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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Construção da Linha 4 do metrô custará 70% a mais do que o estimado inicialmente


Valor de R$ 8,5 bilhões supera o que a prefeitura está investindo na construção de quatro BRTs (cerca de R$ 6 bilhões)

Por LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

RIO — A conta final do projeto para a construção dos cerca de 16 quilômetros da Linha 4 do metrô (Zona Sul-Barra) ficou em R$ 8,5 bilhões, 70% a mais do que os R$ 5 bilhões estimados inicialmente. O valor, que supera o que a prefeitura está investindo na construção de quatro BRTs (cerca de R$ 6 bilhões), foi divulgado pelo governo do estado na última sexta-feira, após mais de dois anos de estudos e análises de alternativas de trajetos e emprego de materiais. Do total, R$ 7,5 bilhões virão do tesouro estadual, da União e de financiamentos, e R$ 1 bilhão será bancado pelo consórcio Rio Barra, por meio da compra de material rodante, equipamentos de segurança e sinalização.
Representantes do estado e do consórcio Rio Barra explicam que a elevação dos gastos ocorre porque o orçamento inicial utilizou como base um projeto conceitual. Outros fatores que impactaram o valor seriam a correção monetária e a escolha de soluções técnicas para tornar o sistema mais eficaz. Além disso, foi preciso providenciar a infraestrutura para uma futura expansão da Gávea rumo ao Centro, sem necessidade de parar na estação.
O prazo para conclusão das obras físicas está mantido: dezembro de 2015. Mas as seis novas estações — Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Antero de Quental, Praça Nossa Senhora da Paz e Jardim de Alah — só devem entrar em operação comercial em junho de 2016, ou seja, a apenas dois meses dos Jogos Olímpicos.

Concessionárias vão remanejar redes
A partir desta segunda-feira, com base em projetos de concessionárias como Light, Cedae e CEG, o Rio Barra começa a remanejar equipamentos em áreas da Zona Sul por onde passará o metrô. Para isso, serão feitas escavações nos trechos interditados da Avenida Ataulfo de Paiva, entre a Rua General Venâncio Flores e a Avenida Bartolomeu Mitre, e entre as avenidas Afrânio de Melo Franco e Borges de Medeiros, no Leblon. Não há previsão de interrupção dos serviços pelas concessionárias.
No planejamento das obras, 2013 será um ano estratégico para a ligação Zona Sul-Barra. Em junho do ano que vem, vence o prazo do consórcio para escolher a empresa que fabricará os 15 trens que vão operar o serviço na Linha 4. O consórcio Rio Barra, que fará a contratação, informou que está concluindo o detalhamento de especificações técnicas dos equipamentos. Ainda de acordo com o consórcio, a nova frota pode ser de um modelo diferente da que é empregada na Linha 1. Mas será compatível, para circular por toda a linha. Assim, o usuário poderá entrar no Jardim Oceânico e saltar na estação da Rua Uruguai, prevista para ser inaugurada no fim de 2013.
As obras da Linha 4 do metrô exigirão investimentos pesados: apenas em 2013, o estado e o consórcio estimam gastar R$ 1,8 bilhão no projeto. O valor equivale a mais que o dobro dos R$ 800 milhões empregados até agora.
Em janeiro do ano que vem, parte do estacionamento da PUC será interditada para a montagem do canteiro de obras da Estação Gávea. A primeira intervenção será a demolição do prédio da incubadora de empresas — logo após uma nova sede ser construída pelo consórcio no próprio campus.
— A extinção das vagas da PUC será temporária. Ao fim da obra, a área será devolvida. No terreno, serão visíveis apenas túneis de ventilação da estação. Os acessos serão pela Rua Marquês de São Vicente — explicou Lúcio Silvestre, gerente de contratos do consórcio Rio-Barra.
A Estação Gávea será a última a entrar em obras. Barra e São Conrado começaram a ser construídas em 2010. No mês passado, foram iniciadas as sondagens de solo para as estações da Zona Sul. O método empregado permite a construção das estações antes mesmo da ligação física entre elas, pelas escavações em rocha.

Estação Gávea terá dois níveis
Pelo projeto atual, a Estação Gávea foi concebida em dois níveis. Isso permitirá, no futuro, a construção de até dois novos ramais independentes até o Centro. O estado alega que a opção atual atendeu a um compromisso assumido com o Comitê Olímpico Internacional (COI).
Também para o início de 2013 está prevista a chegada do tatuzão, fabricado na Alemanha. O equipamento, que fará escavações para interligar as novas estações na Zona Sul, chegará desmontado ao Porto do Rio, entre os dias 15 e 20 de janeiro. De lá, seguirá para oficinas na Leopoldina. A montagem final será feita entre abril e agosto do ano que vem, sob a Estação General Osório, em Ipanema.
— O transporte das peças da Leopoldina até o canteiro da General Osório certamente terá que ser feito em horários noturnos, num esquema especial de trânsito que ainda será discutido com a CET-Rio — explicou Marcos Vidigal do Amaral, gerente do consórcio.
Como o equipamento trabalhará debaixo da terra, não haverá necessidade de novas interdições na Zona Sul. Mas será preciso fechar duas estações após o carnaval, em datas a serem definidas. Cantagalo parará por 15 dias, enquanto General Osório ficará fechada por oito meses.
Na Barra, o metrô vai operar integrado com o BRT Transoeste, que liga o bairro a Campo Grande e Santa Cruz. De responsabilidade da prefeitura, a expansão do Transoeste entre o Terminal Alvorada e o Jardim Oceânico, pela Avenida das Américas, está em fase de planejamento. A estimativa é que 300 mil usuários por dia sejam transportados com a nova linha.
— Nos primeiros meses de 2016, vamos preparar a estação para receber o público, com a instalação de vários equipamentos, câmeras de segurança e sinalização para orientar os usuários. Em março, começam os testes de operação — disse Lúcio Silvestre. — Poderemos usar, por exemplo, sacos de areia nos trens para simular a circulação de passageiros. A operação comercial começa em junho de 2016. Antes disso, é possível até transportar alguns passageiros fora dos horários de pico para testes — acrescentou Silvestre.

Estação terá proteção contra alta salinidade
Na Barra, operários já trabalham na construção da futura estação do Jardim Oceânico num buraco aberto em pleno canteiro central da Avenida Armando Lombardi. As intervenções, que começaram há dois anos, incluíram o rebaixamento do lençol freático. Como o nível de salinidade na região é muito alto, o consórcio resolveu revestir a estação com um material especial, cuja durabilidade estimada é de 100 anos. O material é o mesmo empregado nas fundações do Ground Zero, no lugar onde ficava o Wolrd Trade Center, em Nova York.
As obras nos acessos às estações ainda não começaram. O governo do estado tenta na Justiça a reintegração de terrenos de posseiros. São quatro prédios que interferem no projeto: um antiquário e uma empresa fornecedora de equipamentos esportivos, no sentido Barra, e um restaurante chinês e um imóvel vazio, na direção São Conrado. Das 64 casas da favela Vila União que estão no trajeto de uma ponte estaiada, proprietários de duas delas ainda brigam na Justiça.
Sem depender de Tatuzão, as escavações do túnel do metrô no trecho entre a Barra e a Gávea seguem por duas frentes. Ao todo, já foram construídos 4,3 quilômetros de túneis entre a Barra e a Gávea. Na frente da Zona Sul, os operários já ultrapassaram a Pedra da Gávea e a previsão é que as duas frentes de obras se encontrem em outubro do ano que vem. No momento, 1.683 operários trabalham nas obras. Esse número deve chegar a 4.500 em 2013.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/construcao-da-linha-4-do-metro-custara-70-mais-do-que-estimado-inicialmente-6906779#ixzz2E0xyCdWZ 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O velódromo da discórdia


Prefeito do Rio cogita pagar R$ 100 milhóes para reformar o velódromo ao invés de gastar R$ 115 milhões para erguer um novo

Por Michel Castellar

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, voltou a causar uma saia-justa nesta sexta-feira ao dizer que o velódromo dos Jogos Pan-Americanos Rio-2007 não será demolido para a construção de um novo. A afirmação foi feita durante o balanço apresentado pela capital fluminense em Londres, sobre os preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016 que, amanhã, chegarão a marca de quatro anos para o seu início.

No dia 26, o LANCE! revelou que pelos cálculos iniciais, a reforma do atual velódromo, que o deixará em condições para os Jogos Rio-2016, foi orçada em R$ 105 milhões. E que, com R$ 10 milhões a mais, seria possível erguer um novo.
- Se gastarmos R$ 5 milhões a menos, já se deixa de gastar dinheiro público - disse Paes.

Ao fazer essa afirmação, o prefeito do Rio deixou  nas entrelinhas a possibilidade de investir R$ 100 milhões para reformar um equipamento. E, neste caso, o custo-benefício pode não ser benéfico.
- A conta não é só matemática. Temos uma infraestrutura pronta, que consumiu uma série de recursos públicos e não justificaria derrubar o velódromo que, à época, custou R$ 14 milhões - afirmou o prefeito do Rio.

A insistência do prefeito em reformar o velódromo é vista no Comitê Rio-2016 como uma declaração política. Já que Paes está em campanha para ser reeleito.
Mas os preparativos para a transferência do velódromo do Rio continuam em andamento. O Ministério do Esporte trabalha em parceria com a prefeitura de Goiânia para viabilizar a mudança.
O consenso entre os organizadores dos Jogos é o de que reformar o velódromo não será aconselhável.
- Acho que seria um péssimo exemplo demolir um investimento feito com recursos públicos para fazer a vontade de uns poucos - discursou o prefeito do Rio.

Aeroporto, doping e Maracanã
Em uma plateia repleta de jornalistas estrangeiros, o Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016 foi sabatinado com todo o tipo de perguntas. Dentre elas, as situações do aeroporto, as críticas sobre o laboratório de doping e o fechamento do Maracanã.
- O governo federal já constituiu um grupo operacional e já temos o compromisso de entregar a primeira versão do modo operacional no fim deste ano - disse o diretor-geral do Comitê Rio-2016, Leonardo Gryner, ao falar sobre o Aeroporto Internacional Tom Jobim que, recentemente, despertou a atenção do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge.

Sobre as críticas referentes à falta de estrutura para a realização de exames de doping, Gryner ressaltou que o governo federal já trabalha na resolução do problema. Mas admitiu que o país está atrasado em relação a essa questão.

Indagado sobre o Maracanã, o diretor-geral do Comitê Rio-2016 reafirmou que o estádio será fechado para partidas de futebol quatro meses antes dos Jogos. A medida é para prepará-lo para a Cerimônia de Abertura.

Durante o balanço, o Rio-2016 frisou que todos os preparativos estão dentro do cronograma do COI.

Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/rio2016/velodromo-discordia_0_748725365.html#ixzz22XHPJWeM 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Auditoria do TCU rende economia de R$ 16 mi na reforma do Galeão


Após revisão dos valores, tribunal decide arquivar o processo de fiscalização de um dos contratos de reforma do terminal 2 de passageiros

Por Fabrício Marques

Auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em dos contratos de reforma do terminal de passageiros dois (TPS-2) do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, resultou em uma economia de mais de R$ 16 milhões no valor da obra. É o que afirma o ministro Valmir Campelo na decisão do tribunal que arquivou o processo de fiscalização esta semana.
- Esta fiscalização, incluída no rol de ações do Tribunal para a Copa de 2014, redundou em um benefício concreto e imediato de mais de R$ 16 milhões aos cofres públicos - declarou Campelo no texto da decisão.
De acordo com o ministro, técnicos do TCU identificaram irregularidades em alguns contratos de revitalização e modernização do TPS-2 do aeroporto durante fiscalização inciada em 2010. Na época, foi detectado sobrepreço de R$ 17,4 milhões (quantidade inadequada de materiais e execução de serviços fora das especificações técnicas) e superfaturamento de aproximadamente R$ 1,5 milhão (pagamento por serviços não executados).
Após receber alerta do tribunal, a Infraero fez revisões no orçamento da obra e reduziu em mais de R$ 15 milhões o custo. No entanto, os ministros do TCU entenderam que ainda era preciso resolver irregularidades referentes a "revisão das claraboias", o que foi feito pela empresa e resultou em um corte de mais R$ 1,6 milhão. Somadas as revisões da Infraero, o contrato em questão passou de R$ 73,9 milhões para R$ 57,1 milhões - redução de 22% no valor inicial.
Depois de avaliar os novos valores, o ministro Valmir Campelo entendeu que foram resolvidos todos os problemas referentes ao contrato e recomendou o arquivamento do processo. A sugestão foi acatada pelo plenário do tribunal na sessão da última quarta-feira.
De acordo com informações do terceiro balanço geral da Copa, divulgado pelo governo federal em maio, a reforma do terminal de passageiros 2 do aeroporto do Galeão está em andamento e a previsão de conclusão é para outubro de 2013. O custo total da obra será de R$ 354,7 milhões.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2012/07/auditoria-do-tcu-rende-economia-de-mais-de-r-16-mi-na-reforma-do-galeao.html

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Olimpíada de Londres ultrapassa custo inicial



Orçado inicialmente, em 2005, em 73 milhões de libras, o parque aquático para os Jogos Olímpicos de Londres acabou tendo um custo final de 251 milhões

Um estudo de dois pesquisadores da Universidade Oxford afirma que os Jogos Olímpicos de Londres vão ter um estouro de 4,2 bilhões de libras (US$ 6,6 bilhões), ou 101%, em relação ao orçamento apresentado na candidatura da cidade em 2005. Outro cálculo, de um órgão auxiliar do Parlamento britânico, aponta um custo final na casa de 11 bilhões de libras. O governo britânico, no entanto, está alardeando que as contas serão rigorosamente cumpridas. Essa guerra de números mostra como podem ser múltiplas as maneiras de se computar, e interpretar, os gastos envolvidos em jogos olímpicos e serve como uma prévia do que virá pela frente em relação à Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

Os pesquisadores Bent Flyvbjerg e Allison Stewart, da Said Business School, ligada à Universidade Oxford, fizeram um levantamento de todas as olimpíadas e jogos de inverno desde 1960 e concluíram que os eventos "ultrapassam o orçamento com uma constância de 100%. Nenhum outro tipo de megaprojeto tem essa consistência no que se refere a estouro de orçamento. Os dados, assim, mostram que, ao decidir sediar os jogos olímpicos, uma cidade ou nação está empreendendo um dos tipos de megaprojeto mais financeiramente arriscados que existem".

Nas suas contas, Flyvbjerg e Stewart fizeram uma comparação entre os orçamentos apresentados ao Comitê Olímpico Internacional como parte da candidatura da cidade e as despesas efetivamente realizadas para cobrir todos os custos operacionais e a construção de estádios, ginásios, vilas olímpicas e instalações para a imprensa, entre outros itens. Eles deixaram de fora - devido à ausência, ou pouca confiabilidade, dos dados - o dinheiro gasto pelos governos na infraestrutura urbana (construção ou reforma de metrô, aeroportos e avenidas etc.) e por empresas interessadas (ampliação de hotéis, por exemplo).

Tudo somado, a conclusão de Flyvbjerg e Stewart é que, no caso das olimpíadas de 1960 para cá (excluindo-se os jogos de inverno), o estouro médio dos orçamentos é de nada menos que 252%. A medalha de ouro na categoria contabilidade rasa fica com Montreal 1976, com um excesso de 796% em relação aos números iniciais. Os pesquisadores lembram ainda que trata-se de um cálculo bastante conservador ("o melhor dos cenários"), já que eles trabalharam apenas com as contas oficiais dos gastos diretamente vinculados com as competições. No caso de Pequim 2008, por exemplo, que teve um custo declarado de US$ 5,5 bilhões, há estimativas de que o evento pode ter alcançado US$ 40 bilhões.

Flyvbjerg atribui parte dos estouros a uma boa dose de otimismo das pessoas envolvidas ("elas realmente acreditam que podem fazer os jogos sem custos"), mas vê também um esforço deliberado de muitos políticos e governos para iludir o público. "Eles escolhem números para dar uma boa impressão ao que fazem", afirma.

Em março de 2007, menos de dois anos após conquistar o direito de sediar os Jogos, a então ministra britânica de Cultura, Mídia e Esportes, Tessa Jowell, anunciou no Parlamento que o orçamento inicial sofrera um reajuste de 5,289 bilhões de libras, saltando para 9,325 bilhões de libras. Posteriormente, em 2010, esse valor teve um ligeiro corte, caindo para 9,298 bilhões - o que agora permite ao governo dizer que houve economia.

Ainda assim, mesmo que se aceite como ponto de partida o orçamento de 2007, e não o de 2005, há um risco de os valores superarem a previsão. Em março, um relatório do Comitê de Contas Públicas, vinculado ao Parlamento britânico, alertou que Londres 2012 pode ter um custo final em torno de 11 bilhões de libras devido à não inclusão de itens - como a compra dos terrenos para a construção do Parque Olímpico - e a cálculos imprecisos, especialmente na área de segurança e para a recuperação socioeconômica da zona leste de Londres. "As estimativas iniciais do Locog [Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Londres] para custo e escala da segurança das instalações foram baseadas em um "chute"", diz o documento.

O número de seguranças saltou de 10.000 para 23.700, implicando um aumento desse item do orçamento de 282 milhões de libras para 553 milhões. A construção do estádio Olímpico, que em 2005 estava prevista para consumir 280 milhões de libras, passou a ser estimada em 428 milhões. O parque aquático foi de 73 milhões para 251 milhões de libras.

O governo britânico ainda se equivocou ao estimar uma participação de 738 milhões de libras do setor privado no financiamento da Olimpíada e acabou tendo que arcar com as despesas da construção da vila olímpica e dos centros de imprensa.

A empresa de avaliação de riscos Moody"s acha que os organizadores também superestimaram os benefícios econômicos que poderiam resultar do evento. Em relatório, analistas da Moody"s afirmaram: "No geral, não acreditamos que a Olimpíada irá dar um substancial impulso macroeconômico ao Reino Unido em 2012. [...] Esperamos que, no todo, o impacto líquido dos jogos no turismo britânico vai ser positivo, mas menor do que os números brutos de visitantes poderiam sugerir." A Moody"s ainda avalia que, no final das contas, pode haver muito pouco a colher: "Ao mesmo tempo, quaisquer benefícios econômicos positivos da Olimpíada podem ser anulados por outros fatores, tais como interrupções em negócios ou moradores do Reino Unido passando férias mais longas no exterior".

Segundo os acadêmicos da Universidade Oxford, Londres 2012 vai ser a olimpíada mais cara da história, com gastos relacionados às competições atingindo um total de US$ 15,6 bilhões. Mas, se a Rio 2016 ficar dentro da média de estouro de orçamento, esse posto será ocupado por apenas quatro anos. Excluindo-se os gastos com obras de infra-estrutura não diretamente relacionadas com os Jogos, o orçamento da Rio 2016 está, ajustado pela inflação desde 2008, em R$ 17,3 bilhões (US$ 8,5 bilhões). No caso de um hipotético estouro de 252%, a conta passaria para US$ 30 bilhões.

Leonardo Gryner, o diretor-geral do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, já admite que haverá alterações nos custos. "Quando você está se candidatando, você desenha um projeto com números aproximados, mas, quando vai se fazer a obra, esses números podem variar. A construção civil aqui no Rio está aquecida, você vê que os preços de materiais não se comportam da mesma forma [que no orçamento de 2008]", diz.

Flyvbjerg ressalva que não examinou os números da Olimpíada do Rio, mas que, pelo que viu de casos anteriores, as chances são muito grandes de o orçamento original não ser cumprido. "Em geral, sabemos que os gastos são maiores em economias emergentes. E também sabemos o porquê: a corrupção é maior e a logística é mais difícil. Não acredito que a logística seja mais complicada no Brasil do que em Londres, talvez um pouco, mas não muito. E a corrupção talvez seja uma questão mais séria no Brasil do que em Londres", diz.

Fonte: http://www.clippingexpress.com.br/ce2/?a=noticia&nv=kQICpeL0nAd72IEZGFv_eg

http://www.valor.com.br/internacional/2757228/olimpiada-de-londres-ultrapassa-custo-inicial#impresso

sábado, 14 de julho de 2012

Sedes prometem que estádios darão lucro após Copa


Por Lauriberto Braga

Fortaleza - As arenas terão até futebol. Com esta declaração do secretário especial da Copa 2014 no Ceará, Ferruccio Feitosa, foi encerrado nesta quinta-feira, em Fortaleza, o Seminário de Operações de Estádios da Copa 2014, promovido pelo Comitê Organizador Local (COL). Os operadores das arenas que estão sendo construídas para a Copa dizem prometem que elas não vão se tornar elefantes branco após o Mundial. "Temos condições de torná-las multiuso com realização até de futebol, passando por grandes eventos, como congressos, shows musicais, apresentações culturais e prática de outros esportes", disse Ferruccio Feitosa, que inaugura ainda neste mês de junho, um cinema dentro da Arena Castelão, em Fortaleza.

Outra preocupação dos representantes das 12 sedes do Mundial de 2014 é quanto a regulamentação do comércio de rua com normatização de venda de bebidas e o direto à meia-entrada nos eventos. Eles deliberaram que vão regulamentar todo isso de acordo com as normas de cada cidade, mas que o disciplinamento será a prática para evitar confusão com a Fifa, organizadora do Mundial.

As parcerias público-privado (PPP), que estão construindo, por exemplo, a arena Castelão e o novo Mineirão, foram destacadas no seminário. O coordenador de Operações Esportivas da Secretaria da Copa de Minas Gerais, Rodrigo Reis, salientou como positiva a gestão compartilhada do novo Mineirão para dar sustentabilidade e rentabilidade ao estádio. O novo Mineirão tem uma PPP que vai administrar o estádio pelos próximos 25 anos.

Para Rodrigo Reis o novo cenário das arenas esportivas se apresenta como desafio. "Há uma exigência de práticas econômicas sustentáveis", disse ele citando três aspectos fundamentais para que as arenas sejam rentáveis: conforto, segurança e tecnologia.

Durante o seminário foram apresentadas experiências internacionais de estádios sustentáveis. Uma é da Amsterdam Arena, na Holanda, que fatura cerca de 5 milhões de euros por evento. A Amsterdam Arena tem 350 espaços comerciais atualmente. A experiência holandesa será adotada pela Arena Fonte Nova, em Salvador, e pela Arena do Grêmio, em Porto Alegre, que não será usada na Copa do Mundo.

No encerramento do seminário foi apresentado um estudo realizado por uma multinacional francesa de pesquisa, a Ipsos, que traçou o perfil do torcedor brasileiro. O levantamento feito em 2006 aponta que 78% dos frequentadores de estádios no Brasil têm renda de até três salários mínimo, que 13% têm formação universitária, 45% são com mais de 35 amos de idade e que 71% são homens. Mas um número da pesquisa acendeu o sinal amarelo para os estádios: 46% dos entrevistados iam com frequência aos estádios com possibilidade de queda.

E o seminário serviu exatamente para montar estratégias de não só evitar esta queda, mas reanimar os torcedores a frequentarem mais os estádios. A principal estratégia deliberada no seminário é tratamento privilegiado ao torcedor. Para Rodrigo Reis "o torcedor será um cliente dessa nova estrutura, exigindo qualidade não só dos serviços, mas, também, estimulando uma cadeia em busca de profissionalização de todos os produtos ofertados, inclusive do futebol".

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Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/sedes-prometem-que-estadios-darao-lucro-apos-copa

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Modelo de gestão do Mineirão é apresentado em seminário da FIFA


Nesta terça-feira, representantes da Secopa apresentaram o projeto de modernização do novo Mineirão durante o Seminário de Operações de Estádios da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, realizado pela FIFA no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. O objetivo do encontro é debater os tópicos relevantes a todos operadores de estádios, através da apresentação de experiências em planejamento no Brasil pelas cidades-sede, além de casos bem-sucedidos no mundo, como os da Amsterdam Arena e do Reliant Stadium, em Houston, nos Estados Unidos.

Durante a abertura do seminário, o secretário executivo do Ministério dos Esportes, Luis Fernandes, destacou a urgência de esclarecer ao público a viabilidade econômica das novas arenas.

- Estamos aqui para discutir a sustentabilidade econômica dos estádios. Queremos apontar caminhos que garantam vida longa aos estádios. Talvez esse tipo de sustentabilidade seja um dos legados mais importantes em construção no país - afirmou.

Rodrigo Reis, coordenador do Núcleo de Operações Esportivas da Secopa, detalhou o modelo de gestão compartilhada do novo Mineirão. Por meio da parceria público-privada (PPP), a empresa Minas Arena, responsável pelas obras, vai operar o novo estádio durante os próximos 25 anos.

- O novo cenário das arenas do futuro se apresenta como desafio pela exigência de práticas econômicas sustentáveis, em que serão observados, pelo menos, três aspectos: segurança, conforto e tecnologia - explica Reis.

Outro ponto abordado, foi a faturação mensal dos estádio, vários participantes do evento apresentaram informações sobre o assunto. A Amsterdam Arena, um dos exemplos mostrados, fatura 5 milhões de euros por evento realizado no estádio. Juan Rodriguez, do Reliant Stadium, reforçou a necessidade do trabalho conjunto entre operador, escritório de arquitetura e autoridades públicas.

- Não se deve, simplesmente, entregar as chaves do estádio ao operador e dizer ‘adeus’. É preciso caminhar juntos porque as necessidades vão surgindo enquanto o negócio está em marcha, exigindo que todas as partes tomem decisões que beneficiem esse visitante, para que ele volte - aconselhou Rodriguez.

Rodrigo Reis disse ainda que um dos compromissos da parceria entre Estado e parceiro privado será o tratamento privilegiado ao torcedor, para estabelecer uma relação de proximidade e evitar que a média de público nos estádios diminua.

- O torcedor será um cliente dessa nova estrutura, exigindo qualidade dos serviços e estimulandoa profissionalização de todos os produtos ofertados, inclusive do futebol - concluiu Rodrigo.

Fonte: http://esportes.opovo.com.br/app/esportes/minuto/2012/07/11/noticiaminutol,2393450/modelo-de-gestao-do-mineirao-e-apresentado-em-seminario-da-fifa.shtml