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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Exclusivo: Rúgbi foca em categoria formativa para cativar pessoas e consolidar “virada da pirâmide” nos próximos dois anos no RS

por Eduardo Moura/Final Sports



Não faz muito. Há pouco mais de 10 anos a caminhada do rúgbi gaúcho iniciava. A criação do Charrua Rugby Clube inaugurou o processo de disseminação do esporte britânico – como o futebol – disputado com as mãos e passes somente laterais ou para trás. Hoje com aproximadamente 25 polos espalhados pelo Rio Grande do Sul, participação garantida na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, o rúgbi se preparava para a virada na gestão e consequente popularização do esporte.  

Acompanhe nesta quinta e sexta-feira no Final Sports em duas matérias especiais a entrevista exclusiva com o presidente da Federação Gaúcha, Nilson Taminato. Na primeira edição, o dirigente conta os planos para 2012 da gestão atual da FGRugby, eleita no final de 2011 para os dois anos seguintes. A intenção é de consolidar um público por meio de três níveis: formativo, intermediário e competitivo. Os olhos se voltam com carinho para o primeiro. Uma vez cativados, os participantes tendem a continuar no esporte. Pesquisa da empresa de consultoria e auditoria Delloite coloca o esporte como o que mais crescerá nos próximos anos, ao lado do MMA.

O início do esporte aconteceu nas universidades e escolas britânicas, junto com o futebol, ainda nos idos anos do século 19. Para desmistificar o rúgbi do preconceito de violência, a intenção é implantar nas escolas o tag rúgbi, que consiste em cada jogador levar um lenço no calção, pendurado. Assim, quando outro puxa o pedaço de tecido, a jogada para. Além disso, o chamado ‘terceiro tempo’ é incentivado: a confraternização após os jogos entre os times é uma necessidade do festival. 

A projeção de Taminato é de “virada da pirâmide” para 2013 ou no máximo 2014. O ato tão falado pelo dirigente vem de teorias de gestão do esporte, mas ao contrário. Confederações usam a pirâmide como metáfora, com a ponta representando o esporte em alto nível. O trabalho inicia nas categorias de base, e vai subindo até a ponta. Na FGR, acontece o contrário.

No entanto, a Federação preferiu trabalhar com os moldes de uma pirâmide invertida. Como tratou de criar um público consumidor, um público jogador, pessoas que entendessem do esporte, tratou de criar pessoas que pudessem ser capacitadas para após serem transformadas em dirigentes, árbitros, técnicos. Segundo Taminato, a virada para o modo normal, com trabalho focado na base, será nos próximos dois anos.

- Confira abaixo a primeira parte da entrevista exclusiva com Nilson Taminato.

Final Sports: Como começou a caminhada do rúgbi gaúcho?
Nilson Taminato: Organizadamente, começamos o rúgbi a partir de 2001, com a formação de um primeiro time. Parece que houve a prática anos antes, no Sinodal, na Esef. Mas organizadamente, começou com a criação do Charrua, em 2001, fundado em 2 de junho. Desde ali eu e mais alguns interessados montamos esse grupo para jogar mesmo. Sou de São Paulo e já praticava lá. Joguei infantil e juvenil. Tinha outro também que jogou, tinha um argentino aqui também, e os argentinos são fortes, potência no rúgbi. Fomos montando o grupo, sempre pensando na parte organizacional. Apesar de em São Paulo o rúgbi ser centenário, passou muito tempo desorganizado. Ficamos sem viajar quando eu era juvenil na Seleção por desorganização. Agora que estamos tentando devolver algo para o esporte, não queremos que isso se repita, e que cresça de forma sustentável, tranquila. Sem passo maior que a perna, porque é um esporte que tem um preconceito de violência e desconhecimento.  

FS: A evolução para uma federação foi natural, então?
NT: Fomos aos poucos mantendo o grupo. Com isso surgiram outros também, e incentivamos isso, no Charrua mesmo surgiram outros. Fui presidente do Charrua, primeira e segunda gestão, e saí. Montamos um grupo de desenvolvimento, em 2005 ou 2006, não era uma federação, até porque não estava na hora, não estava consolidado o esporte. Foi para pensar como pessoas afastadas de um clube, do esporte como um todo no Estado. Fizemos o primeiro Campeonato Gaúcho, o segundo e o terceiro, em 2006, 2007 e 2008. E organizamos a federação gaúcha. Organizamos tudo para todos participarem. E surgiram posicionamentos contrários, divergências, mas não tem uma linha diferente do que hoje está vigorando. Não são duas vertentes, duas ideias, por isso que falo que estamos alinhados. O ex-presidente é de outro grupo, mas nós o convidamos para fazer parte e agregar. Hoje ele é meu vice e eu ajudei na gestão dele também.  

FS: Ainda não é a hora de existir oposição, é isso?
NT: Não tem porque hoje separar. O importante é agregar, mesmo com ideias um pouco diferentes. Temos que nos unir, nos juntar para crescer juntos. Mesmo sendo de times adversários, já que o rúgbi é muito aguerrido e acaba surgindo coisas dentro do campo, e passa para diretorias, enfim, mas estamos capitalizando para um bom sentido. Estamos acompanhando, eu pessoalmente não gostaria de assumir agora, mas percebi que era o momento, principalmente estratégico. Montamos uma chapa e vamos seguir o que estava sendo feito, por isso digo que está alinhado com o grupo anterior.

FS: Quais as ideias iniciais para essa próxima gestão?
NT: Vamos manter os mesmo campeonatos, mas vamos dividir três níveis do rúgbi e consolidar isso. Nos três níveis: competitivo, intermediário e formativo. Fala-se muito na pirâmide no esporte. Da forma como você quer crescer. É sempre em formato de pirâmide que se trabalha na categoria de base, e vai subindo até a parte competitiva, que para os patrocinadores é o produto. Essa normalmente é o que acontece. Infantil, juvenil, vai subindo, tanto feminino quanto masculino, até o profissional.

FS: E como funciona a parte formativa?
NT: Montamos esse campeonato na gestão passada, quando eu fui diretor de desenvolvimento, que é dos times que estão começando, debutando no rúgbi. Nesse campeonato, que é sempre de 15, pode-se jogar com 12 ou 10, dependendo do adversário, em conversas com os capitães. Por felicidade conseguimos jogar rúgbi union (15 jogadores) na maioria das vezes. Nesse campeonato relevamos algumas regras para diminuir a competitividade. Tiramos o ‘tackle’ (ato de agarrar o adversário e o colocá-lo ao chão para parar uma jogada) e o ‘scrum’ (disputa pela bola onde os jogadores se encaixam, empurrando-se, com a bola parada no chão). Fizemos regras de transição para que se consiga diversão e se machuque menos. Nesta idade, o corpo não está formado. Na competitiva, sim. Não são dois tempos de 40 minutos, é 10min por 10min, 20 por 20. Chamamos de festival.

FS: É um incentivo para que as pessoas fiquem no esporte?
NT: O time que tem uniforme ganha ponto, quem está presente ganha ponto, quem perde ganha ponto. Quem ganha, ganha uma bola, quem perde, ganha duas. É uma grande brincadeira. Foram vários times nessa formativa, e o resultado foi muito positivo. Em 2012, queremos aumentar, no formato de etapas. Acontece tudo em um sábado ou domingo. Então queremos três em cada semestre. Cada uma em uma em cidades diferentes, locais que achamos que tem potencial e que pode desenvolver o esporte. Cidades que achamos que estão nos apoiando. Vendemos um evento. E para o time da cidade é muito bom também.

FS: Quanto esses campeonatos são importantes para os clubes?
NT: Fizemos o último evento em Estrela. Lá eles já têm campo, estrutura, apoio da Secretaria do Esporte. E esse ano teremos mais participantes. O campeão foi o Centauro, e foi o primeiro ano deles. As equipes podem ter times em todas as divisões, na formativa, intermediária e competitiva. Os grupos são grandes e, se não há atividade, não mantém os jogadores. Novo Hamburgo jogou a competitiva e a formativa. O Charrua e o San Diego na competitiva e na intermediária. Lanceiros já jogou o Campeonato Gaúcho, mas agora partiu para a formativa, porque caiu um pouco. Está voltando. Maragatos é um grupo novo, uma gurizada de Sapiranga, e que participou. O interessante dessa cidade é que quem apoia não é a Secretaria de Esporte, é a da Educação.

FS: Vocês buscam essa identificação com instituições de ensino, com o início do rúgbi lá atrás?
NT: Acreditamos muito nisso, por isso foi uma vitória. Para tirar o preconceito de violência. Fizemos palestra com os professores lá, e já temos agendado um curso de formação dos professores de educação física. Eles querem implantar lá o tag rúgbi nas escolas municipais. Sobre esse formato, que cada jogador carrega uma fita no calção, que arrancada automaticamente para a jogada, queremos colocá-lo nas escolas.

FS: A partir daí a intenção é focar nas crianças?
NT: A ideia é essa, assim que virarmos a pirâmide, vamos trabalhar nisso. Teremos pessoas capacitadas, se não ex-jogadores, pessoas envolvidas, serão professores de educação física, e viramos a pirâmide e trabalharemos na base, principalmente com o infantil. Se não trabalhar no início, destrezas finas que se trabalha lá no guri, você não consegue em um com 18, 20 anos. Que é a regra de começar. Queremos colocar nas escolas, vamos começar com o tag para ter interessados, para dar a virada. Em 2013 ou 2014 queremos dar a virada da pirâmide.

FS: Porque não utilizar o processo de pirâmide invertida?
NT: Não se consegue fazer isso no rúgbi porque não há quem jogue e ensine. O que começamos desde o Charrua é contrário, porque tu começas com uma célula de pessoas que já conhecem, que se interessam, e esse grupo vai se formando. Hoje é invertido, para formar uma massa crítica. Estamos próximos da virada no rúgbi gaúcho. Você já tem uma massa crítica inicial interessada. Antes se falava com base, infantil, mas não tem quem seja o dirigente, o árbitro, o professor. Então, adotamos essa ideia e invertemos. 

FS: E onde estamos nesse sentido?
NT: Estamos um pouquinho antes da linha média. Não estamos tão maduros para iniciar o trabalho visando à qualidade, já que o esporte é alto nível. Estamos formando e juntando pessoas. Por isso que acho que estamos antes da linha. A competitiva é inevitável existir, se não existisse, teria um desestímulo ao esporte. O patrocínio também. Ano passado a final do Gaúcho passou na TV Com, esse ano vai de novo. Teve na Sportv o Super 10, e os campeonatos de Seven, que é a modalidade olímpica hoje.

FS: O que falta, então, para essa virada?
NT: Nesta pirâmide, com vários clubes, pessoas novatas, experientes, temos dirigentes, temos os quatro agentes: dirigente, treinador, jogador e árbitro. Aqui em cada clube, temos isso. Se não tem, estimulamos com reuniões. O rúgbi se trabalha e brinca com isso o tempo todo. Essa é a minha ideia, deixar sustentável com a tua vida. Temos pessoas agora, o momento é de capacitar. Os árbitros agregam muita qualidade. Um árbitro bom ensina o jogador. Veja a iniciativa do árbitro com o microfone aberto para a televisão no Super 10. Foi um sucesso, no programa de futebol comentaram sobre isso, o respeito com o árbitro.

FS: E como a FGR planeja os próximos anos?
NT: Qual é a nossa deficiência? Técnica. De passar, de arbitragem e de treinadores. Não temos isso. Se a gente vai profissionalizar o rúgbi, a gestão, e isso faremos, não vai ser com a parte técnica. Não teríamos condições financeiras. Para viabilizar isso em 2013 ou 2014, para contratar um técnico. O Charrua fez isso. Recebemos currículos bacanas para trabalharem aqui.

FS: O contexto econômico do Brasil na América do Sul ajuda nesse sentido?
NT: Essa parte economicamente vai ser interessante para nós também, eles gostam dessa possibilidade de vir para cá pela economia. Mas não vamos contratar hoje um técnico porque não poderíamos mantê-lo. Vamos fechar com uma empresa de gestão esportiva para a parte administrativa. Vamos nos organizar para não ter uma instituição desacreditada. Nesses campeonatos todos, na formativa, juvenil, infantil, adulto, seleções, daqui a pouco estipulamos regras e não conseguimos cobrar. Uma instituição desacreditada não tem condições de se manter.

FS: Qual será o papel dessa empresa contratada?
NT: Primeira medida é profissionalizar a gestão, a parte administrativa. Essa empresa vai nos auxiliar na captação de recursos, tanto privados quanto públicos. Eles trabalham ainda na parte de capacitação e gestão. Este ano vamos cobrar inscrição dos jogadores e dos clubes para se federar. E assim vamos conseguir remunerar a pessoa jurídica. Vinculamos com o número de jogadores, se são 100 inscritos, vai para a empresa 10% daquilo. Eles abraçaram isso, e a gente vai conseguir tranquilidade. Com isso, podemos nós diretores, o técnico, o financeiro, o administrativo, não vai ter que quebrar pedra, apagar incêndios. Vai pensar na pasta dele. Vamos ter realmente diretores, cabeças pensantes.

FS: Mas a parte técnica não fica para trás?
NT: E se der, já vamos contratar o técnico em 2013. Temos pessoas interessadas. Fora isso, não vamos deixar um vão livre na questão técnica, sem conteúdo. Já contatamos a CBRu, e eles vão nos trazer cursos de arbitragem, de capacitação, de treinadores, do tag rúgbi, e infantil. A parte técnica, vamos tentar suprir dessa forma. Vamos usar os favores deles, a parte financeira é a regra, é sustentabilidade. Vamos fazer com 10, se tiver 10. Se tiver 1.000, faremos melhor. Mas não temos pressa, não temos que dar salto maior que a perna.

FS: O processo é de criar novos clubes?
NT: De manter. O que acontece: alguns clubes de rúgbi incentivamos a ter tudo certinho, como pessoa jurídica, e tentamos replicar para os caras. Treinem, joguem, mas pensem na pessoa jurídica, CNPJ. Agora acabou de ser aprovada a lei Estadual do Esporte. Essa empresa também vai ajudar os clubes a dar apoio jurídico, administrativo. E financeiro também. Se você tem toda a documentação, vamos tentar captar dinheiro para os clubes.

FS: De que forma chega no RS o sucesso da CBRu?
NT: Respinga de que forma: a Topper e o Bradesco são os parceiros. A Topper respinga pela comunicação ampla que está mostrando, pela marca e rúgbi em geral. As pessoas conhecem muito mais o esporte do que ano passado. A divulgação maior tem que ser aqui. Mas a luz respinga na divulgação. Aí as pessoas daqui buscam núcleos para treinar rúgbi.

FS: E o outro parceiro?
NT: Chega também material, com cursos e também com a parte competitiva, no qual somos representados pelo Farrapos. Esse ano foi o primeiro ano que o Super 10 foi rentável. O esporte sempre foi muito amador, e pagávamos do nosso bolso. Imagina um Campeonato Brasileiro indo para o Nordeste, São Paulo, Rio de Janeiro. O Bradesco pagou tudo isso, todas passagens do Farrapos, isso já é demais. Tivemos um representante lá, respingou assim. Esse ano vamos ver como vai ser, mas em termos de apoio, prevejo que seja com treinos, semelhantes, mais incremento nos cursos que estamos precisando. Vai de acordo com os que estamos pensando.

FS: E a federação do RS, como ganha nesse sentido?
NT: Tem possibilidade de já ter projetos formatados para entrar atrás das verbas da Fundergs. Fora isso, temos apoios apenas para a federação. A situação dos clubes é diferente, já tem patrocínio. A Federação busca a verba pública da Fundergs, já temos condições com a pessoa jurídica, e vamos entrar. Fora isso, é apoio, duas marcas de material de rúgbi que fornecem para o Brasil e para São Paulo. Com essa empresa e o dinheiro cobrado para se federar, vamos começar a formar uma caixinha, de repente, para em seguida vamos aplicar na parte técnica.

FS: Há também treinamentos de times na Esef, da UFRGS. Que relação há com a universidade?
NT: A UFRGS é um apoio nosso forte, firmamos um convênio com eles que nós cedemos esse recurso humano para capacitar os próprios alunos, para formar uma matéria optativa na própria faculdade. Vão fazer eventos, e em contrapartida eles dão o apoio de local e nós de pessoal. Só tem cursos em São José, em São Paulo, é o maior time do Brasil disparado.

Rebelo e Valcke reiteram trabalho conjunto para o sucesso da Copa

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérome Valcke, reiteraram trabalhar conjuntamente para que a organização da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, seja um sucesso.


Na primeira reunião do ano com o Comitê Organizador Local da Copa (COL), na capital fluminense, Rebelo destacou a importância da competição para melhorar a infraestrutura das cidades que vão sediar o evento.
"A garantia de que a Copa será um sucesso tem um significado mais amplo para o Brasil. É uma grande janela que se abre para o país se tornar mais conhecido e respeitado. Podemos atualizar a engenharia nacional na construção desses mega estádios, na construção das arenas, e de obras que atenderão as demais demandas que surgirão por conta da competição. Há também a oportunidade de atualizarmos nas áreas de telecomunicações, de aperfeiçoar nossa segurança para grandes eventos com grandes investimentos do governo", disse.
Valcke ressaltou o seu otimismo em relação ao prazo de entrega das obras dos estádios e dos aeroportos em todo o país. Ele também mostrou confiança sobre a votação da Lei Geral da Copa, prevista para março, no Senado.
Sobre o atraso nas obras de construção do estádio na cidade de Natal, o secretário-geral da Fifa manifestou o seu otimismo sobre a conclusão da arena dentro do tempo previsto e garantiu que a capital do Rio Grande do Norte continua como uma das 12 sedes da Copa.

Recomendação

Recomendo a leitura do ótimo site Megaevents. Trata-se de um espaço voltada a discussão do legado social dos megaeventos esportivos. Servindo, também, como cooperação entre as cidades de Londres e o Rio de Janeiro.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Interlagos e o drama do esporte privado no Brasil

Por Erich Beting


A Confederação Brasileira de Automobilismo anunciou na última quinta-feira que fará uma reunião com a São Paulo Turismo para discutir o que o meio automobilístico tem considerado um “aumento abusivo” nos preços para a locação do autódromo de Interlagos, em São Paulo.
A questão revela um problema recorrente do esporte no Brasil, que é a cultura que temos de sempre querer pagar pouco, ou quase nada, para organizar um evento esportivo no país.
O acesso gratuito ao esporte foi uma prática recorrente desde o governo Vargas, quando investiu-se pela primeira vez na massificação do culto às atividades esportivas. Depois, na era militar, essa tornou-se ainda mais recorrente fazer do acesso ao esporte um dever de Estado.
Hoje, porém, o conceito de esporte profissional é completamente diferente daquele que tem de ser oferecido gratuitamente pelo governo. Sim, é função dos governantes garantirem o acesso da população à prática esportiva, mas não quando é para consumirmos o esporte de alto rendimento.
O aumento das taxas para locação de Interlagos tem um propósito claro. A cidade de São Paulo não quer mais ter de perder dinheiro com a gestão do autódromo. Ele precisa ser uma unidade lucrativa. Não há nada de mal nisso, até porque Interlagos é hoje um dos pouquíssimos autódromos existentes no país e em boas condições para a organização de um evento de automobilismo.
E o ponto é exatamente esse. Para que consiga ser bom, o autódromo tem de fazer manutenção, ter melhorias, investir em reformas, etc. Como isso pode ser feito sem que a taxa seja cobrada de quem utiliza esse espaço?
Aí que entra o problema cultural do esporte brasileiro. Não nos conformamos em ter de pagar para consumir esporte. Acostumamo-nos a ter tudo de graça, ou quase isso. E aí quando há uma mudança que vai encarecer a organização de um evento, começa a haver uma gritaria geral de que quem aumenta os valores só pensa em lucro.
Gritar contra a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos é fácil e correto. Mas como podemos de fato mudar alguma coisa se ainda continuamos a achar que, tirando esses grandes eventos, o governo tem de arcar com os custos de qualquer outro esporte?
Será que dá para pensar hoje em gestão do esporte sem fazer a conta fechar no final do mês? Em todo o mundo já se vão 30 anos, pelo menos, que a resposta para essa pergunta está bem clara.



Governo lança edital para concessão do futuro Complexo do Maracanã


Interessados em realizar estudos de viabilidade têm até o dia 31 de janeiro para protocolar o pedido na Secretaria da Casa Civil.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro publica no Diário Oficial desta sexta-feira o edital de Manifestação de Interesse da Iniciativa Privada (MIP) para a realização de estudos de viabilidade técnica, ambiental, econômico-financeira e jurídica para concessão administrativa, operacional e de manutenção do Complexo do Maracanã. A manifestação de interesse deve ser protocolada até o dia 31 deste mês. Podem participar pessoas físicas e jurídicas.

De acordo com o edital, o Complexo do Maracanã é formado por toda a área que engloba o Estádio do Maracanã, o Maracanãzinho, a pista de atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare. Os estudos de viabilidade, que terão que ser apresentados até 31 de março, deverão ser desenvolvidos de forma a garantir alguns pré-requisitos, tais como: manutenção do direito ao uso das atuais cadeiras perpétuas pelos proprietários para jogos de futebol; construção e operação de um museu do Maracanã; instalação e operação de uma área de estacionamento com pelo menos duas mil vagas; implantação de área de lazer com bares, restaurantes e lojas distribuídas pelo Complexo do Maracanã; definição de metas e resultados a serem atingidos pelo parceiro privado, bem como a indicação dos critérios de avaliação ou desempenho a serem utilizados.

A Secretaria da Casa Civil poderá utilizar os estudos de viabilidade que serão apresentados na elaboração do modelo de processo licitatório. Mas o edital também deixa claro que a Manifestação de Interesse não obriga o Estado a realizar a licitação. O edital estipula ainda que os custos para o desenvolvimento dos estudos de viabilidade ficam a cargo do interessado.

Fonte:http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2012/01/governo-lanca-edital-para-concessao-do-futuro-complexo-do-maracana.html

Fifa divulga comunicado sobre o programa de voluntários para 2014


Comitê Organizador da Copa do Mundo deve lançar até o final do primeiro semestre deste ano o programa para a competição.

O site oficial da Fifa divulgou uma série de informações para quem deseja se candidatar para ser um voluntário em 2014. O Comitê Organizador da Copa do Mundo deve lançar até o final do primeiro semestre deste ano o programa para a competição. Aproximadamente 18 mil pessoas, com mais de 18 anos, deverão ser selecionadas. Não existe limite máximo de idade.
O lançamento do Programa de Voluntários será divulgado no site oficial da Fifa. Para participar, é necessário fazer a inscrição via internet, entrar do processo seletivo e acompanhar as notícias que serão divulgadas. Não adianta mandar currículo.

O processo será composto por diversas fases (algumas presenciais e outras online), são elas: inscrição no site, entrevista, treinamento geral, treinamento específico e entrevistas específicas. Todas as informações serão disponibilizadas pela Fifa e, além disso, na página de cadastro do voluntário. Os dados de cada um serão mantidos em sigilo e sob a responsabilidade do Comitê.

Serão realizadas verificações de antecedentes criminais em todos os candidatos, que  poderão informar suas áreas de preferência, porém, durante o processo de seleção, o perfil individual será verificado, assim como as habilidades de cada um. É importante que todos saibam que cada vaga requer conhecimentos, habilidades e uma determinada disponibilidade de tempo e, para a oferta de oportunidades, tais informações serão cruzadas para o melhor resultado possível.

O trabalho voluntário é por natureza sem remuneração. Por conta disso, não haverá pagamento de nenhum tipo de salário ou ajuda de custo para hospedagem, porém, visando não gerar ônus, as pessoas irão receber uniformes, um auxilio para o deslocamento até o local de trabalho (dentro da sede) e alimentação durante o período em que estiver atuando.

O turno diário de trabalho voluntário durará até 10 horas e é necessário ter disponibilidade de pelo menos 20 dias corridos na época do evento.

Confira outros pontos importantes:

Diferença entre os tipos de voluntários

Existem algumas funções que possuem requisitos muito específicos e, por isso, necessitam de conhecimentos e habilidades específicas. Isso leva à criação de uma organização baseada em Especialistas e Generalistas:
· Os especialistas atendem a áreas como imprensa, departamento médico, serviços de idioma etc;
· Os generalistas atendem a todas as outras áreas de trabalho e têm foco no atendimento ao público em geral.

Moradores de fora das cidades-sede

A inscrição online pode ser feita de qualquer local, mas é importante que as pessoas saibam que terão de estar disponíveis para o trabalho no período determinado e na cidade na qual for alocado/ escolher, sabendo que o Comitê não proverá nenhum tipo de auxílio para a hospedagem.

Moradores do exterior

Cadastre-se normalmente no site. Antes de ser iniciado o processo seletivo, informações específicas serão fornecidas sobre como serão contatados os candidatos que são estrangeiros ou que são brasileiros e moram no exterior.

Possibilidade de assistir aos jogos

·Não serão disponibilizados assentos para os voluntários. Alguns poderão estar trabalhando nas arquibancadas ou em áreas com visibilidade para o campo, mas é importante saber que estarão trabalhando e, por isso, não deverão ter tempo para assistir aos jogos. Nos intervalos do seu horário de trabalho, no entanto, poderão ir ao Centro de Voluntários, onde poderão assistir por alguns momentos a alguma partida que esteja sendo transmitida.

Importância de outro idioma

·Nem todas as posições necessitam o domínio de outros idiomas. Porém, em algumas funções, este é um fator determinante para seleção.

Maiores informações através do e-mail: voluntários@brasil2014.com.br

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2012/01/fifa-divulga-comunicado-sobre-o-programa-de-voluntarios-para-2014.html


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mongeral Aegon investe em marketing esportivo


Alinhada à estratégia mundial do Grupo Aegon e visando o reforço da marca, a Mongeral Aegon começa a investir em marketing esportivo. Para 2012, está programado o investimento de R$ 1 milhão. Para dar início às ações, a seguradora patrocina a vinda do clube holandês AFC Ajax ao Brasil para o amistoso contra o Palmeiras, no dia 14 de janeiro, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo.
 
Desde 2008, o AFC Ajax conta com o patrocínio principal do Grupo Aegon. A vinda do time ao país abre o calendário de atividades esportivas que a empresa irá promover nos próximos três anos, que começará pela Mongeral Aegon Future Cup, torneio similar ao já realizado na Holanda pelo Grupo AEGON.
 
“Acreditamos no esporte e no seu importante papel social, por isso decidimos compartilhar valor através de um programa nessa linha, trazendo para o Brasil oportunidade de treinamento e formação de novos talentos. Estamos alinhados às atividades do Grupo e acreditamos muito nessa iniciativa”, explica Helder Molina, presidente da Mongeral Aegon.
 
Ronald Van Liemt, executivo do Grupo Aegon, reitera o objetivo da ação para a seguradora. “Estamos muito satisfeitos com os resultados que a Aegon Future Cup trouxe aos negócios na Holanda. Tenho certeza que um evento similar no Brasil vai render não só uma boa visibilidade à marca, mas também incentivo e despertar de jovens esportistas talentosos”, afirma.

Estudo revela que Arena levará nove anos para se pagar

Por Ricardo Brejinski

Se for reinaugurada em março de 2013, a Arena da Baixada só pagará todos os recursos investidos para a adequação à Copa do Mundo em 2022. É o que aponta estudo realizado pela Brunoro Sport Business, que avalia que o estádio não será reformado por menos de R$ 220 milhões. A consultoria também considera que esse prazo para quitar a dívida só será cumprido se no período de nove anos o Atlético conseguir lotação máxima (42 mil lugares) em quase todos os jogos e ainda viabilizar bons contratos com naming rights, publicidade, locação para eventos, shows, restaurantes e lojas no estádio.

Segundo o estudo da Brunoro Sport Business, a Arena da Baixada, entre todos os 12 estádios em construção para a Copa do Mundo, seria o terceiro a se pagar mais rápido. Ficaria atrás apenas do Beira-Rio, do Internacional, que se pagaria em 5 anos, e do Maracanã, que levaria 8 anos e meio para zerar as dívidas.

Por outro lado, existem subsedes onde serão injetados milhões em estádios, mas como o futebol é pouco atrativo nos estados levarão décadas para que a dívida seja quitada. Um exemplo é a Arena Amazonas, em Manaus, onde não há time sequer na Série C do Campeonato Brasileiro. O resultado é que a o estádio, para 46 mil pessoas, e que custará quase R$ 500 milhões, será pago só daqui a 45,4 anos.

Na sequência vem o Mané Garrincha, em Brasília, que demorará 36,5 anos para ser pago; a Arena Pantanal, em Cuiabá, (34,2 anos) e o estádio das Dunas, em Natal, (33,6 anos). A Arena Pernambuco pode entrar na lista de elefantes brancos. Isto porque, os três principais clubes de Recife - Náutico, Santa Cruz e Sport - já têm seus próprios estádios e não há previsão de que troquem de casa após o Mundial. Com isso, se o trio mantiver suas partidas nos estádios atuais, a Arena Pernambuco só irá se pagar em 30 anos.

Comparativo

O estudo também fez um comparativo dos gastos que o Brasil terá com os estádios para a Copa do Mundo de 2014 em relação ao que a Alemanha gastou para a Copa de 2006. No Brasil, serão despejados quase R$ 7 bilhões em 12 sedes, quase 50% a mais do que foi gasto há seis anos.



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Forte disputa no mercado oligopólico


Por Valério Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos em 10/01/2012 na edição 676

Aprovação da lei que permite a entrada das empresas de telecomunicações na TV fechada e várias disputas em torno de direitos de transmissão de eventos esportivos: se 2011 ainda não apresentou mudanças significativas para derrubar as barreiras do mercado estabelecidas pelas empresas das Organizações Globo, combates importantes foram estabelecidos, prometendo um 2012 com novas disputas entre operadores e, como sempre, uma agenda pró-regulamentação midiática cheia, mas com forte resistência empresarial.
A Lei 12.485, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em setembro, promete alterar as relações de mercado no que tange à transmissão paga televisiva. Neste ano que se inicia, as empresas de telecomunicações entrarão finalmente no mercado enquanto distribuidoras de conteúdo, rompendo um dos elos da concentração vertical das Organizações Globo no setor. Apesar disso, a ampliação da obrigatoriedade de conteúdos nacionais tende a beneficiar as empresas do grupo, que é o maior produtor brasileiro.
No caso da TV Globo, cuja liderança do mercado oligopólio generalista é mais evidente, por se tratar de um meio de comunicação presente na maioria dos lares do Brasil, as esferas econômicas das indústrias culturais ficaram muito expostas ao longo do ano que passou, com o esporte sendo protagonista dos confrontos estabelecidos e, por conta disso, recebendo maior atenção destes autores. Já nos primeiros meses do ano, a disputa mais esperada por todos: após a assinatura do Termo de Ajuste de Conduta entre a emissora e o Clube dos 13, entidade que representa os principais clubes do país, em outubro de 2010, por conta da decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de determinar as relações anteriores como formação de cartel, esperava-se que o edital de licitação seguinte pudesse apresentar uma efetiva disputa em torno dos direitos de transmissão em TV aberta do Campeonato Brasileiro de Futebol. A expectativa era de que a Rede Record ofereceria um valor “absurdo” para o mercado brasileiro se confirmasse, restando saber o quanto a Globo poderia colocar em termos de valores.
Batalhas no setor esportivo
Com processo de licitação para as edições de 2012 a 2014 anunciado, a única emissora a apresentar proposta foi a Rede TV!, de porte médio, que ofereceu R$ 516 milhões por temporada. A Globo desistiu um dia depois de apresentado o edital de licitação, ao acreditar que R$ 500 milhões por temporada, valor mínimo para lance, representava uma quantia impossível para que o mercado publicitário brasileiro pudesse repor. A Record desistiu no dia do anúncio das propostas, por saber que a maioria dos clubes já havia negociado com a emissora da família Marinho em separado.
As disputas, que se tornaram públicas por meio de notas da Rede Record e de comentários de membros do próprio Clube dos 13, geraram uma audiência pública sobre o assunto, em abril, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, no mesmo dia que a Globo enviou ao Cade os contratos assinados de forma individual com os clubes. Semanas depois, o C13 anunciava o acordo com a Rede Globo, que mal precisou participar do processo de licitação, mas que gastará, cogita-se, cerca de R$ 800 milhões por temporada.
As concorrentes envolvidas no processo também reagiram a ele. A Rede Record passou a realizar reportagens em seus programas jornalísticos não só sobre o assunto, como também sobre possíveis problemas criminais do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, e dos dirigentes e empresários próximos a ele. A Rede TV! perdeu o direito de transmitir a Segunda Divisão nacional, que foi cedido pela Globo à Band, atual parceira no pacote Futebol. Mas se o Brasileirão foi alvo da principal disputa, até mesmo pelo patamar dos valores envolvidos e da guerra estabelecida, outras batalhas entre os membros do setor foram realizadas ao longo do ano.
A “luta do século”
Ainda no futebol, o principal torneio de clubes do mundo, a Liga dos Campeões da Europa, que até meados do século 21 não recebia muita atenção das emissoras de TV aberta brasileiras, teve a negociação dos direitos de transmissão para o triênio 2012, 2013 e 2014 sendo alvo de disputas por dois blocos de empresas distintos. De um lado, Rede Record, portal Terra (Telefonica de Espanha) e Fox Sports; do outro, Rede Globo, Esporte Interativo e ESPN. O último grupo venceu o processo de licitação por apresentar, cada um em seu setor de atuação (televisão aberta, UHF/internet e TV fechada), a exploração dos jogos num valor que representa quatro vezes mais o que foi pago três anos antes.
Além disso, todas essas empresas ampliaram a possibilidade de transmissões. A Globo, que repassa a maior parte dos jogos do torneio para a Band, exibirá cinco jogos por temporada – não só os três, como na temporada 2011/2012; e tanto TV Esporte Interativo quanto ESPN transmitirão também via internet e plataformas móveis, o que representa as novas possibilidades de veiculação de audiovisual – que não refletem, necessariamente, uma maior efetividade de participação de atores sociais no processo, por mais brechas que se tenha.
Já nos últimos meses do ano, o alvo de disputa foi os direitos de transmissão para o torneio de Artes Marciais Mistas (MMA, sigla em inglês) Ultimate Fighting Championship (UFC), evento que foi a grande novidade na mídia brasileira, com um grande crescimento de visibilidade ao longo de 2011. Em fevereiro, dois dos mais conhecidos lutadores brasileiros, Vitor Belfort e Anderson Silva, fizeram a “luta do século”, na categoria peso médio (84 kg). A vitória de Silva deu uma grande visibilidade nos meios de comunicação, mesmo que a luta só tenha sido transmitida no canal Combate, da GloboSat, via pay per view. Mas o grande refletor do sucesso do UFC no Brasil foi a realização do evento de número 134, no Rio de Janeiro, que representou a volta ao país após 13 anos – quando ainda pertencia à família de lutadores Gracie, que vendera a marca por US$ 8 milhões em 2001. A Rede TV!, que transmitia aos sábados reprises de lutas, pode fazer a transmissão oficial em TV aberta, algo inédito para o Brasil. A emissora conseguiu alcançar a liderança no Ibope durante a luta de Anderson Silva contra o japonês Yushin Okami, com pico de 12,8 pontos de audiência.
The Ultimate Fighter
Os resultados expressivos do UFC 134 no Rio de Janeiro fez não só que os proprietários da marca – agora avaliadas na casa do bilhão de dólares – garantissem mais edições do evento no Brasil para 2012, com a volta à cidade já em janeiro, como uma grande disputa pelos direitos de transmissão em TV aberta, envolvendo Globo, Record, SBT, Band e Rede TV! A Band esteve bem próxima de fechar o contrato, com direito a três reuniões com representantes da marca UFC, mas a intenção da empresa líder de audiência no país acabou sendo decisiva para que o acordo não fosse fechado. De olho nos negócios, a opção foi pela difusão da marca pela Rede Globo. Se o grupo já transmitia há anos em TV fechada, com principais lutas via pay per view, a direção de esportes acreditava até então que o evento era muito violento para a televisão aberta. Porém, o estrondoso e rápido sucesso fez com que os diretores da emissora se atentassem para as possibilidades de um programa que possibilita uma mercadoria audiência em rápido crescimento, não visto em outros esportes.
A Rede Globo terá exclusividade na transmissão de todos os eventos realizados no Brasil, provavelmente três em 2012, mais três edições realizadas no exterior e de ser parceira na primeira edição brasileira doreality show The Ultimate Fighter, que abre espaço para que um lutador seja alçado ao UFC, sem passar por outros eventos apropriados pelos donos da marca e de menor porte.
A primeira transmissão ocorreu em novembro de 2011, com direito à narração do principal locutor esportivo da empresa, Galvão Bueno, marcada pela conquista do cinturão dos pesos pesados (120 kg) pelo brasileiro Júnior “Cigano” dos Santos e 22 pontos de audiência. No mesmo dia, o evento estreava em cadeia aberta para os Estados Unidos através da gigante Fox. O número da edição do evento, tradicionalmente utilizado no nome oficial, acabou sendo trocado por “UFConFox”.
Jogos Olímpicos sem Rede Globo
O saldo de 2011 só não foi altamente positivo para a Rede Globo. Primeiro porque a emissora precisou gastar bem mais com eventos esportivos que anteriormente e, além disso, foi o ano em que a Rede Record transmitiu o primeiro grande torneio de caráter poliesportivo, os Jogos Panamericanos. Por mais críticas que se tenham feito à transmissão da emissora – por exemplo, que não transmitiu os jogos em importantes horários do fim de semana, mantendo O Melhor do Brasil (sábado) e Programa do Gugu(domingo) –, as dúvidas ficaram sobre a cobertura do evento pela Globo, com direito a imagens extraídas de provas cujos direitos era da concorrente. Além disso, ficou também a pressão dos patrocinadores de alguns atletas para que eles dessem entrevista para a emissora carioca, que não podia entrar nos espaços pan-americanos.
2012 marca o ano de mais uma edição dos Jogos Olímpicos de Verão, que serão realizados em Londres. Paira a curiosidade sobre como a Rede Globo irá tratar um evento de tamanha magnitude. Independente de tantas vitórias nas disputas mais recentes, ainda permanece como grande derrota a perda dos direitos de transmissão dos principais torneios de caráter olímpico. O novo ano representará uma grande chance de se saber o quão fortes são as suas barreiras de mercado e até que ponto poderão receber arranhões.
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[Valério Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos são, respectivamente, professor titular no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos e mestrando no mesmo programa]

Patrocínio ou balcão de negócios?

Por Emerson Gonçalves


Um multi-patrocinador
Pouco antes do final do ano que recém-terminou, entrei no site de uma das empresas que patrocinam o futebol no Brasil e contei nada menos que 35 clubes tendo seus clubes de futebol por ela patrocinados, em diferentes divisões (mas devo ter pulado alguns, pois o número correto seria 39). Um número de causar espanto, sem dúvida. Desse total, nada menos que nove equipes disputavam a Série A do Campeonato Brasileiro, cinco das quais ostentando o chamado patrocínio máster ou principal.
Tal fato levou a situações interessantes – no sentido de despertar interesse, chamar a atenção – na competição, sobretudo em sua reta final, quando alguns jogos decisivos foram disputados por times com o mesmo financiador estampado em suas camisas. Um bom exemplo foi o clássico mineiro, na última rodada do torneio, que terminou com uma goleada tão implacável quanto surpreendente. Tirando esse aspecto surpreeendente, tal resultado para nada serviu a nenhum dos clubes, em termos concretos, é bom que se diga. Entretanto, um outro resultado em um outro jogo poderia ter causado profundas e intermináveis discussões, ancoradas por inúmeras teorias conspiratórias.
A empresa em questão é o Banco BMG, como bem sabem os leitores deste Olhar Crônico Esportivo, todos torcedores, boa parte de times com esse nome na camisa.
A princípio e por princípio, acredito que patrocínio de um clube deve ser único e isso em todos os sentidos. O único nome na camisa e o único patrocínio da empresa na mesma divisão, pelo menos, do esporte. Há motivos para pensar assim, pois, para mim, patrocinar uma equipe esportiva é criar uma parceria, um vínculo, uma identidade com princípios e filosofias, pois uma equipe está sujeita às vicissitudes das derrotas, tanto quanto às alegrias das conquistas. E compete ao parceiro, ao patrocinador, estar presente nos bons e maus momentos, mostrar a sua marca sempre, independentemente do que aconteça.
Porque empresas, como times, são para sempre e nós, humanos, apesar dos muitos que gostam e dos prazeres (muitos deles duvidosos) da prática “tico-tico-no-fubá”, no fundo, mesmo, gostamos das histórias “e todos viveram juntos e felizes para sempre”. É cultural e esse aspecto cultural tem raízes biológicas, fora as antropológicas.
 A outra ponta de atuação do patrocinador
No caso em questão há outros pontos que surgem quando se pensa a respeito. No ano de 2010, o banco BMG foi, isoladamente, o principal financiador dos clubes brasileiros da Série A, mesmo considerando que muitos deles não discriminaram os nomes das instituições financeiras com as quais fizeram negócios em seus balanços. Esse fato levou o banco a estar presente, com força, em outros clubes além daqueles que ostentaram e ostentam seu nome na camisa.
Como foi dito no post “Como o mundo das finanças enxerga o futebol”, nossos clubes, em que pesem as boas condições atuais e dos últimos anos, graças à péssima gestão de que vêm sendo vítimas há anos e anos, apresentam condições econômico-financeiras muito ruins. Uma das consequências é um perfil cadastral muito fraco, melhor traduzido por péssima bancabilidade, como destacado no post citado: “Péssima bancabilidade e dificuldades para obter linhas de crédito de longo prazo: como consequência, as dívidas bancárias são fortemente concentradas em bancos de pequeno e médio porte, também chamados de segunda linha pelo mercado financeiro”.
Operar com instituições financeiras de pequeno e médio porte implica, na prática, em custos financeiros mais elevados. Isso acontece porque essas instituições, chamadas de segunda linha, costumam aceitar riscos maiores dos tomadores de dinheiro, em troca, naturalmente, de maiores taxas na concessão do mesmo, que é o pagamento pelo risco maior. Tudo absolutamente legal, legítimo e necessário para o mercado, disso não resta a menor dúvida. Só é bom deixar destacado, de forma repetida, que essas operações custam caro, bem mais caro que operações semelhantes com os bancos da chamada primeira linha, que, por sua vez, exigem cadastros com menores riscos – mesmo que os riscos sejam meramente teóricos (a vida nos ensina que para os bancos o “meramente teórico” é tomado como “praticamente certo de acontecer”).
No exercício 2010, considerando somente os clubes que abriram suas dívidas bancárias nos balanços (citando os nomes e valores devidos a diferentes instituições financeiras) e ainda o fato de terem sido analisados balanços de apenas metade dos clubes da Série A, encontramos a seguinte situação:
O Banco BMG, considerando a situação restrita já descrita, respondeu por nada menos que 43,8% das dívidas bancárias desses clubes. As instituições de segunda linha responderam por 76,6% do total dessas dívidas e, dentro dessa categoria, a participação do BMG foi de 57,2% do total.
Temos, portanto, uma situação em que uma mesma empresa atua em diferentes clubes e em diferentes pontas: paga como patrocinadora, empresta dinheiro e recebe taxas e juros por conta desses empréstimos.
Mais um detalhe: como as gestões de nossos clubes têm sido tenebrosas, repetindo-me incansável e aborrecidamente, todos têm necessidades urgentes de mais e mais dinheiro, seja para entrar e pagar contas, seja para rolar dívidas antigas que não conseguem pagar. Não vou alongar-me sobre o significado disso, pois para bom entendedor meia palavra basta.
 Mais uma ponta de atuação do patrocinador
Na listagem de fundos de investimento da CVM encontramos o Soccer, um fundo de investimentos e participações, conhecido no mercado como Soccer BR1. Segundo nota da coluna Radar, da revista Veja em 9 de novembro último, o fundo tinha obtido 75% de valorização em suas cotas nos últimos doze meses, já tendo um patrimônio superior a 50 milhões de dólares. Outra matéria, bem ampla e completa sobre o banco feita pela revista Época – O dono do futebol – indicava que o fundo era dono parcial dos direitos de 60 atletas (a Veja apontava 80), parte dos quais registrada no Coimbra Esporte Clube, diminuto clube mineiro que, como diz a revista, seria “o melhor time do Brasil se não tivesse emprestado todo mundo”. Na convocação de Mano Menezes para o jogo contra a Argentina, cinco dos titulares eram jogadores ligados ao Coimbra ou ao Soccer ou ao BMG, como preferir: Danilo, Dedé, Paulinho, Ralf e Réver. E mais Montillo, pelo outro lado.
 O crescimento da marca
Em meados de 2009 o BMG era somente a 92ª marca associada, de forma espontânea, ao futebol. Dois anos depois já era a 4ª marca mais associada, num crescimento tão espantoso quanto vertiginoso.
Em pouco tempo, a instituição começou a ser esquecida como o “banco do mensalão” (o grande escândalo político ainda por ser julgado, esperamos) ou o “banco dos aposentados” – é o maior operador dos empréstimos consignados – para começar a ser “o banco do futebol”, sem dúvida mais nobre e simpático, até porque significativa parte dos empréstimos consignados prestam-se a muitas coisas, exceto a servir aos seus pobres tomadores oficiais.
Essa nova imagem fica em linha com a campanha institucional – “O banco de milhões” – que a empresa manteve no ar por algum tempo, embora com baixa exposição.
Alinha-se, também, com mudanças na legislação e normas bancárias, que aumentaram fortemente a concorrência pelos empréstimos consignados, além de aumentar as exigências em torno da operação.
Com objetivos aparentemente alcançados, segundo a mesma coluna Radar, agora na edição corrente, é intenção do banco reduzir o número de patrocínios em 2013 para somente cinco clubes.
O cenário pretendido pelo banco, aparentemente, já foi alcançado. Mais que isso, tem uma posição fortemente consolidada no mercado do futebol, graças a um mix operacional aparentemente vantajoso para os clubes (só aparentemente, mas de extrema conveniência para gestões da qualidade que nossos clubes têm) e extremamente vantajoso para o banco, que acaba ganhando em todas as pontas possíveis e com um acréscimo muito interessante: a risco zero, em termos práticos. Efeito do balcão de negócios, nome que casa melhor com a realidade que o chique “mix operacional”.
 Esse post descreve apenas uma parte do panorama dos patrocínios de clubes no Brasil.
Como já adiantei rapidamente em outros posts, há muito mito, há muita euforia e há, principalmente, muita ilusão em torno desse assunto. Imprensa, clubes e torcedores enchem os olhos com o “terceiro ou quarto patrocínio do mundo” atribuído ao Corinthians, o que por si só não é verdadeiro e não vai encontrar correspondência no futebol brasileiro hoje, como bem demonstram as situações do Flamengo e do São Paulo. Isso, contudo, fica para outro post.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Rio 2016 - Qual é o lugar do esporte?


 (Publicado originalmente no site www.marcobauhaus.com.br)
Rio de Janeiro, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos! A cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 começa a ver a grande transformação proposta para a cidade no período 2009-2016. Se nossos governantes conseguirem executar e gerir o planejamento proposto para o período em questão, os cariocas terão a oportunidade de ouro de verem o seu município transforma-se numa Barcelona dos trópicos. Transformação no sentido de infraestrutura e oferta de serviços. Após a apresentação da logomarca dos Jogos durante o último réveillon, em Copacabana, e a visita dos membros do COI (Comitê Olímpico Internacional), o prefeito Eduardo Paes apareceu na grande mídia dizendo que o cronograma está adiantado e, que o planejamento será cumprido à risca. Ok! Você venceu! Temos capacidade e coordenação para realizar tal evento.

No entanto e, apesar de ser um evento que mexe com toda a estrutura da cidade, os nossos gestores se esquecem do desenvolvimento de um setor: o esporte. Brinco com meus amigos que o desenvolvimento do esporte carioca e a sobrevivência de quem trabalha nessa área depende do que for feito até o ano de 2016.
Ao acessar o sítio da prefeitura do Rio e contemplar uma leitura do plano estratégico para o período 2009-2012, na seção esporte e lazer, observa-se que as metas concentram-se na construção de infraestrutura (100 quadras em bairros e escolas até 2012 e finalização de 3 vilas olímpicas e construção de mais 4) e, os indicadores de desempenho se resumem à quantidade de construções concluídas até 2012. Mas, onde fica a convergência disso com a Lei nº 9.615, de 24/03/1998? Essa lei versa sobre a tipificação do esporte no território brasileiro.
Esporte de participação, esporte escolar e esporte de rendimento. Nossos governantes tem vindo à mídia com bonitos discursos em relação ao esporte de rendimento, construção de Centros de Treinamento, bolsas para que os atletas se preocupem somente com o seu treinamento etc. Mas, como chegar ao alto rendimento sem passar pela base? Como chegar ao ensino superior sem passar pelo fundamental? O que vem sendo feito na base da pirâmide esportiva? Como está sendo a gestão de programas de iniciação esportiva e da educação física escolar? Como está se tratando os talentos que surgem nos rincões do Estado?
Teremos Jogos Olímpicos em 2016, mas e o esporte após o evento, como fica? Haverá estratégias possíveis para o seu desenvolvimento após o maior evento esportivo do Planeta Terra? Como gerir o esporte sem associá-lo perigosamente com a política? É possível planejar uma política pública que contemple os tipos de esporte citados acima e, que eles sejam convergentes num único objetivo: ofertar à população um serviço de qualidade e continuidade?

Sucesso olímpico brasileiro deve aparecer a partir de 2020


Por: Márcio Kroehn

Os ingleses investiram quase 1 bilhão de dólares para incentivar jovens de 16 a 19 anos a praticar esportes. Mais de 900 mil interessados chegaram a participar do projeto que começou em 2006, ou seja, cinco anos antes da Olimpíada que terá início em Londres no dia 27 de julho. O objetivo, porém, não é ter o melhor desempenho do país na história dos Jogos neste ano. Os ingleses querem aproveitar o clima olímpico para formar uma nova geração de campeões. Se o legado da construção das arenas está em constante discussão (como você pode ler na edição da EXAME – Ideias, Líderes e Produtos 2012 – que está nas bancas), os cuidados com o futuro esportivo inglês não terminam na festa de encerramento de 12 de agosto. No Brasil, a falta de uma clara política esportiva poderá frustrar o sonho brasileiro de se transformar em uma potência a partir de 2016. “A Olimpíada no Rio de Janeiro deve ser o início de uma nova fase esportiva no país”, diz José Carlos Brunoro, sócio fundador da Brunoro Sport Business.

Quando será possível medir o resultado da Olimpíada no Rio de Janeiro?

Brunoro - O maior problema será medir o sucesso dos Jogos de 2016 pelo número de medalhas conquistadas. O resultado vai aparecer em 2020 ou 2024. O Brasil precisa evoluir esportivamente e não utilizar a Olimpíada no próprio país para atingir o pico de conquistas olímpicas. Um atleta não se forma do dia para a noite. Ele precisa de investimento e de uma lição de casa bem feita.

Qual é a lição de casa que falta ao Brasil?

Brunoro - A Olimpíada é um evento pós-Olimpíada. O Brasil precisa estar preparado para transformar essa experiência única e se tornar um país multiesportivo. As confederações precisam trabalhar mais e aproveitar esse canal olímpico para tornar suas modalidades conhecidas. É dessa maneira que a prática pode ser popularizada com diversidade, ou seja, ir além do futebol e do vôlei. O legado da prática muda um país.

Mas como aproveitar esse ciclo olímpico?

Brunoro - É fundamental criar núcleos de excelência em todo o país. É preciso pensar a respeito, mas tenho dúvidas se isso está acontecendo.

Falta uma política esportiva ao país?

Brunoro - Sim, é preciso unir esforços. O Ministério da Educação, por exemplo, tem que ser mais participativo: levar o tema para as escolas e tornar a prática da educação física obrigatória. Não estou enxergando isso até o momento. As entidades esportivas também não estão se preparando para o período pós-olimpíada. Isso é grave.

Fonte: http://exame.abril.com.br/blogs/aqui-no-brasil/2012/01/02/sucesso-olimpico-brasileiro-deve-comecar-em-2020/

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O jogo dos erros

Ao buscar material para a construção da minha dissertação, deparei-me com toda a parte de legislação voltada ao esporte brasileiro. Livros, leis, decretos, resoluções, atas de reunião dentre outros meios de reulamentação do nosso esporte. E, com a proposição deste blog desde outubro último, foi natural a busca nos mais diversos veículos sobre gestão do esporte. Dois fatos me intrigam entre o real e o abstrato: recentemente o ministro dos esportes Aldo Rebelo relatou a falta de uma política pública voltada ao esporte no Brasil e, recorrentemente vemos alguém nos órgãos de imprensa reforçando o fomento ao esporte voltado ao social e ao esporte escolar. No entanto, o que vemos na prática é: três entes federativos (União, Estados e municípios) trabalhando na mesma esfera, oferecendo projetos com o mesmo perfil, sobrepondo competências e privilegiando a política. Outro ponto é a questão da educação física enquanto campo adequado para a formação da base para o desenvolvimento esportivo do país. Aonde mesmo está essa discussão? Em relação ao alto rendimento, já encontramos um apoio "um pouco" maior por parte do governo. A composição do Conselho Nacional do Esporte, em estudo realizado por Bueno, mostrou uma composição, no mínimo, estranha; percebam como é alta a participação de pessoas ou entidades voltadas ao esporte de alto rendimento: 63,6% dos participantes tinham alguma ligação com o esporte de alto rendimento. Tendo ligação com o esporte escolar temos 4,5%; com o esporte de participação, 9,1% e com outras ligações, 22,7%. Esse levantamento é de 2008. Hoje, se formos até a página do Ministério do Esporte, poderemos perceber que a situação seja até pior, pois algumas vagas estão em vacância. Outro ponto estranho foi a ata da última reunião de 2011 deste mesmo Conselho. O então ministro, Orlando Silva, cita que aquela reunião era para regulamentar a lei nº 9.615, regulamentada pelo decreto-lei nº 2.574. Não seria o momento da construção de uma nova legislação voltada, realmente, ao desenvolvimento do esporte brasileiro? Da discussão sobre o legado esportivo de fato e, não o da construção de equipamentos esportivos? Da inserção na agenda brasileira da gestão esportiva? Fora isso, tem-se o fato do uso da Lei de Incentivo conforme citado por José Cruz em seu blog.  Será que não é hora de levarmos o esporte a sério?