Por Luís Rolim
A Rio+20 aconteceu no Brasil há algumas semanas e todos nós estávamos focados nas questões ambientais de nosso planeta. Para mim é sempre interessante discutir sobre futuro sustentável e, especialmente, o impacto que os megaeventos trazem para o local que os sedia. Se antes o desafio era iniciar o debate sobre isso, agora o desafio é continuá-lo.
É sempre assim: vêm os eventos internacionais e a mídia, juntamente com as pessoas, dá a devida atenção para tal. Passamos cinco, seis dias sendo bombardeados com informações e notícias sobre um determinado assunto. Para os experts, é sempre uma possibilidade de mostrar para a sociedade seus anos de estudos. Para os gestores do esporte (ou seja, aqueles que nos representam e devem tomar as decisões nos âmbitos federais, regionais e locais) é uma possibilidade de discutir formas práticas de como implementar esses estudos.
Assim, paralelamente à Rio+20, foi organizado um evento internacional sobre sustentabilidade no esporte. Com uma metodologia inovadora, na qual os palestrantes internacionais participaram online, esse evento teve um cunho acadêmico e trouxe devida atenção para o tema do esporte e meio ambiente, em especial megaeventos, como Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo.
Eu fui convidado a participar e dei minha contribuição online. Relatei alguns eventos históricos em que os Jogos Olímpicos tiveram a aproximação com as questões ambientais. Desde os Jogos de Inverno em Lillehammer, no ano de 1994, o Comitê Olímpico Internacional adotou como um dos seus pilares a questão do meio-ambiente. Assim, sempre que se pensa em organizar os Jogos, as cidades candidatas devem apresentar um projeto ecologicamente sustentável.
Não vou entrar no mérito se isto vêm ou não sendo implementado. Mas, sim, gostaria de abrir o diálogo para a questão educacional associada a isso.
Projetos maravilhosos com arquiteturas inovadoras e ecologicamente corretas são o que precisamos, sim, para nossos Jogos Olímpicos. Porém de nada adianta essas estruturas se as pessoas ao redor delas ainda continuam a jogar a lata de refrigerante no chão, etc..
Para mim, antes de qualquer megaevento ou microevento, devemos pensar em educar ecologicamente, seja por meio do esporte ou não. Implementar um projeto educacional que vá da pré-escola aos bancos da universidade. Um projeto interdisciplinar, um projeto federal. Já existem diversos exemplos locais com o apoio do governo nesse sentido. Porém não há um pilar, como bem implementou o Comitê Olímpico Internacional para os Jogos Olímpicos.
Sei que ainda temos muitos outros projetos educacionais que devem ser implementados e talvez o próprio projeto educacional brasileiro deva ser revisto. Mas, talvez, nossa oportunidade esteja aí, com o incentivo dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo podemos começar a tirar do papel nossos projetos. O esporte como carro-chefe da mudança!
Está aqui o nosso novo desafio: continuar o debate para fora dos eventos acadêmicos, adentrar a sala de aula e mudar as nossas atitudes no meio (ambiente) em que vivemos.
Luis Henrique Rolim Silva atualmente trabalha no Museu Olímpico e do Esporte no Qatar. Procura ver o fenômeno Jogos Olímpicos por diferentes perspectivas, da história à educação, do comercialismo à política, da performance ao doping.
Fonte: http://memoriaolimpica.com/noticias/esporte-e-o-debate-do-meio-ambiente
Nenhum comentário:
Postar um comentário