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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Operários da Vila dos Atletas são treinados


O motivo é o aquecimento da construção civil na cidade

RIO - O Consórcio Ilha Pura, responsável pela construção da Vila dos Atletas no terreno onde foi realizado o primeiro Rock in Rio em 1985, na Avenida das Américas, decidiu treinar boa parte de seus pedreiros, carpinteiros e eletricistas. A medida tem o objetivo de resolver um problema: com o aquecimento da construção civil na cidade, faltam operários no mercado de trabalho. E tarefas, com certeza, não vão faltar.

Mão de obra da região
O condomínio conta com 31 torres de 17 andares cada e 3.604 apartamentos que começaram a ser erguidos em junho deste ano. A previsão é que, em meados de 2013, de 5 a 6 mil operários estejam trabalhando nos canteiros.
— Contratamos uma empresa para ajudar no recrutamento e treinamento da mão de obra. A prioridade será recrutar pessoal num raio de 18 quilômetros. A preocupação de deixar um legado social faz parte da estratégia do consórcio para que a região tire o melhor proveito dos Jogos Olímpicos — explicou o presidente do Consórcio Ilha Pura, Carlos Armando Guedes Paschoal.
Para dar uma ideia do exército de pessoas, o total de operários equivale ao efetivo mobilizado na construção de uma barragem de grande capacidade. Segundo Paschoal, as obras já começaram em 13 torres. Até agora, não houve qualquer surpresa nos canteiros. Em algumas unidades, os operários já se preparam para concretar a laje do primeiro pavimento. Carlos Armando acrescentou que algumas instalações de apoio já estão quase prontas. Estão sendo implantadas duas usinas de concreto dentro do canteiro para reduzir o tráfego de caminhões no entorno e nas vias de acesso.
Outra novidade é que o Consórcio Ilha Pura irá plantar num viveiro próprio as mudas do projeto paisagístico do condomínio. A empresa ainda não definiu quando os primeiros apartamentos serão vendidos ao público.
A previsão é que os prédios sejam entregues ao Comitê Organizador até 28 de dezembro de 2015. Eles serão, então, preparados para receber mais de 16 mil atletas olímpicos e paralímpicos.
De acordo com o cronograma apresentado ao Comitê Olímpico Internacional (COI), os primeiros 952 apartamentos do condomínio devem ficar prontos em 26 de maio de 2014.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/operarios-da-vila-dos-atletas-sao-treinados-6831988#ixzz2Dgrjy0iQ 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Vila dos Atletas terá fábrica de concreto para evitar vaivém de caminhões e caos no trânsito


Sem a fábrica, a previsão era de caos: 64 viagens diárias de veículos para o transporte do material, cerca de 37.500 até o fim da obra

Por Isabela Bastos

RIO - Tirar do chão 31 prédios de 17 andares sem provocar impacto no trânsito da Barra da Tijuca. A construção da Vila dos Atletas para os Jogos de 2016, com seus 3.604 apartamentos, é um senhor desafio. Para enfrentá-lo, a obra terá sua própria fábrica de concreto. Com dois módulos, ela já está sendo construída e começa a funcionar em outubro, com capacidade para produzir 300 mil metros cúbicos de massa (300 milhões de litros), suficientes para atender ao projeto nos próximos 4 anos. Ousadia e criatividade para evitar um verdadeiro cortejo de betoneiras durante a construção. Sem a fábrica, a previsão era de caos: 64 viagens diárias de caminhões para o transporte do material, cerca de 37.500 até o fim da obra. Uma sobrecarga fatal para vias já congestionadas como a Linha Amarela e as avenidas Ayrton Senna e Abelardo Bueno.
— Com a quantidade de concreto que será usada na obra, seria possível construir cinco Maracanãs — explica o presidente da empresa Ilha Pura, Carlos Armando Paschoal, responsável pelas obras, explicando que a grandiosidade da construção foi um dos motivos que o levou a optar por uma fábrica particular. — Mas também garantimos a qualidade do produto final e o prazo de entrega do concreto. Os caminhões poderiam ficar presos em congestionamentos. Seria um transtorno muito grande. Só dentro do canteiro há 12 caminhões circulando.

Movimento de cinco mil operários
Iniciadas em junho e orçadas em R$ 2 bilhões, as obras da Vila dos Atletas estão concentradas nas fundações de três dos sete condomínios que serão erguidos no terreno de 206 mil metros quadrados, próximo ao Riocentro. Segundo a Iha Pura, cada condomínio levará 21 meses para ficar pronto. Como a Vila dos Atletas tem que ser entregue ao Comitê Olímpico Internacional (COI) até 31 de dezembro de 2015, o cronograma prevê que, no ponto crítico dos trabalhos, 18 prédios estejam sendo construídos ao mesmo tempo. Para se ter uma ideia da dimensão da obra, cinco mil operários vão circular no canteiro. Como há previsão de trabalho noturno eventual, estuda-se a construção de alojamentos.
Nas próximas duas semanas, a Ilha Pura, que é formada pelas construtoras Carvalho Hosken e Odebrecht Realizações, finaliza o projeto das fachadas dos prédios, cujas unidades serão entregues aos compradores no segundo semestre de 2017. Ao fim dos Jogos, durante oito meses, os apartamentos serão renovados para serem entregues aos proprietários.
— A Rio 2016 fará uma série de adaptações, como a instalação de aparelhos de ar-condicionado, aquecedores de água, mobiliários e cortinas, para uso dos atletas. Quando devolverem as unidades, em novembro de 2016, precisaremos deixá-los no estado original para os donos. Em Londres, os apartamentos foram devolvidos em perfeitas condições — diz Paschoal.
Os apartamentos de 2, 3 e 4 quartos, o menor com 78 metros quadrados, começam a ser vendidos no segundo semestre de 2013. Durante os Jogos, eles vão abrigar 17.950 atletas e técnicos. A Vila dos Atletas terá ainda um parque público de 65 mil metros quadrados, projetado pelo escritório de paisagismo Burle Marx.

Londres: material levado por trilhos
O concreto utilizado nas Olimpíadas de Londres também teve a marca da sustentabilidade. Preocupados com os impactos da construção do Estádio Olímpico, principal palco do evento, os organizadores britânicos utilizaram uma área no perímetro do Parque Olímpico, junto a um ramal ferroviário, para instalar a fábrica do insumo. O objetivo era minimizar o impacto com transporte e garantir o cumprimento das metas ambientais.
O planejamento possibilitou que todo o material usado no estádio fosse entregue e transportado por trem, tirando milhares de caminhões do trânsito londrino e das rodovias, evitando congestionamentos e os efeitos da poluição. A criação de um espaço destinado ao material de construção permitiu também a redução no transporte de vários componentes importantes para o principal palco do evento.
— O desejo da nossa equipe era desenhar, em Londres, o mais sustentável estádio olímpico já construído e reduzir a quantidade de aço e concreto empregada — explicou Jeff Keas, diretor da Populous, empresa de arquitetura e design que também projetou os estádios da Luz e do Algarve, em Portugal; o Olímpico de Sydney, na Austrália; os de Wembley e do Arsenal, ambos em Londres; e o das Olimpíadas de Inverno-2014, em Sochi, na Rússia.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/vila-dos-atletas-tera-fabrica-de-concreto-para-evitar-vaivem-de-caminhoes-caos-no-transito-6206770#ixzz27iboWHie