os melhores Jogos Olímpicos da história".

Para encerrar, Dilma deixou uma mensagem para aqueles que defenderão as cores do Brasil em Londres. "Quero dizer aos atletas que estão em Londres, que tenham muita determinação e coragem, e que podem contar com o apoio e carinho de todos os brasileiros".

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10369/DILMA+DESTACA+BOLSA+ATLETA+E+DESEJA+SORTE+AOS+BRASILEIROS+EM+LONDRES.html

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sobra estrutura para treinos, mas faltam atletas


Por Bruno Moreno

Com a inauguração da pista de atletismo do Centro de Treinamento Esportivo (CTE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no último dia 28 de junho, o Estado agora tem estrutura de primeiro mundo para desenvolver a modalidade. Entretanto, falta um dos pilares fundamentais de sustentação do esporte: o auxílio financeiro contínuo aos atletas em formação e manutenção.

Foram investidos cerca de R$ 7 milhões na pista, que fica no Centro Esportivo Universitário (CEU), sendo R$ 6 milhões do Governo estadual e R$ 600 mil do Ministério do Esporte – utilizados na compra de equipamentos. Ao mesmo tempo, ainda não há um plano integrado para impedir a debandada de atletas revelados em Minas. O desafio é criar e implementar políticas públicas que os estimulem a permanecer em terras mineiras, ao invés de trocá-las pelos benefícios ofertados por outros estados, principalmente São Paulo.

De acordo com o Portal da Transparência do Governo de Minas Gerais, neste ano, até a última quinta-feira, a Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude havia repassado R$ 1.516.797,45 diretamente aos atletas de base. O valor foi transferido por meio das rubricas Apoio a atletas profissionais, Bolsa-Atleta, Desenvolvimento de polos esportivos e Geração Esporte - iniciação esportiva no contra-turno escolar.

O montante corresponde a 2,8% da despesa total da pasta até a data apontada, que foi de R$ 53.577.060,37. A maior parte dos recursos da secretaria foram gastos em obras, principalmente no estádio Independência (R$ 16.863.190,34), em apoio a obras esportivas de prefeituras municipais (R$ 12.674.241,81) e no próprio CTE (R$ 11,8 milhões) – gastos também com a construção do Parque Aquático. O restante das despesas foi para a manutenção da pasta e eventos esportivos, dentre outros.

Agora, com a construção da pista de atletismo do CTE, a expectativa de atletas, técnicos e profissionais do meio esportivo é de que mais recursos públicos estaduais sejam destinados à formação e manutenção da base esportiva no Estado. Atualmente, 127 atletas de Minas Gerais recebem o auxílio da Bolsa-Atleta estadual, que varia entre R$ 350 e R$ 1.250. Desses, 35 são do atletismo.

Acúmulo

Um dos maiores impedimentos para que competidores que começam a se destacar em Minas fiquem no Estado é a proibição do acúmulo de incentivos (Bolsa-Atleta) estadual, federal e o patrocínio individual aos esportistas. A determinação é da Lei 17.803, de 15 de outubro de 2008, que instituiu o Bolsa-Atleta em território mineiro.

Entretanto, a pedido do governador Antonio Anastasia, deve tramitar em breve, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, projeto de lei para alterar a norma e permitir o acúmulo de auxílios financeiros. Além disso, o novo texto prevê a instituição do Bolsa-Técnico. 

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/esportes/especializado/sobra-estrutura-para-treinos-mas-faltam-atletas-1.8464