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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

TJ adota medidas para conter torcidas violentas


Estádios terão juizados com mais poder de ação, e brigões serão monitorados pela polícia nas redes sociais

Por Antôno Werneck

RIO - A partir desta quinta-feira, duas medidas passam a valer para conter a violência das torcidas organizadas no estado: o Juizado Especial Criminal (Jecrim) terá ampliada sua competência nos estádios de futebol, atuando também em crimes cujas penas ultrapassem os dois anos de prisão; além disso, torcedores com histórico de violência serão monitorados pela polícia nas redes sociais, podendo a qualquer momento ter decretada a quebra dos sigilos telefônico e eletrônico na internet. O anúncio foi feito na quarta-feira pelo desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, presidente do Tribunal de Justiça do Rio.

Clubes têm outras propostas
Durante três horas, numa reunião com dirigentes de clubes e representantes da Federação de Futebol do Rio, o presidente do TJ discutiu ações para conter a onda de violência envolvendo torcedores. As duas medidas tiveram aprovação imediata, enquanto outras oito propostas serão avaliadas por uma comissão coordenada pela federação.
— Os clubes e a federação entenderam que precisamos agir com rapidez. Caso contrário, seremos tragados por bandidos que matam e agridem sem motivação alguma, praticando violência dentro e fora dos estádios. Não podemos dar trégua a bandidos travestidos de torcedores. A sociedade merece uma resposta — afirmou o presidente do TJ.
O desembargador garantiu que as medidas passam a valer a partir de hoje, e que elas serão aplicadas todas as vezes que a autoridade policial julgar necessário.
— Vamos seguir o trâmite normal: a autoridade policial solicita, nós analisamos e, julgando necessário, decretamos a quebra dos sigilos — garantiu o desembargador.
O primeiro encontro entre o desembargador e representantes de clubes aconteceu no dia 4 de setembro, quando foram discutidas e apresentadas medidas para conter a violência das torcidas organizadas.
— Ou nós agimos ou seremos cobrados pelo que virá — disse o presidente do TJ.

Torcedores na mira
Entre as outras medidas apresentadas pelos representantes de clubes e da Federação está o cadastramento das torcidas organizadas e a responsabilização dos seus dirigentes em caso de confusão antes ou depois dos jogos de futebol. Os clubes também propuseram medidas como a presença de um juiz do Jecrim por um período de três horas antes e depois dos jogos; a criação de uma unidade centralizadora dos flagrantes da Polícia Civil para atuar em eventos especiais; e a instalação de sistema de segurança capaz de monitorar todos os torcedores nas estações de trem e metrô. Todas as propostas serão estudadas pela comissão.
Policiais são investigados por venda de ingressos
Dois policiais militares estão sendo investigados por agentes do recém-criado núcleo de combate aos crimes praticados durante grandes eventos. Os PMs teriam sido acusados de agirem como intermediários entre a diretoria do Fluminense e quatro cambistas presos em agosto nos arredores do Estádio Olímpico João Havelange, no momento em que tentavam vender 26 ingressos de cortesia.
As entradas, que não poderiam ser comercializadas, estavam sendo oferecidas por valores entre R$ 30 e R$ 40. Elas eram destinadas exclusivamente à Polícia Militar do Rio, à diretoria e ao departamento de futebol do Fluminense, e à torcida organizada Força Flu.
As prisões ocorreram pouco antes do início da partida entre o Fluminense e o Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro. Pelo borderô do jogo (boletim financeiro com o número de pagantes e a renda arrecadada) preenchido no dia 28 do mês passado, 14.430 ingressos foram postos à venda. Porém, apenas nove mil pessoas entraram no estádio, sendo 1.700 beneficiadas com a cortesia.
Os cambistas Luiz Cláudio da Silva, Valmir dos Santos, Cosme Alves e Fábio Nanci foram encaminhados ao Juizado Especial Criminal e acabaram autuados com base no artigo 41-F do Estatuto do Torcedor, que trata da venda de ingressos de evento esportivo por preço superior ao estampado no bilhete.

Torcidas banidas dos estádios
Uma força-tarefa envolvendo oito delegacias especializadas da Polícia Civil passou a atuar no Rio em agosto no combate aos crimes praticados por torcidas organizadas. A medida foi anunciada depois de 23 torcedores do Fluminense terem sido flagrados espancando e assaltando dois torcedores do Vasco, no Engenho de Dentro.
Atendendo a uma representação da chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, a Justiça do Rio baniu dos estádios este ano as torcidas organizadas Young Flu e Torcida Jovem Fla. Em agosto também, uma briga generalizada entre torcedores de Flamengo e Vasco deixou um homem morto em Tomás Coelho.
No início deste mês, um torcedor do Flamengo foi condenado pelo Tribunal do Júri de Niterói à pena de 18 anos de prisão, em regime fechado, por seis tentativas de homicídio qualificado e por formação de quadrilha armada.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/tj-adota-medidas-para-conter-torcidas-violentas-6207045#ixzz27epzDAl5 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Presidente do TJ se reunirá com dirigentes de clubes de futebol na quarta-feira


O encontro busca discutir propostas de controle da violência nos estádios

RIO - Está marcada para as 16h30m de quarta-feira a reunião entre o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, e os dirigentes de clubes de futebol e representantes. O encontro busca discutir propostas de controle da violência nos estádios.
Um primeiro encontro aconteceu no dia 4 de setembro, quando foram discutidas medidas como cadastramento das torcidas organizadas, identificação dos torcedores, interceptação telefônica e na internet, suspensão, responsabilização dos clubes de futebol e dos seus dirigentes, além da ampliação da competência dos Juizados Especiais Criminais nos estádios, que passariam a atuar nos demais crimes e não só naqueles de menor potencial ofensivo.
“Nós temos que dar uma resposta digna à sociedade. Esses bandidos travestidos de torcedores têm que ser eliminados dos estádios. Ou nós agimos ou seremos cobrados pelo que virá. Seremos tragados pela violência de meia dúzia de bandidos que matam e agridem sem motivação alguma, apenas porque torcedores estão vestidos com a camisa de um time de que não gostam”, afirmou, em nota, o presidente do TJ.
Há um mês, o comandante do Grupamento Especial de Atendimento em Estádios (Gepe), tenente-coronel João Fiorentini, afirmou que muitos líderes de torcidas organizadas rivais remarcam, por telefone, os embates agendados pelas redes sociais ao serem descobertos pela polícia. O tenente-coronel disse na época que iria sugerir aos clubes de futebol o corte de ingresssos e benefícios de torcidas organizadas que se envolverem em brigas e agressões aos grupos rivais.
Após uma confusão envolvendo a torcida organizada Young Flu, quando 21 integrantes foram presos em flagrante por espancar e assaltar dois torcedores do Vasco da Gama na estação ferroviária do Engenho de Dentro, a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, entrou com uma representação no Ministério Público pedindo a proibição da torcida nos estádios, a exemplo do que já havia acontecido com a Torcida Jovem Fla. A delegada anunciou na ocasião que todos os casos envolvendo briga de torcidas e crimes praticados por torcedores de futebol seriam tratados por um núcleo formado por sete delegacias da Polícia Civil.
A Divisão de Homicídios — que até então tinha a atribuição de investigar assassinatos apenas na capital — passa a trabalhar em todo o estado sempre que houver assassinato atribuído a torcedores, segundo a chefe de Polícia Civil.
— Não somos contra o direito do torcedor ir ao estádio assistir as partidas do seu clube, mas não podemos tolerar a prática de ações criminosas — disse.
Marta Rocha garantiu ainda que o núcleo vai ter ampla atuação, cuidando não só de torcedores, mas atuando também em grandes eventos. Marta anunciou ainda que a partir de agora qualquer homicídio que ocorrer dentro de estádios, com suspeita de envolvimento de torcidas organizadas, será investigado também pela Divisão de Homicídios.
Em agosto, uma briga generalizada entre torcedores de Flamengo e Vasco deixou um homem morto em Tomás Coelho, na Zona Norte. Durante a confusão, o vascaíno Diego Martins Leal foi baleado e não resistiu ao ferimento. Um rubro-negro se feriu, mas sem gravidade. Cerca de 50 torcedores que se envolveram no tumulto foram detidos e levados para a 44ª DP (Inhaúma), onde o caso foi registrado. A confusão no dia de clássico não ficou limitada à Zona Norte. Houve outro confronto na Taquara, próximo ao largo do Tanque, na Estrada do Cafundá. Nesse caso, policiais do 18º BPM (Jacarepaguá) foram ao local e prenderam sete torcedores, sendo três rubro-negros e quatro vascaínos. De acordo com a Polícia Militar, na confusão, seis pessoas ficaram feridas, sendo duas a tiros. Os disparos atingiram o abdômen de uma das vítimas e a coxa da outra.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/presidente-do-tj-se-reunira-com-dirigentes-de-clubes-de-futebol-na-quarta-feira-6194554#ixzz27XLHjG6P 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Oito delegacias vão combater violência entre torcidas e crimes em grandes eventos


A medida foi anunciada pela chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, que também entrou com uma representação na Procuradoria Geral de Justiça pedindo o banimento da Torcida Young Flu dos estádios, assim como fez com a Torcida Jovem do Flamengo

Por Gustavo Goulart, Antônio Werneck, Ana Claudia Costa, Renata Leite, Waleska Borges

RIO - A Polícia Civil montou um time para tirar de campo os torcedores brigões. Uma força-tarefa envolvendo policiais de oito delegacias especializadas vai atuar, a partir de agora, no combate aos crimes praticados durante a realização de grandes eventos, com foco nas torcidas organizadas. A medida foi anunciada nesta segunda-feira pela delegada Martha Rocha, chefe da Polícia Civil, que também entrou com uma representação na Procuradoria Geral de Justiça pedindo o banimento da Torcida Young Flu dos estádios, assim como fez com a Torcida Jovem do Flamengo. A decisão de Martha foi tomada após a prisão, no sábado, de 23 torcedores do Fluminense, entre eles dois menores, flagrados espancando e assaltando dois torcedores do Vasco na estação de trem do Engenho de Dentro.
— Estou recomendando aos delegados que a partir de agora qualquer fato envolvendo torcida organizada seja tratado com rigor — disse a delegada.

Núcleo criado em 2005 não durou
A Divisão de Homicídios (DH) — que investiga assassinatos só na capital — passa a trabalhar em todo o estado sempre que houver morte atribuída a torcedores, segundo a chefe de Polícia. A unidade já teve um Núcleo de Investigação Sobre Torcidas Organizadas, em 2005, mas em pouco tempo ele deixou de atuar.
Dos torcedores do Fluminense presos, 21 deles, maiores de idade, que estavam em Bangu 2 foram transferidos ontem para a Cadeia Pública Bandeira Stampa, em Gericinó. Advogados de sete deles entraram com pedidos de relaxamento de prisão no Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça, que negou todos. Outros quatro estão com pedidos em análise na 33ª Vara Criminal. Entre os adultos presos, quatro já tinham antecedentes criminais por lesão corporal dolosa, rixa, tumulto (previsto no Estatuto do Torcedor) e por atuar como cambista.

O comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe), tenente-coronel João Fiorentini, disse ontem que muitos chefes de torcidas organizadas rivais usam redes sociais para marcar brigas e depois telefonam para mudar os pontos de encontro, driblando a polícia. Por isso, Fiorentini disse que vai sugerir aos clubes que cortem os ingressos gratuitos e os benefícios de torcidas organizadas que se envolverem em brigas:
— É uma coisa orquestrada (a violência) e não aleatória. Muitas vezes eles ficam rodando a cidade em busca de torcedores rivais.

O comandante disse nesta segunda-feira que está há um ano no comando da unidade e nesse período já prendeu 300 torcedores em brigas. Na maioria das vezes, o preso tem direito a responder ao inquérito em liberdade, disse. Segundo o oficial, há uma uma lista extensa de torcedores banidos dos estádios brasileiros, mas o Gepe não tem acesso a ela. Só os núcleos do Juizado Especial Criminal nos estádios têm esses nomes.

O juiz Marcello Rubioli, da 1ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça, disse nesta segunda-feira que a decisão de prender os 23 torcedores da Young Flu que agrediram dois torcedores vascaínos dentro de um trem pode ser interpretada como exemplar, mas baseada na lei. Ele explicou que mandou prender os agressores por roubo, o que foge à alçada do Juizado Especial Criminal (Jecrim), no qual deu plantão no sábado passado, dia da violência.
— As vítimas foram agredidas pelos 23 torcedores e vários pertences foram roubados por três deles. Os três foram presos em flagrante pelo crime de roubo simples e os demais pelo artigo 157, também roubo, mas pela co-autoria e participação. Todos eles foram identificados pelas vítimas, inclusive indicados por elas. As vítimas ficaram bastante machucadas. A agressão durou o tempo de uma viagem entre duas estações, partindo da Pavuna — contou. — A medida tomada pelo Jecrim é comum. Talvez essa tenha ganhado muito destaque pela quantidade de presos ou até mesmo pela morte do torcedor do Vasco na semana passada (quando a vítima foi morta por torcedores do Flamengo).

O magistrado disse que há seis anos o Jecrim vem agindo com rigor e que para reprimir a onda de violência nos estádios é necessário aplicar o Estatuto do Torcedor.
— O que é importante ser dito é que diante dessa crescente violência nos estádios no Rio, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Civil e a Polícia Militar, que estão de frente para garantir a segurança, estão agindo, estão reprimindo e essas prisões são o retrato dessa atuação unificada do estado com o objetivo de que os estádios de futebol voltem a ser palco para as famílias, para poderem levar seus filhos, para poderem se divertir. E garantir o que diz o Estatuto do Torcedor, que o espetáculo esportivo é um local de segurança, onde o consumidor pode se divertir, é um local de lazer.

Há um projeto de lei, já aprovado em primeira discussão na Alerj, que busca ordenar a entrada de torcidas organizadas nos estádios. Ele determina que o poder público registre os torcedores. As torcidas ficariam em locais determinados e, se houvesse agressões, seriam impedidas de voltar aos estádios.
Para defender a paz entre as torcidas, um grupo está usando as redes sociais para organizar o Samba do Bellini, manifestação pacífica em 22 de setembro, em frente ao portão principal do Maracanã. O traje obrigatório será a camisa do time de cada torcedor. Em nota, o Fluminense informou que não compactua com a violência e apoia a ação policial. Disse ainda que dará apoio às torcidas do bem.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/oito-delegacias-vao-combater-violencia-entre-torcidas-crimes-em-grandes-eventos-5913428#ixzz24tfEmuHD