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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Santos deve renovar com Pelé para uso de imagem


Por Mauro Zafalon

O Santos está perto de renovar uma parceria para permanecer utilizando a imagem de Pelé. Com a extensão do contrato, a equipe praiana seguirá possuindo autorização para inserir seu maior ídolo em iniciativas oficiais.

O objetivo do time da Vila Belmiro é estabelecer um vínculo que extrapole o tempo de vida do Rei do Futebol. Ou seja, o clube teria direito a usar a imagem do ex-atleta mesmo após seu falecimento.

Com uma nova associação a Pelé, o Santos busca intensificar o projeto de expandir sua marca internacionalmente. Por ser conhecido em todo o mundo, o ex-jogador seria importante para divulgar o time do litoral.

Atualmente, um atleta que o clube explora bem a imagem é o atacante Neymar. Tido como um dos nomes mais influentes do futebol nacional, o jovem é frequentemente visto em campanhas da equipe alvinegra.

O Santos é o 14º colocado no Campeonato Brasileiro. Na próxima quarta-feira, visitará o Botafogo, no Rio de Janeiro, pela 14ª rodada da competição.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/patrocinio/27/27097/Santos-deve-renovar-com-Pele-para-uso-de-imagem/index.php

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CEO da Traffic avalia parceria com Fla por Ronaldinho: 'Não faria de novo'


Stefano Hawilla afirma que política do clube atrapalhou, diz não temer ser envolvido em litígio e argumenta que o retorno para a empresa foi zero

Por Vicente Seda

Em janeiro de 2011, o Flamengo, com respaldo da Traffic, conseguiu viabilizar o retorno de Ronaldinho Gaúcho ao Brasil. Sete meses depois, a empresa que custeava três quartos do salário do jogador interrompeu os pagamentos. Foram milhões de investimento. E, segundo o CEO (diretor executivo) da Traffic, Stefano Hawilla, zero de retorno. O executivo que assumiu a empresa de marketing esportivo explica o motivo de afirmar sem hesitar que "não faria de novo" um negócio nos mesmos moldes. Nesta quarta-feira, às 22h (de Brasília), no Engenhão, o agora R49 do Atlético-MG enfrentará seu ex-clube pela primeira vez desde a sua saída, em rodada adiada do primeiro turno por causa da interdição do estádio.
Hawilla substituiu Júlio Mariz no comando da Traffic. A parceria com o Flamengo foi conduzida por seu antecessor. O executivo não falou em valores, mas a empresa bancava o contrato de imagem de Ronaldinho, com vencimentos de R$ 750 mil mensais, fora o salário pago pelo clube. O aporte, que em sete meses somou R$ 5,2 milhões, teria como contrapartida percentuais dos contratos de patrocínio do clube a partir de determinado patamar. Não houve sucesso, o Flamengo ficou sem patrocinador na camisa, e não apareciam ofertas no valor estipulado. Desta forma, o clube acabou fechando, através de outra agência, a 9ine, de Ronaldo, um curto contrato com a Procter&Gamble, que sequer foi renovado. A Traffic, assim, interrompeu os pagamentos.
Iniciou-se então uma extensa negociação sobre um novo formato da parceria para que a empresa pudesse ter retorno do que investiu. Entraram em pauta programa de sócio-torcedor, licenciamento de produtos, e a discussão terminou sem acordo em fevereiro de 2012, quando o clube anunciou definitivamente o rompimento da parceria, assumindo os pagamentos que caberiam à Traffic. Com o clube sem condições de honrar os compromissos, o atraso minou a relação entre Ronaldinho e Flamengo. O "casamento" terminou em litígio, no qual o craque cobra R$ 40 milhões por quebra de contrato, fora outra ação de R$ 15 milhões por danos morais.
Questionado sobre a parceria frustrada, Hawilla afirmou que não faria de novo um negócio nos mesmos termos.
- Eu acho que o formato não é bom nem para o clube, nem para a empresa. O acordo que a gente teria com o Flamengo seria de eles cederem algumas propriedades para a gente, em troca de ajudarmos com o Ronaldinho. Mas acabou não sendo feito. Clube grande hoje tem muitas correntes políticas. Então é sempre complicado quando você é uma empresa privada e tem uma parceria tão grande com um clube em que você é obrigado a entrar nesse meio político, acho que não funciona. A gente não faria de novo o que fez, de ajudar o clube a custear o jogador. Eram algumas propriedades que queríamos, que o Flamengo tinha contrato com outras empresas, aí dizia que estava acabando, mas não estava acabando, é complicado. É um formato que a gente não faria de novo.
O executivo foi sucinto ao comentar o prejuízo e procurou eximir a Traffic de responsabilidade no caso.
- Foram sete meses de salários. Retorno zero e, diga-se de passagem, não por nossa culpa. Fizemos tudo para a parceria dar certo.
Hawilla afirmou também não ter receio de ver a empresa envolvida na briga judicial entre jogador e clube.
- De jeito nenhum, a gente não tem nenhum vínculo trabalhista com o Ronaldinho. Eu ajudava o Flamengo a pagar, mas nunca tivemos nenhum vínculo trabalhista com o Ronaldinho. Temos uma relação muito boa com ele, com o Assis.
De R10 a R49, Ronaldinho perdeu mais de dois terços do que recebia na Gávea. Mas passou a receber em dia e reencontrou o bom futebol, sendo peça fundamental na campanha do Atlético-MG, que briga pelo título brasileiro e liderou boa parte do campeonato até agora. O Flamengo, por sua vez, amarga a luta para se afastar da zona de rebaixamento na tabela de classificação. O vencedor do duelo da noite desta quarta-feira sairá de campo mais próximo do seu objetivo, embora o revanchismo seja descartado pelas vias oficiais.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2012/09/ceo-da-traffic-sobre-parceria-com-fla-por-ronaldinho-nao-faria-de-novo.html

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Vasco solicita provas de dívida com Romário


O departamento jurídico do Vasco entrou na Justiça, na última sexta-feira, com um pedido de apresentação de documento, onde solicita que Romário mostre comprovantes da dívida que afirma que o clube tem com ele. O ex-jogador cobra uma pendência de aproximadamente R$ 52 milhões do clube.

O caso será avaliado pela 48ª Vara Cível do Rio de Janeiro e, em caso de decisão favorável ao Vasco, Romário terá cinco dias úteis para apresentar o contrato de imagem da época em que defendeu o time de São Januário, além de documentos que comprovem os valores que o deputado federal alega ter emprestado.

Caso a apresentação dos documentos não aconteça, existe a possibilidade do Vasco acionar o Ministério Público contra ex-atleta, alegando falsificação de documentos. Também existe a chance de que o clube volte à Justiça, mas desta vez, pedindo a volta de cerca de R$ 8 milhões já pagos a Romário por conta da dívida.

Recentemente, o advogado que defende o ex-jogador no caso garantiu que os documentos existem e ressaltou ainda que seria uma irresponsabilidade acionar à Justiça se os papéis fossem falsos. Além disso, afirmou que na hora certa os documentos seriam apresentados.

O Vasco, por sua vez, alega já ter tentado em três oportunidades acordos com Romário mediante a apresentação dos documentos, o que não aconteceu.

Fonte: http://www.maquinadoesporte.com.br/i/noticias/atletas/26/26623/Vasco-solicita-provas-de-divida-com-Romario/index.php

terça-feira, 14 de agosto de 2012

COL e Fifa divulgam regras para cobertura jornalística


Emissoras terão uma série de restrições em relação à divulgação do conteúdo

Por Caroline Aguiar

A Fifa e o Comitê Organizador Local (COL) apresentaram, ontem (13), em Brasília, como serão os processos de credenciamento de imprensa e cobertura jornalística das Copas das Confederações de 2013 e do Mundo de 2014. Como a TV Globo é detentora dos direitos de imagem dos eventos, as demais emissoras terão uma série de restrições em relação à divulgação do conteúdo. 

As demais TVs terão seis minutos de imagens disponíveis por dia. Sendo que, as cerimônias de abertura e encerramento e os sorteios só podem ser veiculados por 30 segundos. As emissoras interessadas em ter as imagens deverão avisar a Globo com, no mínimo, 72 horas de antecedência.

As imagens só poderão ser veiculadas em programas exclusivamente jornalísticos e periódicos e não poderão ser guardadas em bancos de imagens. Haverá um termo de uso de, no máximo, 48 horas e os créditos da TV Globo devem aparecer durante todo o tempo que a imagem for exibida. 

O credenciamento para os profissionais da imprensa deve ser feito exclusivamente pelo site da Fifa destinado a jornalistas. No entanto, o cadastro no mesmo não garante o credenciamento. 

Estrutura
Durante a primeira fase e as oitavas de final, os comitês de imprensa dos estádios terão 300 estações de trabalho cada. Nas quartas de final esse número sobe para 400, na semi e na decisão do terceiro lugar para 500 e na partida final chega a 800.

Depois dos jogos, haverá entrevista coletiva com os treinadores e o melhor jogador da partida. Os jornalistas também poderão tentar conversar com os jogadores na zona mista, que é o caminho entre o vestiário e os ônibus. 

Os jornalistas credenciados têm acesso apenas ao comitê de imprensa. Para participar das coletivas e transitar pela zona mista e nas tribunas e preciso ter as SADs (Supplementary Acess Devices), que são uma espécie de ingresso permitindo a entrada. As SADs serão pedidas nas vésperas do evento e entregues no dia. 

Na Copa do Mundo da África do Sul, foram 1100 profissionais de rádio e TV credenciados, 940 fotógrafos e 2560 jornalistas de imprensa escrita.

Fonte: http://www.portal2014.org.br/noticias/10528/COL+E+FIFA+DIVULGAM+REGRAS+PARA+COBERTURA+JORNALISTICA.html

domingo, 12 de agosto de 2012

Quem poderá utilizar as marcas da Copa do Mundo 2014?


Advogada explica que marcas são protegidas por direitos autorais e não podem ser utilizada sem autorização

Em outubro, o Comitê Organizador Local da Copa (COL) oficializará o mascote da Copa do Mundo 2014. Tudo indica que o tatu-bola, cuja espécie está em extinção, será o escolhido. Encontrado principalmente nos estados da Bahia, Alagoas, Piauí, Rio Grande do Norte e Pernambuco, o tatu-bola, também conhecido como tatuapara, será adotado como mascote devido a sua característica de se enrolar completamente dentro de sua carapaça, formando uma bola.

Não é novidade que as mascotes de eventos esportivos alavancam as vendas de vários produtos relacionados à Copa, como camisetas, banners, chaveiros, bandeiras, brinquedos, entre outros. Contudo, a advogada Maria Isabel Montañes recomenda cuidado para as pessoas físicas e jurídicas que estão no aguardo do anúncio oficial da FIFA para iniciar os trabalhos de reprodução do tatu-bola e obter retorno financeiro. "Nos últimos anos, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) recebeu inúmeras solicitações de marcas e desenhos industriais relacionados com a Copa do Mundo. Porém, o mascote é protegido por direitos autorais e não poderá ser utilizado sem a devida autorização dos criadores ou detentores da marca", alerta a advogada, especialista em marcas e patentes.

Maria Isabel salienta que somente a FIFA terá total prioridade no registro de todas as marcas e símbolos relacionados ao evento futebolístico mais importante do planeta. "Quem reproduzir, imitar, falsificar ou modificar indevidamente qualquer marca oficial de titularidade da FIFA responderá por crime de falsidade material previsto na Lei das Patentes, quanto à falsificação e à reprodução indevida de marcas registradas", afirma.

Segundo ela, também serão considerados crimes os atos de comercializar, distribuir, expor à venda, importar, exportar e até mesmo oferecer, ocultar ou manter em estoque qualquer produto ou símbolo objeto de reprodução não autorizada ou falsificação. "Para quem desrespeitar as regras, a legislação prevê pena de três meses a um ano de detenção ou multa. Contudo, a pior punição está relacionada com a imagem da empresa usurpadora perante seu consumidor, e a possível indenização a ser paga a FIFA. A punição se aplica ao fabricante da mercadoria e aquele que utiliza o objeto falsificado", explica. 

Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/cotidiano/quem-podera-utilizar-as-marcas-da-copa-do-mundo-2014/58083/

terça-feira, 3 de julho de 2012

No Brasil, gastos com salários sobem menos


Além das remunerações, despesas com direitos de imagem também tiveram peso reduzido no orçamento

Por Marcelo Damato



No ano em que os gastos dos clubes mais cresceram, por conta do dinheiro novo da TV, os gastos com salários e direitos de imagem desaceleraram. Os clubes do Brasil gastaram em 2011 cerca de 55% com esses itens, abaixo do limite defendido pela Associação Europeia de Clubes, que é de 60%. Em 2010, o índice foi de 58%.
Mas, dos 14 maiores clubes do país, oito ultrapassam esse limite. Os paulistas Palmeiras, Santos e São Paulo, os cariocas Flamengo, Fluminense e Vasco, mais Atlético-MG e Internacional ultrapassam essa barreira e chegam a 68,3%, no caso do Fluminense. E não se pode esquecer que o grosso do que os principais jogadores do Tricolor, como Fred e Deco, recebem é pago pela Unimed, a patrocinadora-mecenas do clube.
O Corinthians, ao contrário, só comprometeu 37,1% dos seus gastos com essa rubrica, e até enxugou a folha em 8% em relação ao ano passado – em grande parte devido à aposentadoria de Ronaldo e à ida do lateral Roberto Carlos para a Rússia.
O São Paulo, mesmo com vários jogadores da base no elenco, foi disparado quem mais gastou com salários e direitos de imagem no ano passado. Passou de R$ 95 milhões.
Em relação a 2010, os clubes aumentaram os gastos em 19% e os gastos com pessoal em 13%.

Falta de detalhes
A pedido do LANCE!, a Mazars auditores destrinchou os gastos dos grandes clubes brasileiros em 2011. Destrinchou onde foi possível. O Coritiba, por exemplo, não publica nenhum detalhamento de seus gastos, apenas o total (veja quadro).
Só Grêmio, Corinthians e Botafogo detalharam gastos nas cinco colunas adotadas pela Mazars – que poderiam ser muitas mais, se a transparência dos balanços fosse maior. Mas essa é outra questão.
Carlos Aragaki, sócio da Mazars auditores: 'Desafio é título com gastos controlados'
Tradicionalmente as despesas com salários são as mais relevantes para os custos do futebol. Alguns clubes, todavia não destacam as despesas com imagem como, por exemplo: Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG. É provável que as despesas com a imagem estejam registradas como serviços de terceiros (conta usada por muitos clubes). Assim, pode-se dizer que São Paulo, Corinthians, Inter e Santos foram os que gastaram mais com salários e imagem em 2011.
Os clubes têm grande dificuldade para conciliar gestão financeira e resultado do futebol. Por um lado, o Corinthians com o maior custo dos clubes se sagrou campeão brasileiro em 2011 e o Vasco, 10 em custos totais, foi campeão da Copa do Brasil e vice Brasileiro. Por outro, o Atlético-PR, com custos baixos e finanças controladas foi rebaixado para a série B.
Um entrave para o entendimento dessa questão pelos leitores é a falta de harmonização dos registros pelos clubes.

‘Imagem’ ainda afeta balanço
Segundo o auditor Carlos Aragaki uma ação judicial em curso poderá ter impacto significativo no balanço dos clubes. O meia Ronaldinho Gaúcho pede R$ 40 milhões ao Flamengo. Na ação cita como valores de natureza salarial o seu contrato de direito de imagem, que correspondia a 62% do seu salário. Apesar de a nova versão da Lei do Esporte (Lei do Clube Formador) ter estabelecido que esse contrato não tem natureza salarial, a jurisprudência ainda é dúbia na questão.
Se prevalecer a ação movida pelo meia do Atlético-MG, os clubes, em tese poderiam ter que mudar seus balanços e colocar os pagamentos na rubrica de natureza salarial e ter que fazer provisões para os encargos trabalhistas não pagos sobre os direitos de imagem.


Fonte: http://www.lancenet.com.br/minuto/clubes-brasileiros-gastos-salarios-sobem_0_729527221.html#ixzz1zYzwcWm0

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Forte disputa no mercado oligopólico


Por Valério Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos em 10/01/2012 na edição 676

Aprovação da lei que permite a entrada das empresas de telecomunicações na TV fechada e várias disputas em torno de direitos de transmissão de eventos esportivos: se 2011 ainda não apresentou mudanças significativas para derrubar as barreiras do mercado estabelecidas pelas empresas das Organizações Globo, combates importantes foram estabelecidos, prometendo um 2012 com novas disputas entre operadores e, como sempre, uma agenda pró-regulamentação midiática cheia, mas com forte resistência empresarial.
A Lei 12.485, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em setembro, promete alterar as relações de mercado no que tange à transmissão paga televisiva. Neste ano que se inicia, as empresas de telecomunicações entrarão finalmente no mercado enquanto distribuidoras de conteúdo, rompendo um dos elos da concentração vertical das Organizações Globo no setor. Apesar disso, a ampliação da obrigatoriedade de conteúdos nacionais tende a beneficiar as empresas do grupo, que é o maior produtor brasileiro.
No caso da TV Globo, cuja liderança do mercado oligopólio generalista é mais evidente, por se tratar de um meio de comunicação presente na maioria dos lares do Brasil, as esferas econômicas das indústrias culturais ficaram muito expostas ao longo do ano que passou, com o esporte sendo protagonista dos confrontos estabelecidos e, por conta disso, recebendo maior atenção destes autores. Já nos primeiros meses do ano, a disputa mais esperada por todos: após a assinatura do Termo de Ajuste de Conduta entre a emissora e o Clube dos 13, entidade que representa os principais clubes do país, em outubro de 2010, por conta da decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de determinar as relações anteriores como formação de cartel, esperava-se que o edital de licitação seguinte pudesse apresentar uma efetiva disputa em torno dos direitos de transmissão em TV aberta do Campeonato Brasileiro de Futebol. A expectativa era de que a Rede Record ofereceria um valor “absurdo” para o mercado brasileiro se confirmasse, restando saber o quanto a Globo poderia colocar em termos de valores.
Batalhas no setor esportivo
Com processo de licitação para as edições de 2012 a 2014 anunciado, a única emissora a apresentar proposta foi a Rede TV!, de porte médio, que ofereceu R$ 516 milhões por temporada. A Globo desistiu um dia depois de apresentado o edital de licitação, ao acreditar que R$ 500 milhões por temporada, valor mínimo para lance, representava uma quantia impossível para que o mercado publicitário brasileiro pudesse repor. A Record desistiu no dia do anúncio das propostas, por saber que a maioria dos clubes já havia negociado com a emissora da família Marinho em separado.
As disputas, que se tornaram públicas por meio de notas da Rede Record e de comentários de membros do próprio Clube dos 13, geraram uma audiência pública sobre o assunto, em abril, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, no mesmo dia que a Globo enviou ao Cade os contratos assinados de forma individual com os clubes. Semanas depois, o C13 anunciava o acordo com a Rede Globo, que mal precisou participar do processo de licitação, mas que gastará, cogita-se, cerca de R$ 800 milhões por temporada.
As concorrentes envolvidas no processo também reagiram a ele. A Rede Record passou a realizar reportagens em seus programas jornalísticos não só sobre o assunto, como também sobre possíveis problemas criminais do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, e dos dirigentes e empresários próximos a ele. A Rede TV! perdeu o direito de transmitir a Segunda Divisão nacional, que foi cedido pela Globo à Band, atual parceira no pacote Futebol. Mas se o Brasileirão foi alvo da principal disputa, até mesmo pelo patamar dos valores envolvidos e da guerra estabelecida, outras batalhas entre os membros do setor foram realizadas ao longo do ano.
A “luta do século”
Ainda no futebol, o principal torneio de clubes do mundo, a Liga dos Campeões da Europa, que até meados do século 21 não recebia muita atenção das emissoras de TV aberta brasileiras, teve a negociação dos direitos de transmissão para o triênio 2012, 2013 e 2014 sendo alvo de disputas por dois blocos de empresas distintos. De um lado, Rede Record, portal Terra (Telefonica de Espanha) e Fox Sports; do outro, Rede Globo, Esporte Interativo e ESPN. O último grupo venceu o processo de licitação por apresentar, cada um em seu setor de atuação (televisão aberta, UHF/internet e TV fechada), a exploração dos jogos num valor que representa quatro vezes mais o que foi pago três anos antes.
Além disso, todas essas empresas ampliaram a possibilidade de transmissões. A Globo, que repassa a maior parte dos jogos do torneio para a Band, exibirá cinco jogos por temporada – não só os três, como na temporada 2011/2012; e tanto TV Esporte Interativo quanto ESPN transmitirão também via internet e plataformas móveis, o que representa as novas possibilidades de veiculação de audiovisual – que não refletem, necessariamente, uma maior efetividade de participação de atores sociais no processo, por mais brechas que se tenha.
Já nos últimos meses do ano, o alvo de disputa foi os direitos de transmissão para o torneio de Artes Marciais Mistas (MMA, sigla em inglês) Ultimate Fighting Championship (UFC), evento que foi a grande novidade na mídia brasileira, com um grande crescimento de visibilidade ao longo de 2011. Em fevereiro, dois dos mais conhecidos lutadores brasileiros, Vitor Belfort e Anderson Silva, fizeram a “luta do século”, na categoria peso médio (84 kg). A vitória de Silva deu uma grande visibilidade nos meios de comunicação, mesmo que a luta só tenha sido transmitida no canal Combate, da GloboSat, via pay per view. Mas o grande refletor do sucesso do UFC no Brasil foi a realização do evento de número 134, no Rio de Janeiro, que representou a volta ao país após 13 anos – quando ainda pertencia à família de lutadores Gracie, que vendera a marca por US$ 8 milhões em 2001. A Rede TV!, que transmitia aos sábados reprises de lutas, pode fazer a transmissão oficial em TV aberta, algo inédito para o Brasil. A emissora conseguiu alcançar a liderança no Ibope durante a luta de Anderson Silva contra o japonês Yushin Okami, com pico de 12,8 pontos de audiência.
The Ultimate Fighter
Os resultados expressivos do UFC 134 no Rio de Janeiro fez não só que os proprietários da marca – agora avaliadas na casa do bilhão de dólares – garantissem mais edições do evento no Brasil para 2012, com a volta à cidade já em janeiro, como uma grande disputa pelos direitos de transmissão em TV aberta, envolvendo Globo, Record, SBT, Band e Rede TV! A Band esteve bem próxima de fechar o contrato, com direito a três reuniões com representantes da marca UFC, mas a intenção da empresa líder de audiência no país acabou sendo decisiva para que o acordo não fosse fechado. De olho nos negócios, a opção foi pela difusão da marca pela Rede Globo. Se o grupo já transmitia há anos em TV fechada, com principais lutas via pay per view, a direção de esportes acreditava até então que o evento era muito violento para a televisão aberta. Porém, o estrondoso e rápido sucesso fez com que os diretores da emissora se atentassem para as possibilidades de um programa que possibilita uma mercadoria audiência em rápido crescimento, não visto em outros esportes.
A Rede Globo terá exclusividade na transmissão de todos os eventos realizados no Brasil, provavelmente três em 2012, mais três edições realizadas no exterior e de ser parceira na primeira edição brasileira doreality show The Ultimate Fighter, que abre espaço para que um lutador seja alçado ao UFC, sem passar por outros eventos apropriados pelos donos da marca e de menor porte.
A primeira transmissão ocorreu em novembro de 2011, com direito à narração do principal locutor esportivo da empresa, Galvão Bueno, marcada pela conquista do cinturão dos pesos pesados (120 kg) pelo brasileiro Júnior “Cigano” dos Santos e 22 pontos de audiência. No mesmo dia, o evento estreava em cadeia aberta para os Estados Unidos através da gigante Fox. O número da edição do evento, tradicionalmente utilizado no nome oficial, acabou sendo trocado por “UFConFox”.
Jogos Olímpicos sem Rede Globo
O saldo de 2011 só não foi altamente positivo para a Rede Globo. Primeiro porque a emissora precisou gastar bem mais com eventos esportivos que anteriormente e, além disso, foi o ano em que a Rede Record transmitiu o primeiro grande torneio de caráter poliesportivo, os Jogos Panamericanos. Por mais críticas que se tenham feito à transmissão da emissora – por exemplo, que não transmitiu os jogos em importantes horários do fim de semana, mantendo O Melhor do Brasil (sábado) e Programa do Gugu(domingo) –, as dúvidas ficaram sobre a cobertura do evento pela Globo, com direito a imagens extraídas de provas cujos direitos era da concorrente. Além disso, ficou também a pressão dos patrocinadores de alguns atletas para que eles dessem entrevista para a emissora carioca, que não podia entrar nos espaços pan-americanos.
2012 marca o ano de mais uma edição dos Jogos Olímpicos de Verão, que serão realizados em Londres. Paira a curiosidade sobre como a Rede Globo irá tratar um evento de tamanha magnitude. Independente de tantas vitórias nas disputas mais recentes, ainda permanece como grande derrota a perda dos direitos de transmissão dos principais torneios de caráter olímpico. O novo ano representará uma grande chance de se saber o quão fortes são as suas barreiras de mercado e até que ponto poderão receber arranhões.
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[Valério Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos são, respectivamente, professor titular no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos e mestrando no mesmo programa]