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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Polêmico, Grego sonha com volta à CBB e promete gestão guiada pela “reflexão, modernização e transparência”


Candidato na eleições de 2013, ex-presidente concede entrevista exclusiva ao R7

Por Carolina Canossa

Atual presidente da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), Carlos Nunes terá um único opositor nas próximas eleições da entidade, programada para março de 2012. Será Gerasime Bozikis, o Grego, ex-comandante da entidade e que, na maior parte dos anos de sua gestão, teve Nunes como seu aliado. 

VEJA MAIS: Candidato à reeleição, Nunes se diz tranquilo e projeta ouro para 2016

Nascido na Grécia e naturalizado brasileiro, o dirigente esteve à frente da CBB de 1997 a 2009. Durante este período, foi acusado de ter feito um péssimo trabalho. A seleção masculina, por exemplo, ficou fora das três Olimpíadas disputadas enquanto Grego esteve no cargo, mas, em entrevista exclusiva ao R7, ele alega que “por falta de uma melhor comunicação e de um fluxo contínuo de informações para a mídia e a comunidade do basquete, acabaram ganhando corpo várias críticas que na realidade não procediam”. 
Grego se defende lembrando que a seleção feminina foi bronze nos Jogos de Sidney, em 2000 e que boa parte da equipe masculina que se classificou para Londres 2012, esteve nos Pré-Olímpicos em que o Brasil fracassou. Ele afirma também que só não conseguiu fazer mais por falta de dinheiro. Dinheiro de um orçamento que, agora, diz ser três vezes mais que em seu tempo.

Depois de, em suas palavras, “refletir e repensar tudo que aconteceu nos últimos anos da minha gestão e da atual”, Grego decidiu tentar assumir o cargo novamente e avalia ter boas chances de vitória para, assim, poder fazer uma gestão cujo lema promete ser “reflexão, modernização e transparência”. 

Envolvido com a campanha, com o trabalho como presidente da Abasul (Confederação Sul-americana de Basquete) e suas atividades como empresário, por diversas vezes ele não conseguiu atender a reportagem do R7 por telefone. Topou então conceder a entrevista por e-mail, na qual pode ser lida na íntegra abaixo (as palavras em letras maiúsculas em determinadas frases, inclusive, são do próprio Grego). Confira: 

R7 - Quais os motivos que o levaram a se candidatar novamente à presidência da CBB? 

Gerasime Bozikis - Após praticamente 3,5 anos fora do dia a dia da CBB, tive a oportunidade de refletir e repensar tudo que aconteceu nos últimos anos da minha gestão e da atual. Eu gostaria de: 

- colocar em prática os programas que não aconteceram por falta de recursos; 
- desenvolver um novo projeto de gestão empresarial para a CBB com a participação dos Presidentes das Federações e de todos os segmentos da comunidade do Basquete, mostrando e ouvindo opiniões de pessoas de notoriedade no basquete nacional; 
- apoiar as Federações, economicamente na sua estruturação e dar o suporte necessário; - formar duas grandes seleções (FEM/MAS) para Rio 2016; 
- estruturar e dar grande atenção para as categorias de base em todo o Brasil, pois o basquete vai continuar após 2016; 
- Após estar presente em cinco Olimpíadas, poder participar a frente da CBB na organização dos jogos em nosso país; 
- Aproveitar para o bem do basquete toda minha experiência nacional e internacional e a minha paixão pelo nosso esporte. 

R7 - Como o senhor avalia a gestão do Carlos Nunes à frente da entidade? 
GB - Seria antiético falar da atual administração, porém toda a mídia tem veiculado notícias e informações destacando os problemas de planejamento e da própria execução de atividades na área técnica, além da gravíssima situação financeira da entidade, que ao final de 2011 já havia alcançado R$ 6,2 milhões de prejuízo, e segundo especialistas do mundo das finanças, estar em estado falimentar. Isto tudo apesar de estar trabalhando com um orçamento de R$ 25/30 MILHÕES anuais, o triplo da administração anterior. 

R7 - Durante o período no qual foi presidente da CBB, o senhor foi muito criticado, até pelo fato de o basquete masculino do Brasil ter ficado de fora das Olimpíadas estes anos. Como encara estas críticas? 

GB - Por falta de uma melhor comunicação e de um fluxo contínuo de informações para a mídia e a comunidade do basquete, acabaram ganhando corpo várias críticas que na realidade não procediam. 

Levamos a seleção feminina a todas as Olimpíadas e conquistamos uma medalha de BRONZE em Sidney 2000, porém, não tivemos a mesma performance com a seleção masculina, fato que felizmente aconteceu em Londres 2012. Mas, se prestarmos atenção, nas equipes brasileiras masculinas que disputaram os Pré Olímpicos de 2003/P.Rico e 2007/Las Vegas, onde enfrentamos os EUA (o que não aconteceu ano passado) e fomos eliminados, nove dos atletas que disputaram as Olimpíadas estavam lá, inclusive o Nenê. 

Além disso, recriamos os Campeonatos Brasileiros de Base com a participação de todos os 27 Estados e assinamos o 1° contrato de ciclo olímpico com a ELETROBRÁS (o maior patrocinador de basquetebol de todas as Américas / fora NBA). Também organizamos 2 mundiais FIBA no Brasil (S.Paulo e Natal) e criamos o Campeonato Feminino, a Escola Nacional de Treinadores, o Basquete do Futuro Eletrobrás. Vencemos vários PAN-AMERICANOS, COPAS AMÉRICAS, Sul-americanos nas diversas categorias Feminino e Masculino, 2° no Mundial Sub 21 Fem e 4° no Mundial Sub 19 Masc. 

Creio que o saldo é extremamente positivo. 

R7 - Falando em seleção masculina: se eleito, o senhor pretende manter Rubén Magnano como treinador? 

GB - Sim, Rubén é um grande treinador e está fazendo um bom trabalho. 

R7 - Qual será a sua proposta para o basquete feminino do Brasil, que vem acumulando resultados ruins no cenário internacional? 

GB - Fortalecer a LNB Feminino, repatriar atletas brasileiras e trazer atletas estrangeiras para completarem as equipes, através de um grande DRAFT. 

Organizar mais campeonatos de clubes em todo o Brasil nas categorias Adulto, Sub 15, Sub 17 e Sub 19 para surgimento de novos valores. 

R7 - Na sua opinião, o modelo da Novo Basquete Brasil (NBB), no qual os clubes organizam a disputa de forma independente, somente com a chancela da CBB, está funcionamento bem? 

GB - O campeonato Nacional de Basquete iniciou em 1995 com grande apoio do SPORTV e dos maiores e melhores clubes do Brasil. Durante a nossa gestão, organizamos, fortalecemos e profissionalizamos o Campeonato Nacional, iniciamos a estatística ao vivo, a memória de competição, criamos o comitê de clubes e passamos a direção para a LIGA NACIONAL de BASQUETE (LNB) no momento certo e de forma correta. 

Os resultados têm sido bastante positivos e a tendência é crescer ainda mais em importância e representatividade. 

R7 - Você tem mais alguma proposta que gostaria de ressaltar? 

GB - Estruturamos uma proposta que começa a ser discutida com os Presidentes das Federações Estaduais e com a comunidade do basquetebol e tem como foco oito macro ações que vão nortear todo o trabalho que vamos desenvolver nos próximos anos. 

Para cada uma destas ações, nós conseguimos a adesão de profissionais de reconhecida competência e experiência, que vão liderar a implementação destas iniciativas e na minha opinião o mais importante é que quase todos são ex-praticantes do nosso esporte. 

Esta proposta se tornará um Projeto de Gestão e será apresentado para os Presidentes das Federações, órgãos públicos, patrocinadores e mídia em geral, para ser acompanhado e avaliado por todos. 

O lema da futura gestão é REFLEXÃO, MODERNIZAÇÃO e TRANSPARÊNCIA. 

Pensar sobre o passado e identificar enganos, modernizar processos e estatutos e mostrar periodicamente todas as ações e resultados obtidos. 

R7 - Como avalia as suas chances de vencer a eleição? 

GB - Com o apoio dos Presidentes, das Federações Estaduais, grupos empresariais, e pessoas de notoriedade dentro do nosso esporte, formamos uma equipe forte que nos levará ao sucesso no próximo pleito da CBB em MARÇO 2013. 

Fonte: http://esportes.r7.com/esportes-olimpicos/noticias/polemico-grego-sonha-com-volta-a-cbb-e-promete-gestao-guiada-pela-reflexao-modernizacao-e-transparencia-20121009.html?question=0

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CEO da Traffic avalia parceria com Fla por Ronaldinho: 'Não faria de novo'


Stefano Hawilla afirma que política do clube atrapalhou, diz não temer ser envolvido em litígio e argumenta que o retorno para a empresa foi zero

Por Vicente Seda

Em janeiro de 2011, o Flamengo, com respaldo da Traffic, conseguiu viabilizar o retorno de Ronaldinho Gaúcho ao Brasil. Sete meses depois, a empresa que custeava três quartos do salário do jogador interrompeu os pagamentos. Foram milhões de investimento. E, segundo o CEO (diretor executivo) da Traffic, Stefano Hawilla, zero de retorno. O executivo que assumiu a empresa de marketing esportivo explica o motivo de afirmar sem hesitar que "não faria de novo" um negócio nos mesmos moldes. Nesta quarta-feira, às 22h (de Brasília), no Engenhão, o agora R49 do Atlético-MG enfrentará seu ex-clube pela primeira vez desde a sua saída, em rodada adiada do primeiro turno por causa da interdição do estádio.
Hawilla substituiu Júlio Mariz no comando da Traffic. A parceria com o Flamengo foi conduzida por seu antecessor. O executivo não falou em valores, mas a empresa bancava o contrato de imagem de Ronaldinho, com vencimentos de R$ 750 mil mensais, fora o salário pago pelo clube. O aporte, que em sete meses somou R$ 5,2 milhões, teria como contrapartida percentuais dos contratos de patrocínio do clube a partir de determinado patamar. Não houve sucesso, o Flamengo ficou sem patrocinador na camisa, e não apareciam ofertas no valor estipulado. Desta forma, o clube acabou fechando, através de outra agência, a 9ine, de Ronaldo, um curto contrato com a Procter&Gamble, que sequer foi renovado. A Traffic, assim, interrompeu os pagamentos.
Iniciou-se então uma extensa negociação sobre um novo formato da parceria para que a empresa pudesse ter retorno do que investiu. Entraram em pauta programa de sócio-torcedor, licenciamento de produtos, e a discussão terminou sem acordo em fevereiro de 2012, quando o clube anunciou definitivamente o rompimento da parceria, assumindo os pagamentos que caberiam à Traffic. Com o clube sem condições de honrar os compromissos, o atraso minou a relação entre Ronaldinho e Flamengo. O "casamento" terminou em litígio, no qual o craque cobra R$ 40 milhões por quebra de contrato, fora outra ação de R$ 15 milhões por danos morais.
Questionado sobre a parceria frustrada, Hawilla afirmou que não faria de novo um negócio nos mesmos termos.
- Eu acho que o formato não é bom nem para o clube, nem para a empresa. O acordo que a gente teria com o Flamengo seria de eles cederem algumas propriedades para a gente, em troca de ajudarmos com o Ronaldinho. Mas acabou não sendo feito. Clube grande hoje tem muitas correntes políticas. Então é sempre complicado quando você é uma empresa privada e tem uma parceria tão grande com um clube em que você é obrigado a entrar nesse meio político, acho que não funciona. A gente não faria de novo o que fez, de ajudar o clube a custear o jogador. Eram algumas propriedades que queríamos, que o Flamengo tinha contrato com outras empresas, aí dizia que estava acabando, mas não estava acabando, é complicado. É um formato que a gente não faria de novo.
O executivo foi sucinto ao comentar o prejuízo e procurou eximir a Traffic de responsabilidade no caso.
- Foram sete meses de salários. Retorno zero e, diga-se de passagem, não por nossa culpa. Fizemos tudo para a parceria dar certo.
Hawilla afirmou também não ter receio de ver a empresa envolvida na briga judicial entre jogador e clube.
- De jeito nenhum, a gente não tem nenhum vínculo trabalhista com o Ronaldinho. Eu ajudava o Flamengo a pagar, mas nunca tivemos nenhum vínculo trabalhista com o Ronaldinho. Temos uma relação muito boa com ele, com o Assis.
De R10 a R49, Ronaldinho perdeu mais de dois terços do que recebia na Gávea. Mas passou a receber em dia e reencontrou o bom futebol, sendo peça fundamental na campanha do Atlético-MG, que briga pelo título brasileiro e liderou boa parte do campeonato até agora. O Flamengo, por sua vez, amarga a luta para se afastar da zona de rebaixamento na tabela de classificação. O vencedor do duelo da noite desta quarta-feira sairá de campo mais próximo do seu objetivo, embora o revanchismo seja descartado pelas vias oficiais.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2012/09/ceo-da-traffic-sobre-parceria-com-fla-por-ronaldinho-nao-faria-de-novo.html