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sábado, 25 de agosto de 2012

A lição de Dilma após as Olimpíadas


Por Erich Beting

O assunto já está ficando velho, mas não deu para escrever na semana pós-Londres. O fato é que a presidente da República, Dilma Rousseff, talvez tenha sido a primeira autoridade pública da história a não fazer oba-oba em cima do desempenho brasileiro após um grande evento.

Depois de dois mandatos de Lula e seu populismo em torno do esporte (como não lembrar da promessa ao futebol feminino depois de Atenas-04 ou das infindáveis recepções a esportistas nacionais e promessas de incentivos?), ou de FHC e a pataquada da cambalhota de Vampeta no Palácio do Planalto, não tivemos simplesmente qualquer barulho em torno da volta dos atletas brasileiros dos Jogos Olímpicos de 2012.

Pelo contrário.

Dilma tão somente recepcionou a bandeira olímpica (que trouxe a tiracolo os irmãos Falcão, do boxe) num evento muito mais protocolar porque os Jogos de 2016 serão em solo nacional. E olha que não faltariam motivos para festas. Além das inéditas conquistas do judô, da ginástica e do bi do vôlei feminino, o Brasil encerrou Londres com o maior número em sua história de medalhas conquistadas numa mesma edição de Jogos Olímpicos.

Qualquer que fosse o político, teríamos sem dúvida um tremendo carnaval, com promessas de mais ouros e mais investimentos até 2016 e quetais. Dilma recepcionou a bandeira olímpica, beijou as medalhas de Esquiva e Yamaguchi e cobrou mais determinação do país para que conquiste mais do que as 17 medalhas londrinas nos Jogos do Rio de Janeiro.

Não parece muita coisa, mas sem dúvida é um tremendo benefício para o esporte brasileiro alguém que comanda o país não querer tanto aparecer na foto com os campeões e sim poder celebrar mais esportistas bem-sucedidos. Nunca antes na história deste país tivemos tão pouca promoção em cima de uma participação brasileira num evento esportivo de grande porte.

É uma lição que fica para o esporte pelos próximos anos.

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/08/24/a-licao-de-dilma-apos-as-olimpiadas/

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O terror do COI influencia o comportamento das marcas


Por Erich Beting

“Por favor, pedimos apenas para que não seja filmada a nossa atleta com a marca, para que não tenhamos qualquer problema com o COI”. O pedido foi feito à Diana Amato, repórter cinematográfica da Máquina do Esporte, durante a produção de uma reportagem sobre a casa de relacionamento que a Oakley montou aqui em Londres. O receio era o de que, se a matéria fosse para o ar associando diretamente a fabricante de óculos com um atleta olímpico, esse atleta sofreria uma punição do COI por propaganda indevida de uma marca.

A confusão que a executiva da Oakley fez atinge também outros executivos de outras grandes marcas que estão, de uma forma ou de outra, ligadas aos Jogos Olímpicos. O COI criou uma cartilha de comportamento para ser dada aos atletas e confederações e, também, para os patrocinadores.

Só que essa tal carta de conduta tem causado mais confusão do que certeza entre todos. As mídias sociais, por exemplo, viraram o canal de ativação desses patrocínios. Mas o que pode ou não ser feito? Esse temor tem causado um primeiro impacto nas marcas. Em vez de correr o risco, elas preferem não criar polêmica. Ao ameaçar o atleta, e não a empresa, o COI acertou em cheio para ser o único “dono” da promoção nos Jogos.

Mas o que mais se vê pelos arredores de Londres e pelas mídias sociais é a velha tática de emboscada que funciona, transmite a mensagem e não agride os direitos adquiridos pelos patrocinadores. Outro dia, no metrô, foi possível ver o champanhe “para campeões”. No café próximo à Tower Bridge, a distância para o local era comparada ao tempo que Usain Bolt leva para percorrê-la. Nos centros de maior concentração de pessoas, a Nike por sua vez celebra o consumidor “comum”, que é responsável segundo a marca por conferir grandeza às coisas.

Os atletas, porém, só estão relacionados aos patrocinadores oficiais do COI. Quem não é de uma das dezenas de marcas patrocinadoras do evento geralmente não aparece como garoto-propaganda pelas ruas.

E isso é péssimo no longo prazo. É muito legal o comitê conseguir remover as propriedades comerciais de dentro das arenas esportivas. Isso transmite uma imagem muito mais “limpa” da competição. Mas, ao minar a relação do atleta com uma marca, o COI deixa numa encruzilhada o seu maior produto.

Ao forçar as marcas a não aproveitarem o potencial olímpico de um atleta, o comitê pode dar um tiro no próprio pé. Afinal, sem patrocinador o atleta não consegue competir e, no final das contas, sem atleta não existe esporte. É muito bom que o COI tenha certeza de que seus patrocinadores estejam contentes com o resultado do patrocínio. Mas é preocupante proibir que toda a mão-de-obra dessa competição simplesmente tenha estrangulada a maior chance de ser atleta.

Por enquanto, as marcas estão tímidas ao anunciar seus patrocinados como grandes vitoriosos. É hora de ligar o sinal de alerta.

Fonte: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/08/06/o-terror-do-coi-influencia-o-comportamento-das-marcas/

domingo, 8 de julho de 2012

Monitoramento das redes sociais no esporte


Por Savio Sousa

Na quarta-feira, 27/06, tivemos o primeiro jogo final da Copa Santander Libertadores, ou Libertadores das Américas, como preferir. Todos sabemos o resultado e vimos o destaque do jogo, mas em termos de visibilidade nas mídias sociais, o quanto isso significa, quantitativamente falando?

Boca Juniors e Corinthians fizeram um jogo emocionante, onde o destaque foi uma surpresa para muita gente, ou quando a bola rolou você achava que Romarinho seria o destaque ao fim do jogo? Por hora, destaco aos amigos do Laboratório que muita gente já está trabalhando no monitoramento das redes sociais.

O infográfico ao lado, gentilmente, enviado pela galera da Resenha Esporte e Entretenimento ao Laboratório Esportivo, nos trás um exemplo do que pode ser gerado como este monitoramento, especificamente no que diz respeito ao esporte. Você pode ver alguns números interessantes da quantidade de torcedores das duas equipes, além do buzz gerado pelo jogo, principalmente, por Romarinho no Twitter.

Este belo trabalho feito pela galera da Resenha já tem sido bastante explorado lá fora. Na Europa sites especializados em esporte e mídias sociais estão sinalizando para o surgimento do “Datatainment”, uma espécie de entretenimento dos dados.

O termo “Datatainment” foi cunhado por Richard Ayers, executivo do Manchester City. Explicando melhor, é como se você pudesse acompanhar durante os jogos alguns números dos atletas, das equipes etc através de infográficos gerados a partir de dados coletados, em sua grande maioria, nas redes sociais.

Segundo os defensores deste tipo de entretenimento, seria uma forma a mais dos torcedores poderem absorver informações sobre os seus clubes favoritos, de forma instantanea e visualmente atrativa. Consequentemente, os torcedores mais fanáticos teriam ainda mais informações para as resenhas futebolisticas.

Particularmente vejo muito valor na questão do monitoramento das redes sociais no esporte, mas não como entretenimento e sim como forma de entender melhor o mercado.

Como falei lá fora isto já tem sido bastante utilizado. Durante os jogos da Eurocopa tivemos vários sites disponibilizando este tipo de “entretenimento” digital.

Só para ficar em um exemplo tivemos o Euro 2012 Twitter conversations web app desenvolvido pela empresa britanica, especializada em monitoramento das mídias sociais, Brandwatch. Veja abaixo um exemplo interessante do que tem sido feito lá fora.


Fonte: http://laboratorioesportivo.com.br/monitoramento-das-redes-sociais-no-esporte/