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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Planejamento da Copa do Mundo do Brasil falha na mobilidade urbana


Nenhuma das 50 obras prometidas em 2010 foi concluída, 13 delas foram retiradas do compromisso

Por Eduardo Bresciani

BRASÍLIA - Apontada desde o início da preparação como o maior legado para a população das sedes da Copa do Mundo de 2014, a mobilidade urbana é hoje o maior problema no planejamento. Nenhuma das 50 obras prometidas em 2010 foi concluída, 13 foram retiradas do compromisso, e as 37 que continuam na matriz de responsabilidades tiveram o cronograma alterado, sendo que em 19 delas houve também mudança no orçamento.

Com a inclusão de obras de menor porte, as intervenções de mobilidade urbana somam 53 na matriz atual, mas o investimento destinado a elas caiu de R$ 11,59 bilhões em 2010 para R$ 8,6 bilhões no final de 2012.

Isso ocorreu mesmo com um aumento de R$ 765,5 milhões nas 19 obras em que o orçamento foi revisto.

As intervenções em mobilidade urbana foram sempre defendidas como uma contribuição da Copa para o dia a dia dos cidadãos. O argumento era que o poder público investiria em obras estruturais para que depois da Copa os benefícios pudessem ser sentidos pelos habitantes com mais opções de transporte público e melhoria no trânsito.

Das 37 obras que continuam previstas, todas registram novo prazo para conclusão, segundo o balanço da Copa, divulgado pelo governo federal em dezembro. Destas, 29 já deveriam ter sido entregues, segundo o que foi prometido em 2010. Agora, 18 delas devem ficar prontas este ano e as outras 19 em 2014. Ao longo do planejamento, foram incluídos 16 novos empreendimentos, a maioria de menor porte. Metade tem entrega prevista para 2013 e o restante tem como prazo o ano da Copa do Mundo.

O Ministério das Cidades, responsável pelo monitoramento destas obras, afirma que as intervenções urbanas retiradas da matriz de responsabilidades continuam em andamento. "As obras em questão não foram canceladas, elas migraram da matriz de responsabilidades da Copa para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)", diz a pasta.

Atrasos e alterações do orçamento decorrem de "readequações" necessárias no desenvolvimento dos projetos, complementa o ministério.

CANCELADAS
Em Manaus, as duas obras previstas foram canceladas. Um monotrilho que ligaria a região norte ao centro da cidade e um corredor de ônibus para a região leste foram retiradas da previsão. O governo do Amazonas culpa a "burocracia" pelo atraso na obra do monotrilho, mas ressalta que a obra continua em andamento e deve ser concluída em 2015. Na Bahia, a matriz original trazia a previsão de apenas uma obra viária ligando o aeroporto ao acesso norte de Salvador. A intervenção foi retirada e hoje a capital terá como intervenções de mobilidade duas pequenas obras no entorno da Arena Fonte Nova. Segundo o governo do Estado, a obra viária foi substituída por um metrô, mas essa ação não foi incluída na matriz porque pode não ficar pronta para o evento.

Na região Sul foi o preço das obras que cresceu ao longo destes três anos e os prazos foram prorrogados para a véspera do evento. Em Porto Alegre, das 10 obras prometidas, oito tiveram o orçamento ampliado com o total indo de R$ 483,2 milhões para R$ 809,7 milhões, uma alta de 67%. Previstas para serem entregues até junho de 2013, agora têm como prazo de conclusão o mês de maio de 2014. A prefeitura de Porto Alegre diz que os projetos foram alterados para a realização de obras de qualidade superior.

Em Curitiba, das nove intervenções previstas inicialmente, uma foi cancelada e seis tiveram o custo ampliado, subindo de R$ 234,1 milhões para R$ 354,6 milhões. Todas deveriam ter sido entregues em 2012 e agora tem como previsão o ano da Copa. A prefeitura, que teve troca de comando nas últimas eleições, informou que deve concluir uma análise das obras nesta semana e não teria como comentar as mudanças.

Em São Paulo, a alteração decorre da troca do estádio da capital paulista na Copa. O monotrilho do Morumbi, que tinha orçamento de R$ 2,8 bilhões, foi substituído por intervenções viárias em Itaquera no valor de R$ 317,7 milhões. O governo paulista afirma que a obra na zona sul da cidade continuará. 

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,planejamento-da-copa-do-mundo-do-brasil-falha-na-mobilidade-urbana,983613,0.htm

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Prejudicado por erro, CEL vai à Justiça para disputar Olimpíadas Escolares


Secretaria Estadual de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro admite falha nas inscrições. Quatro alunos de vôlei de praia ficaram fora da competição

Uma falha da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro (SEEL) durante as inscrições deixou quatro atletas de vôlei de praia fora das Olimpíadas Escolares, maior evento esportivo escolar do país. As duplas do Centro Educacional da Lagoa (CEL), vencedoras da etapa estadual, não poderão participar da competição nacional, em Cuiabá, a partir de domingo. O colégio recorreu à Justiça Comum para tentar garantir a presença de Luisa Domingues e Paula Hoffmann, atuais vice-campeãs mundiais estudantis, e de Antonio Affonso e Matheus Saisse - os dois com passagens pela seleção brasileira de praia.

As duplas do CEL garantiram o direito de ir a Cuiabá ao vencerem a etapa do Rio de Janeiro, no mês passado, na Praia da Copacabana. É a primeira vez que o vôlei de praia faz parte das Olimpíadas Escolares. O campeonato reunirá cerca de quatro mil atletas com idade entre 15 e 17 anos para a disputa de 13 modalidades (atletismo, basquete, ciclismo, futsal, ginástica rítmica, handebol, judô, natação, taekwondo, tênis de mesa, vôlei, vôlei de praia e xadrez).
- Estamos fazendo o possível e o impossível para tentar garantir a eles o direito de participar dos jogos. Nossos advogados estão desde a semana passada tentando, na Justiça Comum, um mandado de segurança que possa viabilizar a presença deles na competição. A frustração é muito grande. Não consigo entender como quatro jovens sejam penalizados por erros de terceiros, já que não fomos nós, da escola, que falhamos, muito menos os atletas - disse Afonso Hildebrandt, diretor do departamento de esportes do CEL.

A Secretaria Estadual (SEEL) admitiu o erro e disse que pretende minimizar o prejuízo arcando com os custos de viagens das duplas em outras competições.

- Houve um erro humano. Cada estado tinha até a data de 17/10 para realizar, no portal oficial das Olimpíadas Escolares, a inscrição de participação em cada modalidade na etapa nacional, que será realizada entre 25/11 e 8/12, em Cuiabá. O problema foi que, ao informar as modalidades que a delegação do Estado do Rio de Janeiro disputará, o vôlei de praia não foi assinalado, apesar da realização da seletiva estadual em arena montada na Praia de Copacabana no dia 21/10. A SEEL vai tomar medidas para evitar que erro semelhante se repita no futuro. Além disso, pretende amenizar o prejuízo para as duplas campeãs, como por exemplo, investir na viagem destes atletas em outras competições de nível nacional - disse a Secretaria, através de sua assessoria de imprensa.

O CEL entrou em contato com o COB antes que o prazo para envio das fichas de inscrições digitalizadas fosse expirado, mas, como era necessário ter indicado a intenção de participação, não houve como abrir exceção.

- O prazo para inscrição dos atletas foi amplamente divulgado às entidades estaduais responsáveis. Os estados tinham conhecimento deste prazo e receberam a orientação para que seguissem as datas estabelecidas, sem exceções. As Olimpíadas Escolares se consolidaram como o maior evento esportivo escolar do país e um dos cinco maiores do mundo justamente pela adoção de práticas profissionais de organização e gestão, seguindo o modelo dos grandes eventos internacionais - explicou COB, em nota.

Vice-campeã mundial tem contrato rompido pelo Fla e fica sem vaga nas Olimpíadas Escolares

Uma das atletas envolvidas no caso teve prejuízo duplo. Luisa Domingues, atleta do Flamengo, teve o contrato com o clube rompido depois que optou por disputar a final estadual das Olimpíadas Escolares, em vez de jogar uma partida pelo Rubro-Negro. Ela e Paula Hoffmann conquistaram o vice-campenato mundial estudantil, no ano passado, em Toulon, na França.

- Eu já tinha avisado sobre a final estadual, mas o meu técnico disse que se eu não comparecesse ao jogo contra o Botafogo, eu seria cortada do Flamengo. Agora, estou sem clube e não vou jogar as Olimpíadas Escolares. Recebi algumas propostas de outros clubes, mas ainda não decidi para onde vou. Estava tudo certo para irmos a Cuiabá, mas ligaram para o colégio dizendo que a Secretaria de Esporte e Lazer esqueceu de marcar um "x" com a intenção de participar das disputas no vôlei de praia. É um absurdo se a gente não participar - disse Luisa.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/esporte-estudantil/noticia/2012/11/prejudicado-por-erro-cel-vai-justica-para-disputar-olimpiadas-escolares.html