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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Marketing esportivo no Brasil vive a ditadura da visibilidade

Por Fabio Kadow

Com o sucesso do projeto desenvolvido pelo Corinthians para a contratação de Ronaldo todos os demais times brasileiros passaram a lotear seus uniformes com o intuito de arrecadar mais dinheiro. Esteticamente acredito que tantos torcedores, como jogadores e até dirigentes vão concordam que este movimento está, praticamente, assassinando as camisas dos clubes. Sendo assim, por que as marcas continuam investindo na compra destes espaços?
A palavra que bem resume este momento é uma só: visbilidade. Executivos de marketing querem ver as suas marcas expostas, o máximo possível, na mídia. Fora isso, os clubes começaram a mostrar no mercado os números de retorno de mídia que elas podem ter numa temporada ou até mesmo em apenas um jogo. Ou seja, o discurso é "se você fosse comprar por este espaço na emissora, usando como cálculo o preço de tabela do mercado de anunciantes, iria pagar X de milhões, já patrocinando meu time este valor é muito inferior a isso, olha que bom negócio". Esta é a conta fácil.
E assim criamos nos últimos anos uma falsa verdade que reina absoluta, de que só com visibilidade se faz uma ação de marketing esportivo. Uma mentira tão grande quanto o dinheiro investido. Sim, a exposição da marca é importante e deve sempre ser considerada (e mensurada). Mas trabalhar só pensando nela que está o erro. Tudo tem que estar dentro de um planejamento de comunicação feito pela empresa (ou pela agência), com diversas outras ações estratégicas de ativação desta propriedade que acaba de ser adquirida por milhões, que impactam nos negócios, nas vendas, nos serviços, enfim, no objetivo final.
E mais, qual a percepção do consumidor perante esta salada de marcas? Ele realmente reconhece? Num exercício rápido, você é capaz de dizer quem estava na barra da camisa do Santos na final da Libertadores do ano passado?
Você sabia, por exemplo, que o Manchester United tem 28 patrocinadores? E, além da AON, que aparece na camisa, estamos falando de empresas como Audi, DHL, Turkish Airlines, Hublot… todos players importantes e que, certamente, não estão fazendo um mal negócio só pelo fato de não estar na camisa. Este é só um exemplo. A Liga do Campeões e a FIFA não permitem mais do que o patrocinador master no uniforme, preocupados com a imagem e o valor da marca que o campeonato tem que ter perante a televisão e seus patrocinadores oficiais.
No Brasil, com a falta de uma entidade gerenciando profissionalmente os campeonatos, esta discussão nem entra na agenda das reuniões.
Nos Estados Unidos o assunto mais forte do momento é sobre a possível liberação de patrocínio nos uniformes de jogo da NBA e NFL, principalmente na liga de basquete, onde, como você vem acompanhando aqui no blog, o debate já dura alguns anos. Um decisão sensível, e que por isso mesmo é alvo de conversas longas entre todos os envolvidos: clubes, mídia, jogadores, empresas que já tem contratos assinados (lembram do caso da Samsung com o Palmeiras?), etc.
São cenários diferentes, tradições distintas, mas o que valorizo neste momento nos americanos é a maneira como estão tratando o tema antes de tomar qualquer decisão. Por fim, reforço a importância da questão financeira, mas o que questiono é o modelo de negócios atual do Brasil, onde tudo passa pela marca aparecer no uniforme, o que atrapalha tanto para o clube criar novas oportunidades, como para as marcas pensarem numa estratégia diferente.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Empresa de Ronaldo negocia patrocínio para o Corinthians, mas pode ajudar Flamengo e SP

Por: Danilo Lavieri e Lucas Tieppo (UOL)

Ainda sem um grande patrocinínio para esta temporada, Corinthians, Flamengo e São Paulo aguardam uma ajuda indireta de Ronaldo para encherem os cofres. Por meio da agência de marketing esportivo 9ine, o ex-atacante está intermediando as conversas para a montadora sul-coreana Hyundai estampar sua marca no uniforme do trio. Apesar disso, o clube do Parque São Jorge é, por enquanto, quem recebeu a maior oferta financeira e um plano diferenciado de parceria.
 Apesar de os valores não terem sido divulgados, o UOL Esporte apurou que as conversas com o Corinthians estão mais avançadas do que as com os outros dois clubes. Além de um lugar na camisa, a Hyundai propôs como negócio a cessão de veículos da marca para serem usados pelos atletas, em ação já realizada com sucesso por diversos clubes europeus, como Real Madrid e Milan.
 A necessidade de a Hyundai de entrar no mercado do futebol servirá, basicamente, para enfrentar duas concorrentes: Chevrolet, que comprou os naming rights do Campeonato Paulista, e da Kia, que pertence ao mesmo grupo, mas é rival no mercado, e agora ocupa o espaço master da camisa do Palmeiras.
 Todas as informações foram confirmadas por um diretor da 9ine, que ainda disse que Ronaldo não está diretamente ligado aos negócios, mesmo sendo ele o dono da empresa. Ele ainda lamentou que as informações já tenham sido vazadas.
 Recentemente, um dos principais diretores da montadora foi ao estádio do Pacaembu acompanhar o jogo do Corinthians contra o Botafogo-SP e recebeu uma camisa do clube com a marca da Hyundai. A diretoria corintiana descartou uma aproximação e disse que o ato foi apenas um agrado.
 As negociações, no entanto, seguem também por fora nos três clubes. A 9ine não será exclusiva nessa busca. O Corinthians tem seu contrato com a Hypermarcas vencendo nos próximos dias. O São Paulo já joga sem o logo da BMG há dois meses, enquanto que o Flamengo ainda não encontrou um patrocinador que fizesse o investimento em Ronaldinho Gaúcho valer a pena.
 O vice-presidente de marketing do São Paulo, Julio Casares, afirmou que não há nada de oficial com relação ao interesse da empresa do ramo automobilístico, porém, não descartou um possível contato no futuro.
 “Temos que fazer que um bom contrato, por isso trabalhamos com tranquilidade. Temos o estádio do Morumbi que é altamente rentável. Não há pressão nenhuma”, disse o dirigente.
 O clube acertou recentemente um acordo para que o empresário Roberto Justus auxilie na busca por um novo patrocinador. Depois de sonhar com um valor acima dos R$ 30 milhões pagos pelo BMG, a diretoria tricolor já admite acertar por cifras menos expressivas. “Não falo em valores”, resumiu Julio Casares.