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sexta-feira, 13 de julho de 2012

L! OPINA: Da vergonha à transformação


Brasil tem ótima oportunidade de mudar o seu futebol para os próximos anos

A decisão da Justiça suíça de liberar os documentos que comprovam o recebimento de suborno no caso ISL pelo ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o ex-presidente da Fifa, João Havelange, veio apenas confirmar uma informação que este LANCE! entre outros veículos do mundo já sabia, mas não podia publicar por conta das restrições judiciais.
A divulgação dos nomes e dos mecanismos que levaram ao desvio de R$ 45,5 milhões para contas dos cartolas brasileiros não pode esgotar o assunto. Ao contrário, deve ser apenas o ponto de partida. A Justiça suíça cumpriu sua parte. Agora, à Justiça do Brasil, ao Ministério Público e à Polícia Federal cabe rastrear o caminho desse dinheiro, investigar evidências de enriquecimento ilícito, de prejuízos fiscais causados ao país pela movimentação ilegal do dinheiro. E punir severamente os culpados, onde quer que eles estejam.

Um país que se quer respeitado não pode ter o Engenhão, estádio que vai sediar competições de atletismo da Olimpíada de 2016, com o nome de um corrupto comprovado. O que dirá a comunida de esportiva internacional? O COB, aliás, tem o dever de cassar o prêmio Adhemar Ferreira da Silva, referenda máxima aos que são exemplo de conduta esportiva e ética no olimpismo brasileiro, que foi concedido em 2008 a Havelange.
O caso ISL deve servir de inspiração para que de uma vez por todas sejam implementadas novas e arejadas práticas na gestão do futebol do Brasil. O que, mesmo com a saída de Teixeira do comando da CBF e do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, ainda está longe de acontecer. Muito pouca coisa mudou, desde então.
Teixeira, antes de refugiar-se nos EUA, quando sua situação tornou-se insustentável e a comprovação de seus atos ilícitos iminente, moldou sua saída, deixou na presidência da CBF e em todos os cargos estratégicos pessoas de sua confiança. Pior do que isso, continua recebendo um pagamento mensal de R$ 100 mil a título de consultoria. E assegurou a permanência de sua filha no Comitê Organizador da Copa de 2014, onde dá as cartas e recebe mais de R$ 70 mil mensais. Um escárnio com a Nação.
Ainda que a CBF e o COL sejam entidades privadas, não podem ser tratadas como capitanias hereditárias. Feudos imperiais. O governo, os clubes e a sociedade precisam reagir. Que os estatutos das duas entidades sejam respeitados - não se defende aqui uma virada de mesa, mas que dos dirigentes sejam cobradas as necessárias transformações para que nosso fut de fato entre em uma nova era, pautada pelos interesses públicos e não mais - como agora fica claro - movido por jogo pessoal e privado de poder.
Cabe a nós fazer deste momento de vergonha nacional uma oportunidade para mudar.

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