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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Arenas esportivas vão exigir um novo modelo de administração


Por Fernando Soares

A avalanche de recursos destinados à construção ou reforma de arenas esportivas vai trazer ao Brasil desafios que vão muito além das quatro linhas. Com investimentos orçados em R$ 10 bilhões em 15 estádios (12 deles palcos de jogos da Copa do Mundo de 2014), o País planeja importar o conceito de empreendimento multiuso já disseminado no exterior. No entanto, para unir jogos de futebol, shows e estabelecimentos comerciais no mesmo ambiente, e obter a rentabilidade esperada, é necessário um planejamento detalhado e feito com antecedência. E aí reside um problema: muitas dessas estruturas sequer começaram seus processos de comercialização.

“É preciso criar modelos novos de administração para esses estádios, o que ainda não está acontecendo na maioria deles. O correto seria, quando o projeto de construção foi desenvolvido, já ter definida a empresa contratada para administrar o estádio. No Brasil, tem muitas arenas que só vão se preocupar com isso após serem construídas, o que está errado”, defende o advogado especializado em direito desportivo Luiz Roberto Martins Castro, que no final de semana foi um dos palestrantes de um curso promovido pelo Instituto Nacional de Estudos Jurídicos e Empresariais (Ineje).

Mesmo assim, Castro acredita que não basta copiar um modelo de outra nação. O ideal é construir uma estratégia a partir da realidade local. Segundo ele, a forma de gestão mais utilizada no mundo - e que pode ser bem sucedida no Brasil - é a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). “Com uma SPE, você isola riscos. Caso a construtora venha a falir, a empresa continuará existindo e administrando o estádio”, exemplifica.

Conforme Castro, o grande desafio é como fazer a manutenção desses espaços nos dias sem partidas. “Você precisa integrar a arena com a cidade. A cidade precisa abraçar esse espaço, não deixando que ele seja apenas uma coisa a mais. Até porque a estrutura pode gerar empregos, movimentar impostos e até ser um ponto turístico”, define. O advogado crê que, em um primeiro momento, o público frequentador de jogos de futebol puxará a movimentação. 

Mas isso, na visão dele, não é o suficiente. O ideal é atrair a atenção das pessoas que não costumam ir ao estádio através de eventos não relacionados ao esporte. Neste quesito reside outro item importante: como criar atrativos em alguns estados. “Fazer isso em São Paulo, no Rio de Janeiro ou no Rio Grande do Sul é fácil. Difícil vai ser achar empresas interessadas em fazer a administração em cidades como Manaus e Cuiabá”, estima.

A efetividade do casamento entre construtoras e clubes é outra incógnita existente. Segundo Castro, as empreiteiras precisam se blindar quanto às instabilidades políticas dos clubes. “Clube de futebol é uma montanha russa. Um dia está tudo bem, no outro está tudo mal. Vai que troque o presidente e ele queira rescindir o contrato”, define. Pelo lado dos clubes, o advogado ressalta a importância de assegurar a manutenção da estrutura durante o tempo do contrato. “Se você constrói um imóvel hoje e não toma os cuidados necessários, quando o clube for assumir a posse definitiva, em 20 ou 30 anos, a arena vai estar caindo aos pedaços”, menciona.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=100869

domingo, 12 de agosto de 2012

Próximo prefeito do Rio terá grandes desafios olímpicos


Futura gestão precisará garantir legado social das Olimpíadas e cumprir prazos

Por Cassio bruno e Renato Onofre

RIO - Começa hoje a contagem regressiva para o início dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio. Nos próximos quatro anos, caberá ao prefeito eleito cumprir e entregar no prazo as obras de infraestrutura da cidade previstas no compromisso enviado ao Comitê Olímpico Internacional (COI), além de gerenciar a construção das principais instalações olímpicas. Outro desafio da futura gestão municipal será garantir que a realização da competição represente também um legado social aos cariocas.

Em outubro, termina o prazo para eventuais modificações nos projetos. A partir daí, eles não serão mais passíveis de alterações.
O prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, afirma que manterá todos os projetos atuais e que sua maior preocupação, se vencer, será com a própria organização do evento. Paes lidera com folga as pesquisas: segundo o Ibope, tem 49% das intenções de voto, e, pelo Datafolha, 54%. Marcelo Freixo (PSOL), que aparece em segundo, está longe: tem 8%, pelo Ibope, e 10%, pelo Datafolha.

Rodrigo Maia (DEM), Otavio Leite (PSDB) e Aspásia Camargo (PV) são unânimes. Para não fazer feio, a prefeitura terá de reestruturar o trânsito. Freixo diz que falta transparência nos contratos com o setor privado, o que dificultará o evento.
Fazendo considerações genéricas, nenhum dos quatro oposicionistas, porém, detalhou ao GLOBO a proposta sobre como conduzir o projeto olímpico do Rio.
— Sem dúvida, é organizar o trânsito da cidade durante o período das competições. O exemplo de Londres nos aponta isso — afirma Leite.
— Precisamos estruturar a engenharia de tráfego da cidade, que, infelizmente, anda muito mal nos últimos tempos — completa Maia.
Aspásia lembra que a ampliação do sistema de transporte não é função da prefeitura:
— Não é o prefeito que pode dar soluções mais robustas, como ampliação de linhas de metrô e de transporte sobre trilhos.

Das obras visando a melhorias físicas para a cidade, a construção dos ramais de ônibus articulados (BRTs) é a mais adiantada, apesar de já apresentar problemas de manutenção, como buracos. Estão previstos 150 quilômetros de vias, divididas em quatro linhas: Transoeste, Transcarioca, Transolímpica e Transbrasil.
Em Londres, que tem um dos mais completos sistemas de transporte de massa do mundo, com interligações entre trem, metrô e ônibus, os Jogos também significaram engarrafamentos, ligando o sinal de alerta do Comitê Olímpico Rio 2016.
— Em qualquer cidade que receba os Jogos, o transporte é sempre o desafio — afirma o diretor do Comitê Olímpico Rio 2016, Leonardo Gryner.

Legado social é preocupação
O investimento social é outra preocupação. Pelo dossiê de encargos, há o compromisso de investir em comunidades carentes no entorno dos complexos esportivos. Paes afirma que já há investimentos nesse setor:
— Pergunta à dona Maria que saía de Santa Cruz para a Barra da Tijuca num ônibus comum o que representou para ela a inauguração da Transoeste. Um de nossos grandes legados (sociais) é transporte. Nós concluímos as vilas olímpicas do Caju e do Mato Alto, e estamos construindo mais duas em Guaratiba e Honório Gurgel. Sem contar o projeto Morar Carioca para urbanizar as comunidades.
Sandro Corrêa, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, alerta:
— O legado social tem que ir além da melhoria de infraestrutura. E deve ser sentido também no campo administrativo, com o saneamento das contas públicas após os Jogos Olímpicos.
Nos Jogos Pan-americanos do Rio, em 2007, o orçamento previsto inicialmente era de R$ 414 milhões. Mas, no fim, as obras custaram R$ 3,7 bilhões aos cofres públicos.

A presidente da Empresa Olímpica Municipal, Maria Sílvia Bastos Marques, informou que só no segundo semestre do ano que vem o custo dos Jogos será conhecido. O orçamento original, apresentado no Dossiê de Candidatura em 2007, previa investimentos de R$ 28,8 bilhões, valor hoje considerado defasado. Destes, R$ 23,2 bilhões seriam aplicados em infraestrutura e instalações pelos três níveis de governo, e R$ 5,6 bilhões, pelo Comitê Organizador.

Ficam para o próximo prefeito questões como a construção de um novo autódromo, exigida pela Confederação Brasileira de Automobilismo pela cessão da pista que receberá o Parque Olímpico. Assim como a remoção das famílias que moram ao lado da futura instalação, em Jacarepaguá. Há indefinições quanto ao reaproveitamento do Velódromo e do estádio de São Januário para competições de rugby.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/proximo-prefeito-do-rio-tera-grandes-desafios-olimpicos-5763820#ixzz23LLEFIcS