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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Velódromo do Pan será desmontado


Nova estrutura está orçada em R$ 134 milhões. Reforma custaria R$ 126 milhões

Por Luiz Ernesto Magalhães

RIO — Depois de muita discussão, o destino do velódromo construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007 — e que custou R$ 14 milhões à prefeitura do Rio e ao Ministério do Esporte — está selado. A estrutura será mesmo desmontada conforme os planos iniciais e doada para equipar o Parque das Bicicletas, um complexo esportivo mantido pela prefeitura de Goiânia (GO) a fim de estimular o ciclismo. A presidente da Empresa Olímpica Municipal, Maria Sílvia Bastos Marques, explicou que vários fatores pesaram na decisão, como a análise do custo/benefício de reformar ou construir um novo circuito. E ainda um parecer da União Ciclística Internacional (UCI) relatando falhas de projeto que impediriam a homologação da pista para os Jogos Olímpicos sem a realização de uma reforma complexa.
— A estimativa, com base em preços de setembro deste ano, é que um velódromo novo custará R$ 134 milhões. A reforma da pista atual sairia por R$ 126 milhões — disse Maria Sílvia.
A decisão de desmontar o velódromo havia sido anunciado por Maria Sílvia em junho, no lançamento das obras de demolição do antigo autódromo Nelson Piquet, fechado no último domingo. Paes, no entanto, afirmou que desejava manter a estrutura para evitar que o dinheiro gasto fosse desperdiçado. A Empresa Olímpica estudou as alternativas.
O relatório da UCI indica que os problemas começam na configuração atual da pista. O traçado olímpico é projetado para que os ciclistas alcancem até 85km/h. No velódromo do Pan, os ciclistas só conseguem chegar a 65km/h, mas correndo o risco de um acidente, devido à configuração da pista. O número de assentos também é insuficiente. A versão olímpica exige 5 mil lugares, enquanto hoje existem apenas 1.500 assentos disponíveis. O sistema de climatização também apresenta falhas, e duas colunas obstruem a visão da pista por árbitros e público.
Maria Sílvia acrescentou que a manutenção do velódromo atual exigiria uma revisão do plano geral do Parque Olímpico, o que atrasaria o projeto em pelo menos 12 semanas. Isso porque a nova estrutura foi planejada numa área diferente. Além disso, a manutenção do velódromo deixaria as instalações mais espalhadas pelo Parque Olímpico, exigindo mais gastos com segurança e manutenção antes e depois das Olimpíadas.
A data de desmontagem ainda está indefinida. Mas será antes que o velódromo olímpico seja inaugurado, em meados de 2015. O espaço hoje é usado para o treinamento das equipes brasileiras de ginástica rítmica e ciclismo. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anunciou que já procura novo espaço para as ginastas. Já a Federação de Ciclismo discorda da decisão, alegando que o lugar é o único de alto nível para treinamento das equipes. O presidente da entidade, Cláudio Santos, ameaça ir à Justiça para tentar manter a atual estrutura enquanto a nova não ficar pronta:
— Recebemos R$ 3,5 milhões do governo federal para aprimorar os atletas. Sem pista, isso será perdido.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/velodromo-do-pan-sera-desmontado-6619225#ixzz2BLpZNvta 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Polêmica para construir um novo velódromo


Empresa Olímpica ainda não decidiu se vai adaptar unidade feita para o Pan ou fazer outra instalação para 2016

Por Luiz Ernesto Magalhães

RIO - O prefeito Eduardo Paes anunciou domingo que pretende manter o velódromo construído para os Jogos Pan-Americanos e adaptá-lo para as Olimpíadas. Faltou, no entanto, combinar com o restante da prefeitura. Na última sexta-feira, a Rio Urbe, incumbida das obras, publicou no Diário Oficial do Município três editais de licitação, um deles prevendo gastos de R$ 5,2 milhões com a contratação de empresa para desenvolver projetos de arquitetura e engenharia para a construção de velódromo destinado às Olimpíadas. Depois das declarações do prefeito, a Empresa Olímpica Municipal (EOM) informou na segunda-feira que a decisão final do que fazer — se realizar a reforma ou construir um novo velódromo — será tomada até o início de setembro, antes da licitação”. O prefeito foi procurado na segunda-feira pelo GLOBO, mas não comentou o assunto.

A licitação do velódromo está marcada para as 11h30m do dia 5 de setembro. Os editais foram desenvolvidos sob consultoria da empresa Aecom, escolhida em concurso de projetos organizado pela prefeitura e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). A empresa é a mesma responsável por projetar o Parque Olímpico de Londres.

Também no início de setembro serão licitados a contratação dos projetos do Centro de Tênis (R$ 10,2 milhões) e do Centro de Esportes Aquáticos (R$ 8,4 milhões), que serão provisórios. Os projetos foram homologados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). O reaproveitamento do velódromo do Pan, como previsto inicialmente no projeto de candidatura e abandonado posteriormente, dependeria ainda do aval do COI. Na época, o custo estimado para fazer as adaptações chegava a cerca de R$ 70 milhões.

Presidente de federação defende uma nova estrutura
Há duas semanas, a Empresa Olímpica Municipal e o Ministério do Esporte anunciaram a intenção de desmontar o velódromo do Pan. Os equipamentos seriam doados pela prefeitura à União, que cederia a estrutura para outro estado.

O presidente da Federação de Ciclismo do Rio, Cláudio Santos, defendeu a manutenção do velódromo do Pan. Mas acrescentou que, para não prejudicar a preparação dos atletas brasileiros para os Jogos Olímpicos de 2016, haverá necessidade de erguer uma segunda estrutura no futuro Parque Olímpico. Segundo o dirigente, as falhas estruturais e de execução do projeto foram tantas que ele teria que ser reconstruído, para ser aproveitado nas Olimpíadas do Rio.

— As provas de ciclismo podem render até 30 medalhas nas Olimpíadas. Para usar o velódromo do Pan será necessário interromper o treinamento. Para as competições olímpicas, vamos precisar de um novo velódromo, seja ele definitivo ou provisório. Eu defendo que seja definitivo para incentivar a prática do esporte. Alguém por acaso acha que a cidade tem muitos campos de futebol? — disse o presidente da federação.

O dirigente enumera as falhas identificadas pela federação, detectadas pelo uso nos últimos quatro anos. Segundo Cláudio Santos, o piso em pinho siberiano não foi assentado corretamente devido à correria para concluir as obras a tempo para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Com o uso nos treinos e as competições, a pista sofre afundamentos e tem que ser constantemente reparada. O sistema de climatização do ginásio também não atende aos padrões olímpicos e terá que ser refeito. Em 2007, logo após o Pan, a União Ciclística Internacional (UCI) esteve no Rio e não homologou a pista. Motivo: os pilares de sustentação da cobertura obstruem a visão completa da pistas.
— Além disso, o velódromo tem capacidade para 1.500 espectadores, quando o COI exige cinco mil — disse Cláudio.

Unidade tem problema estrutural
A Empresa Olímpica Municipal confirmou que o velódromo do Pan do jeito que está não poderá ser usado nas Olimpíadas. “Para se ajustar aos requerimentos técnicos da Federação Internacional de Ciclismo, o velódromo atual precisa passar por, no mínimo, profundas reformas estruturais. A federação internacional já afirmou que o velódromo construído para o Pan não atende aos requisitos técnicos para receber competições olímpicas”, informou em nota .

A EOM informou ainda que, caso o velódromo do Pan seja reformado, ele permanecerá no mesmo local. Mas, caso a opção seja construir um novo velódromo, é possível optar pelo mesmo lugar do atual ou em outra área do Parque Olímpico.

O diretor-geral do Comitê Organizador da Rio2016, Leonardo Gryner, disse ontem que não vê problemas em reaproveitar o velódromo dos Jogos Pan-Americanos nas Olimpíadas de 2016. E que a questão será discutida com a prefeitura. Em relação a custos, ele admitiu que ainda não dá para saber o que seria mais barato: se construir uma nova unidade ou reformar a existente.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/polemica-para-construir-um-novo-velodromo-5494395#ixzz20t451w30